Arquivo da categoria: Ciência

10.603 – Bioquímica – A Dopamina


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Trata-se de uma substância química liberada pelo cérebro que desempenha uma série de funções, incluindo prazer, recompensa, movimento, memória e atenção. Doença de Parkinson e dependência de drogas são alguns dos problemas associados com os níveis de dopamina anormais.

Sintomas desbalanço da Dopamina
Dopamina fornece a sensação de bem-estar, tais como prazer, apego e amor. Ele também permite que você integre pensamentos e sentimentos, por exemplo, dando a capacidade de se concentrar ou se concentrar em tarefas cognitivas. Certas drogas ilícitas, ou mesmo fármacos lícitos podem aumentar os níveis de dopamina e provocar mudanças significativas no humor, dando aos usuários sintomas de um senso falso de bem-estar. Estas drogas fazem sintomas de desequilíbrio da dopamina piores quando a droga desaparece da circulação. A dopamina, juntamente com a norepinefrina são os principais neurotransmissores relacionados com a motivação pela vida e capacidade em enfrentarmos desafios.
Sintomas de Dopamina Deficiente
Falta da sensação de bem-estar, felicidade, prazer ou apego aos entes queridos. Você pode não ser capaz de resolver problemas, ou administrar sentimentos e responder de forma adequada e pode sentir-se distraído com muita facilidade.

Falta de remorso sobre os comportamentos imorais.
Além disso, você pode se sentir cansado, inquieto, agitado e irritável, ou você pode não dormir bem durante a noite.
Baixíssimos níveis de dopamina podem resultar em sintomas significativos de agitação e senso de não realidade, como pode ser visto em pacientes com esquizofrenia.

Sintomas de DOPAMINA aumentada
A vasoconstrição, ou estreitamento da parede muscular dos vasos sanguíneos, é comumente visto devido a altos níveis de dopamina, daí a ocorrência de extremidades frias até necroses.
Batimentos cardíacos irregulares são freqüentes. Indivíduos com problemas respiratórios podem experimentar aumento da dispnéia ou falta de ar.
Os efeitos gastrointestinais, como náuseas e vômitos, também podem ocorrer.

Prazer
A dopamina é também um sistema de recompensa química do cérebro. Ele é liberado durante situações prazerosas para nos estimular a buscar essas situações novamente. Algo tão pequeno como um elogio pode estimular uma resposta de dopamina, mas também é desencadeada por tudo, desde o uso de drogas ao sexo.

Nutrição
Fenilalanina e tirosina são blocos de construção necessários para a produção de dopamina. Algumas fontes alimentares ajudam no fabrico do corpo da dopamina. Estes incluem maçã, beterraba, banana, mel, tofu, pepino, espinafre, queijo, brócolis, melancia, aipo, ovo e peixe.

Uma dieta rica em mirtilos e espirulina (alga azul-verde) – também podem ser indicados, a depender da condição clínica e resultados de exames como a bioressonância.
Nozes e sementes, amêndoas, sementes de abóbora e sementes de gergelim são ricos em tirosina. Outras sementes ricas em fenilalanina, outro precursor, incluem sementes de girassol, caroço de algodão e sementes de melancia secas.

PENSAMENTOS:
Ser ordeiro e ter disciplina são fundamentais não somente para determos as corretas concentrações de neurotransmissores, mas fundamentalmente para alcançarmos nossos objetivos. ”Somente quando o homem tiver ordenado sua vida é que compreenderá a ordem eterna”.

ERVAS
Recomendadas: Erva de São João, Vinca (flor azul), Ayuhasca, Chá Verde, Ginkgo biloba, Ginseng (todos), Favas, Ashwagandha, ou Withania somnifera e Feijão preto.
Quando estes são corretamente indicados, aumentam a sensação de prazer, amor, apego e um sentimento de pertencimento.
Os receptores de dopamina são subdivididos em D1, D2, D3, D4, e D5 de acordo com localização no cérebro e função. A dopamina é produzida especialmente pela substância nigra e na área tegmental ventral (ATV). Está envolvida no controle de movimentos, aprendizado, humor, emoções, cognição, sono e memória.
Em doses baixas (0,5 a 2 mcg/kg/min) atua predominantemente sobre os receptores dopaminérgicos, produzindo vasodilatação mesentérica e renal. A vasodilatação renal dá lugar a um aumento do fluxo sanguíneo renal, da taxa de filtração glomerular, da excreção de sódio e geralmente do volume urinário.
Em dose baixas a moderadas (2 a 10 mcg/kg/min) também exerce um efeito inotrópico positivo no miocárdio devido à ação direta sobre os receptores beta 1 e uma ação indireta mediante a liberação de norepinefrina dos locais de armazenamento. Destas ações resulta um aumento da contratilidade do miocárdio e do volume de ejeção, aumentando então o gasto cardíaco. A pressão arterial sistólica e a pressão do pulso podem aumentar, sem variação ou com um ligeiro aumento da pressão arterial diastólica. A resistência total periférica não se altera. O fluxo sanguíneo coronário e o consumo de oxigênio do miocárdio geralmente se incrementam.
Com doses mais elevadas (10mcg/kg/min) ocorre estímulo dos receptores alfa adrenérgicos, produzindo um aumento da resistência periférica e vasoconstricção renal. As pressões sistólica e diastólica aumentam como resultado do incremento do gasto cardíaco e da resistência periférica.
Dopaminérgicos podem ser administrados por seringa (via endovenosa) ou comprimidos (via oral e sub-lingual).
É um agente que tem ação inotrópica,sem alterar padrão cronotrópico, aumenta o poder de contração cardíaca através dos receptores beta-1. Tem ação vasopressora e simpaticomimética. Estimulante dos receptores da dopamina. É também precursor da noradrenalina e catecolamina.
Tem utilização no tratamento de alguns tipos de choques tal qual o choque circulatório sendo particularmente benéfica para os pacientes com oliguria e com resistência vascular periférica baixa ou normal. A dopamina também é utilizada com grande exito no tratamento do choque cardiogênico (causado pelo sistema circulatório) e choque bacteriêmico (causado por excesso de bactérias prejudiciais), bem como no tratamento da hipotensão intensa seguida a remoção do feocromocitoma.
Contra indicada
Para pacientes portadores de feocromocitoma, bem como na presença de taquiarritmias ou fibrilação ventricular.
Como a segurança e a eficácia do uso da dopamina durante a gravidez ainda não foram bem estabelecidas, ela só deve ser feito caso o médico ache conveniente, ou se os efeitos benéficos sobrepujarem os riscos potenciais para o feto.
A dopamina não deve ser administrada junto com bicarbonato de sódio ou outras soluções alcalinas intravenosos, pois ela se torna inativa na presença de soluções alcalinas.

10.602 – Imunologia – Cientistas de Oxford testam vacina contra ebola


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Recentemente, (set-2014) foram realizados os testes clínicos de uma vacina contra o vírus do ebola, doença que matou mais de 1500 pessoas no recente surto na África Ocidental
Os primeiros voluntários, de um total de 60, receberão hoje a vacina, segundo o Instituto Jenner, responsável pelo experimento.
Antes que as vacinas possam ser comercializadas, os médicos precisam realizar vários anos de testes clínicos, mas a gravidade do surto de ebola na África obrigou uma aceleração do processo para que o medicamento possa estar disponível o mais rápido possível.
O diretor do Instituto Jenner, Adrian Hill, disse hoje que o experimento é um “exemplo extraordinário de como uma vacina pode chegar rápido aos testes clínicos recorrendo à cooperação internacional”.
Os exames de sangue dos voluntários permitirão saber o alcance da resposta imunológica do organismo em um período de entre dois e quatro semanas.
A vacina é desenvolvida pela farmacêutica GlaxoSmithKline e o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, com fundos do Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido e do Ministério de Cooperação Internacional britânico.
O estudo irá analisar a resposta imunológica da vacina e seus efeitos secundários.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ampliou ontem a estratégia do país para conter o surto de ebola na África Ocidental e anunciou o envio de três mil militares para dar apoio logístico às autoridades locais.
Desde que surgiu em março, em Guiné, o surto matou neste país, na Libéria, Serra Leoa e Nigéria pelo menos 1.427 pessoas, segundo números da Organização Mundial da Saúde.
O ebola, transmitido por contato com o sangue e fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, causa hemorragias graves e pode ter uma taxa de mortalidade de 90%.

Célula infectada
Célula infectada

10.600 – Pragas – Invasão de gafanhotos assusta cidade de Madagascar


Invasão de gafanhotos em Madagascar
Invasão de gafanhotos em Madagascar

Imagens assustadoras foram registradas na cidade de Antananarivo, capital de Madagascar. Milhões de gafanhotos decidiram fazer uma “visita” ilustre à área urbana.
Os gafanhotos podem ser considerados uma ameaça real a essa região. Com sua população crescendo incontrolavelmente nos últimos anos, os insetos já são responsáveis por dificultar a vida de mais de 13 milhões de pessoas na África.
“Se não tratarmos as infestações de gafanhotos, teremos muitos abalos no campo da agricultura, e isso pode ser péssimo para a estabilidade de muitas famílias”, afirma o representante da FAO (Food and Agriculture Organization).

10.599 – Mega Paradoxo – Pobreza X Inovação


Drones

Lançado na Índia e não nos EUA o drone que entrega pacotes da Amazon foi uma decisão precisa. A Agência Civil de Aviação Americana barrou os vôos de pequenos aparelhos não tripulados a serviço da distribuição da empresa de Jeff Bezos.
A Amazon investiu 2 bilhões de dólares na Índia, facilitando a transferência de produtos do ocidente para o oriente, com menos de 2 quilos e numa travessia que não ultrapassam 2 a 3 horas. As economias emergentes seriam o caldo de cultura para a adoção de novíssimas tecnologias. Pelo menos é o que pensam os executivos do Vale do Silício.
Estudos do Banco Mundial, contudo, tem indicado que a expansão dos inventos precisa ser rápida, pois as dificuldades poderiam esmagar o tom de novidade.
O Google tem acelerado seu projeto Loon, de distribuição de internet por meio de balões, em regiões do planeta desconectadas, oferecendo redes mais velozes que o precário 3G. Um de tais balões passou recentemente pelo Piauí, um estado onde apenas 27% das residências têm acesso a internet. Numa experiência que produziu ondas de interesse no agreste paupérrimo, os alunos de uma escola municipal de Campo Maior puderam assistir a sua primeira aula conectada a WEB.

10.598 – Seremos pegos de surpresa? Apenas 10% dos asteroides de médio porte foram localizados pela Nasa


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No ano de 2005, um congresso da Nasa rendeu uma missão específica à agência espacial: localizar 90% dos asteroides próximos à Terra até o ano de 2020. Contudo, nove anos depois do tal evento, foi divulgado que apenas 10% dessa informação já foi compilada pela empresa.
De acordo com o inspetor geral Paul Martin, houve um significativo aumento no número de descobertas desde 2010, mas que possivelmente a Nasa não será capaz de bater a meta até 2020.
O fato vem à tona depois de um pequeno asteroide ter passado extremamente próximo ao nosso planeta na semana passada. O corpo celeste esteve 10 vezes mais perto que a Lua e só foi descoberto pelos nossos satélites uma semana antes. Caso o asteroide fosse maior, ainda estaríamos vivendo as consequências de sua passagem próxima à Terra.
Por mais aterrorizante que possa parecer essa situação, dificilmente daremos de cara com um gigantesco corpo celeste que irá acabar com a vida humana na Terra. Isso se dá por cientistas terem encontrado mais de 90% dos asteroides capazes de tal feito (aqueles com largura maior que um quilômetro) e nenhum deles está vindo para cá. Contudo, as más notícias aparecem quando descobrimos que os asteroides de médio porte (maiores que 140 metros de largura e também muito capazes de causar grandes danos a nós) podem atingir a Terra com muito mais frequência e que apenas pouquíssimos já foram reconhecidos.
Um caso em específico mostra bem as consequências de uma colisão de médio porte: o evento de Tunguska. No ano de 1908, um asteroide entre 30 e 60 metros de largura atingiu uma região remota da Sibéria. Calcula-se que sua explosão gerou uma quantidade de energia mil vezes maior do que a bomba atômica de Hiroshima, acabando com mais de 80 milhões de árvores em uma região de 1300 km².
Especialistas afirmam, no entanto, que casos assim ocorrem uma vez por vários séculos. Mesmo assim, não deixam de ocorrer. Outro exemplo, mas de menor proporção, foi o do asteroide de 18 metros de largura que passou sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia, no ano passado. Mais de mil pessoas ficaram feridas por causa de janelas quebradas e, cientificamente, casos assim são muito mais comuns.
Cientistas afirmam que o passo mais importante para proteger o planeta de um asteroide é encontrá-lo. Exatamente por isso, o projeto “Near-Earth Object Program” – responsável por cumprir a missão dos 90% – recebeu 40 milhões de dólares em investimento nos últimos cinco anos.
Porém, para conseguir visualizar corpos desse tipo, seria melhor se os telescópios estivessem no espaço. E eles não estão. Por motivos financeiros, esses aparelhos têm que trabalhar da Terra, diminuindo sua efetividade por causa da atmosfera e do brilho do sol. Duas fundações estão angariando fundos para levarem seus satélites ao espaço, mas atingir os 450 milhões de dólares não tem sido fácil.
Depois de reconhecer, não há problemas para “abater” o asteroide. A ação normal seria enviar uma nave para dividir o corpo em menores partes, assim fazendo com que não atinja a Terra. A ONU possui uma proposta de reunir as agências espaciais de todo o mundo para viabilizar uma “resposta padrão generalizada” contra esse tipo de ameaça, mas ainda aguarda a confirmação das parcerias, já que se estima um custo de dois bilhões e meio de dólares.

tabela de asteroides

10.597 – Planeta Terra – Gelo Cinza na Groelândia


gelo cinza

Na teoria, as geleiras são brancas. Mas não é isso que está acontecendo com os grandes blocos congelados da Groenlândia. Conhecido como “Neve Negra”, o fenômeno se encontra em seu pior momento e a sua consequência pode ser devastadora.
Assim como uma camiseta preta assimila mais calor, o mesmo acontece com a geleira. O problema, no entanto, é que isso significa um processo de derretimento maior. Em busca de uma resposta para tal fato, Jason Box, professor da Geological Survey of Denmark and Greenland foi até lá estudar a região.
Sua justificativa do fenômeno é um combinado de fatores: tempestades de verão, ventos de areia, atividade de micróbios e fuligem de incêndios florestais. Outra resposta é que isso é mais uma consequência desconhecida do aquecimento global. O pesquisador usou de exemplo os buracos da Sibéria e as bolhas de metano para reforçar sua segunda probabilidade.
2014 também foi o ano de maior número de incêndios florestais dos últimos no Ártico. O geólogo calculou que isso vem acontecendo duas vezes mais do que na última década. Somente no Canadá, mais de 3.3 milhões de hectares pegaram fogo este ano. Para Box, isso “está indo para as geleiras da Groenlândia”.
Segundo o cientista da Nasa Douglas Morton, isso é um grande problema: “Ter tantos casos de incêndios assim é um grande evento na vida do nosso planeta”. O desafio de Jason Box, no entanto, é descobrir o que é poeira das queimadas e o que é oriundo de fábricas.

10.596 – Antropologia – O que é ser Humano?


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Há 4 milhões de anos, nosso trisavô australopiteco pôs-se a caminhar sobre duas pernas e desceu das árvores. Um milhão e meio de anos depois, nosso bisavô Homo habilis passou a lascar pedras e usar como ferramenta – seu cérebro tinha o dobro do tamanho do dos australopitecos, e metade do nosso. Aí veio o Homo erectus, nosso avô, há 2 milhões de anos, mais alto, inteligente e desenvolto, senhor do fogo. E, há 1 milhão de anos, surgiu o Homo heidelbergensis, com cérebro quase do tamanho do meu e do seu, que acabaria dando origem a dois primos – o corpulento neandertal e nós, o Homo sapiens. Os dois primos brigaram entre si por recursos, os neandertais perderam, desapareceram há cerca de 20 mil anos, e sobramos nós. O ápice da evolução. O auge da vida inteligente no planeta Terra.
O primeiro mito a cair foi o de que derrotamos os neandertais no tapa, levando-os à extinção. Isso era consenso até que geneticistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, liderados pelo sueco Svante Pääbo, começaram a sequenciar o genoma dos neandertais, em 2006. Em 2010 veio a bomba: uma comparação do genoma neandertal com o do sapiens mostra que todos os humanos vivendo hoje, salvo aqueles nascidos na África, têm ancestrais neandertais.
Portanto, somos um pouquinho neandertais. Quão pouquinho? Dois estudos publicados recentemente sugerem que nosso percentual genético neandertal é de 1% a 3%. Parece pouco, mas se torna mais significativo quando você vai ver o quanto de todo o genoma neandertal sobrevive hoje na população humana: coisa de 20%. Ou seja, um quinto da receita para fabricar um neandertal está espalhada por aí, nas diversas populações humanas.
A mesma coisa se aplica aos misteriosos denisovanos, uma outra espécie de humanos que habitava o leste asiático, sobre a qual se sabe pouquíssimo, porque os antropólogos só encontraram fragmentos de seus ossos. Estudos genéticos mostram que há ancestrais deles entre as populações da Oceania. É bem possível que nenhum desses nossos primos não-sapiens tenha se extinguido de fato. Na verdade, o fenômeno que provavelmente aconteceu foi uma diluição de sua herança genética, diante de um número bem maior de sapiens.
E o que dizer dos Homo floresiensis, apelidados de hobbits por seu tamanho diminuto? Fósseis encontrados na Indonésia sugerem que esses mini-humanos, com crânios bem menores que o nosso, mas ainda assim claramente inteligentes, pois usavam lanças de pedra lascada, estiveram por aí até meros 12 mil anos atrás. Haveria traços de seu DNA na composição genética dos sapiens da Oceania? Essas são algumas das cenas do próximo capítulo, na incrível história da evolução humana.
Duas lições, contudo, já podemos tirar: a primeira diz respeito aos senões de nossa singularidade, na Terra e em outras partes do Universo. Ao que parece, o surgimento da inteligência humana não foi meramente um feliz acidente de percurso, mas representou uma vantagem evolutiva tão grande que aconteceu mais de uma vez, em diferentes pontos da Terra. Isso quer dizer que algo parecido pode perfeitamente acontecer em outros planetas, ou mesmo se repetir na história evolutiva da Terra em algum outro momento. (Há quem diga até que já se repetiu, e o resultado são os golfinhos, que, apesar de não terem a estrutura física adequada para o desenvolvimento de tecnologias, são extremamente inteligentes.)
A segunda lição diz respeito à nossa própria natureza. Não importa quantas bobagens racistas ouçamos por aí, faz parte do espírito humano se espalhar por todos os locais habitáveis e se misturar às populações presentes nessas novas fronteiras. Somos todos, por definição, miscigenados. Somos todos vira-latas – não existe raça pura. E nos tornamos mais fortes como espécie por causa disso.

10.595 – Ecobiologia – Sem santuário de baleias no Atlântico Sul


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A Comissão Baleeira Internacional (CBI) rejeitou nesta recentemente o projeto de criar um santuário para baleias no Atlântico Sul — uma proposta defendida por países latino-americano. No encontro, o comitê também aumentou as exigências para a caça por motivos científicos, que o Japão pretende retomar no Oceano Antártico.
A proposta de países favoráveis ao santuário — Argentina, Brasil, Uruguai e África do Sul — obteve dois terços dos votos dos membros da Comissão reunidos em Portoroz (Eslovênia), e não os 75% necessários para sua aprovação. No total, 40 países votaram a favor, 18 contra e dois se abstiveram.
A representante brasileira disse estar decepcionada com o resultado, mas ao mesmo tempo animada para continuar com o trabalho em favor da criação de um santuário no Atlântico Sul porque houve aumento do apoio a esse projeto. Os outros dois santuários para baleias ficam no oceano Austral e no Índico.
Os partidários dos santuários para os grandes cetáceos estimam que eles garantirão uma proteção reforçada se um dia a moratória imposta à caça comercial de baleias se flexibilizar. “Os santuários são refúgios seguros para as baleias em um meio ambiente cada vez mais ameaçado”, disse Rebecca Regnery, da ONG Human Society International.
A CBI também aprovou nesta quinta-feira um texto que endurece os critérios para a caça à baleia por motivos científicos, ante as intenções do Japão de retomar a prática no Oceano Antártico. A resolução, não vinculante, proposta pela Nova Zelândia e debatida durante a 65ª sessão da CIB, recebeu 35 votos a favor, 20 contrários e cinco abstenções.
Os países que caçam o animal (Japão, Islândia, Noruega, Rússia) foram contrários ao texto, assim como países africanos e caribenhos. Os membros da União Europeia, Estados Unidos, Austrália, vários países da América Latina, Gabão e Austrália votaram a favor.
A Corte Internacional de Justiça (CIJ) reconheceu em março que a caça científica de baleias por parte do Japão escondia na verdade uma atividade comercial. O texto votado nesta quinta-feira retoma os principais argumentos da decisão da CIJ sobre a avaliação dos programas científicos de caça dos cetáceos.
O Japão reafirmou na reunião da CBI em Portoroz que não pretende caçar baleias na temporada 2014-2015 no Oceano Antártico, mas que não renuncia à caça em suas águas. Neste sentido, as autoridades japonesas devem apresentar até o fim do ano um novo programa científico para 2015-2016 na Antártica. “É uma decisão importante que, se for respeitada, deveria acabar com a caça ilegal em nome da ciência”, disse Aimée Leslie, da organização ecologista WWF.
De acordo com a CIB, o Japão capturou 417 baleias por motivos científicos em 2013. No total, 1 600 baleias foram caçadas no mundo no mesmo ano.

10.593 – Mega Cidades – A Cidade de Bagdá


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É a capital do Iraque e da província de Bagdá. Com uma população de 7,5 milhões de habitantes, é a maior cidade do Iraque. A sua área metropolitana conta com cerca de 9 milhões de habitantes.1 2 Bagdá também é a segunda maior cidade do Sudoeste Asiático, depois de Teerã. Situa-se no centro do país, às margens do rio Tigre, e sua história remonta pelo menos ao século VIII, com possíveis origens pré-islâmicas. Antigo centro do mundo islâmico, Bagdá atualmente está no centro de conflitos violentos, desde 2003, devido à Guerra do Iraque.
Embora não se dispute a sua origem iraniana, existem diversas propostas sobre qual seria a sua etimologia. Uma das mais amplamente aceitas dentre elas é a de que o nome seria um composto linguístico do persa médio, de Bag, “deus”, e dād, “dado”, que pode ser traduzido por “dado-por-Deus” ou “presente de Deus”, a exemplo do persa moderno Baɣdād. O nome é pré-islâmico, e suas origens não são conhecidas, mas seguramente remontam aos antigos povoados da região, que não tinham poder comercial ou político.4 Mansur al-Hallaj chamou a cidade de Madinat as-Salam, ou “Cidade da Paz”, como referência ao paraíso; este foi por vezes o nome oficial da cidade, em impressões oficiais como moedas.
Em 30 de julho de 762 o califa Abu Ja’far Al-Mansur fundou a cidade. Mansur acreditava que Bagdá era a cidade perfeita para ser a capital do império islâmico sob o domínio dos abássidas. Mansur amava tanto o local escolhido que foi citado como tendo dito: “Esta é de fato a cidade que eu devo fundar, onde devo viver, e onde meus descendentes reinarão doravante.” O crescimento da cidade foi auxiliado por sua localização, que lhe propiciou o controle sobre rotas estratégicas e comerciais (ao longo do Tigre até o mar, e de leste-oeste, do Oriente Médio até o resto da Ásia. Feiras mensais também eram realizadas na região onde a cidade foi fundada. Outra razão porque Bagdá era uma excelente localização devia-se à abundância de água e seu clima seco. A água existe tanto nos lados norte e sul dos portões da cidade, permitindo a todos os domicílios da Bagdá antiga um fornecimento abundante, algo extremamente incomum na época. Bagdá alcançou seu período de maior prosperidade durante o reinado do califa Harun al-Rashid, no início do século IX.
A cidade foi projetada como um círculo com 2 km de diâmetro, o que fez com que ficasse conhecida como a “Cidade Redonda”. O projeto original mostrava um anel de estruturas residenciais e comerciais ao longo do interior das muralhas da cidade, porém a construção final adicionou outro anel defensivo dentro do primeiro. No centro da cidade localizava-se a mesquita principal, bem como o quartel-general dos guardas locais. O propósito ou utilização do espaço restante no centro ainda é desconhecido. O projeto circular da cidade é um reflexo direto do projeto urbanístico tradicional árabe; a antiga cidade sassânia de Gur é praticamnete idêntica em seu projeto circular geral, de onde irradiam avenidas, e no qual os edifícios governamentais e templos localizam-se no centro da cidade.
No centro de Bagdá, na praça central, estava o Palácio do Portão Dourado. O palácio era a residência do califa e sua família. Na parte central da edificação havia uma cúpula verde, que tinha 39 m de altura. Cercando o palácio havia um calçadão, edificado ao lado da água, no qual apenas o califa podia cavalgar. Além disso, o palácio era perto de outras mansões e residências oficiais. Próximo ao portão da Síria, uma construção servia como residência para os guardas. Era feita de tijolos e mármore. O governador do palácio vivia na última parte do edifício e o comandante dos guardas na frente. Em 813, após a morte do califa Al-Amin, o palácio deixou de ser utilizado como casa para o califa e sua família.
Em 1920 tornou-se a capital do reino do Iraque. Em 1958 o exército iraquiano depôs o monarca Faisal II, formando um governo do qual surgiria Saddam Hussein. Durante a década de 1970 Bagdá viveu um período de prosperidade e crescimento motivado por um forte aumento do preço do petróleo. Foram feitas infra-estruturas modernas incluindo redes para abastecimento de água e electricidade, e alcatroadas ruas.
Porém a Guerra Irã-Iraque de 1980-1988 foi um momento difícil para a cidade, pois o Irã pôs em marcha uma série de ataques com mísseis contra Bagdá. A cidade sofreu bombardeamentos na Guerra do Golfo em 1991 e durante a invasão e ocupação do Iraque pelos Estados Unidos e países aliados em 2003.
Com a deposição do regime de Saddam Hussein, a cidade foi ocupada por tropas estado-unidenses. A Autoridade Provisória da Coligação cedeu o poder ao governo provisório no final de junho de 2004 e, posteriormente, foi dissolvida.

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Clima e Geografia
A cidade está situada numa vasta planície dividida pelo rio Tigre, que também divide Bagdá em duas partes: a metade oriental, conhecida como “Rusafa”, e a metade ocidental, a “Karkh”. O terreno onde fica a cidade é plano e de pouca altitude, produto de um aluvião original devido às longas e periódicas inundações provocadas pelo rio.
Bagdá tem um clima muito quente e árido (BWh, segundo a tabela de Köppen), sendo uma das cidades mais quentes do mundo. Durante o verão, de junho a agosto, a temperatura média é de 32 °C e é acompanhada de um sol abrasador. A chuva é praticamente inexistente na zona durante o verão. Durante o dia, os termómetros podem disparar até aos 50 °C à sombra e só à noite baixam até aos 24 °C. A umidade é também muito baixa pois a cidade está a grande distância do Golfo Pérsico, o que ajuda a que se formem as comuns tempestades de areia estivais com origem no deserto.
Durante o inverno, de dezembro a fevereiro, as temperaturas suavizam. As máximas oscilam entre os 15 e 16 °C e as mínimas andam pelos 4 °C, embora não seja raro Bagdá experimentar temperaturas abaixo dos 0 °C. A presença do rio Tigre atenua o efeito de continentalidade.
Turismo
Alguns pontos de interesse são o Museu Nacional do Iraque, cuja valiosa coleção de artefactos foi saqueada durante a invasão de 2003, e os arcos denominados Mãos da Vitória. Vários partidos iraquianos debateram acerca de se se deverá continuar a ter os arcos como monumentos históricos ou se deverão ser desmantelados. Milhares de manuscritos antigos da Biblioteca Nacional e Arquivo do Iraque foram destruídos quando o edifício se incendiou durante a invasão de 2003. O Santuário Al Kadhimain, no noroeste de Bagdá (em Kadhimiya), é um dos mais importantes lugares religiosos xiitas do Iraque. Foi terminado em 1515 e o sétimo (Musa ibn Jafar al-Kathim) e nono imãs (Mohammad al-Jawad) foram aí enterrados. Um dos edifícios mais antigos é o Palácio Abássida, que faz parte da área histórica central e se encontra perto de outros edifícios de importância histórica como o Edifício Saray e a Escola Al-Mustansiriyah (do período abássida). Há outros lugares de interesse em Bagdá, cada um deles representante de uma era histórica:
Torre de Bagdá (hoje é a torre do Centro de Telecomunicações Ma’amoon) – era o ponto mais alto da cidade, e de onde se via toda a cidade. A construção da torre marca o período da pós-guerra do Golfo, de 1991, com os esforços de reconstrução da cidade.
A ponte de dois níveis em Jadriyah (Ŷisr Abul Tabqain). Embora os planos de construção desta ponte sejam anteriores o governo de Saddam Hussein, a ponte não chegou a construir-se. Como parte dos recentes esforços de reconstrução, foi-o finalmente. Liga a zona de al-Doura ao resto de Bagdá e completa a Ponte 14 de Julho.
Sahat al-Tahrir (Praça da Libertação), no centro de Bagdá.
Museu de Bagdá (museu de cera)
Escola Mustansiriya, uma estrutura abássida do século XIII
Parque al-Zawra’a na Área Al-Mansour e quase no centro de Bagdá.
Praça de Kahramana e dos 40 ladrões.
Hotel al-Rasheed
Monumento al-Jundi Al Majhool (Monumento ao Soldado Desconhecido).
Monumento al-Shaheed – Monumento aos soldados iraquianos mortos na guerra Irã-Iraque, situado na margem oriental do Tigre.
Uma grande estrada construída sob o regime de Saddam como rota para os desfiles monumentais, que percorre através das Mãos da Vitória, um par de enormes espadas cruzadas, construídas em homenagem aos soldados que morreram na guerra Irã-Iraque durante o governo de Saddam.
Jardim Zoológico – foi o maior zoológico no Oriente Médio. No entanto, mo prazo de oito dias após a invasão de 2003, apenas 35 dos 650-700 animais nas instalações do zoológico sobreviveram. Este foi o resultado do furto de alguns animais para a alimentação humana, e da fome dos animais enjaulados que não tinham comida ou água. Sobreviventes incluíam animais de maior porte, como leões, tigres e ursos. Não obstante o caos trazido pela invasão, acabou destruindo grande parte do zoológico. Atualmente, o governo norte-americano mantém ajuda para reestruturar o zoológico, que já foi o maior da região.

Aeroporto de Bagdá
Aeroporto de Bagdá

10.590 – Astronomia – Chegando mais uma aurora


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A tempestade solar prevista para atingir a Terra hoje já está interagindo com o campo magnético terrestre e produzindo seu mais belo efeito — auroras.
Tais fenômenos acontecem comumente nas regiões mais próximas dos polos magnéticos da Terra, onde partículas carregadas do vento solar encontram as altas camadas da atmosfera terrestre. Mas num momento de intensificação de atividade solar, elas podem aparecer mais distantes dos círculos polares.
O astrofotógrafo americano Chris Schur já as registrou no Arizona, estado do sudoeste americano, na divisa com o México! “Primeira aurora aqui durante todo o máximo solar”, destacou, ao se referir ao período de maior atividade de nossa estrela-mãe, num ciclo que dura 11 anos. É nessa época que acontecem as maiores tempestades solares.
A tempestade dupla (resultado de duas ejeções de matéria ocorridas na superfície do Sol, uma no dia 9 e outra no dia 10) não foi suficientemente forte para provocar qualquer interferência significativa no cotidiano dos terráqueos. Em casos extremos, eventos como esse podem danificar satélites, perturbar o sistema de GPS e afetar redes elétricas em solo.
A primeira onda de partículas chegou na madrugada de hoje, e a segunda acaba de nos encontrar. A Terra ainda estará nas próximas horas passando pela rabeira da corrente de partículas resultante da segunda ejeção, mas é improvável que o evento produza alguma consequência maior.

10.589 – Ig Nobel premia estudo sobre escorregão em casca de banana


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Japoneses que descobriram o “coeficiente de fricção da casca de banana” ao ser pisada e espanholas que propõem fabricar salsichas nutritivas com excrementos de bebês foram alguns dos cientistas premiados nesta quinta-feira com o Nobel “alternativo”, uma sátira do prêmio original, na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. O prêmio, concedido há 24 anos pela revista Anais da Pesquisa Improvável, tem como premissa honrar pesquisas que primeiro fazem rir e depois pensar. Nessa linha, nem tudo é esdrúxulo, mas certamente é curioso. É o caso da pesquisa que investigou se é mentalmente perigoso para um ser humano ter um gato. O trabalho, que ganhou o Ig Nobel de Saúde Pública, tinha um propósito sério: analisar os riscos de contaminação por toxoplasmose. Outras pesquisas, porém, são graça pura. Em Física, por exemplo, o prêmio foi para os japoneses Kiyoshi Mabuchi, Kensei Tanaka, Daichi Uchijima e Rina Sakai, por medirem a quantidade de fricção entre o sapato e a casca de banana e entre esta e o chão quando uma pessoa pisa.
Em Nutrição, o prêmio ficou com as espanholas Raquel Rubio, Anna Jofré, Belén Martín, Teresa Aymerich e Margarita Garriga por seu estudo intitulado “Caracterização da bactéria do ácido lático isolado de excrementos de bebês como cultivo de potencial alimento probiótico para salsichas fermentadas”. Em Economia, o prêmio foi para o Instituto Nacional de Estatística italiano por “assumir a liderança e cumprir com a instrução da União Europeia para que cada país aumente o tamanho oficial da economia nacional incluindo a renda proveniente da prostituição, da venda de drogas ilegais, do contrabando e de outras transações financeiras ilícitas”.
O prêmio de Ciência Ártica foi ganho por Eigil Reimers e Sindre Eftestol, da Noruega e da Alemanha respectivamente, por “mostrarem como reage uma rena ao ver humanos disfarçados como ursos polares”. Os pesquisadores receberam com bom humor a honraria. Munidos com ursinhos de pelúcia, mostraram imagens de si mesmos fantasiados, apesar de reconhecerem que não se pareciam muito com um urso.
Em Neurociência, os premiados foram pesquisadores de Canadá e China por um estudo que tentou entender o que acontece no cérebro de pessoas que dizem ver a face de Jesus em um pedaço de torrada. Se nada mais der certo, brincou o chinês Kang Lee, é possível comprar uma torradeira com a cara de Jesus no eBay. Destaque também para o trabalho que documentou “cuidadosamente” – como destacaram os organizadores da premiação – o posicionamento de cachorros quando eles fazem xixi ou cocô. Segundo Vlastimil Hart e colegas da República Checa e da Alemanha, na hora de fazer suas necessidades fisiológicas, os animais alinham o eixo do corpo com as linhas do campo geomagnético norte-sul da Terra. Em Psicologia, Peter Jonason (Austrália), Amy Jones (Reino Unido) e Minna Lyons (EUA) foram reconhecidos por “reunirem evidências de que as pessoas que normalmente ficam acordadas até tarde são, geralmente, mais narcisistas, manipuladoras e psicopáticas do que as pessoas que costumam a se levantar cedo”.
Uma das curiosidades da cerimônia é que os prêmios são entregues por verdadeiros premiados com o Nobel. Estiveram presentes nesta edição Martin Chalfie (Prêmio Nobel de Química em 1998), Eric Maskin (Economia, 2007) e Carol Greider (Medicina, 2009), entre outros. Ao todo foram entregues 10 prêmios. O “troféu” era um prato com um frasco de pílulas Acme, em referência aos desenhos do Papa-léguas.

10.588 – Astronomia – Cometas que poderão ser vistos em 2014


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É consenso entre os astrônomos que 2014 não se trata de um ano ideal para a visualização de cometas – daqui até dezembro, nenhum deles será visível a olho nu. O último que passou pelas redondezas da Terra com maior estilo foi o finado ISON, no fim do ano passado. No entanto, se você tiver um bom binóculo astronômico e também um aplicativo que permita a fácil localização de objetos no céu noturno, conseguirá driblar esta dificuldade e contemplar um desses astros. Abaixo nós também incluímos mapas para setembro que vão facilitar ainda mais a sua busca.
C/2014 E2 Jacques – até outubro Este cometa é especial para a astronomia brasileira: foi o primeiro a ser batizado em homenagem a um astrônomo daqui. Quem o identificou no início deste ano foi Cristóvão Jacques, do observatório mineiro SONEAR. Segundo Jacques, o cometa “dele” é atualmente o mais promissor para o hemisfério norte, e voltará a estar mais visível por aqui a partir da segunda quinzena de setembro. Uma boa oportunidade de observação é o dia 14 deste mês, quando o astro estará logo ao lado da estrela Albireo (constelação Cygnus, ou Cisne). O limite é o dia 1º de outubro, quando sua localização será próxima à Águia.

C/2013 V5 Oukaimeden – até outubro De acordo com Cristóvão Jacques, o Oukaimeden é a melhor aposta para quem quiser ver um cometa ainda este ano. Atualmente ele está mais alto no céu, próximo ao Unicórnio, mas o período em que estará mais brilhante e próximo à Terra será por volta do dia 16 de setembro. Já bem perto da linha do horizonte, o corpo celeste poderá ser encontrado ao lado da estrela Alfa da constelação de Antlia, ou Máquina Pneumática.

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C/2012 K1 Pan-STARRS – até dezembro O Pan-STARRS voltou a ser visível no hemisfério sul agora no início de setembro, e daqui até o fim do ano suas chances de visualização só devem melhorar, conforme vai subindo no céu noturno. O dia em que passará mais perto da Terra será 31 de outubro, quando vai estar na região da constelação do Pintor.

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C/2013 A1 Siding Spring – até dezembro Este cometa deve atingir seu máximo brilho por volta da metade de setembro, na constelação do Pavão. Mas a situação mais interessante com o Siding Spring vai ocorrer em 19 de outubro: ele vai passar literalmente “raspando” em Marte, a cerca de 127 mil quilômetros. Para se ter uma ideia de como isso é perto, no ano passado os astrônomos chegaram a prever que o astro iria colidir com o planeta e causar muitos estragos. Já sabemos que isso não irá ocorrer, mas de qualquer forma os marcianos terão um show e tanto neste dia. Será que a Curiosity vai nos presentear com alguma foto espetacular do cometa?

10.587 – Definições absurdas (e possíveis) do Universo


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Durante décadas, a teoria do big bang reinou absoluta como a explicação dominante sobre as origens do nosso universo, há 13,8 bilhões de anos – e permanece sendo o modelo mais aceito pela comunidade de cosmólogos. Recentemente, a descoberta de ondas gravitacionais corroborou ainda mais com sua validação. No entanto, apesar de ser valiosíssima para nossa compreensão atual do cosmos, a teoria deixa algumas lacunas: o que havia antes da mega-explosão? Onde ela ocorreu?
Como a física teórica é um campo que está constantemente se reinventando, novas evidências aliadas a complexos modelos matemáticos acabam dando origem a diversas interpretações alternativas. Mesmo que muitas pareçam maluquice, elas são estritamente baseadas em dados empíricos e totalmente plausíveis do ponto de vista da ciência. Confira abaixo quatro destas teorias que parecem ter saído diretamente da ficção científica:
O universo é um holograma Imagine um holograma padrão, com aquelas figuras impressas em uma superfície bidimensional que aparentam estar em 3D. Agora, imagine que os pontos que compõem a imagem sejam infinitamente pequenos – ela se torna cada vez mais nítida. Nos anos 90, os físicos Leonard Susskind e Gerard ‘t Hooft demonstraram matematicamente que nosso universo pode ser justamente isso, um holograma, composto por grãos de informação bilhões de vezes menores do que prótons.
Quando tentaram combinar através de cálculos as descrições quânticas do espaço-tempo com aquelas da Relatividade de Einstein, os cientistas descobriram que estes grãos funcionam como os pontos de uma superfície 2D. De acordo com as leis da física, eles devem sofrer perturbações eventualmente, “borrando” a projeção. Pesquisadores desenvolveram um Holômetro, um arranjo de alta precisão de espelhos e lasers que deve descobrir em um ano se nossa realidade é granulada em sua menor escala.
O universo é uma simulação computacional Sim, nós podemos estar vivendo em uma Matrix de verdade sem nem sequer desconfiar. Platão já havia levantado filosoficamente a possibilidade de que o mundo em que vivemos seja uma ilusão, e desde então a ideia não foi deixada de lado. Os matemáticos se perguntam: por que 2 + 2 tem sempre de ser 4, não importa a circunstância? Talvez porque simplesmente isso faça parte do código com o qual o universo foi programado.
Em 2012, físicos da Universidade de Washington afirmaram que existe uma forma de descobrir se vivemos mesmo em uma simulação digital. Eles argumentaram que modelos computacionais são baseados em grades 3D, e a própria estrutura às vezes causa anomalia nos dados. Se o universo for uma grande grade, os raios cósmicos, que são partículas altamente energéticas, devem apresentar anomalias semelhantes – uma espécie de falha na Matrix. Ano passado, um engenheiro do MIT escreveu um artigo ainda mais intrigante, no qual afirma que como o espaço-tempo é composto por bits quânticos, então o universo deve ser um gigante computador quântico. Se isso for verdade, então quem ou o que escreveu o código?
O universo é um buraco negro Buracos negros são regiões tão densas do espaço-tempo que nada pode escapar de sua força gravitacional, nem mesmo a luz. Eles são formados a partir do colapso de objetos muito massivos, como grandes estrelas. Em 2010, um físico da Universidade de Indiana escreveu um artigo em que comprova que o cosmos pode ter se originado em um buraco negro, a partir da explosão de uma estrela da 4ª dimensão, e toda a matéria que vemos (e que não vemos) é proveniente desta supernova. O big bang seria justamente a explosão desta estrela.
Segundo o pesquisador, é possível testar esta teoria pois apenas um buraco negro que tenha rotação permite que a matéria não colapse completamente. Nós poderíamos detectar esta rotação através de medições do movimento das galáxias, que seria levemente influenciado para uma direção específica. O mais interessante é pensar na quantidade de universos paralelos que podem estar flutuando no espaço como buracos negros.
O universo é uma bolha A descoberta das ondas gravitacionais reforçou a hipótese da inflação cósmica, que diz que logo após a grande explosão que deu origem ao universo, o espaço-tempo se expandiu de forma exponencial, só depois se estabilizando em uma taxa mais regular de expansão. Para alguns teóricos, se esta inflação for confirmada, então nós devemos viver em um oceano borbulhante de múltiplos universos, onde cada um deles seria análogo a uma bolha.
Alguns modelos dizem que, antes do big bang, o espaço-tempo continha um “vácuo falso”, ou um instável campo de alta energia desprovido de matéria e radiação. Para se tornar estável, o vácuo teria começado a borbulhar como uma água fervente, dando origem a um multiverso sem fim. A nossa melhor chance de comprovar esta teoria seria investigar possíveis efeitos de um impacto com um universo vizinho, e é isso que pesquisadores da Universidade da Califórnia estão fazendo. Pesquisas envolvendo a radiação cósmica de fundo (resquício do big bang) revelaram uma improvável “mancha fria” que pode indicar uma dessas colisões.

10.583 – Pesquisa mostra que mamíferos podem ter surgido bem antes do que se imaginava


Pesquisadores acreditavam (baseados em anos de pesquisa) que os mamíferos surgiram no período Jurássico Médio, entre 176 e 161 milhões de anos atrás. Mas um estudo recente feito com fósseis de três espécies parecidas com os esquilos atuais sugere que os mamíferos podem ter se originado há muito mais tempo que isso: há cerca de 208 milhões de anos, no período Triássico (período mais antigo da era mesozoica). A conclusão é de paleontólogos do Museu Americano de História Natural e da Academia Chinesa de Ciências.
As três espécies – Shenshou lui, Xianshou linglong e Xianshou songae – foram descritas a partir de seis fósseis completos encontrados na China e foram reunidas em um novo grupo, chamado de Euharamiyida. Os pequenos “esquilos” pesavam entre cerca de 28 g e 283 g e se alimentavam de insetos, nozes e frutas.
Os cientistas encontraram uma grande diferença entre os dentes dos esquilos atuais e os dessas espécies: estes têm dentes “esquisitos”, com relevos e partes pontiagudas, confirmando que houve uma grande evolução de lá para cá. De acordo com os pesquisadores, os animais também tinham rabos e pés que indicavam que eram moradores de árvores.
“Eles eram ótimos alpinistas e provavelmente passaram mais tempo em árvores do que os esquilos de hoje”, disse o co-autor do estudo, Jin Meng, curador da divisão de Paleontologia do Museu Americano de História Natural. “Seus pés e mãos foram adaptados para agarrar galhos, mas não eram tão bons e rápidos quanto os esquilos ao caminhar ou correr no chão”.

10.578 – Clima extremo – Seca e ondas de calor em 2014


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O calor infernal nas regiões Sul e Sudeste no começo do ano parece um evento singular. Mas uma breve retrospectiva da história do planeta nos últimos anos mostra que esses episódios estão se tornando cada vez mais comuns. Pode apostar sem medo de errar: haverá outras ondas de calor tão fortes ou mais que essa ao longo das próximas décadas. Esses são os chamados eventos extremos. Nisso se enquadram a ampliação do número de furacões por temporada, as secas na Amazônia, as ondas de calor e os alagamentos, entre outros.
E aí, é claro, entram em cena aqueles que lembram que, enquanto nós estávamos sofrendo com um calor de deserto, americanos e canadenses encararam um dos invernos mais rigorosos de sua história. Chegou a fazer mais frio no Canadá do que em Marte. Onde estava o aquecimento global nessa hora?
O aumento da frequência dos eventos extremos é o principal sintoma das mudanças climáticas – que vão muito além do calor. É o que cientistas falam há anos.Pode parecer paradoxal, mas os modelos climáticos explicam como o aumento médio de temperatura da Terra leva a invernos mais rigorosos.
Sobre o Polo Norte, existe o que os cientistas chamam de vórtice polar. É um ciclone permanente que fica ali, girando. Em sua força normal, ele segura as frentes frias nessas altas latitudes. Mas, com a temperatura da Terra cada vez mais alta, existe uma tendência de que o vórtice polar se enfraqueça. Assim, as frentes frias, antes fortemente presas naquela região, se dissipam para latitudes mais baixas. E o friozão polar chega aos Estados Unidos. Mudança climática não é sinônimo puro e simples de aumento de temperatura média da Terra. Outros processos, que envolvem a possível savanização da Amazônia, o aumento dos desertos e o deslocamento das regiões mais propícias para a agricultura, também estão inclusos no pacote.
É possível atrelar cada um desses episódios, individualmente e sem sombra de dúvida, à mudança climática? Não. Fenômenos atmosféricos e de correntes marinhas têm componentes aleatórios e imprevisíveis. Por isso é possível ter flutuações de temperatura ano a ano que podem disfarçar a tendência de aquecimento.
Entender como isso, de forma geral, leva ao aumento da frequência desses eventos extremos não é complicado. Quando se tem mais energia armazenada na atmosfera, há múltiplas (e violentas) maneiras de dissipá-la. Antes dessa onda de calor desértico no verão brasileiro, podemos lembrar o furacão Catarina, que afetou a costa do sul do Brasil em 2004. Foi a primeira vez que um ciclone tropical atingiu com força nossa costa. É uma energia que não estava na atmosfera antes, mas agora está lá. Ou as chuvas e deslizamentos de terra no verão de 2011, na região serrana do Rio de Janeiro, que mataram cerca de mil pessoas – a maior tragédia natural da história do Brasil.
Aí temos a base do negócio. Entender detalhadamente – e prever quais são as tendências e modificações climáticas em cada lugar – é bem mais complicado. Uma iniciativa dedicada a investigar essa questão é o Projeto Primo, coordenado por José Marengo, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “O projeto quer aprofundar os conhecimentos relacionados às mudanças climáticas e aos desastres naturais no Brasil”, diz. A ideia é compreender as variabilidades e as tendências climáticas diante de um mundo em transformação, apontando os efeitos que isso poderá ter. Um exemplo de fenômeno que exige maior investigação é justamente a onda de calor que nos assolou. Ela veio junto com um aumento de temperatura de até 3 ºC nas águas que banham a costa do Sudeste e do Sul, causado pela ausência de nuvens. O fenômeno aconteceu por conta de mudanças no padrão das correntes de ar sobre o Atlântico, que criou um bloqueio contra as frentes frias no continente. Por isso só chovia mais ao Sul, e na maior parte das vezes, no oceano. O resultado foi uma onda de calor atípica, pela intensidade e pela duração. Se os modelos climáticos estiverem certos, a tendência é que fenômenos como esse voltem a se repetir mais e mais vezes. Mesmo assim, não há como traçar a cadeia exata de eventos que liga o aquecimento global a esse episódio em particular.
Nos últimos tempos, os chamados “céticos do clima” têm apontado uma tendência à estabilização da temperatura média. Se analisarmos os últimos 15 anos, veremos flutuações ano a ano, mas sem uma curva clara de aumento. Aí mora o erro. Os pesquisadores do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC), órgão da ONU que consolida as descobertas sobre a transformação do clima, apontam que 15 anos é um período irrelevante. A análise de dados desde o século 19 revela um aumento de temperatura cada vez mais acentuado a partir da década de 1960.
Além disso, é preciso lembrar que há um consenso crescente entre os astrônomos de que o Sol está entrando numa fase de baixíssima atividade. Cogita-se que ele esteja no mesmo patamar da época da chamada “pequena era do gelo”. Ocorrida entre 1645 e 1715, ela ficou marcada por invernos rigorosos na Europa e coincidiu com a baixa frequência de manchas solares. Ou seja, o calorão está de rachar mesmo com o Sol dando uma trégua.
Ainda não está claro como essas mudanças no ciclo de atividade solar influenciam o clima na Terra, mas é possível que o fenômeno possa ter ajudado a dar uma aplainada na tendência de aumento de temperatura.
Se o Sol estiver mesmo esfriando, trata-se de uma possível boa notícia. Com essa mãozinha de nossa estrela-mãe, talvez ganhemos algumas décadas para reduzir as emissões de gases-estufa antes que a temperatura volte a seguir a trajetória de aumento. Mas gases como CO2 permanecem pelo menos cem anos na atmosfera assim que os soltamos nela.

10.569 – Como pode um peixe vivo viver fora da água fria? – Estudo mostra como vertebrados evoluíram


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Para entender o que aconteceu há 400 milhões de anos, quando um grupo de peixes tentou, pela primeira vez, sair da água para depois evoluir para os vertebrados terrestres, cientistas observaram peixes similares aos seus primos mais velhos durante um ano.
O detalhe é que espécimes jovens do peixe africano Polypterus senegalus foram criados na terra. A ideia era revelar como esses bichos mais terrestres se pareceriam e se locomoveriam, especialmente sob condições estressantes, que podem acabar levando a mudanças anatômicas e comportamentais. E foi o que aconteceu.
Esse peixe, que é predominantemente aquático mas consegue absorver oxigênio do ar, passou a “andar” de maneira mais eficiente, usando suas barbatanas mais próximas do corpo, e a levantar mais a cabeça. O peitoral do animal também ficou mais alongado e forte, possivelmente para aguentar o peso da caminhada.
Os resultados, obtidos por uma equipe de cientistas da Universidade McGill, no Canadá, foram publicados na revista científica “Nature”.
As alterações anatômicas tornaram o animal semelhante aos espécimes de fósseis. Por isso, os autores afirmam que as mudanças observadas podem refletir o que de fato ocorreu no passado.
O estudo também demonstra como a plasticidade no desenvolvimento pode ter facilitado uma transição evolutiva em larga escala ao dar origem a novos traços anatômicos que mais tarde seriam “fixados” pela seleção natural.

10.568 – Paleontologia – Descoberto fósseis do maior dinossauro do mundo


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Da cabeça até a ponta do rabo, ele tinha 85 metros. E pesava 59 toneladas, o mesmo que 16 elefantes africanos. Do alto de seus 30 metros, o Deadnoughtus é o maior dinossauro de que se tem notícias até hoje. Ele foi encontrado em 2005 numa escavação ao Sul da Argentina, na Patagônia. Mas só agora, em setembro de 2014, a equipe de paleontólogos divulgou informações sobre o gigante pré-histórico.
A ossada do Deadnoughtus – algo como “O que não tem medo de nada”, em tradução livre – estava bastante completa e muito bem conservada, o que facilitou bastante os estudos. Um osso de 6 metros da sua coxa tornou possível o cálculo de seu peso. E não tem pra mais ninguém.
Quer dizer, mais ou menos. Na verdade, não dá para ter certeza do tamanho exato do dinossauro. E tem outros gigantes na disputa pelo posto de maior dinossauro de todos os tempos. Tipo aquele que foi descoberto em maio desse ano, e que pode chegar a pesar 77 toneladas. O problema é que é raro encontrar ossadas tão conservadas e completas como a do Deadnoughtus. Então, para todos os efeitos, por enquanto, ele é o maior. Vejamos a comparação feita pelos cientistas da Universidade de Drexel:

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O Deadnoughtus é um titanossauro, um tipo de dinossauro herbívoro que viveu entre 84 e 65 milhões de anos atrás, no durante o período Cretáceo. Seu nome é baseado num navio de guerra britânico da Segunda Guerra Mundial.

10.564 – Pesquisa Científica – Maioria das instituições tem baixa produção de artigos científicos


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Das 192 universidades avaliadas pelo RUF, 176 (91%) têm menos do que uma publicação acadêmica por docente num período de dois anos, e 77 (40%) não têm em seu quadro docente pesquisadores considerados especialmente produtivos pelo CNPq (agência federal de fomento à pesquisa).
O número de professores que recebem a chamada bolsa de produtividade do CNPq passou a integrar o indicador de qualidade de pesquisa do RUF neste ano. As bolsas, cerca de 16 mil no país, pagam de R$ 1.100 a R$ 1.500 a professores de todas as áreas.
O número de artigos publicados é um dos critérios para escolher os contemplados -citações, orientações, relevância e apresentação de projetos também contam.
A universidade com mais publicações por docente no RUF é a Unicamp, com uma média de 3,35 artigos por professor entre 2010 e 2011. A instituição é ainda a que tem mais bolsistas do CNPq.
Na outra ponta, 176 universidades têm menos de uma publicação por docente -ou seja, nessas escolas há docentes que publicam menos de um artigo a cada dois anos.
Glaucius Oliva, presidente do CNPq, pondera haver muitas universidade recentes no país. “Quantas foram criadas nos últimos 15 anos? Até tudo ser estabelecido demora.”
Segundo dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o número de instituições de ensino superior subiu de 1.637 em 2002 para 2.252 em 2008. O número de docentes com doutorado saltou de 49.287, em 2002, para 77.164, em 2008.
Para Oliva, a cobrança das agências de fomento precisa ir além da contagem de artigos. “A gente olha para o impacto das publicações.”
Paulo Artaxo, pesquisador da USP, diz que é preciso buscar mais parceiros internacionais para aumentar a relevância da pesquisa brasileira. Ele é um de apenas cinco pesquisadores atuantes no Brasil que figuram entre os 3.200 mais influentes no mundo, segundo pesquisa recente do Instituto Thomson Reuters.
Já o Andes (sindicato de professores do ensino superior), questiona as avaliações. “A produção científica tem caráter artesanal e não tem o mesmo ritmo para todas as áreas”.

10.561 – Geografia – Já não é mais o Vaticano – Sealand, o menor país do mundo


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O menor país do mundo, Sealand, conta, em toda sua extensão, com 22 habitantes espalhados pelo seu território de 1 quilômetro e meio. E a história seria assim curta se não fosse tão rica em detalhes excêntricos. O pequeno país nasceu como uma plataforma militar britânica localizada em um forte a 10 quilômetros da costa inglesa, construída para defender o Reino Unido dos ataques marítimos nazistas durante a Segunda Guerra. Anos depois de terminada a guerra, os habitantes de Sealand, munidos de grande espírito cívico, declararam sua independência da Coroa Inglesa e fundaram um principado em sua mínima pátria.
E se transformaram em um Estado, de fato. Economicamente independente, Sealand tem água potável e seu consumo interno se baseia na pesca. Além disto, os próprios habitantes tratam de importar, em suas viagens pessoais, os outros bens de consumo que necessitam para o cotidiano. O país também tem uma lucrativa atividade: a venda de títulos de nobreza via internet. Como qualquer principado, Sealand pode transformar cidadãos comuns em condes, lordes e ladies por uma quantia em dólar americano, depois convertidos à moeda local: o dólar Sealand. E mais: a terra local vale 33 dólares o metro quadrado.
A pitoresca história de Sealand começou quando Roy Bates, ex-infante da Marinha Real Britânica, levou a mulher e os filhos para conhecer o estranho refúgio durante a noite de Natal de 1966. Meses depois, o antigo rádio amador se autoproclamou príncipe de Sealand e, como ninguém se opôs, ascendeu a Monarca absoluto. O Rei Roy faleceu há dois anos e seu trono foi passado a seu filho e sucessor Michael, que pode ser visto emocionado, cada vez que o hino do principado ecoa no ar.

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10.560 – SARCOPENIA – O Envelhecimento e a Perda da Massa Muscular


fitness na idade avançada
Sarcopenia é a perda de massa e função muscular, e é uma conseqüência importante do envelhecimento. O predomínio de sarcopenia, dependendo da definição usada, varia de 10% a 30% em homens na faixa dos 60 anos e em mulheres na faixa dos 50 anos. A causa da diminuição na massa magra está na perda de massa muscular; há uma pequena mudança na massa magra não muscular.

Entre 20 e 80 anos de idade, o declínio cumulativo na massa muscular do esqueleto equivale a 35% a 40%. A perda de massa muscular não resulta em perda de peso, devido à natural substituição correspondente de gordura corporal.
A perda de massa muscular resulta de uma diminuição do número e da área da seção transversal das fibras musculares. Há uma atrofia, principalmente da contração muscular rápida, nas fibras do tipo II, e há um aumento em gordura intramuscular e no tecido conjuntivo. Essas mudanças reduzem o volume de tecido contrátil disponível para locomoção e para as funções metabólicas. O envelhecimento está associado com a síntese reduzida de proteínas musculares do esqueleto, com as cadeias pesadas de miosina e com as taxas de síntese atenuadas, os quais são importantes também para geração de adenosina trifosfato (ATP).
A perda de massa muscular que ocorre com o envelhecimento está associada à redução na força e potência muscular entre os 50 e 70 anos de idade, devido, principalmente, à perda de fibra muscular e à atrofia seletiva das fibras do tipo II. A perda de força muscular é ainda maior depois dos 70 anos; 28% dos homens com 74 anos não conseguem levantar sobre suas cabeças objetos com peso maior que 25 quilos. Com o aumento da idade, há uma redução progressiva na potência muscular, na velocidade da geração de força e na resistência à fadiga, que acabam diminuindo a capacidade de persistir em uma tarefa.
A perda de força e massa muscular leva a uma deterioração da função física, como indicado pela prejudicada habilidade de levantar de uma cadeira, subir degraus, acelerar o passo e manter o equilíbrio. A deterioração da função física contribui para a perda da independência, para a depressão e para o aumento do risco de quedas e fraturas no idoso.

Fique longe de mentiras sobre combate à gordura
Existe muita informação falsa sendo dada sobre como perder gordura apenas na parte central, como perder celulite, ou enrijecer certa área. O mito diz que se você exercitar mais tais áreas, você irá perder gordura naquela área. Isto não é o que ocorre. As pessoas precisam exercitar o corpo inteiro para estimular o processo de queima de gordura. Mulheres podem se livrar da celulite e homens podem se livrar da barriga de cerveja, mas isso não acontece exercitando apenas aquelas determinadas partes. Isto ocorre seguindo-se um programa completo – uma abordagem equilibrada e integrada – que traz o corpo de volta para onde ele supostamente deveria estar.

Levantamento de peso reduz a pressão sanguínea
Sabemos que exercícios aeróbicos e treinamento de resistência trabalham de mãos dadas para prevenir, reduzir, ou até mesmo eliminar doenças cardíacas, pois atuam no combate à diabetes (o fator de maior risco para doença cardíaca), ao colesterol alto, à pressão sangüínea, etc. Ambas as formas de exercício fortalecem o músculo cardíaco, fazendo-o trabalhar muito mais eficientemente.

É sabido que exercícios aeróbicos fazem um grande trabalho na diminuição da pressão sangüínea sistólica e que ajudam a reduzir a pressão sangüínea diastólica. Agora, uma pesquisa mais recente sugere que um programa regular de exercícios de resistência pode, de fato, diminuir a pressão sangüínea em repouso. As pessoas que participavam de um programa regular de treinamento com pesos, evidenciavam uma redução de cerca de três pontos na pressão sistólica e diastólica. Enquanto essas reduções possam parecer pequenas, as reduções pequenas como até dois pontos têm sido suficientes para reduzir a mortalidade por doenças coronárias.
Agora, médicos estão encorajando seus pacientes, tanto os de corações saudáveis (não importa a idade ou sexo) quanto os de problemas cardíacos, a usarem treinamento de resistência e treinamento aeróbico como parte do programa de prevenção ou tratamento de doenças do coração.

Mais uma vez, há razão para manter-se no levantamento de pesos, não somente por diversão, mas também por ser saudável.
“Metabolismo” é a energia que nós gastamos para manter todas as mudanças físicas e químicas em nosso corpo. Nossa “Taxa Metabólica” reflete o quão rapidamente nós usamos a energia armazenada. Esta taxa é influenciada por muitos fatores, incluindo genética, sexo, secreção hormonal, composição corporal, nosso biótipo e idade. A idade, nós não podemos controlar. Mas, na verdade, a idade tem um efeito mínimo sobre nossa Taxa Metabólica. No cálculo da Taxa Metabólica Basal de um homem de 20 anos de idade, pesando 75 quilos, comparado com a de um homem de mesmo peso, com 60 anos, usando fórmulas ajustadas à idade, o gasto de energia no descanso do homem de 20 anos é de 1750 calorias por dia, enquanto a do homem de 60 anos é de 1691 calorias por dia – somente 59 calorias a menos!
Mas a boa notícia é que nós podemos controlar muitos outros fatores, incluindo a massa mais magra (músculo) que temos e o número de calorias que queimaremos ao longo do dia. Podemos melhorar nossa composição corporal através de exercícios (treinamento de resistência e exercício aeróbico), o que fará com que aumentemos nosso gasto diário de energia e queimemos o excesso da mesma armazenada (gordura), caso o exercício seja intenso. Sabe-se que algumas substâncias ou hormônios, tais como os análogos da Leptina, Sibutraminas e drogas de prescrição para tratar Resistência a Insulina, têm sido mostrados como “queimadores de gordura” e consumidores de calorias. A supervisão de um médico é requerida para monitorar a dosagem dos suplementos e das drogas citadas.
Nós também podemos controlar nossa nutrição, a proporção de proteínas e gorduras em nossa dieta. Essas substâncias demandam muito mais energia (calorias) para serem metabolizadas.
Em um estudo recente, publicado no American Journal of Physiology, pessoas que se exercitavam e mantinham uma dieta rica em proteínas, queimavam mais gordura do que pessoas que seguiam uma dieta de proteínas próxima às recomendações diárias americanas. Os pesquisadores afirmaram que isto ocorreu, parcialmente, devido ao maior efeito térmico, ou o aumento no metabolismo, depois de comer. No grupo com dieta rica em proteínas, o efeito térmico foi elevado 42% depois de comer, comparado com 16% do outro grupo. Dado que este efeito, então chamado térmico ou calorífero, alcança seu máximo em uma hora depois da refeição, e tendo-se seis refeições ao dia, podemos tirar vantagem da maior Taxa Metabólica.
Assim, nós podemos aumentar nossa Taxa Metabólica e nos tornamos “máquinas queimadoras de gordura”. Isso é possível através de exercícios, suplementos, massa muscular e pequenas refeições freqüentes.

Exercício pode ser um antidepressivo potente
De acordo com um estudo lançado neste ano por pesquisadores no Duke University Medical Center, exercício pode ser benéfico para ajudar a eliminar sintomas de depressão.
Nesse estudo, 156 pacientes diagnosticados com a principal desordem depressiva (MDD) foram distribuídos em três grupos para avaliação: exercício, medicação, ou combinação de medicação e exercício. Os resultados mostraram que depois de 16 semanas, todos os grupos mostraram resultados similares, com melhoras significativas nas avaliações das depressões, incluindo o grupo que se exercitou sem o acréscimo da medicação.
“Uma das conclusões que podemos tirar disto é que o exercício pode ser tão efetivo quanto a medicação, chegando a ser uma alternativa melhor para certos pacientes”, diz o psicólogo e líder de estudo, Dr. James Bluementhal. Estas descobertas poderiam mudar a conduta com que alguns pacientes depressivos são tratados, especialmente aqueles que não estão interessados em tomar antidepressivos. Embora tenha sido provado que essas medicações são realmente efetivas, muitas pessoas querem evitar os efeitos colaterais ou estão procurando um meio mais ‘natural’ de se sentirem melhor”.
Enquanto os pesquisadores ainda não sabem precisamente por que os exercícios conferem tais benefícios, Dr. Bluementhal sugere seja porque os pacientes estão, na verdade, assumindo uma posição ativa e tentando melhorar.

O triste ponto inicial: não há modo fácil de ficar saudável
Pesquisadores da Universidade de Wisconsins-La Crosse foram incapazes de documentar a alegação de que máquinas poderiam enrijecer os músculos. Isto serve de evidência científica para assegurar as afirmações de muitos especialistas em aptidão física, de que dispositivos de estímulos elétricos não fortalecem ou tonificam os músculos enquanto você realiza atividades simples como ler um livro ou trabalha no computador, por exemplo.
Após oito semanas comparando pessoas que usaram dispositivos de estimulação elétrica dos músculos ,três vezes na semana e durante 45 minutos, àquelas que não realizavam o tratamento, os pesquisadores constataram que os 16 estudantes que usaram o dispositivo não sofreram alterações na musculatura.
Outro fato constatado foi o de que a maioria dos voluntários disseram que prefeririam ir a uma academia de ginástica, levantar peso por uma sessão média de 45 minutos.