11.060 – Falácias Anticientíficas 2 – Apelo à natureza e a falácia naturalista


vegetariano

O apelo à natureza e a falácia naturalista tem causado um tremendo dano aos cientistas e seu trabalho. O apelo à natureza é a crença de que o que é natural é “bom” e “correto”, e a falácia naturalista é a dedução de que o que é naturalmente de uma forma, tem que ser aceito como regra.
Os dois têm sido usados para argumentar que o progresso da ciência e tecnologia representa uma ameaça à ordem natural das coisas. É uma linha de pensamento que proclama as maravilhas inerentes das coisas naturais e deplora as coisas não naturais como sendo perigosas e não saudáveis.
Esta convicção se baseia em uma ideia absurda de que as conquistas tecnológicas e científicas da humanidade acontecem fora da natureza, e que nossa atividade no universo serve só para perverter o equilíbrio e fluxo natural das coisas. Este sentimento tem alimentado preocupações e proibições, como as pesquisas biológicas básicas, ao mesmo tempo contribuindo para o surgimento de ideias pseudocientíficas como o Darwinismo Social.
O filósofo George E. Moore argumentou que é um erro tentar definir o conceito de “bom” em termos de alguma propriedade natural. David Hume apontou que há um salto entre “é” e “deve”. Mais ainda, é errado distanciar a humanidade e suas atividades de outros aspectos do universo. Nós estamos trabalhando dentro dele e de acordo com suas leis, nunca em violação delas. O que fazemos e o que produzimos é tão natural quanto todo o resto.

11.059 – Falácias Anticientíficas – Falsa equivalência


Oferecer uma visão equilibrada é importante, mas isto não significa que todas as perspectivas sobre um assunto devem receber o mesmo tempo ou consideração. Esta é a falácia da equivalência: a afirmação de que há uma equivalência lógica entre dois argumentos opostos, quando na verdade não há nenhuma.
Este erro geralmente é cometido por jornalistas tentam apresentar um debate “equilibrado” entre um ponto de vista científico e outro negador da ciência (como no “debate” evolucionista/criacionista entre Bill Nye e Ken Ham). O mais comum é que o lado dissidente não tem evidências, ou apresenta evidências fracas ou de qualidade dúbia. De fato, nem sempre os dois lados de uma discussão estão em pé de igualdade em termos de qualidade e evidência.
Como foi apresentado no blog The Skeptical Raptor, “basta olhar uma apresentação em qualquer das mídias sobre a mudança climática antropogênica. Há um debatedor, geralmente um cientista, que está tentando apresentar dados sutis, contra um outro debatedor fotogênico, possivelmente um cientista (mas de um campo totalmente sem relação com estudos climáticos) que usa falácias lógicas e dados manipulados para apresentar seu argumento. E o espectador pensa que a comunidade geral de cientistas também está dividida entre cada lado do ‘debate’. Entretanto, um debate equilibrado de verdade teria que ter 97 cientistas defendendo a mudança climática causada pelo homem contra 2 ou 3 contra. Um periódico bem respeitado, com fator de impacto bastante alto, o Proceedings of the National Academy of Science, analisou a ciência da mudança climática e determinou que entre 97 a 98% dos pesquisadores em ciência climática aderem à tese de que o ser humano influenciou a mudança climática”.
O The Skeptical Raptor acrescenta que os negadores da ciência tentam criar a falsa equivalência através de vários métodos, a maioria deles falácias por si próprias, incluindo a alegação que a ciência é uma democracia, o apelo à autoridade, conspirações e “manufatrovérsia” (a manufatura ou invenção de controvérsias).

11.058 – Melhore a sua Mémória


estudo

Uma pesquisa feita em 2013 mostrou que jovens adultos (com idades entre 18 e 34 anos) têm mais dificuldade do que pessoas com mais de 55 anos de lembrar de datas (15% vs. 7%), onde guardam as chaves (14% vs 8%), de fazer o almoço (9% vs 3%) e até de tomar banho (6% vs 2%).
Você acha que se encaixaria nessas estatísticas? Está se sentindo esquecido? Vale testar as dicas que separamos, baseadas na ciência, para recuperar o controle sobre sua memória:
Associe suas memórias com objetos físicos
Você já deve ter passado por esse problema: acabou de ser apresentado a alguém e, assim que a pessoa vira as costas, você já esqueceu o nome dela. Acontece – mas é extremamente embaraçoso precisar perguntar o nome dela novamente. A dica é associar o nome a algum objeto. Por exemplo, se você acabou de conhecer a Giovana e ela estava próxima de uma janela, pense nela como a Giovana da Janela. Parece um truque estúpido, mas funciona. E, claro, não só para nomes de pessoas, mas para qualquer coisa: relatórios, documentos, marcas. Associando conceitos a objetos fica mais fácil de lembrar. E, claro, quanto mais absurdas forem as associações mais fácil é lembrar delas.

Não memorize apenas por repetição
Ao ver ou participar de apresentações você deve ter sentido isso – é muito claro quando alguém apenas decorou o que devia falar. Mas basta acontecer alguma mudança no roteiro ou um ‘branco’ para que a pessoa se perca. Memorizar algo de fato depende de compreensão. Então, ao pensar em falas e apresentações, tente entender o conceito todo ao redor do que você está falando. Pesquisas mostram que apenas a repetição automática pode até impedir que você entenda o que está expondo.

Rabisque!
Estudos indicam que rabiscar enquanto ‘ingerimos’ informações não visuais (em aulas, por exemplo) aumenta a capacidade de nossa memória. Uma pesquisa de 2009 mostrou que pessoas que rabiscavam enquanto ouviam uma lista de nomes lembravam 29% a mais dos nomes ditos. Da próxima vez que for a uma palestra, leve uma caneta e bloquinho e rabisque!

11.054 – História da Medicina – A mãe mais jovem da literatura médica


Lina Medina, uma peruana nascida em 27 de Setembro de 1933, é conhecida mundialmente por ter dado a luz a um filho precocemente, com apenas cinco anos de idade. Por este fato, Lina Medina é a mãe mais jovem já confirmada na história da medicina.
Nascida e criada no distrito de Ticrapo, localizado na região Huancavelica, Lina vivia em condições precárias em uma aldeia andina juntamente com sua família. Os pais da garota ao detectarem um aumento anormal em seu abdômen, resolveram levá-la a um curandeiro da vila. Seu pai Tiburcio Medina procurou imediatamente os xamãs da vila (os curandeiros) que faziam rituais xamânicos, do quais invocavam espíritos da natureza para ajudar o povo da vila. Porém os xamãs descartaram que houvesse superstições da localidade, como a possibilidade da menina abrigar em sua barriga uma cobra (Apu), que iria crescer a até matá-la. Recomendaram então, que os pais a levassem a um hospital.
Os pais de Lina Medina, bastante assustados imaginavam que sua filha pudesse estar com um tumor maligno e temiam pela morte dela. Seguindo a recomendação dos xamãs da vila, a menina foi encaminhada a um hospital mais próximo localizado na cidade de Pisco. Para a surpresa dos pais, Lina Medina felizmente não estava com nenhum tumor, porém estava grávida, para o espanto de todos. O médico Gerardo Lozada levou a garota até Lima, capital do Peru, para que o diagnóstico pudesse ser comprovado mais uma vez, por outros especialistas.
Em 14 de maio de 1939, um mês depois da descoberta da gravidez de Lina Medina, ela deu à luz a um menino saudável de 2,7 quilogramas. O parto foi realizado pelos médicos Dr. Lozada e Dr. Busalleu que fizeram uma cesariana, opção de parto escolhida pelo fato da pélvis de Lina ser bem pequena, ou seja, impossível a realização de um parto normal. Lina colocou o nome do seu filho de Gerardo, em homenagem ao Dr. Gerardo Lozada.
Lina Medina teve um desenvolvimento sexual precoce. Com apenas oito meses de idade, a garota apresentava sinais de maturidade sexual e já havia tido sua primeira menstruação. Porém sua mentalidade era de uma criança normal de cinco anos de idade. Após o nascimento de seu filho, Lina preferia brincar de boneca em vez de ficar com seu bebê, que era alimentado por uma enfermeira.
O garoto foi criado pelo irmão de Lina Medina e levado a acreditar que sua mãe era sua irmã. Somente quando Gerardo chegou à puberdade descobriu que Lina era sua mãe. Porém, nunca soube quem era seu pai. Infelizmente Gerard morreu com apenas 40 anos de idade, devido a uma doença na medula óssea. O mistério de quem poderia ser o pai de Gerard ainda prevalece e Lina Medina se nega a falar do assunto até hoje, aos 76 anos de idade.

11.053 – Antropologia – Ancestral humano de 3 milhões de anos já usava ferramentas


A capacidade tipicamente humana de fazer movimentos complexos unindo o polegar aos demais dedos, como girar uma chave ou segurar com força o cabo de um martelo, já estava presente em ancestrais do homem com 3 milhões de anos de idade, afirma um novo estudo.
O dado, que vem da análise da parte interna dos ossos das mãos do hominídeo Australopithecus africanus, sugere que a capacidade de fabricar e usar ferramentas de pedra é bem mais antiga do que se imaginava.
No estudo, que está na edição desta semana da revista especializada “Science”, Skinner e seus colegas tentam resolver uma polêmica antiga. Embora quase todos os especialistas concordem que o uso de ferramentas de pedra já era uma característica do primeiro membro do nosso gênero, o Homo habilis, que viveu há cerca de 2,5 milhões de anos, ancestrais do homem mais antigos do que ele possuem um mosaico de traços “primitivos” e “avançados” nas mãos, que costumam deixar os cientistas na dúvida.
É que, para fazer movimentos manuais com precisão e força típicos da nossa espécie, os dedos tiveram de passar por uma série de modificações. O polegar, por exemplo, ficou maior em relação aos demais dedos, além de ganhar “almofadinhas” carnudas na ponta, o que facilita o processo de agarrar objetos. Além disso, os dedos humanos são relativamente retos, e não curvados, como os de chimpanzés e gorilas.
Nos fósseis de australopitecos e outros hominídeos primitivos, algumas dessas características inovadoras estão presentes, mas não todas.
Para tentar resolver o dilema, os pesquisadores usaram tomografia computadorizada para saber o que acontece dentro dos ossos das mãos de hominídeos que sabidamente são usuários contumazes de ferramentas –membros da nossa espécie e seus parentes próximos, os neandertais. Depois, compararam o padrão que viram com o das mãos de chimpanzés e, finalmente, com o dos australopitecos.
Nessa comparação, a chave é o chamado osso trabecular, um tipo esponjoso de tecido ósseo que é remodelado e redistribuído dentro dos ossos de acordo com o tipo de esforço que eles realizam. A “pegada” típica do polegar humano, por exemplo, leva a uma maior densidade desse osso na base do polegar, perto da palma da mão.
E foi exatamente isso que os pesquisadores viram no caso dos australopitecos. Agora, segundo Skinner, a ideia é examinar hominídeos ainda mais antigos, com cerca de 4 milhões de anos, para saber se o padrão é o mesmo.
Segundo ele, ainda é difícil saber como a evolução da mão tipicamente humana começou. É possível que o processo tenha começado com a redução dos dedos dos pés, facilitando o andar bípede no solo– os dedos das mãos teriam encurtado por tabela, por serem controlados pelo mesmo conjunto de genes, explica o paleoantropólogo.

11.052 – Eclipses solares em 2015


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Assim como no ano passado, nenhum dos dois eclipses solares de 2015 será visível do Brasil. No dia 20 de março, um eclipse total do Sol, quando toda a luminosidade da estrela é encoberta pela Lua, será visível apenas do Ártico. Já em 13 de setembro haverá um eclipse parcial, que poderá ser observado na Antártida, Namíbia e África do Sul.
Outros Eventos
Madrugada com chuva de meteoros
Quando a Terra cruza a órbita de cometas, as partículas liberadas por eles provocam as chuvas de meteoros. Isso porque, ao se aproximar do Sol, o cometa perde matéria e deixa um rastro pelo caminho. Ao entrar em contato com a atmosfera terrestre, essas partículas queimam, formando os meteoros que vemos no céu.
“O ano promete ser bom para os que gostam de estrelas cadentes. Algumas das principais chuvas de meteoros do ano acontecerão sob condições favoráveis, em períodos em que o céu está escuro pela ausência do brilho lunar”, afirma Gustavo Rojas.
Os meteoros Geminídeos atingem o pico na noite de 13 para 14 de dezembro, considerada uma das melhores do ano por ser uma das mais intensas. Outras datas que terão boas condições de observação são 22 de Abril, noite dos meteoros Lirídeos, e 21 de outubro, noite dos Orionídeos. “As três chuvas acontecerão durante o quarto crescente. Portanto, no fim da madrugada (melhor horário para a observação dos meteoros) a Lua não estará no céu”.
Planetas em oposição
Quando um planeta está em oposição em relação ao Sol, é o melhor momento para observá-lo. Aqui da Terra, conseguimos ver a oposição de Marte, Júpiter e Saturno, que ficam visíveis, cada um no seu período de oposição, durante toda a noite. Urano e Netuno, mesmo ficando mais brilhantes, não atingem o nível suficiente para serem vistos a olho nu, enquanto Mercúrio e Vênus, por estarem mais perto do Sol do que a Terra, nunca ficam em oposição para nós – embora ambos sejam normalmente visíveis.
Para observar um planeta em oposição, deve-se olhar, no começo da noite, na direção Leste, onde o Sol nasce. O ponto mais brilhante será o planeta. Júpiter fica em oposição no dia 2 de fevereiro, Saturno em 23 de maio, Urano em 11 de outubro e Netuno em 11 de setembro. Marte só ficará em oposição em 2018.
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Conjunções planetárias
Em 22 de Fevereiro, Vênus e Marte estarão lado a lado no céu logo após o entardecer. E em 26 de outubro, os dois planetas mais brilhantes, Júpiter e Vênus, aparecerão um ao lado do outro antes do amanhecer. Nos dois casos, deve-se olhar na direção em que o Sol está (Oeste do primeiro caso e Leste do segundo).
Em 28 de outubro, Vênus, Marte e Júpiter estarão em conjunção, enquanto no dia 7 de dezembro será a vez da Lua e de Vênus estarem próximos. Nesses últimos casos, deve-se olhar para o Leste antes de o sol nascer.

Chegada a Plutão
A sonda, lançada pela Nasa em 19 de janeiro de 2006, será a primeira a estudar Plutão de perto, assim como Charon, a maior lua desse planeta anão. Em seguida, a New Horizons viajará para uma região do Sistema Solar conhecida como Cinturão de Kuiper, que se estende de Netuno até depois de Plutão. Nesse Cinturão existem diversos planetas anões, mas a área foi até hoje pouco explorada por missões espaciais. Esses pequenos planetas são importantes por tratar-se de relíquias de mais de 4 bilhões de anos. A viagem ao Cinturão de Kuiper, no entanto, está prevista para o período entre 2016 e 2020.

11.051 – Eclipses Lunares em 2015


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O destaque do ano é o eclipse lunar de 27 de setembro, visível em todo o Brasil. A Lua começará a escurecer às 22h07, ficará totalmente encoberta às 23h11 e voltará ao normal à 1h27. “A Lua terá uma aparência avermelhada, causada pelos raios solares refratados pela atmosfera terrestre”, explica Gustavo Rojas, astrofísico da Universidade Federal de São Carlos. Por causa da coloração, a ocorrência é conhecida como “Lua de sangue”.
O eclipse de 27 de setembro também coincide com a data de uma superlua, fenômeno em que o satélite aparece maior e mais brilhante no céu, por estar no ponto de sua órbita mais próximo da Terra. “A Lua vai aparecer um pouco maior no céu, mas isso não é muito perceptível. Para a maioria dos espectadores será um eclipse como os demais”, afirma Rojas. O próximo eclipse lunar tão bem visível no Brasil acontecerá novamente apenas em 2019.
Em 4 de Abril haverá outro eclipse lunar, mas ele só poderá ser visto no Acre e no Oeste do Amazonas.

11.050 – Evolução – Como Darwin explica a evolução das línguas?


Para o filósofo americano Daniel Cloud, a seleção artificial está por trás da evolução das línguas, do significado das palavras e do vocabulário.
A linguagem humana é como nossos cachorros e gatos. Da mesma maneira que domesticamos os animais e selecionamos suas características para que se tornassem bichos de estimação, escolhemos as palavras para que as línguas sejam exatamente o que queremos. Para o filósofo americano Daniel Cloud, os conceitos do naturalista britânico Charles Darwin (1809-1892) governam a origem e desenvolvimento da nossa linguagem, uma mera ferramenta que nos ajuda a ter sucesso no ambiente.
Em seu segundo livro, The Domestication of Language (A Domesticação da Linguagem, em tradução livre), lançado em dezembro nos Estados Unidos, Cloud conta como os termos que usamos sobrevivem ou desaparecem de acordo com as rígidas leis da seleção artificial. A evolução não perdoa substantivos ou adjetivos mal adaptados.
Cloud, que é professor da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, retira a discussão sobre as palavras do terreno da linguística e promove seu retorno aos domínios da filosofia, ocupando-se de questões como sua origem, objetivos e o processo por trás do significado dos termos que usamos no cotidiano. Reunindo cerca de três décadas de seu trabalho de pesquisa sobre a linguagem, discute as últimas descobertas sobre o tema e explica os passos que o levaram a concluir que a biologia é a força por trás da evolução de nossas línguas. Para isso, constrói seus argumentos com o apoio de filósofos antigos e contemporâneos, como o grego Sócrates (século V a. C), o austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951) ou o americano Daniel Dennett, um dos primeiros contemporâneos a relacionar os conceitos de Darwin e nossa linguagem.

Buscando as bases científicas que revelam como os primeiros hominídeos aprenderam a criar os sons articulados que hoje conhecemos como palavras e de que forma elas se transformaram ao longo dos anos, Cloud demonstra que somos o “design inteligente” por trás de palavras e expressões. Temos o controle sobre seu destino e convivemos com elas em uma relação de simbiose, como a que temos com as bactérias que vivem em nosso intestino. Enquanto fornecemos o ambiente ideal para que a linguagem sobreviva, ela nos ajuda a viver melhor, ter sucesso reprodutivo e passar os genes adiante.

Ele afirmou em entrevista:
“É uma adaptação incrível que apenas se desenvolveu nos homens e na Terra, até agora – apesar de não sabermos exatamente o que golfinhos, baleias ou elefantes fazem para nos certificar de que possuem algo igualmente maravilhoso, apenas diferente. Há muitas coisas maravilhosas na natureza que começaram simples e evoluíram. Nosso mundo é o tipo de lugar que cria coisas como nós e, provavelmente, outras coisas inteligentes. Somos maravilhosos, assim como toda a natureza que nos rodeia. O que nos faz especiais não é nossa linguagem, é a grande responsabilidade que temos com nosso mundo.”

11.048 – ☻Megacurtíssima – Brócolis realmente eliminam toxinas


Essa é a conclusão de um estudo* feito na China. Os voluntários que tomaram suco de brócolis conseguiram expelir 61% mais benzeno e 23% mais acroleína (substâncias cancerígenas contidas no cigarro) na urina.
*Fonte: Rapid and Sustainable Detoxication of Airborne Pollutants by Broccoli Sprout Beverage: Results of a Randomized Control Trial in China. Patricia Egner e outros, Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health.

11.044 – Excesso de álcool na meia-idade aumenta risco de derrame


vodka

Beber mais de duas doses de álcool por dia na meia-idade, entre os 40 e os 60 anos, aumenta a probabilidade de sofrer um derrame mais do que fatores de risco tradicionais, como hipertensão e diabetes. A conclusão é de um estudo publicado na quinta-feira no periódico Stroke, da Associação Americana do Coração.
Pesquisadores analisaram dados de 11.644 gêmeos suecos, acompanhados por 43 anos. Eles compararam o impacto do álcool entre pessoas que bebiam pouco (menos de metade de uma dose por dia) a muito (mais de duas doses diárias).
Quase 30% dos participantes tiveram derrame. Entre gêmeos idênticos, aqueles que sofreram um AVC bebiam mais do que seus irmãos que não sofreram, sugerindo que o derrame não estava condicionado à genética e ao estilo de vida na infância e adolescência.
Os autores descobriram que os indivíduos que bebiam muito tinham 34% mais risco de sofrer um derrame do que aqueles que bebiam pouco. Para homens na meia-idade, o alto consumo de álcool também se mostrou um maior fator de risco para AVC do que hipertensão e diabetes. Por volta dos 75 anos, porém, a tendência se inverteu: o diabetes e a pressão alta passaram a ser os maiores vilões do derrame.

11.042 – Medicina – Medicamento receitado a mulheres que querem engravidar não funciona


heparina

Uma nova revisão de estudos mostrou que não há evidência de que um medicamento injetável muito usado em tratamentos de reprodução melhore as chances de gravidez ou evite abortos.
A heparina é um anticoagulante indicado originalmente para prevenir e tratar doenças que levam à formação de coágulos no sangue (trombose).
Há alguns trabalhos, com pouca evidência científica, apontando que ele poderia beneficiar também mulheres que sofram abortos habituais (mais de três sucessivos, sem causas genéticas) ou que tenham trombofilia [alterações na coagulação que predispõem a trombose].
Nos últimos anos, o remédio passou a ser indicado ainda a mulheres sem problemas de coagulação, que não estão tendo sucesso nas fertilizações in vitro (FIV) porque o embrião não se fixa no útero. O uso é “off-label” (fora das recomendações da bula).
A hipótese dos médicos, baseada em estudos experimentais, é que o medicamento evitaria a formação de “microcoágulos”, não detectáveis em exames, que atrapalhariam a implantação do embrião no endométrio (camada que reveste o útero).
Também teria a função de fazer com que as células da placenta cresçam com maior velocidade, o que aumentaria as chances da gestação.
Agora, um trabalho da Cochrane (rede de cientistas independentes que avalia a efetividade de tratamentos) revisou três estudos clínicos sobre o uso da heparina em tratamento de reprodução.
O resultado é que não há evidência de que a medicação melhore as chances de gravidez em mulheres sem problemas de coagulação.
“Não há justificativa para o uso”, concluem os autores em artigo na revista “Fertility and Sterility” deste mês. Em um dos estudos, de 5% a 7% das mulheres tiveram sangramentos, um dos efeitos colaterais da medicação.
A enfermeira Telma Santos, 34, diz ter tomado heparina por indicação do médico nas três tentativas de FIV, mesmo sem ter nenhum problema de coagulação sanguínea. Ela não engravidou.
“A gente se sente um rato de laboratório porque muita coisa usada no tratamento não tem evidência. Mas acaba topando tudo para ter um filho”, diz ela, que desistiu do tratamento reprodutivo.
Opinião dos especialistas
Para o médico Artur Dzik, diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, há um exagero hoje na indicação da heparina nos tratamentos reprodutivos, especialmente nos casos de falha de implantação do embrião.
“Falha de implantação não é igual ao aborto habitual. Falhas podem ser multifatoriais, relacionadas a questões como a estrutura dos laboratórios, treinamento e capacitação dos embriologistas, meio de cultura e idade do casal.”
Segundo ele, na ausência de problemas como a trombofilia, o uso da heparina é muito controverso.
O ginecologista Eduardo Motta, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), concorda. “Existe um uso irracional da heparina.”
Para ele, mesmo nos casos de trombofilias, a utilização é discutível. “Não é porque tenho um marcador que obrigatoriamente terei a doença.”

11.041 – ☻Mega Cientistas – Charles Augustin de Coulomb


Charles Augustin de Coulomb (Angoulême, 14 de junho de 1736 — Paris, 23 de agosto de 1806) foi um físico francês.

Em sua homenagem, deu-se seu nome à unidade de carga elétrica, o coulomb.
Engenheiro de formação, Coulomb foi principalmente físico. Publicou 7 tratados sobre eletricidade e magnetismo, e outros sobre torção, atrito entre sólidos, etc.3 Experimentador genial e rigoroso, realizou uma experiência histórica com uma balança de torção para determinar a força exercida entre duas cargas elétricas (lei de Coulomb).
Durante os últimos quatro anos da sua vida, foi inspetor geral do ensino público e teve um papel importante no sistema educativo da época.

coulomb

Coulomb nasceu em 14 de junho de 1736. Seus pais eram de famílias bem conhecidas na região de Angoulême, capital de Angoumois, no sudoeste da França. Após a educação básica em sua cidade natal, a família de Coulomb mudou-se para Paris, lá Coulomb estudou no prestigiado Collège des Quatre-Nations. O curso de matemática, ministrado por Pierre Charles Le Monnier, motivou Coulomb a seguir a carreira matemática.
Coulomb continuou seus estudos no Colégio Mazarin, onde estudou matemática, astronomia, química e botânica.
Durante este período seu pai perdeu todo o seu dinheiro, devido a maus investimentos financeiros, decidindo ir para Montpellier, sua mãe permanecendo em Paris. Entretanto, devido a desentendimentos entre Coulomb e sua mãe a respeito de sua carreira, cujos interesses incluíam a matemática e a astronomia, Coulomb optou por partir para Montpellier com seu pai.3 Lá, entrou para a Sociedade de Ciências em 1757.
Desejava entrar na “École Génie” em Mézières e, para isso, precisava se preparar muito para os exames. Desta forma, retornou a Paris em 1758 e foi preparado por Camus, examinador para os cursos de artilharia. Em fevereiro de 1760, Coulomb entrou na “École Génie”, onde viria a se formar engenheiro militar em novembro de 1761.
Passou nove anos (de 1764 a 1772) nas “Índias Ocidentais”, atual América, supervisionando os trabalhos de construção do “Fort Bourbon”, em Martinique (província francesa próxima da Venezuela), onde teve a oportunidade de realizar inúmeros experimentos sobre mecânica de estruturas, atrito em máquinas e elasticidade de materiais. Todavia, o extenso período na província abalou muito a sua saúde, o que fez com que, em 1772, regressasse a Paris, onde passou a dedicar-se somente à experimentação científica e a escrever importantes trabalhos a respeito de mecânica aplicada.
Seu primeiro trabalho, “Sur une application des règles, de maximis et minimis à quelque problèmes de statique, relatifs à l’architecture”, contribuiu muito para a utilização de cálculos precisos na área de engenharia.
Em um de seus trabalhos mais famosos Coulomb trata do equilíbrio de torção, mostrando como a torção pode viabilizar medidas de forças muito pequenas com grande precisão, descrevendo um método que utiliza fibras de diversos materiais, que foi um aperfeiçoamento da balança de torção, utilizada por Henry Cavendish para medir a atração gravitacional.2
Em 1779, Coulomb foi enviado a Rochefort para colaborar com o Marquês de Montalembert na construção de uma fortaleza. Este marquês, assim como Coulomb, possuía grande reputação entre os engenheiros militares. Durante este período, Coulomb aproveitou para continuar seus estudos e conquistou o grande prêmio na Academia de Ciências em 1781 (já havia conquistado outro em 1777 graças a um trabalho sobre o magnetismo terrestre) devido à sua teoria do atrito nas máquinas simples.
Nesse trabalho, Coulomb investigou o atrito estático e dinâmico entre superfícies e desenvolveu uma série de equações, estabelecendo a relação entre a força de atrito e variáveis como o força normal, tempo, velocidade, etc.4 Além do prêmio, Coulomb assumiu um posto permanente na Academia de Ciências, não assumindo mais nenhum projeto de engenharia (área onde passou a ser apenas consultor), dedicando-se exclusivamente à física.
Utilizando a metodologia de medir forças através da torção, Coulomb estabeleceu a relação entre força elétrica, quantidade de carga e distância, enfatizando a semelhança desta com a teoria de Isaac Newton para a gravitação, que estabelece a relação entre a força gravitacional e a quantidade de massa e distância.
Além disso, estudou as cargas elétricas puntuais e a distribuição de cargas em superfícies de corpos carregados eletricamente.4 Em 1789 teve início a Revolução Francesa, ocasionando muitas modificações nas instituições às quais Coulomb estava ligado. A Academia de Ciências foi dissolvida, dando origem ao “Instituto da França”. Coulomb também se aposentou do exército, passando a realizar suas pesquisas em uma casa que possuía perto de Blois.
Em 1802 assumiu o posto de inspetor geral de instrução pública, cargo que ocupou até o final da sua vida. Coulomb morreu em Paris em 23 de agosto de 1806.

11.040 – Descoberto sistema solar mais velho que já pode ter abrigado vida


Astrônomos anunciaram a descoberta dos mais antigos planetas do tamanho da Terra já conhecidos, em um sistema estelar com 11,2 bilhões anos de idade. Eles dizem que o achado sugere que a vida poderia ter existido durante a maior parte de 13,8 bilhões de anos de história do Universo.
Os cinco planetas do tamanho da Terra foram detectados através de uma análise de dados do telescópio espacial Kepler da NASA, que procura por variações indicativas na luz estelar assim que os planetas atravessam o disco de uma estrela. Neste caso, a estrela está a 117 anos-luz da Terra e é 25% menor do que o nosso Sol. Ele é conhecido como Kepler-444.
Os pesquisadores usaram uma técnica que mede pequenas oscilações no brilho de uma estrela, para determinar a idade da Kepler-444.
Os planetas variam em tamanho entre Mercúrio e Vênus, mas todos eles orbitam a Kepler-444 dentro de uma órbita parecida com a de Mercúrio em nosso Sistema Solar.
Isso faria com que estes planetas fossem quentes demais para o desenvolvimento da vida como a conhecemos. No entanto, o fato de que tais planetas poderiam se formar tão cedo na história do Universo sugere que os mundos favoráveis à vida poderiam existir por bilhões de anos.
“Há implicações de longo alcance em torno desta descoberta”, disse em um comunicado à imprensa Tiago Campante, da Universidade de Birmingham, principal autor do artigo publicado esta semana no The Astrophysical Journal.
“No momento em que a Terra se formou, os planetas neste sistema já eram mais velhos do que o nosso planeta é hoje. Esta descoberta agora pode ajudar a identificar o começo do que poderíamos chamar de” era da formação do planeta “, disse Campante.
Confira o vídeo como funciona este sistema solar extremamente antigo:

11.039 – Tecnologia – Eletricidade sem fio está chegando


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A infinidade de fios plugados nas tomadas que nos cercam por todos os lados estão com os dias contados! Uma nova tecnologia que promete distribuir energia elétrica sem a necessidade de fios já é realidade e está prestes a fazer parte do nosso dia a dia.
A ideia surgiu em 2002, quando um físico do Instituto de Tecnologia de Massachussets acordou no meio da noite incomodado com os “bips” do celular que acusava bateria fraca. Olhando ao redor, ele viu algumas tomadas a poucos centímetros de distância, mas sem qualquer disposição para levantar da cama e procurar um carregador. Foi a partir dessa noite mal dormida que o físico resolveu ampliar sua pesquisa sobre ressonância magnética para criar um sistema de transmissão de eletricidade sem fios.
O brasileiro André Kurs é um dos idealizadores do projeto. Há 13 anos, ele mudou para os Estados Unidos para estudar no MIT e fez parte da pesquisa original do projeto desde o início. Hoje ele é um dos fundadores da WiTricity, a startup que desenvolveu e aperfeiçoou a tecnologia.
Em poucas palavras, a tecnologia transfere energia elétrica através de campos magnéticos que oscilam a altas frequências que variam de 100 mil a 10 milhões de vezes por segundo, dependendo da aplicação. O sistema funciona com duas bobinas: a primeira serve como fonte da eletricidade, enquanto a segunda capta a energia transmitida. O alcance do campo magnético varia conforme o tamanho das bobinas. Em uma aplicação para carregar o celular alcançaria pelo menos meio metro de distância.

“Nós tivemos que otimizar a estrutura dessas bobinas e a tecnologia funciona a distâncias proporcionais aos tamanhos das bobinas”, diz Kurs.

Há aproximadamente 100 anos, o engenheiro croata Nikola Tesla pesquisou bastante sobre a transmissão de eletricidade sem fio. Mas a estratégia, segundo o pessoal da WiTricity, era bem diferente – claro, a tecnologia também. Resumo da ópera: o projeto de Tesla ficou esquecido por boa parte do último século.
A novidade anunciada pela startup pode representar uma verdadeira revolução no mundo da eletrônica. Nos últimos anos de pesquisa e desenvolvimento, eles diminuíram bastante o tamanho do sistema para poder embarcá-lo em dispositivos móveis como smartphones, tablets e notebooks. A tecnologia de alimentação sem fio também já foi testada em TVs e até carros elétricos. Aliás, indo um pouquinho mais longe, a tecnologia poderia possibilitar a construção de uma estrada cheia de ressonadores para carregar carros elétricos em movimento.
O que reforça a hipótese são os parceiros da startup; que prometem mais novidades em breve. A Toyota, por exemplo, anunciou recentemente que vai integrar a tecnologia no modelo híbrido Prius a partir de 2015. Para integrar sua tecnologia em outros produtos, a WiTricity também trabalha com outras grandes montadoras como Audi e Mitsubishi e até com grandes empresas de tecnologia como a Intel e a Foxconn, empresa de Taiwan que fabrica praticamente todos os produtos da Apple.
Agora, será que tudo isso é seguro? Os inventores da transmissão de energia elétrica wireless garantem que seus produtos seguem normas e regulamentos internacionais que determinam limites sobre o grau de radiação que um ser humano pode ser exposto.
“Nós estamos muito abaixo dos limites de segurança. São os mesmos limites que fabricantes de celulares tem de obedecer. Segundo as normas aceitas internacionalmente, o sistema é seguro”, diz o fundador da WiTricity.
Mais do que isso, a eficiência energética da tecnologia sem fio da WiTricity é de 90% em casos de alto nível de energia – como é o caso do carro elétrico. E no caso de um smartphone, por exemplo, essa eficiência cai um pouco, mas ainda assim fica na casa dos 80%. Ou seja, o consumo de energia pela tecnologia sem fio é um pouco maior, mas nada que pese muito no bolso. E se pensarmos no fim dos fios…essa equação se fecha facilmente.
O grande desafio agora é incorporar a tecnologia aos produtos do nosso cotidiano. Mas se crescemos e vivemos acostumados – e às vezes até chateados – com tantos fios, talvez as próximas gerações nunca mais tenham que plugar mais nada na tomada.

11.038 – Geografia – O Fuso horário


terra geografia

Conforme a Terra dá voltas em torno do Sol e gira sobre o próprio eixo, partes dela são iluminadas – e outras ficam no escuro. Por isso é dia em alguns pontos enquanto é noite em outros, e há diferenças de horário entre os lugares. Mas, até o século 19, isso era uma bagunça: cada cidade definia sua própria hora, sem coordenação central. Nos EUA, as ferrovias eram obrigadas a manter tabelas com mais de 300 horários diferentes. Em 1884, a Conferência Internacional do Meridiano botou ordem no planeta estabelecendo as regras que usamos hoje: 24 fusos horários, com o horário central baseado em Greenwich (um distrito de Londres). Houve resistência, pois cada país queria que o centro fosse sua própria capital, mas todos acabaram aceitando (o Brasil, em 1913). Os fusos horários foram essenciais para a globalização. Mas alguns países os adotam de um jeito peculiar. Na China, o país todo segue um fuso, de Pequim, o que gera distorções: nas cidades mais a Oeste, às vezes a manhã só começa às 10h, e há dias em que já é meia-noite quando o sol se põe.

11.036 – Mega Polêmica – Estariam errados os conceitos sobre vida saudável?


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Como seres humanos esforçados em levar uma vida minimamente saudável, estamos automaticamente categorizando nossas ações entre “saudáveis” e “não saudáveis”.
Por exemplo, escolher as escadas ao invés do elevador: definitivamente saudável. Comer um pacote de bolacha recheada no final do dia? Mais definitivamente ainda não saudável. Certo?
A coisa toda não é tão simples assim. E pensar dessa maneira pode ser sufocante para o seu progresso.
O conceito de “R. I.” de saúde

A saúde não é uma escala binária. Qualquer coisa pode ser saudável (ou não) para você.
Todas as atividades, como escolher as escadas ao invés do elevador, reduzem a sua ingestão de sódio e têm um “retorno do
investimento” específico (ou R. I.) para a saúde. Este R. I., claro, depende de uma série de variáveis do organismo de cada um.
Vejamos dois exemplos fictícios de um homem 130 kg com diabetes e aterosclerose, chamado João:
Exemplo 1. João quer começar a perder peso reduzindo sua ingestão de calorias. Como ele não se importa com o gosto de adoçantes artificiais, ele decide mudar para refrigerantes diet ao invés de seus quatro refrigerantes regulares diários. Se todos os outros fatores na dieta do João e volume de exercício físico permanecerem os mesmos, João agora já vai perder automaticamente meio quilo por semana. Repito: sem qualquer outra mudança em sua dieta.
Exemplo 2. João leu alguma coisa sobre os “potenciais perigos de produtos químicos contidos nos refrigerantes diet”. A preferência pessoal de João é ter algum tipo de alternativa ao açúcar para saciar sua vontade louca por doce, mas que também faça bem a sua saúde. Este tiro sai pela culatra; João acaba bebendo refrigerante regular no final do dia, e como a vaca já foi pro brejo, ele ataca a geladeira, a despensa e as comidinhas que escondeu no fundo do armário sem dó.
Pois muito bem. Vejamos o que acontece em cada caso.
No exemplo 1, João está tentando resolver o seu problema mais importante: o impacto que o seu peso tem em seus problemas de saúde atuais. Ele acha que simplesmente cortar refrigerante regular vai ajudar a perder peso mais rápido. Apesar do fato de que João verá mesmo resultados surpreendentes, ele não está colocando muito esforço em suas ações. Logo, isso lhe rende um R. I. muito alto em saúde e fitness.
No exemplo 2, pode ser que João melhore a sua saúde ao eliminar adoçantes artificiais. Mas quanto é que ele está melhorando sua saúde com essa atitude? No quesito “dieta”, João se sai pior porque eliminar refrigerante diet torna o processo de adesão a um novo estilo de vida mais difícil. Nesse contexto específico, ele estava tentando otimizar um segundo problema, de segunda ordem, quando na verdade a perda de peso deveria ser o seu primeiro problema principal.
Saúde e fitness são sistemas não lineares. O retorno que você conquista sobre a sua saúde não é necessariamente diretamente proporcional (ou linear) aos seus esforços. A complexidade do sistema significa que cada ação tem um R. I. específico, que pode ser grande, pequeno ou até mesmo negativo.
Como usar o R. I. a seu favor

O R. I. é altamente contextualizado. Já falamos sobre exercício físico possivelmente ter um rendimento baixo em metas como a perda de peso. Mas se você realmente gosta de correr, por exemplo, seu R. I. será muito maior. Percebe como tudo é relativo? Se você gosta, seu esforço em fazer aquilo é menor.
Obviamente não há regras rígidas e rápidas para determinar o tamanho do R. I. de uma atividade. Essa é só uma analogia para que você entenda que, quando o assunto é saúde, cada caso é um caso. E que quando você pensa sobre uma vida saudável através de um determinado aspecto, e não de uma forma binária (entre o 100% certo e o 100% errado), alguns dos resultados podem ser bastante intuitivos.
Por exemplo, você pode achar que se dar um dia de folga da dieta por semana é uma “saudável” porque você adere melhor ao plano no resto da semana.
Da mesma forma, você também pode estabelecer uma quantidade de calorias por dia e ficar na linha mesmo indo todos os dias em um fast food. Alguém já ouviu falar da famosa dieta dos pontos? É mais ou menos essa a lógica.
Com o tempo, conforme vai testando dietas e lendo sobre um estilo de vida mais saudável, você vai descobrir que tudo o que sabe sobre o que deve e não deve ser saudável não serve para muita coisa. Então, ao invés de seguir ideias preconcebidas sobre saúde e fitness, a dica aqui é se esforçar o suficiente para encontrar algo que funcione para você.

11.035 – Nutrição – Gordura, vilã ou injustiçada?


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Nossa compreensão das gorduras tem melhorado, e agora já sabemos que não podemos dizer que elas são somente boas ou ruins, sem nenhum meio-termo.
Por exemplo, carne vermelha, bolos e biscoitos, ricas fontes de ácidos graxos saturados, são associados com um aumento do número de doenças cardiovasculares. Por outro lado, nozes, óleo de peixe e produtos lácteos, que são ricos em gorduras saturadas, são produtos associados com menor risco de doenças cardíacas.
Existem quatro tipos principais de gorduras em nossos alimentos: polinsaturadas, monoinsaturadas, saturadas e trans. Cada tipo tem diferentes propriedades químicas e físicas. Óleos vegetais, como de girassol, soja e oliva, geralmente contêm os dois primeiros, mas relativamente pequenas quantidades de gordura saturada. Já o azeite-de-dendê, que tem um ponto de fusão mais elevado e é agora utilizado em muitos produtos, é altamente saturado.
Hoje em dia, o mantra simplista de que devemos comer menos gordura, sal e açúcar já se transformou em um conselho dietético mais detalhado: frutas, legumes e produtos lácteos com baixo teor de gordura, incluindo cereais integrais, aves, peixes e nozes geralmente fazem bem para a saúde, enquanto carne vermelha, doces e bebidas que contêm açúcar (como refrigerantes) são o que devemos evitar.
Gordura é energia
A maior parte da energia em nossa dieta vem de carboidratos. No entanto, a gordura é responsável por entre um quarto e dois quintos do consumo de energia de um adulto, e metade de um recém-nascido. Em bebês, uma alta ingestão de gordura promove depósitos de gordura que os isolam contra a perda de calor.
A adição de gordura aos alimentos pode dobrar seu conteúdo energético. Já a remoção de gordura de produtos como carne e leite pode reduzir esse conteúdo substancialmente. Gordura fornece 9 kcal/g (quilocalorias por grama) em energia em comparação com 3.75 kcal/g, 4 kcal/g e 7 kcal/g de carboidratos, proteínas e álcool.
Reduzir o consumo enérgico em vez de aumentar a atividade física é o meio mais eficaz de reduzir a gordura corporal. A redução do consumo pode ser conseguida ao preferir versões com menos teor de gordura de alimentos, ao cortar a gordura da carne e ao utilizar óleos de cozinha com moderação. Não há muita diferença no conteúdo de gordura da carne grelhada ou frita. Restrição da ingestão de energia requer também limitar a ingestão de carboidratos e álcool.
O excesso ou acúmulo de gordura corporal é mais prejudicial se for na cavidade abdominal ou no fígado, algo causalmente associado ao desenvolvimento de diabetes tipo 2. A medida da cintura (mais de 80 centímetros para mulheres e 94 centímetros para homens) indica obesidade central e é útil para predizer o risco de diabetes tipo 2.
As mulheres têm maiores reservas de gordura subcutânea do que os homens, de modo que os homens armazenam sua gordura visceral em torno do vaso sanguíneo mesentérico no abdômen. Quando a energia armazenada nas células de gordura é liberada, o processo de mobilização de gordura faz com que ácidos graxos entrem na corrente sanguínea. A gordura visceral é mais rapidamente mobilizada do que a gordura subcutânea e pode acumular-se no fígado. A gordura também se acumula no fígado se a ingestão de álcool ou de açúcar for elevada.
A obesidade resulta do acúmulo excessivo de gordura alimentar no corpo. Muita pouca gordura que se acumula no corpo é resultado do consumo de carboidratos (incluindo açúcar) ou álcool, porque os carboidratos são usados como combustível, em detrimento de gordura. Mas se você tem excesso de combustível/energia no corpo, daí sim ocorre depósito na forma de gordura, porque temos uma capacidade limitada de armazenar carboidratos.
A gordura do corpo desempenha um papel importante na fertilidade feminina. Entre 20 a 30% do peso corporal de uma mulher madura saudável é gordura – o dobro da proporção vista nos homens. Se o nível cair abaixo de cerca de 18%, a ovulação para. No entanto, níveis muito elevados – geralmente cerca de 50% de seu peso – também resultam em infertilidade.
Um hormônio chamado leptina é secretado pelo tecido adiposo (gordura) no sangue, em proporção com a quantidade de gordura armazena. O cérebro detecta o sinal da leptina no sangue e isso promove a ovulação, quando o nível é alto o suficiente.
Precisamos de certos ácidos graxos poliinsaturados, apropriadamente chamado de ácidos gordos essenciais (ácidos linoléico e linolênico), em nossa dieta para uma pele saudável. Eles também contribuem para a manutenção da saúde cardiovascular, bem como da saúde do cérebro e da função visual. Obtemos esses ácidos principalmente a partir de óleos vegetais, nozes e peixes oleosos.
Cerca de 30 gramas de gordura são necessárias – todos os dias – para promover a absorção das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K, que também conseguimos a partir de alimentos gordurosos. Os óleos vegetais são uma importante fonte de vitamina E e óleo de peixe é a melhor fonte alimentar de vitamina D. Provitaminas são substâncias que podem ser convertidas dentro do corpo em vitaminas. Adicionar um pouco de óleo em vegetais verdes e cenouras ainda melhora a absorção de caroteno (pró-vitamina A).
O nível de colesterol no sangue de uma população, em média, é um dos principais determinantes do risco de doença cardíaca coronária. Testes mostram que a substituição de ácidos gordos saturados por ácidos gordos poli-insaturados reduz o colesterol no sangue e por sua consequência a incidência da doença, mas não a mortalidade.
Nem toda gordura saturada aumenta o colesterol no sangue. O que causa esse efeito são os ácidos láurico, mirístico e palmítico (o último é encontrado no azeite-de-dendê), porque aumentam a lipoproteína de baixa densidade (LDL, popularmente conhecida como colesterol ruim). Em geral, para reduzir o colesterol, é interessante substituir ácidos graxos saturados com óleos ricos em gorduras monoinsaturadas (azeite, canola) ou ácidos graxos poliinsaturados (soja, óleo de girassol), ao invés de reduzir os carboidratos. Por exemplo, substituir a manteiga por azeite como principal fonte de gordura pode reduzir o LDL em cerca de 10%.

11.034 – Nutrição – O que acontece com a gordura que o corpo queima?


Depois de questionar médicos, nutricionistas e outros profissionais da saúde sem obter resposta satisfatória, Meerman montou uma equipe com o professor Andrew Brown, diretor da Escola de Biotecnologia e Ciências Biomoleculares da Universidade de New South Wales (UNSW) para rastrear o destino dos quilogramas perdidos.
O resultado foi publicado no British Medical Journal. No artigo, os autores mostram que 10 kg de gordura requerem 29 kg de oxigênio, e os processos metabólicos transformam esta gordura em 28 kg de CO2 e 11 kg de água.
im, caros leitores, a gordura vira CO2 e sai pelo seu nariz. Se você rastrear cada átomo de 10 kg de gordura, 8,4 são exalados como gás carbônico pelos pulmões. Os 1,6 kg restantes são convertidos em água e são excretados na urina, fezes, suor, hálito, lágrimas e outros fluidos corporais.
E agora, você vai respirar mais para perder peso? Não vai funcionar, lamento dizer. Se você respirar mais que o necessário para o seu metabolismo, vai sofrer hiperventilação, que pode resultar em tontura, palpitação e perda de consciência.
Será que o CO2 que você está exalando enquanto emagrece vai contribuir para o aquecimento global? Se você estava contando com esta desculpa para não fazer uma dieta, novamente tenho más notícias. O CO2 que está causando o aquecimento global vem da queima de combustíveis fósseis.
O carbono que você está liberando na respiração muito provavelmente estava na atmosfera alguns meses ou anos atrás, até ser absorvido por uma planta e cair no seu prato na forma de salada ou açúcar ou algum produto vegetal, ou até mesmo na forma de carne e gordura animal.
A esperança dos autores é que os resultados de seu trabalho sejam incluídos nos cursos básicos de ciências, para que as crianças e os profissionais de saúde não andem com ideias erradas sobre o destino da gordura que é perdida em dietas (como dizer que ela vira calor ou energia).

11.033 – Genética – Finalmente o fim da Calvície?


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Uma boa notícia para os carecas: pesquisadores estão usando células-tronco pluripotentes humanas para gerar novos cabelos. O estudo, realizado no Instituto de Pesquisa Médica Sanford-Burnham, nos EUA, representa o primeiro passo para o desenvolvimento de um tratamento à base de células para as pessoas com a perda de cabelo.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, metade da população masculina do planeta tem algum grau de calvície até os 50 anos, e esse percentual tende a subir com o avanço da idade.
“Nós desenvolvemos um método que utiliza células-tronco pluripotentes humanas para criar novas células capazes de iniciar o crescimento do cabelo humano. O método é uma melhoria significativa em relação aos métodos atuais que dependem do transplante de folículos pilosos existentes de uma parte da cabeça para outra”, explica Alexey Terskikh, professora do Programa de Desenvolvimento, Envelhecimento e Regeneração em Sanford-Burnham. “O método de células estaminais fornece uma fonte ilimitada de células a partir do paciente para o transplante”.
A equipe de pesquisa desenvolveu um protocolo que induziu células-tronco pluripotentes humanas a se tornarem células da papila dérmica, uma população única de células que regulam a formação de folículos de cabelo e seu ciclo de crescimento. As células da papila dérmica humana por si só não são adequadas para o transplante de cabelo, porque não podem ser obtidas em quantidades necessárias, e rapidamente perdem a sua capacidade de induzir a formação de cabelo.
“Em adultos, as células da papila dérmica não são facilmente ampliadas fora do corpo e rapidamente perdem suas propriedades”, diz Terskikh. “Nós desenvolvemos um protocolo para fazer com que células-tronco pluripotentes humanas se tornassem células da papila dérmica e confirmamos sua capacidade de induzir o crescimento do cabelo, quando transplantadas em ratos”.
O próximo passo é transplantar essas células derivadas de células-tronco pluripotentes humanas em seres humanos. “No momento, estamos buscando parcerias para implementar esta etapa final”, projeta a pesquisadora.

11.032 – Medicina – O que é o Lúpus?


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É uma doença autoimune rara, mais frequente nas mulheres do que nos homens, provocada por um desequilíbrio do sistema imunológico, exatamente aquele que deveria defender o organismo das agressões externas causadas por vírus, bactérias ou outros agentes patológicos.
O fato é que, no lúpus, a defesa imunológica se vira contra os tecidos do próprio organismo como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro. Essas múltiplas formas de manifestação clínica, às vezes, podem confundir e retardar o diagnóstico.
Lúpus exige tratamento cuidadoso por médicos especialistas. Pessoas tratadas adequadamente têm condições de levar vida normal. As que não se tratam, acabam tendo complicações sérias, às vezes, incompatíveis com a vida.
Descrições Médicas
A doença autoimune é fundamentalmente caracterizada pela formação de autoanticorpos que agem contra os próprios tecidos do organismo. Por isso, o nome autoagressão, às vezes, é mais feliz. O paciente, geralmente do sexo feminino, fabrica substâncias nocivas para seu organismo e o anticorpo, que é um mecanismo de defesa, passa a ser um mecanismo de autoagressão. Portanto, o que caracteriza a doença autoimune é a formação de anticorpos contra seus próprios constituintes.
Eles podem agredir qualquer tipo de território. De modo geral, a maior agressão ocorre no núcleo da célula, graças ao aparecimento de vários autoanticorpos contra substâncias presentes em seu interior.
Entretanto, o mais importante não é o anticorpo isoladamente. Do ponto de vista anatomopatológico, o que define a autoimunidade nos tecidos é a formação dos chamados complexos imunes.
A paciente que tenha a etnia lúpica, ou seja, formação genética constitucional que a predispõe a desenvolver lúpus, já possui autoanticorpos em grande quantidade. Quando uma substância vinda do exterior une-se a eles, forma-se o complexo antígeno-anticorpo. Isso ativa um sistema complexo de proteínas chamado de complemento e leva à formação dos complexos imunes, cuja concentração dita a gravidade e o prognóstico da doença, porque eles se depositam no cérebro e nos rins principalmente.
O complexo imune depositado no rim inflama esse órgão, produzindo a nefrite lúpica, importante para determinar se a doente vai viver muitos anos ou ter a sobrevida encurtada.
A radiação solar, em especial os raios ultravioleta prevalentes das dez às quinze horas, é a substância que mais agride as pessoas que nasceram geneticamente predispostas. Em estudos conduzidos no Hospital das Clínicas de São Paulo, foi possível detetar inúmeros casos de pacientes que tinham o primeiro surto logo após ter ido à praia e se exposto horas seguidas à radiação solar. Em geral, eram pacientes do sexo feminino, já que a incidência de lúpus atinge nove mulheres para cada homem. Nos Estados Unidos, há maior prevalência entre as mulheres negras; no Brasil, verifica-se equivalência de casos em brancas e negras.
É fundamental estabelecer uma correlação entre o sistema de imunidade, de defesa do organismo, com o sistema endócrino. O estrógeno (hormônio feminino) é autoformador de anticorpos; a testosterona (hormônio masculino) é baixo produtor. O estrógeno é sinérgico à produção de autoanticorpos e a testosterona, supressora. Na mulher lúpica, ocorre excesso de sinergismo, ou seja, excesso na produção de anticorpos, que se traduz pela taxa elevada da proteína gamaglobulina nos exames de laboratório.
Havia grande confusão diagnóstica em relação ao lúpus até a Sociedade Americana de Reumatologia enunciar onze critérios de diagnóstico, em 1971. A mulher que preencher quatro deles seguramente tem a doença.
Os dois primeiros referem-se à mucosa bucal. Entre outras lesões orais importantes, aparecem úlceras na boca que, na fase inicial, exigem diagnóstico diferencial com pênfigo, uma doença frequente em países tropicais. Pode ocorrer também mucosite, uma lesão inflamatória causada por fatores como a estomatite aftosa de repetição, por exemplo.
O terceiro critério envolve a chamada buttefly rash, ou asa de borboleta, que muitos admitem como o critério mais importante, mas não é. Trata-se de uma lesão que surge nas regiões laterais do nariz e prolonga-se horizontalmente pela região malar no formato da asa de uma borboleta. De cor avermelhada, é um eritema que geralmente apresenta um aspecto clínico descamativo, isto é, se a lesão for raspada, descama profusamente.
O quarto critério é a fotossensibilidade. Por isso, o médico deve sempre investigar se a paciente já apresentou problemas quando se expôs à luz do sol e provavelmente ficará sabendo que mínimas exposições provocaram queimaduras muito intensas na pele, especialmente na pele do rosto, do dorso e de outras partes do corpo mais expostas ao sol nas praias e piscinas.
O quinto critério é a dor articular, ou seja, a dor nas juntas, geralmente de caráter não inflamatório. É uma dor articular assimétrica e itinerante, que se manifesta preferentemente nos membros superiores e inferiores de um só lado do corpo e migra de uma articulação para outra. Geralmente, é uma dor sem calor nem rubor (vermelhidão) nem edema (inchaço), os três sinais da inflamação. Há casos, porém, em que esses três sintomas se fazem presentes, assim como podem ocorrer artrite e excepcionalmente inflamação no primeiro surto de 90% das pacientes.