Arquivo da categoria: Ciência

10.370 – Óptica – O que é prisma?


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Em óptica, um prisma é um elemento óptico transparente com superfícies retas e polidas que refractam a luz. Os ângulos exatos entre as superfícies dependem da aplicação. O formato geométrico tradicional é o prisma triangular com base quadrangular e lados triangulares, e o uso coloquial de “prisma” geralmente refere-se a essa configuração. Os prismas são tipicamente feitos de vidro, mas também podem ser feitos de qualquer material transparente aos comprimentos de onda ao qual são designados.
Um prisma pode ser usado para separar a luz em suas cores do espectro (as cores do arco-íris). Também podem ser usados para refletir a luz ou ainda dividi-la em componentes com diferentes polarizações.
Ao mudar entre um meio e outro (por exemplo, do ar para o vidro), a luz muda sua velocidade. Como resultado seu caminho é refractado e parte de si é refletida. O ângulo de entrada do raio de luz e os índices de refração dos dois meios determinam o quanto da luz é refletida e o quanto o caminho e refractado. O índice de refração dos meios variam de acordo com o espectro (ou cor) da luz devido à dispersão, fazendo com que as luzes de diferentes cores sejam separadas quando refractadas na superfície do prisma.
Prismas dispersivos são usados para separar a luz em suas cores de espectro pois o índice de refração depende da frequência; a luz branca entrando no prisma é uma mistura de diferentes frequências, e cada uma e refractada levemente diferente. Por exemplo, a cor azul é desviada um pouco mais que a cor vermelha.
Prismas refletivos são usados para refletir a luz, por exemplo, em binóculos.
Prismas polarizados podem dividir o feixe de luz em componentes de variadas polaridades.

10.369 – Um Tijolo de Borracha


Nos fundos da fábrica de estojos de instrumentos musicais, montanhas de etil-vinil-acetato (EVA) recortado, sobras do revestimento dos cases. Chegaram a juntar 20 toneladas de lixo sem destino. Preocupados com o rumo desse descarte todo, os Peceniski saíram em busca de uma solução de reciclagem.

No final de 2010, veio a ideia de criar tijolos. Com os conselhos de um amigo do setor cimenteiro e o investimento em estudos conduzidos pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), o casal elaborou a fórmula dos blocos, uma mistura de EVA triturado, cimento, água e areia.

As análises de segurança e outras propriedades se mostraram satisfatórias, e o melhor: por causa da borracha na composição, as peças isolam ruídos (absorvem 37 dB, contra 20 dB do tijolo baiano comum) e apresentam qualidades térmicas. A produção, no entanto, foi a parte mais complicada.
Num processo experimental e artesanal que consumiu cinco meses, montaram-se 9 mil unidades, fora um extra de 3 mil lajotas. “Utilizamos para construir nossa própria casa, há dois anos, mas paramos depois disso, pois ainda não temos condições de abrir uma indústria”, conta Paulo. A residência de 550 m² em Curitiba, assinada por Eliane Melnick, é toda feita do material. “Antes, havíamos aplicado apenas em estúdios de música para melhoria acústica.” Na morada, como complemento, portas e janelas ganharam vidro antirruído. E os moradores asseguram que o silêncio, ali, reina absoluto.

10.367 – Curiosidades – Por que a cebola faz chorar?


Porque possui compostos que, ao se misturarem, produzem ácido sulfúrico, que faz os olhos arderem e lacrimejarem.
As cebolas contêm compostos de enxofre, responsáveis pelo seu forte cheiro, e também uma grande concentração de aminoácidos, dentre os quais está a cisteína, que contém enxofre. Quando a cebola é cortada acontecem ruptura em suas paredes celulares, o que provoca o contato entre os aminoácidos e as enzimas presentes em outras células, dando início a uma diversidade de reações químicas que conduzem à formação de compostos de enxofre voláteis, como o disulfureto de alilopropila.
Estas substâncias são muito voláteis e chegam rapidamente aos olhos de quem está cortando a cebola. Quando elas entram em contato com a água, presente nas lágrimas, ocorre mais uma reação química, que transforma a substância em ácido sulfúrico, um ácido extremamente forte.
Outro fenômeno também ocorre neste caso. A ação enzimática que ocorre sobre os aminoácidos da cebola cortada provoca a formação do óxido de tiopropionaldeído, que é um agente lacrimejante. Para evitar a ardência há vários truques como lavar a cebola, usar um palito de fósforo na boca ou picar a cebola embaixo d’água. O princípio de todas é o mesmo, evitar que o gás chegue aos olhos. No entanto, é importante destacar que o fósforo não ajuda em nada, pois também contém enxofre. Mas há algumas dicas que podem ajudar, como cortar a cebola com um ventilador ligado, pois o vento afasta as substâncias voláteis produzidas pela cebola dos olhos; Molhar as mãos antes de cortar a cebola, pois isso faz com que as substâncias encontrem água antes de chegar aos olhos; Mergulhar a cebola em água quente por pelo menos cinco minutos, isso desnatura suas enzimas; ou ainda cortar a cebola em água corrente.

10.365 – O que é um Alfarrábio?


Segundo a definição do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, o verbete alfarrábio significa livro antigo ou velho, de pouca ou nenhuma importância, há muito editado, que tem valor por ser antigo. No sentido histórico, a palavra surgiu por causa de Al-Farabi, que foi um dos primeiros filósofos mulçumanos durante e Idade Média. Além filósofo, ele era um grande estudioso, interessado por química, filosofia da religião, ciência política, ética, física e ciência naturais. Portanto, alfarrábio vem de uma pequena alteração de seu nome “Al-Farabi”.
Desde o surgimento das primeiras formas de livros, que eram os papiros e pergaminhos, a informação era carregada de local em local, vendida e trocada. Esse foi o processo pioneiro do que poderíamos chamar de “comércio de livros”. Porém, estas transações intesificaram-se após a invenção de processos de impressão do final da Idade Média e foram potencializadas com o surgimento da máquina impressora (prensa), criada pelo chinês Pi Sheng e aprimorada por Johannes Gutenberg.
Os principais eventos em que as obras eram comercializadas foram os Mess Kataloge (feiras-de-livro) de Frankfurt e de Leipzig. Com o constante crescimento da produção e comercialização dos livros, as livrarias de usados se tornaram uma necessidade na Europa. Por lá, a busca por obras raras ou antigas, geralmente feitas por estudiosos e colecionadores, incentivou a formação de uma cadeia de interesse na compra e venda de livros usados.
Apesar da forte influência da Alemanha na expansão da comercialização de obras usadas, a palavra alfarrábio é uma exclusividade dos portugueses. De acordo com o Prof. Artur Anselmo, “na falta de uma rede organizada de alfarrabistas em Lisboa, era para a Feira da Ladra que, nos meados do século XIX, afluía o papel velho dos livros impressos e manuscritos que sobravam da refrega entre o Liberalismo e os frades. João Pereira da Silva, que nunca fora frade, acabaria por ser conhecido como tal. Viera para Lisboa ais caídos e arranjara um quarto nas imediações da feira. Começou então a adquirir livros e papéis nesse terreiro privilegiado para os pechincheiros. assim constituiu o fundo de alfarrábios com que montou uma loja na Rua dos Retrozeiros nº96, inaugurada em Maio de 1867”.
No Brasil, onde os alfarrábios são conhecidos como sebos, a comercialização de livros usados tem início na segunda metade do século XIX, período em que as máquinas de impressão aportaram no país. Naquela época, já existiam 50 livrarias no estado do Rio de Janeiro e 10 livrarias em Salvador. “ Há de se fazer leilão em casa de Jorge João Dodsworth, numero 14, rua da Alfândega, no dia 7 do corrente mês, às duas horas da tarde, de uma grande coleção de livros em diferentes línguas, de pianofortes, e de trastes de casa”, lia-se em um anúncio publicado no Rio de Janeiro.
Além de significar livraria de obras usadas, Alfarrábios também é um dos romances de José de Alencar, publicado no ano de 1873. Esta obra, escrita por um dos mais importantes autores do Brasil é uma trilogia dividida em “O Garatuja”, “O Ermitão da Glória” e “Alma de Lázaro”.

10.363 – Geologia – As rochas deslizantes de Racetrack Playa


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O fenômeno das rochas deslizantes do lago seco de Racetrack Playa, no Vale da Morte, é um dos enigmas naturais mais intrigantes da geologia moderna. Esse fenômeno consiste nos movimentos de rochas, algumas delas imensas, ao longo de um rastro, sem nenhuma intervenção humana ou animal. Elas têm sido registradas e estudadas em diversos lugares pelo Racetrack Playa, onde o número e o tamanho dos rastros são notáveis. Até hoje não se tem certeza da força por trás do movimento das rochas.
As rochas só se movem a cada dois ou três anos, e a maioria dos rastros de desenvolvem por três ou quatro anos. As pedras ainda são capazes de se virarem, expondo outro lado para o chão, e deixando rastros diferentes. Esses rastros podem se diferenciar tanto em direção quanto em distância. Rochas que podem partir juntas de um certo ponto, podem seguir por uma linha paralela por um tempo, e logo uma delas pode mudar de direção abruptamente para a esquerda, direita ou até para trás, na direção de onde veio. O tamanho das trilhas também varia bastante, duas rochas de tamanhos e formas similares podem viajar uniformemente, e uma delas pode simplesmente parar, enquanto a outra continua.
Geologistas mapearam toda a área do Racetrack Playa em 1948, e registraram os rastros das pedras. Naquele tempo, a maioria dos estudiosos concordou que a hipótese mais plausível seria que esse fenômeno fosse causado por ventos fortes quando o solo do rio estivesse minimamente úmido, e que, se essa não fosse a causa principal, com certeza seria fortemente responsável. Porém, algumas rochas pesam tanto quando um ser humano, fato que fez com que alguns geólogos, como George Stanley, acreditassem que tais rochas seriam excessivamente pesadas para serem empurradas pelo vento. Estudiosos que seguem Stanley, acreditam que camadas de gelo ao redor das pedras podem tanto ajudar a pedra a “pegar” mais vento, ou podem ajudar as pedras a deslizar sobre camadas de gelo no solo.
Em maio de 1972, Bob Sharp e Dwight Carey criaram um complexo programa de monitoramento das pedras do Racetrack Playa. Eles registraram e rotularam cerca de trinta pedras, e usaram estacas para marcar suas posições. A cada pedra foi dado um nome, e as posições das pedras foram registradas por um período de sete anos. Eles fizeram muitos testes para tentar provar a teoria das camadas de gelo, mas ela não se comprovou, as pedras se moviam da mesma forma, independente da presença ou não de gelo. Eles usaram cercados e estacas, que deveriam impedir a ação do vento e detectar alterações causadas pelo congelamento. Isso indicou que, se o gelo faz parte dessa equação, a sua importância deve ser muito pequena, quase desprezível. Outros pares de pedras foram selecionados, e em muitos deles, apenas uma delas se moveu.
Posteriormente, em 1995, alguns pesquisadores detectaram a ocorrência de ventos incomumente fortes na região do rio, que podiam ser comprimidos e intensificados por causa da configuração topográfica da região, podendo esses ventos chegarem a 90km/h, com rajadas de até 140km/h. Acredita-se, que essas rajadas são suficientemente fortes para ser a força de impulso que dá início ao movimento das pedras, enquanto os ventos constantes e mais fracos podem ser responsáveis para manter o movimento das pedras, já que apenas metade da força inicial seria necessária para manter a pedra em movimento.
Um estudo publicado em 2011, postulou, novamente, que pequenas formas de gelo deveriam ser formadas ao redor das pedras, quando o nível do rio aumentava, e esse gelo seria responsável por diminuir a força de atrito nas pedras. Mas essa teoria não pode ser totalmente aceita, pois os movimentos das pedras já foram registrados em temperaturas muito superiores ao do congelamento da água, impossibilitando a formação de gelo.

10.362 – Mega Tour – Trem inspirado em vagões de luxo viaja pelo ‘Equador profundo’


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O friozinho típico da manhã em Quito ganhou ares mais quentes assim que o antigo sino da estação de trens de Chimbacalle, no centro da cidade, soou para anunciar a partida de mais uma viagem.
Inspirado nos trens de luxo europeus, o novo Tren Crucero Ecuador viaja por quatro dias entre desfiladeiros, vulcões, parques nacionais, comunidades indígenas, mercados tradicionais e pequenas cidades ligadas à história férrea e econômica do país.
Com apoio também do governo federal e investimentos de mais de US$ 280 milhões (R$ 615 milhões), foram reabilitados mais de 450 km de linhas férreas para fazer esse itinerário sair do papel.
Hoje o trem viaja de Quito à litorânea Guayaquil atravessando os Andes em vagões novinhos, mas sem abrir mão da locomotiva a vapor do início do século 20 restaurada.
Cada viagem leva no máximo 54 passageiros. Os vagões são decorados à moda dos originais, com inspiração europeia nas mesas e cadeiras, dispostas de modo que todo viajante tenha uma janela.
A cada regresso ao trem, mimos para os passageiros: de frutas a produtos típicos do país, como a colada morada, bebida preparada com farinha de milho escura, especiarias e frutas vermelhas.
O atendimento pode ser em português, espanhol, inglês, alemão e francês. Todas as noites, os passageiros desembarcam e são acomodados em “haciendas”, fazendas típicas do período colonial equatoriano.
Dentre elas, merece destaque a Hato Verde (haciendahatoverde.com ), uma propriedade familiar com vista para o vulcão Cotopaxi nas proximidades de Lasso. Ali, a família Mora-Bowen, recebe até 18 hóspedes por noite. No jantar, todos comem juntos, em duas mesas, com os anfitriões sentados entre eles, trocando experiências de viagem e curiosidades culturais de seus países.
Ao longo dos quatro dias, o viajante visita lugares que, à exceção dos parques nacionais, até então não estavam acostumados a receber turistas: assentamentos indígenas, centros de cultivo e exportação das rosas equatorianas e fazendas de cacau.
Vimos manguezais, florestas, vulcões, glaciar e margeamos o rio Alauisi, que chegou a deixar a ferrovia submersa em 1998 durante uma manifestação do El Niño.
No mercado semanal da minúscula Guamote éramos os únicos turistas entre habitantes locais que compravam produtos agrícolas e carnes, muitas vezes na base do escambo –uma saca de legumes podia ser trocada por um porquinho, por exemplo.
Durante a viagem, o trem arranca pela sinuosa ferrovia oscilando de mais de 3.000 metros de altitude até o nível do mar. Fica visível a geografia do país, cortado de norte a sul pela cordilheira dos Andes, com as planícies costeiras, as montanhas permeadas por rios, riachos e lagos, os vulcões com cumes cobertos de neve e as florestas.

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Um dos trechos mais esperados é no penúltimo dia, quando o trem desce a sinuosa região serrana ao final dos Andes batizada de “Nariz del Diablo”. Ganhou o nome porque suas curvas estreitas em penhascos eram o maior temor dos maquinistas no século passado. Hoje, tanta sinuosidade, emoldurada pela cordilheira, é puro deleite fotográfico para os viajantes.
Como os moradores dos vilarejos por onde passa o trem –como Colta, onde está primeira igreja católica do Equador e, segundo os moradores, a segunda mais antiga da América do Sul– ainda estão pouco acostumados com turistas, acenam entusiasmados quando o trem passa e, nas paradas, se aproximam para saber de onde vêm os forasteiros. Não raras vezes, são os passageiros que ganham ares de atração turística.
TREN CRUCERO ECUADOR
SAÍDAS semanais, de junho a março
PREÇO US$ 1.270 (R$ 2.794), com passeios, hospedagem e refeições nos quatro dias; é possível fazer partes do itinerário; o tour de um dia sai US$ 236 (R$ 519)

10.358 – O sal de fruta, que combate o mal-estar, tem sal e fruta mesmo?


Sim, o remédio mistura ácidos extraídos de frutas com uma composição de sais: bicarbonato de sódio e carbonato de sódio – o cloreto de sódio, que é o sal de cozinha, não entra na fórmula. Um dos principais ingredientes do sal de fruta é o ácido anidro, que “está na maioria das frutas, sobretudo em cítricos como o limão e a laranja, sendo responsável pelo sabor ácido e refrescante do produto, explica Gilberto de Nucci, professor de farmacologia e biomedicina da USP. Melaço de cana e sucos de frutas como tamarindo, abacaxi e uva são as principais matérias-primas. Muita gente, aliás, pensa que o nome Eno, de uma marca de sal de frutas, se deve ao ácido tartárico, presente em uvas e vinhos, na composição. É que o termo “eno” é usado em palavras relacionadas à uva, como enologia (ciência que estuda vinhos). Na verdade, o remédio foi batizado com o nome do inventor, James Crossley Eno. Por volta de 1846, o britânico começou a vender o produto para marinheiros e outros trabalhadores que sentiam enjoos no mar.

10.356 – Cientista egípcio que vive no Brasil ganha prêmio por suas pesquisas com mandioca


Quando ainda morava no Egito, no começo dos 1970, o botânico e geneticista Nagib Nassar conheceu um livro que decidiria seu destino: “Geografia da Fome”, de pernambucano Josué de Castro, um dos mais importantes estudos sobre a insegurança alimentar no Brasil.
O livro o influenciou a vir para o país e dedicar toda a sua carreira a pesquisas em torno dos melhoramentos da mandioca, com o propósito de usar o alimento como recurso no combate à fome.
O pesquisador foi agora condecorado com o Kuwait International Prize of Environment, que será entregue em uma cerimônia em dezembro. Junto com o prêmio, Nassar também receberá US$ 100 mil (cerca de R$ 250 mil). O dinheiro já tem destino certo: será usado para financiar pesquisas com mandioca.
“É uma maneira de continuar o trabalho de uma vida inteira”, diz Nassar, com forte sotaque, apesar de viver há 40 anos no Brasil.
Ele diz que o dinheiro será doado à UnB (Universidade de Brasília), na qual foi professor por quase 30 anos. Os rendimentos financiarão alunos de doutorado e pesquisas sobre a mandioca.
Nassar espera ser um exemplo que incentive esse tipo de doação no Brasil. “Se isso acontecer, o impacto dessa minha pequena contribuição será muito maior.”
“Essa é uma atitude típica de quem tem paixão pelo que faz”, diz Jaime Santana, decano de pesquisa e pós-graduação da UnB. Santana acrescenta que a falta de uma cultura de filantropia e os entraves burocráticos dentro das universidades são os grandes empecilhos para que esse tipo de prática torne-se mais comum no país.
Em 1974, Nassar era professor na Universidade do Cairo e soube que havia um acordo científico entre Brasil e Egito. Viu aí oportunidade de estudar a cultura da mandioca na região em que ela se originou.
Logo que chegou ao país, como professor visitante da USP, Nassar fez uma longa viagem pelo Nordeste coletando e catalogando espécies silvestres de mandioca.
Na época, o oeste da África era assolado pelo mosaico africano da mandioca, vírus que estava destruindo plantações da raiz e causando fome em vários países.
Cruzando espécies silvestres do Brasil com a mandioca cultivada, o pesquisador produziu um híbrido resistente à praga, cujas sementes tiveram um enorme sucesso nos países assolado pela doença. “Essa foi minha primeira contribuição científica de importância”, diz Nassar.
Nassar depois buscou criar híbridos de mandioca mais nutritivos. “Ninguém imaginava que espécies silvestres da mandioca possuíssem altos níveis de proteína. Consegui mostrar que isso poderia ser transferido para a mandioca comum através de cruzamento.” O resultado foi uma espécie de mandioca com o dobro de proteína.
Crítico ferrenho dos transgênicos, teme os efeitos desse tipo de alimento no longo prazo. “Nos transgênicos, os genes são transferidos de vírus ou bactérias para a planta, para a raça humana e o nosso ambiente com impactos imprevisíveis.”
Apesar da aposentadoria compulsória aos 70 anos, Nassar ainda vai todas as manhã para a UnB e orienta alunos. No tempo livre, dedica-se aos livros e aos filmes. O cientista é dono de uma coleção de quase mil dvds.
Após quase 50 de dedicação à ciência, Nassar considera-se realizado. “A maior realização para um cientista como eu é produzir uma obra inovadora, com impacto científico importante e grandes consequência sociais.”

10.355 – Os Animais de Hábitos Noturnos


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Diversos animais possuem o hábito de se alimentar e viver durante a noite e, por isso, possuem alguns mecanismos que os permitem enxergar no escuro e se locomover.
O exemplo mais famoso de animais noturnos talvez sejam os morcegos. Figurinhas fáceis em qualquer história de terror com episódios noturnos, os morcegos passam o dia todo abrigados em locais escuros como o fundo de cavernas e grutas e saem somente à noite para se alimentar. Mas o que fez com que em um mesmo lugar alguns animais prefiram a noite e outros o dia?
mbora o ambiente possa ser o mesmo, as mesmas condições ambientais podem ocasionar reações diferentes nos indivíduos levando-os a evoluir de maneira diferenciada. Alguns animais, como as rãs e os sapos, por exemplo, possuem uma pele bastante sensível a altas temperaturas (como a que seria ocasionada pela exposição prolongada ao sol) e, por isso, tiveram seus hábitos melhor adaptados ao período noturno, quando as condições de temperatura e umidade são mais favoráveis.
Outro fator que pode ter influenciado é a necessidade de fugir de predadores. Os ancestrais dos pequenos mamíferos, por exemplo, como os gambás, tinham de se esconder dos grandes predadores durante o dia e, então, aproveitavam a escuridão da noite para caçar a viver.
É claro, que os fatores que levaram determinadas espécies a desenvolver hábitos noturnos envolvem uma gama de relações bem mais complexas. Mas o fato é que estes animais acabaram desenvolvendo características específicas que os tornaram aptos a viver durante a noite.
Os morcegos, por exemplo, desenvolveram um sistema parecido com um radar chamado de “ecolocalização”, no qual ele emite um som de freqüência muito alta pelo estalar de sua língua ou pelas narinas e, conforme o som rebate na superfície (formando um eco) e é captado por eles, lhes permite distinguir obstáculos e, claro, suas presas.
Outra adaptação dos animais noturnos está na visão. A maioria deles possui apenas os bastonetes, fotorreceptores (células da visão) bastante sensíveis a luz, mas que não os permite distinguir cores, oq eu não significa que eles enxerguem mal. A coruja-das-torres (Tyto alba), por exemplo, possui uma visão capaz de distinguir um alvo a mais de 10 metros de distância e consegue enxergar com apenas 10% da luz de que o olho humano precisa.
Os animais noturnos precisaram desenvolver outras características que não apenas a visão para poder sobreviver em meio à escuridão. Os morcegos desenvolveram a ecolocalização e as mariposas, suas presas, desenvolveram uma audição aguçadíssima para captar o barulho dos morcegos (que pode chegar a 160 decibéis, mas que não pode ser percebido pela audição humana) e conseguir fugir deles. Já as cobras não venenosas desenvolveram um recurso capaz de perceber o calor de suas presas com tamanha precisão que elas conseguem saber até o tamanho da vítima e, se esta for grande demais, fugir para se proteger.

10.354 – Biologia – O que são agentes mutagênicos?


É todo tipo de agente que quando exposto às células apresenta capacidade de gerar mutação. Em outras palavras, um dano no material genético (DNA) que não sofre reparação no processo de replicação celular, sendo passado para os descendentes.
Os agentes mutagênicos podem ser de três tipos:
Agentes químicos: diversas substâncias consideradas cancerígenas, que desempenham seu papel alterando as ligações químicas, ou até mesmo substituindo nucleotídeos normais por moléculas similares. Radicais livres também catalisam reações químicas prejudiciais ao DNA.
Agentes físicos: dentro desse grupo encontram-se a radiação ionizante e o raio UVC capazes de danificar as ligações químicas entre os nucleotídeos (neste caso, as mutações ocorrem raramente, pois a destruição da cadeia de DNA normalmente resulta na morte celular) e UVB (espectro absorvido pelo DNA).
Agentes biológicos: neste caso é a ação de vírus e bactérias, responsáveis por inocular parte de seu DNA na célula que estão hospedando, casualmente integrando-a a cadeia de DNA do hospedeiro. Também podem ocorrer mutações devido a falhas genéticas.
Embora os agentes mutagênicos apresentem efeitos nocivos às células humanas, muitos são usufruídos pela ciência. Bactérias e vírus são utilizados pela engenharia genética esperando-se obter seres transgênicos, operando como vetores de genes criados em laboratório a serem inseridos no organismo a ser modificado. Determinadas bactérias mutagênicas são usadas no procedimento de quimioterapia, em diminutas quantidades, agindo sobre neoplasias, sem grandes consequências para o organismo. Igualmente, outros agentes, como radiação ionizante, também são utilizados em tratamentos, como é o caso do combate a neoplasias por meio de radioterapia. Outro tipo de radiação ionizante, o raio-x, também é amplamente utilizado na medicina.
A lei federal do Brasil, número 11.105 de março de 2005, assegura que organismos mutagênicos são distintos de organismos transgênicos. A mutagenese é responsável por alterar alguns pares de base de um gene existente, já a transgenia introduz inúmeros pares de bases, genes completos que anteriormente não estavam presentes naquela determinada espécie, oriundo de um organismo doador.

10.344 – Superbanana contra a desnutrição na África


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Esse é um problema inverso do abordado no artigo anterior, onde falávamos de diabetes, que normalmente é causada por obesidade.
Uma banana com DNA modificado pode ajudar a combater a carência de vitamina A na África. Desenvolvida por cientistas australianos, a fruta está em fase de teste nos EUA.
A chamada superbanana contém mais betacaroteno. Presente na laranja e na cenoura, esta subtância ajuda o corpo a produzir vitamina A, nutriente importante para funções como a visão e o desenvolvimento dos ossos.
De acordo com os cientistas, a nova fruta é capaz de aumentar em até 10 vezes o potencial da banana de estimular a produção de betacaroteno pelo corpo. Resultado de nove anos de pesquisa, o potencial da superbanana vem animando os pesquisadores.
“Cerca de 15 a 30% da população de Uganda formada por crianças com menos de cinco anos e mulheres em idade fértil sofrem de carência de vitamina A”, afirma Jack Dale, cientista da Universidade australiana de Queensland.

UGANDA E BANANAS
De acordo com Scientific American, a fruta geneticamente modifica cairia como uma luva nos hábitos alimentares de Uganda, país localizado no leste da África. Lá, cerca de 30% das calorias ingeridas diariamente pelas pessoas vêm das bananas.
Em média, quem vive em Uganda come de 3 a 11 bananas por dia. Em um ano, isso pode representar a ingestão de mais de 360 quilos de fruta. Até o termo usado na língua local para comida (matooke) vem de um prato feito à base de banana.
“A banana representa para quem é de Uganda o que a batata significa para quem é da América ou o arroz representa para quem é do Leste Asiático”, afirma Dale. Ou seja, a fruta é um item essencial na dieta daquele país.
Entretanto, a superbanana ainda deve demorar um tempo até chegar às mesas de Uganda e outros lugares do mundo. Isso porque a maioria das legislações ainda não permite a liberação imediata para consumo de alimentos geneticamente modificados.

10.343 – Bomba de insulina pode ser mais eficiente que injeções contra o diabetes tipo 2


O diabetes tipo 2 é normalmente controlado por remédios orais e dieta. Em estágios avançados, o paciente pode precisar da terapia com insulina para equilibrar o nível de açúcar no sangue. O método mais comum é a injeção, administrada diversas vezes ao longo do dia pelo próprio paciente. Já as bombas são aparelhos acoplados ao corpo por um cateter colocado sob a pele e que injetam quantidades constantes de insulina de ação rápida ou curta.
Em uma primeira etapa, os pesquisadores acompanharam 495 pessoas de 30 a 75 anos que controlaram o diabetes tipo 2 com injeções diárias de insulina. Após dois meses, os 331 pacientes que tinham a hemoglobina HbA1c — indicadora do controle de açúcar no sangue — acima da meta estipulada foram aleatoriamente designados a se tratar com a bomba de insulina ou a continuar com as injeções.
Ao longo de seis meses, as pessoas que utilizavam a bomba tiveram uma redução mais significativa dos níveis de açúcar do que aqueles que usaram o outro tratamento. A meta da taxa de HbA1c foi atingida em 55% do grupo da bomba de insulina, ante 28% do grupo da injeção. Diariamente, os voluntários que usaram o dispositivo tiveram três horas a menos de hiperglicemia, que é quando o açúcar atinge níveis muito altos no sangue. Já o tempo na hipoglicemia, caracterizada pela glicemia baixa, foi semelhante nos dois grupos.

No fim do estudo, a dose diária de insulina foi 20% menor na terapia com o dispositivo do que com as injeções. “As bombas aumentam a absorção eficaz da insulina e a sensibilidade do organismo à substância, graças à constante remessa do hormônio. Nossos resultados abrem a possibilidade a uma nova opção de tratamento para os indivíduos que usam as injeções diárias”, diz Yves Reznik, líder do estudo e professor da Universidade de Caen, na França.

Evitando o Diabetes
Um dos principais fatores de risco para o diabetes tipo 2 é o acúmulo da gordura visceral, ou seja, a gordura acumulada na região abdominal que também se concentra no fígado e entre os intestinos. “Essa gordura obriga o pâncreas a produzir cada vez mais insulina para que a glicose consiga entrar nas células. Esse excesso estimula uma série de mudanças no metabolismo, como aumento da pressão arterial e das taxas de colesterol no sangue”, explica Carlos Alberto Machado, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Portanto, o ganho de peso pode significar o aumento da gordura visceral e, consequentemente, do risco de diabetes tipo 2.
Muitos estudos já relacionaram o exercício físico ao menor risco de diabetes tipo 2, assim como outras pesquisas mostraram que o sedentarismo pode levar ao desenvolvimento da doença. Em 2002, um estudo clássico sobre diabetes, o Diabetes Prevention Program (DPP), mostrou que uma mudança no estilo de vida é melhor para evitar a doença do que medicamentos como a metformina, que reduz a resistência à insulina. Essa mudança no estilo de vida significa 150 minutos de atividade física por semana, uma melhora na alimentação e a perda de 7% do peso corporal em seis meses. “Embora a pesquisa tenha sido feita há dez anos, seus resultados foram comprovados pelos estudos que vieram depois”, diz Carlos Alberto Machado, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Um estudo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, que foi publicado neste ano mostrou que dormir mal — ou seja, pouco ou de forma inconstante — aumenta o risco tanto de obesidade quanto de diabetes. Isso ocorre porque noites mal dormidas alteram o relógio biológico e retardam o ritmo metabólico. Essa redução pode significar um aumento de 4,5 quilos ao ano sem qualquer alteração da prática de atividade física ou dos hábitos alimentares. Com isso, há o risco do aumento de glicose e resistência à insulina no organismo, fatores que podem levar ao diabetes.
Por diferentes motivos, o stress pode elevar o risco de uma pessoa desenvolver diabetes tipo 2. Uma pesquisa feita no Canadá com mais de 7.000 mulheres, por exemplo, concluiu que o stress no trabalho chega a dobrar o risco de mulheres terem a doença. Os autores desse estudo mostraram que o problema emocional está ligado a um maior consumo de alimentos gordurosos e calóricos e a um maior sedentarismo, fatores que aumentam as chances de desenvolver a doença. Além disso, o trabalho sugeriu que o diabetes se favorece por perturbações geradas nos sistemas neuroendocrinológico e imunológicos, que provocam maior produção de hormônios como o cortisol e a adrenalina.

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Comer muito, especialmente alimentos calóricos e gordurosos, aumenta o acúmulo da gordura abdominal, um fator de risco importante para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. No entanto, não é só a qualidade e a quantidade do que se come que interfere nas chances da doença aparecer. De acordo com uma pesquisa apresentada no Congresso Internacional de Endocrinologia, em maio deste ano, na Itália, a incidência do diabetes é maior em pessoas que comem muito rápido em comparação com quem come mais devagar. O risco, segundo esse estudo, pode chegar a ser 2,5 vezes maior. A frequência com que comemos também interfere nessa probabilidade: uma pesquisa apresentada durante a FeSBE (Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental) de 2011, mostrou que intercalar períodos de jejum e comilança pode causar diabetes, perda de massa muscular e aumentar a produção de radicais livres

10.342 – Medicina – Técnica faz fígado durar mais tempo antes de transplante


fígado transplante

Usando um coquetel especial de substâncias e aparelhos modernos, pesquisadores nos EUA conseguiram ampliar um bocado a vida útil de fígados para transplante. Três dias após a obtenção dos órgãos de ratos, outros roedores os receberam, e todos os animais sobreviveram.
Se o protocolo desenvolvido pela equipe do Hospital Geral de Massachusetts puder ser aplicado em seres humanos, o avanço na tentativa de diminuir a escassez de órgãos para transplante será significativo, uma vez que o tempo máximo entre a retirada do órgão e o transplante hoje é de cerca de 12 horas.
O estudo, coordenado por Korkut Uygun, cientista nascido na Turquia, será publicado na revista científica “Nature Medicine”. Na verdade, a equipe conseguiu sucesso parcial até com transplantes feitos após quatro dias de preservação dos fígados: nesses casos, pouco mais da metade dos roedores transplantados sobreviveu.
No protocolo, Uygun e companhia usaram duas substâncias, uma para preservar a camada externa do órgão e outra que protegeu o interior das células do fígado. Antes do transplante, os fígados passaram um tempo numa máquina de perfusão (usada para manter a circulação sanguínea e transferir o coquetel de substâncias) e foram cuidadosamente resfriados, num processo conhecido como “supercooling”, ou super-resfriamento.
ANFÍBIO
Por estranho que pareça, uma das inspirações cruciais para o sucesso do trabalho foi o metabolismo de uma espécie de rã das florestas canadenses, a Rana sylvatica. Elas produzem altas quantidades de glicose (açúcar) em suas células, o que lhes dá tolerância ao congelamento.
Outro ponto importantíssimo é o próprio processo de super-resfriamento, que permitiu que os fígados dos roedores ficassem numa temperatura de 6 graus Celsius negativos sem congelarem como um pedaço de carne no freezer.
Com a ajuda de certos aditivos químicos e a diminuição lenta da temperatura, a uma taxa controlada, o feito se tornou possível.
Apesar dos bons resultados, os pesquisadores deixam claro que há uma série de desafios antes que a técnica seja aplicada em pessoas.
As principais dúvidas têm a ver com a diferença de tamanho entre os fígados de roedores e os de humanos.
Em órgãos maiores, há muito mais líquido que deverá passar pelo processo de super-resfriamento, o que aumenta a probabilidade de formação de cristais de gelo e de danos ao órgão, por exemplo. Por isso, o próximo passo será testar a técnica em animais de laboratório que sejam de maior porte.

10.340 – Teorias – A Teoria da criação alienígena


teorias de criação alienígena

Humanidade: A semente teria vindo do espaço.
Colonizadores do espaço sideral teriam chegado há muito tempo ao nosso planeta para criar uma espécie. Todas as vezes que as formas de vida na Terra foram aniquiladas por alguma catástrofe, esses antigos astronautas teriam retornado para criar outra, até elaborar algo que mudaria a nossa história: a humanidade.
Tais criaturas teriam sido concebidas como “deuses”.
Vejamos as etapas:
1 – Eles teriam chegado à Terra e encontrado um ambiente rico em vida. Entre as diferentes espécies, foram surpreendidos por uma das mais avançadas, os hominídeos da África, que apesar de tudo, nunca desenvolveram inteligência.
2- Capturam vários exemplares dessa espécie e os levam para as suas naves para fazerem experiências genéticas.
3- Manipulam o DNA para obter mutação.
4 – Eles conseguem implementar um programa biológico que separa os 2 hemisférios cerebrais e que teria dado capacidade ao hominídio de descobrir o fogo e inventar a linguagem falada.
5 – Tais células modificadas são implantadas em uma fêmea da espécie para dar início a uma nova raça inteligente.
6 – Finalmente, depois ed algumas gerações, esses antigos astronautas conseguem seu melhor resultado: Adão e Eva, ancestrais da população humana.
7 – A nova espécie de homens começaria então a procriar seres não inteligentes, diante disso, tais astronautas teriam dado fim na humanidade com o dilúvio. Depois disso, uma nova espécie se iniciou, resultando na espécie atual.

Fonte: The History Channel

10.337 – Mega Wise – Noções de Óptica


lupa

Os elementos geométricos de uma lente são centos de curvatura ou das superfícies esféricas, o centro, distância focal e potência de uma lente. Centros de curvatura são os centros das superfícies esféricas que formam as faces c&c. Centro óptico é o centro geométrico da lente (o). Eixo principal é a reta que une os centros de curvatura. Eixo secundário é qualquer reta que passe pelo centro óptico. Focos são pontos onde concorrem os raios paralelos ao eixo principal depois de atravessar a lente (foco real F) ou seus prolongamentos.
Se a distância for expressa em metros, a potência será obtida em dioptrias (uma dioptria = 1/m.
Mesmo o olho humano mais perfeito tem uma série de limitações. Por isso, para poder ver objetos muito pequenos ou muito distantes, o homem recorre a ajuda de instrumentos ópticos. Os sistemas ópticos são a combinação de espelhos, prismas e lentes utilizados para ampliar os limites da observação direta. Os instrumentos ópticos mais utilizados são a lupa ou microscópio simples, o microscópio composto, a lupa binocular, as lunetas terrestres, as lunetas astronômicas e a câmera fotográfica.

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A Lupa
é um instrumento óptico munido de uma lente com capacidade de criar imagens virtuais ampliadas. É utilizada para observar com mais detalhe pequenos objetos ou superfícies.Também denominada microscópio simples – é constituída de uma única lente convergente. Para compreender como é o funcionamento da lupa, precisamos analisar tanto como a lupa conjuga imagens, como estas imagens (objetos virtuais para o nosso olho) acabam sendo projetadas na nossa retina. O olho humano só focaliza uma imagem de um objeto em sua retina se a distância entre o objeto e o olho for maior que a de um ponto específico (Ponto Próximo). Notamos facilmente que quando o objeto está mais próximo do olho que a distância do Ponto Próximo a imagem se torna desfocada. A posição do ponto próximo é variável, de pessoa para pessoa. Sendo comum essa distância ser maior em pessoas mais idosas (explicando porque algumas pessoas não conseguem ler de perto, mas esticando o braço e aumentando a distância do papel para o olho, conseguem ler sem maiores problemas). Imagine um objeto posto sobre o Ponto Próximo de um olho humano. O tamanho da imagem produzida na retina varia com o ângulo α que o objeto ocupa no campo de visão. Quando aproximamos o objeto do olho, aumentamos este ângulo. Assim aumentamos a capacidade de observar detalhes do objeto, mas como ele está numa distância menor que do ponto próximo, o vemos fora de foco, perdendo nitidez. Para fazermos com que esta imagem desfocada fique nítida novamente, colocamos uma lente convergente entre o olho e o objeto ( Importante que o objeto esteja mais próximo do olho do que o ponto focal da lente). O que o olho passa a enxergar é uma imagem virtual do objeto. Esta imagem fica mais distante do olho do que o Ponto Próximo, sendo uma imagem nítida. Apesar dessa ampliação, a lupa não serve para a observação de objetos muito pequenos como células,bactérias e insetos pequenos, pois nesses casos se faz necessário um aumento muito grande.A solução é associarmos duas ou mais lentes convergentes, como no microscópio composto.
Em 1885 foi encontrada uma lupa de quartzo nas ruínas do palácio do rei Senaqueribe (708-681 a.C.) da Assíria. Relatos do historiador Plínio (23-79 d.C.), apresentam “Vidros Queimadores”, os quais eram produzidos pelos romanos, ou seja, lentes usadas para iniciar o fogo, com auxilio da luz solar. Uma lente plano-convexa foi encontrada nas ruínas de Pompéia (Roma).Fabricando vidro desde o século VI a.C. chineses também conheciam lentes de aumento e de diminuição, usando também lentes para iniciar o fogo. Na China também já moldava lentes utilizando cristal de rocha natural, desde o século X.
No século XVIII as propriedades de uma lupa foram descritas por Roger Bacon, na Inglaterra.

10.334 – Investimento anual do Brasil em pesquisa científica é superior a duas Copas


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Enquanto os gastos do Brasil com a Copa do Mundo estão em R$ 25,6 bilhões, o investimento anual do país em pesquisa científica chega a R$ 59,4 bilhões (US$ 27 bilhões), somando as iniciativas pública e privada. A comparação foi feita pela revista Nature, que traz um panorama sobre a ciência sul-americana. De acordo com a publicação, o Brasil é o líder em publicações científicas na América do Sul, mas ainda perde para outros países no impacto dessas pesquisas e na quantidade de cientistas em relação à população total.
Com 40.306 publicações em 2013, o Brasil está bem à frente do segundo colocado, a Argentina, com 9.337 artigos. “Nos últimos 20 anos, a produção científica do Brasil aumentou em mais de cinco vezes, enquanto a economia quase triplicou em termos de poder de compra. O país detém mais de dois terços das publicações da América do Sul, mas é semelhante a Argentina, Uruguai e Chile em artigos per capita”, relata Richard Van Noorden, em seu artigo para a revista. Ele observa, porém, que a quantidade de pesquisa produzida no continente pode estar subestimada pelo fato de que muitos dos periódicos em que os cientistas desses países publicam seus artigos são excluídos das bases de dados que produzem as estimativas. Apesar de o Brasil deter o maior número de publicações, o Chile tem mais patentes e a Argentina vence na proporção entre habitantes que trabalham na ciência.
Um problema enfrentando pela pesquisa sul-americana é que ela não recebe muitas citações (quando outros artigos fazem referência a um determinado estudo), que são uma forma de medir o impacto da pesquisa. A média da América do Sul, assim como a do Brasil, está abaixo da mundial.
Em termos de investimento, o Brasil é o único país do continente que destina mais de 1% de seu PIB em pesquisa e desenvolvimento. Em 2010 a cifra foi de 1,16%, enquanto o líder mundial, Israel, investiu 4,35% de seu PIB, de acordo com dados do Banco Mundial.
COLABORAÇÃO INTERNACIONAL
Questionados pela Nature sobre qual tipo de ajuda internacional traria mais benefícios à ciência, pesquisadores sul-americanos apontaram dois fatores: a acolhida de estudantes da América do Sul em laboratórios de outros continentes e visitas de cientistas estrangeiros a laboratórios sul-americanos.
Apesar do fluxo de estudantes da América do Sul para os Estados Unidos e a Europa ter aumentado nos últimos anos, o Brasil ainda deixa a desejar: em 2013, menos de 11 mil graduandos e pós-graduandos foram para os Estados Unidos, número menor do que o do Vietnã e da Turquia. A soma de todos os estudantes da América Latina e do Caribe que foram ao país corresponde a menos de um terço dos pesquisadores enviados pela China.
Em uma seleção de exemplos de excelência na pesquisa, a revista escolheu no Brasil a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que em 2013 investiu 512 milhões no financiamento de pesquisas. Criada em 1960, a agência tem um orçamento anual correspondente a 1% do total da receita tributária do Estado. A revista destaca o investimento feito em pesquisa básica, de 37% do total. Cerca de 10% vai para infraestrutura e o restante para a pesquisa aplicada. Quase um terço do total é aplicado em pesquisa médica.

10.332 – Uma Bactéria que veio do céu


Um balão experimental, lançado na atmosfera por cientistas indianos, subiu a 41 quilômetros de altitude. E voltou de lá trazendo uma descoberta de arrepiar: 3 espécies de bactéria que nunca haviam sido vistas na Terra e poderiam ser de origem alienígena. Na dúvida, os indianos se adiantaram e batizaram os micro-organismos de Bacillus aryabhata, Bacillus isronensis e Janibacter hoylei – homenagem ao astrofísico inglês Fred Hoyle, famoso por acreditar que a vida na Terra se desenvolveu a partir de micro-organismos vindos de outras partes do Universo.
No Ocidente, a comunidade científica reagiu com total ceticismo. O especialista em astrobiologia John Baross, da Universidade de Washington, considera “extremamente improvável” a hipótese de que as 3 bactérias sejam alienígenas. Baross acredita que, na verdade, elas seriam de origem terrestre mesmo, e teriam ido parar na estratosfera levadas por correntes de vento, fumaça e outros fenômenos atmosféricos. E o fato de jamais terem sido vistas também não significaria muita coisa, porque acredita-se que 99% de todas as bactérias existentes na Terra ainda não tenham sido catalogadas pelo homem.
Os cientistas indianos admitem: ainda não podem provar que os novos micro-organismos são extraterrestres. Mas destacam uma informação intrigante: na altitude em que as bactérias foram encontradas, 41 quilômetros, a camada de ozônio é bastante rarefeita – isso significa que as criaturas são capazes de aguentar altíssimas doses de radiação ultravioleta, muito além do que os micro-organismos terrestres estão acostumados a suportar. Ou seja: mesmo se as bactérias não forem alienígenas, são no mínimo bastante estranhas – tiveram seu DNA modificado conforme subiam e se transformaram em espécies mutantes, que só existem na estratosfera. “Existe vida a 40 quilômetros da Terra. E isso, em si, já é uma grande descoberta”, afirmou o biólogo Pushpa Bhargava, do Centro de Biologia Molecular e Celular de Hyderabad.

10.331 – Neurologia – O Canhotismo


A razão de algumas pessoas preferirem a mão direita e outros a esquerda é um dos mistérios da ciência. Sério, está ali, ali com “de onde viemos” e “para onde vamos”. Ninguém sabe ao certo por que não somos todos ambidestros (as vantagens seriam óbvias) ou, se era para escolher um lado, todos destros de uma vez. O fato é que 10% da humanidade teima em ser canhota, intrigando geneticistas, neurologistas e antropólogos.
Em 2004, um estudo dos franceses Charlotte Faurie e Michel Raymond defendeu que os canhotos conquistaram a sua cota na marra: por surpreender no combate corpo a corpo, o uso da mão esquerda era favorecido pela seleção natural.
Já na seleção artificial, só desvantagem – até a metade do século 20, por exemplo, só se ensinava a escrever com a mão direita. Volta e meia ainda saem pesquisas dizendo que os canhotos morrem antes, porque a porcentagem deles diminui conforme aumenta a faixa etária. Na verdade, isso é reflexo do antigo preconceito: há menos canhotos entre os idosos porque muitos foram obrigados a ser destros.
Aparentemente, é o fator que mais conta. O irmão gêmeo de um canhoto tem 76% de chance de também ser. Em 2007, pesquisadores descobriram o gene LRRTM1, o primeiro relacionado à preferência da mão esquerda.
O neurologista Norman Geschwind criou a teoria de que um alto nível de testosterona da mãe durante a gravidez afetaria o desenvolvimento do hemisfério direito do cérebro do feto, aumentando as chances de o nenê nascer canhoto.
Além de as escolas favorecerem o aprendizado da escrita com a mão direita, no imaginário ocidental tudo relacionado ao lado esquerdo tinha conotação negativa – tanto que a palavra latina para quem usa a mão esquerda é… sinistro.

10.328 – Acupuntura funciona?


Talvez. Acupuntura já é prevista nos planos de saúde, mas às vezes é utilizada onde tem pouca ou nenhuma efetividade.
Não acredite, por exemplo, em quem promete curar tumores e infecções usando só as agulhas chinesas. Afinal, o que elas fazem é estimular o sistema nervoso, que responde liberando no organismo os neurotransmissores, substâncias com efeitos analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes. Mais que isso não foi comprovado.
A acupuntura começou ser a levada a sério no Ocidente depois que o ansioso presidente Richard Nixon, que esteve na China em 1972, voltou de lá fazendo a propaganda. “No início, parecia muito estranho: como imaginar alguém sendo tratado de uma dor de cabeça com agulhas nos pés e nas mãos?”, diz Dirceu Lavôr Sales, presidente do Colégio Médico de Acupuntura. Mas a aceitação veio, e em 1979 a Organização Mundial da Saúde já recomendava a técnica.

10.324 – A Neurociência


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Investiga o funcionamento do sistema nervoso, em seu estado normal ou patológico, principalmente os elementos anatômicos e fisiológicos do cérebro, relacionando-os com outras disciplinas, como a teoria da informação, a semiótica, a linguística, e outras que se ocupam da observação das reações comportamentais, dos mecanismos de aprendizado e aquisição do conhecimento humano.
Ela se dedica a compreender a performance orgânica do mecanismo informacional que ocorre no sistema nervoso dos animais e do Homem. Esta esfera do conhecimento inclui três campos fundamentais – a neurofisiologia, a neuroanatomia e a neuropsicologia. A primeira investiga as tarefas que cabem ao sistema nervoso. A neuroanatomia investiga a face estrutural deste sistema, tanto no seu ângulo microscópico quanto no macroscópico, para isso retalhando o cérebro, a coluna vertebral e os nervos periféricos externos.
Já a neuropsicologia pesquisa a interação entre os trabalhos dos nervos e as funções psíquicas. Ela busca definir que campo particular do cérebro domina as tarefas psicológicas. Para isso ela utiliza especialmente a observação do comportamento e as modificações na esfera do conhecimento que conseqüentemente ocorrem no ser vivo depois dele ser afetado por danos cerebrais.
A cibernética também tem colaborado com os avanços nesta disciplina, principalmente através da neurociência computacional, que visa estabelecer paradigmas dos campos da Matemática e da Informática, com o objetivo de imitar e compreender o funcionamento do sistema nervoso, para assim obter o domínio informacional do animal e das máquinas. Ela é uma ciência de caráter interdisciplinar, pois associa diferentes esferas do conhecimento, como a neurobiologia, a física, a ciência da computação, a engenharia elétrica, a matemática aplicada e a psicobiologia.
Pode-se considerar o ano de 1735, data da publicação da obra De morbis nervorum, do médico holandês Hermann Boerhaave, considerado o tratado inaugural de neurologia, como o marco de criação desta especialidade interdisciplinar, se não se incluir como elementos da Neurociência metodologias como tepanações – operação cirúrgica para retirar uma parte de um osso, geralmente da caixa craniana -, uso de fitoterapia psicoativa, e outros meios de alteração da consciência.
A revelação sobre as funções do cérebro também é conferida ao grego Alcmaeon, membro da escola Pitagórica de Croton, em meados de 500 a.C. Ele descreveu as tarefas sensitivas deste órgão, trabalho que foi confirmado por Herófilo, um dos criadores da Escola de Medicina de Alexandria, no século III a.C, o qual discorreu sobre as meninges e a teia admirável de nervos, que ele diferencia dos vasos, e medulas com suas respectivas ligações com o cérebro. Este saber seria posteriormente provado através da experiência por Galeno, por meio da ruptura selecionada de nervos.