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10.057 – Química – A Sacarose


Popularmente conhecida como açúcar comum ou açúcar de mesa, a sacarose é um dissacarídeo composto por uma molécula de glicose e uma de frutose, unidas entre si por uma ligação glicosídica. Em condição ambiente, esse glicídio tem aparência de cristais brancos, sabor doce e é solúvel em água.
A sacarose tem origem vegetal, sendo encontrada, principalmente, na cana de açúcar e na beterraba e em algumas frutas. Devido ao clima favorável, no Brasil e na Austrália, o açúcar é obtido a partir da cristalização do caldo de cana, que apresenta uma concentração de sacarose entre 14% e 24%. Já na Europa, se produz açúcar a partir da beterraba, cuja concentração de sacarose é de 14% a 18%.
Conforme a legislação brasileira, o açúcar é classificado de acordo com o teor de sacarose:
Açúcar cristal – 99,3% de sacarose;
Açúcar refinado – 98,5% de sacarose;
Açúcar moído – 98% de sacarose;
Açúcar mascavo – 90% de sacarose;
Açúcar em cubos – 98% de sacarose;
Açúcar cande – 99% de sacarose;
Quando submetida à ação de ácidos diluídos ou da enzima invertase, a sacarose sofre hidrólise e libera a molécula de glicose e a de frutose que fazem parte da sua estrutura, numa reação química denominada inversão de sacarose. Essa reação é aplicada à produção de chocolates com recheios cremosos: na fabricação, o chocolate é recheado com sacarose, água e invertase, que reagem entre si e formam uma mistura de glicose e frutose, denominada açúcar invertido, mais cremoso e muito mais doce do que a própria sacarose.
Esse dissacarídeo é utilizado como referencial de doçura, tanto de açúcares orgânicos quanto de adoçantes artificiais. Em termos de doçura, 100 g de glicose, por exemplo, equivalem a 74 g de sacarose, enquanto 100 g de frutose correspondem a 173 g de sacarose. Os adoçantes artificiais, em geral, são produzidos com doçura bem maior que a sacarose, como é o caso da sacarina: 100 g de sacarose equivalem a 35.000 g de sacarina.
Inicialmente, o açúcar não era algo tão comum e acessível como é hoje em dia. Até o século XIX, usava-se o mel de abelhas para adoçar alimentos e bebidas, e o próprio açúcar era utilizado quase exclusivamente para fins medicinais, como um calmante natural. No entanto, com a propagação da cana de açúcar no continente americano e do açúcar de beterraba nos países europeus, o produto passou a ser mais conhecido e consumido mundialmente, deixando de ser apenas um item de luxo.

10.056 – Bactéria X Antibiótico – A era pós-antibiótico


Chegamos a um ponto em que os antibióticos não conseguem combater algumas bactérias. Esses medicamentos já perdem a batalha para dezessete micro-organismos multirresistentes, causando, nos Estados Unidos, mais mortes que a aids. A preocupação de médicos e cientistas em todo o mundo é que, sem o investimento em pesquisas e um plano contra o abuso de medicamentos, podemos voltar, rapidamente, à época em que os antibióticos não existiam.
No inverno de 2007, um homem de origem indiana saiu de sua casa, na Suécia, para passar o mês de dezembro em seu país natal. Cumpria o mesmo ritual todos os anos, mas, dessa vez, a viagem o preocupava. Aos 59 anos e diabético, tinha sofrido vários derrames — e sua saúde poderia se tornar mais frágil no interior da Índia. Poucos dias depois de chegar, ele foi internado na pequena cidade de Ludhiana, com úlceras profundas na pele. Sem condições de tratá-lo, os médicos o encaminharam para a capital, Nova Délhi. Ele foi operado e tratado com antibióticos, mas a doença não cedeu. De volta à Suécia, foi internado na cidade de Örebro, a 160 quilômetros de Estocolmo.

Seus últimos registros são de 1 de abril de 2008, quando a equipe responsável pelos cuidados médicos descobriu em seu corpo uma bactéria com uma mutação nunca vista: era resistente a quase todos os antibióticos conhecidos, e tinha vindo com o paciente da Índia. Para conseguir vencê-la foi necessária a colaboração de cientistas da Grã-Bretanha. No ano seguinte, em referência à sua origem, a enzima que tornava o micro-organismo quase imbatível foi batizada de New Delhi metallo-beta lactamase 1 — e o nome logo se transferiu à superbactéria, hoje conhecida como NDM-1.

Contra ela, os antibióticos têm pouco ou nada a fazer. É imune aos remédios chamados carbapenemas, usados para combater os micro-organismos mais resistentes já descobertos. Em 2010, ela já tinha viajado pela Europa, Austrália e Estados Unidos. Desembarcou no Rio Grande do Sul no ano passado e, em fevereiro, foi encontrada em dois pacientes em um hospital de Londrina, no norte do Paraná. O tratamento das infecções urinárias e de pele que ela causa é longo, caro e repleto de efeitos colaterais. Nos casos mais graves, não há nenhum antibiótico capaz de combatê-la. As doenças que ela causa levam à morte.

Essa batalha perdida pelos antibióticos já mata mais que a aids nos Estados Unidos – são 23 000 mortes anuais, ante 15 000 causadas pelo HIV. No país, os remédios existentes não conseguem combater dezessete tipos de micro-organismo, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês). Um relatório divulgado no fim de março pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrou que cerca de 500 000 casos de tuberculose em 2012 foram causados por bactérias super-resistentes em todo o mundo. Até 2015, os casos podem ser 2 milhões. Ou seja, milhões de pessoas podem adoecer como se estivessem no início do século XX, antes da descoberta do primeiro antibiótico.
O alerta para o fim da eficácia dos antibióticos foi soado em setembro do ano passado por Tom Frieden, diretor do CDC americano. “Se não tomarmos cuidado, logo estaremos em uma era pós-antibióticos. Na realidade, alguns pacientes e micróbios já estão nela”, afirmou em uma conferência sobre organismos multirresistentes. O cenário, no entanto, inquieta imunologistas e médicos em todo o mundo há pelo menos dez anos, quando a primeira bactéria KPC foi identificada nos Estados Unidos. Trata-se de uma versão resistente da bactéria Klebsiella pneumoniae, que pode causar pneumonia e infecção urinária. A preocupação surgiu porque cerca de 20% das contaminações pela KPC podem não ser vencidas por nenhum antibiótico. Ou seja, ela causa uma infecção simples, imune a grande parte dos remédios conhecidos. De acordo com um levantamento do Ministério da Saúde, a bactéria matou 106 pessoas em 2010 e 2011 no Brasil.
Superbactérias assim desafiam a medicina desde 1950, quando o micróbio Staphylococcus aureus, causador de infecções cutâneas e respiratórias, deixou de responder à penicilina, o primeiro antibiótico do mundo, descoberto em 1928 pelo biólogo escocês Alexander Fleming. Para combater a infecção, o antibiótico age nas bactérias sensíveis a ele, matando-as. As sobreviventes, que dispõe de mutações resistentes ao medicamento, transmitem essa imunidade a seus descendentes, até que todas se tornam mais fortes que o remédio. Para combatê-las será necessário um novo antibiótico, ou uma nova classe deles, como dizem os especialistas.
No século XX, dez classes de antibióticos foram desenvolvidas. No século XXI, até agora, apenas duas. “Não era preciso bola de cristal para saber que bactérias super-resistentes iriam surgir. O problema é que não conseguimos evoluir tão rápido quanto elas. Estamos falhando em todas as frentes”, afirma o pesquisador da Fiocruz.
Um dos fatores que acelerou o processo de adaptação dos micro-organismos foi o uso indiscriminado de antibióticos, desde seu surgimento. De acordo com dados da consultoria internacional IMS Health, os antibióticos são o quinto remédio mais vendido do mundo, atrás apenas de drogas de combate ao câncer, dores, diabetes e hipertensão. Pouco mais de 40 bilhões de dólares foram gastos em 2013 para a compra de antibióticos, dos quais 1,24 bilhão no Brasil — há cinco anos, a soma era de 875 milhões de dólares por aqui.
De todos esses remédios vendidos, estima-se que pelo menos a metade venha de prescrições inúteis — de acordo com o CDC americano, muitas vezes eles são receitados para doenças causadas por vírus, que não são tratados por antibióticos, ou simplesmente não funcionam para a bactéria causadora da doença. Nas infecções mais comuns em todo o mundo, as do trato respiratório superior, o número de prescrições equivocadas pode chegar a até 79%, de acordo com o Global Respiratory Partnership (Grip), um grupo internacional de médicos que se uniu em 2012 para promover o uso racional de antibióticos e, assim, tentar diminuir a resistência aos medicamentos.

10.053 – Outra Teoria – Cometa desviado por disco de matéria escura pode ter matado dinossauros


dinossauro cometa

Uma nova teoria sugere uma inusitada conexão entre a extinção dos dinossauros e a distribuição da misteriosa matéria escura, que compõe 85% da massa do Universo mas não interage com a matéria comum que nos cerca.
Lisa Randall e Matthew Reece, físicos da Universidade Harvard, em Cambridge (EUA), sugerem que o evento responsável por aniquilar aqueles animais gigantes pode ter sido um cometa cuja órbita foi desviada pela matéria escura.
A colisão que marcou o fim dos dinossauros ocorreu há 65 milhões de anos. Esse impacto, que deixou sinais de uma enorme cratera no México, não foi o único da época. Segundo os físicos, é possível que uma chuva de cometas –uns maiores, outros menores– tenha ocorrido então. E pode ser que isso esteja castigando a Terra a cada 35 milhões de anos.
O fenômeno se explica porque o Sistema Solar se move em uma trajetória ondulada ao longo da Via Láctea e pode estar atravessando um disco de matéria escura concentrada no plano de nossa galáxia. A cada travessia, cometas posicionados na nuvem de Oort –a última zona orbital do Sistema Solar, além de Plutão– seriam lançados na direção de planetas mais próximos ao Sol, como a Terra.
Em estudo já aceito para publicação na revista “Physiscal Review Letters”, os autores dizem que a evidência estatística para a teoria não chega a ser acachapante, mas ainda assim é sedutora.
Registros de crateras com mais de 20 km de diâmetro mostram que impactos de grandes objetos até podem ter uma distribuição temporal aleatória. A teoria que prevê chuva periódica de cometas, porém, tem chance três vezes maior de explicar o histórico geológico de crateras.
Mesmo especulativa, a ideia de Randall –autora do best-seller “Batendo à Porta do Céu”, recém-lançado no Brasil– foi bastante comentada nas últimas semanas entre físicos teóricos. É difícil dizer se a mesma hipótese, partindo de um físico obscuro, teria conquistado status.
Um dos problemas com a teoria é que ninguém sabe se o tal disco de matéria escura de fato existe. Astrônomos estão seguros de que há um bocado de matéria escura na galáxia, mas não sabem muito bem como ela se distribui.
Estruturas cósmicas em forma de disco costumam se formar quando os corpos que a compõem perdem parte da energia. Essa “dissipação de energia” é um conhecido fenômeno da matéria comum. Elétrons acelerados emitem uma forma de radiação, por exemplo, dissipando energia.
A entidade descrita por Randall e Reece é “uma matéria escura exótica com certa autointeração capaz de conferir a ela uma distribuição mais semelhante à matéria bariônica [matéria ordinária]“, segundo Rodrigues.
Independentemente da natureza do tipo de entidade que o compõe, o disco de matéria escura, caso exista, terá sua presença detectada pelo telescópio espacial Gaia, que passará os próximos cinco anos mapeando a Via Láctea.

10.051 – Encélado, lua de Saturno, tem oceano de água líquida


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A pequenina lua Encélado, de Saturno, esconde um oceano de água líquida sob sua crosta congelada.
A descoberta, que amplia o leque de objetos no Sistema Solar que podem abrigar vida, foi feita graças à espaçonave Cassini, que já opera há dez anos em órbita do planeta famoso por seus anéis.
Os pesquisadores usaram uma maneira criativa de investigar o interior da lua, com apenas 504 km de diâmetro. Eles simplesmente deixaram a Cassini passar perto dela e mediram os efeitos gravitacionais resultantes.
Foram três sobrevoos desse tipo, passando a menos de 100 km da superfície de Encélado. Medindo distorções nos sinais de rádio enviados pela sonda, os cientistas conseguem detectar pequenos desvios de curso da espaçonave –da ordem de 1 mm– causados pela interação com a gravidade da lua.
Com esse mapeamento do campo gravitacional, eles descobriram anomalias no polo sul do satélite natural que seriam explicadas se Encélado tivesse uma estrutura interna diferenciada, com um núcleo de rocha e um oceano regional de água líquida sob 30 ou 40 km de gelo no hemisfério Sul.
O achado é compatível com descobertas anteriores feitas pela Cassini, que havia identificado plumas de água líquida emanadas de rachaduras sobre o polo sul de Encélado.
Juntando tudo, os cientistas imaginam que esses jatos estejam vindo do oceano que há sob a crosta de gelo. Mas ainda há muitas interrogações.
O mecanismo exato que preserva a água em estado líquido nessa região fria do Sistema Solar ainda é misterioso.
Acredita-se que o fenômeno esteja ligado ao efeito de maré provocado por Saturno, conforme Encélado viaja em sua órbita ao redor dele. Contudo, antes da chegada da Cassini, nenhum cientista apostava que haveria energia suficiente para produzir um oceano líquido.
Os pesquisadores agora imaginam que talvez seja um processo transitório, em que a lua periodicamente passa por achatamentos e circularizações de sua órbita.
Acompanhando esse processo, o oceano congelaria e derreteria sucessivas vezes, ao longo dos 4,6 bilhões de anos de existência do Sistema Solar.
Sempre que se fala em água líquida, o pensamento imediato é a busca por vida extraterrestre. Poderiam existir criaturas vivas no oceano de Encélado?
“Conhecemos criaturas na Terra que viveriam perfeitamente bem lá”, diz Jonathan Lunine, da Universidade Cornell, um dos autores do novo estudo liderado por Luciano Iess, da Universidade de Roma.
A essa altura, a Cassini já determinou que Encélado possui água líquida, compostos orgânicos simples e agora desconfia-se que exista um núcleo rochoso sob um oceano inteiro.

10.048 – Corrida ajuda a preservar habilidades cognitivas na meia-idade


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É o que afirmou um estudo.
Os pesquisadores contaram com a participação de 2.747 pessoas saudáveis com idade média de 25 anos. Todas fizeram testes na esteira no primeiro ano do estudo e vinte anos depois. Já os experimentos cognitivos foram realizados 25 anos depois do começo da pesquisa e mediram memória verbal, velocidade psicomotora (que relaciona as habilidades de pensamento com o movimento físico) e função cognitiva.
Para o teste na esteira, os participantes andaram ou correram até a velocidade e a inclinação em que não suportavam mais continuar ou em que tinham dificuldades respiratórias. No primeiro teste, a média foi de 10 minutos de duração. Duas décadas depois, esse tempo diminuiu para 2 minutos e 54 segundos, em média.

No experimento cognitivo, foi constatado que cada minuto que o participante completava no primeiro teste se convertia, 25 anos depois, em 0,12 mais palavra recordada no exame de memória, que continha quinze palavras, e 0,92 mais acerto em um teste numérico. A análise dos resultados levou em conta fatores como tabagismo, diabetes e colesterol alto.
Segundo os cientistas, os participantes que tiveram resultados mais próximos no primeiro e no segundo teste mostraram melhor desempenho nas avaliações de funções cognitivas, comparados àqueles que sofreram um declínio mais acentuado. Os voluntários saíram-se melhor, por exemplo, em relacionar corretamente as cores apresentadas. “Essas mudanças são significativas, mesmo que modestas, já que superam os efeitos de um ano de envelhecimento no cérebro”, explica Jacobs.
Existem regras básicas que valem para todos os iniciantes na corrida – independentemente de idade, condicionamento físico e histórico de saúde. A primeira delas: embora a corrida seja um esporte prático que não exige equipamentos, é preciso ter um bom tênis. Não precisa ser o modelo mais caro ou mais novo da loja – basta que ele tenha bom amortecimento e seja confortável. Além disso, é indicado que pessoas que praticam corrida sigam uma planilha para controlar a evolução dos treinos. “O ideal é ter uma planilha feita por um professor. Mas, se não for possível, seguir treinos prontos publicados em revistas, por exemplo, é sempre melhor do que não seguir nenhum”, diz o educador físico Renato Dutra. Conhecer o seu próprio condicionamento físico é essencial para saber o ponto de partida da corrida – se mais moderado ou intenso. Por fim, alimentação e hidratação são essenciais antes, durante e depois da prática. “O ideal é beber 200 mililitros de água ou isotônico a cada 15 minutos de corrida”, diz o nutrólogo Celso Cukier.
A corrida é um esporte de impacto para as pernas. A sobrecarga no joelho e o risco de lesão são maiores para praticantes despreparados que têm sobrepeso ou obesidade. Isso não quer dizer que quem está fora de forma nunca poderá correr. O ideal é que, antes de dar os primeiros trotes, essas pessoas percam peso e pratiquem algum exercício que não cause impacto no joelho. “Elas não devem começar caminhando. O mais seguro é iniciar com treinos de bicicleta de 30 a 60 minutos, entre três e quatro vezes por semana, durante um a dois meses”, diz o educador físico Renato Dutra. Após esse período, o praticante pode passar a fazer caminhadas com a mesma frequência. Somente depois dessa adaptação é indicado inserir a corrida nos treinos, mas sempre com a orientação de um profissional.
Pessoas sedentárias precisam fazer uma preparação antes de começar a correr, já que a corrida é uma atividade que exige força na musculatura da perna e condicionamento cardiorrespiratório. Como o iniciante magro não corre o risco de sobrecarregar o joelho com o excesso de peso, ele já pode começar com treinos com caminhadas. O ideal é caminhar entre 30 e 50 minutos, de três a cinco vezes por semana, durante quatro a seis semanas. “Depois dessa fase, ele pode fazer treinos intercalando 1 ou 2 minutos de corrida leve com 4 ou 5 minutos de caminhada rápida, totalizando entre 30 e 40 minutos cada treino”.
Um dos tipos mais perigosos de iniciantes é o de praticantes de exercícios sem impacto, como a natação ou bicicleta. Eles têm condicionamento cardiorrespiratório suficiente para aguentar longos treinos, mas um aparelho locomotor despreparado para atividades de impacto. Consequentemente, esses indivíduos tendem a correr muito porque têm fôlego, o que os expõe a um risco maior de lesão. É preciso fazer uma transição antes de começar a correr. “Se não houver histórico de lesão, essas pessoas já podem começar com uma ou duas sessões semanais de treinos que intercalam 1 a 3 minutos de corrida com 2 a 4 minutos de caminhada. O tempo total desse treino deve ser de 30 a 40 minutos”, diz Renato Dutra. Depois daí, a evolução do treino dependerá do desempenho de cada aluno.

10.047 – Micróbios causaram maior extinção em massa da Terra


Desde seu surgimento, a Terra passou por cinco períodos de extinção em massa das espécies, sendo o mais famoso o último, que causou o desaparecimento dos dinossauros não voadores, há 65 milhões de anos. A mais catastrófica de todas elas, porém, foi a terceira, que ocorreu há cerca de 252 milhões de anos e varreu quase 90% das espécies do planeta.
As causas desse fenômeno até hoje não foram esclarecidas. Eventos como vulcanismo, aumento da temperatura e falta de oxigênio têm sido apontados pelos pesquisadores, mas um novo estudo concluiu que os reais responsáveis são seres vivos.
Realizado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), o trabalho indica que um tipo de micróbio produtor de metano, denominado Methanosarcina, foi o causador da extinção em massa. Esse organismo se desenvolveu de forma repentina e se alastrou pelos oceanos, despejando quantidades elevadas de metano na atmosfera, o que modificou o clima e a química das águas — e levou à extinção das espécies.
Evidências mostram um aumento intenso na quantidade de dióxido de carbono nos oceanos na época da extinção. Uma análise genética sugere que o Methanosarcina passou por uma mudança no mesmo período, que o transformou em um grande produtor de metano, a partir da acumulação de dióxido de carbono na água. Sedimentos da época revelam ainda um aumento no depósito de níquel — metal necessário para o crescimento do micro-organismo — que ocorreu simultaneamente.
Alguns pesquisadores sugeriram que o aumento na quantidade de gases contendo carbono, como dióxido de carbono ou metano, na época da extinção pode ter sido causado por atividade vulcânica, mas os autores do novo estudo calculam que as erupções não seriam suficientes para produzir todo o carbono observado nos sedimentos. Além disso, os cientistas afirmam que as mudanças na quantidade de carbono ao longo do tempo não se encaixam em um modelo vulcânico.

“Uma injeção inicial rápida de dióxido de carbono liberada por um vulcão seria seguida por uma diminuição gradual. Em vez disso, nós observamos o oposto: um aumento rápido e contínuo”, explica Gregory Fournier, pesquisador do MIT e um dos autores do estudo. “Isso indica uma expansão de micróbios.” Segundo o autor, o crescimento de populações de micro-organismos está entre os poucos fatores capazes de aumentar a produção de carbono de forma exponencial — ou até mais rápida.
A análise genética mostrou ainda que o Methanosarcina adquiriu sua habilidade de produzir metano através de uma transferência de genes com outro micróbio. Nas condições adequadas, essa aquisição genética permitiu que o micro-organismo passasse por um crescimento intenso, consumindo rapidamente a reserva orgânica de carbono nos sedimentos oceânicos.
Segundo os autores, a produção exagerada de metano resultante de todos esses fatores provocou efeitos similares àqueles previstos em modelos de mudanças climáticas: um grande aumento de temperatura, combinado com a acidificação dos oceanos, que afetou também as espécies marinhas.

10.045 – Astronáutica – Novos óculos para os astronautas


Uma nova geração de óculos representa um grande avanço na categoria dos bifocais. Eles podem ter a curvatura ajustada para adequar o foco e a nitidez de acordo com a distância.
Os astronautas da NASA são geralmente pilotos da Força Aérea com a visão quase perfeita. Porém, a NASA relaxou suas restrições a missões espaciais para missões de pesquisa científica que exigem especialistas de vários campos científicos.
Esses especialistas são muitas vezes de meia-idade e principais candidatos para possuir presbiopia, um problema relacionado à idade que torna mais difícil para os olhos focar objetos próximos. Além disso, pesquisas mostram que longas exposições à microgravidade agravam a presbiopia nos astronautas. A solução da NASA então foi enviar astronautas ao espaço com óculos que lhes permitam ajustar o foco de suas lentes, dependendo da tarefa a realizar.
As lentes do “TruFocals Zoom Focus” são, na verdade, compostas por duas lentes menores – lentes ultraperiférica queé o que os óculos normais têm – separadas por uma camada fina, mas expansível, de fluido de silicone claro contido por uma fina membrana. A alavanca de deslize na ponte dos óculos empurra o líquido para a frente ou para trás para alterar a forma dessa membrana, alterando a distância focal, dependendo do que o usuário está fazendo.
Esse foco ajustável permite que os astronautas executem tarefas como a leitura de pequenas listas em condições de pouca luz e monitorem leituras aéreas utilizando o mesmo par de óculos. É claro que, antes do TruFocals ganhar seu bilhete a bordo de uma nave espacial da NASA, teve que sobreviver a uma bateria de testes, incluindo uma em que foi queimado, para ver se emitia qualquer vapor nocivo. Por causa do orçamento apertado, a NASA não terá que queimar muitos pares. Com a sua espessura e formato circular, o TruFocals pode ser os óculos menos fashions e mais caros: custariam cerca 1.569 reais.

10.044 – Nasa testa novo motor de propulsão solar-elétrica


motor solar

A imagem acima parece ter sido retirada do filme de ficção científica Tron. Mas não se engane, pois se trata do novo motor de propulsão solar-elétrica que está sendo testado pela Nasa.
Na foto, é possível observar o propulsor que usa íons de xenônio. Este motor iônico do futuro está sendo desenvolvido no Laboratório de Propulsão a Jato, na Califórnia (EUA).
A versão anterior deste equipamento está sendo usada atualmente na missão Dawn, que se dirige para o cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. O novo motor está sendo completamente modificado e atualizado.
Ele deverá ser utilizado na Asteroid Initative, um programa espacial da Nasa que prevê capturar roboticamente um pequeno asteroide que esteja rondando próximo ao nosso planeta e redirecioná-lo com segurança para uma órbita estável no sistema Terra-lua. Assim, astronautas poderiam visitar e explorar o corpo celeste. A ideia grandiosa, que poderia originar um roteiro de filme hollywoodiano, em breve poderá se tornar uma realidade com este motor que queima em azul.

10.043 – Japão proibido de caçar baleias no Ártico


greenpeace

A Corte Internacional de Justiça ordenou hoje uma suspensão temporária da matança anual de baleias no oceano sul, depois que concluir que ela não é, como afirma o Japão, conduzida por razões científicas. A decisão foi aprovada por 14 votos a 2.

O fato marca uma grande vitória para o governo australiano, que vinha há quatro anos conduzindo uma campanha para proibir a caça, num esforço de convencer a corte de que a pesquisa científica mascarava intentos comerciais.
De acordo com a proibição da pesca comercial dos animais da Comissão Internacional de Pesca da Baleia, de 1986, o Japão poderia matar um certo número deles por ano para seus “estudos”. A venda de sua carne em restaurantes e supermercados, embora não ilegal, motivou acusações da Austrália e de outras nações contra a pesca, realizada “sob a capa da ciência”.
Ambientalistas saudaram a decisão da Corte de Haia, na Holanda. “Este é um fato histórico, que desmonta, para sempre, a fabricação japonesa da pesca científica e expõe ao mundo sua falsidade”, disse hoje Clare Perry, chefe da campanha anti-caça do grupo inglês Environmental Investigation Agency. “Com esta ordem, o Japão tem de claramente parar com suas atividades no Ártico”.

O Japão alegava que a morte de 850 baleias por ano era necessária para examinar a idade, a saúde, os hábitos alimentares e a exposição a toxinas das populações, com vistas a um possível retorno à pesca comercial “sustentável”. Autoridades do país sustentam que isto não pode ser feito com animais vivos.
A decisão da corte não significa o fim de toda a caça, japonesa ou de outros países. O Japão também mata um número menor de baleias no Pacífico Norte, e Noruega e Islândia continuam a praticá-la, em desafio à proibição da Comissão, informa o New York Times.

10.042 – Cirurgia bariátrica é tratamento eficaz e duradouro contra diabetes tipo 2


Um novo estudo concluiu que a cirurgia bariátrica é um tratamento altamente eficaz e duradouro contra o diabetes tipo 2 em pessoas obesas — e melhor que a terapia baseada apenas em medicamentos. A pesquisa, feita na Clínica Cleveland, nos Estados Unidos, demonstrou que o procedimento permite que a maioria dos pacientes viva sem doses de insulina e outras drogas usadas para controlar o diabetes pelo menos três anos após a operação.

O trabalho foi publicado na revista The New England Journal of Medicine no mesmo dia em que os resultados foram descritos durante o encontro anual do Colégio Americano de Cardiologia, em Washington.
Essa não é a primeira vez que uma pesquisa associa a cirurgia bariátrica a efeitos positivos sobre o diabetes tipo 2. Um estudo brasileiro divulgado em 2012, por exemplo, demonstrou que o procedimento foi capaz de controlar o diabetes em 99% dos 66 pacientes obesos operados durante um ano.
A nova pesquisa, porém, além de ter demonstrado o efeito da cirurgia durante um maior intervalo de tempo, foi feita com mais pacientes: 150 pessoas obesas com dificuldades para controlar o diabetes tipo 2. Trata-se do maior e um dos mais longos estudos já realizados sobre o assunto.
Todos os participantes foram acompanhados ao longo de três anos. Ao final desse período, 90% dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica conseguiram perder 25% de seu peso corporal e controlar o diabetes sem uso de insulina ou outros medicamentos contra a doença.
“Os dados confirmam que a cirurgia bariátrica mantém sua superioridade sobre os medicamentos para o tratamento do diabetes tipo 2 em pacientes com obesidade severa e também moderada”, diz Philip Schauer, diretor do Instituto Bariátrico e Metabólico da Clínica Cleveland e coordenador do estudo. Segundo os autores, mais pesquisas são necessárias para que a cirurgia bariátrica passe a ser usada na prática clínica como opção de tratamento contra o diabetes tipo 2.

10.040 – Lição de Ecologia – Universidades dos EUA banem uso de garrafas plásticas


Cerca de 90 das principais universidades dos Estados Unidos criaram um movimento para banir de uma vez por todas o uso de garrafas plásticas em seus campi. Assim que ingressam no ano letivo, os calouros são recebidos com garrafas térmicas e um mapa dos bebedouros disponíveis em faculdades como Harvard, Seattle e Brown University, entre outras.
O movimento põe em queda um mercado que, só nos EUA, movimenta cerca de 22 bilhões de dólares por ano. No Canadá, a Universidade de Vermont anunciou que vai parar de vender garrafas PET em 2013. Os principais agentes dessa mudança foram os estudantes, que protestam contra o alto uso de petróleo para produzir as garrafas, o desperdício de água no processo e a falta de campanhas de reciclagem. A reitoria se convenceu quando as vendas das garrafinhas caíram de 362 mil em 2007 para 235 mil em 2010.

10.039 – Previna-se contra o infarto


MEDICINA simbolo

A banha de porco talvez não fosse tão importante no cômputo geral das calorias, quanto é a comida fast food. Quando comemos um hambúrguer, uma porção de batata frita e tomamos um milk shake, em poucos minutos ingerimos de 1.000 a 1.500 calorias, o que representa praticamente a necessidade calórica de um dia inteiro. Esses novos hábitos alimentares estão muito ligados ao modo de viver dos americanos, que se preocupam, no momento, com as alterações orgânicas decorrentes do aumento excessivo de peso, porque a população dos Estados Unidos, no geral, engordou bastante nas últimas décadas. Em dietas equilibradas, destaca-se sempre dois pontos: a necessidade de conhecer as propriedades nutricionais de cada alimento e a de criar hábitos saudáveis de alimentação desde a infância. Um saco de pipocas, por exemplo, que qualquer um come brincando, tem 500 calorias. Se for feita na manteiga, o número sobe para 2000. E tem mais: dietas miraculosas, como a da Lua, do abacaxi, ou do pozinho que substitui a comida, não cumprem o que prometem. Dieta não é para uma semana, é para a vida toda. Por isso, não pode ser sinônimo de privação e sacrifício. Se comermos nas proporções e horários adequados, quase nada é proibido. Não é exagero dizer que vive mais quem come 70% da alimentação diária até as 2 horas da tarde e, daí em diante, come com moderação, pois disso depende sua saúde e bem-estar.

Tudo indica que o metabolismo fica mais lento à noite. Por isso, é aconselhável alimentar-se bem no início do dia, período de atividades mais intensas e, consequentemente, de maior queima de energia. Quando o ritmo decresce, deveríamos comer menos, mas geralmente ocorre o contrário. É mais fácil colocar dentro de um pão umas fatias de queijo e presunto, besuntá-lo com manteiga e tomar um refrigerante do que preparar uma salada. Ingerir açúcar rápido (pão, macarrão, massas, doces) à noite duplica a absorção e engorda. O aconselhável seria comer verduras, legumes, frutas, fibras e, talvez, algum grelhado.
Na área da Cardiologia moderna, todos os trabalhos científicos publicados recentemente são unânimes em reconhecer que, para o coração, nada supera os benefícios da atividade física regular.
Se a pessoa tem 40 anos e nunca fez exercícios, necessita de uma avaliação prévia, porque pode apresentar hipertensão leve ou níveis alterados de colesterol que requerem cuidados. Como provam os octogenários que correm a maratona, é possível iniciar uma atividade tardiamente. Nos primeiros dias, é aconselhável andar 15 minutos e ir aumentando o esforço aos poucos, até atingir uma hora. Nesse caso, não é válido considerar uma ida ao shopping para ver vitrines, subir e descer alguns lances de escadas e a movimentação própria do trabalho rotineiro, como treinamento regular.
A sudorese é sinal de que o indivíduo atingiu certa frequência de batimentos cardíacos. O valor da frequência ideal é obtido por um teste ergométrico e cada pessoa deve exercitar-se ao redor de 80% de sua frequência máxima. Portanto, se o indivíduo está suando em bicas, provavelmente terá ultrapassado os limites desejáveis.
Pessoas que já tenham apresentado problemas cardíacos exigem atenção especial. O início do trabalho está sujeito a uma avaliação criteriosa. Se já houve um infarto de consequências mais graves, é imprescindível verificar que tipo de atividade o coração pode suportar. Como regra geral, a orientação é caminhar, o que raramente apresenta contraindicações. Dependendo da extensão do infarto, ou de tratamentos cirúrgicos que exigiram revascularizaçao, encaminha-se o paciente para uma clínica de reabilitação especializada no acompanhamento de cardíacos.
Quando se fala em infarto, a preocupação imediata recai sobre a hipertensão, os níveis elevados de colesterol, os malefícios do fumo. Muitos se esquecem dos efeitos negativos dos fatores emocionais sobre os males do coração. Nos congressos mundiais de Cardiologia, esse tema tem sido abordado com destaque especial, pois foi constatado que, em muitos casos, estados depressivos antecediam os infartos, sugerindo que, se a pessoa baixar a guarda, a probabilidade de um futuro infarto aumenta. Por isso, a depressão passou a ser vista como fator de risco tão importante quanto o colesterol, a pressão alta ou o cigarro. Num dos congressos, o cardiologista clínico do presidente Clinton discutiu sua proposta de trabalho que se tornou famosa pelos bons resultados obtidos. Trata-se de um tratamento que poderia ser chamado de alternativo, porque se baseia, principalmente, em dieta e meditação. Hoje, ninguém mais contesta a importância de estar atento ao lado emocional dos pacientes, antes e depois do infarto, porque a depressão custa a desaparecer. Indivíduos que tiveram um infarto ou foram revascularizados necessitam de suporte psicoterápico e familiar, pois costumam evoluir melhor aqueles que recebem cuidados e carinho das pessoas que o cercam.

Álcool
Mesmo o vinho que, em pequenas doses, pode trazer algum benefício para o colesterol e o coração, deve ser bebido com parcimônia, pois há órgãos, como o fígado e os intestinos, que reagem negativamente à ingestão de bebidas alcoólicas. Além disso, o álcool é altamente calórico, portanto desaconselhável para quem não pode engordar. Esse ponto de vista choca-se sempre com o argumento de que, na Europa, beber vinho é um costume visto como salutar. Acontece que o clima do Brasil é muito diferente do europeu e a bebida aqui não se restringe a um ingênuo cálice de vinho tinto. Por isso, a bebida não consta de minhas prescrições terapêuticas. No entanto, volto a repetir que, com moderação, nada é proibido. Portanto, beber esporadicamente, em ocasiões especiais, de preferência durante as refeições, não acarreta maiores prejuízos a ninguém.

DR -Carlos Alberto Pastore

10.038 – Medicina – Obstrução Pulmonar Crônica


A doença pulmonar obstrutivo-crônica (DPOC) é traiçoeira. Evoluiu silenciosa, durante anos ou décadas, mas, quando se manifesta, as limitações respiratórias são definitivas.
O primeiro sintoma é a falta de ar para correr, subir escadas ou ladeiras. Como a instalação é gradativa, as pessoas negam que lhes falta o ar, dizem que se cansam porque estão mais velhas ou fora de forma.
Com a progressão, entra em cena um cortejo de sintomas: tosse, secreção pulmonar, chiado no peito, respiração pesada e sensação de que o ar não chega ao fundo dos pulmões. Gripes e resfriados duram mais tempo, e podem evoluir com complicações bacterianas.
Mais tarde, tomar banho, subir alguns degraus ou amarrar os sapatos exigem repouso para recuperar o fôlego. As crises de exacerbação se tornam comuns, geralmente acompanhadas por pneumonias que requerem hospitalização.
É um problema grave de saúde pública. Um estudo realizado entre adultos com mais de 40 anos mostrou que cerca de 10% apresentavam sinais de obstrução das vias aéreas de moderada intensidade, pelo menos. Nos últimos 30 anos, o número de mortes causadas pela doença duplicou.
O cigarro é, de longe, o maior culpado. O aumento da mortalidade entre as mulheres que começaram a fumar nos últimos trinta anos confirma a relação entre causa e efeito.
A exposição a poluentes industriais também é fator de risco, bem como o fogão a lenha das casas pobres, mal ventiladas.
O esforço respiratório para manter a oxigenação altera a forma do tórax (tórax em barril), retrai as costelas inferiores à inspiração e prolonga a fase de expiração.
O diagnóstico é feito pela espirometria, exame no qual o paciente faz expirações forçadas num tubo ligado a um aparelho que mede uma série de parâmetros relacionados com o fluxo de ar e a capacidade dos pulmões.
Para conter o declínio da função respiratória é essencial parar de fumar. A abstinência diminui a frequência das crises, melhora a qualidade de vida e reduz a mortalidade.
Nos casos mais graves, os sintomas podem ser aliviados com broncodilatadores administrados por inalação. Há broncodilatadores de ação rápida, ideais para alívio imediato, e outros de longa duração, cujo efeito pode persistir por 24 horas ou mais.
A inalação de corticosteroides é outra modalidade terapêutica capaz de melhorar respiração e reduzir a frequência das crises em 15% a 20%.
Dois estudos avaliaram o papel da administração de oxigênio nos casos mais avançados. O primeiro comparou 15 horas diárias de oxigênio com um grupo controle que não fez uso dele. No segundo, foi feita a comparação de 18 horas diárias, com 12 horas de uso por dia. Nos dois estudos a mortalidade caiu 20%.
Quando há indicação de oxigenioterapia, a recomendação atual é de administrá-lo por pelo menos 18 horas diárias, inclusive durante o sono.
Os pacientes devem receber vacina contra a gripe todos os anos, bem como vacina contra o pneumococo. Fisioterapia para reabilitação pulmonar é indicada em todos os casos.

10.037 – Oncologia – Tratamento Contra a Metástase Óssea


Cientistas do Rio desenvolvem novo tratamento contra metástase óssea
A aposta dos pesquisadores é uma arma minúscula, tão pequena que só pode ser vista com um super microscópio capaz de ampliar a imagem 300 mil vezes. Os cientistas desenvolvem um novo tratamento contra a metástase óssea, quando o câncer se espalha para o osso. Normalmente, atinge pacientes que já tiveram tumores de mama ou de próstata.
Eles conseguiram transformar em nanopartículas remédios que agem emitindo baixas doses de radiação no tumor, e que já são usados no diagnóstico e no tratamento do câncer. Para chegar a essas nanopartículas, é preciso dividir o milímetro um milhão de vezes.
Os medicamentos feitos a partir dessas partículas tão pequenas são uma das grandes esperanças da medicina para o tratamento do câncer. Apesar do tamanho, são remédios poderosos, que prometem ser mais eficazes e trazer mais qualidade de vida para os pacientes.
Os nanomedicamentos são revestidos por uma cápsula. Nela, os pesquisadores colocaram substâncias para levar o remédio até o tumor, e sem se espalhar pelo organismo.
Nos testes em animais, as nanopartículas foram 70% mais eficientes que os remédios convencionais. Em quatro anos, os pesquisadores esperam testar a novidade em seres humanos.
O Brasil pode se tornar um dos países pioneiros na busca de tratamentos cada vez menos agressivos contra o câncer.
“Ele volta a andar, a dirigir, a poder abraçar seu familiar, e ele tem uma vida muito mais produtiva, tanto social quanto em termos familiar, até o fim da sua vida”, reforça o coordenador da pesquisa, Ralph Santos Oliveira.

10.036 – Um velho inimigo – Encontrado esqueleto humano de 3.000 anos com câncer


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Arqueólogos britânicos anunciaram ter descoberto o mais antigo exemplar completo de um ser humano com câncer metastático. Os pesquisadores encontraram evidências de tumores por todo corpo em um esqueleto de mais de 3.000 anos de idade, achado no ano passado em uma tumba no Sudão. A equipe espera que a descoberta, publicada nesta segunda-feira na revista científica Plos One, possa fornecer novas pistas sobre a evolução da doença.
Os especialistas responsáveis pelo estudo são da Universidade Durham e do British Museum. De acordo com a pesquisa, o esqueleto em questão é de um adulto do sexo masculino com idade estimada entre 25 e 35 anos quando morreu. Ele foi encontrado no sítio arqueológico de Amara Oeste, na parte norte do Sudão, a 750 quilômetros da capital, Cartum.
A análise do esqueleto foi feita por meio de radiografias e de um microscópio eletrônico de varredura. Os pesquisadores conseguiram obter uma clara imagem que mostrou tumores nos ossos da clavícula, escápulas, braços superiores, vértebras, costelas, bacia e coxa. Não foi possível, porém, identificar o local no qual a doença se originou.
Segundo os autores do estudo, praticamente não há registros arqueológicos do câncer em comparação outras doenças. Isso deu origem à ideia de que o câncer é causado principalmente pelo estilo de vida moderno e pelo fato de, hoje, as pessoas viverem durante mais tempo.
“O conhecimento adquirido em restos humanos como esses pode realmente nos ajudar a compreender a evolução e a história das doenças modernas”, diz Michaela Binder, pesquisadora da Universidade Durham que coordenou o trabalho. Ela espera que seu estudo ajude outros cientistas a explorar as causas do câncer em populações antigas.

10.035 – Marca-passo cerebral para epilepsia é aprovado nos EUA


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Uma espécie de marca-passo cerebral, desenvolvido para tratar casos de epilepsia resistentes a remédios, acaba de ser aprovado pela FDA (agência que regulamenta o mercado de alimentos e medicamentos nos EUA).
O RNS System, produzido pela empresa americana Neuropace, faz parte de uma nova geração de neuroestimuladores inteligentes.
Implantado no crânio, o aparelho analisa a atividade elétrica do órgão, identificando padrões anormais ligados a crises epiléticas e impedindo as convulsões.
A estimulação elétrica cerebral não é novidade no controle de doenças –um aparelho similar já é usado para tratar mal de Parkinson.
Nos aparelho disponíveis atualmente, a estimulação é contínua. Um marca-passo desse tipo, implantado no peito e com um fio sob a pele, já é usado no Brasil para tratar a epilepsia.

Ainda não há previsão de uso desse novo neuroestimulador no país.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que cerca de 50 milhões de pessoas sofram de epilepsia no mundo; destas, entre 20% e 30% possuem epilepsia crônica resistente a medicamentos.

Pessoas com epilepsia intratável frequentemente encontram dificuldades para se manter em empregos. Elas podem sofrer crises frequentes e, devido às quedas resultantes, lesões. A taxa de mortalidade desse grupo é de duas a três vezes mais altas do que a da população geral.

“Há muitas pessoas desesperadas pelo próximo tratamento”, diz Janice Buelow, vicê-presidente de pesquisa da Epilepsy Foundation.

O aparelho, que requer uma troca de bateria a cada dois ou três anos, funciona apenas em pessoas nas quais as crises convulsivas iniciam-se em uma ou duas regiões no cérebro. Isso porque a estimulação elétrica atua precisamente nesses locais, impedindo que a crise se espalhe pelo cérebro.
Antes da instalação do aparelho, é necessário identificar os padrões específicos de convulsão de cada paciente. Inicia-se então um período de tentativa e erro, em que a intensidade da estimulação e o número de pulsos elétricos são alterados, tudo isso para analisar em quais condições o paciente experimenta menos convulsões.
“Ensinamos o aparelho a detectar padrões que representam as convulsões para cada pessoa”, diz Christianne Heck, diretor médico do programa de epilepsia da Universidade do Sul da Califórnia.
A cirurgia para a implantação do aparelho requer dois dias no hospital.

10.033 – Como o gás do riso age no corpo?


O gás do riso, ou hilariante, produz uma suave depressão numa região do cérebro relacionada aos sentimentos e à autocensura. Ao inalá-lo, a pessoa entra num estado de relaxamento e felicidade, podendo mesmo rir à toa. A sensação é parecida à de quando se exagera um pouco na bebida. Ainda não se sabe precisamente qual é o mecanismo de ação do gás, cujo nome correto é óxido nitroso (N2O). Ele foi descoberto em 1772 pelo químico inglês Joseph Priestley. Alguns anos depois, verificou-se que o gás provocava uma sensação agradável ao ser inalado. Assim, não demorou muito para que a substância passasse a ser “cheirada” durante festas. Em 1844, o dentista americano Horace Wells percebeu que o gás tinha efeito anestésico por acaso: numa festa, Wells reparou que um dos convidados que havia inalado o óxido nitroso se machucou, mas não demonstrava sentir dor. Curioso, o dentista resolveu testar a substância e foi o primeiro paciente a ter um dente extraído após inalar o gás. Em consultórios dos Estados Unidos, da Europa e de outros países espalhados pelo mundo, o óxido nitroso é usado há tempos. Já no Brasil só agora vem conquistando mais adeptos. “O paciente se mantém calmo e consciente, o que aumenta a segurança do procedimento odontológico”, diz um cirurgião dentista, diretor da Associação Brasileira dos Cirurgiões Dentistas, seção do Rio de Janeiro.

Por meio de uma máscara, o paciente inala uma mistura de óxido nitroso e oxigênio — no máximo com 70% de óxido. Esses dois gases saem de cilindros e a proporção da mistura é controlada pelo dentista

Após ser inalado, o gás alcança os pulmões. Como a substância tem grande capacidade de expansão, ela passa pelos alvéolos pulmonares e cai na corrente sanguínea
Rapidamente o gás começa a circular pela corrente sanguínea e ruma em direção ao sistema nervoso central, onde o óxido nitroso passa a agir cerca de 5 minutos após ser inalado pela pessoa
A ação do gás é no córtex cerebral, região relacionada aos sentimentos de medo, ansiedade e autocensura. Acredita-se que ele reduza as transmissões nervosas no córtex. Uma eventual vontade de rir é efeito secundário. O mais importante no consultório é que o gás relaxa o paciente e aumenta sua tolerância à dor, agindo como um anestésico.

10.031 – Cardiologia – Como uma forte emoção pode provocar infarto?


Emoções fortes – por exemplo, um susto – fazem as glândulas adrenais (localizadas na parte superior dos rins) liberar adrenalina. Essa substância entra na corrente sanguínea e prepara o organismo para enfrentar a situação – no coração, especificamente, ela provoca o aumento dos batimentos. Com isso, mais sangue é bombeado para os músculos, para que a pessoa possa fugir ou enfrentar o perigo. A adrenalina estimula, ainda, uma contração dos vasos sanguíneos, que serve também para bombear mais sangue e melhorar a irrigação em centros vitais como o cérebro. É assim que a intensificação do trabalho cardíaco e o estreitamento dos vasos podem ocasionar o infarto – morte de tecidos por falta de oxigenação – se já houver alguma artéria coronariana (as que levam sangue ao coração) semi-obstruída. O coração é um músculo que, como qualquer outro, precisa de oxigênio. Quando seu trabalho aumenta, cresce também a necessidade desse gás vital.

Se uma artéria que atende aquela região do corpo tiver alguma obstrução, vai deixar passar menos sangue que o necessário e aí acontece o infarto. Outra possibilidade é a contração de uma artéria que já apresente certo entupimento resultar em um bloqueio total, também causando o infarto. “Muitas vezes a pessoa nem sabe que o órgão está doente, mas nessa hora o problema se manifesta”.

Sob uma forte emoção, as glândulas adrenais liberam adrenalina, substância que contrai os vasos sanguíneos
Caso uma artéria do coração esteja entupida, a contração pode interromper o fluxo de sangue. Sem oxigenação, o tecido cardíaco morre. É o infarto.

Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo

10.030 – Tecnologias – A Evolução sobre Rodas


As sucessivas transformações dos veículos sore rodas também multiplicaram a rapidez e a capacidade de transporte. De volta a aritmética:
200 do calendário ocidental, o homem passou a lever 3 a 7 vezes mais carga do que o seu antepassado sobre os ombros. Com uma bicicleta surgida na França em 1645, deslocou-se 3 vezes mais depressa do que se dependesse das próprias pernas; um documento do século 5 já relatava maravilhado:
“Com a caixa de rodas um homem pode carregar seu suprimento anual de comida e mesmo após 20 milhas não se sente cansado”. Além de revolucionar os transportes, a roda possibilitou outro grande salto tecnológico: o movimento controlado de rotação, tornando-se parte vital de quase todas as engrenagens.

10.029 – Como as aves voam?


Osso pneumático
Osso pneumático

Como resultado de milhões de anos de evolução, alguns animais desenvolveram habilidades fantásticas. É o caso das aves. Algumas propriedades na estrutura dos corpos das aves as diferenciam dos demais animais, pois permitem que elas voem.
Uma dessas propriedades diz respeito aos ossos. Os ossos das aves são chamados de ossos pneumáticos, ou seja, não são maciços, embora tenham a mesma resistência dos ossos de outras espécies de animais. Por essa característica, as aves são mais leves do que os mamíferos, por exemplo.
Outra característica que possibilita o voo são as penas. As penas são caracteristica exclusiva das aves, embora estudos indiquem que são uma evolução das escamas encontradas em dinossauros e répteis. As penas são leves, fortes e aerodinamicas. Os diferentes tipos de pena tem funções distintas no corpo das aves: As penas de contorno auxiliam no voo e cobrem o corpo das aves adultas. Já as plumas são mais curtas e encontram-se abaixo das penas de contorno. Os filhotes nascem cobertos de plumas. São as plumas que conservam o calor das aves. As semiplumas também conservam o calor, mas além disso, aumentam a flexibilidade em relação as penas de contorno.
Nas aves que percorrem distancias maiores (que migram), as penas são mais longas, o que possibilita que a ave bata as asas de forma mais lenta, e consequentemente, menos cansativa. Outras aves que se locomovem com maior velocidade, como os gaviões, ou mesmo o delicado beija-flor, apresentam asas e penas mais curtas, que lhes permitam maior agilidade.
Relacionando uma ave a um avião, pode-se dizer que as asas e penas longas das aves controlam os altos e baixos, assim como a decolagem e o pouso, como um piloto de avião controla os flaps. A cauda permite que as aves girem no ar, tanto para a direita quanto para a esquerda.
Outra caracteristica que torna possível que as aves voem é a força de sua musculatura peitoral, que permite que a ave mantenha o ritmo do bater de asas constante. Em comparação com o homem, considerando as devidas proporções, as aves tem a musculatura peitoral inumeras vezes mais forte.

Por fim, seus sistemas respiratório e circulatório possibilitam o alto desempenho das aves, pois tornam seu metabolismo muito eficaz. De outra forma, as aves desmaiariam com poucos minutos de voo. Os pulmões das aves são muito diferentes dos demais animais, e seu sistema, que conta com os chamados “sacos aéreos”, é muito eficaz em relação as trocas gasosas, inclusive por diminuir a densidade das aves durante o voo. Os pulmões e sacos aereos das aves permitem que seu sistema circulatório seja viável, pois o mesmo opera em altas temperaturas, superiores as do homem.
Em síntese, sem os ossos pneumáticos, as penas de diversos tipos, os grandes e poderosos músculos peitorais e um desempenho respiratório e circulatório de alta performance, que aceleram o metabolismo, as aves não poderiam voar.