Todos os posts de carlosrossi

Sobre carlosrossi

Autodidata - ☻Mega Arquivo - Início em Março de 1988

5676 – A Morte do Sol


O destino do Sol já está traçado. Ele se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos, junto com os planetas, do colapso de uma nuvem de gás e poeira. Sob o efeito da compressão, a temperatura no interior dessa estrela os poucos chegou a 10 milhões de graus. Nesse ponto, as reações nucleares no seu interior começaram a transformar o hidrogênio em hélio. No período que então se iniciou, que os astrônomos chamam sequência principal, a energia interna contrapôs-se à pressão gravitacional da própria estrela, que assim parou de se contrair, mantendo-se constante. Calcula-se que o Sol permaneça mais 5 bilhões de anos nessa fase – a mais longa da vida de uma estrela.
Durante esse período, no qual surgiu e se multiplicou a vida na Terra, seu brilho só tende a aumentar. Ao surgir, o Sol tinha apenas 70% do brilho atual. No fim da seqüência principal, a luminosidade será três vezes maior do que a atual.
Naturalmente, essa variação se reflete nos planetas. Depois de se formarem, todos os três pequenos planetas irmãos – Vênus, Terra e Marte – provavelmente tinham água em estado líquido, o que é meio caminho andado para o aparecimento da vida. A água aparece quando a temperatura está acima de O°C e a pressão em torno de 6 milibares (1 milibar é 1 milésimo de uma atmosfera terrestre).
Em Vênus, que recebe do Sol duas vezes mais energia do que a Terra, a temperatura começou a aumentar em conseqüência de um fenomenal efeito estufa que teria destruído o oceano primitivo. A água que existia no planeta evaporou-se e se acumulou na atmosfera. O vapor ali funcionou como um gigantesco cobertor, impedindo que o calor escapasse para o espaço depois de refletido pelo planeta. Em seguida, a radiação solar ultravioleta decompôs as moléculas de vapor de água em hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio, mais leve, escapou para o espaço. O oxigênio acabou voltando para o planeta, combinando-se quimicamente com o material rochoso da superfície. Outro gás presente no efeito estufa venusiano – o dióxido de carbono expelido pelos vulcões – se acumulou na atmosfera do planeta, de onde não foi removido pelas chuvas, ao contrário do que aconteceu na Terra. A temperatura em Vênus hoje é de 550°C, o dobro do que seria sem o efeito estufa.
Que aconteceu ao nosso planeta na época em que o Sol brilhava menos? Teoricamente, toda a água da Terra teria ficado congelada. Mas não há evidências de que isso ocorreu. A explicação pode estar no efeito regulador do dióxido de carbono como gás do efeito estufa. Os oceanos não se congelaram e a água manteve um volume estável porque a atmosfera terrestre era mais rica em dióxido de carbono, e a temperatura do solo mais alta. Mas, à medida que o Sol se tornou mais brilhante, mais água evaporou. As chuvas também aumentaram, trazendo o dióxido de carbono à superfície. O gás passou a fazer parte da crosta terrestre, incorporando-se às rochas, e só em parte ínfima voltou à atmosfera terrestre alguns bilhões de anos depois, quando passou a ser liberado pelos vulcões.
Marte, como a Terra, também tinha água quando sua atmosfera era mais densa. Mas ali não havia a mesma atividade geológica que marcou a face terrestre – talvez porque o planeta esfriasse depressa em conseqüência do seu pequeno tamanho. Sem a realimentação da atmosfera pelo dióxido de carbono dos vulcões, o ar de Marte foi se tornando mais fino e a água no estado líquido aos poucos desapareceu da sua superfície. A idade das crateras marcianas indica que os canais escavados pela água devem estar secos há bilhões de anos. Os cientistas imaginam que abaixo da superfície exista um reservatório de gelo capaz de cobrir O solo marciano com 10 metros de água. Toda essa água pode aflorar à superfície daqui a 1 bilhão de anos, quando a energia solar aumentar 20%.
O calor deve sublimar (vaporizar diretamente do estado sólido) a água e o dióxido de carbono que também estaria congelado nas calotas polares marcianas. O aumento da pressão atmosférica acabará permitindo o aparecimento de água líquida nas regiões onde a temperatura chegar a O°C. Em todo o planeta, a temperatura média deve aumentar 10°C. O calor adicional armazenado pelo efeito estufa garante que não faltará água durante os verões marcianos. Exposta à atmosfera, no entanto, esta água deve evaporar facilmente. Então, como no período anterior, durante os 10 milhões de anos seguintes, o dióxido de carbono será removido da atmosfera; não havendo atividade geológica, ficará retido na crosta marciana.
Nos próximos 3 bilhões de anos, quando o brilho do Sol aumentar mais da metade, a atmosfera de Marte será constituída principalmente de vapor de água. Desta vez, o calor – haverá um aumento de 25°C na temperatura – a chuva e a erosão tornarão o clima mais parecido com o da Terra. Esse úmido paraíso marciano a longo prazo, só será ameaçado pela radiação solar ultravioleta. Como ocorreu em Vênus, as moléculas de água, expostas à radiação, devem se quebrar em hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio se perderá no espaço e o oxigênio ficará acumulado na atmosfera. O vapor de água vai acabar desaparecendo. Isso não acontece na Terra porque o nitrogênio é o gás dominante na atmosfera e o vapor fica confinado nas nuvens mais baixas.
De 1 a 3 bilhões de anos adiante, quando Marte estiver começando a ser um planeta hospitaleiro, a Terra estará a caminho de se tornar um deserto. O fenômeno terá causas naturais: um aumento de 10% no fluxo de energia solar sobre a parte mais alta da atmosfera terrestre nos próximos 500 milhões de anos. Isso tenderá a acelerar o efeito estufa como um círculo vicioso. Os oceanos aumentam a evaporação e a evaporação eleva a temperatura. Mais vapor de água na atmosfera bloqueando a passagem do calor tende a aumentar a evaporação. Deixando de lado a hipótese de alguma intervenção humana, que poderia retardar ou apressar esse processo, toda a vida na Terra estará extinta entre os próximos 500 milhões e 1.5 bilhão de anos.
Passados 10 bilhões de anos desde a sua formação, o núcleo do Sol terá queimado todo o seu hidrogênio. O hélio, por sua vez, começará a se contrair sob o efeito da própria gravidade. Sera o fim da sequência principal. Para compensar a contração do núcleo, as camadas externas do Sol vão começar a se expandir e a esfriar. Ele se tornará uma estrela muito maior e mais brilhante e sua cor deixará de ser branca ou amarela para adquirir um tom vermelho. Os astrônomos chamam essa fase gigante vermelha. Mais 1 bilhão de anos e o Sol terá um raio de 30 milhões de quilômetros, ou a metade de sua distância atual de Mercúrio. Se alguém na Terra ainda estivesse vivo, veria o Sol cinqüenta vezes maior no céu e 300 vezes mais brilhante do que hoje. Mercúrio e Vênus vão derreter-se e a temperatura na Terra pode chegar a 750°C.
Enquanto isso, que estará acontecendo com os planetas gigantes além de Marte e seus satélites gelados? Três das quatro grandes luas de Júpiter, chamadas galileanas, com vastos depósitos de água congelada, começarão a derreter feito sorvete. Uma delas, Europa, não só é coberta por uma crosta de gelo quase puro como também possui no subsolo um oceano líquido com 100 quilômetros de profundidade. As outras luas, Ganimedes e Calisto, têm gelo e rochas em proporções quase iguais, embora na superfície o gelo seja predominante. Não se sabe quando esses megasatélites de Júpiter começarão a derreter-se, porque não se tem idéia do volume de amônia presente no gelo da superfície.
Quando a amônia está misturada na água, o gelo só se desfaz a 100°C negativos. Essa será a temperatura local quando o Sol for quatro vezes mais brilhante do que hoje, assim que terminar a fase da seqüência principal. Sem amônia, o descongelamento deve demorar mais. Em qualquer caso, a presença de água em estado líquido nas três luas abriria caminho para o aparecimento de atmosfera – e, como sempre, do efeito estufa resultante da evaporação. O vapor de água aprisiona mais calor e, em conseqüência, aumenta a temperatura local.
Enquanto isso, nada deve ocorrer de significativo nas dezenas de pequenas luas e nos anéis de gelo e poeira em volta dos quatro planetas gigantes Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Embora esses pequenos corpos tenham água congelada, esta acabará se transformando em vapor, que escapará para o espaço num prazo relativamente curto, em termos cósmicos, é claro. Sem gravidade suficiente para reter o gás, porque são muito diminutos, tais satélites e anéis não terão atmosfera e deverão se comportar como grandes cometas dotados de caudas enormes.
O Sol, no período seguinte, supergigante vermelha, terá um núcleo de carbono-oxigênio envolto por duas camadas ardentes: uma de hélio, outra de hidrogênio. Essas duas camadas vão crescer, tornando o astro quase 10 mil vezes mais brilhante do que hoje. O Sol terá então um raio de 150 milhões de quilômetros. Quando isso acontecer, as temperaturas no sistema solar vão subir dez vezes – inevitavelmente, também a Terra e Marte começarão a derreter-se. Até Plutão, o último planeta em volta do Sol, e Tritão, lua de Netuno, os dois corpos mais frios do sistema solar, terão temperaturas africanas. Já o efeito do calor sobre os quatro planetas gigantes será apenas marginal. Como são muito grandes e compostos principalmente de gases, uma parte desse material deve se expandir e se perder no espaço. Mas a estrutura interna dos planetas permanecerá inaltera
Destino mais trágico aguarda Mercúrio e Vênus, engolidos pelas camadas exteriores do Sol. Quando a estrela em expansão engolfá-los, os dois planetas começarão a evaporar e a espiralar-se em direção do núcleo solar. A Terra talvez passe por essa mesma experiência. Mas, coberto por um oceano de rocha líquida, o planeta poderá se salvar porque não estará mais na órbita atual. Gigantes e supergigantes vermelhas perdem considerável parte de suas massas ao liberar grande quantidade de gás e poeira. No caso do Sol, quase a metade da massa escapará para o espaço, reduzindo a sua gravidade.
Visto da superfície de Tritão, atualmente a 4,5-milhões de quilômetros do Sol, este terá oito vezes o tamanho atual. O céu deverá brilhar dia e noite, porque a luz solar refletirá os turbilhões de poeira do vento que vem do astro. Se acontecer com o Sol o mesmo que acontece com outras supergigantes vermelhas estudadas pelos astrônomos, o céu noturno será tão brilhante quanto o diurno, mas a cor não será a mesma. As minúsculas partículas de poeira dispersarão as ondas mais azuis do espectro de luz, do mesmo modo que as moléculas de gás na atmosfera terrestre fazem o céu ficar azul.

5675 – Mega Tecs – EUA lançam projeto para criação de robôs caseiros


Faça você mesmo

Ir até a loja da esquina, escolher um robô para ajudar em tarefas específicas e construi-lo em poucas horas pode se tornar realidade em breve. O prestigiado MIT (Massachusetts Institute of Technology) anunciou nesta terça-feira (3) o lançamento de um projeto de cinco anos e orçamento de US$ 10 milhões, em parceria com as universidades Harvard e da Pensilvânia, para tentar trazer o poder dos robôs para as pessoas comuns.
O objetivo é desenvolver uma determinada tecnologia e permitir que “uma pessoa sem formação em informática ou sem (conhecimento) técnico específico projete, personalize e imprima –em três dimensões– um robô em poucas horas”, segundo comunicado da instituição.
O financiamento será concedido pela National Science Foundation a pesquisadores do MIT, da Universidade Harvard e da Universidade da Pensilvânia.
Os dois primeiros projetos a serem considerados como protótipos são um dispositivo em forma de inseto que pode ser enviado para explorar áreas contaminadas e uma extensão de um braço que pode ajudar uma pessoa a pegar objetos fora do alcance.
A ideia é criar um catálogo de desenhos robóticos que possam ser adquiridos na loja da esquina: bastaria escolher um modelo, comprá-lo e personalizá-lo com papel ou plástico. Em 24 horas, seu robô estaria pronto.
Rob Wood, professor associado da Universidade Harvard, diz que o intuito é “reduzir drasticamente o tempo de produção de uma variedade de robôs úteis, abrindo portas para potenciais aplicações na indústria, educação, saúde, assistência personalizada e até mesmo desastres”.
Outro objetivo é reduzir os custos associados à produção de robôs –um processo longo e dispendioso, que requer programação avançada e materiais de alta tecnologia–, para promover a produção automatizada com dispositivos feitos de papéis e plásticos comuns. Assim, o que costumava levar anos de fabricação pode levar apenas algumas horas.
“É realmente emocionante pensar sobre o tipo de impacto que este trabalho poderia ter sobre a população em geral, para além do seleto grupo de pessoas que trabalham na área da robótica”, diz um professor associado.

5674 – Mega Tour – O Havaí é aqui


Os principais parques nacionais do Havaí

Vulcão havaiano

Para quem quer conhecer suas belezas naturais, o arquipélago conta com diversos parques nacionais que ajudam a preservar a paisagem e a cultura nativa. Saiba mais sobre os principais deles:
Parque Nacional Haleakala, Maui
Estendendo-se ao longo da zona leste de Maui, hospeda a cratera do vulcão Haleakala. A mais de 3 mil metros do nível do mar, o Haleakala – cujo nome significa “casa do sol” na língua nativa – oferece amanheceres espetaculares.
Parque Nacional de os Volcanes, Ilha Hawaii
Neste parque, localizado a 45 quilômetros ao sudoeste de Hilo, encontra-se o vulcão Kilauea, um dos mais ativos do planeta. Lugar sagrado para os havaianos nativos, é a atração mais popular da ilha.
Parque Histórico Nacional Puuhonua o Honaunau, Ilha Hawaii
Localizado na baía Honaunau, ao sul de Kona, Puuhonua o Honaunau é um sitio repleto de cultura local. No passado era o local onde os havaianos que infringiam a lei se refugiavam.
Sitio Histórico Nacional Pearl Harbor, Oahu
Pearl Harbor é a única base naval nos Estados Unidos designada como sitio histórico nacional, e conta com quatro museus: o U.S.S. Arizona Memorial; o Battleship Missouri Memorial; o U.S.S. Bowfin Submarine Museum; e o Museu de Aviação do Pacifico.
Parque Histórico Nacional Kalaupapa, Molokai
Estabelecido em 1980, o parque foi lar do missionário belga São Damião, que a partir de 1873 cuidou das vítimas de lepra que eram exiladas nesta localidade isolada e remota, localizada na costa norte de Molokai.

Praia de Waikiki em restauração

Praia de Waikiki

O DLNR (Departamento da Terra e Recursos Naturais, na sigla em inglês) do Havaí está realizando um projeto de restauração de areia em aproximadamente 600 metros de praia. As atividades começaram em 12 de março e duram até fim de abril de 2012. Para tanto, alguns trechos de Waikiki estão sendo fechados ao público todas as manhãs entre as 7h e as 12h, com operações de avaliação até as 14h.
Durante esse período é possível frequentar a praia através de um acesso lateral, além de outros pontos designados e supervisados por guardiões. Ao longo da área de trabalho há sinais informativos sobre o projeto, indicando também o ponto mais próximo para chegar ao oceano.
O projeto pretende melhorar o que é considerado uma das praias mais utilizadas do arquipélago de maneira que ajude a preservar o meio ambiente local.
As perdas econômicas que seriam resultantes da não manutenção estão calculadas em US$ 2 bilhões em gastos totais de visitantes e US$ 125 milhões em receitas fiscais, além de cerca de 6.350 empregos.

5673 – Mega Polêmica – Armar ou Desarmar, eis a questão!


Das 105 mortes violentas que ocorrem todos os dias no Brasil, 80% envolvem armas de fogo, o que faz do país um dos lugares onde mais se mata a tiros no mundo inteiro. Segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), 28,1 em cada 100 000 brasileiros são assassinados por ano. O Brasil lidera também a estatística de pessoas feridas por arma de fogo no decorrer de um crime (247,15 por 100 000 habitantes) e é o segundo lugar no planeta onde mais gente morre envolvida em acidentes com armas de fogo (0,75 por 100 000 habitantes) – o primeiro é a Africa do Sul, onde até bem pouco tempo atrás vigorava o regime do apartheid. Juntas, todas essas vítimas somam quase 40 000 pessoas mortas a tiros no Brasil, todos os anos.
Para o Instituto de Estudos da Religião (Iser), só o Rio de Janeiro tem cerca de 650 000 armas registradas e 1 milhão, pelo menos, circulando ilegalmente. Em São Paulo, a Polícia Militar estima que 4,5 milhões de armas estejam em circulação na região da Grande São Paulo.
Mas a simples existência das armas pode ser responsabilizada pelos números alarmantes da violência nos grandes centros urbanos? Desarmar a população pode ser uma estratégia eficiente para a diminuição dos casos de crimes violentos?
A falta de consenso não é exclusividade dos parlamentares. Esse é um daqueles temas que dividem o mundo em dois grupos: quem é a favor, de um lado, e quem é contra, do outro. Como a eutanásia, a existência de extraterrestres ou de vida após a morte, nesse debate ninguém fica imune. Há argumentos para sustentar cada um dos lados e é difícil ver alguém mudar de opinião.
Os especialistas também estão divididos. Se a resposta mais comum parece ser em favor da proibição das armas, estimulada por campanhas como Sou da Paz e Viva Rio, há quem defenda que a presença das armas nas mãos dos cidadãos que cumprem a lei aumenta o risco para os criminosos, desestimulando suas ações e reduzindo a violência.
Foi o filósofo alemão Max Weber quem primeiro identificou na formação do Estado de Direito o processo de monopolização do uso da força: para viver sob o telhado de um contrato social, o cidadão comum abdica do direito de resolver conflitos, disputas e diferenças por meio do uso da violência e das armas.
O direito do cidadão de se defender com armas, no entanto, é sempre lembrado quando a sociedade se sente ameaçada pelo aumento da violência, ou quando é bombardeada com imagens das vítimas de crimes de extrema comoção, que parecem mostrar a incapacidade do Estado de garantir a segurança dos cidadãos.
Se podemos questionar a competência do Estado em administrar o uso da força, por que aceitar sua capacidade de estabelecer leis e de aplicar a Justiça? “Se o cidadão está armado para utilizar a força, que seria um direito exclusivo do Estado constituído, ele está a caminho de encontrar justificativas para aplicar, por sua conta, o que considera ser legal e justo, determinando inclusive as punições àqueles que estiverem fora de seus padrões de conduta”.
Armas e criminalidade
No Reino Unido, em 1997, depois do assassinato de 16 crianças em uma escola na Escócia, o porte e o registro de armas foram proibidos. No entanto, as ocorrências de crimes violentos continuaram crescendo, para atingir, em 2001, as maiores taxas já registradas naquele país.
Em 2000, seis dias depois de um caso que chamou a atenção de todo o Brasil – o seqüestro de um ônibus no centro do Rio de Janeiro, que durou 18 horas e terminou com a morte do seqüestrador e de uma refém, na frente das câmeras de TV –, o presidente Fernando Henrique Cardoso editou um medida provisória suspendendo o registro de armas de fogo. Meses depois uma liminar do Supremo Tribunal Federal restituiu esse direito e, atualmente, há no Congresso mais de um projeto de lei tentando restringir o porte.
Agora, acuada com a onda de seqüestros em São Paulo e com o aumento da criminalidade, a sociedade espera medidas concretas do governo. Mas restringir ou proibir o acesso das pessoas às armas de fogo deteria os índices de criminalidade?
Argumento contra
Se não estiver na mão ou na cintura do próprio dono, está alugada para um amigo ou um vizinho, mas sempre engordando as estatísticas de criminalidade violenta.
Além de alimentar a criminalidade numa espiral viciosa, a presença das armas de fogo potencializa a violência entre os cidadãos comuns, transformando ocorrências banais em crimes violentos. “A disponibilidade das armas aumenta a probabilidade da violência letal”, diz o sociólogo Tulio Kahn, coordenador do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e o Tratamento do Delinqüente. Uma pesquisa conduzida pelo sociólogo Guaraci Mingardi, na zona sul de São Paulo, mostrou que 48,3% dos homicídios decorrem de motivos fúteis, como brigas de trânsito, discussões em bares ou conflitos entre vizinhos. “No Rio, o Iser, em pesquisa semelhante, em março de 1998, revelou que, dos 164 crimes com vítimas fatais, em 58 casos existia algum tipo de relacionamento entre o autor e a vítima (35,4%)”.
Para ele, leis que restringem a venda e o porte de armas não têm a intenção de acabar com a criminalidade, mas antes reduzir os níveis de violência interpessoal. Os efeitos sobre a criminalidade em geral são indiretos.
Argumento contra
A atual legislação brasileira, que tornou crime o porte ilegal de armas e criou o Sinarm (Sistema Nacional de Armas), é bastante restritiva e vem reduzindo o acesso às armas. Desde 1997, quando a lei foi promulgada, até hoje, a vendas de armas de fogo caiu a 20% do que era, e o registro de novas armas em São Paulo recuou 97%.
Para José Fauri, isso mostra que o controle de armas legais não afeta a criminalidade. “Em 1997, apenas 104 armas foram registradas no Rio de Janeiro. No entanto, qual o impacto dessa redução sobre a criminalidade? Nenhum”, diz ele, lembrando que o número de crimes violentos só aumentou. “As propostas de desarmamento da população civil beiram a hipocrisia. São, em sua maioria, políticas e eleitoreiras, com pouquíssima ou nenhuma repercussão sobre a criminalidade”, afirma.
No Estado de São Paulo, segundo a Divisão de Produtos Controlados da Polícia Civil, 24 673 armas foram roubadas, 46 869 furtadas e 5 509 extraviadas em 1998 – um total de 77 000 armas em paradeiro desconhecido. No Brasil, só a primeira venda é controlada. Não há nenhum registro ou estatística sobre a revenda das armas nas mãos das empresas de segurança privada ou de policiais militares, que têm facilidades da indústria para adquirir mais de uma arma.
Nos Estados Unidos, Lott pesquisou os arquivos de crimes do FBI e constatou que a incidência de crimes mais violentos – como homicídios e roubos – são menores em Estados que adotam leis mais permissivas em relação ao porte de armas.
O estudo de Lott, que foi pesquisador sênior na Universidade de Yale, Nova York, originou o livro More gun, less crime (“Mais armas, menos crimes?”, 1998, Makron Books), um best seller entre os que defendem o direito do cidadão de reagir. Para Lott, parte do risco que o criminoso assume em suas práticas ilícitas está em saber que existem armas nas mãos das vítimas. Segundo ele, isso inibe a criminalidade, assim como prisões e condenações pela Justiça. “Se o bandido não sabe se sua vítima está ou não armada, tende a evitar o confronto, com medo de levar um tiro”, acredita.

5672 – Mega Memória Teledramaturgia – O Cafona


Foi uma telenovela brasileira, produzida pela Rede Globo e exibida de março a outubro de 1971, às 22 horas. Escrita por Bráulio Pedroso e dirigida por Walter Campos, teve 183 capítulos. Foi produzida em preto-e-branco.
Gilberto Athayde, um viúvo simples e rude faz fortuna com uma vendinha de subúrbio, que se transforma em cadeia de supermercados. Apesar de continuar sendo um homem simples, a alta sociedade disputa sua amizade, por causa do dinheiro. Unindo os dois mundos está a secretária Shirley Sexy, eternamente apaixonada pelo patrão, que o chama de “Gigi”.
Elenco
Francisco Cuoco – Gilberto Athayde (Gigi)
Marília Pêra – Shirley Sexy
Renata Sorrah – Malu
Tônia Carrero – Beatriz
Paulo Gracindo – Fred da Silva Barros
Ary Fontoura – Profeta
Carlos Vereza – Rogério
Osmar Prado – Cacá
Marco Nanini – Julinho
Eloísa Mafalda – Margarida
Elizângela – Dalva
Djenane Machado – Lúcia Esparadrapo
André Valli – Godofredo
Roberto Bonfim
Maysa – Simone
Eva Christian – Carla

5671 – Almanaque – De onde veio a expressão arre égua?


A palavra arre égua significa para Giacomo Mastroianni :
Exclamação que denota surpresa. Hipótese: deve ter sua origem nos tempos remotos em que se usava o cavalo como montaria, no Ceará. Ao surpreender o cavaleiro com algum tropeço ou reação imprevista, o cavaleiro devia exclamar ARRE ÉGUA! No dia-a-dia, a expressão foi transposta para a conversação com o significado de surpresa e protesto diante de um fato inesperado.
Trata-se de uma expressão não muito usada em nossa região, mas trazida para cá por nordestinos.
O sinônimo é “Vôte!”.
O antônimo da palavra “arre égua” é “Isso aí!”.
A tradução em inglês para a palavra “arre égua” é “Owow!”.

Curiosidades – Outras expressões cearenses
Abarcar – Sair na porrada. “O cara me provocou e eu abarquei, meti a porrada!”.
Abaitolado – Aquele que tem jeito de baitola, que é efeminado. “O cara parece meio abaitolado”. Veja.: Baitola.
Abestado – Apalermado, imbecil, idiota, estúpido. Pessoa que não entende de nada. Em notória alusão ao animal, ou seja, uma besta.
Achar graça – Rir, sorrir. “A menina achou muita graça na minha piada!”.
Amarelo queimado – Da cor amarelo-avermelhada. Alaranjado.
Amansa-corno – Marca de aguardente produzida no Ceará que ficou muito famosa pela originalidade do nome. O fabricante aproveitou um dos muitos apelidos desse destilado de cana-de-açúcar, autenticamente brasileiro, para dar nome ao seu produto.
Amufambado – Entocado, escondido: “Vive com o dinheiro amufambado nas virilhas”.
Apapagaiado – Alguém ou alguma coisa extravagantemente colorido, lembrando um papagaio. “Esta roupa está muito apapagaiada!”.
Aperreio – Situação vexatória. (Do português formal, porém pouco usado em outras regiões do país).
Aperreado – Aquele que está apressado, vexado, muito nervoso, sem saber o que fazer diante de uma situação difícil.
Arrasta-pé – Dança típica do nordeste em que o casal dança com as coxas muito coladas, arrastando os pés para não descolar.Gafieira, rala-bucho. Bate-coxa.
Arriado – Apaixonado. “O rapaz está arriado dos quatro pneus pela menina!”.
Baba-ovo – puxa-saco, bajulador, babão.
Babão – Quem vive babando (bajulando) os outros. Baba-ovo, puxa-saco.
Baitola – Homossexual. Termo pejorativo, insultante, muito usado nos xingamentos entre os rapazes.”Deixa de ser mole cara, parece que é baitola..” O termo nasceu durante a construção de uma estrada de ferro no Ceará. O capataz encarregado do assentamento dos trilhos era um senhor, de origem inglesa, com modos muito efeminados. O homem tinha uma preocupação muito grande com o espaçamento padrão entre os trilhos, chamado de bitola. Por influência da sua língua materna (o “i” tem som de “ai”), gritava a toda hora para os operários: “Cuidado com o baitola, não pode errar o baitola!”. Logo, os peões começaram a chamar o capataz de baitola, e, por extensão, a todos aqueles que tivessem trejeitos nada masculinos.
Baixa da égua – Hipotético lugar pra onde se manda pessoas que estão nos chateando. “Deixe de me encher o saco cara, vá pra baixa da égua”. Expressão em desuso, usada ainda pelas pessoas mais idosas no lugar de palavrões que também mandam o chato para determinados lugares que bem sabemos quais são.
Barriga-de-soro-azedo – Expressão que, na verdade, não significa nada, serve apenas para “intimar” com as crianças. “E tu barrica de soro azedo, ainda não cresceu”.Deve ter tido origem nas crianças barrigudinhas do interior que bebiam muito soro de leite extraído da produção de queijos.
Batoré – Indivíduo baixinho, tamborete-de-forró, tampinha.
Bila (bila de gude) – Pequena esfera de vidro que os garotos usam para brincar de gude, um jogo infantil que consiste em fazer a bila cair em três pequenos buracos ganhando quem chega de volta ao primeiro buraco. Absurdamente os grandes dicionários falam em “bolas de gude” e ignoram bilas que é termo conhecidíssimo no Nordeste.

5670 – Neurologia – Novas linhas de pesquisa


Derrames – Além da área afetada pelo vazamento de sangue, os neurônios nas vizinhanças do acidente se suicidam, aumentando estragos. Mas as drogas para evitar o suicídio celular, diminuindo as sequelas estão em testes.

Alzheimer – Seus efeitos nefastos serão retardados em 5 anos com novos remédios em testes.
Epilepsia – Uma espécie de marca-passo poderá ser implantado no cérebro para normalizar as transmissões nervosas ao menor sinal de alterações. Isso evitará os ataques epilépticos.

Vícios – Devem surgir moléculas criadas em laboratório que se encaixam no mesmo lugar do álcool ou da cocaína nos neurônios, curando a dependência, sem sofrimento para o viciado.

5669 – África – O Zimbábue


Harare, a capital

Os primeiros colonizadores a visitarem a região foram os portugueses no século 16. Três séculos mais tarde foi a vez dos ingleses. Do sobrenome do explorador que pretendia construir uma ferrovia que ligasse a cidade do Cabo ao Cairo, Cecil Rodes, veio a denominação do país, hoje Zimbábue. Só em 1980 deixou de ser colônia inglesa.
É um país da África Austral, anteriormente designado Rodésia do Sul e depois simplesmente Rodésia. É limitado a norte pela Zâmbia, a norte e a leste por Moçambique, a sul pela África do Sul e a sul e oeste pelo Botswana. Sua capital é Harare.
Os mais antigos ocupantes do atual território zimbabuano foram os povos de línguas khoisan. A partir do século XI, com a invasão de povos de línguas bantas, as populações originais khoisan foram forçadas a ceder a região para os invasores. Esses povos bantos criaram, nos séculos XIII e XIV, o Império Monomotapa, que dominou uma vasta área no sul da África, explorando as minas de ouro da região e comerciando escravos e metais através da costa do Oceano Índico. Sua capital era situada na Grande Zimbábue, da qual restam ruínas até hoje. Quando, em 1607, o monarca monomotapa concedeu aos portugueses a exploração do subsolo da área, o império já se encontrava em declínio.
No final do século XIX, os ingleses, dirigidos por Cecil Rhodes, começaram a colonizar a região com o objetivo de mineração. A riqueza da terra atraiu muitos europeus, ficando a população branca a dominar o país. Em 1921, a colónia autônoma se proclamou como Rodésia do Sul. Em 1953, o Reino Unido, temeroso da maioria negra, criou a Federação da Rodésia e Niassalândia, composta pela Rodésia do Norte (atual Zâmbia), Rodésia do Sul (hoje Zimbábue) e a Niassalândia (atual Malauí). Em 1964, o Reino Unido concedeu a independência à Rodésia do Norte, com o nome de Zâmbia. Mas a Rodésia do Sul se recusou, a menos que fossem dadas garantias de que o governo seria eleito pelo sufrágio universal. Um ano depois, o primeiro-ministro da Rodésia do Sul, Ian Smith, declarou unilateralmente a independência em 11 de novembro de 1965 e promulgou uma nova constituição através da qual o país adotava o nome de República da Rodésia. Mas a independência só foi reconhecida quinze anos depois, em 18 de abril de 1980, com o nome de Zimbábue.
O governo de Mugabe enfrenta uma crescente oposição, dada a crise econômica no país. O governo acredita que a pressão ocidental sobre Mugabe tem sido o resultado do crescimento das relações económicas com a República Popular da China e a disputa entre a República Popular da China e os Estados Unidos quanto aos recursos minerais do subsolo do Zimbábue.
O Zimbabwe é uma república com um presidente executivo e um parlamento que possui duas câmaras.
O atual presidente é Robert Mugabe. Ele convive com um caos econômico no país. Mugabe luta contra a inflação com atitudes políticas muito criticadas, como a tomada de fazendas pertencentes a brancos para assentar negros, o que, segundo os críticos, fizeram a situação piorar.
Em março de 2008 houve eleições gerais, que Mugabe perdeu, sem que o outro candidato tivesse obtido os 50% necessários.
Inflação

Governo corta 10 zeros no hiper desvalorizado dólar de Zimbábue

O país apresenta a maior taxa de inflação do planeta. Em fevereiro de 2007 foi registrada uma inflação anualizada de aproximadamente 1730%. Dados governamentais de junho de 2007 já apontam uma inflação de 4500%, embora especialistas afirmem que ela já chegou a aproximadamente 100 000%. Em julho de 2008 a inflação oficial chegou a 2.200.000% ao ano, mas estatísticas extraoficiais indicam uma inflação real de 9 000 000% ao ano
Em 2009, a inflação chegou aos exorbitantes níves de 98% ao dia.
A hiperinflação vem destruindo a economia do país, arrasando com o setor produtivo. Nos últimos anos, Zimbabwe tem diminuído rapidamente sua produção agrícola. Uma medida governamental congelou os preços, causando desabastecimento, fortalecimento do mercado negro e prisão de comerciantes contrários à medida.
A economia do Zimbabwe, que já foi um dos países mais prósperos da África meridional, encontra-se imerso desde 2000 em uma profunda crise. Além da hiperinflação, há um alto índice de desemprego (88%, maior do mundo), pobreza e uma crônica escassez de combustíveis, alimentos e moedas estrangeiras.
O novo governo de coalizão formado em fevereiro de 2009 conseguiu algumas melhorias na economia, incluindo o fim da hiperinflação eliminando o uso do dólar zimbabuano e o controle de preços. A economia está registrando seu primeiro crescimento em uma década, mas ainda são necessárias reformas políticas que permitam um maior crescimento. O relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para 2010, divulgado no dia 04/11/2010, mostra o Zimbábue na posição 169, o último país do ranking.

5668 – Tecnologia – Curativo mutante


Dentro de pouco tempo, quando você fizer um machucado no dedão e colocar uma bandagem, vai saber na hora se o corte está infeccionado e qual o tipo de bactéria presente nele graças à cor que o curativo adquirir. Isso será possível após a descoberta de dois pesquisadores da Universidade de Rochester. A dupla desenvolveu um sensor de germes que será agora incorporado a uma atadura para criar o que já chamam de “curativo inteligente”. Quando determinados tipos de bactéria são detectados, o curativo muda de cor e alerta sobre uma possível infecção. Providenciando um diagnóstico instantâneo, a tecnologia pode mostrar na hora se aquela feridinha precisa ou não de cuidados especiais. O sensor, que é do tamanho de um grão de areia, por enquanto só pode detectar a presença de duas classes de bactérias. O próximo passo agora é criar um sensor que diferencie dúzias de microorganismos.
Colocados dentro de bandagens flexíveis, a bactéria presente no machucado será imediatamente identificada de acordo com a cor que adquirir: salmonella, listeria, E. coli, entre outras, poderão ser listadas. O sistema de identificação deve ter aplicações ainda mais abrangentes. Além do “curativo inteligente”, o sensor poderá fazer parte da “embalagem inteligente”, para identificar a presença de microorganismos causadores de doenças em alimentos nas prateleiras de supermercados.

5667 – Aproveitando a energia do Sol


Imagine-se andando pela rua com uma roupa que acabou de ser borrifada com um spray de células solares. O tecido dela, graças a essas partículas, agora pode captar luz solar e, transformando-a em energia, carregar automaticamente seu celular, palmtop ou CD-player. Cientistas da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, acreditam que uma cena assim será perfeitamente possível nos próximos anos. A cada minuto, o Sol irradia para a Terra mais energia do que a humanidade inteira consome em um ano. No entanto, a tecnologia para a conversão da energia solar em elétrica ainda é muito cara: custa três a quatro vezes mais que a forma hidrelétrica. Isso porque a maioria das células para a captação de energia solar são feitas de silicone inorgânico que, como um chip de computador, precisa passar por processos laboratoriais dispendiosos.
A boa notícia é que os recentes avanços em pesquisas e em nanotecnologia estão acelerando o desenvolvimento de células mais simples e baratas, que podem ser borrifadas, por exemplo, no teto ou nas paredes de construções para gerar energia para o local. As novas células solares orgânicas feitas de plástico têm, no entanto, eficiência de apenas 2,5% na absorção de energia, contra os 10% dos dispositivos convencionais inorgânicos. Mas, de acordo com os pesquisadores, no final o custo-benefício é compensador. Outra equipe de estudiosos, da Universidade da Califórnia, tenta desenvolver uma estrutura nanométrica que combina a flexibilidade do plástico com a comprovada eficiência de semicondutores inorgânicos. Por enquanto, a maior dificuldade dos pesquisadores é duplicar a eficiência das estruturas e, assim, atrair empresas interessadas no investimento.

5666 – Futuro da Astronáutica – Rumo as luas


A meta agora é a colonização de outros mundos, da Lua para Marte e daí para os estranhos e fascinantes satélites dos planetas gigantes mais próximos, Júpiter e Saturno.
Um dos projetos mais ambiciosos é a chamada iniciativa de sistemas nucleares, da Nasa, que quer criar minirreatores atômicos para gerar energia no espaço. As naves geralmente funcionam graças à luz solar, transformada em eletricidade por seus painéis. Mas Júpiter e Saturno ficam bem longe do Sol; melhor recorrer à energia atômica. Em parte, essa tecnologia já foi usada em duas naves recentes: a Galileo, atualmente estacionada acima de Júpiter, e a Cassini, que faz um tour pelas luas de Saturno. A Cassini causou sensação em janeiro deste ano pelas fotos espantosas que enviou do satélite jupiteriano Europa, onde parece haver um imenso oceano de água salgada, coberto de gelo.
Quanto aos telescópios, o primeiro a ser construído será o James Webb, cuja missão é, simplesmente, ser o sucessor do Hubble. Será quase duas vezes maior que seu antecessor (terá 4 m de comprimento contra 2,40 m) e novas atribuições. Sua visão, por exemplo, será ajustada para ver principalmente ondas de calor. Elas serão captadas por uma lente incrível, composta de vários pedaços “dobráveis”. Chegando à estação espacial, essas partes se encaixarão automaticamente umas às outras até alcançar seu diâmetro real, que será de 6 m, gigantesca para um telescópio espacial. Outra curiosidade é que o instrumento terá de ficar sempre congelado a 240ºC negativos: isso porque, como ele enxerga calor, a sua própria temperatura poderia criar um “ruído” de fundo, prejudicando a qualidade das imagens.
O objetivo de tudo isso é complementar o trabalho do Hubble, que era, principalmente, observar o Big Bang, a explosão que deu origem ao universo, há 13,5 bilhões de anos. Daqui para a frente, o James Webb tentará entender o que veio depois do Big Bang: o nascimento e a evolução das galáxias e, em particular, a história da nossa própria galáxia, a Via Láctea. Dentro dela, o alvo é decifrar o nascimento e a evolução das estrelas e de seus planetas. Ou seja, ele vai buscar outros sistemas solares, distintos do nosso. Essa concatenação é perfeita, com um telescópio dando seguimento à tarefa do anterior.
Apesar do grande entusiasmo que esses projetos provocam, a grande estrela da pesquisa espacial, ao longo desta década, deverá mesmo ser Marte, nosso vizinho mais próximo dentro do Sistema Solar e o único, até onde se sabe, que poderia oferecer condições confortáveis para possível colonização pelo homem. Diversos projetos estão, atualmente, em andamento com vistas à conquista do chamado planeta vermelho. O projeto mais adiantado é o da nave Mars Express, de responsabilidade dos países europeus, por meio da agência espacial européia, a ESA. Com lançamento previsto para os próximos 12 meses, ela está sendo preparada para estacionar na órbita de Marte e, lá de cima, analisar a superfície marciana. Mas não apenas isso: ela também deverá carregar um módulo de aterrissagem, o Beagle-2. Trata-se de uma sonda teleguiada, capaz de se desprender da nave-mãe e pousar na superfície.
O principal objetivo da Mars Express é entender por que Marte é tão desértico, hoje em dia, embora haja sinais muito fortes de que já teve água em abundância e, talvez, multidões de bactérias proliferando em seus mares. O único jeito de descobrir, dizem os cientistas, é fazer uma análise química detalhada do solo marciano. Para isso, a nave usará um “espião”, chamado Spicam. Trata-se de um sensor que capta radiação ultravioleta e infravermelha emitida pela superfície marciana e, por meio delas, poderá decifrar as reações químicas que estão ocorrendo lá embaixo. Já se sabe que Marte é “enferrujado” – quer dizer que suas rochas e solos tendem a reagir fortemente com o oxigênio (vem daí, inclusive, a sua característica aparência avermelhada). O problema consiste em estudar as reações químicas e tentar descobrir como surgiu essa tendência.
Outro instrumento interessante da nave é o Marsis, uma espécie de radar que pode ser sintonizado para detectar água. Dito de outra maneira, ele pode verificar se existe água escondida no subsolo marciano. Já não há muita dúvida de que as moléculas de H2O rolaram pelas planícies vermelhas. Mas o Marsis poderá confirmar se parte dessa água ainda está lá – e apenas escorreu para debaixo do solo. O radar poderá fazer essa verificação até a uma profundidade de 5 km.

5665 – Tecnologia – Lâmpadas do futuro


Uma nova tecnologia, desenvolvida pelo Departamento de Energia do laboratório estatal Sandia, nos Estados Unidos, transforma as lâmpadas do futuro em artigos muito mais econômicos – e que não esquentam. As lâmpadas do futuro vão continuar incandescentes, mas o novo sistema utiliza uma trama microscópica de tungstênio e cristais de fótons em vez dos antigos filamentos, base da maior parte das lâmpadas usadas no mundo inteiro. Os bulbos tradicionais transformam apenas 5% da energia em luz – o restante é perdido em calor. A equipe americana que pesquisa a novidade vai elevar a eficiência para 60%. A nova lâmpada ajudará a resolver um problema gigantesco: acrescente demanda por mais energia elétrica e as conseqüências que isso causa ao meio ambiente.
A diferença, ao que tudo indica, deverá ser sentida também em seu bolso, já que a conta de luz da sua casa com certeza vai ficar muito mais barata.

5664 – Satélites – Lua Io de Júpiter


Sonda Galileo passou perto

Io é uma das quatro grandes luas de Júpiter conhecidas como Luas de Galileu, em honra ao seu descobridor Galileu Galilei.
Io, ligeiramente maior que a Lua, é também a quarta maior lua do sistema solar, logo a seguir a Ganímedes, Titã e Calisto (esta última e Ganímedes são também luas de Galileu em Júpiter).
Mesmo com o seu tamanho algo modesto e apesar de estar localizada num local frio do sistema solar, Io é descrita como o que mais se aproxima do conceito de inferno em todo o sistema solar, já que é o local com maior actividade vulcânica do Sistema Solar. Os seus vulcões chegam a atingir temperaturas à volta dos 1700 graus Celsius, logo, mais quentes que os vulcões da Terra (acredita-se que também os vulcões dos primórdios da Terra atingissem temperaturas semelhantes).
Aliada à maior concentração vulcânica do sistema solar, a libertação de compostos de enxofre durante as erupções confere a Io a aparência de um mundo de diferentes cores: branco, vermelho, laranja, amarelo e preto. Outra consequência desta actividade vulcânica consiste na expulsão de matéria e gases que se afastam para centenas de quilómetros de altura. Devido à fraca gravidade, alguma dessa matéria escapa para o espaço, formando um toro em redor de Júpiter.
O nome desta lua provém de Io, uma das paixões de Zeus (que corresponde ao deus romano Júpiter), segundo a mitologia grega . Apesar do nome ter sido sugerido pela primeira vez por Simon Marius, só no século XX é que o seu uso tornou-se corrente. Até então era conhecida pela denominação, em numeração romana, Júpiter I.
Na mitologia, Io era uma ninfa (ou princesa, segundo outras versões) por quem Zeus (Júpiter) se apaixonou. O deus metamorfoseou-a em vaca para a proteger dos ciúmes de Hera (Juno na mitologia romana), a mulher de Zeus. Hera encarregou, então, o boieiro Argo de vigiá-la. Zeus ordenou Hermes (Mercúrio) a retirar Io da vigilância de Argo. Hermes só o conseguiu depois de ter adormecido Argo ao som da flauta de Pã, matando-o em seguida. Hera deu à sua ave consagrada, o Pavão, os cem olhos de Argo para que o fantasma do boieiro continuasse a perseguir a virgem-novilha Io.
A lua Io foi descoberta a 7 de Janeiro de 1610 por Galileu Galilei através da sua luneta. Io apresenta-se no céu nocturno com 5,0 de magnitude.
Contudo, alguns autores defendem que a descoberta se deveu a Simon Marius. Este publicou os resultados das suas observações no seu trabalho de 1614 «Mundus Jovialis», onde revela que teria descoberto as luas uma semana antes de Galileu, no final de 1609. Galileu duvidou desses factos e catalogou o trabalho de Marius como plágio.
Quando a sonda Voyager 1 enviou as primeiras imagens, nas proximidades de Io, em 1979, os cientistas esperavam encontrar numerosas crateras. Contrariamente a todas as expectativas, Io quase que não tinha crateras. Na verdade, possuía uma superfície ainda jovem causada pela intensa actividade vulcânica que cobriu quase por completo os sinais quaisquer crateras. A Voyager 1 conseguiu observar nove vulcões activos na superfície; mais tarde, a Voyager 2 observou oito dos nove em actividade, verificando-se que o maior dos vulcões estava inactivo.
A surpresa devida à descoberta de vulcões activos despertou o interesse da cultura popular por esta lua, que passou a ser referida em livros, filmes, jogos ou vídeos de música. É descrito em obras de ficção cientifica como «2010: Odyssey Two» de Arthur C. Clarke (1984) ou no filme Outland de 1981.
A 8 de fevereiro de 1992, a sonda Ulysses usou a gravidade de Júpiter para poder explorar os pólos do Sol. A Ulysses estudou o Toro de Plasma de Io que circunda Júpiter, verificando, também, uma diminuição na quantidade de vulcões em erupção.
o possui um diâmetro médio de 3642,6 km e tem uma densidade relativamente alta de cerca de 3,56 g/cm³. Assim, tem uma densidade um pouco maior e um diâmetro também pouco maior que a Lua.
Diferentemente das luas do sistema solar exterior, Io apresenta grandes semelhanças com os planetas telúricos, como a Terra, onde as rochas de silicatos são predominantes. Os dados da sonda Galileo sugerem que Io tem um núcleo de 900 km de diâmetro constituído por ferro e, possivelmente, com porções de pirita.
Este pequeno mundo tem uma luminosidade considerável, proveniente de alguns lagos incandescentes devido às altas temperaturas, mas a maioria dessa luminosidade provém de descargas eléctricas entre Júpiter e Io.
Ao contrário das outras luas de Galileu, Io tem pouca ou nenhuma água. Isto acontece provavelmente porque, no início do sistema solar, Júpiter era quente o suficiente para afastar os elementos voláteis junto à sua superfície (o que inclui Io), mas não para fazer o mesmo com as outras luas.
Existem montanhas escarpadas de origem não vulcânica com vários quilómetros de altura, planaltos formados por materiais em camada, e muitas caldeiras com aspecto irregular. Várias das formações negras correspondem a pontos quentes e podem ser lava a fluir. Não existem muitas crateras de impacto, dado que os depósitos vulcânicos cobrem a superfície mais rapidamente que o número de grandes crateras causadas por asteróides e cometas.
Esta intensa actividade vulcânica eliminou da superfície qualquer rasto de gelo, como seria de esperar num satélite de Júpiter. Da mesma forma que os vulcões da Terra, os vulcões ionianos emitem enxofre e dióxido de enxofre. Originalmente, julgava-se que as correntes de lava eram constituídas por substâncias sulfurosas. Contudo, hoje pensa-se que são silicatos rochosos derretidos, tal como acontece, também, na Terra. A Galileo detectou mais de cem vulcões em erupção, e especula-se que deverão existir pelo menos trezentos.
A energia para este vulcanismo deriva de efeitos de maré gerados pela interacção de Io, Júpiter, Europa e Ganímedes. As três luas encontram-se em ressonância orbital (ressonância de Laplace), de modo que Io orbita duas vezes por cada órbita de Europa que, por sua vez, orbita duas vezes por cada órbita de Ganímedes; além disso, Io mantém sempre a mesma face virada para Júpiter. A interacção gravitacional de Europa, Ganímedes e Júpiter, obriga o diâmetro de Io a sofrer constantes variações (cerca de 100 metros), num processo que gera calor através de fricção interna.

Possível interior de Io

5663 – Ets na Bíblia? – Ezequiel e suas carroças voadoras


O Velho Testamento registra uma cena espetacular, que hoje seria interpretada pelos ufólogos como um típico caso de aparição de um Ovni (objeto voador não-identificado). O profeta Ezequiel descreve uma carroça com rodas de fogo que desceu dos céus até ele. Esta visão foi amplamente difundida pelo escritor Erich von Däniken em seu livro Eram os Deuses Astronautas? como uma prova irrefutável de que a Terra tem sido visitada por alienígenas desde tempos remotos. À luz do conhecimento científico atual, é fácil deduzir que Ezequiel teve uma ilusão de ótica causada pelo reflexo da luz do sol em cristais de água na atmosfera.
Na Idade Média, quando se incendiavam pessoas por qualquer motivo, várias mulheres foram mortas por terem visões estranhas. É claro que, na época da Inquisição, ninguém dizia ter contatos com seres extra-terrestres. Acreditava-se em duendes, fadas e demônios. Os ETs ainda não tinham sido inventados. Naves espaciais tripuladas por alienígenas só despontaram no imaginário coletivo no fim do século passado. Foi naquela época que surgiram, nos Estados Unidos, os relatos sobre estranhos objetos voadores, em geral dotados de asas e hélices. Claro, na época ainda não havia aviões. Existia, isto sim, um crescente interesse pelo tema das “máquinas voadoras”. Era uma época de avanços prodigiosos na tecnologia dos balões e dos dirigíveis, como o famoso Zepelin. A invenção de um aparelho voador mais pesado do que o ar já era tida como iminente. Em outras palavras, a expectativa de ver aeronaves nos céus americanos favorecia que as pessoas realmente as “vissem”.
Muitos ufólogos admitem que a maior parte dos objetos relatados como Ovnis podem ser descartados como enganos ou fraudes. A polêmica se concentra sobre um pequeno resíduo, algo como 2% de casos insolúveis. As pessoas que acreditam em discos voadores encaram esses casos sem explicação como provas da existência de Ovnis e de visitas extraterrestres. Elas simplesmente não conseguem explicar as ocorrências de outra maneira. Os cientistas se recusam a acreditar em ETs até que apareçam provas realmente convincentes.

5662 – História dos EUA – A Guerra Civil e o Crescimento da Economia


Fogo contra fogo

Foi o conflito mais sangrento da História americana, onde morreram mais cidadãos americanos do que em qualquer outra guerra. Seus custos foram tão grandes quanto suas consequências. Foi estabelecida a hegemonia dos estados do norte e do capitalismo. O crescimento econômico do século 19 neste país foi o mais rápido da História mundial até então. Entre 1825 e 1910 a produção cresceu a uma taxa média anual de 1,6% per capita, enquanto a população por crescimento natural e imigração dobrou a cada 27 anos. A mecanização agrícola acelerada pelos colonos em marcha para o oeste, o uso de fertilizaçãoe a introdução de espécies vegetais tornaram o EUA o maior produtor agrícola mundial. A ferrovia, porém, foi o elemento mais significativo para o crescimento, baixando os custos, abrindo áreas de produção e mercados e unificando um país vasto e desigual.
Em 1880, a malha ferroviária era a maior que o sistema europeu. O país beneficiou-se dos recursos naturais, população alfabetizada, revolução organizacional, estabilidade política, investimento estrangeiro e ética empresarial. Entre 1877 e 1892,o PIB triplicou, fazendo dos EUA a maior potência industrial do mundo. A Guerra Civil começou quando os Estados Confederados da América abriram fogo contra tropas dos EUA no Front Sumter (Charleton, Carolina do Sul), em 12 de abril de 1861 e terminou quando os principais exércitos confederados se renderam em abril de 1865. Perto de 3 milhões de americanos serviram nas forças entre a união e da federação; 2/3 deles com menos de 23 anos. Cerca de 200 mil dos soldados da união eram negros, a maioria escravos emancipados. Mais de 21% dos soldados da Guerra Civil morreram. Uma proporção muito mais alta do que qualquer exército da 1ª Guerra Mundial. As mortes causadas por doença foram o dobro das mortes em batalha.
O crescimento da agricultura e da indústria americana resultou de inovações tecnológicas, especialmente das máquinas colheitadeiras e processos Bessemer e da fornalha tipo Siemens-Martin de produção de aço, bem como do crescimento da população e colonização de novas terras.

5661 – História dos EUA – Oeste


Com carroças cobertas a migração para o oeste teve início em fins do século 18 e ganhou força após
a travessia dos montes Allegheny e da entrada de imigrantes no meio-oeste, via Grandes Lagos e Rio Mississipi. Os imigrantes foram objeto de resistência por parte de tribos indígenas, deslocadas para oeste pela pressão sempre crescente.
A colonização foi uma experiência extremamente negativa, sob as perpectivas dos povos indígenas:
a expansão tornou-se retação; a democracia, tirania;a prosperidade, pobreza e a liberdade, confinamento. Possivelmente, antes de 1600; 10 milhões de índios viviam ao norte do Rio Grande, falando mais de 2 mil línguas e morando em pequenas aldeias ou grupos nômades, subsistindo do milho, da caça e da pesca e outros frutos da floresta. A chegada doseuropeus trouxe mudanças.
Delas os Sioux obtiveram seus cavalos, os Navajos, suas ovelhas e os Iroqueses, suas armas de fogo. Mas o impacto foi muito desvantajoso: as tribos da Nova Inglaterra, devastadas por doenças, foram destruídas na guerra Pequot de 1636 e na do Rei Felipe. Tribos sulinas, apesar de terem adotado hábitos “civilizados”, não se deram melhor. Agricultores liderados pelo Presidente Andrew Jackson, conseguiram uma lei para a sua remoção e, embora a Suprema Corte tenha se oposto, em 1838, aproximadamente 50 mil Cherokees foram enviados em pleno inverno para o árido Oklahoma. Muitos morreram no caminho. Os Choctaw, Creek e Chickasaw tiveram destino semelhante. Mesmo os Semilones, isolados nos pântanos da Flórida, resistiram só uma década.
Nas grandes planícies, a base econômica e espiritual da cultura indígena foi destruída quando as manadas de búfalos foram divididas em 2 pela 1ª Ferrovia Transcontinental (1869) e depois dizimadas numa campanha deliberada para matar os Sioux de fome. Na década de 1890, os búfalos e os índios sobreviveram apenas em reservas. A medida que sua cultura se desintegrou, sua estrutura espiritual foi substituída por novas formas de crença.
A dança dos espíritos era uma religião de resistência, desenvolvida primariamente de forma não violenta pelo Pajé Paiutewovoke, desde a década de 1890. A vasta extensão territorial dos EUA, 5 vezes maior que a Grã-Bretanha, França, Alemanha e Japão juntos, fez com que a melhoria dos transportes fosse essencial para o cresimento da economia.
As ferrovias reduziram as taxas de fretes terrestres em 500% e o tempo de viagem em 900%, em seus primeiros 20 anos de operação. A movimentação da população e do transporte para o oeste foi acompanhada por um deslocamento da produção agrícola.

5660 – Estátua de Zeus era feita de marfim, ébano e pedrarias


Na cidade grega de Olímpia, na planície do Peloponeso, estava a quinta maravilha: a estátua de Zeus, esculpida pelo célebre ateniense Fídias, no século V a.C., quando a cidade já caíra sob o domínio de Esparta. Essa é considerada sua obra-prima. Tanto os gregos amavam seus trabalhos que dizia-se que ele revelava aos homens a imagem dos deuses. Supõe-se que a construção da estátua tenha levado cerca de oito anos. Zeus (Júpiter, para os romanos) era o senhor do Olimpo, a morada das divindades. A estátua media de 12 a 15 metros de altura — o equivalente a um prédio de cinco andares — e era toda de marfim e ébano. Seus olhos eram pedras preciosas.
Fídias esculpiu Zeus sentado num trono. Na mão direita levava a estatueta de Nike, deusa da Vitória; na esquerda, uma esfera sob a qual se debruçava uma águia. Supõe-se que, como em representações de outros artistas, o Zeus de Fídias também mostrasse o cenho franzido. A lenda dizia que quando Zeus franzia a fronte o Olimpo todo tremia. Quando a estátua foi construída, a rivalidade entre Atenas e Esparta pela hegemonia no Mediterrâneo e na Grécia continental mergulhou os gregos numa sucessão de guerras. Os combates, no entanto, não prejudicaram as realizações culturais e artísticas da época. Ao contrário, o século V a.C. ficou conhecido como o século de ouro na história grega devido ao extraordinário florescimento da arquitetura, escultura e outras artes. A estátua de Zeus foi destruída nesse mesmo século V a.C.

5659 – O Templo de Artemis demorou 200 anos para ser construído


O Templo de Artemis

Em Éfeso, na Ásia Menor, ficava o templo da deusa Ártemis, a quarta maravilha. Sua construção começou na metade do século VI a.C. , por ordem do conquistador Creso, rei da Lídia — região montanhosa que hoje é o oeste da Turquia. Com 90 metros de altura — como a estátua da Liberdade, em Nova York — e 45 de largura, o templo era decorado com magníficas obras de arte. Protetora da cidade e deusa dos bosques e animais, Ártemis (Diana, para os romanos) foi esculpida em ébano, ouro, prata e pedra preta. Tinha as pernas e quadris cobertos por uma saia comprida decorada com relevos de animais. Da cintura para cima, três fileiras de seios se superpunham. Um ornamento em forma de pilar lhe adornava a cabeça.
Nesse período da história grega, chamado Arcaico (século VIII- século V a.C.), quando Éfeso, graças a seu porto, era uma das mais importantes cidades do Egeu e do Mediterrâneo, a escultura tinha alcançado seu ponto alto entre os gregos. Não é, pois, de estranhar que o templo de Ártemis tenha ficado famoso por suas esculturas e objetos de ouro e marfim — alguns dos quais se encontram no Museu Britânico, em Londres. Quando, no século I, o escritor romano Plínio, o Velho, afirmou que esse magnífico templo, com 127 colunas (36 decoradas) demorou duzentos anos para ser construído, não foi levado a sério. Mas, no século XIX, quando os arqueólogos conseguiram determinar o lugar onde foi erguido deu-se finalmente razão a Plínio. O templo foi incendiado no século III a.C. por um certo Heróstrato, que assim pretendia tornar-se imortal. Pelo visto, conseguiu. Reconstruído, destruído e ainda outra vez reconstruído, o templo foi finalmente arrasado em 262 pelos godos, povo germânico que durante o século III invadiu províncias romanas na Ásia Menor e na península balcânica.

5658 – O Farol de Alexandria e seus 120 metros de mármore


Na ilha que fica diante da cidade de Alexandria, no Egito, ergueu-se o mais famoso farol da Antigüidade. Por isso a ilha foi chamada Faros (farol, em grego). Modelo para a construção dos que o sucederam, o Farol de Alexandria foi classificado como a segunda maravilha do mundo. Todo de mármore e com 120 metros de altura — três vezes o Cristo Redentor no Rio de Janeiro –, foi construído por volta de 280 a.C. pelo arquiteto grego Sóstrato de Cnidos, por ordem de Ptolomeu II, rei grego que governava o Egito. Diz a lenda que Sóstrato procurou um material resistente à água do mar e por isso a torre teria sido construída sobre gigantescos blocos de vidro. Mas não há nenhum indício disso.
Com três estágios superpostos — o primeiro, quadrado; o segundo, octogonal; e o terceiro, cilíndrico –, dispunha de mecanismos que assinalavam a passagem do Sol, a direção dos ventos e as horas. Por uma rampa em espiral chegava-se ao topo, onde à noite brilhava uma chama para guiar os navegantes. Compreende-se a avançada tecnologia: Alexandria tinha-se tornado naquela época um centro de ciências e artes para onde convergiam os maiores intelectuais da Antigüidade.
Cumpria-se assim a vontade de Alexandre, o Grande, que ao fundar a cidade, em 332 a.C., queria transformá-la em centro mundial do comércio, da cultura e do ensino. Os reis que o sucederam deram continuidade a sua obra. Sob o reinado de Ptolomeu I (323-285 a.C.), por exemplo, o matemático grego Euclides criou o primeiro sistema de geometria. Também ali o astrônomo Aristarco de Santos chegou à conclusão de que o Sol e não a Terra era o centro do Universo. Calcula-se que o farol tenha sido destruído entre os séculos XII e XIV. Mas não se sabe como nem por quê.

5657 – As Pirâmides e seus 2 milhões de blocos


As três pirâmides do Egito ocupam merecidamente o primeiro lugar da relação. Construídas entre 2551 e 2495 a.C. para servirem de túmulo aos faraós, são também os mais antigos dos sete monumentos. Prova do alto nível da ciência e tecnologia do Antigo Egito, com soluções de engenharia admiráveis para qualquer época e lugar, erguem-se imponentes na planície de Gizé, a 15 quilômetros do Cairo. A maior é a de Quéops, o segundo rei da IV dinastia. Segundo o historiador grego Heródoto, sua construção mobilizou 100 mil trabalhadores durante vinte anos. Com 146 metros de altura — o equivalente a um edifício de 48 andares — , foi a primeira a ser construída, com mais de 2 milhões de blocos de pedra.
As pirâmides tinham, inicialmente, uma base hexagonal, isto é, de seis lados. A partir da pirâmide monumental (que não faz parte das sete maravilhas), atribuída ao rei Snefru, a estrutura básica alargou-se até se transformar num bloco compacto de alvenaria com oito terraços, preenchidos com blocos de pedra que se encaixavam perfeitamente, formando um aclive em degraus. Recoberta a construção com uma massa lisa de pedra calcária, resultou uma verdadeira pirâmide geométrica.
Um pouco menor que a de Quéops, a pirâmide de Faraó Quéfren tinha 143 metros de altura: a terceira, de Miquerinos, 66 metros. Provavelmente, os próprios faraós, foram os arquivos das suas pirâmides, onde, segundo a crença, eles ressuscitariam. O apogeu do poder real no Egito deu-se justamente no período correspondente à IV dinastia, quando a centralização era a marca registrada do sistema político.

Pirâmides do Egito