Arquivo da categoria: Ciência

10.213 – Ciência tenta explicar o poder dos golfinhos em salvar vidas no mar


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Os golfinhos são animais surpreendentes e, frequentemente, surgem notícias que comprovam o quanto a ciência ainda tem a descobrir sobre a espécie. Recentemente, estes animais foram reconhecidos pela Associação Americana para o Avanço da Ciência‏ como “pessoas não humanas”, fato que os coloca em uma categoria de animais protegidos pela lei contra abusos. Segundo estatísticas, os golfinhos resgatam anualmente mais de mil mergulhadores e náufragos.
A explicação de alguns especialistas, como os da Sobrenatural.org, é que, ao se depararem com uma pessoa perdida no mar, os golfinhos usam o seu sonar para identificar semelhanças de suas estruturas ósseas com a de humanos, o que faz com que pensem que somos um deles.
Um vídeo mostra as imagens do atleta Adam Walker nadando no mar da Nova Zelândia. De repente, surge um tubarão e, quase como milagre, dezenas de golfinhos o rodeiam, protegendo-o do perigo.
Os animais ainda contam com diversas outras características, no mínimo, carinhosas, como gostar de cachorros, cuidar de outros golfinhos doentes, ajudar as baleias e, até mesmo, brincar e fazer coisas por simples diversão. Tudo isso parece indicar que o golfinho pode ser considerado o melhor amigo do homem debaixo da água.

10.212 – Poluição Ambiental – Atletas olímpicos, não caiam nas águas do Rio, alerta NYT


Poluição na Baía da Guanabara
Poluição na Baía da Guanabara

Os velejadores que competirão nas Olimpíadas de 2016 e os órgãos brasileiros envolvidos na preparação do evento têm pela frente um desafio comum: enfrentar a poluição da Baía de Guanabara, afirma matéria publicada pelo jornal The New York Times.
Especialistas ouvidos pela reportagem compararam a qualidade das águas da região à de uma latrina, tamanha a quantidade de lixo e sujeira encontrados, como ilustra uma sequência de fotos impressionantes que acompanham a reportagem. Quase autoexplicativo, o título sugere: “Velejadores, não caiam nas águas do Rio”.
A matéria ressalta o contraste entre a imagem que o país busca passar e os graves problemas que enfrenta na realidade. “A Baía de Guanabara, aninhada entre o Pão de Açúcar e outros picos, oferece o tipo de imagem que as autoridades do Rio de Janeiro querem comemorar como anfitriões dos Jogos. Mas tornou-se um ponto focal de reclamações por suas águas poluídas, que se transformaram em símbolo de frustrações nos preparativos para os Jogos Olímpicos”, diz um trecho.
“Bem-vindo ao depósito de lixo que é o Rio”, disse ao jornal a equipe de vela da Alemanha. Atletas brasileiros não parecem discordar. “Ela [a Baia] pode ficar realmente nojenta, com carcaças de cães em alguns lugares e água marrom de contaminação por esgotos”, contou o carioca Thomas Low-Beer, 24, que treina na baía.
Segundo a reportagem, o velejador Lars Grael, lenda da vela brasileira, teria sugerido que os eventos espostivos mudassem para outro lugar. Na época da candidatura para as olimpíadas, há cinco anos, a promessa brasileira era de que a Bahia de Guanabara seria 100% despoluída até 2016.
Agora, já se fala do objetivo de tratar pelo menos 80%, mas menos de 40% é atualmente tratado, pondera o jornal. Em entrevista ao jornal, Carlos Portinho, principal autoridade ambiental do Rio de Janeiro, disse que as críticas da Baía de Guanabara são exageradas.
Ele afirma que testes recentes mostraram que a contaminação fecal na área que receberá a regata estava dentro dos padrões considerados “satisfatórios” no Brasil.

10.208 – Biologia – O Faro do Cão


Além de serem conhecidos como os “melhores amigos do homem”, os cães também são famosos por terem o faro bem aguçado. E é por essa razão que muitos são treinados para auxiliar em operações de busca e resgate e de apreensão de drogas. Mas, além de desempenhar muito bem essas atividades, os cachorros também são — ou já foram — empregados para farejar muitas outras coisas, sendo que algumas delas são bem estranhas.
O poder de faro dos cães é surpreendente, e a seguir você pode conferir exemplos — selecionados a partir de um artigo publicado pelo pessoal do site ListVerse — de coisas que os cães são capazes de detectar através de seus superfocinhos:
Pirataria
Os cães podem ser treinados para detectar um elemento chave na fabricação de DVDs. Tanto que os animais estão sendo utilizados por policiais no combate à pirataria em locais como o sudeste asiático. Os dois cachorros da imagem, por exemplo, ajudaram as autoridades a apreender um carregamento avaliado em US$ 3 milhões (cerca de R$ 6,7 milhões), levando criminosos malaios a oferecer US$ 30 mil (ou R$ 66 mil) como recompensa pela captura da dupla.

“Ovulação” bovina
É muito comum que grandes produtores lancem mão da inseminação artificial quando o assunto é aumentar o rebanho. Mas algumas vezes o sêmen utilizado é proveniente de touros famosos, e o custo desse material pode ser exorbitante. Assim, para evitar o desperdício, alguns fazendeiros começaram a utilizar cães especialmente treinados para farejar quando as vacas estão no cio, e alguns deles são melhores do que os touros em detectar o momento certo.

cão faro

Doenças
Não é nenhuma novidade que os cães são capazes de detectar uma série de cheiros liberados pelo organismo humano, e alguns estão sendo treinados para ajudar no diagnóstico de doenças como o câncer e o diabetes. No primeiro caso, segundo os pesquisadores, as células cancerígenas apesentam um odor específico, e pacientes com alguns tipos de câncer — como o de mama, pulmão e bexiga — podem liberar esse cheiro através do hálito. Sendo assim, os cachorros estão sendo adestrados para farejar a doença.
Já no caso do diabetes, os animais podem ser treinados para alertar os doentes quando a glicose atinge níveis perigosos, e alguns cães podem inclusive prever a ocorrência de ataques e até mesmo buscar o kit de insulina para os donos.
Inimigos
É evidente que o melhor amigo do homem é capaz de identificar o cheiro de inimigos, mas você sabia que oscães participaram ativamente durante a Guerra do Vietnã, ajudando os soldados norte-americanos a encontrar soldados vietcongues, armas, túneis e até armadilhas? Aliás, não é de hoje que os animais são empregados para atuar ao lado de militares, e existem registros de cachorros atuando em combates desde a antiguidade.

10.203 – Anatomia – O Sistema Nervoso


sistema nervoso

Os nervos são estruturas finas e esbranquiçadas constituídas por conjuntos de fibras nervosas e tecido conjuntivo, responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos. Essas estruturas saem do encéfalo e da medula espinhal, formam diversas ramificações, alcançando todas as partes do corpo.
Para formar os nervos, primeiramente, cada fibra nervosa é envolta por uma camada de tecido conjuntivo denominado endoneuro. Com isso, essas fibras se organizam em feixes que, por sua vez, são revestidos por uma nova camada de tecido conjuntivo: o perineuro. Finalmente, os feixes se arranjam em conjuntos e são revestidos pela última camada de tecido conjuntivo, o epineuro. Esses tecidos conjuntivos possuem vasos sanguíneos que abastecem as fibras nervosas de oxigênio e nutrientes.
Conforme o tipo de fibra nervosa que os compõe, os nervos podem ser classificados em sensitivos (ou aferentes), que são aqueles compostos somente por fibras nervosas de neurônios sensitivos; motores, formados apenas por fibras nervosas de neurônios motores; e mistos, que contêm fibras nervosas tanto de neurônios sensitivos quanto de neurônios motores. É muito comum, também, classificar os nervos de acordo com a região do sistema nervoso à qual estão ligados: os nervos cranianos são aqueles ligados ao encéfalo, enquanto os raquidianos ou espinais são ligados à medula espinhal.
No corpo humano existem 12 pares de nervos cranianos e 31 pares de nervos raquidianos. Os nervos cranianos são capazes de conduzir o impulso nervoso do encéfalo para os músculos, ou dos órgãos sensoriais para o encéfalo. Veja quais são esses nervos e suas funções:
Olfativo – transmite informações do sistema olfativo para o encéfalo;
Ótico – transmite estímulos visuais para o encéfalo;
Oculomotor (ou motor ocular) – responsável pelo movimento dos olhos;
Troclear (ou patético) – responsável pelo movimento dos olhos e são receptores musculares;
Trigêmeo – participa do processo mastigação e movimentos da face.
Abducente – responsável pelo movimento dos olhos;
Facial – lacrimação, salivação e movimentos faciais;
Cocleo-vestibular (ou vestibulocócleo) – transmite informações do sistema auditivo para o encéfalo, além de ser responsável pelo equilíbrio;
Glosso-faríngeo – paladar, deglutição e salivação;
Vago – responsável pelos movimentos cardiorrespiratórios.
Espinhal acessório – deglutição e movimentos do pescoço;
Hipoglosso – movimentos da língua.
Já os nervos raquidianos ligam a medula espinhal aos músculos de diversas regiões do corpo. Esses nervos se comunicam com a medula espinhal percorrendo os espaços existentes entre as vértebras, chamados de espaços intervertebrais. Em cada um desses espaços existe um par de nervos raquidianos, e cada nervo se conecta à medula através de dois conjuntos de fibras nervosas, conhecidas como raízes do nervo. Uma das raízes do nervo raquidiano é conectada à região dorsal da medula, sendo, por isso, chamada de raiz dorsal. A outra raiz, por sua vez, conecta-se à região ventral da medula, recebendo o nome de raiz ventral.
A raiz dorsal dos nervos raquidianos é constituída apenas por fibras nervosas sensitivas. Por causa disso, uma lesão na raiz dorsal de um nervo provoca perda de sensibilidade, mas não de movimento. Já a raiz ventral, é composta essencialmente por fibras nervosas motoras. Assim, caso a raiz ventral do nervo espinhal seja lesionada, haverá paralisia de músculos, mas a sensibilidade não será afetada.

10.202 – Medicina – O que é Necrobiose Lipoídica?


Escola Paulista de Medicina

Trata-se de uma desordem crônica degenerativa do tecido conectivo dérmico, comumente ligada a pacientes que possuem diabetes, especialmente diabetes mellitus tipo 1, embora também possa afetar indivíduos que não sejam portadores dessa desordem.
Foi descrita primeiramente por Oppenheim , em 1929, e denominada dermatite atrofiante. Em 1932, esta desordem passou a ser chamada de necrobiose lipoídica diabeticorum, por Urbach. Em 1935, foram descritos casos de pacientes com este transtorno que não eram portadores da diabetes, gerando o termo utilizado atualmente, necrobiose lipoídica.
Os locais mais acometidos nesta desordem são os membros inferiores, especialmente a região pré-tibial, com padrões simétricos; todavia, também pode acometer os membros superiores. Clinicamente, esta condição apresenta-se com máculas ou placas de formato oval ou irregular, de crescimento centrífugo, que apresenta uma área central atrófica e/ou depressiva, com telangiectasias que, inicialmente, apresenta-se eritematosa e, com o tempo, torna-se amarelada. Na periferia da lesão, pode observar-se uma área de coloração castanho-avermelhada. Raramente pode haver prurido, dor, analgesia, hipo-hidrose e alopecia nos locais afetados.
O diagnóstico é alcançado por meio de uma biópsia de pele. O principal diagnóstico diferencial deve ser feito com o granuloma anular.
O tratamento é complicado e existe muita divergência entre os especialistas. Nos casos de pacientes diabéticos, o controle da glicemia mostra melhora no aspecto das lesões. O uso de corticoides tópicos e intralesional é a forma de tratamento mais utilizada, apesar de existir a chance de agravar a atrofia e/ou ulceração.

10.201 – Biologia – A Doença da mancha branca


É uma doença que acomete camarões e é uma das quatro identificadas no Brasil que constam na lista da OIE em animais aquáticos. É de etiologia viral. O WSSV- “White Spot Syndrome Virus” é uma infecção persistente, durante toda a vida do animal, tendo elevada mortalidade em cultivos de camarão. Os animais que se recuperam da infecção são portadores persistentes do vírus. Não são conhecidos vetores biológicos. Esse vírus possui um tipo de flagelo e seu material genético é DNA (sendo geneticamente mais estável) e faz parte da família Nimaviridae. Também possuem a proteína VP28. Seu ciclo replicativo a 25 ºC gira em torno de 20 horas.
É um vírus resistente e de boa sobrevivência: estudos mostram que tem durabilidade de 30 dias em água marinha a 30 ºC. Dura de 3 a 4 dias em lagoas, porém é inativado em um minuto a 60 ºC.
Os principais hospedeiros do vírus da doença da mancha branca são os crustáceos, principalmente os decápodes. Os caranguejos e lagostas apresentam morbidade por este vírus, porém os camarões marinhos e de água doce são os que apresentam maior mortalidade.
Crustáceos não decápodes, copépodes, rotíferos, artemia salina e os decápodes selvagens são também hospedeiros e foram diagnosticados como portadores do vírus. Crustáceos não decápodes apresentam infecção subclínica. Outros moluscos marinhos como poliquetos e artrópodes marinhos não-crustáceos são portadores mecânicos.
A infecção viral acomete todos os estágios de vida, sendo as principais fases as pós-larva e jovens. O estresse é uma condição que favorece a infecção e as manifestações clínicas. A muda, mudanças de pH e alterações de salinidade causam elevados níveis de estresse em crustáceos. Os tecidos de eleição para análise são os de origem embrionária ectodérmica e mesodérmica. Uma analise histopatológica pode ser feita com o epitélio cuticular, conjuntivo sub-cuticular, glândula antenal e órgãos hematopoiéticos.
Existe a forma clínica e subclínica. Isso depende da tolerância do hospedeiro a esta infecção viral. Mudanças bruscas de salinidades e temperatura de água abaixo de 18 ºC ou acima de 30 ºC são os principais fatores desencadeantes. Manifestações clínicas: letargia, coloração de rósea a marrom, queda no consumo de alimento e alteração de comportamento de se aproximar nas margens e na superfície da água. Vias de transmissão: vertical – transovariana e horizontal como canibalismo e água. Prevalência variável: menor que 1% em animais selvagens e 100% dentro de um cultivo. Identificada na China, Japão, Coréia, Sul e Sudeste Asiático, Oriente Médio e América, subcontinente Indiano e Mediterrâneo.
Prevenção e controle: existem estudos relacionados a proteínas VP com imunização que aumentou a resistência dos camarões. Não existem vacinas e drogas conhecidas e nem espécimes resistentes. Prevenção: Prática de manejo adequada como evitar repovoamento em estações frias, utilizar para repovoamento as espécimes livres e conter água e sistemas biológicos seguros.

10.198 – Genética – Homens mais baixos vivem mais?


Já abordamos esse tema em outros capítulos do ☻ Mega, pois já houveram outros estudos sobre o assunto. Onde há fumaça, há fogo.
Estatura e longevidade apresentam uma conexão direta — pelo menos para homens de origem japonesa. É o que mostrou um estudo feito por pesquisadores dos Estados Unidos, Japão, Austrália e México, publicado no periódico Plos One.
O estudo foi baseado em dados de 8 006 nipo-americanos nascidos entre 1900 e 1919 e residentes da ilha de Oahu, no Havaí. Dentre eles, 12% tinham nascido no Japão, e a maioria era da segunda geração.
Os pesquisadores descobriram que os homens mais baixos tendiam a apresentar uma forma do gene FOXO3 que já havia sido associada à longevidade em estudos anteriores. Esses participantes também apresentavam menores níveis de insulina no sangue. “Analisamos homens de 1,50 a 1,80 metro de altura. Quanto mais alto, menor foi a longevidade”, afirma Bradley Willcox, um dos autores do estudo e professor da Universidade do Havaí.
Os autores da pesquisa explicam que a amostra utilizada é bastante homogênea geneticamente e portanto não corresponde à população mundial.
“O estudo é bem desenhado e pode indicar que a genética desempenha um papel muito importante na longevidade, mas não permite ainda afirmar que as pessoas mais baixas vão viver mais. Essa correlação precisa ser avaliada em outras populações”, diz o médico geneticista Ciro Martinhago, diretor da clínica Chromosome Medicina Genômica, em São Paulo, que não participou do estudo.
Segundo Martinhago, a longevidade provavelmente não se deve à altura, mas ao fato de que os portadores da variação do gene FOXO3 metabolizam insulina com mais eficiência. “O processamento da insulina e a altura são consequência da presença desse gene”.

10.195 – Mega Techs – O Satélite de Comunicações


Inventado na década de 50, continua firme e forte
Inventado na década de 50, continua firme e forte

A era dos satélites artificiais começou em 4 de Outubro de 1957, quando a União Soviética lançou ao espaço o satélite Sputinik 1. A esfera de pouco menos de 60 centímetros foi o primeiro artefato construído pelo homem a orbitar em volta da terra.

Desde a década anterior, quando, no final da Segunda Guerra Mundial as potências ganhadoras dividiram os cientistas alemães de maior prestígio, a União Soviética e os Estados Unidos dedicaram-se ao desenvolvimento da tecnologia de foguetes e começara a estudar a possibilidade de colocar em órbita satélites artificiais Em 1945, um artigo publicado numa revista de ficção científica, o escritor inglês Arthur C. Clarke examinou detalhadamente a possibilidade de contar com dispositivos no espaço que permitissem a criação de uma rede de comunicações que englobara todo o planeta, chegando a sugerir que três satélites em órbita geostacionários conseguiriam cobrir o mundo inteiro.

O governo dos Estados Unidos, a partir de 1946, com o Projeto Rand, começou a estudar a possibilidade de lançar um artefato que servisse para estudos científicos desde o espaço exterior e das altas camadas da atmosfera. Apesar de não totalmente convencido da utilidade militar do mesmo, considerava uma formidável ferramenta para a ciência, assim como um sinal de superioridade diante dos soviéticos.

A Casa Branca anunciou em Julho de 1955 a intenção de realizar um lançamento na Primavera de 1958. O Explorer 1 o primeiro satélite artificial norte-americano, foi lançado em 31 de Janeiro de 1958. Quatro anos depois, em 10 de Julho de 1962, foi lançado o primeiro satélite de comunicações, o Telstar, resultado do trabalho de um consórcio formado pela NASA, as empresas AT&T e Bell e os correios nacionais da Inglaterra e França.

Outros satélites podem ser de reconhecimento para uso militar ou para estudos do espaço, como o telescópio Hubble. Suas órbitas são diferentes, dependendo da altura, velocidade e o plano com que se movem em relação ao nosso planeta, cobrindo zonas específicas ou atuando em conjunto para cobrir toda a Terra, como os satélites que formam o Sistema Global de Posicionamento, ou GPS.

Desde o lançamento do Sputnik 1 em 1957 até hoje, mais de vinte e cinco mil objetos artificiais foram postos em órbita. Destes, aproximadamente oito mil continuam em funcionamento. O restante ficou com dejeto espacial ou caem na Terra quando o combustível termina.

10.190 – Mega Hitec – Redes Mesh permitirão a comunicação sem Internet


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A ideia de se comunicar por telefone ou de conectar-se à internet em locais remotos e sem acesso a redes pode parecer absurda, mas não tanto quanto imaginamos: a tecnologia das redes de malha sem fio não só poderia proporcionar essa proeza como também representa uma potencial segunda revolução das comunicações móveis.
A tecnologia baseada nas redes de malha (‘mesh network’ em inglês) não é uma novidade, embora seus benefícios ainda se encontrem em etapa de experimentação. Trata-se de uma rede que permite interconectar todos nós ao mesmo tempo, sem precisar de um servidor central, reduzindo os inconvenientes causados por falhas de equipamento. Com essa rede, os usuários de smartphones poderão conectar-se entre si mesmo fora de áreas de cobertura do serviço de telefonia celular.
“Em comparação com a internet ‘normal’, que se baseia em poucos pontos de acesso centralizados ou fornecedores de acesso à internet, as redes de malha possuem muitos benefícios”, afirmou Primavera de Filippi, pesquisadora do Centro Berkman para Internet e Sociedade da Faculdade de Direito de Harvard, em seu artigo publicado na revista Wired.
“No entanto, essa rede ainda não foi muito bem-sucedida. Acredito que é o momento de reconsiderar seu potencial e transformar a malha das redes em realidade. Não apenas por causa de seus benefícios óbvios, mas também porque oferece um modelo de internet nativo para a construção de comunidades e de governos”.

10.188 – Outernet: A nova internet gratuita via satélite que poderá chegar em 2015


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O projeto Outernet promete utilizar a mesma tecnologia de transmissão de dados que já é feita através das bandas largas dos sinais de rádio. Isso possibilitaria, inclusive, levar a democratização da web até os países que atualmente censuram o acesso à rede, como Coreia do Norte, China e Cuba.
Segundo a equipe responsável pelo projeto, apenas 60% da população mundial conta com acesso à internet e suas infinitas possibilidades. Seja por fatores políticos ou econômicos, o certo é que muitos países não investem na infraestrutura necessária para possibilitar o acesso universal à rede.
O revolucionário plano da Outernet prevê o lançamento de milhares de satélites em miniatura de baixo custo, conhecidos como CubeSats, na órbita mais baixa de nosso planeta. Cada um deles serviria como interface de transmissão de dados com uma rede de estações terrestres. Utilizando o protocolo conhecido como UDP (protocolo de datagramas de usuários em inglês), esses satélites compartilhariam informações entre os usuários da rede no mundo inteiro.
O projeto será financiado através de doação privada, sistema bastante comum nos Estados Unidos. O objetivo é realizar os primeiros testes na Estação Espacial Internacional, e para isso a entidade já deu entrada no pedido de autorização junto à NASA. Se tudo der certo, o lançamento dos satélites poderá ocorrer em junho de 2015.

10.187 – Não foi por falta de aviso: Cantareira pode secar em dezembro


Responsável por abastecer 61% da região metropolitana, o Sistema Cantareira chegou ao nível de 8,8% neste domingo, 11/05. Com a baixa captação de água nos meses tradicionalmente chuvosos, a alternativa rápida encontrada pelo governo para não secar as torneiras de boa parte da cidade é utilizar o chamado volume morto, que antes não estava acessível para bombeamento. Entretanto, a solução é apenas paliativa. Se no final do ano as precipitações continuarem escassas, São Paulo pode passar por um uma situação ainda mais grave.
A reportagem entrevistou, separadamente, quatro especialistas sobre o assunto. As opiniões são divergentes em alguns pontos, mas todos concordam que a cidade vive uma seca sem precedentes e não existe solução rápida. Confira as análises de Pedro Cortês, professor de Gestão Ambiental da USP; Rubem Porto, especialista da Escola Politécnica; Antonio Carlos Zuffo, professor do Departamento de Recursos Hídricos da Faculdade de Engenharia Civil da Unicamp; e Stela Goldenstein, ambientalista e diretora-executiva da ONG Águas Claras do Rio Pinheiros.
ATÉ QUANDO DURA A ÁGUA DA CANTAREIRA
Antonio Carlos Zuffo: Com o que temos hoje e mais o volume morto total (o que estará acessível para bombeamento a partir de agora e o restante, que pode vir a ser usado) teremos água suficiente até dezembro. Isso, porém, se não chovesse nada até lá, o que é quase impossível. Se levarmos em consideração a mesma quantidade de chuva deste ano para o próximo verão, chegaremos a zero em maio de 2015, entrando assim em um período de desabastecimento.
DIFICULDADES PARA A RECUPERAÇÃO DO SISTEMA
Antonio Carlos Zuffo: Em condições normais, o Sistema Cantareira consegue se recuperar de 10% a 20% ao ano. Assim, levaria de cinco a dez anos para ficar cheio novamente.
Rubem Porto: A população precisa entender que 2015 e, possivelmente, 2016 serão anos de vacas magras, com pouca água disponível. Em condições normais, em menos de dois anos é impossível encher o Sistema Cantareira.
Pedro Cortês: Os reservatórios não funcionam como uma piscina impermeável, que acumula água assim que chove. Como o solo dos reservatórios está ressecado, como é possível ver as rachaduras nas fotos, a água primeiramente vai acumular no subsolo para depois voltar a aflorar na superfície, no que podemos chamar de efeito esponja. Mesmo se chegar a zero, o sistema vai se recompor com as chuvas.
Antonio Carlos Zuffo: A vegetação do sistema é formada basicamente por eucaliptos, usados para fazer carvão para pizzarias, e pasto. Não teríamos problemas, pois ela não depende da Cantareira. Alguns peixes, porém, podem morrer. Já as encostas preocupam, por causa de um possível assoreamento.
Pedro Cortês: sempre existe prejuízo. Se o nível do sistema baixar totalmente, quando encher de novo, algumas espécies aquáticas terão se perdido.
Pedro Cortês: Sim, a qualidade da água será igual. A Sabesp tem estrutura para isso.
Rubem Porto: Engana-se quem diz que essa água é do fundo do reservatório e com qualidade inferior. O volume morto tem uma lâmina de 25 metros de profundidade e a Sabesp utilizará uma porção superior de 5 a 6 metros. Mesmo se fosse a água do fundo, não teríamos problema.

10.186 – Descoberto planeta azul como a Terra


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Um planeta azul como a Terra foi descoberto por astrônomos com o uso do telescópio Hubble. A grande novidade é que, pela primeira vez, foi possível determinar a cor de um exoplaneta, no caso o HD 189733b, localizado a 63 anos-luz da Terra, na constelação da Raposa (Vulpecula).
Contudo, as semelhanças ficam apenas no aspecto da cor. De resto, este exoplaneta é um gigante de gás, que orbita muito perto de sua estrela, cujas condições para hospedar qualquer forma de vida são completamente inóspitas. Sua atmosfera possui temperaturas de 1.000 graus Celsius, com ventos de 7.000 km/h, de acordo com comunicado da Agência Espacial Europeia (ESA). O HD 189733b gira em torno de sua estrela em 53 horas e é aproximadamente 10% maior e com mais massa do que Júpiter.
Para determinar sua cor, os astrônomos mediram a quantidade de luz refletida na sua superfície, uma propriedade chamada albedo. A cor azul é por conta da atmosfera gasosa e turbulenta, composta, em maior parte, por hidrogênio e carregada de partículas de silicato.

10.185 – Física – Um pequeno Sol na Terra


Um reator nuclear experimental capaz de gerar energia sustentável, limpa e inesgotável! Esta certamente seria a solução perfeita para um dos maiores problemas que o mundo enfrenta atualmente. Na realidade, esta alternativa está sendo estudada pelo cientista Manuel García Muñoz, coordenador de um grupo de pesquisadores da Universidade de Sevilha, na Espanha. Segundo ele, “a ideia seria reproduzir a forma como as estrelas geram energia, fusionando os núcleos de seus átomos. Naturalmente, em uma escala muito menor”. Para que isto ocorra é preciso uma temperatura de 20 milhões de graus, em torno de 100 milhões quando se trata de reatores operando na Terra. O segredo é conseguir fabricar reatores nucleares que controlem com perfeição a fusão de isótopos de hidrogênio gerada em seu interior. “Não dispomos de material que consiga suportar essa temperatura, por isso devemos manter o plasma protegido por campos magnéticos e longe das paredes do reator, levitando no espaço vazio”, esclarece García Muñoz. Tudo muito complexo, porém não impossível. A energia obtida com um copo d’água equivaleria a energia consumida por uma pessoa durante toda a sua vida. O grupo liderado pelo cientista está tentando provar que a energia derivada da fusão nuclear pode ser viável, tanto do ponto de vista tecnológico como econômico e, em alguns anos, poderia ser a solução definitiva para a iminente escassez de petróleo.

10.184 – Arco-íris na Lua


Como muitos de nós aprendemos na escola, um arco-íris é formado pelo resultado de uma refração da luz do Sol assim que ela passa pelas gotas de água do céu. As propriedades de refração das gotas fazem com que a luz solar se divida em uma variação de cores, mais exatamente a luz do espectro. No caso de um arco-íris da Lua, os princípios do fenômeno são quase os mesmos, a única diferença é que este arco-íris não é causado pela luz direta do Sol, mas sim por aquela que é refletida pela Lua.
Enquanto a maior parte de nós provavelmente já presenciou um arco-íris do Sol, é bem provável que você não conheça muita gente que já tenha visto fenômeno similar da Lua. Isso acontece porque a Lua varia mais do que o Sol, então são necessárias algumas condições para que este arco-íris ocorra.
Primeiramente, o arco-íris lunar é mais bem observado quando a lua está em evidência no céu. A época mais favorável é na Lua cheia, particularmente antes e depois da fase minguante. Contudo, não basta a lua estar brilhante no céu para que haja um arco-íris. A umidade no ar é um componente muito importante. A melhor situação neste caso é quando há chuva combinada com intervalos de céu claro.
Finalmente, é importante estar atento à posição da Lua no céu. De acordo com os parâmetros ópticos atmosféricos de gotas de água, o melhor é que a Lua esteja em baixa altitude. Se o satélite estiver acima dos 42 graus em relação ao horizonte, nenhuma curva irá se formar.
Apesar de estas situações soarem aparentemente comuns, o cenário fica um pouco diferente quando elas devem acontecer e funcionar ao mesmo tempo, portanto, este fenômeno é considerado relativamente raro. Os melhores lugares para observar um arco-íris lunar é o norte da Escócia, Irlanda, Reino Unido e as ilhas do Havaí.

10.183 – Descoberta revelações sobre a logevidade humana em sangue de senhora de 115 anos


Um estudo celular realizado com o sangue da holandesa Hendrikje van Andel-Schipper, falecida em 2005, aos 115 anos de idade, revelou ser uma das ferramentas para a compreensão da longevidade.
Na verdade, Andel-Schipper não era apenas a pessoa mais idosa do mundo, porém a mais velha a doar seu corpo e órgãos para estudos científicos, o que permitiu que cientistas holandeses e norte-americanos pesquisassem diversos aspectos de sua história celular, especialmente, a das células sanguíneas.
Em 2011, seu genoma, que durante sua vida havia passado por mais de 400 mutações, foi cuidadosamente analisado e revelou um segredo aos cientistas. “Para nossa surpresa, descobrimos que no momento da morte, o sangue periférico vinha das duas únicas células tronco sanguíneas ativas”, comentou um membro da equipe”. “A medula óssea possui em torno de 11 mil células-tronco hepatopáticas, das quais 1.300 estão ativamente renovando nossas células sanguíneas. No caso de Hendrikje van Andel-Schipper, a maioria das células era derivada apenas de duas destas células estaminais.”
Isto indica que, à medida que envelhecemos, a reserva das células-tronco diminui até que todas as nossas células sejam clones de apenas umas poucas. Os pesquisadores destacaram que, grande parte das alterações ocorridas no sangue da holandesa ocorreram de forma inofensiva, permitindo que, no momento de sua morte, todas as funções vitais e mentais estivessem intactas.

10.182 – Planeta Terra – Derretimento de geleiras na Antártida é Irreversível


Placas de gelo
Placas de gelo

O derretimento das geleiras da Antártida Ocidental está avançando de forma gradual e “irrefreável”, afirmaram dois novos estudos científicos. De acordo com os levantamentos, o derretimento que já começou não deve ter efeitos imediatos nos oceanos, mas poderá adicionar até 3,6 metros ao nível do mar nos próximos séculos, um ritmo de elevação mais rápido do que o previsto anteriormente.
Os resultados dos estudos foram divulgados em uma entrevista coletiva convocada pela Nasa nesta segunda-feira. Os pesquisadores afirmaram que é provável que o derretimento ocorra por causa do aquecimento global provocado pelo homem e pelo buraco na camada de ozônio, que mudaram os ventos da Antártida e aqueceram a água que corrói as bases do gelo. Fatores naturais, no entanto, também podem estar entre as causas, acrescentaram os cientistas.
Em um dos estudos, a agência espacial americana analisou 40 anos de dados de solo, aviões e de satélite sobre o que os pesquisadores chamam de “o ponto fraco da Antártida Ocidental” que mostram que o colapso das geleiras da região está sendo provocado pela água morna do oceano que se infiltra por baixo da camada de gelo, acelerando o seu derretimento. “Parece estar acontecendo rapidamente”, disse o glaciologista da Universidade de Washington Ian Joughin, autor de um dos levantamentos.
Outro cientista envolvido nas pesquisas classificou o processo como “irrefreável” e explicou que nenhuma ação humana ou mudança climática poderá deter o derretimento, embora ele possa ser reduzido. “O sistema está em uma espécie de reação em cadeia que é irrefreável”, disse o glaciologista da Nasa Eric Rignot, principal autor de um dos estudos. “Cada processo nesta reação está alimentando o próximo.” Segundo ele, limitar as emissões de combustíveis fósseis para reduzir a mudança climática provavelmente não irá parar o derretimento, mas pode diminuir a velocidade do problema.

10.181 – Cientistas criam plástico capaz de se regenerar


Foi criado um tipo de plástico capaz de se regenerar. Inspirado no sistema circulatório dos animais, o novo material consegue preencher grandes rachaduras e buracos, fazendo crescer mais de si mesmo para corrigir essas falhas. A existência de materiais capazes de se autorreparar seria um avanço não só para bens comerciais – esse plástico seria ideal para um para-choque de carro, por exemplo – como para produtos de difícil conserto ou substituição, como aqueles usados para fins aeroespaciais.
A ideia para a forma como esse material seria desenvolvido veio do sistema circulatório dos animais. “O sistema vascular permite transportar uma grande quantidade de agentes curadores. Ele também permite múltiplas reparações, caso a superfície sofra danos mais de uma vez”, explica Nancy Sottos, professora de engenharia de materiais da mesma universidade. Os materiais que permitem a regeneração circulam por dois capilares (tipo de vaso sanguíneo mais fino) paralelos. Quando o dano ocorre, os líquidos de cada capilar se espalham e se misturam, formando um gel, que preencher as rachaduras ou buracos no material e depois endurece, formando um polímero forte. “Nós tivemos que lidar com muitos fatores externos para fazer a regeneração, como a gravidade. Os líquidos que usamos formam um gel rapidamente após liberados, para evitar que eles acabassem caindo para fora da área danificada”, explica Scott White, professor de engenharia aeroespacial e principal autor do estudo.
A equipe testou a regeneração nos dois tipos de plásticos mais usados comercialmente: termoplásticos (que podem ser moldados a temperaturas elevadas) e termofixos (cuja rigidez não se altera com a temperatura). Os pesquisadores conseguem controlar a velocidade da formação do gel e de seu endurecimento, dependendo do tipo de dano que a superfície apresenta. Um furo causado por uma bala, por exemplo, provoca diversas rachaduras ao seu redor, então nesse caso a reação pode ser desacelerada, para que o gel tenha tempo de penetrar em todas as rachaduras antes de endurecer.

10.180 – Neurociência – Pesquisadores usam corrente elétrica para provocar sonhos lúcidos


É possível induzir sonhos lúcidos com a ajuda de correntes elétricas. Nesse tipo de sonho, a pessoa está dormindo, mas consciente de que não vivencia uma experiência real. Ela pode, inclusive, manipular os acontecimentos e suas reações dentro do sonho. O estudo foi publicado no periódico Nature Neuroscience.
Uma pesquisa anterior, feita pelos mesmos estudiosos do novo trabalho, da Universidade de Frankfurt, na Alemanha, sugeriu que o sonho lúcido mistura aspectos do sono REM — o estágio no qual a maior parte dos sonhos acontece — e o estado desperto. Por meio de eletroencefalogramas, os cientistas observaram que esses sonhos costumam ser acompanhados pela presença de um tipo de onda cerebral denominada gama, com cerca de 40 hertz de frequência.
Cientes de que a onda gama ocorre naturalmente durante os sonhos lúcidos, os pesquisadores se perguntaram o que aconteceria se uma corrente de mesma frequência fosse inserida no cérebro durante o sono.
Eles recrutaram 27 pessoas que nunca tinham vivenciado sonhos lúcidos. Em laboratório, esperaram que os voluntários estivessem em sono REM e aplicaram a corrente elétrica nas regiões correspondentes às áreas frontal e temporal do cérebro, por meio de eletrodos conectados ao couro cabeludo. Ao fim do experimento, todos os participantes relataram sonhos lúcidos.
A técnica poderia ser aperfeiçoada para o tratamento de pacientes que sofrem com transtorno de stress pós-traumático, no qual costumam reviver nos sonhos a experiência ruim da vida real. Com os sonhos lúcidos, essas pessoas poderiam dar um novo desfecho à sua história.

10.176 – DNA da mosca tsé-tsé, que transmite a doença do sono, é decifrado


Um projeto que já dura dez anos, envolvendo universidades de diversos países como Estados Unidos, Japão e Inglaterra, conseguiu sequenciar com sucesso o código genético da mosca tsé-tsé. A descoberta pode significar um grande avanço no controle da doença do sono, uma das enfermidades mais devastadoras da África, que ataca o sistema nervoso central e afeta o relógio biológico. A doença causa alterações de personalidade e tem sintomas que incluem confusão mental e dificuldade de andar e falar. Sem tratamento, ela pode provocar coma e ser fatal.
Cerca de 70 milhões de pessoas em 36 países da África subsaariana se encontram em situação de risco. Em 2009, após diversos esforços para controlar a doença, a Organização Mundial de Saúde contabilizou 9.878 casos – um número abaixo de 10.000 pela primeira vez em 50 anos. Em 2012 foram registrados 7.216 casos, mas estima-se que a quantidade real beire os 20.000.
A doença do sono é causada por protozoários do gênero Trypanosoma, sendo o mais comum o Trypanosoma brucei, responsável por mais de 98% dos casos. Eles são transmitidos aos seres humanos por meio da picada da mosca tsé-tsé, que o contrai ao se alimentar do sangue de animais ou outros humanos infectados. As pessoas infectadas podem passar meses ou até anos sem apresentar sintomas, que só aparecem em estágios mais avançados.
Métodos tradicionais de controle, como tornar os machos estéreis e aplicar pesticidas são caros e difíceis de implantar na região. Como a doença do sono afeta também o sistema imunológico, torna-se difícil criar uma vacina. Assim, as informações genéticas vão permitir aos pesquisadores desenvolver uma estratégia alternativa para controlar a doença.
“Essencialmente, nós decodificamos a sequência genética de que essas moscas são feitas”, explica Neil Hail, geneticista e um dos líderes do projeto. “Agora nós teremos como identificar os genes que controlam sua alimentação ou reprodução. Isso abre o caminho para estudos mais aprofundados sobre como controlar essas moscas, para que não infectem as populações africanas”.
Em diversos aspectos, a tsé-tsé apresenta um comportamento único. Ela só se alimenta do sangue de vertebrados, dá à luz a indivíduos jovens, em vez de botar ovos, e alimenta esses ‘filhotes’ com uma substância quimicamente similar ao leite. Os novos dados genéticos descobertos também vão ajudar biólogos a comparar essas moscas com outros insetos, e determinar como essa espécie diferente se desenvolveu.
Cerca de 140 cientistas trabalham no projeto, denominado International Glossina Genome Initiative (Iniciativa Internacional do Genoma da Glossina, em tradução livre.Glossina morsitans é o nome científico da tsé-tsé), que ainda não foi finalizado. O mapa genético inicial foi analisado mais de perto por especialistas, a fim de identificar os genes relacionados ao olfato, paladar, visão, reprodução, digestão, alimentação, sistema imunológico, metabolismo e resposta aos stress na mosca. Os resultados foram adicionados a uma base de dados gratuita sobre a tsé-tsé, para que pesquisadores do mundo todo possam utiliza-los em suas pesquisas.
“Decodificar esse genoma tem sido um processo longo e cansativo, mas agora que s dados estão disponíveis para os pesquisadores, uma gama de possibilidades para controlar a doença do sono se abre.

10.175 – Estudo explica por que urso polar é saudável, embora consuma muita gordura


Uma nova pesquisa descobriu o motivo pelo qual o urso polar acumula muita gordura no corpo sem correr um risco grande de desenvolver doenças cardíacas. Segundo o estudo, feito nos Estados Unidos, essa habilidade do animal se deve a mutações genéticas que aconteceram ao longo de sua evolução e que interferem na função cardiovascular.
Parte da adaptação dos ursos polares a ambientes extremamente frios depende de uma alimentação rica em lipídios. Quase metade da composição corporal desses animais é de gordura e, consequentemente, os níveis de colesterol no organismo do mamífero são muito elevados, suficientes para causar doenças cardiovasculares em seres humanos. Já entre os animais a prevalência de doença cardíaca não é alta.
Para tentar descobrir de que forma o coração desses ursos se protegem contra altos níveis de gordura, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley sequenciaram e analisaram o genoma de 79 ursos polares e dez ursos pardos de regiões diferentes do mundo. As conclusões foram publicadas nesta quinta-feira no periódico Cell.
De acordo com o estudo, os ursos polares apresentam mutações em genes associados, por exemplo, à forma como o corpo metaboliza a gordura e a transporta no sangue. Um desses genes é o Apob, responsável por remover o colesterol da corrente sanguínea e levá-lo para as células. A mutação identificada no genoma dos animais sugere que o urso polar consegue administrar quantidades muito elevadas de açúcar e triglicérides no sangue, o que diminui o risco de doenças cardíacas.
A pesquisa concluiu que essas mutações ocorreram de 500.000 anos atrás para cá, quando o urso polar evoluiu para um grupo distinto do urso pardo. Segundo os autores, isso mostra que a espécie do urso polar é mais jovem do que se pensava — estimativas apontavam que a separação havia ocorrido entre 600.000 e 1 milhão de anos atrás. “Todas as adaptações únicas que os ursos polares têm no ambiente do Ártico devem ter ocorrido em um período de tempo muito curto”, afirmou Rasmus Nielsen, professor de biologia integrativa e estatística da Universidade da Califórnia em Berkeley.
Para os autores do estudo, essas informações sobre o urso polar podem ajudar a encontrar formas de evitar ou combater a obesidade em seres humanos. “A genética comparativa nos permite aprender como outros organismos lidam com condições às quais também somos expostos”.