11.090 – Astronáutica – Que Força desconhecida empurrou as sondas pioneer?


sonda pionner

A história da sonda Pioneer 10 já seria empolgante, mesmo que tudo tivesse ocorrido como previsto: a nave foi lançada em 1972 e tornou-se o primeiro objeto criado pelo homem a sair do sistema solar, em 1983. Manteve contato com a Terra durante 25 anos, até perder-se no espaço profundo, em 1997. A Pioneer 10 deixou um enigma: algum fator desconhecido começou a reduzir sua velocidade e empurrá-la de volta para o Sol, quando ela estava se aproximando de Plutão. A “força” desconhecida era ínfima, mas, dadas as distâncias espaciais, bastou para alterar a rota da nave em 400 mil km. O mesmo ocorreu com a Pioneer 11. Tentou-se explicar a anomalia com idéias prosaicas, como vazamentos de fluido nas naves ou problemas na análise de dados. Outras propostas, no campo da chamada “nova física”, foram bem mais ousadas, lembrando que talvez devamos mudar nossas concepções de tempo, espaço e gravidade em escalas cósmicas. Mas nenhuma explicação foi conclusiva. O mistério continua.

11.089 – Por que a física tem constantes que são inconstantes?


A categoria “constante” – grandezas que não deveriam mudar nunca – já foi bem maltratada pela ciência. No momento, quem dá dor de cabeça aos físicos é a “constante da estrutura fina”, também conhecida como alfa. Ela define como a matéria interage com a força eletromagnética, incluindo a luz. Graças à alfa, os cientistas sabem quais características esperar da luz que viaja pelo espaço e atravessa nuvens interestelares antes de chegar à Terra. Em 1997, surpresa: o astrônomo John Webb captou luz com as qualidades erradas. Isso pode significar que a constante alfa varia ao longo da história do Universo. Amostras de material radioativo de 2 bilhões de anos na África reforçaram essa tese. Se a constante alfa for mesmo variável, pode ser que a velocidade da luz também seja – o que abre uma rachadura num dos principais pilares da relatividade e da física atual.

Nó na mente:
Imagine a força devastadora de um elefante em disparada concentrada numa formiga – que, periodicamente, derruba o muro da sua casa. Desde 1991, cientistas já observaram pelo menos 15 vezes um fenômeno tão estarrecedor quanto esse, mas em escala muito maior: vindas do espaço, partículas subatômicas chegam à Terra com energia cinética equivalente à de uma bola de beisebol. O evento não se encaixa nas teorias vigentes. Por sua capacidade de fazer qualquer físico arrancar os cabelos, essas formigas atômicas do espaço foram apelidadas de “partículas oh-meu-Deus”. Provavelmente, são prótons viajando quase à velocidade da luz. Elas criaram o chamado paradoxo GZK, porque violam os limites definidos em 1966 pelos físicos Greisen, Zatsepin e Kuzmin. Segundo o trio GZK, partículas tão energéticas só poderiam vir de uma fonte relativamente próxima da Terra. Por isso, os cientistas procuraram o ponto de onde elas vieram. Não há nada por lá – pelo menos, nada visível para nós.

11.088 – Como funciona o efeito placebo?


O efeito placebo é conhecido há muito tempo, e respeitado a ponto de ser incluído em testes clínicos, para comparação com os efeitos dos medicamentos reais. Sabemos que ele se relaciona com a expectativa do paciente: o organismo, ao receber algo que a mente acredita ser remédio, é “convencido” a reagir de acordo. O mecanismo, ainda inexplicável, vem sendo estudado pelo médico Fabrizio Benedetti, da Universidade de Turim, Itália. No ano passado, ele monitorou a atividade cerebral de pacientes com mal de Parkinson, enquanto dava a eles uma solução salina inócua, que acreditavam ser remédio. Essa crença bastou para que os cérebros dos pacientes reagissem, reduzindo sintomas da doença, como tremores e rigidez. No sentido oposto, pacientes que eram tratados com remédio verdadeiro, mas sem o saber, continuavam manifestando os sintomas.

11.087 – Curiosidades – Como os animais pressentem coisas?


A quantidade surpreendentemente baixa de animais mortos no tsunami que varreu a Ásia no final de 2004 inspirou novas discussões sobre uma dúvida antiga: como funcionam os sentidos dos bichos? Melhor que os nossos, certamente, já que as pessoas não foram capazes de prever nem de fugir da onda gigante. Quase sempre, é possível encontrar explicações razoáveis para cada espécie, sem recorrer a nenhum hipotético “sexto sentido”. Bigodes de gatos, por exemplo, podem perceber ínfimos deslocamentos de ar ou um toque equivalente à milésima parte do peso de um fio de cabelo. Mesmo assim, os feitos dos animais obrigam os cientistas a atualizar freqüentemente o que sabem. Foi a partir dos anos 90 que se admitiu que o olfato dos cães chega a ser 1 milhão de vezes mais aguçado que o humano, embora a estrutura cerebral responsável por esse sentido seja “apenas” 40 vezes maior que a nossa.

11.086 – Astrofísica – O que explica a rotação das galáxias?


Imagem galática do Hubble
Imagem galática do Hubble

Galáxias apresentam um movimento de rotação que pressupõe certa quantidade de matéria, para que a gravidade mantenha o conjunto coeso. No final dos anos 70, porém, a astrônoma Vera Rubin, do Instituto Carnegie, dos EUA, descobriu que a quantidade de matéria visível nas galáxias não chegava nem perto da necessária para produzir essa gravidade. Uma explicação proposta foi a existência de uma esquisitíssima e invisível “matéria escura”. Partículas chamadas neutrinos contariam como “matéria escura”, mas seriam apenas parte dela. O resto, especula-se sobre o que possa ser. Por mais que os cientistas ajeitem a conta, faltam uns bons 30% de matéria nas galáxias. Ou estão erradas nossas idéias sobre como funcionam a gravitação e a aceleração em escala galáctica. Essa é a proposta da teoria Mond, sigla em inglês para dinâmica newtoniana modificada. Seu autor, o israelense Mordechai Milgron, acha mais razoável esquecermos a tal “matéria escura” e revermos as leis de Newton.

11.085 – Genética – Por que a maior parte do DNA não faz proteína?


Só cerca de 2% do DNA humano responde pela construção de proteínas. Esses são os genes propriamente ditos. Até a década passada, pensávamos que todo o DNA era formado por genes, ou seja, que cada trecho era responsável pela construção de uma proteína, e que esses trechos se sucediam de forma ininterrupta. Estávamos errados. Os genes se intercalam com longos trechos de DNA ainda sem função conhecida. Esses trechos foram inicialmente chamados de junk DNA, ou “DNA lixo”. Hoje, muitos pesquisadores acreditam ser normal o acúmulo de restos genéticos que a evolução tornou inúteis. Acontece que alguns desses trechos de DNA têm comportamento ativo, ainda que inexplicável – por exemplo, há os transpósons, ou genes saltadores, que mudam de lugar aleatoriamente e podem causar mutações fatais

11.084 – Por que não usamos toda a capacidade do cérebro?


Você já deve ter ouvido falar que o cérebro humano usa apenas 10% de sua capacidade. Apesar de baseada em conceitos verdadeiros, essa afirmação não passa de uma metáfora pobre. A verdade é que 100% da massa encefálica trabalha vigorosamente. O que não se explica é por que algumas pessoas com cérebro aparentemente comum têm habilidades como memória fotográfica ou eidética (capacidade de recordar grande quantidade de imagens e dados, como um atlas geográfico) e memória-calendário (capacidade de dizer em que dia da semana caiu ou cairá uma data a séculos de distância). Um dos primeiros exemplos bem documentados desse tipo de prodígio foi Thomas Bethune, ou Blind Tom (“Tom Cego” ) – um americano nascido em 1850, que além de cego era escravo e autista. Também era capaz de escutar 20 páginas de partitura uma só vez e tocá-las no piano. Aos 16 anos, Tom havia memorizado cerca de 7 mil músicas.

11.082 – Por que sonhamos?


Sigmund Freud deu ao mundo, em 1900, a ideia de que nossos sonhos teriam significados ocultos. Eles seriam uma tentativa do nosso inconsciente de realizar desejos, muitos dos quais não admitimos conscientemente. O conceito permanece difundido até hoje, mas neurologistas ainda procuram uma justificativa para os sonhos. Se eles são indispensáveis, por que orcas e golfinhos, mamíferos com cérebro desenvolvido, passam seu primeiro mês de vida sem dormir? Aliás, sonhos precisam de explicação biológica? Os psiquiatras Robert McCarley e Allan Hobson, da Universidade Harvard, nos EUA, quase tiraram a graça da história, em 1977. Para eles, o sonho seria apenas conseqüência da atividade elétrica do cérebro no sono, “sacudindo” memórias e pensamentos. A teoria ganhou opositores de todos os lados: psicólogos freudianos dizem que há sonhos altamente coerentes e alguns evolucionistas afirmam que sonhar é uma ótima forma de simular situações sem se expor a riscos.

11.081 – Por que temos tão pouco genes?


Na década de 1990, biólogos estimavam que o ser humano tinha 100 mil genes. Na época da publicação da versão final do genoma humano, há 12 anos, o número já havia caído para 32 mil. Finalmente, em outubro passado, após 15 anos de trabalho, o Consórcio Internacional de Seqüenciamento do Genoma Humano apresentou seu último cálculo, indicando que temos 25 mil genes, no máximo. Número nada impressionante, se levarmos em conta que a Arabidopsis thaliana, planta da família da mostarda, tem 26 mil. “Nós não parecemos muito impressionantes nessa competição”, diz Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, dos EUA. Uma primeira conclusão, óbvia, é que não é o tamanho do genoma que importa – e sim, o resultado final que ele proporciona. Uma segunda conclusão, inevitável, é que sabemos pouquíssimo sobre como os genes funcionam.

11.080 – Engenharia Genética – Bactérias do Bem


É uma ferramenta com milhões de anos de evolução – e que agora está ao nosso dispor. Os cientistas estão usando bactérias para curar doenças, eliminar a poluição e resolver outros problemas cabeludos. A técnica não é nova. Por exemplo: a insulina artificial, um hormônio essencial aos diabéticos, é produzida por meio de bactérias modificadas geneticamente. A diferença é que agora os cientistas estão misturando um número muito maior de genes e quase construíndo uma bactéria a partir do zero. A vantagem é que a técnica permite dar habilidades muito mais complexas a esses microorganismos. Por serem escoladas na arte de se adaptar, eles conseguiriam driblar as defesas do nosso organismo ou resistir a ambientes poluídos para cumprir o que delas se espera. As possibilidades são infinitas mas, por enquanto, nada ainda saiu dos laboratórios. Veja ao lado algumas das bactérias feitas para quebrar o nosso galho.
Mycoplasma genitalium
Origem: Plantas, humanos e animais.
Missão: Gerar hidrogênio ou eliminar gás carbônico da atmosfera.
Como: Aplicando radiação para retirar o cromossomo original da bactéria e o substituindo por um outro feito em laboratório a partir de micróbios que produzem hidrogênio. Outras variações podem consumir dióxido de carbono.
Bacillus subtilis
Origem: Solo.
Missão: Fabricar detergentes e fertilizantes agrícolas mais potentes.
Como: Novos genes fazem as bactérias produzirem grandes quantidades de biosurfactantes, substâncias capazes de tornar o óleo solúvel em água e que funcionam como um “detergente” para vazamentos. Elas também inibem o crescimento de fungos e bactérias nas plantas, tornando-se úteis em plantações.
Escherichia coli
Onde vive: Intestino humano.
Missão: Detectar a presença de explosivos. Espalhada em um terreno, ela começará a emitir luz fluorescente somente nas áreas que estiverem próximas a minas terrestres.
Como: Modificando geneticamente a bactéria, os cientistas conseguem fazê-la “piscar” quando em contato com a trinitroglicerina, composto ativo da dinamite, ou trinitrotolueno (TNT). A mesma técnica pode produzir variações capazes de detectar outras situações.Um dos possíveis usos seria medir a umidade do solo: as bactérias mudariam a coloração sempre que a terra estivesse seca demais, por exemplo.
Salmonella typhimurium
Origem: Alimentos de origem animal .
Missão: Combater tumores cancerígenos em humanos.
Como: A Salmonella se desenvolve com facilidade em tumores. Novos genes acrescentados pelos cientistas a tornariam capaz de transformar substâncias inofensivas, que podem circular em todo o corpo, em toxinas que poderiam destruir as células cancerosas. Já está em fase de teste em seres humanos.

11.079 – Neurologia – Guarde seu Cérebro em uma Caixinha


blue brain

Trata-se do Blue Brain, um projeto que pretende recriar nossos neurônios em um supercomputador. Na verdade, o objetivo inicial é mais modesto, embora não muito: os pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne, Suíça, e da IBM querem atacar, a princípio, o neocórtex – área que corresponde a 85% do cérebro em humanos. Ao que tudo indica, é onde estão funções “nobres” como a percepção, a linguagem e a consciência. Se funcionar, o projeto – cuja primeira fase deve estar concluída em breve – deve dar aos cientistas a plataforma ideal para entender como os neurônios interagem e criam essas funções.
De fato, o mero poder computacional da coisa é de entortar os olhos. Calcula-se que ele terá um poder de cálculo de 22,8 teraflops – os mais modernos computadores de mesa, só para comparar, dispõem apenas de alguns gigaflops, o que quer dizer que o Blue Brain será cerca de 10 mil vezes mais potente que eles.
O primeiro passo da equipe será a simulação das chamadas colunas neocorticais. Nome difícil, conceito simples: são cilindros, com cerca de 10 mil neurônios e uns 2 mm de altura, que parecem funcionar como unidades de processamento de algumas funções do cérebro – ligados aos sentidos ou à abstração, por exemplo. “A vantagem é que nós temos os dados de laboratório mais detalhados do mundo sobre essas colunas. O pessoal de Lausanne tem estudado há anos a estrutura, os diferentes tipos de neurônios e as conexões existentes entre eles nessas estruturas”, diz Peck. Para todos os efeitos, a “conversa” entre os neurônios acontece por meio de impulsos elétricos, que circulam com a ajuda de mensageiros químicos, os neurotransmissores. Os pesquisadores pretendem simular esse vai-e-vem, bem como a complexa rede que interconecta as células, que é parecida com os galhos ou raízes de uma árvore. Depois que a primeira coluna ficar pronta, as demais serão baseadas nela. Depois, experimentos virtuais, como “estimular” o cérebro eletrônico com o equivalente de uma imagem ou sensação, poderão ser feitos. Peck diz não acreditar que o conjunto, quando estiver pronto, terá uma inteligência independente.

11.078 – Como é o corpo de uma barata?


O par de antenas sente cheiros e gostos, enquanto os olhos enxergam bem à noite, já que esse é o momento em que a barata sai do esconderijo atrás de comida. Como são onívoras (comem de tudo, até carne putrefata), têm uma boca denteada e mandíbulas fortes.
As pernas se dividem em três pares: os dois maiores impulsionam a barata para a frente, enquanto o menor, próximo à cabeça, cuida de frear altas velocidades. Baratas podem chegar a 3 km/h, o que equivale a percorrer quase 1 m em um segundo!
As cascudas puxam e eliminam o ar por pequenos furos espalhados pelo corpo, os espiráculos. Lá dentro, o oxigênio percorre os tubos até alcançar os tecidos. Diferentemente dos humanos, elas não usam o sangue para transportar O2.
O primeiro par de asas, com textura de pergaminho, cobre outro, fino e flexível. Nos machos, as asas costumam ultrapassar o fim do abdômen e, nas fêmeas, têm o mesmo tamanho do corpo. Algumas espécies não apresentam asas – são ápteras.
Baratas possuem pequenos pelos no abdômen chamados de cerci, que sentem o movimento do ar, informando quando um inimigo se aproxima. Em milésimos de segundo, eles acionam as pernas do bicho, que consegue fugir rapidamente.
Pode parecer estranho, mas o exterior das baratas é extremamente limpo. A sujeira está em seu interior, mais exatamente no sistema digestivo. É lá onde ficam vírus e bactérias, que são expelidos no cocô e podem causar infecções, alergias, verminoses e micoses.

O rápido ciclo de vida da cascuda tem três níveis: dentro da ooteca, como ninfa e transformada em barata adulta

OOTECA
Em seus dois anos de vida, a Periplaneta americana gera até 20 ninhadas. Em cada uma, produz uma bolsa com até 20 ovos.

NINFA
Guardado em frestas ou atrás de móveis, cada ovo dará origem a uma ninfa. Esta barata jovem trocará de pele várias vezes até virar adulta.
Os tamanhos variam: a Periplaneta americana, por exemplo, chega a 4 cm, enquanto a brasileira Megaloblatta regina tem até 10 cm.

CABEÇA DECEPADA
Sim, elas realmente conseguem viver sem cabeça por até um mês e só batem as patas devido à sede! Como as baratas não respiram pela boca, não morrem por falta de ar e, como têm pouca pressão sanguínea, não morrem de hemorragia
Alguns inseticidas atacam o sistema nervoso da cascuda e geram espasmos que fazem com que ela vire de barriga para cima. Tonta e sem ter onde agarrar, ela definha sem opções de salvamento.
A história de que as baratas sobreviveriam a uma explosão nuclear tem um fundo de verdade: elas aguentam dez vezes mais radiação do que os humanos. Mas, próximas ao centro da explosão, elas morrem desintegradas de qualquer jeito.

• Larga de ser porco, menino! Baratas podem roer o canto da sua boca ou a cutícula dos seus dedos em busca de restos de comida.

• Nesta matéria, analisamos o corpo da espécie Periplaneta americana, a mais comum no Brasil.

• Cuidado com o copo de cerveja. Baratas são atraídas pelo cheiro da cevada, principalmente quando a bebida entra em processo de decomposição.

• Há 200 baratas para cada habitante da grande São Paulo, segundo levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Biológicas.

11.077- Quantas espécies de urso existem no mundo?


urso

Existem oito espécies: urso-polar, urso-panda, urso-pardo, urso-negro americano, urso-negro asiático, urso-malaio, urso-beiçudo e o chamado urso-de-óculos. Antigamente, os pandas eram classificados como membros da família dos ra-cuns, mas passaram a integrar também a família dos Ursidae. Essas oito espécies vivem nos mais diferentes hábitats do planeta, das regiões polares às áreas de florestas, mas a maioria delas só pode ser encontrada no hemisfério norte. Algumas características físicas e comportamentais são comuns a todas, como o corpo pesado, a cauda curta, o pêlo longo e espesso e as garras afiadas, que, ao contrário das dos felinos, não são retráteis e estão sempre aparentes. Os ursos também são exímios nadadores, sobem facilmente em árvores e conseguem ficar em pé sobre as patas traseiras.

Em geral, vivem sozinhos – exceto quando estão no período de acasalamento – e laços familiares duradouros só são estabelecidos entre a mãe e seus filhotes, que permanecem juntos por dois ou três anos. Apesar de tanta coisa em comum, as várias espécies de urso se diferenciam umas das outras em função do tamanho, detalhes anatômicos, hábitos alimentares e local de moradia. Os ursos-polares, por exemplo, habitam as planícies geladas do Ártico e se alimentam principalmente de focas. Já os ursos-malaios vivem nas florestas tropicais da Ásia e têm em sua dieta insetos, frutas e bichos pequenos. Os cientistas ainda não conhecem todos os detalhes sobre a longevidade desses animais, mas calculam que ela varie entre 25 e 40 anos, sendo que os ursos selvagens tendem a viver menos que os mantidos em cativeiro.
Durante o século 20, eles foram constantemente perseguidos e caçados, o que fez com que algumas espécies ficassem seriamente ameaçadas de extinção, como é o caso do panda, transformado no principal símbolo da luta pela preservação dos animais.
hemisfério norte
URSO-PARDO (Ursus arctos)

Tamanho: Até mais de 3 metros

Peso: De 90 a 800 quilos

Espalha-se pela Sibéria, Alasca, norte do México, Himalaia e norte da África e é o mais temido dos ursos. É capaz de ingerir até 40 quilos de alimento por dia e, quando persegue uma presa, consegue atingir 50 km/h, velocidade surpreendente para um animal tão pesado. Existem várias subespécies de urso-pardo, por isso seu peso e tamanho variam tanto. O urso-grizzly Kodiak, por exemplo, pode medir mais de 3 metros e é o maior carnívoro terrestre.

URSO-POLAR (Ursus maritimus)

Tamanho: Até 2,5 metros

Peso: 800 quilos

Vive em regiões do Ártico, como Alasca, norte do Canadá, Groenlândia, Sibéria e extremo norte da Europa. Único urso adaptado ao ambiente marinho, é um excelente nadador. Para resistir às baixíssimas temperaturas do Pólo Norte, seu pêlo é longo e oleoso. No corpo do urso-polar ainda há uma espessa camada de gordura que serve como proteção extra, garantindo perfeito isolamento térmico.

URSO-NEGRO AMERICANO (Ursus americanus)

Tamanho: 1,8 metro

Peso: De 40 a 300 quilos

Habita os Estados Unidos – inclusive o Alasca -, Canadá e México. Apesar de caçadores matarem mais de 40 mil desses animais por ano, a espécie ainda não está ameaçada de extinção, pois é a mais numerosa dos Estados Unidos. É incapaz de subir em árvores e hiberna até sete meses por ano. Na preparação para enfrentar esse período de repouso, o urso-negro americano chega a ganhar 1,5 quilo por dia durante dois meses seguidos. Possui várias subespécies de tamanhos diferentes.

URSO-PANDA (Ailuropoda melanoleuca)

Tamanho: 1,5 metro

Peso: 100 quilos

É encontrado nas florestas do centro-sul da China. Nesse hábitat natural existem apenas cerca de mil ursos-pandas gigantes – outros 100 estão em zoológicos. Por isso, o animal corre sério risco de sumir do planeta. Para perpetuar a espécie, biólogos têm tentado, sem muito sucesso, a reprodução do animal em cativeiro. Uma das dificuldades é que a fêmea só está pronta para acasalar durante dois ou três dias por ano.

URSO-BEIÇUDO (Melursus ursinus)

Tamanho: 1,8 metro

Peso: Até 140 quilos

Onde vive: Florestas da Índia, Nepal, Sri Lanka e Butão

URSO-DE-ÓCULOS (Tremarctos ornatus)

Tamanho: 1,8 metro

Peso: Até 150 quilos

Onde vive: Na cordilheira dos Andes, ao longo de vários países da América do Sul, como Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia

URSO-MALAIO (Ursus ou Helarctos malayanus)

Tamanho: 1,5 metro

Peso: 66 quilos

Onde vive: Em florestas tropicais, do Sudeste Asiático às ilhas de Sumatra e Bornéu, na Indonésia

URSO-NEGRO ASIÁTICO (Ursus thibetanus)

Tamanho: 1,6 metro

Peso: 200 quilos

Onde vive: Florestas temperadas da Ásia, do Afeganistão ao Vietnã, nordeste da China, sudeste da Rússia e Taiwan

11.076 – Projeções – E se um asteroide bater na Terra?


asteroide-terra

Depende. O certo é que, logo após o impacto, ninguém ia saber direito o que aconteceu. E ninguém estaria mais confuso do que os astronautas da Estação Espacial Internacional.
À medida que a estação espacial se aproximava do local da colisão, menor era a visibilidade. Uma espessa nuvem de poeira, a cerca de 40 km de altitude, cobria a América do Norte e avançava sobre Atlântico e Pacífico. Era noite na Europa, e os três tripulantes da estação espacial não viram nem sinal das teias luminosas que marcavam a localização de Londres, Paris, Roma… Ao sobrevoarem a Ásia, a escuridão deu lugar a manchas iluminadas: incêndios que tomavam a Rússia e a China. Perto do Japão, contaram três vulcões expelindo lava – o traço comprido da fumaça indicava a força dos ventos. Chegando à Califórnia, perceberam que a massa flutuante de cinzas, nuvens e poeira cósmica começava a espiralar, formando furacões. Foi quando Tom chorou. Dorothy sempre estremecia ao ouvir um trovão, para rir em seguida, envergonhada.

11.075 – O que Hipócrates tem a ver com Hipocrisia?


Nada a ver. Parece mas não é

Hipocrisia vem do Grego HYPOKHRINESTHAI, “representar um papel, fingir”, formado por HYPÓS, “abaixo”, mais KRINEIN, “separar, escolher, peneirar”.
A evolução do sentido foi de “separar gradualmente” para “responder”, para “responder dentro de uma peça de teatro”, para “representar, fingir um papel”.

E o nome de Hipócrates vem de HIPPOS, “cavalo” mais o verbo KRATEO, “eu domino”. É um nome muito antigo, que refletia a época em que uma pessoa que controlava um cavalo se destacava no seu meio.
Veja que ambos os prefixos eram totalmente diferentes (inclusive na pronúncia), mas acabaram sendo iguais em nosso idioma, por conta das simplificações de grafia.
“Hipócrates” era um nome próprio grego formado por HIPPOS, “cavalo” mais o verbo KRATÉO, “eu domino, eu tenho poder sobre, eu controlo”.
Foi um nome criado numa época em que domar cavalos e cuidar deles tinha um significado especial para uma nação.
Observe que o início de “Hipócrates” e “Hipócrita” hoje é igual; alterações ortográficas do nosso idioma levaram a uma convergência de forma. Mas, em sua origem, um era HIPPO- e outro HYPÓ- (este “Y” soava como o “U” francês); eram palavras bem distintas em significado e som.
Processo semelhante sofreram KRATÉO e KRÍNEIN, cujas resultantes atuais nas palavras em questão se diferenciam muito pouco.

11.071 – Evolução – Macaco mais velho das Américas teria atravessado o Atlântico


paleosagui

Fósseis amazônicos de 36 milhões de anos podem ser o mais antigo indício da presença de macacos nas Américas e, de quebra, fortalecem a ideia de que os ancestrais dos micos-leões cruzaram o Atlântico para chegar até aqui.
Embora os pesquisadores tenham descoberto apenas quatro dentes –molares superiores e inferiores–, os achados já foram suficientes para batizar uma nova espécie de primata extinto, o Perupithecus ucayaliensis.
O paleomacaquinho é “quase” brasileiro: foi achado na Amazônia peruana, mas a menos de 10 km da fronteira com o Brasil, na localidade de Santa Rosa. Além de Campbell Jr., paleontólogos de diversas instituições argentinas participaram da pesquisa.
Pode parecer meio maluco batizar uma espécie com base apenas num molar, mas coisas do tipo na verdade são rotina em estudos paleontológicos de mamíferos. É que as espécies do grupo em geral possuem dentição bastante especializada.
Extraindo o máximo de informações dos molares, os paleontólogos verificaram que o P. ucayaliensis não se parece muito com os macacos sul-americanos modernos –mas lembra um primata da Líbia que viveu na mesma época, o Talahpithecus.
O dado bate com a hipótese dominante hoje sobre a origem dos macacos das Américas, segundo a qual eles teriam vindo da África para cá por mar, talvez “saltando” de ilha em ilha até cruzar de vez o Atlântico.
Parece absurdo, mas estudos com outros grupos de animais mostraram que isso é possível –basta que uma fêmea grávida encarapitada numa palmeira, por exemplo, seja arrastada para o mar aberto durante uma tempestade.
É relativamente comum que pedaços substanciais de terra virem “jangadas” oceânicas dessa maneira. Espécies de roedores e répteis da América do Sul também teriam tido origem semelhante, segundo biólogos.
Tais viagens pelo mar parecem ter acontecido, na verdade, em vários lugares do mundo, das Galápagos ao Havaí.
Até anfíbios, para os quais a água salgada do oceano costumar ser letal, já realizaram essas jornadas, seja em troncos ou quando a força da água na foz dos grandes rios lança para longe grandes pedaços de terra, verdadeiras ilhas flutuantes –ao longo de milhões de anos, isso acontece uma quantidade razoável de vezes.

11.070 – Estrelas são 100 milhões de anos mais jovens do que se acreditava


As primeiras estrelas são pelo menos 100 milhões de anos mais jovens do que os cientistas acreditavam. Um estudo feito a partir dos dados do telescópio Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), mostrou que a formação delas se deu 550 milhões de anos após o Big Bang, a grande explosão que deu origem ao Universo há 13,8 bilhões de anos. Os primeiros cálculos dos astrônomos mostravam que as estrelas haviam nascido 440 milhões de anos depois do fenômeno.

enxame-de-estrelas

Antes desse período, o Universo era uma grande massa escura, o que só começou a mudar com o surgimento das primeiras galáxias, entre 300 milhões e 400 milhões de anos após o Big Bang. No entanto, os cientistas dispunham de indícios de que elas sozinhas não teriam força suficiente para tirar o Universo da escuridão antes de 450 milhões de anos após o Big Bang. As novas evidências trazidas pelo telescópio Planck diminuem o problema, pois indicam que inicialmente surgiram as galáxias e, em seguida, suas estrelas.

“Essa diferença de 140 milhões de anos pode não parecer significativa no contexto de 13,8 bilhões de anos do cosmos, mas é uma grande mudança em nossa compreensão de como alguns eventos-chave se desenvolveram nas épocas mais remotas”, afirmou George Efstathiou, um dos líderes da equipe responsável pelo telescópio Planck, à BBC.
As informações para a descoberta foram coletadas por observações feitas entre 2009 e 2013 pelo telescópio espacial lançado pela ESA em 2009. Seu objetivo é estudar a chamada radiação cósmica de fundo, que são os primeiros raios de luz emitidos em toda a história. Nos primeiros momentos após o Big Bang, o Universo era composto por uma mistura muito quente de prótons, elétrons e fótons. Com o passar dos milênios, essa mistura foi se resfriando e, quando chegou a cerca de 2.700 graus Celsius, prótons e elétrons passaram a se juntar, formando os primeiros átomos de hidrogênio e hélio. Assim, os fótons, que são as partículas de luz, ficaram livres para percorrer o cosmos.
Essa mesma radiação primordial está até hoje, mais de 13 bilhões de anos depois, viajando pelas galáxias. No entanto, com a enorme expansão que o Universo sofreu durante esse tempo, esses raios de luz também tiveram seu comprimento de onda expandido. Eles são invisíveis ao olho humano e só podem ser observados por meio de radiotelescópios ou telescópios infravermelhos, como o telescópio Planck.
Apesar de essa radiação estar quase uniformemente distribuída pelo Universo, ela apresenta algumas flutuações pequenas de temperatura, que foram detectadas pelos instrumentos sensíveis do satélite. Essas flutuações representam pontos onde o Universo era mais denso e seriam como sementes das estruturas que formam o Universo hoje em dia, como as estrelas e galáxias de hoje. Trata-se de uma espécie de “luz-fóssil” que, pela primeira vez, pode ser vista em detalhes.

11.068 – Saúde – Agrotóxico eleva risco de autismo


Agrotóxico é perigoso para as grávidas. Num estudo com 970 mulheres, aquelas que moravam perto (a até 1,6 km) de fazendas que usam pesticidas apresentaram 60% mais risco de ter filhos autistas.
Autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais:

* Inabilidade para interagir socialmente;
* Dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos;
* Padrão de comportamento restritivo e repetitivo.
O grau de comprometimento é de intensidade variável: vai desde quadros mais leves, como a síndrome de Asperger (na qual não há comprometimento da fala e da inteligência), até formas graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato interpessoal e é portador de comportamento agressivo e retardo mental.
Os estudos iniciais consideravam o transtorno resultado de dinâmica familiar problemática e de condições de ordem psicológica alteradas, hipótese que se mostrou improcedente. A tendência atual é admitir a existência de múltiplas causas para o autismo, entre eles, fatores genéticos e biológicos.
O autismo acomete pessoas de todas as classes sociais e etnias, mais os meninos do que as meninas. Os sintomas podem aparecer nos primeiros meses de vida, mas dificilmente são identificados precocemente. O mais comum é os sinais ficarem evidentes antes de a criança completar três anos. De acordo com o quadro clínico, eles podem ser divididos em 3 grupos:

1) ausência completa de qualquer contato interpessoal, incapacidade de aprender a falar, incidência de movimentos estereotipados e repetitivos, deficiência mental;

2) o portador é voltado para si mesmo, não estabelece contato visual com as pessoas nem com o ambiente; consegue falar, mas não usa a fala como ferramenta de comunicação (chega a repetir frases inteiras fora do contexto) e tem comprometimento da compreensão;

3) domínio da linguagem, inteligência normal ou até superior, menor dificuldade de interação social que permite aos portadores levar vida próxima do normal.
Na adolescência e vida adulta, as manifestações do autismo dependem de como as pessoas conseguiram aprender as regras sociais e desenvolver comportamentos que favoreceram sua adaptação e auto-suficiência.
o diagnóstico é essencialmente clínico. Leva em conta o comprometimento e o histórico do paciente e norteia-se pelos critérios estabelecidos por DSM–IV (Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da OMS).
Tratamento

Até o momento, autismo é um distúrbio crônico, mas que conta com esquemas de tratamento que devem ser introduzidos tão logo seja feito o diagnóstico e aplicados por equipe multidisciplinar.

Não existe tratamento padrão que possa ser utilizado. Cada paciente exige acompanhamento individual, de acordo com suas necessidades e deficiências. Alguns podem beneficiar-se com o uso de medicamentos, especialmente quando existem co-morbidades associadas.

Recomendações

* Ter em casa uma pessoa com formas graves de autismo pode representar um fator de desequilíbrio para toda a família. Por isso, todos os envolvidos precisam de atendimento e orientação especializados;

* É fundamental descobrir um meio ou técnica, não importam quais, que possibilitem estabelecer algum tipo de comunicação com o autista;

* Autistas têm dificuldade de lidar com mudanças, por menores que sejam; por isso é importante manter o seu mundo organizado e dentro da rotina;

* Apesar de a tendência atual ser a inclusão de alunos com deficiência em escolas regulares, as limitações que o distúrbio provoca devem ser respeitadas. Há casos em que o melhor é procurar uma instituição que ofereça atendimento mais individualizado;

* Autistas de bom rendimento podem apresentar desempenho em determinadas áreas do conhecimento com características de genialidade.

11.067 – Seca – Tirando a água do ar


atacama chile

Entre a longa Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico, no país mais esticado do mundo, está o maior deserto latino-americano, o chileno Atacama. A aridez domina a região e os municípios próximos – são quase 1.500 km de extensão onde a média de chuvas é de 0,1 mm ao ano, com áreas onde a água fica sem cair por séculos. Nesse mar de sequidão, fica a região de Coquimbo, no município de Chungungo, que é banhado pelo mar, e onde choveu apenas cinco vezes em todo ano de 2013. Na área, a média histórica de chuvas é de apenas 100 mm ao ano – contra 1.500 mm em São Paulo, por exemplo. Mas, ao contrário da capital paulista, aqui não falta água – é possível tirá-la do ar.
O que acontece em Coquimbo é que faltam chuvas, mas sobram nuvens hiperúmidas. São as “nieblas costeras”, que se formam sobre a orla, se movem em direção ao continente e acabam aprisionadas por uma serra, num fenômeno chamado de camanchaca, as “chuvas horizontais”. A camanchaca acontece em condições muito específicas de geografia, clima e correntes marítimas, e é bem comum ao longo do litoral peruano e chileno. Essa neblina é composta por minúsculas gotas de água, que, de tão leves, se mantêm suspensas no ar. Se a nuvem encontrar algum tipo de obstáculo, as partículas de água se chocam umas com as outras e começam a se concentrar. Alcançam, então, peso suficiente para cair, virar gotas de água, e deixar um rastro de umidade por onde passam.
Nas regiões em que o fenômeno acontece, é comum encontrar árvores eternamente encharcadas e animais com os pelos molhados o tempo todo. A umidade é visível por aqui. Nas altitudes entre 600 e 1.200 metros, onde o fato é mais intenso, a vegetação é abundante e frondosa – ao contrário das zonas em que as neblinas costeiras não acontecem, e que têm solo seco e pouca flora. Foi observando esse contraste que, há 50 anos, pesquisadores da Universidad de Chile tiveram uma ideia: se a água não cai das nuvens, será que daria para pegá-la de dentro delas? Assim nasceu a ideia dos atrapanieblas (em português, algo como “capta-nuvem”) – artefatos criados para tirar, literalmente, água do ar.
As engenhocas são simples: basta esticar malhas de polietileno de alta densidade (parecidas com as que são usadas para proteger plantações do sol), de até 150 metros de largura, entre dois postes de madeira ou aço. A neblina passa pela malha, mas os fios de plástico retêm parte da umidade, que condensa, vira água e escorre até uma canaleta que leva a um reservatório. O negócio é barato e eficiente: cada metro quadrado da malha capta, em média, 4 litros de água por dia, e um atrapaniebla de 40 m² custa entre US$ 1 mil e 1.500.
Para melhorar, o modelo é 100% sustentável. Não atrapalha a flora e a fauna, e funciona durante quase o ano todo, o que torna possível planejar a produção de água. Mas não para por aí: a verdadeira vantagem é que os atrapanieblas não utilizam luz elétrica. Diferentemente de outros métodos caros de obtenção de água em regiões secas, como a dessalinização da água do mar, eles não precisam de energia para funcionar. O vento trata de espremer as nuvens pelas malhas, e a gravidade cuida de carregar a água até os baldes. Perfeito.
Infelizmente, o projeto não é replicável no mundo todo por causa das condições necessárias de clima e temperatura. Mas países como México e Peru também utilizam a técnica. No árido Estado de Querétaro, na região central do México, e nas secas áreas costeiras do Peru – que inclui a capital Lima, onde a média anual de pluviosidade é de menos de 10 mm, mas cuja umidade relativa do ar chega a 98% -, o projeto já funciona em larga escala. O maior complexo de malha do mundo, contudo, localiza-se em Tojquia, Guatemala: são 60 captadores que, ao todo, compõem uma rede de 1.440 m² e captam quase 4 mil litros de água diariamente, abastecendo cerca de 30 famílias. Sem gastar energia.
Em Chungungo, que não parou de crescer desde a década de 1980, as malhas não são mais suficientes para abastecer toda a população, e a prefeitura teve de recorrer a uma estação de dessalinização do mar para não faltar água. Por isso, há diversos estudos que tentam aumentar a produtividade dos atrapanieblas por aqui.

11.066 – Ecologia – Em Busca da Energia Limpa


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Os 195 países que passaram duas últimas semanas discutindo na Cúpula do Clima (a COP), em Lima, no Peru, o acordo que promete cortar drasticamente as emissões globais de gás carbônico (CO2) até 2050 não apostam apenas no bom-mocismo e na vontade de preservar o planeta como motores para a transformação da sociedade.
Há um esforço conjunto em defender as energias limpas não mais como mera alternativa, mas como a principal forma, econômica e viável, de abastecer a humanidade em um futuro próximo. Para isso, a manobra principal dos preservacionistas é atacar o petróleo, cuja queima, principalmente pela indústria e como combustível de carros, faz o setor de energia representar dois terços das emissões de gases de efeito estufa.
Disse a secretária executiva da COP, a costarriquenha Christiana Figueres: “Os preços do petróleo oscilam muito, e essa imprevisibilidade é um dos maiores motivos para migrarmos para as energias sustentáveis”. Enquanto a exploração do óleo encarece a cada dia, as tecnologias verdes estão gradualmente mais baratas e eficientes. Hoje, 80% da energia vem do uso de combustíveis fósseis. A aposta é que o aumento do custo desse recurso nas próximas décadas, somado a manobras políticas – consolidadas na COP – para tornar sua extração burocraticamente mais difícil, fará com que as opções limpas passem a representar 40% do consumo até 2030 e 90% até 2060.
A economia do petróleo e o incentivo às energias limpas têm relação direta. Se o combustível fóssil fica caro, intensifica-se sua substituição por alternativas renováveis; se está estável ou barateia, diminuem as verbas para outras fontes energéticas. O custo do petróleo está em baixa nos últimos dois anos, o que fez com que empresas optassem mais pelo seu uso e dessem menos atenção a opções verdes. É esse o momento no qual vivemos.
Em dezembro de 2014, o barril do tipo Brent era negociado por cerca de 65 dólares, quase a metade do que era em 2012. “A curto prazo, pode brotar um círculo vicioso, em que diminui o uso das renováveis conforme o óleo, barato, vê sua demanda aumentar”, pontuou na COP o engenheiro alemão Sven Teske, diretor da área de energias renováveis do Greenpeace. “A médio prazo, porém, é inevitável a substituição das fontes sujas. Essa é a primeira COP em que já vemos energias renováveis serem mais econômicas que algumas não renováveis”, completa Teske. Nos últimos cinco anos, o custo de produção das energias solar e eólica caiu 50%, e, com subsídios do governo, elas já saem mais em conta que o gás natural ou o carvão nos Estados Unidos.
A projeção: com o aumento da oferta e da demanda – e ainda o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e baratas de captação -, o preço das fontes limpas continuará a despencar. Estima-se que o custo vá cair ao menos 35% até 2030, em todo o mundo, e 50% até 2050. Em paralelo, o preço do petróleo só aumentará, apesar do atual instante de queda. A expectativa da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) é que chegue a 130 dólares em 2035.
“Para cumprirem com suas metas de corte de emissão de gases de efeito estufa, e de quebra regularem o clima do planeta, os países terão de manobrar para controlar o preço e diminuir subsídios para a extração de combustíveis fósseis. E ainda se mostra necessário estabelecer um valor a ser pago para o que cada nação ou empresa utiliza de carbono”. Como uma dívida assumida por causar poluição e contribuir para o aquecimento global.
A conclusão não é que faltará petróleo no planeta, e por isso teremos de nos adaptar. Mas que a oferta será tão pequena, e controlada, que as energias limpas acabarão por ser a única escolha viável.