6615 – Xixi contra o Aquecimento Global


A urina animal e humana ajuda a absorver carbono da atmosfera. É o que diz um novo estudo divulgado pelo pesquisador espanhol Manuel Jiménez Aguilar no Journal of Hazardous Materials (Jornal de Materiais Tóxicos). E quer saber como o xixi poderia retirar do ar o principal gás causador do efeito estufa? Por meio do uso de containers ou chaminés industriais e domésticas, que exalariam a urina!
Segundo os pesquisadores, cada molécula de ureia contida na urina produz um mol de bicarbonato de amônio e um mol de amônia, que tem a capacidade de absorver 1 mol de dióxido de carbono. Aguilar explica que um litro de xixi pode absorver alguns gramas de CO2 durante seis meses, de modo que a emissão do gás reduziria em 1%.
Mas, para que a urina não entre em decomposição nos reservatórios das chaminés, a sugestão de Aguilar é misturar uma pequena quantidade de um líquido que sobra do processo de centrifugação da pasta da azeitona – de acordo com o cientista, o fluido é escuro e fedido.
Depois de toda a absorção de gás – que poderia ser detectada por meio de um sistema de controle -, o líquido pode ser usado como fertilizante natural na agricultura.
Sabemos que o xixi tem a vantagem de ser produzido em abundância e de uma forma natural. O problema seria o mau cheiro.

6614 – Quais são as substâncias mais esquisitas usadas para fabricar combustível?


Em tempos de aquecimento global acelerado, cientistas correm atrás de fontes de energia limpas para impulsionar veículos e máquinas industriais sem se importar muito com a procedência. O hidrogênio, por exemplo, é um desses combustíveis alternativos e pode ser extraído até de xixi! “A urina, em estado normal, contém 2 gramas de ureia por 100 mililitros, e é essa ureia que usamos para fazer hidrogênio”, diz Gerardine Botte, engenheira química da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos.

TOTAL FLEX
Veja como alguns subprodutos industriais e do consumo humano podem abastecer a produção de biocombustíveis:

XIXI – 3,5 litros de urina geram 1 litro de hidrogênio. O problema é que parte da ureia – substância da urina que é base para obtenção de hidrogênio -, em contato com bactérias do ambiente, vira amoníaco bem antes de ser processada.

BORRA DE CAFÉ – Não precisa ser vidente para ver futuro no pó que sobra do cafezinho. O óleo contido em cerca de 20 quilos de borra – o equivalente a mais de 130 xícaras – dá para fabricar 1 litro de biodiesel.

CARAMELO – Com 2 quilos de ingredientes que sobram da fabricação de chocolate – como caramelo e outros recheios – é possível obter 1 litro de biodiesel. O combustível é resultado da digestão de bactérias que se alimentam do meladão.

FRALDA USADA – Depois de castigadas por bebês ou pessoas com incontinência, as fraldas podem gerar biogás. Cerca de 7 quilos de fraldas geram 1 litro de gás metano – produto dos dejetos – e 2,8 quilos de celulose – vindos de materiais que compõem a fralda.

6613 – Quantos litros de água tem num temporal?


Um temporal forte, desses que caem durante o verão em São Paulo, chega a descarregar 92 litros de água por metro quadrado. Se essa chuvona caísse sobre toda a cidade, Sampa seria inundada por 138 bilhões de litros de água, o suficiente para encher 55 531 piscinas olímpicas, com 25 metros de largura, 50 de comprimento e 2 de profundidade. Esse megatoró hipotético sobre todo o município pode até acontecer, mas é bem raro. Afinal, a cidade paulistana é enorme, com uma área de 1 509 km². Na prática, o que acontece é que alguns bairros acabam sendo mais castigados do que os outros. Mas a quantidade de água que cai do céu não é o único fato a ser analisado para determinar a intensidade de uma chuva. O tempo de duração e o tamanho da área também contam. Por exemplo, uma chuva de 20 litros de água por m², distribuída em um dia por toda a cidade, pode passar como uma fina garoa. Já a mesma quantidade de chuva caindo em apenas uma hora pode detonar a região atingida, ainda mais se for sobre uma área pequena. Nas grandes metrópoles, o problema das enchentes é mais grave porque falta um bom sistema de drenagem da água – afinal, o solo foi impermeabilizado pelo asfalto. Situação bem diferente ocorre na Amazônia, onde chega a chover 4 mil litros por m² por ano! Na floresta, o aguaçeiro é absorvido pelas plantas, pelo solo e pelos rios, reduzindo o impacto da água que cai do céu.

6612 – Existe alguma prova de que o espaço sideral é infinito?


Não, e encontrá-la é um dos maiores objetivos da cosmologia, ciência que estuda o Universo. “As observações sugerem que ele seja infinito, mas os dados não são totalmente confiáveis”, diz um astrônomo da USP. Com base na Teoria da Relatividade, os cientistas bolaram uma fórmula para estudar os limites do Cosmos. Depois de milhões de cálculos malucos, a conclusão foi a seguinte: se a densidade do Universo for menor do que 0,00188 g/cm3, ele é infinito. Como não dá para medir (nem pesar) o Universo inteiro, os astrônomos calcularam a densidade de partes conhecidas e a assumiram como representação de todo o espaço. Como os valores alcançados eram até cinco vezes menores do que o tal 0,00188 g/cm3, a conclusão inicial é de que o Cosmos é infinito. Mas o estudo ainda está engatinhando. “Nas partes do espaço que estudamos, podem haver coisas que não conseguimos medir, como buracos negros. E algumas teorias estimam que conhecemos apenas 5% do total”, diz Boczko. A descoberta dos demais 95% pode mudar radicalmente os dados atuais e apontar para um Universo finito. Se isso acontecer, vem outra dúvida: o que vem depois do Universo?

6611 – Qual é o animal mais forte do planeta?


Antes de decidir qual o bicho mais poderoso do mundo, é preciso estabelecer um critério comparativo entre os principais concorrentes.
Com base nisso, o ganhador é o besouro-rinoceronte, nome dado a várias espécies de besouros da família dos Scarabaeidae. Esse inseto de apenas 13 centímetros é capaz de suportar nas costas um volume equivalente a 850 vezes o peso de seu corpo! Para dar uma idéia do feito desse animalzinho, é como se um homem de 70 quilos pudesse carregar algo que pesasse 60 toneladas, o peso de 60 fuscas juntos. Também conhecido como besouro-elefante ou besouro-hércules, nosso vencedor é encontrado principalmente em florestas tropicais. O apelido “rinoceronte” surgiu porque o bicho tem uma espécie de chifre na sua cabeça – assim como os enormes mamíferos africanos, os besouros também usam essa haste para lutar. E, se você apostou todas as suas fichas na certeza de que o elefante era o animal mais forte do planeta, resta um consolo: em termos absolutos, nenhum ser vivo consegue superá-lo em termos de força. Afinal, os elefantes suportam cerca de 2 mil quilos. Mas isso equivale a apenas 33% de seu peso – bem menos, em termos percentuais, do que a carga levantada pelo pequenino besouro-rinoceronte.

6610 – Mega Pet – Por que cachorros não podem comer chocolate?


Porque o chocolate, principalmente o escuro, contém teobromina, uma substância que faz um grande estrago no sistema nervoso dos totós. Presente no cacau, a teobromina pode provocar crises alérgicas, aumento da pressão arterial, taquicardia, arritmia, tremores e convulsões. Dependendo do porte do animal, da quantidade de chocolate que ele ingerir e da sua sensibilidade ao alimento, ele pode até mesmo entrar em coma e morrer. E tem mais: o consumo de chocolate, bem como de outros alimentos com alto teor de açúcar, predispõe os cachorros a cáries e outros problemas dentários. Para evitar essa roubada, uma empresa nacional chegou até a desenvolver um petisco que tem sabor, cheiro e aparência de chocolate, mas não é chocolate e pode ser consumido na boa pelo seu melhor amigo.

6609 – Qual é a raça de cachorros mais inteligente?


É a border collie, uma raça de pastoreio e trabalho criada na Inglaterra há mais de cem anos. Pelo menos é o que garante o psicólogo especializado em cães Stanley Coren, autor do livro A Inteligência dos Cães. Esse professor de psicologia da Universidade de British Columbia, em Vancouver, Canadá, coordenou uma pesquisa com mais de 200 juízes americanos e canadenses especializados em provas de obediência. Entre as 133 raças analisadas, a border collie ficou em primeiro. “Trata-se de um animal superativo, que precisa de espaço para realizar atividades físicas. Se ficar confinado em um espaço pequeno, vira um capeta”, diz a médica veterinária paulista Cristina Moreira, que concorda com o resultado da pesquisa de Coren. Ao lado a gente mostra o top 5 desse ranking polêmico pra cachorro.

Border Collie

Esse simpático cãozinho é considerado um verdadeiro workaholic. Adora pastorear rebanhos e, na falta de um, cuida também de patos, crianças e tudo o que se mova na sua frente. É um cão de extrema vitalidade e muito atlético. Ele dá show em competições do tipo agility, em que o animal tem que superar vários obstáculos

Pastor Alemão

Sua inteligência e versatilidade fazem com que o pastor alemão seja uma das raças mais populares do mundo. Como ele é forte, obediente a comandos e aprende muito rápido, tem sido usado como cão de polícia, de resgate, de guarda e guia de cegos. Também tem forte vocação para o trabalho

Poodle

A adaptabilidade é a principal característica da raça. No passado, o poodle era usado para a caça aquática: cabia a ele buscar as aves abatidas que caíam em lagos e riachos. O tempo passou e ele virou cão de companhia. Graças à sua facilidade de aprendizado, é muito utilizado em espetáculos de circo

Golden Retriever

Está sempre tentando agradar seu dono. Por ser muito observador e atento, é um dos cães preferidos para trabalhar como guia de cegos e na recuperação de pessoas com problemas físicos e mentais. É manso, de boa índole e adora realizar atividades físicas

Dobermann Pinscher

É um cão fiel, ativo, enérgico e de grande vigor. Muito apegado à família, é empregado como cão de defesa ou guarda. Sua aguçada inteligência facilita a tarefa de adestrá-lo. O porte esguio, a “cara de mal” e a poderosa mordida fazem com que seja um dos cachorros mais temidos do mundo.

6608 – Acredite se Quiser – Prefeito espanhol participa de saques a supermercados para alimentar pobres


Quem não tem Robin Hood caça com Juan Manuel

O prefeito de Marinaleda, uma pequena cidade espanhola na Andaluzia, ficou conhecido como o “Robin Hood local” depois de ajudar a saquear dois supermercados da região.
Juan Manuel Sánchez Gordillo está no governo há mais de 30 anos. Ele contou à imprensa que a comida roubada foi distribuída para famílias em dificuldades financeiras e culpou a crise econômica que o país enfrenta. Sete sindicalistas foram presos por conta dos saques.
Como membro do parlamento regional da Andaluzia, Sánchez tem imunidade política e não foi detido.
O grupo do prefeito invadiu os mercados e retirou os produtos em carrinhos. No lado de fora, Sánchez Gordillo usou um megafone para encorajar os cidadãos a pegarem a comida e outros bens. ”Tem gente que não tem o suficiente para comer”, disse. “No século XXI, isso é uma desgraça.”

6607 – Game – Vício Mata? Adolescente morre depois de jogar Diablo III durante 40 horas


Na manhã do último domingo, um jovem de 18 anos foi encontrado “dormindo” em uma sala privada de lan house em Taiwan. Ele estava com a cabeça na mesa, uma mão sobre o mouse e outra no teclado. Uma funcionária do estabelecimento resolveu dar uma espiada no cliente, que jogava Diablo III desde a hora do almoço de sexta-feira.
Sem muita força, o adolescente Chuang tentou se levantar, deu alguns passos e caiu. Pouco depois de chegar ao hospital, o jovem morreu.
O laudo oficial sobre a morte do adolescente ainda não foi liberado, mas os médicos adiantam que a provável causa da fatalidade teria sido um colapso por falta de comida e de descanso.
A Blizzard Game Maker divulgou um comunicado sobre o ocorrido: “Ficamos tristes com a notícia e nossos pensamentos estarão com a família e amigos de Chuang nesse momento difícil. Apesar disso, não seria apropriado fazermos mais comentários sobre o assunto sem conhecer todas as circunstâncias envolvidas no caso”.
Em fevereiro do ano passado, um chinês de 30 anos também errou a mão e morreu após uma maratona de três dias jogando online. O homem teria perdido a consciência em um cyber café na periferia de Pequim depois de ficar todo esse tempo sem comer ou dormir.

6606 – Farmacologia – A Acebrofilina


Referência – Brondilat, laboratório Aché; possui vários genéricos
Um xarope de uso pediátrico 25 mg/5ml: Brismucol
Xarope 50 mg/5ml Brismucol
Trata-se de um broncodilatador, expectorante, mucolítico, liberador de ambroxol e de teofilina.
Usado para combater o broncoespasmo
A acebrofilina libera ambroxol, que é um mucolítico expectorante e teofilina, que relaxa a musculatura lisa dos brônquios, estimulando o fluxo respiratório.
Uso oral, para adultos 100 mg a cada 12 horas.
Idosos: pela teofilina liberada, usar com cautela. Pode ser necessário diminuir doses, para evitar manifestações tóxicas.
Crianças de 6 a 12 anos: 50 mg a cada 12 horas
3 a 6 anos: 25 mg cada 12 horas.
Risco na Gravidez – A teofilina é excretada no leite, podendo causar irritabilidade na criança.
Devem ser avaliados os riscos X benefícios; arritmia cardíaca, doença renal ou hepática; hipertireoidismo, úlcera, infarto recente são contraindicações.
Tal droga pode ter sua ação aumentada por álcool, anticoncepcional oral, betabloqueadores, carbamazepina, cimetidina, corticosteróide, diurético, hormônio da tireóide, interferon, isoniazida, vacina contra gripe, tiabendazol, mexiletina.
Sua ação pode ser diminuída por: aminoglutemina, barbiturato, carbamazepina, cetoconazol, cigarro, hindantoína, isoniazida, rifampicina, sulfimpirazona.
Pode aumentar as reações adversas associado a tetraciclina.
Não fumar durante o tratamento.

Associações de Medicamentos:
A utilização de associações de substâncias ativas num mesmo medicamento tem sido desaconselhada. Tais associações, salvo excessões, geralmente são complicadas em termos de acertos de doses e raramente conseguem comprovar as suas vantagens frente à utilização isolada das substâncias ativas.

Veja como age os broncodilatadores

6605 – Automóvel – Como Funciona o Carburador?


A idéia que existe por trás de um motor é queimar gasolina para criar pressão e então transformar esta pressão em movimento. É necessária uma quantidade muito pequena de gasolina durante cada ciclo de combustão. Tudo o que a combustão precisa é de algo em torno de 10 miligramas de gasolina por curso de combustão!
O objetivo de um carburador é misturar a quantidade certa de gasolina ou álcool com o ar para que o motor funcione de maneira adequada. Caso não haja combustível suficiente misturado com o ar, o motor “fica pobre” e poderá não dar a partida ou pode ser danificado. Caso haja muito combustível misturado com o ar, o motor “fica rico” e também pode ser que não pegue, faz fumaça preta, funciona mal (afoga facilmente, morre) ou, no mínimo, desperdiça combustível. O carburador tem a missão de fazer a mistura correta.
Nos carros novos, a injeção de combustível está se tornando quase universal, já que proporciona menor consumo de combustível e reduz as emissões. Mas quase todos os carros mais antigos e equipamentos pequenos, como cortadores de grama e motoserras, usam carburadores, porque eles são simples e baratos.

O carburador de uma motosserra é um bom exemplo, porque é bem simples. Aliás, mais do que a maioria dos carburadores ele precisa atender a três condições apenas:

ele tem que fazer o motor funcionar mesmo sob baixas temperaturas
ele precisa funcionar quando o motor estiver em marcha-lenta
ele precisa funcionar com o motor aceleração plena
Ninguém que opera uma motosserra está interessado em transiência entre a marcha-lenta e o acelerador todo aberto, portanto a diferença de desempenho gradual entre esses dois extremos não é muito importante. Em um carro, todas as faixas intermediárias são importantes e é por isso que o carburador dos carros é muito mais complexo.

Um carburador é, essencialmente, um tubo;
há uma chapa ajustável atravessada no tubo chamada borboleta de aceleração, que controla quanto de ar pode fluir através do tubo. Você pode ver a borboleta ou válvula circular de latão na foto 1;
há um estreitamento em determinado ponto do tubo, chamado venturi, em que nesse estreitamento é criado uma depressão. O venturi está visível na foto 2;
neste estreitamento, há um orifício, chamado glicê (do francês gicleur), que permite a vazão do combustível sugado pela depressão. Você pode ver o glicê na lateral esquerda do venturi na foto 2.
O carburador está operando “normalmente” quando em aceleração máxima. Nesse caso, a borboleta está paralela ao tubo em seu comprimento, permitindo que o máximo de ar flua através do carburador. O fluxo de ar cria uma boa depressão no venturi e há uma dada vazão de combustível através do glicê. Você pode ver um par de parafusos na parte superior direita do carburador na foto 1. Um destes parafusos (identificado como “Hi” (alta, principal), no caso da motosserra) controla quanto de combustível flui para dentro do venturi na aceleração máxima.

Quando o motor está em marcha-lenta, a borboleta de aceleração está quase fechada (a posição dela nas fotos é a de marcha-lenta). Não há ar suficiente fluindo através do venturi para criar depressão. Entretanto, na parte de trás da borboleta há bastante depressão (porque ela está restringindo o fluxo de ar). Se um pequeno orifício for feito na lateral do tubo do carburador exatamente atrás da borboleta, o combustível pode ser fluir para tubo pela depressão abaixo da borboleta. Este pequeno orifício é chamado de glicê de marcha-lenta. O outro parafuso do par visto na foto 1 é identificado como “Lo” (baixa, marcha-lenta) e controla a quantidade de combustível que flui através deste glicê.
Quando o motor está frio e você tenta dar a partida puxando a corda de arranque, ele é acionado em uma rotação bem baixa. Por estar frio, ele precisa de uma mistura bastante rica para dar a partida. É onde entra a borboleta do afogador. Quando ativada, a borboleta do afogador cobre completamente o venturi. Se a borboleta de aceleração está completamente aberta e o venturi está coberto, o vácuo do motor arrasta combustível através do glicê principal e um pouco pelo de marcha-lenta (como a entrada do tubo do carburador está completamente coberta, toda a depressão do motor puxa combustível através dos glicês). Geralmente essa mistura rica permite que o motor pegue uma ou duas vezes, ou funcione bem lentamente. Ao abrir a borboleta do afogador, o motor passa a funcionar normalmente.

6604 – Museu do Automóvel – O Dodge Magnum


Magnum de 1979

No Brasil o Dodge Magnum foi um carro produzido pela Chrysler do Brasil de 1979 à 1981, para a substituição dos Dodge Dart Gran Coupe, descontinuados desde 1975. Todo os Dodges V8 do Brasil, o Magnum incluido nesta definição, são baseados no Dodge Dart 1968-1969 dos estados Unidos da America(EUA), com carroceria chamados de A-Body e com o motor V8 de 318 polegadas cubicas(nos EUA era considerado um modelo compacto). Os modelos de Dodges V8(coupe ou Sedan) de 1979 a 1981(Dart, Charger R/T, Magnum e Le Baron, foram feitos novas frentes e traseiras a fim de ficarem semelhantes ao Modelo Dodge Dart Swinger 1970 a 1976 dos Estados Unidos(EUA), com um pequeno diferencial na grade frontal do Modelo Magnum(coupe) e LeBaron(Sedan) que possuiam uma Grade Unica, exclusiva, fabricada apenas no Brasil a fim de parecerem mais requintados. O ano/modelo 1979 ao 1981 vinha com rico acabamento fazendo questão do uso de cromados, nas calotas, parachoques, frisos, e detalhes. Seu acabamento também era considerado no Brasil como um grande requinte, tendo teto em vinil de várias cores, e opcionais como ar condicionado, cambio automático, teto solar e pneus radiais. O espaço interno era semelhante, mas não maior, que no Dodge LeBaron, um Sedan com 4 portas com a mesma grade frontal, por ser um Coupe. Os Dodges Sedan(todos os V8 do Brasil, os modelos Dart Dart de Luxo e o LeBaron) eram por definição alguns centimetros mais altos que os coupe’s, isso se verifica claramente nos tamanhos dos vidros de parabrisas e de vigias. No fim de 1978, a Chrysler do Brasil já apresentava e começava a fabricar alguns modelos Dodge Magnum, já como modelo 1979.
Dados de quantidades: 1978=833, 1979=1208, 1980=78, 1981=127.

6603 – Biologia – A Preguiça


O nome preguiça provém dos movimentos extremamente lentos desse mamífero, cujos antepassados, de porte gigantesco, viveram no pleistoceno. Apesar da extrema lentidão de seus movimentos em terra firme, a preguiça nada muito bem e, quando na água, pode desenvolver grande velocidade.
Preguiça é um mamífero desdentado da família dos bradipodídeos, cujas seis espécies existentes, reunidas em dois gêneros, Bradypus e Choloepus, estão na América tropical. Seus parentes mais próximos, as preguiças terrestres da América do Norte, estão extintos há muito. Com sessenta a setenta centímetros de comprimento e uma cauda curta e rudimentar, as preguiças têm os membros dianteiros mais longos do que os traseiros, com garras fortes e capazes de causar ferimentos.
Embora incluídas na ordem dos desdentados, junto com os tamanduás e os tatus, têm cinco dentes superiores e quatro ou cinco inferiores. As vértebras cervicais variam de seis a nove, às vezes dentro da mesma espécie. O pêlo é seco, áspero e acinzentado. Os olhos são voltados para a frente, o que lhes dá visão binocular, importante para a vida nas árvores. As orelhas são pequenas e o olfato apurado.
A mão de um dos gêneros de preguiça (Bradypus, que conta com quatro espécies) tem três dedos; as do outro (Choloepus, com duas espécies), apenas dois. Em geral silenciosas, mas capazes de emitir gritos agudos e aflitivos, as preguiças pouco descem ao chão. Ao se camuflarem nas árvores, servem de hospedeiras a muitos parasitas, entre os quais mariposas da família dos pialídeos e até uma alga, responsável pela coloração esverdeada da pelagem. Alimentam-se das folhas e brotos de diversas espécies, com marcada predileção pelos da embaúba ou cecrópia. Têm apenas um filhote por ano, após um período de gestação de quatro a seis meses. No Brasil ocorrem duas espécies, a preguiça-comum (Bradypus tridactylus) e a preguiça-real (Choloepus didactylus).

6602 – Mega Cientistas – ROBERT BOYLE


Coube a Robert Boyle imprimir à física e à química modernas uma orientação metodológica baseada na precisão das medidas e na racionalidade das deduções experimentais.
Boyle, 14º filho do conde de Cork, nasceu em 25 de janeiro de 1627 em Lismore, Irlanda. Educado na rígida disciplina de Eton, dedicou-se à difusão da fé cristã e ao estudo das línguas orientais, além de se aprofundar na pesquisa científica. Na juventude, viajou vinte anos pela Europa e travou conhecimento com as principais correntes do pensamento da época.
De volta à Inglaterra, escreveu diversos ensaios filosóficos e começou seus estudos de física e química. Com a colaboração de Robert Hooke, construiu uma bomba pneumática, que permitiu demonstrar a impossibilidade de se obter o vácuo absoluto. Analisando o ar, descobriu que ele serve de meio para a propagação do som e que é compressível por ser constituído de partículas minúsculas que se movem no vácuo. Verificou também que seu volume é inversamente proporcional à pressão a que é submetido (anos depois o abade francês Edme Mariotte deu maior precisão a essa lei, observando que só era válida sob temperatura constante). Outra de suas descobertas importantes foi a de que a água se expande ao congelar-se.
Sua obra The Sceptical Chymist (1661; O químico cético) é um dos primeiros textos científicos em que a química se diferencia da alquimia e da medicina. Nela Boyle atacou a teoria aristotélica dos quatro elementos (terra, ar, fogo e água) e também os três princípios (sal, enxofre e mercúrio) propostos por Paracelso, desenvolvendo o conceito de partículas primárias que, por combinação, produzem corpúsculos. Todos os fenômenos naturais, por conseguinte, se explicavam não pelos elementos e qualidades aristotélicas, mas sim pelo movimento e organização de partículas primárias.
Os múltiplos interesses intelectuais de Boyle levaram-no a montar uma gráfica em que imprimiu diversas traduções da Bíblia. Durante alguns anos dirigiu a Companhia das Índias Orientais. Sem abandonar a pesquisa, Boyle dedicou os últimos anos de vida a difundir a religião. Morreu em 30 de dezembro de 1691 em Londres e foi enterrado na abadia de Westminster.

6601 – Medicina – A úlcera


Entre as doenças mais comuns do aparelho digestivo está a úlcera, conseqüência de múltiplos fatores, tanto dietéticos quanto fisiológicos e psicossomáticos.
Úlcera é toda lesão no revestimento de um tecido e, mais concretamente, das mucosas, o que causa uma descontinuidade. A úlcera mais comum é a gastroduodenal, uma das doenças crônicas de maior relevância e freqüente em indivíduos de sexo masculino, sobretudo entre trinta e sessenta anos. Consiste na perda do revestimento mucoso das paredes do estômago ou do duodeno. A úlcera caracteriza-se por dor epigástrica que se manifesta pouco depois da refeição e se mitiga com a ingestão de substâncias alcalinas ou comidas leves. Se a doença não for tratada, no entanto, a dor pode tornar-se crônica.
No passado se acreditava que tais úlceras eram causadas apenas pelo excesso de secreção do ácido pelo estômago, mas hoje se sabe que o estresse e o uso de antiinflamatórios não-esteróides têm efeito ulcerogênico, assim como a infecção causada pela bactéria Helicobacter pylori (antes Campylobacter pylori), um bacilo gram-negativo, flagelado, espiralado, que coloniza a mucosa gástrica humana. Essa bactéria exerce papel importante na causa da gastrite crônica e em algumas formas da úlcera péptica. A incidência de câncer gástrico em indivíduos infectados por essa bactéria é 2,8 a 6 vezes maior do que o normal. Muito móvel, ela atravessa o muco gástrico rapidamente e atinge a mucosa, onde se fixa. Entre as citotoxinas que produz está a fosfolipase C, destruidora dos fosfolipídios que envolvem as células epiteliais do estômago e do duodeno. Essa ação permite que as membranas mucosas sejam facilmente danificadas pelo ácido gástrico e a pepsina.
A perda da mucosa inicia-se nas camadas mais superficiais e depois se aprofunda. Se o quadro evolui sem que se tomem medidas necessárias para deter a lesão, a úlcera pode afetar também as camadas subjacentes (muscular e serosa) das paredes gastroduodenais. O caso mais grave ocorre quando a parede se perfura e se abre no peritônio, o que origina a peritonite aguda. Outras complicações envolvem hemorragias, o estreitamento pilórico (estenose) e a degeneração maligna da lesão até formar um tumor canceroso.
As úlceras duodenais e gástricas reaparecem rapidamente e com freqüência se persiste a infecção do H. pyloris, tratada usualmente com drogas que contêm agentes ácido-bloqueadores. Por outro lado, a recorrência é rara quando a infecção bacteriana é erradicada por associação de antiulcerosos e antibiótiocos, antibacterianos e bismuto. O tratamento conjuga também aspectos dietéticos (dietas rápidas e alcalinas), psicológicos e, em último caso, cirúrgicos.

6600 – Medicina – Os Tumores e Quistos


Mesmo benignos, tumores e quistos geralmente exigem extirpação cirúrgica, porque produzem aumentos de massa ou volume dos tecidos que pressionam órgãos adjacentes e afetam sua função.
Tumores são massas de tecido anormal que surgem sem causa evidente a partir de transformações produzidas em células normais do corpo. Não têm função útil e tendem a crescer de forma autônoma e desenfreada. Quistos são cavidades que se formam no interior de tecidos orgânicos e que contêm líquidos ou outras substâncias semi-sólidas.
Formações tumorais. As células que formam os tumores geralmente diferem das normais por terem sofrido algumas das seguintes alterações: hipertrofia, aumento de tamanho das células individuais; hiperplasia, proliferação exagerada de células numa determinada região; anaplasia, regressão das características físicas de uma célula para tipos mais primitivos ou indiferenciados — aspecto quase constante dos tumores malignos, embora ocorra em outros casos tanto em indivíduos saudáveis quanto doentes.
Segundo suas características, estrutura e propriedades clínicas, os tumores classificam-se em benignos e malignos (cânceres). Os primeiros crescem lentamente e se fixam no local de origem. Muitos tumores benignos são encapsulados num tecido conjuntivo derivado da estrutura que os envolve e não invadem os tecidos contíguos, embora possam exercer pressão sobre eles à medida que aumentam de tamanho. Outras características os distinguem: não se alastram pelo corpo, e, portanto, não produzem metástases (disseminação das células tumorais pelo corpo); podem ser totalmente removidos cirurgicamente, dependendo de sua localização; e não alteram a função original do tecido afetado.
As células dos tumores malignos diferem das normais em tamanho, forma e estrutura. Em casos extremos, perdem a aparência e as funções que as caracterizam como células especializadas. O termo maligno se refere à capacidade que o tumor apresenta de produzir metástases e, conseqüentemente, a morte do paciente, a menos que seja erradicado.
O tumor maligno cresce rapidamente porque as células que o integram se multiplicam de forma rápida e desordenada. Costuma infiltrar-se nos tecidos e estruturas orgânicas próximas, o que torna ainda mais difusa sua localização e mais difícil sua extirpação cirúrgica. Além de não apresentarem uma estrutura histológica bem configurada — uma de suas principais características é, especificamente, a desorganização — os tumores malignos são recidivantes, ou seja, se reproduzem com facilidade depois de uma extirpação cirúrgica, e apresentam capacidade de crescimento teoricamente ilimitada.
Uma massa de células tumorais geralmente forma um inchaço localizado e definido que, se ocorre junto à superfície do corpo, pode ser percebido como um caroço. Tumores profundos, no entanto, nem sempre são palpáveis. Às vezes, especialmente no caso dos tumores malignos, estes se apresentam não como caroços, mas como úlceras, fissuras, projeções semelhantes a verrugas ou infiltrações difusas e mal-definidas do que parece ser um órgão ou tecido de resto normal.
A dor causada por tumores geralmente resulta da pressão que ele exerce sobre os tecidos nervosos. Nos primeiros estágios de evolução, todos os tumores tendem a ser indolores, e aqueles que alcançam grande tamanho sem interferir nas funções locais podem permanecer indolores. A maioria dos tumores malignos, no entanto, causa dor em virtude da invasão direta de ramificações nervosas ou pela destruição de ossos.
São diversos os tratamentos que a medicina emprega para combater tumores. Eles podem ser físicos, como as radiações, que destroem as células tumorais (particularmente sensíveis às emissões radioativas); cirúrgicos, com que se previne a invasão de outras estruturas, no caso dos tumores malignos; ou quimioterápicos, entre os quais está a administração de substâncias inibidoras da divisão celular (antimitóticos).
Quistos. Embora a maioria dos quistos seja benigna, muitas variedades são malignas ou pré-cancerosas. Quistos benignos geralmente precisam ser removidos porque interferem no funcionamento dos órgãos adjacentes. Surgem pela proliferação do epitélio (tecido que forma a pele e o revestimento dos vasos sangüíneos e cavidades do corpo) e podem desprender-se das estruturas próximas e se deslocar livremente. Diversos órgãos, entre os quais o rim, o fígado e a mama, são particularmente suscetíveis à formação de quistos.
Os quistos podem ser causados por parasitos ou pela obstrução de glândulas de secreção exócrina (ou externa), como é o caso das glândulas sebáceas, sudoríparas ou mamárias. A dificuldade de circulação e evacuação do líquido produzido por essas glândulas provoca o acúmulo de secreção e a conseqüente dilatação do órgão. Entre os quistos de origem parasitária, são graves o quisto hidatídico, produzido pela larva do verme Echinococcus granulosus, e o cisticerco, formado por ovos de solitária (Taenia solium), verme que infesta o indivíduo que ingere carne de porco contaminada e mal cozida. A extirpação cirúrgica é o tratamento indicado para os quistos.

6599 – Medicina – A SURDEZ


☻ Mega Bloco – Ciências Biológicas

As graves limitações provocadas pela surdez, bem como suas conseqüências psicossociais, foram significativamente aliviadas no século XX por meio de terapias educacionais, aparelhos auditivos (amplificadores) e técnicas cirúrgicas restauradoras.
Surdez é a perda total ou parcial da capacidade auditiva. Decorre de fatores genéticos, traumáticos ou tóxicos. Quando surge devido a condições inadequadas de trabalho, o que é freqüente, classifica-se como doença profissional. Pode limitar-se a um único ouvido, ou manifestar-se como surdez específica para certas freqüências sonoras, o que muitas vezes prejudica seriamente a percepção da fala.
As deficiências auditivas podem ser causadas por problemas de transmissão do som entre o ouvido e o tímpano — no caso da surdez de condução — ou por lesões em células sensoriais ou no ouvido interno — na chamada surdez neurossensorial. A capacidade auditiva ainda pode ser reduzida ou mesmo eliminada por alterações nas áreas cerebrais correspondentes à audição.
A surdez de condução pode ser produzida por malformações congênitas, passíveis de correção cirúrgica, obstruções do conduto auditivo externo (geralmente por cerume ou por corpos estranhos), redução da movimentação da membrana do tímpano ou por imobilização parcial ou total dos ossículos do aparelho auditivo.
A idade é a causa mais importante da surdez neurossensorial. O desenvolvimento da perda auditiva para freqüências altas parece ser decorrência natural do envelhecimento. Drogas, alérgenos e ruídos são responsáveis por perdas auditivas neurossensoriais e até mesmo pela surdez total. A quinina e os derivados do ácido salicílico (aspirina) são há muito tempo conhecidos como causadores de perdas auditivas, principalmente em indivíduos sensíveis. Antibióticos, como a dihidroestreptomicina e a kanamicina e, em menor grau, a estreptomicina e a neomicina, são comprovadamente ototóxicos.
Fenômenos alérgicos podem comprometer o ouvido médio e a trompa de Eustáquio, o que leva a perdas relativamente acentuadas da audição. Ruídos intensos podem levar à perda temporária da audição, principalmente para sons agudos; quando ouvidos por longo tempo, podem provocar lesões permanentes. A lesão produzida depende tanto da intensidade quanto da duração do som. Para produzir lesões instantâneas, a intensidade sonora deve ultrapassar os 150 decibéis.

A surdez congênita determina a mudez: por não ser capaz de ouvir as palavras, desde o nascimento, o indivíduo é incapaz de aprender a falar naturalmente. Essa situação se reverte por meio de terapias de educação e correção da surdo-mudez.
Durante muito tempo, os surdos-mudos foram discriminados como portadores de deficiências mentais, devido à dificuldade de relacionamento. O médico italiano Gerolamo Cardano, no século XVI, foi o primeiro a se preocupar seriamente com o problema e afirmou que os surdos-mudos podiam ser postos em condições de “ouvir lendo e falar escrevendo”. Mais tarde, o espanhol Juan Pablo Bonet escreveu o primeiro livro sobre o assunto, no qual explicava como exercitar o surdo-mudo para a emissão de sons.
O abade francês Charles-Michel de l”Épée foi, no entanto, quem sistematizou definitivamente a educação do surdo-mudo, no século XVIII. Sem desprezar o uso da palavra, L”Épée criou uma linguagem de sinais manuais que denominou “método silencioso”. Posteriormente, desenvolveu-se o “método oral”, baseado no emprego da palavra e na leitura labial. No século XIX, houve grande controvérsia entre os defensores de um e outro métodos, mas, a partir do século XX, cresceu a tendência a empregá-los simultaneamente.
No Brasil, somente em 1857, por iniciativa do imperador D. Pedro II, criou-se, no Rio de Janeiro, o primeiro estabelecimento destinado a ministrar educação para surdos-mudos: o Instituto Nacional dos Surdos-Mudos, ainda hoje a mais importante escola desse gênero no país, com o nome de Instituto Nacional de Educação dos Surdos.

6598 – Medicina – O RAQUITISMO


Enfermidade conhecida desde a antigüidade e descrita cientificamente no século XVII, o raquitismo só pôde ter suas causas identificadas com a descoberta da vitamina D, que se forma na pele pela ação dos raios solares e que tem papel fundamental para a calcificação.
O raquitismo é doença generalizada do tecido ósseo, caracterizada por ineficácia na deposição de sais de cálcio sobre a matriz protéica e na cartilagem da zona de calcificação provisional. Admitem-se três grupos principais de raquitismo: por deficiência de vitamina D, por insuficiência renal crônica e por insuficiência renal tubular. Há ainda um quarto grupo, que inclui o raquitismo devido à hipofosfatasia e o raquitismo pseudo-resistente à vitamina D.
Trata-se de uma condição que se manifesta sobretudo na infância, quando o corpo está em crescimento. As manifestações aparecem nos primeiros meses de vida da criança e consistem em mau desenvolvimento do sistema esquelético, convulsões, irritabilidade geral, fraqueza muscular e retardo no crescimento, entre outras.
Uma de suas causas é a falta de vitamina D, causada por deficiência na alimentação e má absorção das paredes intestinais. Essa vitamina regula o metabolismo de dois elementos — fósforo e cálcio — assim como a união deles na formação de um complexo que se deposita no tecido ósseo e lhe confere dureza e resistência.
Como conseqüência da falta de vitamina D a absorção do cálcio pelos rins diminui, não ocorre a formação do complexo com o fósforo e, como resultado, o osso não se calcifica. Na criança em que existe essa carência, a caixa craniana não ossifica corretamente e mostra amolecimentos. Com o desenvolvimento do bebê, as alterações esqueléticas se apresentam no tórax, extremidades superiores e membros inferiores, que se arqueiam de forma característica.
Ao lado das alterações ósseas, apresentam-se outras do tipo muscular, tais como: inchação típica do ventre; distrofia, que corresponde à diminuição de tamanho e funcionalidade de órgãos; tamanho do crânio maior do que o normal em relação às outras partes do corpo. A malformação do tórax, no raquitismo, apresenta uma retração do esterno na sua extremidade inferior; o relaxamento da parede abdominal e a plasticidade das costelas inferiores são responsáveis pela retração inspiratória. No tórax infundibuliforme, o esterno inferior é mantido contra a coluna vertebral por um diafragma malformado e contraído.
O diagnóstico é feito pela identificação do aspecto característico dos ossos longos. O exame radiológico revela as grandes articulações do joelho, tornozelo e punho, o que permite acompanhar o tratamento do processo raquítico e avaliar a cura.
O tratamento para o raquitismo baseia-se na administração de vitamina D e em dieta com alimentos ricos nessa vitamina, como ovos, manteiga, leite em pó e azeite de fígado de bacalhau. Recomenda-se também a exposição direta ao sol, uma vez que a ação dos raios solares determina a formação da vitamina D. Durante o tratamento devem ser tomados cuidados para se evitar a intoxicação pela vitamina D, ou seja, a hipervitaminose D.
Há, porém, tipos de raquitismo que não são curáveis pela ingestão de vitamina D. Despertam grande interesse do ponto de vista bioquímico porque permitem avaliar dados sobre a ação do fósforo e do cálcio no organismo.

6597 – As Doenças Psicossomáticas


Diversos tipos de problemas gastrointestinais, afecções dermatológicas e alterações neurovegetativas são alguns dos transtornos orgânicos que têm origem em desequilíbrios dos processos mentais.
Doenças psicossomáticas são todos os processos orgânicos patológicos de origem psicológica, causados por estresse, ansiedade, depressão etc. Esses fatores determinam uma ativação inadequada do sistema neurovegetativo e das glândulas endócrinas. Sua repetição pode levar a alterações crônicas, tanto funcionais como anatômicas, dos sistemas orgânicos.
A medicina moderna passou a estudar a estreita relação existente entre a esfera psíquica e o funcionamento do organismo no início do século XX, com a patologia funcional de Ernest von Bergmann e as correntes personalistas e antropológicas de Ludolf von Krehl, Richard Siebeck e Viktor Weizsäcker. A tendência a considerar o homem de forma global opôs-se à crescente especialização da medicina e sua tendência ao mecanicismo.
Do ponto de vista fisiológico, verifica-se que, durante os estados de excitação, medo, raiva etc., produz-se de forma imediata uma modificação nas constantes vitais: a pressão sangüínea se eleva, o ritmo respiratório se acelera e produzem-se secreções, como a transpiração e a descarga de adrenalina. Tal preparação fisiológica para situações de emergência constitui uma resposta transitória, que atua até que as circunstâncias externas adversas ou ameaçadoras tenham deixado de existir. Entretanto, se o estado biopsíquico perdura a ponto de se tornar habitual, os mecanismos neuro-hormonais se alteram e exercem sobre órgãos e tecidos uma pressão superior à que se requer para seu funcionamento normal. Daí o grande número de afecções degenerativas — cardiovasculares, digestivas, neurológicas etc. — ligadas a atividades cujo exercício sujeita os profissionais a múltiplas tensões, ansiedade e estresse, freqüentemente associados ao excesso de trabalho.
Além das complicações já mencionadas, muitas outras podem ser causadas pela sobrecarga de preocupações, tais como hipertensão, flatulência, obesidade, enxaquecas, dermatites, impotência, frigidez, dores musculares etc. Terapia farmacológica, psicanálise, ioga, meditação, exercícios de relaxamento e massagens são alguns dos recursos utilizados para tratar as doenças psicossomáticas.

No início da década de 1980, surgiu uma nova especialidade médica, a psiconeuroimunologia, encarregada de investigar as interações entre o sistema nervoso central e o sistema imunológico. Verificou-se que distúrbios de natureza psicológica estão freqüentemente associados a fenômenos fisiológicos, como alterações na chamada “química do cérebro”, que consistem em mudanças na concentração dos neurotransmissores, mensageiros químicos que atuam na transmissão dos impulsos nervosos.
Os primeiros estudos nesse campo concentraram-se nas relações entre o estresse e os distúrbios imunológicos. Pesquisas realizadas no final da década de 1980 comprovaram que alguns componentes do sistema imunológico responsáveis por estimular a ação dos linfócitos T (as chamadas células assassinas) tinham sua atividade diminuída após uma exposição do organismo a fatores estressantes. Demonstrou-se, assim, que o estresse reduz os anticorpos naturais do organismo e, portanto, a resistência às doenças.
Outros trabalhos nessa área voltaram-se para o estudo da imunoestimulação — o aumento da resposta imunológica aos agentes agressores — por meio de técnicas de hipnose, meditação e relaxamento. As primeiras pesquisas indicaram que essas técnicas são capazes de estimular o organismo a produzir mais células de defesa.

6596 – Psiquiatria – A Psicose


Em clínica psiquiátrica, dá-se o nome de psicose a uma ampla variedade de perturbações graves do comportamento que revelam a existência de profundas alterações mentais. Muitos autores identificam psicose com doença mental em sentido estrito e estudam à parte as neuroses, as psicopatias de inadaptação e as anormalidades de origem genética ou traumática.
O termo psicose designa genericamente os processos mórbidos de desintegração da personalidade, com grave desajustamento do indivíduo ao meio social. Corresponde, até certo ponto, ao conceito popular de loucura. O juízo — operação pela qual se afirma ou se nega a relação entre duas idéias, ou se aplicam os conceitos de falso e verdadeiro — é a função mental tipicamente alterada em todas as psicoses. Nos psicóticos, essa função está tão alterada que suas elaborações se tornam evidentemente absurdas, grosseiramente divergentes não só das experiências e idéias das demais pessoas, mas também daquelas que o paciente apresentava antes de adoecer. É o que se observa, por exemplo, nas idéias delirantes, sintomas dos mais caracteristicamente psicóticos: o paciente, conforme o caso, acredita-se vazio, de outro sexo, o maior pecador do mundo, culpado das guerras e revoluções, perseguido por selenitas ou marcianos, chefe de estado ou dono de fabulosos tesouros.
São também sintomas psicóticos as alucinações, ou percepções sem objeto: o doente vê animais nas paredes brancas e nuas do quarto, ouve vozes de perseguidores inexistentes e sente o sabor do veneno que seus inimigos lhe administram. Os psicóticos têm absoluta e irredutível convicção da verdade de suas irreais percepções internas. Não lhes reconhecem o caráter mórbido, ao contrário dos neuróticos, que têm exata consciência do caráter patológico de seus distúrbios e não negam flagrantemente a realidade objetiva.
Nem sempre, no entanto, as psicoses determinam caos mental flagrante ou desarrazoados tão óbvios. Certas funções podem permanecer íntegras, ao lado do juízo perturbado. A inteligência, a memória, o cabedal de conhecimentos adquiridos, por exemplo, conservam-se inalterados em alguns tipos de psicoses. Mesmo o juízo, em alguns casos, só apresenta desvarios em relação a determinados temas. Em todos os casos, existe transformação radical das relações entre o indivíduo e o mundo, de tal modo que a personalidade total se desintegra. Essa desintegração pode ser episódica ou permanente, reversível ou irreversível, progressiva ou estacionária e completa ou parcial.
Os psicóticos tornam-se incapazes, em grau maior ou menor, de ajuste social. Não podem viver sem conflito, dependência ou proteção incomuns nos grupos sociais. Tornam-se, na maioria das vezes, alienados mentais, isto é, incapazes de reger a própria pessoa e seus próprios bens, e irresponsáveis diante das leis penais.
Costuma-se dividir as psicoses em dois grupos fundamentais: orgânicas, que são as psicoses derivadas de anormalidades físicas conhecidas, embora também possam ser produto de transtornos psicológicos ou comportamentais; e funcionais, que compreendem as demais psicoses. Os partidários da abordagem psicanalítica das doenças mentais sustentam que as psicoses se devem à regressão do paciente a estados de desenvolvimento anteriores, nos quais sofreram frustrações ou perdas traumáticas que afetaram seu senso de realidade. Por essa razão, os psicóticos procurariam criar um novo mundo interior que os compensasse de alguma forma pela perda.
Psicoses orgânicas. Existem alguns estados psicóticos cuja causa orgânica é conhecida. Os mais importantes são os que correspondem à psicose senil, à que aparece por vezes nos alcoólatras crônicos e às psicoses puerperais, ou do pós-parto. A psicose senil caracteriza-se por estados de confusão mental, perda de memória e, por vezes, pela aparição de sintomas paranóicos. Costuma ser associada a fases avançadas de degeneração cerebral, provocada pela falta de irrigação sangüínea nesse órgão, que pode resultar, por sua vez, de um quadro de arteriosclerose grave.
Os alcoólatras em situação de abstinência podem sofrer tremores, estados de ansiedade e alucinações. O álcool danifica os tecidos cerebrais, o que provoca no doente uma perda de memória e das capacidades intelectuais, assim como uma progressiva deterioração da capacidade de estabelecer relações sociais normais e a manifestação da tendência a exibir condutas extravagantes e, por vezes, agressivas.
As psicoses do pós-parto são do tipo orgânico, mas tão semelhantes às psicoses funcionais que às vezes é difícil distingui-las. Contribui para aumentar essa dificuldade o fato de que um leque de perturbações orgânicas, como a ingestão de tóxicos, os traumas cerebrais, a sífilis, a epilepsia e os tumores cerebrais, podem provocar a aparição de sintomas parecidos com os da neurose. Trata-se, nesses casos, de síndromes cujo tratamento corresponde mais ao âmbito neurológico que ao psiquiátrico.

As psicoses de caráter funcional compreendem várias síndromes diferentes: a esquizofrenia, a paranóia, as psicoses afetivas e as psicoses involutivas. A esquizofrenia é a variedade mais freqüente de psicose. Caracteriza-se por um isolamento do mundo exterior, que concorre com perturbações do pensamento, da percepção do meio externo e da percepção da própria personalidade. Embora a remoção dos sintomas seja sempre possível, nos pacientes crônicos a esquizofrenia chega a produzir uma grave degenerescência geral.
A paranóia, que é por vezes considerada uma variedade da esquizofrenia, abrange a elaboração de um mundo de fantasias que é internamente coerente e lógico. É freqüente que ocorra a identificação do doente com um personagem famoso, assim como que apareça um sentimento de ameaça contínua ou perseguição.
As psicoses afetivas incluem a depressão psicótica e a psicose maníaco-depressiva. Esta caracteriza-se pela periodicidade e se manifesta sob as formas de crises, separadas por intervalos mais ou menos longos, às vezes com uma ou duas em toda a vida do paciente. Em cada intervalo entre as crises pode haver perfeita normalidade, manifestações dissimuladas da doença ou peculiaridades temperamentais mais ou menos acentuadas (temperamento ciclóide).
As crises se caracterizam por estados de intensa tonalidade afetiva, que dominam toda a vida psíquica. Há dois tipos de crises: crises maníacas (humor exaltado, com alegria exagerada ou cólera, excitação psíquica e motora); crises melancólicas (humor deprimido, tristeza, inibição psíquica e motora, auto-recriminação, tendência ao suicídio). Os dois tipos de crises sucedem-se ou combinam-se, no mesmo indivíduo, sob diversas formas — alternadas, intermitentes, circulares, mistas etc.
As psicoses involutivas às vezes são estudadas como psicoses afetivas. Aparecem em geral entre os cinqüenta e os sessenta anos sob a forma de intensa melancolia e depressão, sobretudo em mulheres, ou com sintomas paranóides.
As psicoses funcionais se manifestam em indivíduos organicamente sadios e suas causas ainda não estão bem esclarecidas ou provadas. São provavelmente determinadas por causas múltiplas e resultam de fórmulas individualizadas. Entre os fatores que exercem influência na sua gênese, apontam-se a predisposição hereditária e a constituição somatopsíquica e, de outro, as carências de todo tipo, as atmosferas emocionais e educativas inadequadas e traumatizantes (inclusive a superproteção materna) e os conflitos intensos no interior da família. Todos esses elementos foram vividos durante a infância e a adolescência, acrescidos, em muitos casos, com desencadeantes atuais, de traumatismos psíquicos ou situações externas de grave tensão. Conforme as diversas posições doutrinárias sobre quais desses fatores têm maior importância geral, as psicoses funcionais são chamadas também endógenas, hereditárias, constitucionais ou psicogênicas. Os mais prudentes preferem o termo “psicoses criptogenéticas”, ou psicoses de causas ocultas ou desconhecidas.
Tratamento. Na tentativa de ressocializar o doente psicótico, diversos meios de tratamento são utilizados de maneira conjugada, tais como a administração de psicofármacos, combinados se possível à psicoterapia e o eletrochoque no caso de psicoses agudas. Em algumas situações, como último recurso, no caso de pacientes violentos e irrecuperáveis, empregam-se técnicas de neurocirurgia. A hospitalização é quase sempre necessária, com um período de isolamento muitas vezes benéfico para o paciente, embora algumas correntes psiquiátricas defendam a permanência do paciente no ambiente familiar.