10.938 – Quer ficar mais atento? Treine sua mente por uma hora toda semana


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Embora fisicamente seu corpo se encontre no mesmo aposento, frequentemente muito próximo ao interlocutor do papo, e seus olhos se encontrem focados na mesma pessoa, sua mente está em qualquer outro lugar. O pior é quando a pessoa termina a frase com “…não é mesmo, fulano?” e você precisa decidir se assume que não estava prestando atenção ou se corre o risco de dizer “sim” e ver o que acontece.
Um estudo recente, publicado no diário Frontiers in Human Neuroscience, descobriu que episódios frequentes de falta de concentração – como esses em que a nossa mente vai parar em outro lugar – podem ser combatidos usando técnicas simples, de curta duração, de concentração e mindfullness.
O estudo dividiu os participantes em dois grupos. Um deles recebeu treinamento de apenas uma hora por semana, por sete semanas, para observar e ficar atento aos próprios pensamentos e à atividade mental, além de manter o foco no momento. O outro, não. Em seguida, eles foram testados em sua capacidade de se manter concentrados e sustentar a atenção.
Os resultados mostraram que, no começo os grupos não diferiram em atenção, mas ao final, os que receberam treinamento conseguiram permanecer mais atentos e relataram que ‘viajaram’ menos.
A pesquisa usou exercícios específicos, mas você pode alcançar resultados semelhantes com exercícios de foco e meditação. A boa notícia é que o estudo mostra que não são precisos muitas horas.

10.937 – Ganhadores do prêmio Ig Nobel 2014


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Há 24 anos, são premiados os estudos mais estranhos que aparecem por aí, apontados pelo periódioc Annals of Improbable Research. A premiação de 2014 aconteceu nesta quinta-feira (18) no teatro da Universidade de Harvard, nos EUA. E, abaixo, você confere a lista de vencedores:

Física – Concedido a Kiyoshi Mabuchi, Kensei Tanaka, Daichi Uchijima e Rina Sakai por terem estudado as propriedades de deslizamento de uma casca de banana.

Neurociência – Jiangang Liu, Jun Li, Lu Feng, Ling Li, Jie Tian e Kang Lee foram laureados por estudar a pareidolia, fenômeno que nos faz reconhecer padrões quando não existem. Um exemplo? Ver o rosto de Jesus em uma torrada ou rostos em rochas de Marte.

Psicologia – Peter K. Jonason, Amy Jones e Minna Lyons descobriram que notívagos, pessoas que se sentem mais ativas durante a noite, são mais manipuladoras e têm uma tendência maior à psicopatia.

Saúde pública – Os cientistas Jaroslav Flegr, Jan Havlicek, Jitka Hanusova-Lindova, David Hanauer, Naren Ramakrishnan e Lisa Seyfried foram premiados por avaliar se ter um gato poderia causar danos à saúde mental das pessoas.

Biologia – Vlastimil Hart, Petra Novakova, Erich Pascal Malkemper, Sabine Begall, Vladimir Hanzal, Milos Jezek, Tomas Kusta, Veronika Nemcova, Jana Adamkova, Katerina Benediktova, Jaroslav Cerveny e Hynek Burda (sim, toda essa galera) foram premiados por descobrir que, na hora de fazer o número dois, cães alinham seus corpos de acordo com o campo magnético da Terra.

Arte – Marina de Tommaso, Michele Sardaro e Paolo Livrea apontaram um laser para a mão de pessoas olhando para pinturas – a ideia era medir se a quantidade de dor que elas sentem durante esse processo era alterada caso a “arte” fosse bonita, neutra ou feia.

Economia – O prêmio foi concedido ao Instituto Nacional de Estatística da Itália que, para cumprir a determinação da União Europeia de aumentar sua receita nacional, incluiu dados de prostituição, contrabando, venda de drogas e outras atividades ilícitas do país, em sua receita.

Medicina – Ian Humphreys, Sonal Saraiya, Walter Belenky e James Dworkin foram premiados por tratar hemorragias com tiras de carne de porco.

Ciência Ártica – Eigil Reimers e Sindre Eftestol levaram o prêmio por estudarem como renas reagiam a humanos fantasiados de urso polar.

Nutrição – Raquel Rubio, Anna Jofra, Belen Martin, Teresa Aymerich e Margarita Garriga colocaram bactérias vindas de fezes de bebês em alimentos. A ideia era estudar o potencial probiótico desses organismos.

10.936 – Marcado para a Morte – Descoberto novo gene responsável por alterações cardíacas e morte súbita


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Um gene mutado é responsável por alguns casos de alterações cardíacas e morte súbita, segundo uma pesquisa de cientistas espanhóis publicada nesta quarta-feira.
A pesquisa comandada por Carlos López-Otín, catedrático de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade de Oviedo e Xose S. Puente do Instituto de Oncologia da mesma universidade, analisou o genoma de pacientes com miocardiopatia hipertrófica.
“O estudo genômico nos permitiu concluir que mutações no gene FLNC, codificante de uma proteína denominada filamina C, causam miocardiopatia hipertrófica em oito das famílias estudadas”, afirmou Puente.
Em declarações à Agência Efe, Ana Gutiérrez-Fernández, co-autora do estudo, publicado na “Nature Communications”, comenta que o novo gene identificado “permite explicar a causa da doença em um grupo de pacientes sem mutações nos genes conhecidos”.
A descoberta permitirá identificar as pessoas portadoras desta mutação no gene FLNC, fazer um “acompanhamento clínico mais personalizado” e aplicar um tratamento específico e, inclusive, se for necessário, se poderá implantar nelas um desfibrilador que evite o processo que desencadeia a morte súbita nestes pacientes, destacou a pesquisadora.

10.931 – Retinoblastoma: MANCHA BRANCA NO OLHO DIREITO


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O retinoblastoma é um tipo de tumor intraocular que, como regra, se manifesta antes dos sete anos de idade. Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), a incidência desse câncer pediátrico no Brasil é o dobro da dos EUA e da Europa. Enquanto algumas cidades brasileiras registram entre 21,5 e 27 casos desse câncer por 1 milhão de crianças, nos EUA esse valor varia entre 10 e 12 casos por milhão.
Como o retinoblastoma não é visível e se manifesta nos primeiros anos de vida, a criança não consegue reclamar dos sintomas, como dificuldade para enxergar, já que ainda não sabe falar. Por isso, segundo Rubens Belfort Neto, chefe do setor de oncologia ocular do Departamento de Oftalmologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), um dos sinais de alerta para o problema e que deve chamar a atenção dos pais é o chamado “reflexo de olho de gato”, que ocorre no olho da criança ao tirar uma foto em um ambiente escuro.
“A leucocoria é um reflexo anormal no olho. Ao se direcionar um foco luminoso para os olhos, o correto seria a luz entrar na retina, bater no fundo de olho — que é vermelho por conta dos vasos — e deixar um reflexo avermelhado, aquela bolinha vermelha que aparece refletida nas fotografias. Isso é normal. Se a luz do olho fosse azul, o reflexo seria dessa cor. Quando o tumor cresce, o fundo do olho, que deveria ser vermelho, fica branco. A luz do flash bate no tumor e aparece refletida na foto como uma bola branca”.
No Brasil, devido ao atraso da chegada das crianças aos centros de excelência, a taxa de sobrevivência chega somente a 60%. “Infelizmente, de cada três crianças que chegam com o problema, uma ainda morre no Brasil. Quando o tumor aumenta e ainda está dentro do olho, é possível salvar todas as crianças. Agora, se ocorre alguma metástase, piora muito o prognóstico. Quanto mais cedo ela chegar para realizar o tratamento, maior a chance de salvar o olho e a visão.

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10.930 – Medicina – Polêmica sobre a reposição de testosterona


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Os níveis de testosterona diminuem com a idade. Calcula-se que, a partir dos 20 anos, a queda seja de 1% a 2% ao ano.
Os sinais e sintomas atribuídos à baixa produção (hipogonadismo) não são específicos: aumento da gordura corpórea, diminuição da massa muscular, da densidade óssea, da libido, da vitalidade e da sensação de bem-estar. Embora a função erétil também seja afetada, ela se acha preservada até que as concentrações estejam muito baixas.
Na maioria dos laboratórios, os níveis normais estão entre 300 ng/dL e 900 ng/dL. O diagnóstico de hipogonadismo não deve ser baseado num único exame; há obrigatoriedade de duas medições efetuadas pela manhã.
Quando o resultado estiver pouco abaixo da faixa da normalidade, o diagnóstico deve ser confirmado pela dosagem de testosterona livre e de outros hormônios.
Os especialistas estão de acordo com esses conceitos, as discordâncias dizem respeito às indicações da reposição:
1) Os defensores admitem que faltam dados de boa qualidade para avaliar a relação custo/benefício, mas argumentam que o hipogonadismo está relacionado com outros agravos: diabetes tipo 2, doença cardiovascular e síndrome metabólica.
Reconhecem que, em alguns estudos, a reposição aumentou o risco cardiovascular, mas que essa associação não foi confirmada.
Afirmam que o risco de câncer de próstata não está comprovado, e que pode ser minimizado com a adoção de critérios que contraindiquem a reposição em homens com PSA > 4 ng/dL (ou > 3 ng/dL, se forem negros ou tiverem parentes de primeiro grau com câncer de próstata), nódulos prostáticos palpáveis ou próstatas muito aumentadas.
2) O segundo grupo é formado pelos que limitam a indicação apenas aos casos com níveis de testosterona muito baixos.
Para eles, a reposição pode melhorar a sensação de bem-estar, a força muscular, a densidade óssea e a libido, mas os efeitos estão diretamente relacionados com o grau de deficiência. Em homens com níveis pouco abaixo da normalidade, o aumento da concentração sanguínea de testosterona traz benefícios tão pequenos que não compensam os riscos, os custos e os inconvenientes do tratamento.
3) Os conciliadores partem do princípio de que existem controvérsias em relação às doenças cardiovasculares e que o risco de câncer de próstata parece ser mínimo ou inexistente (embora os dados sejam limitados), especialmente quando o PSA é controlado.
Propõem modificações no estilo de vida, porque a obesidade contribui para reduzir a produção de testosterona. Recomendam que a reposição fique limitada aos homens com diagnóstico laboratorial preciso, sinais e sintomas claros de hipogonadismo.
Nesses casos, as doses de testosterona devem ser pequenas, suficientes apenas para manter as concentrações na faixa intermediária da normalidade. Depois de seis meses, se a melhora não for evidente, não há justificativa para insistir no tratamento.

10.929 – Saúde – Quatro em cada dez casos de câncer podem ser evitados


Após uma revisão de estudos recentes sobre o assunto, os pesquisadores concluíram que o tabagismo é o fator de risco que mais leva ao câncer, com mais de 314.000 casos da doença na Inglaterra ligados ao vício. Em seguida vem a má alimentação, como consumo exagerado de sódio, carne processada e pouca ingestão de vegetais, frutas e fibras. Esse fator de risco ocasionou 145.000 casos da doença.
A instituição também atenta para a necessidade de ingerir bebidas alcoólicas moderadamente — o consumo exagerado causou mais de 62.000 casos de câncer. Além disso, usar protetor solar diariamente, evitar o sobrepeso e praticar exercício físico regularmente ajudam a afastar a doença.
Obesidade
Tipos de câncer que poda causar: Colorretal, mama, esôfago, próstata e rim.
Como se prevenir: Diminuir e manter o peso de forma saudável, praticando atividades físicas e se alimentando de maneira correta sob a supervisão de um médico.
Exposição ao sol
Tipos de câncer que poda causar: Pele e bucal (lábios).
Como se prevenir: Evitar a exposição ao sol entre às 10 e 16 horas e usar protetor solar com fator de proteção de no mínimo 15, além de chapéus e óculos escuros.
Carne vermelha
Tipos de câncer que poda causar: Colorretal, estômago e pâncreas.
Como se prevenir: Não consumir carne vermelha em excesso, especialmente se for carne processada. Estudos recomendam a ingestão de até 70 gramas do alimento por dia, o equivalente a meio bife.
Papiloma vírus humano (HPV)
Tipos de câncer que poda causar: Colo do útero, ânus, pênis, garganta e e boca.
Como se prevenir: O uso de preservativo diminui o risco de contaminação do vírus pela relação sexual, e a vacina contra o HPV oferece proteção contra algumas variantes do vírus.

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10.928 – Gen(ética) Geneticista da USP defende venda de substâncias geradas a partir de células-tronco


Da Super para o ☻Mega
Da Super para o ☻Mega

Tais produtos poderiam ser usados no tratamento de doenças como mal de Parkinson.
A Constituição proíbe a comercialização de substâncias humanas, como o sangue. No entanto, a pesquisadora questiona se bilhões de novas células produzidas a partir de um punhado de células-tronco embrionárias podem ser consideradas substância humana, já que teriam sido completamente sintetizadas em laboratório.
Segundo Pereira, uma nova interpretação dos produtos finais das células-tronco embrionárias, que são capazes de se transformar em qualquer tecido, poderia levar a iniciativa privada a investir em terapias celulares.
O assunto foi tema de discussão em reunião recentemente promovida pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.
Trecho da Entrevista:
Nossa sociedade não tolera a venda de órgãos ou qualquer substância humana, e isso é bom porque protege indivíduos vulneráveis que possam, por desespero, ficar tentados a vender um rim para dar de comer aos filhos.
Só que hoje as células humanas podem salvar vidas. E agora, essas células podem ser comercializadas ou não? Há dúvidas sobre a interpretação desse artigo na Constituição, e não está claro se há ou não uma vedação constitucional para registro e comercialização dos produtos de terapia celular no Brasil.
Se não regularmos isso direito, daqui a pouco haverá gente vendendo medula óssea, sangue de cordão umbilical, placenta, gordura, embriões e outras substâncias humanas -de onde podemos extrair células-tronco- e não queremos isso.
Essa é também uma questão crítica para o desenvolvimento das terapias com células-tronco no país. Se for compreendido que essas células são substâncias humanas cuja comercialização é vedada, a iniciativa privada não investirá no desenvolvimento das terapias celulares.
Por mais bacanas que as pesquisas nas universidades sejam, sem a iniciativa privada não sabemos como transformar os conhecimentos que geramos em produtos para a sociedade.

10.927 – Como as aves sobreviveram à extinção dos dinossauros?


como as aves sobreviveram a extincao dos dinossauros

Quando quase todos os dinossauros foram extintos há 66 milhões de anos, os únicos que sobreviveram foram aqueles que eram menores, isto é, as aves. Hoje, existem mais de 10.000 espécies destes dinossauros com penas, tornando-se o mais diverso de todos os animais vertebrados. Um novo estudo revela por que esta linhagem foi tão bem sucedida: as aves tiveram o tamanho reduzido bem antes do resto dos dinossauros desaparecerem.
“Esta é uma peça muito impressionante de trabalho e, de longe, a mais completa análise do tamanho do corpo de um dinossauro que já foi realizado”, diz Stephen Brusatte, paleontólogo da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, que não esteve envolvido na pesquisa. “O estudo mostra que as aves não apenas tornaram-se pequenas, de repente, mas eram o produto final de uma tendência de longo prazo da redução do tamanho do corpo que levou muitas dezenas de milhões de anos.”
Os dinossauros eram pequenos no início. Cerca de 230 milhões de anos atrás, a maioria pesava entre 10 e 35 quilos e eram tão grandes como um cão de tamanho médio. Mas muitas espécies atingiram 10.000 kg no prazo de 30 milhões de anos. Mais tarde, os dinossauros, como o poderoso Argentinosaurus, que possuía cerca de 35 metros do nariz à cauda, ​​pesavam cerca de 90,000 kg.
Apesar de muitos dinossauros terem ficado maiores e mais volumosos ao longo de milhões de anos, um grupo parece ter apostado na redução do tamanho do corpo: os maniraptorans, dinossauros emplumados que incluem o famoso Velociraptor de Jurassic Park e que, eventualmente, deram origem às aves.
Para entender como o tamanho dos dinossauros mudou ao longo do tempo, uma equipe liderada por Roger Benson, um paleontólogo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, estimou o tamanho do corpo de 426 espécies diferentes, usando a espessura de seus ossos fossilizados das pernas traseiras como uma proximidade de seu peso total.
A equipe descobriu que, apesar de todos os grupos de dinossauros mudarem rapidamente de tamanho no início da evolução dos dinossauros, principalmente ficando maior, essa tendência desacelerou rapidamente em quase todos os grupos. Para a maior parte, os dinossauros que eram grandes ficaram assim. A exceção foi o grupo dos maniraptorans, que continuaram a evoluir espécies maiores e menores, em que se expandiram em uma variedade cada vez maior de nichos ecológicos ao longo de um período de 170 milhões de anos.
Quando um asteróide atingiu a Terra há 66 milhões de anos atrás, apenas os maniraptorans com penas, que tinham um tamanho reduzido e pesavam cerca de 1 kg, foram capazes de sobreviver. Provavelmente foi o pequeno tamanho desses dinossauros que lhes permitiu adaptar-se mais facilmente às condições de mudança, de acordo com a publicação da equipe na revista PLOS Biology. Os pesquisadores afirmam que ser pequeno tornou mais fácil para os maniraptorans se adaptarem a uma ampla variedade de habitats, enquanto que o resto dos dinossauros, onerados por seus corpos enormes e as necessidades alimentares enormes, simplesmente não poderiam sobreviver.
Esta redução de tamanho foi essencial para a evolução do voo, diz Luis Chiappe, paleontólogo do Museu de História Natural de Los Angeles County, na Califórnia, que não esteve envolvido no estudo. “Voar é mais fácil para os animais menores” porque são “muito menos exigentes em termos energéticos”, diz ele. E durante todos aqueles milhões de anos, quando maniraptorans estavam mudando o tamanho do corpo mais rapidamente do que outros dinossauros, Chiappe diz, “eles estavam experimentando.”
“A história é realmente interessante”, Brusatte acrescenta, “não tem tanto a ver com a forma como alguns dinossauros ficaram tão enormes, mas sim como aves e seus parentes próximos ficaram tão pequenos.”

10.925 – Estudo revela 180 organismos marinhos biofluorescentes, incluindo tubarões e raias


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Tal estudo usou iluminação e câmeras de filtros especiais, o que possibilitou a identificação de mais de 180 espécies de peixes marinhos que exibem biofluorescência.
Para quem não sabe, a biofluorescência é diferente de bioluminescência (luz originada através de reações químicas do organismo) e fluorescência (luz refletida pelos organismos, visível à olho nu). A bioluminescência é um mecanismo no qual elétrons contidos em determinadas proteínas absorvem a luz em um comprimento de onda e a reemitem em um comprimento de onda menos energético. Utilizando filtros especiais, os humanos podem ver tal fluorescência em tons de vermelho, verde ou laranja, e foi isso o que os pesquisadores fizeram.
Já que não podemos ver a biofluorescência, já parou para pensar em quantas espécies de animais com cores e padrões interessantíssimos podem apresentar essa característica? Será que anfíbios ou répteis podem apresentá-la também?

10.924 – Biologia – Porque alguns organismos congelam mas não morrem?


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Dentre as mais variadas espécies que possuem esta grandiosa adaptação, estão inclusos os insetos e diversos outros invertebrados terrestres, bem como ainda várias espécies de serpentes e também algumas espécies de anfíbios anuros.
Mas, como é possível um organismo congelar e não morrer? Ou melhor, quais mecanismos possibilitam o congelamento e posterior descongelamento, sem que o mesmo morra?
Em temperaturas muito elevadas os organismos podem rapidamente morrer. Isso ocorre porque, com o aumento da temperatura corporal, o animal não consegue transpirar ou perder o calor absorvido de forma eficiente, acumulando calor em seu corpo, fazendo com que as suas proteínas e as diversas ligações entre elas se rompam, o que posteriormente leva à morte do organismo. Nesse caso, cabe ressaltar que cada organismo possui uma tolerância específica a determinadas temperaturas e apresentam variações nessas tolerâncias. O que é considerado “extremo” para uma espécie, pode não ser para outra. O polo norte é um ambiente extremo para uma pomba, mas não o é para um pinguim. Devemos ter muito cuidado com estas palavras emotivas, pois na ecologia, nada é generalizado.
Nesse caso, os organismos que evoluíram nesses ambientes, apresentaram uma série de modificações ao longo dos processos evolutivos, onde, por meio da seleção natural, várias características específicas foram selecionadas, permitindo então a sobrevivência dos mesmos. Alguns organismos apresentaram adaptações capazes de proporcionar a retenção de calor corporal, evitando assim a morte. Podemos por exemplo citar o caso das espécies de mamíferos como os ursos polares e raposas-do-ártico, com suas pelagens espessas que evitam a perda de calor, ou ainda, os pinguins, que acumulam grande quantidade de gordura, que também auxiliam na retenção do calor corpóreo.
Outros grupos de organismos que ocorrem nas áreas frias do planeta não apresentam este tipo de adaptação, pelo contrário, eles simplesmente congelam (ou podem sobreviver ao resfriamento)! Porém, ainda assim, existe um fenômeno muito comum que afeta diversas outras espécies, o chamado dano por resfriamento. Este fenômeno basicamente relata que em temperaturas pouco acima de 0º C algumas espécies podem ser forçadas a extensos períodos de inatividade e as membranas celulares das espécies mais sensíveis podem se romper.
Já as espécies que congelam, elas geralmente passam por um processo muito crítico, pois o gelo pode facilmente matá-las, rompendo suas células. De acordo com a diminuição da temperatura, os poiquilotérmicos (organismos que dependem da fonte de calor externa para realizar suas atividades), como os anfíbios anuros, insetos, etc, iniciam o processo de congelamento. Neste caso, se eles não sofrerem distúrbios, a água pode facilmente alcançar temperatura de até 40º C negativos, sem formar gelo no interior das células. Pois, na verdade eles não congelam completamente, apenas algumas partes de seus corpos, principalmente as regiões mais espessas e exteriores, como a pele, cascas, estruturas modificadas, etc. Muitas espécies se enterram em meio à neve e até são removidas dela cobertas por camadas de gelo, como se realmente estivessem congeladas completamente, mas não estão de fato: seus órgãos e o sangue não congelam.
As espécies de animais não congelam por conta de diversos diversos compostos constituídos de glicose (basicamente), que se encontram na corrente sanguínea dos mesmos. O composto mais comum e que evita o congelamento é o glicerol.
A espécie Bracon cephi, parasita de uma mosca do trigo canadense, foi estudada e pode-se observar o mesmo efeito do glicerol, evitando o congelamento dos indivíduos amostrados. As larvas do parasita podem sobreviver a uma prolongada exposição a temperaturas de até -40 º C. O uso de glicerol como “anticongelativo” pelos insetos é o precursor do uso de compostos similares pelo homem, para proteger os fluidos dos automóveis contra o congelamento no inverno.
Além de diminuir o ponto de congelamento dos fluídos corporais, o glicerol ajuda ainda a proteger os tecidos contra os efeitos lesivos do congelamento, caso este realmente ocorra. O glicerol possibilita a sobrevivência de diferentes espécies nestes ambientes pois ele é viscoso e isso tende a diminuir a taxa de formação de cristais de gelo, o que dificulta o congelamento.

10.923 – Por que a abelha morre ao picar uma pessoa?


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A abelha operária, encarregada pela natureza de proteger a colméia até com a própria vida, possui um ferrão com pequenas farpas que impedem que ele seja retirado facilmente. Depois de aplicar uma ferroada, o inseto tenta escapar voando, mas acaba arrancando todo o posterior de seu abdômen (junto com nervos, parte do tubo digestivo e a bolsa de veneno), que fica preso ao ferrão. Ainda assim, a bolsa continua bombeando. Por isso, o mais importante, ao levar uma picada, é retirar o ferrão rapidamente, para evitar a entrada de mais veneno. “Quando uma abelha pica, ela solta um tipo de feromônio – odor que serve de comunicação e atração sexual entre os animais – e esse cheiro funciona como um aviso de perigo para as outras abelhas”, afirma a zoóloga Márcia Ribeiro, do Instituto de Biociências da USP. “Uma colméia possui cerca de 50 000 indivíduos, por isso não faz diferença para a colônia se algumas morrerem”, diz ela. Mas nem todas as abelhas picam.
Existem espécies sem ferrão, que usam uma resina para imobilizar outros insetos, e outras que chegam a se enroscar nos pêlos dos animais para tentar defender a colméia.
É um tiro pela culatra
A arma da abelha – o ferrão – acaba provocando sua própria destruição
O ferrão, fixo à bolsa de veneno, tem farpas que ficam presas no corpo da vítima. Por isso, quando a abelha sai voando, parte do abdômen é arrancada.

10.922 – Reprodução – Cientistas criam formas primitivas de óvulo e esperma artificial


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Pesquisadores conseguiram criar, pela primeira vez, formas primitivas de óvulos e espermas humanos em laboratório. A descoberta pode ajudar a solucionar problemas de infertilidade, compreender melhor os primeiros estágios do desenvolvimento embrionário e, potencialmente, permitir o desenvolvimento de novos tipos de tecnologia reprodutiva.
As chamadas células germinativas primordiais (PGC, na sigla em inglês), das quais derivam os óvulos e espermatozoides, já haviam sido desenvolvidas em testes de laboratório com roedores, mas nunca com humanos. A descoberta, descrita por cientistas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, foi publicada no periódico Cell, na quarta-feira.
Células germinativas primordiais têm potencial para serem transformadas em espermatozoides e óvulos humanos. O próximo passo da pesquisa é injetar as células em ovários de roedoras para testar se elas se desenvolvem em animais.
As PGCs aparecem durante as primeiras semanas do crescimento embrionário, quando as células-tronco do óvulo fertilizado começam a diferenciar-se em vários tipos de células básicas. Em um estágio seguinte, as PGCs se transformam em precursoras de espermatozoides ou de óvulos ‘de uma maneira bastante automática’, segundo o coautor da pesquisa, Jacob Hanna, do Instituto Weizmann.
O estudo demonstrou que as PGCs também podem ser criadas a partir de células adultas reprogramadas, como as da pele. Essa técnica ajudará cientistas a comparar como as células sexuais se desenvolvem em pessoas férteis e inférteis. “Essa é a base para o nosso futuro trabalho”, afirmou ao jornal britânico The Guardian Azim Surani, coautor da pesquisa, da Universidade de Cambridge.
Em outra frente, o trabalho pode esclarecer dúvidas sobre doenças associadas ao envelhecimento. Com o passar dos anos, hábitos como tabagismo, alimentação e exposição a compostos químicos causam mutações genéticas. As células que formam o esperma e os óvulos, no entanto, são livres dessas alterações. “Isso pode nos ensinar como eliminar as mutações, que, em moléstias ligadas ao envelhecimento, podem ser exageradas e desregular os genes”, disse Surani ao jornal.
Os pesquisadores descobriram que um gene conhecido como SOX17 é fundamental para fazer com que as células-tronco humanas se transformem em PGCs. A descoberta foi surpreendente, pois, no caso dos ratos, o equivalente desse gene não intervém no processo. “Não estou dizendo que os estudos em ratos não se aplicam em humanos, mas há diferenças fundamentais com as quais precisamos ter cuidado”.

10.921 – Religião – Igreja levou três séculos para alçar Jesus à condição de Deus


“E vós, quem dizeis que eu sou?”, pergunta Jesus aos apóstolos, numa das cenas mais importantes dos Evangelhos. De acordo com um historiador americano, se essa mesma pergunta fosse feita aos autores dos livros que compõem o Novo Testamento, cada um deles daria uma resposta diferente -e só um diria que Jesus é Deus.
Essa é a mensagem do livro “Como Jesus se tornou Deus”, de Bart Ehrman, professor de estudos religiosos da Universidade da Carolina do Norte. Na obra, que acaba de chegar ao Brasil, Ehrman analisa os textos produzidos pelos primeiros cristãos e acompanha as controvérsias sobre a natureza de Cristo ao longo de mais de três séculos.
Segundo ele, essa análise indica que os atuais dogmas cristãos sobre Jesus -para quase todas as igrejas, ele é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, tão eterno quanto Deus Pai- demoraram para se consolidar.
Ehrman defende, por exemplo, que o Evangelho de Marcos, considerado o mais antigo (escrito em torno do ano 65 d.C.), apresenta uma perspectiva que os cristãos dos séculos seguintes chamariam de adocionista -ou seja, Jesus é um homem que é “adotado” por Deus como seu filho.
“É claro que muitos autores hoje vão tentar defender a ortodoxia de Marcos, porque afinal ele foi aceito pela Igreja”, pondera Marcelo Carneiro, professor da Faculdade de Teologia de São Paulo.
“Mas, se você faz o exercício de ler Marcos separado do Novo Testamento, se ele fosse o único texto que temos sobre Jesus, fica difícil sustentar que Marcos acredita que Jesus era o Cristo desde a eternidade”.
Algumas décadas depois, os autores do Evangelho de Mateus e do Evangelho de Lucas usaram Marcos como fonte, mas inseriram narrativas da infância de Jesus (da qual Marcos não fala) no começo de seus textos. Eles mencionam, pela primeira vez, a gravidez milagrosa da Virgem Maria, e que Jesus seria divino desde a concepção.
Em todo caso, a crença na ressurreição de Jesus é um fator decisivo para o desenvolvimento das doutrinas sobre a natureza de Cristo. Foi por acreditarem que Jesus tinha ressuscitado que ao menos alguns de seus seguidores passaram a vê-lo como algo mais do que humano.
Uma figura-chave nesse movimento é o apóstolo Paulo. Em sua Carta aos Filipenses, ele diz que Jesus “estando na forma de Deus, não usou de seu direito de ser tratado como um deus, mas se despojou, tornando-se obediente até a morte”. Por isso “Deus soberanamente o elevou e lhe conferiu o nome que está acima de todo nome”.
Para Ehrman, essa passagem, e outras das obras de Paulo, indicam que o apóstolo via Jesus como um ser divino, mas não idêntico a Deus. Na prática, que Paulo via Jesus como o mais poderoso dos anjos, que se encarnou por ordem divina.
A visão de Paulo não seria a última palavra. Escrito por volta do ano 100 d.C., o Evangelho de João é o primeiro a dar a entender que Jesus e Deus Pai estão em pé de igualdade desde a eternidade.
Nos dois séculos seguintes, outros grupos apresentariam perspectivas bem diferentes.

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10.918 – Neurociência – Tudo o que sabemos sobre cérebro pode estar errado


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A grande questão é o que se pode e o que não se pode saber sobre o funcionamento do cérebro. Estamos falando de um sistema nervoso com cerca de 600 trilhões de conexões paralelas, trabalhando de forma frenética para manter nosso corpo funcionando. O que chamamos de consciência é uma parte relativamente pequena dessa conta. Ironicamente, é onde tudo parece se complicar.
No cérebro, temos um fenômeno conhecido como plasticidade. É a capacidade de modificar as conexões cerebrais para adquirir novas habilidades. Graças a essa capacidade constante de reorganização, podemos aprender novas coisas e produzir memórias. Ou sofrer um acidente cerebral, mas recuperar movimentos na fisioterapia. Ou tocar piano muito bem – a área do cérebro responsável pelo movimento dos dedos se expande nos pianistas. A plasticidade foi confirmada e reforçada em anos recentes com técnicas que permitem ver o cérebro trabalhando em tempo real.
O novo passo é, nessa tempestade de impulsos elétricos, conseguir ver imagens. Imagens mesmo: em 2011, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley conseguiram reconstruir imagens coloridas obtidas a partir da visão de voluntários usando ressonância magnética funcional. Os vídeos gerados não são uma perfeição, mas permitem ver vultos das imagens a que as pessoas foram expostas enquanto estavam na máquina de ressonância. Eles esperam que, no futuro, seja possível gravar sonhos para rever na televisão quando estiver acordado.
Inovações como essas fazem parecer que, finalmente, o entendimento de como funciona nosso pensamento está a apenas um passo ou dois de ser compreendida. Só que não.
Às vezes, os neurocientistas se entusiasmam tanto que começam a imaginar ter explicado coisas que estão longe de ser resolvidas. “A despeito de inferências bem informadas, o maior desafio do imageamento é que é muito difícil os cientistas olharem para um ponto ativo em uma imagem cerebral e concluírem com certeza o que está acontecendo na mente da pessoa”, dizem Satel e Lilienfeld.
Um exemplo eloquente de como eles podem escorregar na casca de banana aconteceu em 2008, quando um grupo de neurocientistas da empresa FKF Applied Research, de Washington, tentou enxergar o “posicionamento político” no cérebro de voluntários indecisos sobre sua preferência na eleição presidencial americana. Eles foram colocados em máquinas de ressonância magnética e expostos a imagens de diversos pré-candidatos democratas e republicanos. Segundo suas conclusões, publicadas em artigo no jornal The New York Times, os dois pré-candidatos mais impopulares eram John McCain e Barack Obama, meses depois indicados por seus partidos. Obama ganhou aquela eleição e é tão “impopular” que foi reeleito no ano passado.
Um dos desafios das pesquisas de neurociência é que, para correlacionar um tipo de pensamento a um padrão de atividade cerebral, é preciso que o voluntário relate o que está pensando. Aí fica fácil dizer que visualizaram “amor” ou “ódio” no cérebro. Mas é quase uma redundância. O voluntário já sabia o que estava sentindo, e não precisava de uma imagem cerebral para provar! Por outro lado, sem a informação de quem está “do lado de dentro” da mente, o padrão de atividade em si não permite mais que inferências muito gerais.

MENTES QUE MENTEM
Em seu livro A Skeptics Guide to the Mind: What Neuroscience Can and Cannot Tell Us About Ourselves (“Um guia cético para a mente: o que a neurociência pode e não pode nos dizer sobre nós mesmos”), publicado em 2013, Burton sugere que acreditar demais no poder da neurociência pode levar a situações dramáticas. Com ampla experiência médica, ele lembra os casos em que a pessoa fica em coma profundo, ou em estado vegetativo, por vários anos.
Alguns neurocientistas têm investigado o nível de atividade cerebral nesses pacientes e sugerido, a partir disso, que eles ainda estão conscientes, apesar de incomunicáveis. Burton defende que essa é uma conclusão precipitada, sem base em ciência sólida, e que pode levar ao sofrimento muitos parentes que tiveram de fazer a opção por desligar o suporte de vida a esses pacientes. Indo mais longe, Burton acredita que há uma falha essencial que impedirá os humanos de compreenderem sua própria mente.
Já se identificaram o centro de recompensa, as áreas responsáveis pela memória, pela visão, pela audição e até mesmo que região é usada na leitura (uma atividade aprendida, em que o cérebro empresta uma área associada a reconhecimento de rostos).

Experimentos em macacos iniciados pelo brasileiro Miguel Nicolelis, da Universidade Duke, mostram que é possível extrair sinais do cérebro e interpretá-los por computador de forma que o animal controle braços robóticos ou um cursor na tela. Espera-se que isso resulte em próteses cibernéticas para paraplégicos.
Estudos no Japão já mostraram que é possível interpretar sinais do córtex visual e transformá-lo em imagens muito próximas do que os voluntários estão vendo. O passo seguinte é fazer a mesma coisa com sonhos.
Uma revisão recente publicada na revista Nature Reviews Neuroscience demonstrou que os estudos de neurociência em geral têm uma confiabilidade estatística muito baixa. Como eles usam poucos voluntários, é difícil distinguir fenômenos reais de flutuações.
Embora a compreensão de fenômenos neurológicos que levam a doenças como epilepsia e mal de Alzheimer tenha aumentado, pouquíssimas drogas eficazes surgiram como resultado dos avanços recentes da neurociência.
Na Índia, em 2008, eletroencefalogramas foram usados para condenar à prisão perpétua uma estudante de 25 anos, acusada de matar o ex-noivo envenenado. Outros dois foram condenados por assassinato pelo mesmo método, até que um relatório, naquele mesmo ano, mostrou que os exames eram absolutamente inconclusivos.

10.917- Astronáutica – Nasa estuda forma de viajar mais rápido que a luz


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Com a tecnologia atual, a humanidade não vai conseguir chegar longe no Cosmos. As distâncias são muito grandes – e nossos foguetes, muito lentos. Mas um grupo da Nasa diz que é possível construir uma espaçonave capaz de um feito incrível: voar mais rápido do que a velocidade da luz (300 mil quilômetros por segundo). Isso permitiria ir a lugares muito remotos e alcançar os planetas habitáveis mais próximos da Terra. Para fazer isso, a nave teria de deformar o espaço, comprimindo o que está à sua frente e esticando o que está atrás dela, criando a chamada dobra espacial. Pela Teoria da Relatividade, é possível. Só que não é fácil. Seria preciso pegar uma quantidade enorme de massa, equivalente à do planeta Júpiter, e transformá-la em energia (colidindo essa matéria com antimatéria, que pode ser produzida num acelerador de partículas). Inviável.
Mas o físico Harold White, da Nasa, diz que é possível aperfeiçoar o processo – e gerar a energia usando apenas 500 kg de matéria. A energia alimentaria anéis na frente e na traseira da nave, que produziriam um campo gravitacional artificial – deformando o espaço. “Seria o suficiente para alcançar dez vezes a velocidade da luz”, diz. Daria para ir até a estrela mais próxima, Alfa Centauri, em meros cinco meses.
Para chamar atenção para seu projeto, White produziu um desenho da nave. Mas ainda é cedo para saber se vai virar realidade. Esses 500 kg de massa ainda são muita energia: cerca de 25 mil tWh (terawatts-hora), tudo o que os EUA consomem em um ano. White, por ora, tem planos mais modestos. Está bolando um teste para demonstrar que é realmente possível gerar uma dobra espacial.

10.916 – Genética – A era dos mosquitos transgênicos


Ele tem um segredo terrível, que vai destruir a sua própria espécie. Parece um conto bíblico, mas é real: é a história do OX513, um mosquito geneticamente modificado que foi criado pelo homem com a missão de extinguir o Aedes aegypti e acabar com a epidemia de dengue. Depois de criar versões transgênicas de plantas como o milho e a soja, agora a humanidade modifica o DNA de um bicho e se prepara para liberá-lo na natureza. Aqui mesmo no Brasil – onde fica a primeira fábrica de mosquitos transgênicos do mundo.
PESTE ALADA
Mosquitos são criaturas terríveis. Estima-se que eles tenham sido responsáveis por metade de todas as mortes de seres humanos ao longo da história. Ou seja, mataram mais gente do que qualquer outra coisa. Isso acontece porque, como se multiplicam rápido e em enormes quantidades, são excelentes transmissores de doenças – como a dengue, que é causada por um vírus chamado DENV. O mosquito pica uma pessoa infectada, adquire o vírus, e o espalha para outras pessoas ao picá-las também. A dengue é uma doença séria, que pode matar, e um grande problema no Brasil: em 2013, o Ministério da Saúde registrou 1,4 milhão de casos, mais que o dobro do ano anterior. Tudo culpa do Aedes aegypti. Ele é um mosquito de origem africana, que chegou ao Brasil via navios negreiros, na época do comércio de escravos. E hoje, impulsionado pela globalização, levou a dengue a mais de cem países (na década de 1970, apenas nove tinham epidemias da doença). Os números mostram que, mesmo com todos os esforços de combate e campanhas de educação e prevenção, o mosquito está ganhando a guerra.

Entra em cena o OX513A, que foi criado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. Ele é idêntico ao Aedes aegypti – exceto por dois genes modificados, colocados pelo homem. Um deles faz as larvas do mosquito brilharem sob uma luz especial (para que elas possam ser identificadas pelos cientistas). O outro é uma espécie de bomba-relógio, que mata os filhotes do mosquito. A ideia é que ele seja solto na natureza, se reproduza com as fêmeas de Aedes e tenha filhotes defeituosos – que morrem muito rápido, antes de chegar à idade adulta, e por isso não conseguem se reproduzir. Com o tempo, esse processo vai reduzindo a população da espécie, até extingui-la (veja no infográfico abaixo como o processo funciona). Recentemente, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, um órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, aprovou o mosquito. E o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a permitir a produção em grande escala do OX513A – que agora só depende de uma última liberação da Anvisa. A Oxitec, empresa criada pela Universidade de Oxford para explorar a tecnologia, acredita que isso vai ocorrer. Tanto que acaba de inaugurar uma fábrica em Campinas para produzir o mosquito.
O OX513A já foi utilizado em testes na Malásia, nas Ilhas Cayman (no Caribe) e em duas cidades brasileiras: Jacobina e Juazeiro, ambas na Bahia. Deu certo. Em Juazeiro, a população de Aedes aegypti caiu 94% após alguns meses de `tratamento¿ com os mosquitos transgênicos. Em Jacobina, 92%. As outras formas de combate, como mutirões de limpeza, campanhas educativas e visitas de agentes de saúde, continuaram sendo realizadas. “Nós não paramos nenhuma ação de controle. Adicionamos mais uma técnica”, diz a bióloga Margareth Capurro, da USP, coordenadora técnica das experiências. Há indícios de que o mosquito transgênico funciona. Mas ele também tem seu lado polêmico.
Há quatro anos, quando os mosquitos da Oxitec chegaram à Malásia para uma das primeiras rodadas de teste, surgiu uma preocupação. Quando um organismo geneticamente modificado é introduzido na natureza, seja ele uma planta ou um animal, é complicado prever tudo o que pode acontecer – e muito difícil contê-lo se alguma coisa der errado. Em tese, os mosquitos transgênicos não têm como se espalhar. Três a quatro dias depois de serem soltos, e de fazer sexo com uma fêmea, eles simplesmente morrem. Seus filhotes não conseguem crescer, e também morrem. E a história acaba aí. Mas, e se o mosquito OX513A sofresse uma mutação, e se tornasse imune ao gene letal? Afinal, é assim que a evolução funciona. Mutações são inevitáveis. “Todas as espécies agem para burlar os fatores que tentam exterminá-las”, afirma o biólogo Carlos Andrade, da Unicamp. Se o inseto transgênico conseguisse vencer o gene letal, ele poderia se reproduzir livremente – e se tornaria incontrolável. Foi essa a preocupação do grupo ambientalista inglês EcoNexus, que enviou uma carta às autoridades da Malásia. “Os [insetos] transgênicos podem não ser completamente erradicados do ecossistema, com consequências perigosas.” A Oxitec diz que não há risco. Ela estima que até 5% dos filhotes transgênicos poderão sobreviver ao gene letal, e chegar à idade adulta. Mas eles serão menores e mais fracos do que os mosquitos “selvagens”, e por isso não conseguirão se reproduzir. Mesmo se conseguirem, em tese não terão nenhuma característica que os torne mais perigosos que o Aedes comum. Além disso, como eles são criados em laboratório, seu DNA pode ser monitorado. “Os dois genes [que foram] inseridos são muito estáveis. A linhagem OX513A foi criada em 2002, e até agora teve mais de cem gerações em laboratório, sem nenhuma mudança nos genes inseridos”.
Os mosquitos machos se alimentam de frutas, e por isso não picam. Quem pica é a fêmea, que precisa de sangue humano para nutrir seus ovinhos. É ela que transmite a dengue. Por isso, as fêmeas de OX513A são separadas no próprio laboratório. Algumas são mantidas em cativeiro, para reproduzir a espécie, e as demais são mortas. Apenas os machos, que não picam, são liberados na natureza.

O processo de separação não é perfeito. Até 0,2% dos mosquitos liberados são fêmeas, que podem picar seres humanos. Não é uma quantidade insignificante. A fábrica da Oxitec em Campinas tem capacidade para produzir 500 mil mosquitos machos por semana, podendo ser ampliada para 2 milhões. Isso significa que, devido à margem de erro, mil a 4 mil fêmeas seriam liberadas a cada semana. E elas poderiam transmitir dengue. A Oxitec questiona essa possibilidade. “Para transmitir dengue, a fêmea primeiro tem de pegar dengue”, diz Sofia Pinto, supervisora de produção dos mosquitos. O ciclo da dengue, em que o mosquito pega o vírus de uma pessoa e o transmite para outra, leva cerca de dez dias. Um estudo 1 revelou que em condições ideais, de laboratório, as fêmeas de OX513A podem alcançar 16 dias de vida. Mas, segundo a Oxitec, isso não ocorre na natureza – onde os insetos transgênicos não sobrevivem mais de quatro dias. Ou seja: em tese, as fêmeas liberadas acidentalmente não teriam tempo de espalhar a doença.
Uma eventual extinção do Aedes aegypti não poderia acabar criando um desequilíbrio ecológico? “Não acredito que vamos ter efeitos negativos, porque esse mosquito é uma espécie invasora”, diz Glen Slade, diretor da Oxitec. O mosquito da dengue já chegou a ser erradicado no Brasil, na década de 1950, e só voltou nos anos 80 (vindo da Ásia). “Não existe animal que viva nos criadouros desse mosquito, como caixas d¿água e vasos de plantas. E animais como lagartixa, sapo, pássaro comem qualquer inseto que voe, não só esse mosquito”.
Apesar de todos os poréns científicos, a crítica mais forte ao inseto transgênico está relacionada a algo trivial: a quantidade de mosquitos necessária. O OX513A é fisicamente mais fraco do que o mosquito natural, e por isso tem que ganhar em número. Para que a técnica dê certo, e o transgênico consiga acasalar com as fêmeas (para gerar descendentes inférteis e acabar com a espécie), é preciso liberar uma quantidade enorme dele: dez mosquitos transgênicos para cada mosquito selvagem. Na prática isso significa que, para tratar uma área bem pequena, com apenas 10 mil habitantes, seria preciso liberar 2 milhões de mosquitos por semana durante a fase inicial de tratamento, que dura de quatro a seis meses. Isso é alvo de críticas de alguns especialistas. “Liberar milhões de mosquitos numa área de alguns quarteirões urbanos é insano. É forçar para dar certo”, diz o biólogo Carlos Fernando Andrade, da Unicamp.
O OX513A pode acabar se mostrando uma solução sofisticada demais para um problema que pode ser atacado com medidas mais simples. Talvez a vacina contra o vírus da dengue.
Seria muito mais fácil controlar a dengue com uma vacina. E ela pode estar perto de virar realidade. Num estudo 2 feito na Ásia, 10 mil crianças receberam uma vacina experimental, fabricada pelo laboratório francês Sanofi Pasteur. Entre elas, houve 56,5% menos casos de dengue. Ou seja: a vacina não é perfeita, mas parece fazer efeito. O problema é que só imuniza contra três dos quatro subtipos de vírus da dengue – e os cientistas ainda não sabem o porquê. Há outro estudo em curso, com 20 mil voluntários espalhados por Brasil, Colômbia, Honduras, México e Porto Rico.

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10.915 – Medicina – A Neurologia


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É uma especialidade médica que trata dos distúrbios estruturais do sistema nervoso. Especificamente, ela lida com o diagnóstico e tratamento de todas as categorias de doenças que envolvem os sistemas nervoso central, periférico e autônomo, incluindo os seus revestimentos, vasos sanguíneos, e todos os tecidos efetores, como os músculos. O correspondente cirúrgico da especialidade é a neurocirurgia.
O neurologista, médico que se especializou em neurologia, é treinado para investigar, diagnosticar e tratar distúrbios neurológicos. O neuropediatra trata doenças neurológicas em crianças. Neurologistas também podem estar envolvidos na pesquisa clínica, ensaios clínicos, bem como em pesquisa de ciências básicas da medicina.
Entre as principais doenças abordadas pela especialidade podem-se citar:
Distúrbios do sono
Neuro-infecções
Epilepsias
Doenças vasculares encefálicas
Neuropatias
Mielopatias
Traumatismo crânio-encefálico
Doenças neurodegenerativas
Distúrbios dos movimentos
Síndrome de Guillain-Barré
Deficiência mental e Malformações congênitas do Sistema Nervoso
Para se obter o título de Médico especialista em Neurologia no Brasil, é necessário, após a graduação em Medicina, cumprir integralmente o programa de residência médica reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) ou realizar estágio em instituição reconhecida, com duração de 3 anos, e após, prestar prova no concurso promovido pela Academia Brasileira de Neurologia.
Um caso fascinante é relatado pelo neurocientista português Antônio Damásio no seu livro “O Erro de Descartes” a respeito de Phineas Gage, um capataz de construção civil na Nova Inglaterra que, em 1848, teve um acidente no qual um bastão de ferro lhe entra pela face esquerda, trespassando a base do crânio e destruindo-lhe a parte anterior do cérebro, porém sobreviveu. Através dos relatos a respeito da mudança de personalidade de Gage, os neurologistas ainda hoje retiram daí ilações sobre a fisiologia cerebral.

10.909 – Comportamento Animal- Macaco salva ‘amigo’ eletrocutado


Um macaco foi flagrado em um ato heroico em Kanpur, na Índia: quando outro animal foi eletrocutado por andar nos cabos de força e caiu inconsciente sobre uma estação de trem, o primata fez de tudo para reanimá-lo.
Diversas pessoas presentes na estação filmaram a cena, em que o macaco passa mais de 20 minutos tentando reviver o outro, puxando, batendo e jogando-o na água até ele voltar a apresentar sinais de vida.

10.908 – Medicina – Preconceito faz mal à saúde


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Quando ainda fazia residência em Harvard, em 1997, o bioengenheiro Esteban Burchard viu um adolescente negro morrer de asma a poucas quadras do hospital, com o inalador na mão. No mesmo ano, ele identificou um gene que aumenta o risco de desenvolver uma variante mais forte da asma — e ele era 40% mais comum em pessoas negras. Pois que agora, quase 20 anos depois, um outro estudo feito por Burchard revelou que a maioria das pesquisas feitas nos Estados Unidos é focada em pessoas brancas e descendentes de europeus. O resultado é que muitos remédios no mercado não são os mais eficazes para pessoas de outras etnias. Diabetes e problemas no coração, por exemplo, são mais comuns em latinos e hispânicos.
O problema, segundo Burchard, é que as pesquisas científicas tendem a buscar populações geneticamente homogêneas.
É mais fácil realizar um estudo em indivíduos semelhantes do que realizar o mesmo projeto em populações diferentes. Os próprios médicos acabam preferindo estudar pacientes parecidos com eles. “Até as mulheres entrarem na medicina, não existiam pesquisas que incluíam mulheres”, diz Burchard. Para completar, a principal agência que financia projetos médicos nos EUA também não costuma aceitar propostas que envolvam pesquisas com outras etnias. Um estudo de 2011 publicado na revista Science revelou que cientistas asiáticos e negros têm, respectivamente, 4% e 13% menos chance que brancos de receber financiamento. O argumento é que essas populações apresentam grande variação genética, o que as tornaria mais difíceis de analisar.