Arquivo da categoria: Ciência

10.524 – Medicina – A morte é precedida por sensação de bem-estar (?)


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Isso pode parecer estranho, mas é a conclusão da Universidade de Virgínia. Tal estudo tem reforçado conclusões das principais teorias sobre o tema. Ao analisarem um grupo der pacientes, foi constatado que apresentaram clareza mental, apesar de suas funções cerebrais estarem diminuídas.
A partir do acompanhamento do cérebro de sete pessoas em estado terminal através de eletro encefalogramas (que medem os impulsos elétricos no cérebro), eles descobriram que há uma cascata de impulsos nervosos quando o organismo sente que a morte se aproxima. O fenômeno, geralmente, atinge um pico e decresce. Quando ele acaba, a pessoa normalmente é declarada, embora haja exceções, é claro, de pessoas que acabaram sobrevivendo. A partir delas e de seus relatos, aliás, é que partiu o estudo.
A explicação encontrada para o processo é a seguinte: como o fluxo de sangue no cérebro diminui e há uma queda vertiginosa no nível de oxigênio, os neurônios (células do cérebro) reconhecem o sinal e lançam seus últimos impulsos elétricos em uma descarga rápida e intensa, o que provoca as sensações relatadas. Cada história de sobrevivente de estado terminal tem características únicas, o que mostra que os cérebros reagem de forma diferente a essa derradeira (ou não) descarga nervosa.

10.523 – Medicina – Drogas ilegais que podem ser usadas em tratamentos médicos


Maconha pode ser usada para aliviar a dor – mas ela não é a única droga ilegal que pode ser usada como remédio.
Confira essa lista com outras sete drogas que também servem a propósitos médicos e lembre-se que você não deve, em hipótese alguma, fazer uso delas sem o acompanhamento correto:
O governo dos Estados Unidos, nas décadas de 50 e 60, fez vários testes com o LSD para que ele fosse usado por soldados na guerra, mas pouca gente sabe que a comunidade médica também se interessou pela droga. Estudos dos anos 50 mostraram que ela é eficiente no tratamento contra o alcoolismo em até 50% dos casos. Em um hospital de Maryland, os médicos ofereciam LSD aos seus pacientes de câncer em caso terminal para diminuir a ansiedade deles em relação à morte. Um terço dos pacientes disse se sentir menos nervoso e com menos dores. Durante os anos 60, o LSD foi usado na psicoterapia, para aliviar dores crônicas. Até em doses menores do que as que produzem alucinações, o LSD era mais eficiente do que outros analgésicos. Mais recentemente, Harvard usou LSD para tratar pacientes com enxaquecas, com uma dosagem bem pequena, inferior à que produz alucinações, e diminui as dores dos pacientes.

Cogumelos mágicos
Os componentes dos cogumelos mágicos têm efeitos similares aos do LSD, especialmente no tratamento de enxaquecas. Uma quantidade bem inferior àquela que produz alucinações pode diminuir a freqüência das crises de enxaquecas, com os pacientes podendo passar até seis meses sem ter uma única crise.

Ecstasy
O componente que deixa os usuários do ecstasy tão alegres também pode ser usado para tratar distúrbios de ansiedade. Também seria eficiente para diminuir os sintomas de Parkinson liberando serotonina no organismo.Vítimas de estresse pós-traumático também mostram uma resposta positiva nos tratamentos com a droga.

cocaina

Cocaína
Bem antes de ser usada em “carreirinhas” a cocaína era considerada um remédio milagroso, que poderia ser usada para curar desde alcoolismo até febres. Apesar da medicina moderna ter descoberto tratamentos mais seguros, a droga ainda é usada, muitas vezes, como anestésico para cirurgias nos olhos, no nariz e na garganta. Também foi usada como tratamento para pacientes que sofrem com dores de cabeça severas. A planta que produz a cocaína, a coca, têm menos alcalóides e foi usada por muitos séculos na medicina dos americanos nativos.

heroina

 

Heroína
É conhecida como um dos mais eficientes analgésicos do mundo! Ainda é usada para tratar dor extrema, no caso de pacientes com câncer nos ossos, por exemplo. A literatura médica indica a heroína como um analgésico mais seguro do que opiatos sintéticos usados hoje.

ketamina

Ketamina
É um tranqüilizante de animais conhecido como “o K especial”. Provou que pode tratar e curar depressão, até mesmo em pessoas que não mostraram reação a outros tipos de tratamento. O mais interessante é que a droga é capaz de consertar conexões no cérebro que foram danificadas por estresse crônico.
Anfetaminas
São usadas hoje para tratar várias doenças, incluindo narcolepsia e déficit de atenção. Algumas pesquisas mostraram que elas podem ser eficientes até no combate contra a obesidade. Outro uso surpreendente é na recuperação de pacientes que sofreram um ataque cardíaco.

10.520 – Biologia – Para que serve a cor da pele?


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Nossos ancestrais mais antigos tinham pele clara, coberta de pelos escuros, igual nossos parentes mais próximos, os chimpanzés. Mas foram perdendo os pelos do corpo. A pele clara ficou exposta à radiação solar dos trópicos, onde viviam. Para sobreviverem a tanto sol, sua pele começou a produzir melanina, pigmento que dá cor à pele e que funciona como protetor contra os raios UV.
Só que os raios UV, tão nocivos por um lado, têm também uma função importante: ativam a produção da vitamina D, essencial para a formação dos ossos. Tudo ia bem nos trópicos: a pele escura filtrava os raios UV, mas mesmo assim a quantidade que atingia a pele era suficiente para sintetizar a vitamina D. Até que nossos ancestrais resolveram se aventurar pelo mundo. Ao chegar em regiões frias, a pele escura virou um sério problema: filtrando a pouca radiação solar disponível, a pele não conseguia receber radiação solar suficiente para a produção da vitamina D. Naquele momento, a sobrevivência demandava uma despigmentação da pele. Quanto menos radiação solar tinha a região, mais despigmentada a pele tinha que ser, para maximizar a produção da vitamina D.
E assim, como resultado da seleção natural, o ser humano atingiu um equilíbrio: em regiões quentes, as populações nativas têm pele escura; em regiões frias, as populações nativas têm pele clara. Sempre com a finalidade de proporcionar tanto fotoproteção quanto síntese da vitamina D.
Com as migrações dos últimos séculos, muitos grupos humanos passaram a viver em regiões para as quais sua pele não está adaptada. Dois casos:
-Os ingleses que se estabeleceram na Austrália nos séculos XIX e XX. Não é por acaso que a Austrália hoje tem um dos maiores índices de câncer de pele do mundo.
-Os indianos e os paquistaneses que se mudaram para o norte da Inglaterra em décadas recentes. Por muito tempo não se sabia por que eles sofriam de doenças relacionadas à deficiência de vitamina D, como raquitismo e osteoporose. A pele deles, adaptada à sua terra de origem, é a explicação.
Fonte: Department of Anthropology, California Academy of Sciences

10.511- O que a Ciência (não) explica


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Quanto mais acumulamos teorias ou inovações tecnológicas, maior a sensação de andar em círculos.
Desde o surgimento do homem moderno, há cerca de 200 mil anos, queremos responder as mesmas questões. apesar dos avançoes científicos, nunca achamos respostas.
“A combinação de um universo com idade finita, o tempo passado desde o Big Bang e a velocidade da luz, limita de forma insuperável o quanto podemos cosínhecer do cosmos”, escreveu Marcelo Gleiser em seu último livro.
Alquimia
Transformar metais básicos em ouro? Imortalidade? Nesse sentido, a Alquimia se mostrou inútil, uma vez que soluções mágicas só existem na ficção e não na natureza. A Filosofia e as Ciências ainda buscam respostas.
De Albert Einstein surgiu o conceito de que o espaço e o tempo são elásticos. Isso levaria a revisão de teorias clássicas.
Com aceleradores de partículas construídos na Suíça em 2012, chegou-se a fotografia do bóson de Higgs. Criado instantes após o Big Bang, tal partícula desacelerou as outras, convertendo energia em massa e assim formando o nosso mundo. Se o bóson de Higgs não fosse descoberto, as teorias que o prediziam seriam demolidas e toda a Física iria ruir.

10.507 – Uma turbina eólica que produz água potável


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A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 40% da população do planeta sofra com crises hídricas. E aqui no Brasil, não precisamos ir muito longe. Há décadas a região Nordeste enfrenta a miséria provocada pela seca e atualmente, até a capital do estado mais rico do país, reza por chuva em seus reservatórios vazios.

De olho neste cenário – e inspirado pelos antigos moinhos de vento de seu país natal, o holandês Piet Oosterling criou uma solução inovadora: a turbina eólica que produz água potável. E lógico, também gera energia.

Olhando no horizonte, a turbina parece igual a tantas outras. A única diferença entre o modelo AW e outras tradicionais está nos tanques de água acoplados na haste. Para entender o funcionamento dela, o mais fácil é pensar no ar condicionado do carro. Quando ele está ligado e é um dia quente, muitas vezes há água condensada embaixo do aparelho. A tecnologia holandesa opera de forma similar.

Basicamente, o que a empresa Dutch Rainmaker desenvolveu é uma tecnologia que utiliza energia eólica para extrair água a partir do ar. A turbina aciona quatro compressores. Quando o ar é forçado através dos permutadores de calor e resfriado, a água contida no ar se condensa e as gotas que se formam são coletadas pelos tanques. Em seguida, a água é mineralizada e pode ser utilizada para consumo humano ou para agricultura. “A turbina consegue produzir uma média de 7.500 litros de água diariamente”.

De acordo com a ONU, cada pessoa necessita de cerca de 110 litros de água por dia para atender necessidades de consumo e higiene. É bom lembrar que na África subsaariana o consumo per capita é de 10 a 20 litros por dia. No meio rural do semiárido nordestino este número cai para 6 litros.

O funcionamento da turbina eólica que produz água potável depende de condições climáticas apropriadas. Piet Oosterling explica qual seria o ambiente ideal. “Os fatores mais importantes são vento e temperatura. A temperatura deve estar entre 15 e 45 graus Celsius e é necessária umidade mínima do ar de aproximadamente 20%”.

Entre as principais vantagens do sistema, se comparado ao de dessalinização da água, por exemplo, são baixo custo operacional e emissão zero de carbono. Como é autossuficiente, o equipamento pode ser instalado em áreas remotas, já que não depende de água nem eletricidade para funcionar. Se houver vento, até em desertos o AW pode ser instalado.

O inventor acredita que as regiões que mais seriam beneficiadas com a turbina que produz água potável seriam Oriente Médio, África, Austrália, Índia, ilhas tropicais e subtropicais e alguns países do continente americano, entre eles, o Brasil.

Já há duas turbinas em funcionamento. Uma na cidade de Leeuwarden, na Holanda, e outra no Kuwait. A intenção da Agência de Proteção Ambiental daquele país é ter futuramente 50 máquinas para irrigar zonas de plantio.

A empresa produz ainda outro modelo de turbina eólica, a WW. Esta foi desenvolvida para ser instalada em regiões onde há água, mas poluída ou salgada (oceanos, lagoas, rios). Além da produção de energia, o equipamento também purifica a água do local.

Invenções sustentáveis, que podem ser utilizadas ao redor do mundo.

 

 

10.506 – Bactérias modificadas “comem” tumores em teste com animais e humanos


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Injetar bactérias geneticamente modificadas num tumor que já resistiu a vários tratamentos não parece a mais lógica das abordagens, mas foi o que fizeram cientistas nos EUA –e com um grau considerável de sucesso.
Ocorre que os micróbios são capazes de, ao mesmo tempo, “comer” pedaços do tumor e evitar danos aos tecidos saudáveis do paciente, mostra a pesquisa publicada na edição desta semana da revista especializada “Science Translational Medicine”.
Os resultados, ainda muito preliminares, apesar de encorajadores, foram obtidos em testes com ratos, cães e com uma única paciente humana –outras pessoas devem participar dos ensaios clínicos em breve.
“Ainda estamos na fase 1 dos testes clínicos, cujo objetivo é verificar apenas se a terapia é segura. Ainda não temos como comparar essa abordagem com outros tratamentos contra o câncer, e é cedo para dizer quais tumores seriam mais vulneráveis a ela”, disse à Folha o médico Saurabh Saha, da empresa de biotecnologia BioMed Valley Discoveries.
A firma pretende transformar as descobertas em produtos caso tudo corra bem.
Saha e seus colegas desenvolveram sua própria variedade, ou cepa, da bactéria Clostridium novyi, que pode causar infecções graves em pessoas e animais.
A questão, porém, é que se trata de um micróbio anaeróbico, ou seja, que precisa de um ambiente pobre em oxigênio para se multiplicar. Foi isso que levou os cientistas a pensarem nela como arma.
É que o crescimento desordenado dos tumores faz com que, no interior deles, surjam regiões cheias de células com baixo suprimento de oxigênio –células que, aliás, são resistentes à quimioterapia ou à radioterapia. Surgiu, portanto, a ideia de enviar a C. novyi a essas áreas.
Antes disso, porém, os cientistas “deletaram” parte do DNA da bactéria, um gene que normalmente permite que o micróbio produza uma toxina bastante agressiva.
As bactérias foram então injetadas diretamente nos tumores –primeiro em ratos com uma forma artificial e agressiva de câncer cerebral, depois em cães que tinham desenvolvido naturalmente a doença e, finalmente, em uma mulher de 53 anos com um tipo de câncer muscular, já em fase de metástase (espalhamento pelo organismo).
A abordagem dobrou a expectativa de vida dos ratos e eliminou ou reduziu bastante o tumor em 40% dos cães. O tumor no ombro da paciente humana também ficou praticamente destruído, sem células viáveis sobreviventes.
“Até onde sabemos, o mais importante para esse sucesso foi a injeção direta da bactéria no tumor e a preferência dela por ambientes com pouco oxigênio”, explica Saha. Com isso, o micróbio atacou apenas a massa de células no interior do tumor.
Houve efeitos colaterais em todos os casos, os quais lembram muito uma infecção tradicional: inchaço, dor e febre. “Quando a bactéria conclui seu trabalho, podemos controlá-la com antibióticos tradicionais”, diz o médico.
Para o biólogo Tiago Góss dos Santos, pesquisador do A.C. Camargo Cancer Center, os resultados parecem promissores, em especial por se tratar de um trabalho inicial.

10.505 – Evolução de Espécies – Neandertais coexistiram com os humanos na Europa por até 5,4 mil anos


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Uma nova análise de amostras de 40 sítios arqueológicos permitiu precisar que os neandertais coexistiram na Europa com os humanos modernos durante um período de 2.600 a 5.400 anos. A partir de uma técnica melhorada de datação por radiocarbono, pesquisadores liderados por uma equipe da Universidade de Oxford detalham em um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature que os neandertais desapareceram da Europa há 40 mil anos. De acordo com os autores, não se tratou de uma extinção abrupta, mas um processo gradual que seguiu seu próprio ritmo em diferentes pontos do continente.
A nova cronologia destaca o padrão que se seguiu ao desaparecimento dos neandertais e sugere que “provavelmente algumas pequenas povoações sobreviveram em pontos específicos da Europa antes de serem extintas”, explicou Thomas Higham, responsável pela pesquisa. O estudo destaca que os milênios nos quais os neandertais e os humanos modernos coexistiram no continente representam um tempo amplo para a transmissão de comportamentos culturais e simbólicos, assim como para possíveis intercâmbios genéticos.
Os pesquisadores descrevem a Europa desse período de transição, entre o paleolítico médio e superior, como um “mosaico de povoações”. De acordo com os autores do estudo, há 45 mil anos, antes que começasse esse processo de mudança, a Europa era essencialmente neandertal, com pequenos redutos de humanos modernos em certas regiões. Essa distribuição mudou nos milênios seguintes, uma evolução que foi forjada ao longo de 25 a 250 gerações, dependendo da localização geográfica.
Álvaro Arrizabalaga, professor da Universidade do País Basco e um dos autores do estudo, especificou que a grande pergunta ainda pendente de confirmação é se houve intercâmbio cultural e genético entre ambos os grupos na Europa. “Sabemos que aconteceu essa troca no Oriente Médio”.
Determinar a relação espacial e temporal entre os neandertais e os humanos modernos é essencial para compreender o processo que levou ao desaparecimento dos primeiros. As limitações técnicas foram os desafios mais sérios para os pesquisadores nesse campo, já que as amostras arqueológicas que se aproximam da fronteira dos 50 mil anos têm muito pouco carbono-14, o que torna difícil obter datações precisas.

10.504 – Antropologia – O que sabemos sobre os Neandertais?


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Houve cruzamento entre os neandertais e o homem moderno?
De acordo com João Zilhão, arqueólogo português e pesquisador da Universidade de Barcelona, isso está provado pela anatomia de fósseis dos primeiros europeus da época posterior ao primeiro contato com o homem moderno. Esses fósseis apresentam alguns traços característicos dos neandertais. Além disso, mais recentemente, o cruzamento também foi comprovado com a comparação do genoma de um neandertal com o de indivíduos atuais de vários continentes. Essa comparação evidencia que a contribuição neandertal para o genoma humano persistiu até o presente e em porcentagem significativa.
Não se sabe ao certo por que os neandertais desapareceram da Terra há 30.000 anos. Algumas hipóteses, não excludentes, são epidemias, catástrofes naturais ou o extermínio por outras populações. O que se sabe é que os neandertais foram assimilados pelos homens modernos, por meio de cruzamentos, e sucedidos pelas populações originárias de África que ocuparam gradativamente a Europa e Ásia a partir de 50.000 anos atrás.
De acordo com Zilhão, o neandertal é uma subespécie do Homo sapiens. Por definição, se houve miscigenação importante entre os dois grupos, isso significa que eram “subespécies” ou “populações” de uma só espécie biológica, não duas espécies distintas. Vanessa Paixão-Côrtes, pesquisadora da área de genética e evolução, lembra, contudo, que a categorização de espécies é algo muito difícil. A questão ainda é amplamente discutida, apesar de tanto o homem moderno quanto o neandertal serem considerados humanos.
Os neandertais também exercitavam o pensamento abstrato e faziam uso de símbolos. Eles enterravam os mortos, usavam objetos de adorno pessoal, pintavam os corpos com tintas minerais, usavam utensílios de osso e marfim com marcas decorativas abstratas e desenvolveram uma sofisticada tecnologia do fogo. Essa técnica incluía a fabricação da mais antiga matéria-prima artificial da humanidade – uma resina utilizada para fazer tinta – através de processos que só encontram equivalente nos fornos de cerâmica do Período Neolítico, muitos milhares de anos depois.

10.503 – Toxicologia – As toxinas bacterianas


São substâncias capazes de causar danos ao organismo animal. Podem ser classificadas como endotoxinas e exotoxinas. As toxinas são definidas como substâncias solúveis, usualmente de natureza protéica, que alteram o metabolismo normal da célula ou tecido hospedeiro com efeitos deletérios nos mesmos.
As endotoxinas possuem atividades biológicas diversificadas e complexas. Podem se ligar a diversos tipos de células do organismo, principalmente às proteínas séricas específicas, as LBPs, provocando uma resposta do organismo, o que pode finalizar em uma septicemia em humanos. Sua produção está presente no LPS da membrana externa da parede celular, sendo liberado somente após destruição da bactéria.
Quando a infecção é causada por uma bactéria Gram-negativa, ocorre o rompimento da célula bacteriana e liberação da endotoxina, provocando uma resposta do sistema imune humano, em geral como febre, fraqueza, dores, choques e vasodilatação. Em grandes quantidades, a toxina pode levar a septicemia, e, conseqüentemente, a morte.
As principais doenças causadas por endotoxinas são: febre tifoide, infecções no trato urinário e meningite meningocócica.
Quando a infecção é causada por uma bactéria Gram-positiva, a toxina liberada pela parede bacteriana tem efeito semelhante à provocada pelas endotoxinas.
As exotoxinas são divididas em três grupos, de acordo com as suas interações com as células do hospedeiro. Afetam principalmente funções celulares, células nervosas e trato gastrointestinal.
No primeiro grupo, encontramos os superantígenos e as toxinas ST, que atuam somente na superfície das células. Entre as bactérias que produzem superantígenos, as mais frequentes e estudadas são Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. As toxinas ST (toxinas termoestáveis) são produzidas principalmente pela Escherichia coli (ETEC), atacando as células do epitélio intestinal, causando principalmente diarreia.
No segundo grupo, as toxinas danificam a membrana do citoplasma, causando morte celular. As bactérias usam essas toxinas para matar fagócitos e romper a membrana dos fagossomas. Também lisam hemácias para obter ferro da hemoglobina. Essas toxinas formam poros na membrana celular.
No terceiro grupo está o maior número de toxinas e as mais importantes como fatores de virulência. Neste grupo encontramos as seguintes toxinas: toxina diftérica, toxina colérica, LT, Toxina de Shiga, toxina botulínica, toxina tetânica, toxina pertussis (coqueluche), adenilato ciclase invasiva (coqueluche) e exotoxina A (infecções pulmonares em pacientes com fibrose cística).
Existe também um grupo importante de proteínas que são injetadas diretamente do citosol das células do hospedeiro, causando os mais diversos efeitos.
Hialuronidases, colagenases e proteases são enzimas hidrolíticas produzidas por muitas bactérias e são capazes de degradar componentes da matriz extracelular, desorganizando a estrutura dos tecidos, gerando uma série de nutrientes que são utilizados pelas bactérias.

10.502 – Envenenamento – A Histamina no Pescado


O envenenamento por histamina é um problema a nível mundial e ocorre em países onde se consome pescado contendo altos níveis da substância. Os pescados possuem três causas de deterioração: por alteração autolítica, oxidativa e microbiana; e ocorrem alterações bioquímicas produzidas por este crescimento microbiano.
A histamina é formada no peixe post mortem através da descarboxilação bacteriana do aminoácido histidina. Algumas espécies de peixes possuem uma alta quantidade de histidina como a família Scombridae, como o atum, cavala, cavalinha e bonito, mas podem estar também envolvidas espécies não escombroides como o camarão e a sardinha. As bactérias que produzem a histamina são Morganella morganii, Klebsiella pneumoniae, Hafnia alvei, Vibrio sp, Clostridium e Lactobacillus sp.
A histamina no peixe é um problema de saúde publica e causa no ser humano intoxicação e processo alérgico. A legislação brasileira (Portaria nº 185 de 13/05/1997) estabelece um limite máximo de 100 ppm para pescados formadores de histamina. O método laboratorial de identificação e quantificação mundial é por cromatografia liquida de alta eficiência. O grande problema é que a histamina é termoestável, ou seja, depois de formada, nem esterilização a inativa. Além disso, ela não modifica as características sensoriais, não sendo detectada facilmente.
O termo aminas biogênicas refere-se a aminas não voláteis tal como a cadaverina, putrescina, espermidina, espermina, tiramina, triptamina e histamina, produzidas após a morte do peixe. Além da histamina, estas outras aminas biogênicas cuja ocorrência no peixe deteriorado é bem conhecida, podem ser formadas e estas potencializam a ação da histamina, e ao ingerir causa um quadro clínico mais severo.
O controle da produção da histamina é a manutenção do peixe à baixa temperatura durante toda a armazenagem, o que diminui a atividade microbiana, e manter a higiene desde a captura até a mesa do consumidor. Todos os estudos parecem concordar que a armazenagem a 0°C ou muito próximo desta temperatura limita a formação de histamina no peixe a níveis desprezíveis.

10.501 – O que é Androginia?


O termo androginia é definido como a mistura de características femininas e masculinas e um único indivíduo, ou ainda, uma forma de descrever um ser que não é nem do sexo feminino e nem masculino.
O ser humano andrógino, com relação à identidade de gêneros, é um indivíduo que não se encaixa adequadamente nas típicas classificações dos papéis de gênero feminino e masculino estabelecidas pela sociedade. Muitas vezes, os indivíduos andróginos se classificam como estando em um limbo entre feminino e masculino, ou como totalmente sem gênero.
Comumente, os andróginos do sexo masculino utilizam alguns adereços femininos, enquanto que andróginos do sexo feminino utilizam adereços masculinos. Muitos pressupõem que se trata de homossexuais ou bissexuais, o que não é verdade, pois a androginia ou está ligada ao comportamento e à aparência individual de um indivíduo ou mesmo à com a sua orientação sexual. Sendo assim, pessoas andróginas podem se identificar com homossexuais, bissexuais, heterossexuais, assexuais ou pansexuais.
De acordo com a Psicologia, a androginia consiste em uma disforia de gênero, responsável por uma condição psíquica na qual o indivíduo como não fazendo parte nem do sexo feminino e nem masculino, mas sim um indivíduo do sexo híbrido, mentalmente falando.
Não é de hoje que se conhece e se discute sobre androginia. A mitologia grega está repleta de seres andróginos, como descritos em “O Banquete”, escrito pelo filósofo Platão.
A androgenia têm se apresentado em ascensão no século XXI. A moda contemporânea vem analisando há anos a influência da androginia no estilismo, bem como uma cultura pop de aceitação, influenciando várias tendências definidas pelas atuais estrelas pop do momento.

10.497 – Evolução de Espécies – Abiogênese x Biogênese


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O homem sempre teve muita curiosidade em conhecer suas origens, sua história. Há muito tempo ele procura uma explicação para a criação do mundo. Antes de Aristóteles (384 – 322 a.C.) as únicas proposições sobre a origem da vida eram baseadas em deuses, mitologias e na criação divina. A partir de então, muitos cientistas passaram a estudar e formular hipóteses. A teoria mais aceita sobre a origem do universo é a do Big Bang.
Abiogênese x Biogênese
A teoria da abiogênese ou geração espontânea foi a primeira idéia proposta pela origem da vida e teve uma participação muito importante do filósofo grego Aristóteles. Naquela época, como Aristóteles influenciava o pensamento de muitas pessoas, e até de grandes cientistas, essa teoria foi muito aceita.
Nessa teoria, os seres vivos podiam brotar a partir da matéria orgânica. Sapos poderiam brotar dos pântanos, vermes brotavam das frutas. Um médico chamado Jan Baptista van Helmont elaborou uma receita de como fabricar ratos por geração espontânea, que consistia em colocar grãos de trigo em camisas sujas e esperar alguns dias. Ele estava tão envolvido com essa idéia que não foi capaz de imaginar que os ratos na verdade eram atraídos pela sujeira, e não brotavam nessa “receita”.
Queda da abiogênese
Francesco Redi (1626-1697), um médico Italiano, realizou alguns experimentos que comprovaram que a teoria da geração espontânea estava errada. Na teoria, vermes brotavam de cadáveres e alimentos podres. Ele observou que esses vermes não brotavam, mas sim se originavam de ovos que eram depositados pelas moscas.
Em seu experimento utilizou frascos, cadáveres de animais e pedaços de carne. Cada frasco continha carne e cadáver. Alguns frascos foram vedados com gaze e outros não. Nos frascos vedados, não houve formação de larvas, mas nos frascos em que o conteúdo ficou exposto, muitas larvas se desenvolveram, pois as moscas entravam e saíam com liberdade.
Mesmo após isso, alguns cientistas insistiam na teoria da abiogênese. John Needan, em 1745 afirmou que os seres vivos surgiam por geração espontânea graças a uma força vital. Ele realizou um experimento onde preparou um caldo nutritivo, colocou em alguns frascos, ferveu por 30 minutos e os vedou com rolha de cortiça. Mesmo assim, depois de alguns dias apareceram alguns microorganismos no caldo. Needan acreditava que a fervura e a vedação da rolha eram suficientes para impedir a entrada de microorganismos.
Mais tarde, Lazzaro Spallanzani repetiu os experimentos e concluiu que a vedação utilizada e o tempo de fervura eram insuficientes para matar os microorganismos. Needam se defendeu dizendo que o tempo prolongado de fervura destruía a força vital do caldo nutritivo.
O fim da abiogênese
Louis Pasteur, na década de 1860, realizou experimento que derrubou de vez a teoria da abiogênese. Realizou experimentos utilizando frascos de vidro que possuíam o gargalho semelhante à pescoços de cisne. Dentro havia um caldo nutritivo. Esses frascos com caldo foram fervidos e deixados em repouso por alguns dias. Não houve formação de microorganismos, pois a água que evaporou do caldo ficou retida nas paredes do gargalo e funcionou como um filtro de ar, e os microorganismos ficavam retidos nele, não entrando em contato com o caldo. Pasteur quebrou os gargalos e deixou o caldo em contato com o ar. Após alguns dias ele observou o desenvolvimento de microorganismos no caldo, que antes estavam no ar.

10.491 – Epidemia do Ebola – Números ‘subestimados’, diz OMS


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A Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou nesta quinta-feira, em Genebra, que a amplitude da atual epidemia de ebola no oeste da África foi “subestimada”. Segundo a organização, os números reais do surto podem ser maiores do que os casos registrados até agora. “As equipes presentes nas zonas de contaminação viram evidências de que os números de casos e de mortes foram amplamente subestimados”, destacou a OMS em comunicado, sem apresentar uma estimativa dos casos não contabilizados. Oficialmente, o atual surto de ebola contaminou 1.975 pessoas, matando 1.069 delas.
Diante da crise, a OMS declarou que coordena uma “ampliação massiva da resposta internacional, por meio da ajuda de diversos países, das agências de controle de doenças e de órgãos das Nações Unidas”. “Antecipando que a epidemia vai continuar por algum tempo, o plano operacional de resposta da OMS se estenderá pelos próximos meses”, assinala o comunicado.

Droga experimental – A atual epidemia de ebola, a mais grave desde o surgimento da febre hemorrágica em 1976, matou 377 pessoas na Guiné, 355 na Libéria, 334 em Serra Leoa e três na Nigéria. Os quatro países se encontram em estado de emergência sanitária para tentar frear a propagação do vírus. Diante do avanço da febre hemorrágica, a Libéria começou as obras para ampliar o único centro de tratamento da capital. O país recebeu recentemente doses do soro experimental americano ZMapp. O medicamento teve resultados positivos em dois americanos contaminados pelo ebola na Libéria, mas que não conseguiu salvar um padre espanhol morto na terça-feira após ser repatriado para Madri. A princípio, o soro será administrado apenas em dois médicos liberianos.

10.488 – Megacurtíssimas – Poeira estelar contém água


Cientistas do governo americano  descobriram que a poeira estelar (grãos de pó que estão presentes no espaço) contém moléculas de água – o que aumenta a possibilidade da existência de vida no Universo. Esse pó, que é formado principalmente por resíduos de cometas, contém moléculas de oxigênio.Conforme viaja pelo Universo, ele recebe íons de hidrogênio do Sol – e essa combinação entre oxigênio e hidrogênio resulta em H2O, ou seja, água. A poeira estelar também pode conter carbono, o outro ingrediente essencial para o surgimento de vida

10.487 – Planeta Terra – Clima Extremo


O calor infernal nas regiões Sul e Sudeste no começo desse ano parece um evento singular. Mas uma breve retrospectiva da história do planeta nos últimos anos mostra que esses episódios estão se tornando cada vez mais comuns. Pode apostar sem medo de errar: haverá outras ondas de calor tão fortes ou mais que essa ao longo das próximas décadas. Esses são os chamados eventos extremos. Nisso se enquadram a ampliação do número de furacões por temporada, as secas na Amazônia, as ondas de calor e os alagamentos, entre outros.
O aumento da frequência dos eventos extremos é o principal sintoma das mudanças climáticas – que vão muito além do calor. É o que cientistas falam há anos.Pode parecer paradoxal, mas os modelos climáticos explicam como o aumento médio de temperatura da Terra leva a invernos mais rigorosos.

Sobre o Polo Norte, existe o que os cientistas chamam de vórtice polar. É um ciclone permanente que fica ali, girando. Em sua força normal, ele segura as frentes frias nessas altas latitudes. Mas, com a temperatura da Terra cada vez mais alta, existe uma tendência de que o vórtice polar se enfraqueça. Assim, as frentes frias, antes fortemente presas naquela região, se dissipam para latitudes mais baixas. E o friozão polar chega aos Estados Unidos. Mudança climática não é sinônimo puro e simples de aumento de temperatura média da Terra. Outros processos, que envolvem a possível savanização da Amazônia, o aumento dos desertos e o deslocamento das regiões mais propícias para a agricultura, também estão inclusos no pacote.
Quando se tem mais energia armazenada na atmosfera, há múltiplas (e violentas) maneiras de dissipá-la. Antes dessa onda de calor desértico no verão brasileiro, podemos lembrar o furacão Catarina, que afetou a costa do sul do Brasil em 2004. Foi a primeira vez que um ciclone tropical atingiu com força nossa costa. É uma energia que não estava na atmosfera antes, mas agora está lá. Ou as chuvas e deslizamentos de terra no verão de 2011, na região serrana do Rio de Janeiro, que mataram cerca de mil pessoas – a maior tragédia natural da história do Brasil.
Uma iniciativa dedicada a investigar essa questão é o Projeto Primo, coordenado por José Marengo, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “O projeto quer aprofundar os conhecimentos relacionados às mudanças climáticas e aos desastres naturais no Brasil”, diz. A ideia é compreender as variabilidades e as tendências climáticas diante de um mundo em transformação, apontando os efeitos que isso poderá ter. Um exemplo de fenômeno que exige maior investigação é justamente a onda de calor que nos assolou. Ela veio junto com um aumento de temperatura de até 3 ºC nas águas que banham a costa do Sudeste e do Sul, causado pela ausência de nuvens. O fenômeno aconteceu por conta de mudanças no padrão das correntes de ar sobre o Atlântico, que criou um bloqueio contra as frentes frias no continente. Por isso só chovia mais ao Sul, e na maior parte das vezes, no oceano. O resultado foi uma onda de calor atípica, pela intensidade e pela duração. Se os modelos climáticos estiverem certos, a tendência é que fenômenos como esse voltem a se repetir mais e mais vezes. Mesmo assim, não há como traçar a cadeia exata de eventos que liga o aquecimento global a esse episódio em particular.

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Nos últimos tempos, os chamados “céticos do clima” têm apontado uma tendência à estabilização da temperatura média. Se analisarmos os últimos 15 anos, veremos flutuações ano a ano, mas sem uma curva clara de aumento. Aí mora o erro. Os pesquisadores do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC), órgão da ONU que consolida as descobertas sobre a transformação do clima, apontam que 15 anos é um período irrelevante. A análise de dados desde o século 19 revela um aumento de temperatura cada vez mais acentuado a partir da década de 1960.
Além disso, é preciso lembrar que há um consenso crescente entre os astrônomos de que o Sol está entrando numa fase de baixíssima atividade. Cogita-se que ele esteja no mesmo patamar da época da chamada “pequena era do gelo”. Ocorrida entre 1645 e 1715, ela ficou marcada por invernos rigorosos na Europa e coincidiu com a baixa frequência de manchas solares. Ou seja, o calorão está de rachar mesmo com o Sol dando uma trégua.
Ainda não está claro como essas mudanças no ciclo de atividade solar influenciam o clima na Terra, mas é possível que o fenômeno possa ter ajudado a dar uma aplainada na tendência de aumento de temperatura.
Se o Sol estiver mesmo esfriando, trata-se de uma possível boa notícia. Com essa mãozinha de nossa estrela-mãe, talvez ganhemos algumas décadas para reduzir as emissões de gases-estufa antes que a temperatura volte a seguir a trajetória de aumento. Mas gases como CO2 permanecem pelo menos cem anos na atmosfera assim que os soltamos nela. Então, não há tempo a perder.

10.484 – Curiosidades – Os parasitas zumbis mais sinistros do mundo


Se você é fã de filmes de terror e games de mortos-vivos, já deve ter se deparado com vários parasitas de arrepiar os cabelos, capazes de invadir os corpos de suas vítimas e transformá-los em escravos sangrentos. Mas você sabia que existem criaturas zumbis de verdade vivendo na natureza e que podem ser encontradas nos mais inusitados locais?

fungo maldito

Fungos malditos
pertence a um gênero de fungos chamado Cordyceps, que conta com aproximadamente 400 espécies descritas, todas elas parasitas. Esses seres atacam principalmente insetos e outros artrópodes, tomando seus corpos completamente e inclusive afetando seu comportamento.
Uma das espécies desse fungo, a Cordyceps unilateralis, por exemplo, depois de infectar formigas e transformá-las suas hospedeiras, faz com que elas subam à parte mais superior das plantas e fiquem agarradas ali antes de morrer, de forma que espalhem a maior quantidade possível de esporos do fungo, que brotará do interior do inseto morto.

Craca perversa
Embora já tenha sido confundido com um fungo, é uma pequena espécie de crustáceo marinho chamada de Sacculina, que ataca os caranguejos. Depois de encontrar uma vítima, a fêmea descarta mais de 90% do próprio corpo, reduzindo-se a um agrupamento de células que se ramificam no interior do hospedeiro.
Uma vez tenha dominado o organismo do caranguejo, a craca fêmea abre um pequeno orifício para que o macho entre e os dois possam acasalar. Caso o hospedeiro seja fêmea, o parasita faz com que a “carangueja” carregue e distribua as larvas de Sacculina pensando que se tratam de seus próprios caranguejinhos, e se o hospedeiro for macho, a craca provoca uma transformação que faz com que o caranguejo se comporte como fêmea.

Caracóis possuídos
Embora o caracol em questão pareça uma espécie colorida e diferente, na verdade ele teve o corpo “possuído” por uma espécie de verme chamada Leucochloridium. Esses seres espertinhos, apesar de invadir as lesmas, só completam o seu ciclo de vida nos corpos de determinados pássaros. Portanto, além de usar os caracóis como isca, também são capazes de alterar seu comportamento e aparência, de forma que fiquem mais atraentes para as aves.

ra mutante

Rãs mutantes
Este curioso parasita, apesar de não controlar a mente de seus hospedeiros como os exemplos anteriores, é capaz de transformar suas vítimas em verdadeiros monstros. Chamado Ribeiroia, trata-se de um verme que infecta as rãs e provoca deformações em seus membros com o objetivo de torna-las alvos fáceis para seus predadores naturais. Dessa forma, os parasitas acabam sendo transportados de carona de uma lagoa a outra.

Formigas-vampiro
Mais um parasita capaz de transformar o comportamento do hospedeiro. Conhecido como Dicrocoelium dendriticum, ele habita o fígado dos bovinos, contaminando suas fezes com pequenos ovinhos, que são comidos pelas formigas. As larvas infectam os cérebros dos insetos que, então, passam a se comportar como se fossem vampiros!
Assim, em vez de voltar para os formigueiros todas as noites, as formiguinhas sobem até as extremidades das folhas e ficam lá, agarradas até a manhã seguinte. A larva faz com que as formigas se comportem dessa forma para que sejam comidas pelo gado juntamente com o pasto — e assim recomeçar o ciclo —, e o inseto fica nas pontas das folhas durante a noite para não morrer pela ação do sol e não matar as larvinhas parasitas.

Uma mosca do mal
Apesar de ser uma mosquinha pequenina, parente das drosófilas que se proliferam junto às frutas, a Pseudacteon tem um comportamento bem sinistro. As fêmeas dessa espécie põem ovos nos corpos de formigas, e as pequenas larvas invadem as cabeças das coitadinhas e devoram os seus cérebros. O pior é que as formigas não morrem imediatamente, vagando durante dias feito verdadeiros zumbis até que suas cabeças eventualmente caiam.

vespas malignas

Vespas malignas
Existem na natureza inúmeros insetos parasitoides, e um dos mais sinistros provavelmente é o Glyptapanteles. Trata-se de uma vespa que costuma atacar as lagartas, depositando seus ovinhos sobre esses insetos, transformando-os em uma espécie de guarda-costas zumbi. Assim, uma vez depositadas, as larvas penetram nos corpos das lagartas, alimentando-se delas até serem expelidas já na forma de casulos.
As coitadas das lagartas não morrem durante esse processo, senão que adotam uma posição de guarda para proteger os casulos, cobrindo-os com camadas de seda e afugentando possíveis predadores. Só depois que a metamorfose das vespas parasitoides é finalizada e as pequenas vespinhas saem dos casulos é que a lagarta zumbi morre de exaustão e fome!

10.482 – Medicina – Os Tumores de Hipófise


adenomas

São tumores benignos da glândula hipófise que provocam sintomas neurológicos e hormonais. Os sintomas neurológicos são decorrentes de compressão ou invasão de estruturas adjacentes, tais como o nervo ótico e nervos localizados ao lado da hipófise (seio cavernoso).
Os sintomas endócrinos são provocados por deficiência ou excesso de produção dos hormônios hipofisários. A deficiência de hormônios hipofisários é conhecida como Hipopituitarismo.
As situações de excesso de produção hormonal hipofisária provocam sintomas clínicos bastante característicos que são os Prolactinomas (secretam prolactina), a Acromegalia (secretam hormônio de crescimento-GH ), e a Doença de Cushing (secretam hormônio adrenocorticotrófico – ACTH), cada uma delas apresentadas em itens específicos desse site.
Um número significativo de adenomas hipofisários não secreta qualquer hormônio hipofisário, provocando somente alterações neurológicas e deficiências hormonais.
Por ordem de freqüência, os adenomas mais comuns são:

os secretores de Prolactina ( prolactinomas )
GH (acromegalia)
os Não-secretores (não-funcionantes)
os de ACTH (Doença de Cushing)
Do ponto de vista de tamanho ou volume, os adenomas são classificados em:

micro (menores do que 10 mm)
macroadenomas (maiores do que 10 mm).
Os microadenomas podem ser classificados ainda em:

grau 0 (não detectados nos exames de imagem)
grau I (até 10 mm)
Já os macroadenomas podem ser classificados em:

grau II (aumento de volume com expansão da sela túrcica e sem erosão óssea)
grau II (aumento de volume com erosão óssea localizada)
grau III (aumento de volume com erosões ósseas múltiplas)
grau IV (aumento importante da sela túrcica com perda dos seus limites
Essa classificação é importante para se definir o melhor tratamento e seus resultados em cada um dos pacientes. Além dos adenomas, a região hipofisária pode ser afetada por doenças não-hipofisárias (cuja origem não é a glândula hipófise). Essas doenças podem se apresentar como tumores não-secretantes, provocando sintomas neurológicos e hormonais.
Mais recentemente, com os avanços de técnicas de imagem para avaliação de doenças do sistema nervoso central e do crânio, que popularizaram os exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética do crânio, tem sido freqüente a descoberta ocasional de “tumores da hipófise”.
Como se desenvolve?
Os adenomas hipofisários não possuem causa bem definida, sendo provavelmente provocados por mutações isoladas de células hipofisárias normais. Uma parcela de 3 a 5 % dos casos apresenta distribuição familiar, estando associada a mutações transmitidas hereditariamente.
Esses casos podem envolver a ocorrência do mesmo adenoma na mesma família (adenomas familiares) ou estarem associados às adenomatoses endócrinas múltiplas. Nessa situação, os pacientes podem exibir tumores funcionantes de paratireóide, pâncreas e supra-renais.
Os sintomas associados aos adenomas hipofisários são neurológicos e hormonais.
Os sintomas neurológicos mais comuns são a dor de cabeça e a diminuição da acuidade visual. A dor de cabeça costuma ser na região frontal e lateral, do tipo constante, sem fatores determinantes e usualmente alivia com analgésicos comuns. A perda visual ocorre na acuidade visual e principalmente na visão para as laterais (perda de campo visual lateral). Mais raramente, em adenomas hipofisários volumosos com crescimento para os lados da hipófise, podem surgir outros sintomas visuais que são a visão dupla, o desvio de posição dos olhos (estrabismo), a queda da pálpebra (paciente não consegue levantar a pálpebra superior) e o desvio de um dos olhos para baixo e para o nariz. Este quadro caracteriza relativa gravidade e, freqüentemente, se associa com dor ao redor do olho envolvido e perda visual severa, chegando até a cegueira.
Os sintomas hormonais são decorrentes da diminuição ou do excesso de produção dos hormônios hipofisários. A diminuição da produção provoca um conjunto de sintomas conhecidos como Hipopituitarismo.
O diagnóstico pode ser estabelecido a partir dos sintomas neurológicos (dor de cabeça, alterações visuais) e hormonais, seja de deficiência ou excesso.
Pode ser necessária a investigação também a partir de um achado incidental como o aumento de volume da hipófise (incidentaloma) em exame de imagem do crânio (tomografia ou ressonância magnética).
Todo o paciente que apresenta suspeita de ser portador de adenoma hipofisário deve ser avaliado através de tomografia computadorizada da região da sela túrcica (região na qual se localiza a hipófise) ou idealmente através de ressonância magnética dessa região.
Detectado o adenoma ou na presença de sinais e sintomas de deficiência ou excesso hormonal, devem ser realizadas também dosagens de todos os hormônios hipofisários. Em algumas situações são necessários testes funcionais para análise do perfil de secreção de alguns hormônios hipofisários.
Tratamento
Nos pacientes com adenomas secretores de prolactina (prolactinomas), o tratamento é inicialmente clínico, com boa resposta em mais de 80% dos casos. Os medicamentos utilizados são a bromocriptina, o lisuride e a cabergolina, em doses progressivas até a obtenção da normalização da prolactina e redução do volume do adenoma hipofisário.
Em situações nas quais não se alcançam esses objetivos, pode ser indicada a cirurgia transesfenoidal para ressecção do adenoma. Essa cirurgia é uma microcirurgia realizada através da região nasal, utilizando microscópio e abordando a região do hipófise por sua parte inferior.
Em pacientes portadores de adenomas secretores de GH (acromegalia) e ACTH (doença de Cushing) deve-se estabelecer um diagnóstico hormonal específico e, se comprovada cada uma das doenças, o paciente deve ser inicialmente submetido a cirurgia transesfenoidal para ressecção do adenoma.
Em pacientes com tumores não-secretores, deve ser avaliado detalhadamente o hipopituitarismo associado, e uma vez corrigidas as alterações hormonais de maior risco (deficiência de cortisol e de hormônios da tireóide), o paciente deve ser submetido a cirurgia transesfenoidal para ressecção do adenoma.
Mais raramente, em tumores muito volumosos, pode estar indicada a cirurgia por via transcraniana, ou seja, realizando uma abordagem da hipófise por sua porção lateral ou superior, o que envolve cortes cirúrgicos na calota craniana.
Não se conhecem métodos de prevenção. O diagnóstico precoce e um adequado manejo endocrinológico e, quando necessário, neurocirúrgico, são fundamentais para a adequada resolução das diversas situações clínicas associadas aos adenomas hipofisários.

10.479 – Canal do Panamá, a gigantesca obra completa 100 anos em 2014 Inauguração


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Oficialmente, o navio Ancón inaugurou o Canal em 15 de agosto de 1914, mas, na verdade, o primeiro trânsito foi anterior: em 7 de janeiro de 1914, o guindaste Alexander La Valley passou pelas eclusas do Pacífico. Como se tratava apenas de uma rotina da obra, não houve nenhum tipo de cerimônia.
Trabalhadores
De acordo com cálculos oficiais, entre 1904 e 1913, um total de 56.307 pessoas trabalhou na construção do Canal do Panamá. Dessas, 11.873 eram da Europa, 31.071 das Antilhas, 11 mil dos EUA e 69 de origem desconhecida.
Mortes
Durante o período em que os EUA conduziram a obra, foram registradas 5.609 mortes por doenças e acidentes. No período francês, segundo um relatório do Dr. Gorgas (cirurgião geral da marinha norte-americana na época), 22 mil peões envolvidos na construção do canal perderam suas vidas. As principais causas das mortes foram doenças endêmicas como malária e febre amarela.
Economia
A construção do Canal custou em torno de 375 milhões de dólares, incluindo os 10 milhões pagos ao Panamá e os 40 milhões pagos à Companhia Francesa pelos direitos da obra.
Escavação
Até o dia 1º de julho de 1914, havia-se escavado um total de 218 mil quilômetros cúbicos de terra durante o período norte-americano. Essa quantidade, somada aos 27 mil quilômetros cúbicos escavados pelos franceses, totaliza aproximadamente 245 mil quilômetros cúbicos.
O material excessivo
Centenas de milhares de quilômetros cúbicos de terra e rocha resultantes dos trabalhos de escavação foram transportadas para pontos distintos da geografia panamenha. O material era tanto que uma ilha foi transformada em península, com a criação do quebra-mar da Ilha de Naos. Com outra parte do material, foi criada a cidade de Balboa e o forte militar de Amador. Ainda assim, quantidades enormes de terra foram jogadas na selva.
Extensão
O Canal do Panamá possui 80 quilômetros de extensão desde as águas profundas do Atlântico até as do Pacífico.
Trânsito
Desde a abertura do Canal, em 15 de agosto de 1914, até o dia 4 de setembro de 2010, 1 milhão de barcos atravessaram a via transoceânica. O navio Fortune Plum teve, por acaso, a honra de ser o trânsito de 1 milhão.

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Área de preservação
Área de preservação

10.478 – Voyager – A sonda espacial que pode ter superado os limites do desconhecido


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A Voyager, considerada a invenção humana a alcançar as maiores distâncias na história depois de seu lançamento, em 1977, recentemente voltou a ser objeto de polêmica nos meios científicos. Um comunicado em 2012 anunciou ao mundo que a Voyager havia finalmente cruzado o limite do espaço sideral, deixando para trás o sistema solar. No entanto, alguns cientistas refutam esta afirmação. A pergunta natural portanto é: onde está realmente a Voyager I?
Segundo alguns especialistas, a nave ainda estaria vagando pela heliosfera, região do espaço dominada pelo Sol e seu vento, composta por partículas energéticas; ou seja, fora do espaço interestelar. Para comprovar essa teoria, os cientistas desenvolveram um estudo, publicado na Geophysical Research Letters. Ele afirma que, se a nave detectar uma mudança no campo magnético nos próximos dois anos, comprovará sua presença na heliosfera. Entretanto, se a mudança no campo magnético não ocorrer, a confirmação de que a Voyager I cruzou o limite interestelar será definitiva.
O professor George Gloeckler, um dos autores da denominada “prova final” explica de forma simples e direta: “Trajetórias são demonstradas com movimento”. O cientista, que desde 1972 trabalha na missão Voyager diz que a mudança de campo magnético não foi observada, apesar de a nave haver dado diversos sinais de haver chegado ao espaço interestelar, com a exposição a raios cósmicos, por exemplo. As gêmeas, Voyager I e II foram lançadas em 1977 para explorar Júpiter e Saturno. Apesar dos debates com relação ao seu paradeiro atual, não há dúvidas que a Voyager I chegou muito mais longe do que se imaginava.

10.475 – História da Medicina – Conhecimento de neurologia e psiquiatria na Mesopotâmia só foi superado no século 18


Uma série de tabuletas de argila com inscrições babilônicas traduzidas e interpretadas por uma dupla de pesquisadores britânicos revelou que, cerca de 3.500 anos atrás, o povo que habitava a Mesopotâmia tinha um conhecimento de neurologia e psiquiatria que rivalizava com o dos últimos três séculos.
A riqueza dos registros só foi revelada com detalhes após o trabalho de James Kinnier Wilson, assiriólogo da Universidade de Cambridge, e Edward Reynolds, neurologista do King’s College de Londres.
Os dois começaram a trabalhar juntos há 25 anos, quando o historiador contou ao médico sobre uma tabuleta de escrita cuneiforme adquirida pelo Museu Britânico que descrevia sintomas de epilepsia em detalhes. A partir daí ambos começaram a vasculhar coleções de inscrições médicas babilônicas e descobriram que aquele povo tinha observações clínicas de transtornos neurológicos e mentais extremamente avançadas para a época.
As descobertas da dupla foram publicadas pelo periódico britânico “Brain”.
Apesar de conseguirem descrever o quadro clínico de vários transtornos psiquiátricos, os babilônios ainda praticavam a medicina com um bocado de superstição. Problemas mentais eram em geral atribuídos a espíritos ou causas sobrenaturais. Tratamentos eram frequentemente rezas ou encantos.
Babilônios também manifestaram pela primeira vez uma tendência a separar a neurologia da psiquiatria, as quais tinham diferentes tipos de curandeiros encarregados, os asu e os asipu.
“Os asu lidavam com bandagens para tratar feridas, como um médico generalista”, conta Wilson. “Já os asipu eram provavelmente como sacerdotes.”

medicina antiga