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10.537 – Ciência – Cobaias


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O uso de animais como cobaias para pesquisas científicas ou fins didáticos em universidades é de longe um dos temas mais polêmicos na vida dos pesquisadores e estudantes já a um bom tempo. Animais como ratos, coelhos e cachorros são usados desde o século XIX para pesquisar o efeito de doenças e vacinas antes que seu uso seja feito em humanos.
De um lado da discussão encontram-se aqueles que afirmam que as pesquisas com animais são desnecessárias e cruéis por não levarem em conta o sofrimento dos animais que são submetidos as mais diversas situações, tudo em prol do desenvolvimento científico. Neste lado estão incluídos desde grupos ambientalistas em defesa dos direitos dos animais e até mesmo alguns poucos pesquisadores que afirmam existir outros meios de se realizar as pesquisas. Em compensação, do outro lado, encontram-se pesquisadores tidos como mais conservadores e aqueles que acreditam que a pesquisa em animais é necessária e pode ocorrer sem que haja sofrimento desnecessário por parte dos mesmos.
O fato é que durante séculos a utilização de animais como cobaias foi um grande trunfo para pesquisadores, fisiologistas e outros estudiosos auxiliando na compreensão dos mecanismos de doenças e desenvolvimento de vacinas. A vacina contra a raiva, por exemplo, desenvolvida por Louis Pauster em 1885, que já salvou milhões de vidas de lá para cá e continuará salvando, foi desenvolvida por ele após a utilização sucessiva de diversas cobaias.
É claro que estamos séculos a frente de Pauster e que hoje existem outras técnicas que se não podem substituir completamente o uso de cobaias podem, pelo menos, diminuí-lo. Métodos como softwares que simulam as reações em cobaias, modelos matemáticos, vídeos, cobaias de plástico e experiências in vitro tentam resolver o problema, mas quem defende o uso de cobaias alega que estas técnicas sozinhas não são suficientes para realizar estudos seguros, já os defensores dos animais usam a justificativa de que diversas universidades já aboliram o uso de cobaias para corroborar suas afirmações.
A UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), por exemplo, aboliu o uso de cobaias em salas de aula no final de 2007. No entanto, a USP (Universidade de São Paulo) e outras instituições, como o Butantan, mantêm até hoje seus biotérios (como são chamados os locais para criação e manipulação de cobaias) com o fim de garantir cobaias para pesquisas.
No Rio de Janeiro e em Florianópolis foram criados projetos de lei com o intuito de tentar proibir o uso de cobaias em suas jurisdições. O de Florianópolis está em tramitação há 13 anos e o do Rio de Janeiro já foi votado, aprovado, mas depois foi anulado pelo então prefeito César Maia e aguarda nova votação.
Enquanto não surge nenhuma lei federal para “bater o martelo” sobre a questão, o grupo que luta em defesa dos animais se utiliza da lei de crimes ambientais (Lei 9.605) para defender sua causa: “Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa. § 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.”

10.536 – A Embriologia


O termo embriologia que refere-se ao estudo de embriões, compreende apenas o período de desenvolvimento pré-natal de embriões e fetos. Durante este estágio o organismo sofre diversas mudanças, compondo o cenário de evolução embrionária até o instante do parto. Período este denominado pelos estudiosos como “anatomia de desenvolvimento”. O desenvolvimento pré-natal é mais acelerado do que o pós-natal, cumprindo-se em 9 meses aproximadamente, resultando em mudanças amplamente cruciais para a vida pós-natal do feto.
Porém durante este desenvolvimento podem ocorrer anormalidades, que resultarão em um neonato com problemas congênitos. O segmento da embriologia que estuda este evento é a Teratologia, do grego “teratos” que significa “monstro”, uma analogia ao feto com defeitos de nascimento. Este segmento da embriologia sofre intervenção direta ou não de vários fatores, genéticos ou ambientais, que atrapalham a evolução normal do embrião.

A embriologia tem quatro objetivos básicos, são eles:

- Integrar o desenvolvimento pré-natal com as ciências e com as diversas vertentes da própria medicina, no intuito de entender os eventos da embriologia e otimizar o uso deste conhecimento, diminuindo os riscos na gestação.

- Desenvolver e aplicar o conhecimento sobre os eventos que iniciam a vida humana e às mudanças que eles trazem para o feto, durante o período gestacional.

- Auxiliar o entendimento das causas das alterações que ocorrem na estrutura humana;

- Esclarecer a anatomia fetal e explicar como há o desenvolvimento das estruturas normais e anormais.

Muitas práticas modernas utilizadas atualmente na obstetrícia necessitam da aplicação da embriologia. Assim, o conhecimento que os médicos tem sobre o desenvolvimento normal (padrão) do feto e das causas prováveis das anomalias faz-se importante para auxiliar o embrião durante todo o seu desenvolvimento, garantindo, então, boas chances do bebê nascer sadio. Os eventos embriológicos de interesse especial para os obstetras são: a ovulação, o transporte do ovócito e do espermatozóide, fertilização, a implantação, as relações materno-fetais, a circulação fetal, os períodos críticos do desenvolvimento e as causas das anomalias congênitas. Estes especialistas vão além do cuidado com a mãe, cuidam principalmente da saúde do embrião.
Infelizmente as anomalias que ocorrem durante o desenvolvimento do embrião causam a maioria das mortes durante o primeiro ano de vida, por isso o estudo é importante já que pode prevenir uma boa parte delas. Vale ressaltar a importância do progresso da cirurgia, especialmente nos grupos de idade infantil, perinatal e fetal, que tornou viável um tratamento cirúrgico antes impossível.
A compreensão e a correção da maioria das anomalias congênitas dependem, sobretudo, do conhecimento sobre o processo total de desenvolvimento normal e dos desvios que podem ocorrer durante este estágio. A correção pós-natal nem sempre é possível e isso muda a vida não só do paciente contemplado, mas de todos os familiares à sua volta. Portanto, quanto mais cedo for feito o diagnóstico há mais chances de reverter o quadro clínico embrionário.

10.535 – Deus, a Religião e a Ciência


As concepções sobre Deus têm variado ao longo do tempo e do espaço, conforme as diferentes culturas que as adotam. Historicamente é possível encontrar diversificadas definições sobre a divindade, desde tribos ancestrais até os princípios dogmáticos das religiões modernas.
Deus é concebido a maior parte das vezes como o Criador do Universo, Aquele que tudo rege. Na Teologia Ele tem sido definido através de atributos como a onisciência, a onipotência, a onipresença, a suprema bondade, a sagrada modéstia, o sublime desvelo, Ser transcendente, eterno e desprovido de corpo, de quem nasce toda a moral. Tanto judeus quanto cristãos e muçulmanos têm tolerado estes conceitos com maior ou menor intensidade.
Na Idade Média, vários pensadores, como Santo Agostinho e Tomás de Aquino, elaboraram teorias defendendo a existência de Deus, lutando contra ilusórias incoerências inerentes às qualidades atribuídas à Divindade. Ao longo da História as idéias sobre Deus revelaram-se bem diversificadas. Desde o nascimento da Humanidade surgiram as diferentes formas de compreender o Sagrado – como a percepção abraâmica de Deus, também conhecida como monoteísmo do deserto; assim se denominam as religiões provenientes das convenções dos semitas, que têm como ícone a figura do patriarca Abraão, ou seja, o cabalismo judaico, o Islamismo e a trindade defendida pelo Cristianismo.
Outra visão importante de Deus provém dos cultos indianos, que não são homogêneos em sua forma de conceber a Divindade, mas se diferenciam de uma doutrina para a outra, conforme a área da Índia enfocada e a casta em questão, desde as que possuem uma crença monoteísta até as que professam o politeísmo. No Budismo Ele não é percebido do ponto de vista teísta, ou seja, da fé na existência de um único Deus, criador do Universo, pois apesar de postular a realidade de vários deuses, esta religião vê estas entidades tão somente como seres que residem, por algum tempo, em universos divinos que oferecem aos seus habitantes uma intensa felicidade, mas que ao mesmo tempo estão submetidos ao jugo da morte e à ocasional reencarnação em mundos inferiores.
Hoje aparecem novos conceitos sobre Deus, como a Teologia do Processo ou Teologia Neoclássica, segundo a qual esta entidade não pode ser considerada onipotente se isto indicar que Ele deve ser repressor, e a Divindade não seria perfeita se fosse restringida pela presença de determinados atributos, entre outros princípios; e o Teísmo Aberto, teologia que rejeita a onipotência, a onipresença e a onisciência de Deus.
No Ocidente, atualmente, chega-se a autores que defendem a morte de deus, na verdade não do Ser em si, mas do conceito que predomina sobre a Divindade na esfera ocidental, revelando o desencanto do mundo, no sentido da idéia defendida pelo filósofo Max Weber. Isto significa que a idéia sobre o Divino estaria exilada dos distintos círculos da existência humana, tanto do social quanto do pessoal.
Alguns também lançam hipóteses sobre uma origem extraterrena de Deus, na linhagem de escritores como Erich Von Däniken, autor de Eram os Deuses Astronautas, enquanto outros, como o também escritor de ficção científica, Arthur C. Clarke, defendem a possibilidade Dele ser futuramente gerado pelo Homem, como uma espécie de inteligência artificial. Há igualmente estudiosos que consideram as religiões e, portanto, Deus, nada mais do que mitos, frutos do medo da morte e daquilo que não se conhece.
A visão científica condena os dogmas, rejeitando assim as religiões que se baseiam nestes princípios, os quais vão contra as mais recentes descobertas científicas, e assim não atualizam seus postulados, o que gera um inevitável confronto entre a Ciência e a Religião. Até mesmo os que têm fé em Deus hoje questionam determinados ensinamentos dogmáticos transmitidos pelas crenças que neles se fundamentam, o que abre um vasto campo para o crescimento do materialismo e do ateísmo declarado. As religiões atingem neste momento um impasse nunca antes vivenciado, pois o desenvolvimento tecnológico invalida, em nossos dias, muitos dos dogmas até agora considerados verdadeiros alicerces das crenças partidárias do dogmatismo.

10.534 – A Conscienciologia


Trata-se de uma nova ciência elaborada por Waldo Vieira, ex-integrante das fileiras do Espiritismo, hoje estudioso independente. Esta esfera científica estuda a consciência enquanto instância que transcende as fronteiras da entidade existencial e material, e a observa sob um ponto de vista que vai além dos sentidos convencionais e aborda também as percepções extra-sensoriais.
A consciência é também conhecida como ego, alma, espírito, essência, self, entre outras denominações. Conforme as pesquisas deste médico e dentista, que devota toda sua existência aos estudos teóricos e práticos da esfera consciencial, suas expressões ultrapassam os limites do cérebro material e, portanto, independem do organismo humano.
Esta evidência pode ser percebida nas experiências que comprovam a saída do espírito do âmbito material, nas vivências fora do corpo. Ciência nada convencional, ela segue adiante da própria Parapsicologia, pois não se baseia nos princípios newtonianos-cartesianos, inspirados na lógica física, que tem suas raízes nos elétrons e na matéria.
Os pesquisadores deste campo partem sempre do Princípio da Descrença, levando em conta a experiência de cada um enquanto instrumento metodológico básico na aquisição do saber extrafísico. Esta ciência não tem a intenção, portanto, de converter a maioria das pessoas a sua verdade, procurando sempre esclarecê-las.
A conscienciologia analisa a consciência integralmente, abordando sua existência antes do renascimento material e também as vidas que se sucedem à morte do corpo físico. Cada ser é uma consciência, incluindo os que habitam outras esferas do Universo. Parte-se, portanto, da certeza de que há vida após a morte.
A expressão ‘conscienciológico’ foi utilizada pela primeira vez em 1978 pelo filósofo, jurista e educador brasileiro Miguel Reale, no seu livro Filosofia do Direito. Um ano depois, Vieira cunhou a palavra ‘Conscienciologia’ na obra Projeções da Consciência: Diário de Experiências Fora do Corpo Físico, de 1979.
Waldo criou, em 1988, o Instituto Internacional de Projeciologia, convertido em 1994 no Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (IIPC), entidade sem nenhum objetivo lucrativo, a qual se destina a investigar e disseminar estes novos conhecimentos. A esfera da Projeciologia tem como meta compreender as vivências fora do corpo físico.
O pesquisador considera o estudo da conscienciologia fundamental para o aperfeiçoamento evolutivo do Homem, bem como para o cultivo de uma melhor qualidade de vida, uma vez que seu objeto de estudo transcende a vida material e inclui em suas investigações valores morais e espirituais, inerentes à consciência.
Estas investigações ainda são consideradas controvertidas e polêmicas pela ciência convencional. A conscienciologia é, assim, muito criticada pelos cientistas mais conservadores, principalmente porque ainda bebe nas fontes da Metapsíquica, despreocupada de maiores rigores científicos.
Seus estudos estão concentrados, hoje, no CEAEC – Centro de Altos Estudos da Consciência – criado por Waldo Vieira para este fim, em Foz do Iguaçu, em 1995. A partir daí outros institutos semelhantes se disseminaram por todo o país e também em outros países.

10.533 – A Ciência e a Sapiência


“O que é científico?” (I)
O texto contempla uma dialética muito interessante entre duas pessoas buscando respostas ao que é aceito ou não pela ciência. Para tanto utiliza um conto indígena explanando o assunto “o diferente”, o homem em seu contexto não aceita “o diferente”. Principalmente por só acreditar no palpável ou comprobatório. Em que não se deve ter nenhum tipo de mudança, quando mais estático melhor, o dinâmico é inaceitável. O científico comprova suas teorias com estudos concretos e reais, enquanto o escritor é um sonhador, ou melhor explicando, escreve através de suas experiências, logo não é aceito pelo científico. O cientista busca respostas fazendo experiências com a realidade.

O conhecimento não está somente na linha de raciocínio, é algo amplo e constantemente está em transformação, pois o que é certo hoje amanhã pode não ser, ou ter outra explicação. As linhas de raciocínio podem ser diferenciadas? Sim, cada qual com o seu devido valor, para poderem em um dado momento dialogizar e tirar o melhor dos diferentes raciocínios, pois o tal do “pior” não tem existência de fato. Em todo conhecimento propõem-se uma parte valorativa. É vitupério afirmar tudo está acabado, principalmente quando se trata do conhecimento.
“O que é científico?” (II)
Rubem Alves expõe o seu ponto de vista sobre o científico fazendo uma analogia entre o estômago e a mente. Inicialmente e aparentemente parece ser qualquer estômago, porém no decorrer do texto o estômago mais viável para tanto é o da vaca. A comparação do estômago com a mente transcorre por todo o texto, já que o estômago processa uma variedade de substâncias para finalmente tirar o melhor, o necessário. A mente também é bombardeada por uma infinidade e diferentes informações, podendo este selecionar o que é propício e enriquecedor ao conhecimento.

Buscar um paralelo entre o concreto e o abstrato do ponto de vista da analogia é extremamente produtivo. Isso também deverá ser ponto de reflexão no âmbito educacional.
O texto mostra diferentes tipos de estômagos e logo diferentes tipos de mentes, com capacidades em diferentes áreas individualmente ou simultaneamente. Toda esta dialética com o objetivo de mostrar que a ciência é um tipo de estômago possível, porém não é obrigatoriamente o principal. Não se pode ter uma única visão ou um único saber. A ciência tem a sua visão, mas não poderá ou taxará como única detentora do saber.
“O que é científico?” (III)
O texto faz uma breve apresentação sobre a filosofia. Deixa claro os pormenores da filosofia. Filosofia não é passar idéias já existentes, é conseguir formular as suas próprias. A filosofia tem seus ideais amplos, por isso encontra-se nas imagens, na música, no cotidiano, nos livros, na educação, na política, ou seja, onde houver conhecimento, onde tiver espaço para ser explorado o saber. Filosofar é estar atento a tudo a que acontece no seu meio extrínseco e intrínseco. Observar com o olho crítico e ouvir de forma reflexiva e na medida do possível transformar o meio.

Como o autor afirma que são nas pequenas atividades e situações que montam as partes e regras do ato de filosofar, de maneira que ocorre diariamente e acabamos deixar despercebidos.

Lembrou-me um exemplo muito claro de se burla a lei, é exatamente o que faz os advogados procuram brechas na lei, ou melhor, “burlam” a lei para trabalhar a favor de seus clientes. Sempre que possível “burlar” as regras para se atingir um objetivo. Já na educação atual, o professor precisa estar atento ao que é cobrado pelo sistema educacional e encontrar meios sempre que se fizer necessário para “burla” o tipo de educação tradicional, principalmente a calcada somente na prática da gramática. A Língua Portuguesa não pode ser só direcionada a “gramatiquice”, existe um vasto campo na Língua Portuguesa como: literatura, interpretação textual, redação, poesia, criação produtiva e lingüística.
O conhecimento científico deve caminhar paralelamente ao conhecimento artístico, cotidiano, literário, filosófico, psicológico, no qual pequenos atos e reflexões são muito importantes.
“O que é científico?” (IV)
As palavras chaves para o texto lido são: cientistas, filósofo da ciência, regras, linguagem, realidade, hipótese e ciência.

O ser humano no decorrer de sua curta vida especializa-se em alguma área, seja humana ou exata. Os cientistas especializam-se nas áreas exatas, logo buscam criar, descobrir, explicar e comprovar tudo. E o que não é explicado ou comprovado? Acaba sendo estereotipado como “não sendo científico”. Surgindo até um preconceito em relação às áreas humanas. Quando se trata da linguagem é algo que não se pode ser medido, contado, testado. Ocorre de forma espontânea, então não é aceito pela ciência, porém existe de fato.

A ciência procura por uma constante verdade, contudo esta verdade pode se encontrar em uma área do conhecimento e outra não. Sem sombra de dúvida o que é verdade para a ciência pode do ponto de vista da filosofia, sociologia não ser. Nada é falho de erro. O que é uma regra dentro da ciência, não é utilizado como regra dentro da psicologia. Poderá a psicologia buscar respostas divergentes da ciência, não podendo ser entendida como totalmente certa ou errada, depende do ponto de vista de cada pessoa, da linha de raciocínio de quem está empreendendo.

“O que é científico?” (V)
Já de início as palavras de Rubem Alves me fazem lembrar Paulo Freire afirmando que um bom professor é um mediador e como tal pode assumir em vários momentos a função de aprendiz. Para Paulo Freire as experiências são válidas e logo o professor aprende com as experiências do educando.

Quando o ser humano assume o papel de único detentor do saber, acaba fechando-se em uma redoma em que apenas um único conhecimento tem espaço na redoma, também chamado de conhecimento egocêntrico. Colocando-se em uma situação na qual mantenha relações apenas com o próximo que tenha o mesmo interesse que o dele. A opinião divergente da dele é podada, aniquilada ou inválida.

É ingênuo acreditar que existe uma única verdade ou que ela é unívoca. Até porque o ser humano está em constante mudança, logo o conhecimento e verdades estão em constantes transformações, em constante aprimoramento. As convicções e dogmas acabam intitulados como esdrúxulos, pois permeia o exagero de quem as manipulam. Os dogmas podem ser fonte de desprazer, principalmente quando impossibilita a inteligente de fluir, ou em poucas palavras estaciona a inteligência.

“O que é científico?” (VI)
A ciência quando não utilizada como um dogma, certamente tem seu valor dentro das revoluções para melhorar a vida em sociedade. Mas quando utilizada como único saber transforma-se em uma doença, em uma única existência. O texto vai exemplificar de forma bem clara situações reais e cotidianas da existência de dogmas. De achar somente uma única visão, usando esta como certa, incondicionalmente.

Fazendo-se uma analogia entre acontecimentos do dia-a-dia, ao mau uso das idéias da ciência. Um bom exemplo disso no texto é a história do jogador de xadrez, que transformou literalmente o seu conhecimento em dogma, não usando produtivamente o conhecimento que tinha. Utilizava o xadrez como um direcionamento para a sua vida, sem se alertar de outros conhecimentos. Como o texto afirma: a vida é uma rede de vários jogos, não se sabe qual é o melhor. Enquanto o nosso jogador só se especializou no jogo do xadrez.

Afirma o autor que a ciência é um só jogo, com regras preestabelecidas e predefinidas, excluindo qualquer outro jogo ou regra. Os cientistas que fazem parte dessas regras buscam anos a fio um tipo de conhecimento, o que pode ser chamado de especialização, porém somente em sua área. Não afirmo ser errado uma especialização em sua própria área, porém observar-se-á que terá outras linhas de raciocínio e terá o seu valor.

“O que é científico?” (VII)
A ciência preocupa-se em planejar no caso do arquiteto, trabalhar o espaço físico, precisa ainda da matemática, da química para ficar uma construção física completa. Em relação à construção não há uma preocupação de âmbito emocional, no qual o indivíduo vai se sentir bem ou mal. Se o objeto é de prazer ou dor. A ciência não se preocupa com estes que são considerados pormenores.

O “eu” do ser humano não é tratado dentro da ciência, na verdade nem existe para a ciência. A ciência trata e estuda as partes físicas, mas não engloba as partes psicológica, humana, espiritual, pensamento e memórias. São áreas que em conjunto formam o ser humano.

A ciência preocupa-se em tornar a vida do homem mais produtiva, versátil e confortável. Mas não se preocupa com as relações do homem com os objetos criados. Isso fica claro quando o autor exemplifica a criação de diversas tintas, contudo não subjetiva a relação do homem com a tinta. Mostra a praticidade da tinta na vida do homem, entretanto não transcorrem os sentimentos que provocam no homem. Quando tratei nas entre linhas sobre produtiva, versátil e confortável não tem nenhuma ligação se vai trazer sofrimento ou felicidade. É o caso do objeto ser cômodo sem estar diretamente ligado aos sentimentos.

“O que é científico?” (VIII)
O texto vê-se fazendo uma explanação sobre pianos do ponto de vista físico, fala sobre os melhores, como são feitos, medidos calculadamente, testado. Os pianos são produzidos iguais e quantitativamente. Há uma preocupação com números.
Ouvir a música que saí do piano para os cientistas é buscar aprimorar a parte física, enquanto para o pianista e demais ouvintes é a sensação do prazer. Como Freud já afirmava o homem é um ser promovido de desejo e este desejo move uma boa parte das pessoas a irem até um concerto, sentir prazer. O texto afirma que o desejo do prazer move o mundo. E o desejo nada mais é que de cunho qualitativo. A parte chamada de qualitativa não é bem aceita pela ciência, pois só se vale a parte quantitativa. A qualitativa pode aparecer de diferentes formas no ser humano, de modo que uns vão gostar e outros não. É exatamente o que a ciência não poderá medir o “gostar” ou o “não gostar”, logo tem como resposta “isso não é científico”.

Rubem Alves

 

10.532 – Epidemias – Estudo genético revela como ebola se espalhou pela África


Ebola - 04-04

Como resposta ao maior surto de ebola da história, um grupo internacional de cientistas sequenciou e analisou 99 genomas do vírus. Com o estudo, publicado nesta sexta-feira, na revista Science, foi possível rastrear a origem e transmissão do vírus no surto atual — informações que são essenciais para o desenvolvimento de vacinas, diagnósticos e tratamentos. A pesquisa mostrou que o genoma do vírus atual tem mais de 300 modificações genéticas em relação às linhagens das epidemias anteriores da doença.

O estudo foi realizado pelo Broad Institute do MIT e Harvard, em colaboração com o Ministério da Saúde de Serra Leoa. Cinco dos 58 autores do artigo contraíram o vírus do ebola e morreram antes da publicação, entre eles o médico Sheik Humarr Khan, especialista na febre de Lassa — uma febre hemorrágica viral — do Centro Africano de Genômica de Doenças Infecciosas, Saúde Humana e Hereditariedade.

Primeiro surto — Segundo os autores, as linhagens de ebola atuais têm um ancestral comum com o primeiro surto da doença, ocorrido em 1976. Os pesquisadores traçaram o caminho de transmissão e as relações evolutivas das amostras, revelando que a linhagem da atualidade divergiu da versão do vírus nos últimos dez anos. Segundo eles, o surto de 2014 teve origem na Guiné e se espalhou por Serra Leoa, Libéria e Nigéria.

De acordo com o artigo, nas ocorrências anteriores, a exposição contínua a reservatórios virais, como morcegos infectados, contribuiu para a difusão da doença. Mas, a partir das variações genéticas encontradas no vírus atual, concluiu-se que o surto de 2014 começou em uma única troca entre humanos, espalhando-se depois de pessoa para pessoa.

Os pesquisadores acham que o vírus foi para Serra Leoa a partir de duas linhagens do vírus originárias da Guiné. A possível fonte dessas linhagens foram doze pessoas que participaram do funeral de um curandeiro na fronteira da Guiné, em maio.

Para chegar a essas conclusões, os cientistas estudaram amostras do vírus coletadas de 78 pacientes que foram diagnosticados com a doença em Serra Leoa nos primeiros 24 dias do surto. Alguns pacientes contribuíram com mais de uma amostra — o que permitiu estudar a mudança do vírus em cada indivíduo no decurso da infecção.

Para caracterizar as cepas atuais, os cientistas utilizaram a tecnologia conhecida como “sequenciamento profundo”, quando o procedimento é repetido inúmeras vezes para obter resultados de alta confiabilidade. No estudo da Science, cada genoma foi sequenciado em média 2 000 vezes, conforme os autores do artigo.

10.531 – Instituições Científicas – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq


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A sigla CNPq significa Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Trata-se de uma agência governamental, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que tem como finalidade o fomento da pesquisa científica e tecnológica, e o incentivo a formação de pesquisadores no Brasil.

Em 1946, o Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, que havia representado o Brasil na Comissão de Energia Atômica do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Academia Brasileira de Ciências(ABC), propôs ao governo, do então Presidente Eurico Gaspar Dutra, a criação do conselho nacional de pesquisa. Três anos depois, a proposta foi apresentada a Câmara dos Deputados. Após mais de um ano de discussão, em 15 de janeiro de 1951, a lei nº 1310/51 foi sancionada por aquele presidente, criando o “Conselho Nacional de Pesquisa”.

Segundo a Lei 1310/51, o Conselho tinha como objetivos: conceder recursos para pesquisa e formação de pesquisadores e técnicos; promover a cooperação entre as universidades nacionais e o intercambio com instituições estrangeiras, possibilitando a promoção e o estimulo a pesquisa cientifica e tecnológica no país. O Conselho Nacional de Pesquisa passou a ser chamado de Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico em 1974.

Atualmente, a gestão do CNPq é de responsabilidade de uma Diretoria Executiva, enquanto o Conselho Deliberativo é responsável pela política institucional. Por meio de Comitês de Assessoramento, a comunidade científica e tecnológica contribui na gestão e na política do CNPq.

O CNPq oferece bolsas e auxilio à pesquisa em diferentes modalidades. As bolsas são destinadas a pesquisadores experientes, a pessoas recém doutoradas, a alunos de pós-graduação, graduação e ensino médio. Os valores das bolsas são variados. Existem duas categorias de bolsas: bolsas individuais (no Brasil ou no exterior), ou bolsa por quotas. As Bolsas individuais, tanto no país, como no exterior, são de fomento científico ou tecnológico.

O auxilio oferecido pelo CNPq pode ser destinado a Instituições, a Cursos de Pós-graduação (pós, Mestrado e Doutorado), a pesquisadores e a Fundações de apoio à pesquisa. São várias modalidades de auxílio, como financiamento para publicação científica, promoção de congressos científicos, intercâmbios científicos para capacitação de pesquisadores e projetos de pesquisa. O Relatório de Prestação de Contas é obrigatório.

Bolsas e auxílio à pesquisa são divulgados por meio de Editais, disponibilizados no próprio site do CNPq.

10.530 – Ciência: Universo de Probabilidades, Não de Certezas


Do mesmo modo que um professor compreende a ciência ele a irá transmiti-la, e o conhecimento científico é ainda hoje visto por muitos como um conhecimento infalível, deixando passar a ideia de que tudo o que é “cientificamente comprovado” merece atenção e pode trazer benefícios à população. Mesmo que possa parecer não crível, é preciso acentuar que não devemos pensar a ciência como pronta e acabada, como uma nova e dogmática religião, como o “deus saber” imperando no novo milênio, mas a marca da verdadeira ciência, da ciência dos nossos dias, é a incerteza. Antigamente a ciência nos falava de leis eternas, hoje nos fala de história do Universo ou da matéria e nos propõe sempre novos desafios que precisam ser investigados. Este é o universo das probabilidades, e não das certezas.

A Ciência atual não permanece estática como na Renascença, mas num constante processo de ir e vir, de construir e reconstruir. Nessa busca incessante, a Ciência tem como objetivo primordial tentar tornar inteligível o mundo e atingir um conhecimento sistemático do universo (Koche, 1982). Mas forma pela qual nós, professores, trabalhamos conceitos de ciências naturais em sala de aula em praticamente nada foi alterado nas últimas décadas. A humanidade enfrentou muitas crises existenciais e concebeu também inúmeras revoluções sociais, o que não desviou os rumos que seguimos ao abordarmos conceitos científicos. Com isso, percebe-se hoje estarem as concepções em ciências em meio a uma crise estrutural, que teve seu início já nos trabalhos de Einstein e Planck com a Física Quântica (Capra, 2006).

Quando um estudante de século XXI memoriza determinado conceito e fielmente o reproduz em avaliações recebe aprovação imediata, e até sob méritos. Entretanto, o atual sistema metodológico não permite avaliar se este conceito reproduzido foi realmente compreendido em sua essência epistemológica, não sendo possível sequer avaliar se algum método atual utilizado pelo professor seria capaz de o fazê-lo.  O atual sistema de formação de professores não é adequado à formação de profissionais que serão capazes de formar sujeitos críticos, pesquisadores, capazes de investigar sua realidade e utilizar das informações que recebe para modificá-la, requisitos que se espera na atual conjectura social.

A prática pedagógica em sala de aula, quando tratamos do conhecimento científico, não surge nos educandos o efeito necessário, uma vez que o seu próprio desinteresse aponta para esse caminho. Aquela sadia curiosidade da infância em relação aos mistérios humanos, históricos e sociais, muitas vezes alimentado pelas relações familiares e de amizade, logo se dilui em um emaranhado de fórmulas matemáticas e conceitos astronomicamente distantes de sua realidade quando percorre seus primeiros passos em uma escola regular. Esta criança descobre então que não poderá compreender a realidade, pois esta é demasiadamente complexa para seu intelecto, e sua curiosidade logo cede lugar à apatia frente ao que não entende. E esta chama natural, infelizmente, quando apagada, não mais poderá ser restabelecida.

10.529 – A Bibliologia


BIBLIOLOGIA

O termo bibliologia tem diversas definições, todas relacionadas com o estudo da composição dos livros. Porém , existe a bibliologia relacionada à analise dos livros e de sua formação como um todo e o estudo somente das escrituras sagradas, que é denominado Bibliologia Evangélica Pentecostal.

No primeiro caso, pode-se dizer que a bibliologia consiste na ciência que estuda toda a história e composição dos livros. A ciência é formada pelo seguinte grupo de conhecimentos: bibliofilia, biblioteconomia, bibliotecologia, bibliografia, bibliotecnia e história do livro. Além disso, abrange temas como organização das obras em diferentes tipos de instituições (bibliotecas públicas e privadas), restauração e conservação, produção, evolução,  enumeração, descrição, entre outros. O profissional que atua nesta área é o bibliólogo.

De acordo com Ana Pinheiro, chefe da divisão de obras raras da Biblioteca Nacional, “se o livro fosse um ser humano, a Bibliologia seria a ciência do corpo, expressa nos suportes e nas composições de imagem e texto utilizados para o registro da informação. O valor do livro está associado à experiência quase esotérica, criada pelo ver (intelectual) e pelo tocar (física): a seiva e o sangue, a substância (sucum et sanguinem) e a aparência (colorem et speciem)”.

O verbete bibliologia está presente em diversos dicionários. A definição encontrada no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa é a seguinte: ciência da história e da composição material do livro, em todos os seus aspectos. Já o iDicionário Aulete define o termo como “Ciência que estuda a história e a produção dos livros em seus vários aspectos e ramificações (técnica, conservação e restauração, classificação, organização de acervos etc.)”.

Bibliologia Evangélica Pentecostal

No caso deste tipo de bibliologia, o estudo é centrado na introdução dos estudantes aos mistérios revelados pelo Senhor através das escrituras sagradas. Estuda todos os temas e pormenores existentes na Bíblia e ajuda na compreensão, sendo amplamente utilizada em cursos de Teologia. Um dos temas mais interessantes deste tipo de bibliologia é o estudo do chamado “milagre bíblico”, onde é explicada a forma como os escritos sagrados foram compostos e preservados por tanto tempo.

10.528 – Neurociência – Tratamento com corrente elétrica pode aperfeiçoar memória


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Pesquisadores descobriram que uma técnica que envia pulsos elétricos para o cérebro pode aperfeiçoar a memória de pacientes. O tratamento, conhecido como estimulação magnética transcraniana (EMT), é feito sem a necessidade de cirurgia ou anestesia e é aplicado no Brasil desde 2012, mas apenas para tratar casos mais graves de depressão e esquizofrenia. 

Segundo os especialistas, o achado pode abrir portas para tratar problemas de memória tanto relacionados ao envelhecimento natural quanto decorrentes de outros problemas de saúde, como traumatismo craniano, acidente vascular cerebral (AVC), parada cardíaca e estágios iniciais do Alzheimer.

“Nós mostramos pela primeira vez que é possível alterar especificamente a função da memória em adultos sem a necessidade de cirurgia ou medicamentos, os quais não se comprovaram eficazes”, diz Joel Voss, professor de medicina da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo, que foi publicado nesta quinta-feira na revista Science.

No estudo, os pesquisadores usaram a EMT para estimular uma região específica do cérebro que está conectada ao hipocampo, área responsável pela memória a curto e longo prazo e pelo aprendizado. Não é possível estimular diretamente o hipocampo com a técnica porque essa região está em uma parte muito profunda do cérebro, a qual a abordagem não alcança.

O estudo foi feito com 16 adultos saudáveis de 21 a 40 anos. Os participantes foram submetidos a um teste de memória no qual precisavam decorar palavras e imagens de outras pessoas. Depois, eles passaram por uma sessão de 20 minutos de EMT por dia e durante cinco dias. A cada sessão, eles realizavam novos testes de memória.

Segundo os resultados, todos os pacientes apresentaram uma melhora nos testes de memória a partir do terceiro dia de estimulação magnética. Esse benefício não ocorreu na semana seguinte, quando os voluntários foram submetidos a um tratamento falso para que os pesquisadores eliminassem a possibilidade de ter ocorrido um efeito placebo.

“Isso abre uma nova área para estudos nos quais descobriremos se é possível melhorar a função da memória em pessoas que realmente precisam”, diz Joel Voss. Sua equipe já começou um novo estudo no qual analisa o impacto da EMT sobre a cognição de pacientes que já apresentam perda de memória em estágio inicial.

Como prevenir a perda de memória:

É durante o sono que a memória e a aprendizagem se consolidam. Na fase denominada REM, o cérebro reúne as informações e lembranças adquiridas no dia e as repete para si mesmo — isto é, reativa os circuitos neurais utilizados durante o dia. A partir daí, o conteúdo migra para a chamada memória de longo prazo. “De dia, as informações estão bagunçadas no cérebro. No sono reparador, elas se organizam e passam a fazer sentido. Esse processo faz com que a pessoa não esqueça o que estudou, por exemplo”, explica Edson Issamu Yokoo, neurologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. Por isso, dormir bem é um conselho recorrente para estudantes.

O estado de stress crônico libera hormônios como adrenalina e cortisol, que prejudicam a fixação da memória. “Níveis elevados e prolongados de cortisol levam à diminuição das células do hipocampo, relacionado à memória”, diz Lucas Alvares. Já a depressão diminui a atenção do indivíduo. “A pessoa tem menos motivação para focar em determinadas situações cotidianas”, diz André Lima, neurologista membro da Academia Brasileira de Neurologia. Em casos mais graves, a depressão pode levar à demência por transtornos psiquiátricos.

A hipertensão pode fazer com que os vasos do cérebro se estreitem, já que estimula o aumento da musculatura dos vasos e diminui a permeabilidade para a passagem de nutrientes, oxigênio e gás carbônio. “Esse estado prejudica a circulação e favorece o derrame, causador da morte dos neurônios”, explica Eduardo Mutarelli, neurologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
 
Um estudo divulgado pela revista The Lancet constatou que a pressão arterial elevada em pessoas de 40 anos afeta de forma negativa as massas cinzenta e branca do cérebro, regiões envolvidas na memória e na cognição. Controlar a hipertensão, portanto, afasta diferentes males, como problemas cardíacos, AVC isquêmico e, consequentemente, a perda de memória.
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Níveis altos de colesterol LDL, chamado de colesterol “ruim”, leva ao depósito de gordura nas paredes das artérias de todo o corpo — inclusive no cérebro — e que causa o entupimento das veias. Esse fator acarreta em um AVC isquêmico que induz à morte de neurônios do local afetado e, assim, a dificuldades na memória. “É o que chamamos de demência vascular”.

A cafeína ativa a liberação de energia da célula. Com isso, os impulsos cerebrais têm um desempenho melhor, o que contribui para a melhor fixação da memória. “Estudos recentes estão voltados para interpretar como a cafeína atua mais detalhadamente no hipocampo”, explica Lima. O Ministério da Saúde recomenda o consumo de 300 a 500 mg de cafeína por dia, o que equivale de três a cinco xícaras de café.
 

 

10.527 – Pesquisadores afirmam ter encontrado quinze monumentos soterrados em volta de Stonehenge


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O mistério em torno de Stonehenge, repentinamente, ficou mais profundo, literalmente falando. Um estudo, considerado o primeiro do gênero, sugere que 15 monumentos, anteriormente desconhecidos ou pouco conhecidos, estão escondidos sob um antigo monumento de pedra e seus arredores.
Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram várias técnicas, entre elas um radar de penetração no solo e escaneamento a laser 3D, para criar um mapa do subsolo altamente detalhado de toda a área. Segundo um comunicado do Instituto Ludwig Boltzmann de Prospecção Arqueológica e Arqueologia Virtual, um dos parceiros do estudo, as tecnologias usadas são muito menos destrutivas do que as técnicas tradicionais, que usam escavação exploratória.
Conhecido como “Stonehenge – Projeto Paisagem Escondida”, o esforço de quatro anos sugere que aconteceram muitos mais coisas na região do que imaginado – como evidenciam todos os monumentos recentemente identificados.
Uma das novas descobertas é uma espécie de calha antiga, que corta uma vala de leste a oeste, conhecida como “Cursus”, de acordo com o Vince Gaffney, arqueólogo da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e um dos cientistas por trás do projeto.
Gaffney acredita que Cursus se alinha com o nascer do sol nos equinócios de primavera e outono, e que o vale recém-descoberto pode ter servido para as pessoas realizarem processos cerimoniais em direção ao centro de Stonehenge para o sul.
A calha e os outros monumentos recém-descobertos têm “transformando absolutamente” a maneira como os arqueólogos estão estudando a área, disse Gaggney. No entanto, “até que você cave buracos”, reconheceu o arqueólogo, “você simplesmente não sabe o que realmente há ali.”
A nova pesquisa se ​​baseia em resultados de outubro do ano passado, indicando que a área em torno de Stonehenge é a mais antiga região da Grã-Bretanha continuamente ocupada. Os cientistas acreditam que a área pode ter sido ocupada a partir de 8.820 a.C..

10.525 – Medicina & Saúde – Morte Súbita


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A morte súbita ocorre tanto em crianças recém nascidas como em adultos. Em crianças é mais freqüente nas primeiros três meses e é rara depois do sexto mês de vida. Está provavelmente relacionada a fatores genéticos hereditários, sendo mais frequente em filhos de mães fumantes.
Nos jovens e adultos, sedentários ou atletas, a grande maioria dos caso de morte súbita acontece por doenças do coração. Sejam elas conhecidas ou não pelos portadores ou pessoas de suas relações, podem ser congênitas, degenerativas, inflamatórias, infeciosas, provocadas por reflexos nervosos, tóxicas ou por excesso de atividades físicas. Em alguns casos podemos encontrar a soma destes fatores causando a morte. No passado, as mortes súbitas eram consideradas as que aconteciam de surpresa em pessoas tidas como normais. Seriam as mortes inexplicáveis.
Com a ampliação dos conhecimentos médicos, a melhora dos recursos de diagnóstico, como a realização de exames nos corpos de pessoas que morreram repentinamente, o leque de diagnósticos que esclarecem estas mortes vai se ampliando. Setenta e cinco porcento das vítimas de morte súbita têm doença isquêmica, por arteriosclerose, do coração. Não se sabe porquê, a grande maioria destas pessoas morrem nas primeiras horas da manhã.
As mortes súbitas, na grande maioria dos casos, são provocadas por arritmias do ciclo cardíaco. Em primeiro lugar, está a fibrilação ventricular que costuma ser precedida de taquicardia ventricular. Outras arritmias que podem provocar a morte súbita são os bloqueios aurículo ventriculares e paradas sinusais. Todas estas arritmias levam a uma queda do rendimento cardíaco, faltando sangue no cérebro, o órgão mais sensível à falta de oxigênio e que em poucos segundos faz com que a pessoa perca a consciência. Quando acontecer uma parada cardíaca ou uma arritmia severa e a pessoa perder a consciência, já com morte aparente, nos primeiros minutos a vítima ainda pode ser recuperada, ser chamada de volta à vida, SE ATENDIDA PRONTAMENTE..
Este atendimento deve seguir certas regras essenciais. O atendimento deve ser rápido e eficaz, para o quê se exige treinamento, contar com o recurso de medicamentos e aparelhos à disposição, e de pessoas capacitadas para usá-los.
As arritmias cardíacas, e as consequentes mortes súbitas, podem resultar da soma de fatores que as provocam. Assim, um coração previamente doente poderá apresentar uma arritmia fatal se exposto a esforços desproporcionais ou a certos medicamentos ou drogas. São cada vez mais freqüentes as mortes súbitas em pessoas tidas como sadias quando estão sob o efeito da cocaína ou Ecstasy.
Nestes casos, a morte súbita pode ser explicada pelo efeito tóxico destas drogas sobre o coração, pelo efeito vaso-constritor sobre as coronárias, mais o esforço da dança ou outra atividade física. Outras mortes súbita podem ser provocadas por reflexos vagais. Exemplos são as mortes causadas por traumatismos nos testículos, ou os famosos socos no chamado plexo solar, que pode provocar a morte em praticantes do boxe. Um traumatismo no tórax, na altura do precórdio, pode causar a morte. O exemplo seria o do jogador de futebol quando a bola lhe bate no peito justamente naquele momento em que o coração terminou a sístole – o sangue refluindo e distendendo a válvula aórtica. Se, justamente neste momento, acontecer o impacto violento da bola no peito, isto pode causar a laceração desta válvula. Por este motivo, recomenda-se aos goleiros que usem a camisa forrada.
Medicamentos, mesmo os tidos como inocentes – os descongestionantes nasais ou os usados para emagrecer -, ou os que atuam no sistema nervoso – os estimulantes ou antidepressivos-, ou ainda, certos medicamentos para tratar doenças cardíacas, podem provocar arritmias graves e que podem ser fatais.
A prática de esforços extremos pode estar relacionada com a morte súbita. O termo extremo não tem o mesmo significado para todas as pessoas. Tudo depende do condicionamento de quem pratica o esforço, ou se houver ou não uma doença conhecida. Uma pessoa doente do coração, ao se submeter a um esforço exagerado, para ela, pode vir a morrer. Um exemplo seria o daquela pessoa acometida de doença isquêmica do coração, conhecida ou não, que morre durante o ato sexual.
Lembremo-nos do herói grego, o soldado Filipides, patrono da maratona que, em 490 antes de Cristo, depois de correr os 42 quilômetros para participar ao seu chefe, Milciades, a notícia da vitória dos gregos sobre os persas, na batalha de Maraton, deu a notícia e caiu morto.
Foi uma morte súbita que, na época, emocionou os guerreiros gregos, e que até hoje a humanidade lembra.

10.524 – Medicina – A morte é precedida por sensação de bem-estar (?)


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Isso pode parecer estranho, mas é a conclusão da Universidade de Virgínia. Tal estudo tem reforçado conclusões das principais teorias sobre o tema. Ao analisarem um grupo der pacientes, foi constatado que apresentaram clareza mental, apesar de suas funções cerebrais estarem diminuídas.
A partir do acompanhamento do cérebro de sete pessoas em estado terminal através de eletro encefalogramas (que medem os impulsos elétricos no cérebro), eles descobriram que há uma cascata de impulsos nervosos quando o organismo sente que a morte se aproxima. O fenômeno, geralmente, atinge um pico e decresce. Quando ele acaba, a pessoa normalmente é declarada, embora haja exceções, é claro, de pessoas que acabaram sobrevivendo. A partir delas e de seus relatos, aliás, é que partiu o estudo.
A explicação encontrada para o processo é a seguinte: como o fluxo de sangue no cérebro diminui e há uma queda vertiginosa no nível de oxigênio, os neurônios (células do cérebro) reconhecem o sinal e lançam seus últimos impulsos elétricos em uma descarga rápida e intensa, o que provoca as sensações relatadas. Cada história de sobrevivente de estado terminal tem características únicas, o que mostra que os cérebros reagem de forma diferente a essa derradeira (ou não) descarga nervosa.

10.523 – Medicina – Drogas ilegais que podem ser usadas em tratamentos médicos


Maconha pode ser usada para aliviar a dor – mas ela não é a única droga ilegal que pode ser usada como remédio.
Confira essa lista com outras sete drogas que também servem a propósitos médicos e lembre-se que você não deve, em hipótese alguma, fazer uso delas sem o acompanhamento correto:
O governo dos Estados Unidos, nas décadas de 50 e 60, fez vários testes com o LSD para que ele fosse usado por soldados na guerra, mas pouca gente sabe que a comunidade médica também se interessou pela droga. Estudos dos anos 50 mostraram que ela é eficiente no tratamento contra o alcoolismo em até 50% dos casos. Em um hospital de Maryland, os médicos ofereciam LSD aos seus pacientes de câncer em caso terminal para diminuir a ansiedade deles em relação à morte. Um terço dos pacientes disse se sentir menos nervoso e com menos dores. Durante os anos 60, o LSD foi usado na psicoterapia, para aliviar dores crônicas. Até em doses menores do que as que produzem alucinações, o LSD era mais eficiente do que outros analgésicos. Mais recentemente, Harvard usou LSD para tratar pacientes com enxaquecas, com uma dosagem bem pequena, inferior à que produz alucinações, e diminui as dores dos pacientes.

Cogumelos mágicos
Os componentes dos cogumelos mágicos têm efeitos similares aos do LSD, especialmente no tratamento de enxaquecas. Uma quantidade bem inferior àquela que produz alucinações pode diminuir a freqüência das crises de enxaquecas, com os pacientes podendo passar até seis meses sem ter uma única crise.

Ecstasy
O componente que deixa os usuários do ecstasy tão alegres também pode ser usado para tratar distúrbios de ansiedade. Também seria eficiente para diminuir os sintomas de Parkinson liberando serotonina no organismo.Vítimas de estresse pós-traumático também mostram uma resposta positiva nos tratamentos com a droga.

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Cocaína
Bem antes de ser usada em “carreirinhas” a cocaína era considerada um remédio milagroso, que poderia ser usada para curar desde alcoolismo até febres. Apesar da medicina moderna ter descoberto tratamentos mais seguros, a droga ainda é usada, muitas vezes, como anestésico para cirurgias nos olhos, no nariz e na garganta. Também foi usada como tratamento para pacientes que sofrem com dores de cabeça severas. A planta que produz a cocaína, a coca, têm menos alcalóides e foi usada por muitos séculos na medicina dos americanos nativos.

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Heroína
É conhecida como um dos mais eficientes analgésicos do mundo! Ainda é usada para tratar dor extrema, no caso de pacientes com câncer nos ossos, por exemplo. A literatura médica indica a heroína como um analgésico mais seguro do que opiatos sintéticos usados hoje.

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Ketamina
É um tranqüilizante de animais conhecido como “o K especial”. Provou que pode tratar e curar depressão, até mesmo em pessoas que não mostraram reação a outros tipos de tratamento. O mais interessante é que a droga é capaz de consertar conexões no cérebro que foram danificadas por estresse crônico.
Anfetaminas
São usadas hoje para tratar várias doenças, incluindo narcolepsia e déficit de atenção. Algumas pesquisas mostraram que elas podem ser eficientes até no combate contra a obesidade. Outro uso surpreendente é na recuperação de pacientes que sofreram um ataque cardíaco.

10.520 – Biologia – Para que serve a cor da pele?


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Nossos ancestrais mais antigos tinham pele clara, coberta de pelos escuros, igual nossos parentes mais próximos, os chimpanzés. Mas foram perdendo os pelos do corpo. A pele clara ficou exposta à radiação solar dos trópicos, onde viviam. Para sobreviverem a tanto sol, sua pele começou a produzir melanina, pigmento que dá cor à pele e que funciona como protetor contra os raios UV.
Só que os raios UV, tão nocivos por um lado, têm também uma função importante: ativam a produção da vitamina D, essencial para a formação dos ossos. Tudo ia bem nos trópicos: a pele escura filtrava os raios UV, mas mesmo assim a quantidade que atingia a pele era suficiente para sintetizar a vitamina D. Até que nossos ancestrais resolveram se aventurar pelo mundo. Ao chegar em regiões frias, a pele escura virou um sério problema: filtrando a pouca radiação solar disponível, a pele não conseguia receber radiação solar suficiente para a produção da vitamina D. Naquele momento, a sobrevivência demandava uma despigmentação da pele. Quanto menos radiação solar tinha a região, mais despigmentada a pele tinha que ser, para maximizar a produção da vitamina D.
E assim, como resultado da seleção natural, o ser humano atingiu um equilíbrio: em regiões quentes, as populações nativas têm pele escura; em regiões frias, as populações nativas têm pele clara. Sempre com a finalidade de proporcionar tanto fotoproteção quanto síntese da vitamina D.
Com as migrações dos últimos séculos, muitos grupos humanos passaram a viver em regiões para as quais sua pele não está adaptada. Dois casos:
-Os ingleses que se estabeleceram na Austrália nos séculos XIX e XX. Não é por acaso que a Austrália hoje tem um dos maiores índices de câncer de pele do mundo.
-Os indianos e os paquistaneses que se mudaram para o norte da Inglaterra em décadas recentes. Por muito tempo não se sabia por que eles sofriam de doenças relacionadas à deficiência de vitamina D, como raquitismo e osteoporose. A pele deles, adaptada à sua terra de origem, é a explicação.
Fonte: Department of Anthropology, California Academy of Sciences

10.511- O que a Ciência (não) explica


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Quanto mais acumulamos teorias ou inovações tecnológicas, maior a sensação de andar em círculos.
Desde o surgimento do homem moderno, há cerca de 200 mil anos, queremos responder as mesmas questões. apesar dos avançoes científicos, nunca achamos respostas.
“A combinação de um universo com idade finita, o tempo passado desde o Big Bang e a velocidade da luz, limita de forma insuperável o quanto podemos cosínhecer do cosmos”, escreveu Marcelo Gleiser em seu último livro.
Alquimia
Transformar metais básicos em ouro? Imortalidade? Nesse sentido, a Alquimia se mostrou inútil, uma vez que soluções mágicas só existem na ficção e não na natureza. A Filosofia e as Ciências ainda buscam respostas.
De Albert Einstein surgiu o conceito de que o espaço e o tempo são elásticos. Isso levaria a revisão de teorias clássicas.
Com aceleradores de partículas construídos na Suíça em 2012, chegou-se a fotografia do bóson de Higgs. Criado instantes após o Big Bang, tal partícula desacelerou as outras, convertendo energia em massa e assim formando o nosso mundo. Se o bóson de Higgs não fosse descoberto, as teorias que o prediziam seriam demolidas e toda a Física iria ruir.

10.507 – Uma turbina eólica que produz água potável


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A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 40% da população do planeta sofra com crises hídricas. E aqui no Brasil, não precisamos ir muito longe. Há décadas a região Nordeste enfrenta a miséria provocada pela seca e atualmente, até a capital do estado mais rico do país, reza por chuva em seus reservatórios vazios.

De olho neste cenário – e inspirado pelos antigos moinhos de vento de seu país natal, o holandês Piet Oosterling criou uma solução inovadora: a turbina eólica que produz água potável. E lógico, também gera energia.

Olhando no horizonte, a turbina parece igual a tantas outras. A única diferença entre o modelo AW e outras tradicionais está nos tanques de água acoplados na haste. Para entender o funcionamento dela, o mais fácil é pensar no ar condicionado do carro. Quando ele está ligado e é um dia quente, muitas vezes há água condensada embaixo do aparelho. A tecnologia holandesa opera de forma similar.

Basicamente, o que a empresa Dutch Rainmaker desenvolveu é uma tecnologia que utiliza energia eólica para extrair água a partir do ar. A turbina aciona quatro compressores. Quando o ar é forçado através dos permutadores de calor e resfriado, a água contida no ar se condensa e as gotas que se formam são coletadas pelos tanques. Em seguida, a água é mineralizada e pode ser utilizada para consumo humano ou para agricultura. “A turbina consegue produzir uma média de 7.500 litros de água diariamente”.

De acordo com a ONU, cada pessoa necessita de cerca de 110 litros de água por dia para atender necessidades de consumo e higiene. É bom lembrar que na África subsaariana o consumo per capita é de 10 a 20 litros por dia. No meio rural do semiárido nordestino este número cai para 6 litros.

O funcionamento da turbina eólica que produz água potável depende de condições climáticas apropriadas. Piet Oosterling explica qual seria o ambiente ideal. “Os fatores mais importantes são vento e temperatura. A temperatura deve estar entre 15 e 45 graus Celsius e é necessária umidade mínima do ar de aproximadamente 20%”.

Entre as principais vantagens do sistema, se comparado ao de dessalinização da água, por exemplo, são baixo custo operacional e emissão zero de carbono. Como é autossuficiente, o equipamento pode ser instalado em áreas remotas, já que não depende de água nem eletricidade para funcionar. Se houver vento, até em desertos o AW pode ser instalado.

O inventor acredita que as regiões que mais seriam beneficiadas com a turbina que produz água potável seriam Oriente Médio, África, Austrália, Índia, ilhas tropicais e subtropicais e alguns países do continente americano, entre eles, o Brasil.

Já há duas turbinas em funcionamento. Uma na cidade de Leeuwarden, na Holanda, e outra no Kuwait. A intenção da Agência de Proteção Ambiental daquele país é ter futuramente 50 máquinas para irrigar zonas de plantio.

A empresa produz ainda outro modelo de turbina eólica, a WW. Esta foi desenvolvida para ser instalada em regiões onde há água, mas poluída ou salgada (oceanos, lagoas, rios). Além da produção de energia, o equipamento também purifica a água do local.

Invenções sustentáveis, que podem ser utilizadas ao redor do mundo.

 

 

10.506 – Bactérias modificadas “comem” tumores em teste com animais e humanos


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Injetar bactérias geneticamente modificadas num tumor que já resistiu a vários tratamentos não parece a mais lógica das abordagens, mas foi o que fizeram cientistas nos EUA –e com um grau considerável de sucesso.
Ocorre que os micróbios são capazes de, ao mesmo tempo, “comer” pedaços do tumor e evitar danos aos tecidos saudáveis do paciente, mostra a pesquisa publicada na edição desta semana da revista especializada “Science Translational Medicine”.
Os resultados, ainda muito preliminares, apesar de encorajadores, foram obtidos em testes com ratos, cães e com uma única paciente humana –outras pessoas devem participar dos ensaios clínicos em breve.
“Ainda estamos na fase 1 dos testes clínicos, cujo objetivo é verificar apenas se a terapia é segura. Ainda não temos como comparar essa abordagem com outros tratamentos contra o câncer, e é cedo para dizer quais tumores seriam mais vulneráveis a ela”, disse à Folha o médico Saurabh Saha, da empresa de biotecnologia BioMed Valley Discoveries.
A firma pretende transformar as descobertas em produtos caso tudo corra bem.
Saha e seus colegas desenvolveram sua própria variedade, ou cepa, da bactéria Clostridium novyi, que pode causar infecções graves em pessoas e animais.
A questão, porém, é que se trata de um micróbio anaeróbico, ou seja, que precisa de um ambiente pobre em oxigênio para se multiplicar. Foi isso que levou os cientistas a pensarem nela como arma.
É que o crescimento desordenado dos tumores faz com que, no interior deles, surjam regiões cheias de células com baixo suprimento de oxigênio –células que, aliás, são resistentes à quimioterapia ou à radioterapia. Surgiu, portanto, a ideia de enviar a C. novyi a essas áreas.
Antes disso, porém, os cientistas “deletaram” parte do DNA da bactéria, um gene que normalmente permite que o micróbio produza uma toxina bastante agressiva.
As bactérias foram então injetadas diretamente nos tumores –primeiro em ratos com uma forma artificial e agressiva de câncer cerebral, depois em cães que tinham desenvolvido naturalmente a doença e, finalmente, em uma mulher de 53 anos com um tipo de câncer muscular, já em fase de metástase (espalhamento pelo organismo).
A abordagem dobrou a expectativa de vida dos ratos e eliminou ou reduziu bastante o tumor em 40% dos cães. O tumor no ombro da paciente humana também ficou praticamente destruído, sem células viáveis sobreviventes.
“Até onde sabemos, o mais importante para esse sucesso foi a injeção direta da bactéria no tumor e a preferência dela por ambientes com pouco oxigênio”, explica Saha. Com isso, o micróbio atacou apenas a massa de células no interior do tumor.
Houve efeitos colaterais em todos os casos, os quais lembram muito uma infecção tradicional: inchaço, dor e febre. “Quando a bactéria conclui seu trabalho, podemos controlá-la com antibióticos tradicionais”, diz o médico.
Para o biólogo Tiago Góss dos Santos, pesquisador do A.C. Camargo Cancer Center, os resultados parecem promissores, em especial por se tratar de um trabalho inicial.

10.505 – Evolução de Espécies – Neandertais coexistiram com os humanos na Europa por até 5,4 mil anos


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Uma nova análise de amostras de 40 sítios arqueológicos permitiu precisar que os neandertais coexistiram na Europa com os humanos modernos durante um período de 2.600 a 5.400 anos. A partir de uma técnica melhorada de datação por radiocarbono, pesquisadores liderados por uma equipe da Universidade de Oxford detalham em um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature que os neandertais desapareceram da Europa há 40 mil anos. De acordo com os autores, não se tratou de uma extinção abrupta, mas um processo gradual que seguiu seu próprio ritmo em diferentes pontos do continente.
A nova cronologia destaca o padrão que se seguiu ao desaparecimento dos neandertais e sugere que “provavelmente algumas pequenas povoações sobreviveram em pontos específicos da Europa antes de serem extintas”, explicou Thomas Higham, responsável pela pesquisa. O estudo destaca que os milênios nos quais os neandertais e os humanos modernos coexistiram no continente representam um tempo amplo para a transmissão de comportamentos culturais e simbólicos, assim como para possíveis intercâmbios genéticos.
Os pesquisadores descrevem a Europa desse período de transição, entre o paleolítico médio e superior, como um “mosaico de povoações”. De acordo com os autores do estudo, há 45 mil anos, antes que começasse esse processo de mudança, a Europa era essencialmente neandertal, com pequenos redutos de humanos modernos em certas regiões. Essa distribuição mudou nos milênios seguintes, uma evolução que foi forjada ao longo de 25 a 250 gerações, dependendo da localização geográfica.
Álvaro Arrizabalaga, professor da Universidade do País Basco e um dos autores do estudo, especificou que a grande pergunta ainda pendente de confirmação é se houve intercâmbio cultural e genético entre ambos os grupos na Europa. “Sabemos que aconteceu essa troca no Oriente Médio”.
Determinar a relação espacial e temporal entre os neandertais e os humanos modernos é essencial para compreender o processo que levou ao desaparecimento dos primeiros. As limitações técnicas foram os desafios mais sérios para os pesquisadores nesse campo, já que as amostras arqueológicas que se aproximam da fronteira dos 50 mil anos têm muito pouco carbono-14, o que torna difícil obter datações precisas.

10.504 – Antropologia – O que sabemos sobre os Neandertais?


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Houve cruzamento entre os neandertais e o homem moderno?
De acordo com João Zilhão, arqueólogo português e pesquisador da Universidade de Barcelona, isso está provado pela anatomia de fósseis dos primeiros europeus da época posterior ao primeiro contato com o homem moderno. Esses fósseis apresentam alguns traços característicos dos neandertais. Além disso, mais recentemente, o cruzamento também foi comprovado com a comparação do genoma de um neandertal com o de indivíduos atuais de vários continentes. Essa comparação evidencia que a contribuição neandertal para o genoma humano persistiu até o presente e em porcentagem significativa.
Não se sabe ao certo por que os neandertais desapareceram da Terra há 30.000 anos. Algumas hipóteses, não excludentes, são epidemias, catástrofes naturais ou o extermínio por outras populações. O que se sabe é que os neandertais foram assimilados pelos homens modernos, por meio de cruzamentos, e sucedidos pelas populações originárias de África que ocuparam gradativamente a Europa e Ásia a partir de 50.000 anos atrás.
De acordo com Zilhão, o neandertal é uma subespécie do Homo sapiens. Por definição, se houve miscigenação importante entre os dois grupos, isso significa que eram “subespécies” ou “populações” de uma só espécie biológica, não duas espécies distintas. Vanessa Paixão-Côrtes, pesquisadora da área de genética e evolução, lembra, contudo, que a categorização de espécies é algo muito difícil. A questão ainda é amplamente discutida, apesar de tanto o homem moderno quanto o neandertal serem considerados humanos.
Os neandertais também exercitavam o pensamento abstrato e faziam uso de símbolos. Eles enterravam os mortos, usavam objetos de adorno pessoal, pintavam os corpos com tintas minerais, usavam utensílios de osso e marfim com marcas decorativas abstratas e desenvolveram uma sofisticada tecnologia do fogo. Essa técnica incluía a fabricação da mais antiga matéria-prima artificial da humanidade – uma resina utilizada para fazer tinta – através de processos que só encontram equivalente nos fornos de cerâmica do Período Neolítico, muitos milhares de anos depois.