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8561 – Geologia – Stonehenge foi submetido a alterações durante 1500 anos


stonehedge foto

O círculo de pedras de Stonehenge, no Reino Unido, é tão majestoso e sólido que parece ter brotado pronto das entranhas da terra, mas um novo estudo reforça a ideia de que ele era uma espécie de “puxadinho” pré-histórico, constantemente remodelado ao longo de milênios.
Usando datações de artefatos do sítio arqueológico, bem como sofisticadas análises estatísticas de dados obtidos por outros pesquisadores, a equipe liderada por Timothy Darvill, da Universidade de Bournemouth, propõe cinco grandes fases de construção antes que o círculo ganhasse a cara que tem hoje.
A primeira teria começado por volta do ano 3000 a.C., e a última teria chegado ao fim em torno de 1500 a.C.
Ou seja: Stonehenge começou a ser erguido uns 400 anos antes das primeiras pirâmides e teve seus retoques finais três séculos antes da Guerra de Troia. O esquema descrevendo a evolução do monumento foi publicado na revista científica “Antiquity”.
A descoberta mais curiosa é que, no início, Stonehenge não era muito “stone”: as pedras vieram mais tarde.
Refinando pesquisas anteriores, Darvill diz que a primeira fase do monumento envolveu o traçado de um círculo de terra em Salisbury, onde fica Stonehenge. Esse círculo, delimitado por uma valeta e uma trincheira, até hoje funciona como a “fronteira” definidora do sítio.
Além desse primeiro desenho, o monumento original pode ter recebido uma série de estruturas de madeira -postes ou estruturas retangulares-, e uma série de sepultamentos de pessoas cremadas também se deu nas fases posteriores de Stonehenge. Quem seriam os defuntos?

“É difícil de saber. Acredita-se que as pessoas enterradas ali tinham algum status especial, mas não sabemos qual”, explica Darvill. Há túmulos de crianças, adultos e idosos dos dois sexos. “Pode ser que se trate de uma dinastia, ou dos xamãs e curandeiros que trabalhavam no local e conheciam seus segredos.”
Grande parte das estruturas de pedra, em especial as trilíticas -as formadas por duas colunas com uma trave em cima-, vieram na fase 2, a partir de cerca de 2500 a.C.
É quando Stonehenge de fato se torna monumental, afirma o arqueólogo. “Depois disso, as pessoas começam a reajustar a estrutura básica.”
Com o passar dos séculos, Stonehenge deve ter se tornado tão importante para o povo local que é provável que outro círculo de pedra da região tenha sido desmontado e que seus componentes, as rochas conhecidas como “pedras azuis”, tenham sido transferidas e remontadas em Stonehenge. Além disso, construiu-se uma “avenida” para ligar o local de origem das “pedras azuis” ao grande círculo de pedra.
Darvill chega a comparar Stonehenge com uma catedral moderna, onde as pessoas podem se casar, batizar os filhos e ser veladas antes do enterro, e onde ocorrem coisas não religiosas, como manifestações políticas.
“Além disso, também sabemos que as estruturas de pedra integraram Stonehenge de forma mais direta com o calendário solar, com os solstícios e com os movimentos dos corpos celestes.” Exemplo disso é o alinhamento de uma das entradas do local com o nascer do Sol no início do verão.
Seja como for, há sinais de que os nativos da região continuaram usando o círculo de pedra em seus rituais por quase o dobro do tempo que os católicos veneram os túmulos dos mártires no atual Vaticano, por exemplo.
Segundo Darvill, essa veneração de Stonehenge teria continuado no mínimo até o fim do domínio romano sobre os britânicos -ou seja, por volta do ano 400 da Era Cristã, cerca de 3.500 anos depois das edificações originais no sítio arqueológico.

8560 – Hipnose – Abra a sua mente


A hipnose começou a ser praticada no século 18, quando o médico alemão Franz Anton Mesmer defendeu sua tese de doutorado na Universidade de Viena. Mesmer propunha uma ideia estapafúrdia: a atração gravitacional entre a Terra e outros corpos celestes afetava a saúde das pessoas, sendo responsável por vários tipos de doença mental. Por incrível que pareça, a tese foi aceita e Mesmer recebeu o diploma em 1766. Como desgraça nunca vem sozinha, logo ele começou a acreditar em outra besteira – o corpo humano estava cheio de fluidos magnéticos, cujo desequilíbrio era nocivo e deveria ser corrigido. No tratamento, o paciente ficava sentado numa cadeira enquanto Mesmer olhava em seus olhos, pedia que se concentrasse ou tocava em seus braços e mãos – técnicas similares às da hipnose moderna.

Em 1778, depois que não conseguiu curar uma pianista acometida de cegueira nervosa, Mesmer foi expulso de Viena e se instalou em Paris. Mais ousado, ele passou a andar vestido de violeta e a usar uma varinha de condão (objeto que ele inventou). Sua clínica foi o maior sucesso, e em 1784 o rei Luis 16 formou uma comissão de cientistas notáveis, que incluía Antoine Lavoisier e Benjamin Franklin, para estudar os poderes de Mesmer. Eles concluíram que se tratava de um charlatão (a teoria dos fluidos magnéticos, claro, era pura bobagem), mas que tinha alguns poderes: ele representava um perigo para a sociedade, porque supostamente era capaz de “mesmerizar” – palavra que se tornou um sinônimo de enfeitiçar – as pessoas contra a vontade delas.
As técnicas de Mesmer foram proibidas, e a hipnose começou a se transformar em show circense. Mas alguns discípulos continuaram a acreditar na sua eficácia como tratamento. Um deles era o médico escocês James Braid. Em 1843, ele resolveu trocar o nome da mesmerização para torná-la mais aceitável. E cunhou o termo “hipnose” – que vem de Hypnos, a deusa grega do sono. Braid adotou uma abordagem mais científica, e a partir daí a hipnose passou a ser estudada por gente mais séria – como o francês Jean-Martin Charcot (1825-1893), considerado o pai da neurologia, o psicólogo russo Ivan Pavlov (1849-1936) e o próprio Freud, que chegou a hipnotizar seus pacientes no começo da carreira.

Mesmo assim, a hipnose só começou a ser aceita pela ciência em 1997, quando o psiquiatra americano Henry Szechtman fez uma experiência com 8 voluntários. Eles foram vendados e ouviram uma gravação que repetia a seguinte frase: “O homem não fala muito. Mas, quando ele fala, vale a pena ouvir o que diz”. Szechtman desligou o som e pediu aos voluntários que tentassem imaginar a frase. Em seguida, hipnotizou todo mundo e disse que iria tocar a fita novamente. Era mentira; não havia som nenhum. Mesmo assim, os voluntários disseram ter ouvido a gravação – eles sofreram uma alucinação auditiva por causa da hipnose. Monitorando o cérebro dos voluntários, o cientista descobriu o seguinte. Durante a alucinação e quando a gravação estava tocando de verdade, a atividade do cérebro era idêntica. Já quando as pessoas apenas imaginavam o som, a atividade era diferente. Outros estudos comprovaram esse efeito, e permitiram chegar a uma conclusão definitiva: a hipnose existe, não é fingimento e tem um efeito característico sobre o cérebro – é uma simulação perfeita da realidade, muito mais forte que a imaginação ou a autossugestão. Uma pessoa hipnotizada pode literalmente ver, ouvir e sentir o que é sugerido pelo hipnotizador.

A resposta começou a aparecer num teste feito pelo neurocientista Pierre Rainville, da Universidade de Montreal. Ele pediu que voluntários mergulhassem a mão em tigelas com água muito quente (a 47°C). Como estavam hipnotizadas, as cobaias não sentiam dor. Rainville observou o cérebro daquelas pessoas e descobriu algo estranho. O sistema límbico, que é um pedaço primitivo do cérebro que nós herdamos dos répteis e processa os sinais que vêm do corpo, como a dor, estava operando normalmente. Mas o neocórtex, uma região cerebral que só existe nos mamíferos avançados e é responsável pela nossa consciência, ignorava os sinais do sistema límbico. É como se, durante a hipnose, o “cérebro humano” parasse de se comunicar com o “cérebro reptiliano”.

É por isso que a hipnose tem efeitos tão profundos. A pessoa não fica dormindo. Fica acordada, consciente e sabendo que está sendo hipnotizada. A diferença é que, como o neocórtex é privado das informações fornecidas pelo sistema límbico (que além de processar a dor também controla a memória e reações como desconfiança, vergonha, medo, fome, iniciativa, prazer e desejo sexual), a consciência fica sem reservas nem referências – e, por isso, totalmente vulnerável às sugestões do hipnotizador.

Esse poder pode servir para obrigar uma pessoa a imitar uma galinha, mas também tem uso terapêutico. O Conselho Federal de Odontologia acaba de regulamentar o uso da hipnose – os dentistas que fizerem um curso especial, de 180 horas, poderão utilizá-la como complemento da anestesia. E o Conselho Federal de Medicina já reconhece a hipnose como ferramenta no tratamento de dores crônicas (o Hospital das Clínicas, em São Paulo, oferece a hipnoterapia como opção para tratar as dores de pacientes de câncer) e em várias formas de psicoterapia – há estudos comprovando que ela é eficaz contra o tabagismo, a ansiedade, a depressão e outros transtornos psíquicos. Pesquisas recentes também constataram, de maneira surpreendente, efeitos fisiológicos da hipnose: há indícios de que possa ajudar no tratamento de hipertensão e de problemas gastrointestinais e no sistema imunológico. Tudo isso depende, claro, do seu grau de sensibilidade. Por que algumas pessoas podem ser completamente tomadas pela hipnose, enquanto outras são imunes a ela? E como técnicas tão banais, como balançar um reloginho na frente de uma pessoa, podem ter tanta força sobre a mente?

Você é hipnotizável?

A hipnose é muito mais comum do que se imagina. Você já deve ter se auto-hipnotizado milhares de vezes e nem percebeu. Um exemplo: sabe quando você está indo para algum lugar, mas acaba se distraindo com os próprios pensamentos e ao chegar nem se lembra do caminho que fez? É uma forma fraquinha de hipnose. “O estado hipnótico é parecido com o que acontece quando você fica absorto, lendo um livro ou vendo um filme”, afirma o psiquiatra e especialista em hipnose David Spiegel, da Universidade Stanford. É um estado de grande atenção, em que o cérebro foca em uma coisa e se desliga do resto. Mas não tem nada de extraordinário; é um mecanismo que faz parte do funcionamento normal do cérebro.

O lado perigoso da hipnose

No filme Sob o Domínio do Mal (“The Manchurian Candidate”, 1962), Frank Sinatra faz o papel de um major americano que é hipnotizado pelos comunistas para matar o presidente dos EUA quando ouvir um sinal por telefone. Isso é possível? Mais ou menos. A sugestão pós-hipnótica realmente existe – é possível programar o cérebro de pessoas altamente suscetíveis. Mas só com instruções muito simples (pular ao ouvir um sinal). Ela não funciona com ordens complexas, que envolvam várias etapas de raciocínio ou sejam contra a índole do indivíduo; se a pessoa normalmente não mataria o presidente, não irá fazê-lo sob hipnose. Além disso, é possível resistir à sugestão pós-hipnótica, que costuma desaparecer após alguns minutos (em casos extremos, alguns dias). Ou seja: ao contrário da crença popular, uma pessoa hipnotizada não vira um robô nem fica em transe para sempre se o hipnotizador sumir. Isso não quer dizer que os hipnotizados não possam ser induzidos a fazer coisas que não querem (ou não existiria o truque de fazê-los comer cebola achando que é maçã).

Também é possível hipnotizar as pessoas mais sensíveis contra a vontade delas, usando truques para pegá-las de surpresa. O psiquiatra americano Milton Erickson costumava dominar seus pacientes com um simples aperto de mão. Ele massageava o pulso do paciente, que ia ficando relaxado e sem reação. Seja como for, não é preciso ter medo. Mesmo se você for altamente sensível, basta ficar longe dos hipnotizadores ou não prestar atenção neles. Afinal, hipnose é um estado extremo de atenção. Se você não presta atenção, não pode ser hipnotizado. Também não há evidências de que a hipnose cause qualquer dano. Ela só tem um risco: pode induzir falsas memórias.

Os pesquisadores descobriram que, sob hipnose, 70% das pessoas ficam receptivas a falsas memórias. E as terapias que prometem acessar memórias reprimidas são muito nocivas: fazem com que os pacientes corram maior risco de perder o emprego e a vida social e tenham até 500% mais possibilidade de ir parar num hospital psiquiátrico. Por isso, hoje esse tratamento é desaconselhado pela Associação Médica Americana. Se você for fazer algum tipo de hipnose, evite técnicas e exercícios que mexam com a memória. Tirando isso, não há problema. A hipnose é uma ferramenta poderosa, que já vem embutida no cérebro e pode ser usada de maneira positiva. O pior que pode acontecer é ela não funcionar com você. Mas calma… você é pelo menos um pouquinho hipnotizável, não é? Relaxe, feche os olhos, respire. Sua cabeça está ficando pesada. Pesada e cansaaada…

Os 5 métodos mais usados para hipnotizar

Fixação de olhos
É o clássico método do reloginho, e foi criado por James Braid – o inventor da palavra “hipnose”. O hipnotizador pede ao paciente que se concentre fixamente em algum objeto.

Narrativa
Consiste em pedir ao paciente que relaxe membro a membro – após o que, num tom calmante, o hipnólogo o leva a imaginar uma história.

Confusão
Criado para lidar com pessoas resistentes, consiste em iludir a pessoa com atos incomuns – como um aperto de mão que se prolonga e vira uma espécie de massagem.

Desequilíbrio
O hipnotizador diz ao paciente que se coloque numa posição na qual seja difícil se manter de pé. E ao mesmo tempo, pede que ele se concentre em seus membros.

Choque
Consiste em simular uma hipnose comum, passando as mãos na cabeça da pessoa – mas de repente fazer um gesto brusco, jogando a cabeça para trás enquanto grita “durma”!

O que a hipnose realmente pode fazer

Anestesiar uma pessoa
Funciona. Em 1845, antes da popularização da anestesia, o médico escocês James Esdaile já usava a hipnose em cirurgias e amputações.

Curar tabagismo, compulsões e vícios em geral
Funciona. Mas o tratamento também deve ter terapia, e é preciso refazer periodicamente as sessões hipnóticas.

Implantar memórias
Funciona. Há casos de falsas memórias que acabaram na Justiça e começaram na atuação desastrada (ou maldosa) de hipnoterapeutas.

Sugestões pós-hipnóticas
Funciona. É possível condicionar uma pessoa para que ela reaja a certos sinais – como pular toda vez que ouvir determinado som, por exemplo.

Hipnotizar alguém à força
Funciona. Existem técnicas que permitem hipnotizar a vítima sem que ela perceba. Mas isso só dá certo se você dedicar atenção ao hipnotizador.

Veja em que situações a hipnose não tem o menor efeito

Apagar memórias
Não funciona. Pessoas altamente hipnotizáveis podem se esquecer de acontecimentos, mas acabam se lembrando deles após algum tempo.

Acessar memórias reprimidas
Não funciona. As supostas lembranças (que no Texas são aceitas como prova judicial) são contaminadas pela imaginação.

Hipnotizar bichos
Não funciona. Hipnose é um fenômeno da parte mais moderna do cérebro humano. O que acontece com animais é apenas catatonia (paralisia).

Controle da mente
Não funciona. Mesmo pessoas altamente hipnotizáveis não se tornam zumbis. E a hipnose cessa após alguns minutos (ou quando o hipnólogo vai embora).

8559 – O que o ouvido não escuta o cérebro não sente


Por que uma criança tem mais facilidade para aprender idiomas do que um adulto?

O aprendizado depende do estímulo sonoro. As fibras nervosas que levam os sons do ouvido ao cérebro são formadas de neurônios. Eles entram em ligação entre si por nas sinapses, verdadeiras pontes químicas por onde as mensagens neurológicas passam. “Nas crianças, as ligações estão em processo de constituição e as fibras são maleáveis e estão disponíveis”, diz uma fonoaudióloga do hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Por isso, se forem estimuladas pela repetição de sons, formam estradas sonoras até o cérebro. Depois dos 10 anos, a capacidade de estabelecer novas ligações diminui e o aprendizado torna-se mais difícil.
A criança nasce também com o aparelho fonador pronto para falar qualquer idioma. Mas, pelos mesmos motivos que dificultam o aprendizado, depois dos 10 anos ela começa a perder a capacidade de pronunciar alguns sons para os quais não tenha sido treinada. Isso não quer dizer que não se possa aprender alemão com 40 anos. Quer dizer apenas que vai demorar mais tempo. E que o sotaque provavelmente vai ser forte. Para falar perfeitamente, talvez seja necessário passar por um fonoaudiólogo.

O estímulo sonoro chega ao cérebro por meio de fibras nervosas.
Dentro do ouvido, o som é transformado em impulso elétrico, levado até o cérebro por fibras nervosas, que passam pelo tronco cerebral.
Na criança, os neurônios que formam as fibras nervosas ainda estão se ligando e são receptivos a novas informações sonoras. No adulto, a capacidade de estabelecer ligações diminui e também a receptividade.

8558 – Evolução – Fazendo das tripas cérebro


Segundo uma lei natural da evolução, quanto maior (ou mais pesado) for o cérebro de um animal, maior seu corpo. É que, para manter um cérebro grande funcionando, é preciso um corpo também grande, capaz de absorver bastante energia. Só que, no homem, o cérebro é três vezes maior que o dos nossos ancestrais de 3 milhões de anos atrás, enquanto o corpo nem chegou a duplicar de tamanho. Então, de onde vem a energia necessária para estabelecer as ligações entre bilhões de neurônios?
O antropólogo Leslie Aiello, da Universidade College London, comparou o organismo humano com o dos chimpanzés. E verificou que, nos dois casos, 70% da energia adquirida dos alimentos é consumida por cérebro, coração, fígado, rins e intestinos. Mas o cérebro dos chimpanzés pesa um terço do cérebro do homem, enquanto os intestinos pesam mais que o dobro. Conclusão: o homem faz uma contenção no consumo de energia pelos intestinos.

Cada cabeça uma sentença:
O homem
Comparado com o tamanho total do corpo, o cérebro do homem é o maior entre os animais nascidos de placenta. Para pensar, ele retira energia dos intestinos, que são pequenos.

O chimpanzé
O cérebro do macaco pesa cerca de um terço do cérebro humano. A maior parte da energia que ele extrai dos alimentos é absorvida pelos intestinos, que são duas vezes maiores que os nossos.

A ave
Nos pássaros, o cérebro é pequeno e o intestino também, em relação ao tamanho total da ave. Mas o coração é enorme. Ali é consumida a maior parte da energia, para voar.

8557 – Saúde – A Reação Aguda ao Estresse


Também chamada de choque psíquico, estado de crise, fadiga de combate, ou ainda, popularmente conhecido como “estado de choque”, trata-se de uma resposta não adaptativa a um acontecimento particularmente estressante ou uma alteração particularmente marcante na vida de uma pessoa. Costuma desaparecer dentro de algumas horas ou alguns dias.
Aproximadamente 18% das vítimas de catástrofes e cativeiro costumam experimentar esta reação.
A ocorrência e a severidade da reação aguda ao estresse ficam na dependência de fatores particulares, como a vulnerabilidade e a capacidade que um indivíduo possui de enfrentar situações difíceis. Sendo assim, a mesma catástrofe pode ser muito mais traumatizante para aqueles que apresentam menos habilidades físicas, maturidade, experiência, conhecimentos técnicos adequados e preparo psicológico para lidar com situações de estresse.
A sintomatologia é variável e comporta, a princípio, um estado de aturdimento, caracterizado por um relativo estreitamento de campo da consciência e problemas para manter a atenção ou de integrar estímulos, além de uma desorientação. Por conseguinte, pode haver um distanciamento do ambiente ou uma agitação com hiperatividade (reação de fuga). Taquicardia, sudorese intensa e ondas de calor podem acompanhar esta condição. Pode haver amnésia parcial ou completa do episódio.
Para o diagnóstico, foi preconizado pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DMS-IV) que é necessário identificar os seguintes sinais:
Qual o evento que representa risco ou ameaça à integridade pessoal ou de entes queridos;
Presença de, no mínimo, três dos sintomas acima citados;
Reviver persistentemente o evento traumático, por imagens recorrentes, pensamentos repetitivos, sonhos, alucinações, dentre outras formas;
Evitar ou fugir de estímulos que relembrem o trauma seja pensamentos, sentimentos, conversas, atividades, cheiros, lugares ou pessoas;
Sintomas de agitação ou ansiedade aumentada;
Sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo às relações sociais, profissionais ou em outras áreas importantes em decorrência do trauma;
Duração da perturbação por, no mínimo, 2 dias e, no máximo, 4 semanas;
A perturbação não é decorrente do uso de alguma droga ou de uma condição geral médica.
Dentro de poucos dias esta condição pode se resolver espontaneamente, ou pode evoluir para uma desordem mais grave. Antidepressivos e ansiolíticos podem ser utilizados no tratamento, enquanto durar o período pós-traumático. Outras opções são o aconselhamento e psicoterapia.
É importante tratar esta condição, quando ela não desaparece espontaneamente, uma vez que pode evoluir para transtornos somatoformes, transtorno dissociativo, neurastenia, fobia, síndrome do pânico e síndrome do estresse pós-traumático.

8555 – Arqueologia – Fósseis na Vitrine


ambar

A resina de âmbar cristalizou insetos, animais e plantas há milhões de anos atrás.
O âmbar, com sua forma cristalina, parece uma pedra preciosa. Há séculos pode ser visto em jóias e peças de decoração. Mas seu valor científico cresce de maneira estonteante quando se acham preservados no seu interior insetos e plantas que cresceram nas matas há milhões de anos. Quando isso acontece, em um simples pedaço de resina está uma verdadeira relíquia da história natural. E melhor ainda: com grande visibilidade. “O âmbar nos ajuda a reconstruir a aparência e a composição das florestas antigas”, diz o paleobiólogo Francis Hueber, do Museu Nacional de História Natural, em Washington, Estados Unidos.
Não são apenas os traços orgânicos que ficam registrados. A resina pegou os insetos de surpresa e congelou também os seus movimentos. Sem ela não teria sido possível observar o primeiro voo de um ancestral dos besouros ou como uma aranha pré-histórica fabricava a teia. Nestas páginas você vai ver fotos inéditas no Brasil, realizadas com técnicas especiais para tornar ainda mais visíveis os flagrantes que a natureza engenhosamente manteve intactos.
O filhote de besouro primitivo, com apenas meio centímetro, ensaiava o seu primeiro voo quando uma porção de goma caiu sobre ele. A peça foi achada na década de 30 na República Dominicana.

A produção de pedras tão preciosas para a ciência exigiu uma combinação perfeita dos elementos naturais. Para que plantas e insetos ficassem enclausurados dentro dessas vitrines pré-históricas, as condições tinham de ser mais que favoráveis. Primeiro, eram necessárias árvores que produzissem a resina, como alguns tipos de pinheiros e ciprestes. Depois, um lago ou mar nas proximidades, onde a goma endurecida ficasse protegida da oxidação (veja infográfico nas páginas 38 e 39). Pronto. Aquela pepita estava preparada, lapidada e finalizada para enfrentar a passagem dos anos, dos milhões de anos.
A resina endurecida, apesar de composta de substâncias orgânicas, fica parecida com uma pedra preciosa. “Os maiores depósitos de âmbar que conhecemos hoje se localizam na região do Mar Báltico, na Europa, e têm cerca de 40 milhões de anos”, diz o paleobiólogo Conrad Labandeira, do Museu Nacional de História Natural, em Washington. Outro tesouro fica na República Dominicana, América Central. Nesses lugares existem minas de exploração comercial do âmbar. E é lá também que os cientistas conseguem boa parte dos exemplares que estudam, como esses das fotos ao lado.
No Brasil não existe âmbar. Mas, como em outras áreas da América do Sul, há copal, que é muito parecido, só que mais novo. Ele se formou há milhares de anos com a goma de árvores de climas mais quentes, que, em sua maior parte, existem ainda hoje. Embora também se preste à fabricação de ornamentos, o copal é menos valioso. Os cientistas também não se entusiasmam. Afinal, por ser mais recente, o copal traz informações sobre espécies que ainda estão aí na natureza.

O interesse científico pelo âmbar começou faz tempo. Há 2 500 anos o filósofo grego Tales percebeu que, ao esfregar uma peça com um pano, ela passava a atrair pedaços de papel. A essa propriedade ele deu o nome de eletricidade (pois âmbar, em grego, é eletron). Tais poderes supostamente sobrenaturais eram valorizados. Os romanos organizavam freqüentes expedições à Alemanha ou ao norte da Europa para buscar pedaços da resina e um amuleto podia custar mais que um escravo saudável.

8554 – Biologia – Um Campeão de Resistência


É o alvinella ponpejana, um verme que suporta temperaturas de até 80°C. O mais resistente ao calor.
É um poliqueta vermiforme extremófilo, encontrado em águas profundas, especificamente em fontes hidrotermais do Oceano Pacífico.
Foram descobertos no início da década de 1980 ao largo das Ilhas Galápagos, por pesquisadores franceses.

8551 – Aquecimento global eleva frequência e intensidade de furacões


grafico ciclone

A mais detalhada simulação climática para ciclones tropicais feita até agora indica que o aquecimento global deve fazer com que esses eventos extremos sejam não apenas mais fortes mas também mais numerosos.
A estimativa foi feita pelo climatólogo Kerry Emanuel, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que agrupou dados de vários modelos de simulação distintos.
Num cenário pessimista –no qual não haja corte na emissão de CO2 e a temperatura da Terra suba até 4°C acima dos níveis anteriores à era industrial–, ciclones tropicais seriam de 10% a 40% mais frequentes no ano 2100.
E, para piorar, ambos os tipos regionais dessa categoria de tempestade –furacões e tufões– passariam a dissipar 45% mais energia, tornando-se mais destrutivos.
Como o planeta abriga cerca de 90 ciclones tropicais por ano, a projeção indica que no fim do século esse número possa subir para até 130.
A região mais afetada, segundo a simulação, será a porção asiática do Pacífico Norte, mas a mudança também será notável no Atlântico Norte e no Índico.
A ligação entre mudança climática e tempestades mais fortes está na temperatura da superfície dos oceanos. O aquecimento dessa água atua como combustível para os ciclones tropicais.
Os modelos matemáticos do clima levam em conta que oceanos quentes influenciam a formação de furacões e tufões. Emanuel calculou sua previsão agrupando dados de seis modelos diferentes, que não estavam entrando em acordo. Como essas simulações não tinham precisão suficiente para ver aspectos de escala menor (os olhos dos furacões, por exemplo), o cientista aplicou um método de “redução”, adaptando simulações globais para explicar fenômenos regionais.
Modelos de clima usados anteriormente já indicavam que os ciclones ficariam mais fortes com o aquecimento global, mas não conseguiam prever ainda se eles ficariam mais numerosos também.
Mas, com a melhora de precisão, o resultado ficou claro.
Segundo o pesquisador, os novos modelos de clima têm não apenas uma carga maior de dados mas também de uma “miríade” de pequenos ajustes nos modelos. Um estudo descrevendo o método está na edição desta semana da revista “PNAS”.
Apesar de a previsão ter sido aplicada a um cenário razoavelmente pessimista (subida de 4°C até 2100), algumas pesquisas começam a duvidar de que será possível evitar um aquecimento abaixo de 2°C, o limite tido como “perigoso” pelo painel do clima da ONU (Organização das Nações Unidas).

8550 – Fauna – Pumas voltam a circular nos EUA


Do NY Times para o ☻Mega

A grande migração começou há aproximadamente 40 anos. De seus enclaves nos Estados Unidos nas montanhas Rochosas e no Texas, jovens machos rumaram para leste, em busca de companheiras e novos lugares para viver.
Os migrantes tinham cerca de dois metros de comprimento, do nariz à cauda, e pesavam até 70 quilos. Preferiam cervos, mas comiam quase qualquer coisa que se mexesse: alces, carneiros-monteses, cavalos selvagens e castores. Em uma noite, eram capazes de matar uma dúzia de carneiros domésticos. Também atacaram pessoas algumas vezes.
Há muito tempo, os incas chamavam esses felinos de pumas. Hoje, nos EUA, eles são conhecidos como “cougars”, mas também como leões-da-montanha, panteras etc. (No Brasil, onças-pardas, suçuaranas etc.)
Até pouco tempo atrás, relativamente, os pumas eram quase uma memória: eles estavam quase eliminados a leste das montanhas Rochosas em 1900. Mas hoje o puma voltou.
É uma das grandes histórias de sucesso na conservação da vida silvestre, mas também uma fonte de preocupação entre biólogos e outros ativistas, pois seu número crescente torna difícil sua administração -e mais difícil que as pessoas os tolerem. Não há estimativas confiáveis sobre a população de pumas em seu ponto mais baixo, antes dos anos 1970, mas hoje acredita-se que sejam mais de 30 mil na América do Norte.
Conforme os pumas migram para leste, eles provavelmente se tornarão indesejáveis. As pessoas em Estados não acostumados com esses grandes predadores terão de responder a perguntas desagradáveis: quanto gado e animais de caça estão dispostas a perder? Quantos problemas uma comunidade suporta?
“Muitos órgãos ambientais estaduais estão examinando como vão se preparar para a recolonização”, disse Clay Nielsen, diretor de pesquisa científica da Cougar Network. Estudos que ele realizou em Illinois, na Dakota do Norte e no Kentucky revelaram que “o público dá mais apoio” do que ele imaginava. Mas, conforme os grandes felinos se tornarem mais abundantes, acrescentou, “as atitudes provavelmente mudarão”.
O centro da diversidade genética do puma fica no Brasil, mas o hemisfério ocidental tem seis subespécies robustas ao todo. Melanie Culver, geneticista da vida silvestre na Universidade do Arizona, diz que os pumas parecem ter evoluído há cerca de 300 mil anos de um felídeo, hoje extinto, semelhante ao leopardo. Quando os europeus chegaram à América, havia pumas em toda parte, mas a predação humana e a perda de habitat para a agricultura cobraram um alto preço.
Os pumas são predadores solitários, cujo terreno de caça pode variar muito de tamanho, dependendo das presas encontradas, do suprimento de água e da cobertura. Eles gostam de matas e terrenos elevados, mas podem viver em quase qualquer habitat que ofereça esconderijos.
Os filhotes dos pumas ficam com suas mães por até dois anos. Depois, os jovens machos tendem a se dispersar, em parte para evitar outros machos em seu território e também para diminuir as probabilidades de cruzamento endogâmico ou intrafamiliar. Depois que os pumas encheram os Estados montanhosos e o oeste do Texas, os jovens machos começaram a viajar para leste. (As fêmeas também se deslocam, mas tendem a ficar mais perto de casa.) J. Nuckolls, fazendeiro de Wyoming, perdeu 15 carneiros em uma noite para um único puma.
Apesar de sua propensão a causar destruição em outros animais silvestres e gado (atacam animais até sete vezes maiores, incluindo alces, cavalos e bois), os pumas são considerados um incômodo administrável pelos fazendeiros e gozam de respeito, ao contrário dos lobos, outros caçadores legendários do oeste.
Não há uma explicação fácil para isso. O doutor Nielsen notou que os europeus não tinham experiência com grandes felídeos quando chegaram ao Novo Mundo, mas há muito vilipendiavam o “lobo mau”.
Ogden Driskill, pecuarista do nordeste de Wyoming, deu uma explicação mais simples: “Os pumas são mais fáceis de caçar que os lobos e mais fáceis de controlar”. Os pumas fogem de lobos ou de cães que ladram. Eles são previsíveis, os lobos não.

8549 – Hepatite B infectou ancestrais das aves na época dos dinossauros


Pterossauro, o réptil alado
Pterossauro, o réptil alado

A hepatite B é uma das infecções virais mais comuns em todo o planeta: pelo menos um terço da população mundial já carregou o vírus em algum momento de sua vida. A maioria dos infectados consegue se curar rapidamente — alguns nem desenvolvem sintomas —, mas em alguns casos a doença pode acarretar o desenvolvimento de cirrose ou câncer no fígado, causando a morte de 600.000 pessoas todos os anos. Uma nova pesquisa publicada na revista Nature Communications mostra que a história desse vírus é mais antiga do que se pensava. Ele existe há pelo menos 82 milhões de anos, quando infectava os primeiros ancestrais das aves, que ainda conviviam com os dinossauros.
Os pesquisadores descobriram que a origem comum desse DNA — e da infecção viral — é de um ancestral das aves que viveram há 82 milhões de anos.
Estudar o passado de uma linhagem de vírus costuma ser muito difícil, pois eles não deixam nenhum tipo de registro fóssil no ambiente. Para conhecer sua evolução, os pesquisadores têm de procurar pistas em outros locais — como o DNA de seus hospedeiros. Isso é possível porque, para se reproduzir, um vírus precisa invadir uma célula e se apropriar de seu DNA, obrigando-a a produzir cópias dele mesmo. Em alguns momentos, algo dá errado nesse processo e, em vez de dominar o genoma da célula, o vírus acaba sendo absorvido por ele. Assim, o vírus passa a fazer parte do DNA do hospedeiro, e é transmitido às gerações seguintes.
A partir desses restos de vírus que são herdados pelos descendentes, os pesquisadores conseguem encontrar pistas de suas origens e evolução. “A partir do momento em que é inserido no genoma hospedeiro, esse DNA viral pré-histórico fica congelado em seu estado original, continuando discernível até o presente. Nós chamamos essas sequências de DNA fóssil”, diz Jürgen Schmitz, pesquisador da Universidade de Münster, na Alemanha, e um dos autores do estudo.
Foi seguindo essa técnica que, em 2010, pesquisadores relataram a descoberta do DNA de um vírus ancestral da hepatite B em meio ao genoma de passarinhos mandarins, uma espécie originária da Oceania. Os dados apresentados, no entanto, não eram suficientes para saber exatamente quando esse vírus havia sido absorvido pelas aves.

Paleontologia genômica
Em busca de informações mais detalhadas, os pesquisadores da Universidade de Münster resolveram procurar pelas mesmas sequências de DNA viral em outras espécies de pássaros. Se elas fossem encontradas, isso significaria que já estavam presentes em um antepassado comum — e os cientistas poderiam traçar a data correta da infecção original.
A partir dos novos dados, os cientistas concluíram que o vírus ancestral infectou um antepassado dos pássaros modernos que viveu há 82 milhões de anos, no final do Cretáceo. Nessa época, as aves ainda dividiam a Terra com os dinossauros — um grupo de répteis a partir do qual elas teriam evoluído alguns milhões de anos antes. “A descoberta de que o genoma quase completo do vírus ficou preservado por tantos anos como um fóssil molecular é incrível”, afirma Alexander Suh, um dos autores do estudo.
Segundo os pesquisadores, boa parte das proteínas desse vírus ancestral são semelhantes às encontradas no vírus da hepatite B atual. Uma das exceções é uma sequência conhecida como proteína X, que permite ao vírus infectar seres humanos e é um dos responsáveis por causar o câncer de fígado. “Nosso resultado indica que o gene X emergiu relativamente tarde na evolução dessa família de vírus”, afirma Suh. Isso significaria que o vírus da hepatite B se originou nas aves, só depois adquirindo as características que o permitiria infectar mamíferos e humanos.

Glossário:
CRETÁCEO
Última etapa da chamada “Era dos Dinossauros”, compreendida entre 145 e 65,5 milhões de anos atrás. Foi marcada, em seu final, pela extinção de todos os dinossauros não avianos.

8548 – Saúde – As Doenças Raras


MEDICINA simbolo

A definição de doença rara, segundo o Ministério da Saúde do Brasil e da OMS (Organização Mundial de Saúde), se refere à enfermidade que atinge 65 pessoas num grupo de 100.000 indivíduos, cuja probabilidade é de 1,3 para cada 2.000 pessoas. As doenças raras podem apresentar diferentes tipos de sintomas e sinais, podendo ter diagnóstico variável de uma pessoa para a outra.
Estima-se que cerca de 80% das doenças raras são de origem genética, boa parte não tem cura definitiva. Quando há tratamento e cura, ambos costumam ser de alto custo para o paciente. No Brasil, por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), há 26 protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas para doenças raras.
Esses protocolos permitem o tratamento de doenças raras na rede pública de saúde. Atualmente, abrange a oferta gratuita de 45 medicamentos, além de tratamentos cirúrgicos e clínicos. Há documentos em processo de elaboração, principalmente para as doenças de Fabry (Mucopolissacaridos), Pompe e a de Homocistinuria.
No SUS são feitas mais de 72.000 consultas e 560.000 procedimentos para o diagnóstico e tratamentos de doenças raras todo ano. O governo federal investe 4 milhões de reais. Há projetos para a estruturação de rede formal de assistência em genética clínica. Leia a seguir a lista de doenças raras já protocoladas e atendidas pelo SUS:
Ictioses Hereditárias
Hipoparatireoidismo
Insuficiência Adrenal Primária (Doença de Addison)
Hiperplasia Adrenal Congênita
Hipotireoidismo Congênito
Angioedema
Deficiência de Hormônio do Crescimento (Hipopituitarismo)
Síndrome de Turner
Fibrose Cística – Manifestações Pulmonares
Fibrose Cística – Insuficiência Pancreática
Miastenia Gravis
Doença Celíaca
Esclerose Múltipla
Doença de Crohn
Fenilcetonúria
Doença de Gaucher
Doença de Wilson
Osteogenesis Imperfecta
No total, estima-se que há de 6.000 a 8.000 doenças raras, sendo 80% de causas genéticas, e as demais de causas ambientais, infecciosas, imunológicas, entre outras. Cada protocolo de atendimento gerado pelo SUS abrange lista de medicamentos, vacina, métodos de tratamento, técnica cirúrgica e avaliação sobre estudos científicos. Na maioria dos casos, as doenças raras são crônicas, degenerativas, progressivas e, em casos específicos, incapacitantes, comprometendo a qualidade de vida do paciente.

8546 – Psicologia – Como a Ciência e a Filosofia encaram a Morte


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Há muito tempo, no Tibete, uma mulher viu seu filho, ainda bebê, adoecer e morrer em seus braços, sem que ela nada pudesse fazer. Desesperada, saiu pelas ruas implorando que alguém a ajudasse a encontrar um remédio que pudesse curar a morte do filho. Como ninguém podia ajudá-la, a mulher procurou um mestre budista, colocou o corpo da criança a seus pés e falou sobre a profunda tristeza que a estava abatendo. O mestre, então, respondeu que havia, sim, uma solução para a sua dor. Ela deveria voltar à cidade e trazer para ele uma semente de mostarda nascida em uma casa onde nunca tivesse ocorrido uma perda. A mulher partiu, exultante, em busca da semente. Foi de casa em casa. Sempre ouvindo as mesmas respostas. “Muita gente já morreu nessa casa”; “Desculpe, já houve morte em nossa família”; “Aqui nós já perdemos um bebê também.” Depois de vencer a cidade inteira sem conseguir a semente de mostarda pedida pelo mestre, a mulher compreendeu a lição.
Voltou a ele e disse: “O sofrimento me cegou a ponto de eu imaginar que era a única pessoa que sofria nas mãos da morte”.
A morte pode até ser tratada como um tabu, assunto do qual a maioria das pessoas não gosta de falar. Mas, seja como for, aceitemos isso ou não, a morte é um fato, uma realidade inexorável. E que vem para todos nós. Por mais que queiramos nos esconder dela, deixar de existir é uma coisa tão natural quanto existir. Na verdade, a morte é provavelmente a única coisa certa na sua existência ou na minha – e também na de nossos pais, nossos filhos, nossos ídolos e inimigos, de todas as pessoas que amamos e mesmo daquelas que jamais chegaremos a conhecer: é certo que todos nós vamos morrer um dia.
Pode-se conviver melhor ou pior com ela. Mas não se pode evitá-la. Pode-se aceitar a sua inevitabilidade e olhá-la de frente. Ou pode-se negá-la, fugir dela, imaginar que não pensar na morte possa fazer com que ela deixe de acontecer com você ou com a sua família. Mas o fato é que todos nós estamos programados para nascer, crescer e morrer – uma obviedade esquecida por boa parte da sociedade ocidental contemporânea, que teima em ver a morte como um evento artificial, inesperado e injusto. Sobretudo, costumamos vê-la como um evento exclusivo, pessoal, que isola quem sofre uma perda, por meio da dor, do resto do mundo. Quando, ao contrário, não há nada menos exclusivo do que morrer. Nem nada que perpasse mais a humanidade do que o sofrimento de uma perda.
Como está expresso na fábula tibetana, a morte não é privilégio nem desgraça particular de ninguém. Ela chega para todos, sem exceção.

Uma adversária, que poderia ser vencida pelos avanços científico-tecnológicos do século XX, que aumentaram indiscutivelmente a eficiência dos diagnósticos, dos medicamentos, das técnicas cirúrgicas etc. O sonho da permanência ganhou um reforço com as melhorias trazidas pela medicina, com o aumento da expectativa de vida, com a possibilidade de haver cura para todas as doenças, mesmo o câncer ou a Aids. Enfim, soa como um despropósito falar de morte a quem tem as descobertas da ciência a seu favor. Afinal, se existem meios de prolongar a vida útil do ser humano, de manter-se jovem, de atrasar o envelhecimento, de viver mais de 100 anos, por que pensar na finitude?
É um paradoxo: a valorização da vida e a ilusão de eterna beleza e jovialidade trazidas pela vida moderna acabam gerando, por meio do apego a tudo isso, muito mais tristeza e sofrimento pelo fim inevitável da existência do que felicidade pelo mais de vida que proporcionam.
Os doentes morrem no hospital, longe dos olhos – e, não raro, do coração – de seus amigos e parentes. E os rituais de luto são cada vez mais rápidos e pragmáticos. O medo natural que todo ser humano sente diante da própria finitude vira pânico. E mesmo a morte natural – não causada, por exemplo, pela tremenda violência que a cada dia assola os cidadãos no Brasil – acaba virando sinônimo de aniquilamento sumário, de abreviamento. O que, no mais das vezes, não corresponde à realidade por se tratar apenas de uma vida que chegou naturalmente ao fim, de uma existência que simplesmente expirou.

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O primeiro passo para conviver melhor com a ideia da morte é esquecer aquela imagem medieval, um tanto tétrica, de um esqueleto coberto com uma capa preta carregando uma foice afiada na mão. Talvez uma imagem melhor para a morte seja imaginá-la como o fim de uma festa muito bacana: você já sabia que ela acabaria, que ela teria que acabar, em algum momento. E, pensando bem, talvez não seja de todo mal que a festa termine. Você agüentaria dançar na pista para sempre? Por melhor que seja a música, tem uma hora que seu corpo e sua mente pedem descanso. E aí, talvez, seja o momento mesmo de sair da pista, serenamente, sem traumas, e dar lugar a quem está chegando à festa cheio de gás.

O medo da morte é um sentimento inerente ao processo de desenvolvimento humano. Aparece na infância, a partir das primeiras experiências de perda. E tem várias facetas: trata-se de um medo do desconhecido, somado ao medo da própria extinção, da ruptura da teia afetiva, da solidão e do sofrimento.
Na ilusão da imortalidade, o ser humano acredita que suas obras sejam permanentes e garantam que ele não seja esquecido. Cada um adapta, à sua própria maneira, a máxima “plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho”. Isso ocorre porque, para o nosso inconsciente, a morte nunca é possível nem admissível quando se trata de nós mesmos. “A idéia da não-existência provoca tal desconforto que a mente humana acaba criando alguns mecanismos de defesa para fugir dessa realidade”, diz o psiquiatra e psicanalista Roosevelt Smeke Cassorla, da Sociedade Brasileira de Psicanálise, em São Paulo. A negação e a repressão da idéia de morte são exemplos desses artifícios.
Desde os tempos mais remotos, os homens já enxergavam a morte como elemento antagônico à vida – e não como parte integrante e inseparável dela. Talvez fosse mais fácil aceitá-la como fato natural quando ela acontecia aos borbotões, quando a expectativa de vida das pessoas era de 35 anos. Mas o estranhamento e o terror sempre existiram. As pinturas encontradas nas paredes de cavernas como Lascaux e Chauvert, na França, revelam o incômodo que a morte provocava no homem de 30 000 anos atrás. Os episódios alegres, como as caçadas, eram retratados em cores vivas, usando óxido de ferro (alaranjado) ou calcário amarelo. As imagens fúnebres, por sua vez, eram pintadas com cores escuras, com carvão.
O antagonismo se mantém dentro de cada um de nós, no jogo constante entre Eros, o deus grego do amor, e Tanatos, o deus da morte, para usar uma imagem cunhada por Sigmund Freud, fundador da psicanálise. As forças da vida, representadas por Eros, estimulariam o crescimento, a integração, a autoproteção e a sobrevivência. As forças da morte, representadas por Tanatos, alimentariam os instintos destrutivos e as atitudes de auto-sabotagem, por exemplo. Da conciliação dessas forças contraditórias, surgiria o equilíbrio e o vigor emocional necessários para viver.

Uma história antiga ajuda a entender melhor esse processo de pequenas aprendizagens – e como muitos de nós o ignoram. Um dia, há muito tempo, um homem resolveu fazer um trato com a Morte. Prometeu a ela que não ofereceria resistência quando sua hora chegasse. Mas pediu, em troca, que fosse avisado com antecedência porque queria ter tempo suficiente para terminar todas as suas tarefas. O acordo foi feito. Tempos depois, houve um acidente grave na cidade e muitos amigos do homem morreram. Anos mais tarde, um vizinho próximo faleceu. Em seguida, foi a vez de um tio. Até que o homem ficou doente e, em alguns meses, encontrou-se com a Morte. Ela tinha vindo buscá-lo. Revoltado, reclamou: “Eu pedi que você me avisasse quando viria e não recebi um sinal!” Ao que a Morte respondeu: “A morte dos seus amigos, do seu vizinho, do seu tio não bastaram?”
Para quem busca na filosofia maneiras de lidar melhor com a morte, as reflexões finais do filósofo grego Sócrates – condenado a tomar cicuta, um veneno letal –, realizadas no século V a.C., representam um excelente exercício de aceitação. “Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas. Ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja. Ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para outro”, afirmou Sócrates. Em outras palavras: para quem não acredita na continuação da vida, a morte é o nada, é a ausência completa de angústias e desesperos, é o fim das aflições. E para quem acredita na continuação da vida, a morte é a passagem desta existência para outra melhor. De qualquer modo, a dor estaria na vida e não na morte.

“Apesar de considerarmos a morte como um evento biologicamente irreversível, ela não pode ser determinada exclusivamente pelo critério biológico, pois envolve também questões ontológicas e filosóficas”, afirma o patologista forense Marcos de Almeida, professor de Medicina Legal e Bioética da Universidade Federal de São Paulo. Alma e consciência são sinônimos? Existe uma alma imortal? Se sim, para onde ela vai quando morremos? Sem respostas definitivas da ciência, o homem busca, nas crenças religiosas, explicações para o fenômeno da morte. Para uns, trata-se de uma passagem, uma transição desta vida para outra, mais plena e mais feliz. Para outros, é o momento máximo de iluminação, uma forma de libertação do sofrimento.
Há ainda aqueles para quem morrer é simplesmente deixar de existir – como se fôssemos uma lâmpada que se apaga, sem qualquer possibilidade de transcendência.
Se há uma outra vida que se segue à morte, existiria então uma continuidade da mente ou do espírito.
Em oposição à visão espiritualista da morte, há a tradição materialista ocidental, que surgiu na Antiguidade e depois foi retomada pelos filósofos do Iluminismo, a partir do século XVIII, para a qual a morte é o fim total e absoluto. Nada mais do que a interrupção de um processo neurofisiológico, de um mero evento biológico. Essa concepção, mais tarde lapidada pelos existencialistas, como o francês Jean-Paul Sartre, funda muito da nossa visão de que morrer é um fracasso, um escândalo, uma idéia inconcebível com a qual é impossível lidar e inútil tentar conviver. “Morrer é um absurdo”, escreveu o filósofo existencialista Arthur Schopenhauer (1788-1860). A morte não cabe na idéia cartesiana de vida – para a qual tudo poderia ser medido, compreendido, planejado. A finitude quebra a ilusão iluminista e antropocêntrica de que o homem poderia controlar tudo por meio da sua razão. A possibilidade de não estar mais aqui amanhã não cabe nesse jeito de entender o mundo.

O temor do “contágio” pela morte explica a solidão e a frieza das unidades de terapia intensiva, onde, muitas vezes, os doentes terminais morrem sem a possibilidade de dizer uma última palavra aos que amam e sem ninguém que lhe ofereça conforto espiritual. Claro que morrer assim dá muito medo. Estabelece-se aí um círculo vicioso: temos pânico da morte porque ela nos parece horrível e a tornamos muito mais horrível do que poderia ser porque nos afastamos dela – e de quem morre. O escritor budista Sogyal Rinpoche, autor de O Livro Tibetano do Viver e do Morrer, espantou-se quando visitou o Ocidente pela primeira vez, na década de 1970, e constatou a insensibilidade do atendimento aos doentes terminais. “O que me perturbou profundamente, e ainda continua a perturbar, é a quase inexistência de auxílio espiritual que há na cultura moderna para aqueles que vão morrer”, escreveu ele. “Cuidado espiritual não é luxo para poucos; é direito essencial de todo ser humano.”
No início dos anos 70, iniciou-se um movimento de humanização da medicina, principalmente no campo do atendimento aos pacientes terminais, que veio a se contrapor à frieza ainda dominante dos hospitais modernos. A enfermeira britânica Cicely Saunders inovou ao propor um atendimento multiprofissional aos pacientes portadores de câncer avançado, em locais chamados hospices. Nesses abrigos, o doente conta com os cuidados médicos e com a proximidade da família. Da equipe multiprofissional fazem parte também psicólogos e sacerdotes de diferentes religiões, prontos a oferecer assistência psicológica e espiritual. O “movimento hospice” incentivou a criação das unidades de cuidados paliativos, que funcionam ligadas aos hospitais, e do homecare, o atendimento domiciliar a pacientes terminais. A idéia é simples: tão fundamental quanto ter uma boa vida é gozar de uma morte mais humana, mais envolta em serenidade e ternura.
Eis o conceito, ainda tímido no meio médico mas bastante pertinente, de ortotanásia – a morte digna, sem abreviações desnecessárias e sem sofrimentos adicionais.

Uma das imagens utilizadas na meditação para caracterizar os instantes finais da existência é a de uma bela atriz sentada em frente ao espelho. O último espetáculo está prestes a começar. Ela retoca a maquiagem e repassa a sua fala antes de pisar no palco pela última vez. Está preparada para a apresentação derradeira. Esse é o objetivo da meditação: adquirir a capacidade de manter a mente tranquila e o espírito sereno no momento da morte, independente de quando e de como ela aconteça.

8545 – De ☻lho no Mapa – Novo modelo explica separação continental da Austrália, Índia e Antártida


Pesquisadores da Universidade Nacional Australiana criaram um novo modelo científico para demonstrar o processo que levou à separação da Austrália, Índia e Antártida do antigo continente Gondwana, que começou a se dividir há 165 milhões de anos.
O modelo, descrito em um estudo publicado neste mês na revista Gondwana Research, pode ser útil para explicar como as placas tectônicas movimentam os continentes, causam terremotos e tsunamis e dá informação sobre os locais onde é possível encontrar minerais.
Gondwana (hemisfério sul), um dos dois supercontinentes que junto ao de Laurásia (hemisfério norte) agrupou toda a massa terrestre há cerca de 200 milhões de anos, se dividiu em novos blocos: Gondwana Leste (a atual Antártida, Índia, Madagascar e Austrália) e Gondwana Oeste (América do Sul e África). Uma nova subdivisão deu lugar aos blocos que formam as atuais Índia e Madagascar e outro que corresponde à Austrália e à Antártida.
Para a nova pesquisa, a equipe de cientistas utilizou um programa de informática com o objetivo de buscar as coincidências entre as características geológicas ao longo dos contornos das placas de Austrália, Antártida e Índia e retroceder virtualmente no tempo para construir o quebra-cabeça de Gondwana.
O novo modelo recriou um movimento rotatório de Gondwana no sentido horário e deu um ponto de partida diferente para Índia e Austrália após a separação da Antártida. “Pode parecer relativamente trivial tentar determinar o ponto de partida real, mas isso representa uma grande diferença para poder determinar a trajetória desses territórios”, diz Gordon Lister, coordenador do trabalho, em entrevista à emissora ABC.
Segundo esse novo modelo, a costa noroeste da Austrália vai se chocar com a ilha indonésia de Java em cerca de 20 milhões de anos enquanto o país avança em direção à China.
A equipe descobriu que muitas das características geológicas ao longo dos contornos das placas entre Austrália e Antártida não se alinhavam adequadamente e que estas tinham se formado depois que os continentes se separaram.

8544 – Acidente Nuclear – Ex-diretor da central de Fukushima morre de câncer


Radiação, efeitos devastadores no organismo
Radiação, efeitos devastadores no organismo

O ex-diretor da central de Fukushima, no Japão, morreu aos 58 anos, de câncer no esôfago. Masao Yoshida dirigiu a usina nuclear na época em que um tsunami, seguido de um terremoto de 9 graus de magnitude, atingiu a central e desencadeou uma grave crise atômica, em março de 2011. Segundo a companhia Tokyo Electric Power (Tepco), Yoshida morreu em um hospital em Tóquio e sua doença não teria relação direta com a radiação.
A Tepco indicou que Yoshida teria recebido uma dose de radiação de 70 milisieverts (entenda o que é o Sievert) entre o acidente de 2011 e sua saída da central, vários meses depois. A companhia, no entanto, descarta uma ligação entre a exposição e o câncer do ex-diretor, alegando que é necessário um prazo maior antes que as radiações provoquem este tipo de doença.
Masao Yoshida assumiu a direção de Fukushima em junho de 2010, alguns meses antes da catástrofe que colocou em perigo quatro dos seis reatores da central. A crise atômica foi a mais grave desde Chernobyl, em 1986, e obrigou a evacuação de mais de 150.000 habitantes da região. Especialistas do setor afirmam que Yoshida foi fundamental para impedir que a situação saísse totalmente do controle. Ele deixou o cargo logo após ser diagnosticado com câncer, em novembro de 2011.
A Tepco também informou, nesta terça-feira, 9 de julho, que amostras de água subterrânea recolhidas na usina nuclear de Fukushima têm um nível de césio radioativo até 90 vezes maior do que as analisadas há apenas três dias. No momento, a principal preocupação no trabalho para desmantelar a central é o acúmulo de água contaminada no subsolo das instalações que abrigam os reatores nucleares. A Tepco não confirmou se essas substâncias radioativas estão vazando para o mar e anunciou que extrairá novas amostras de água marinha.

8543 – Risco Nuclear – Japão confirma falha geológica sob reator


radiação

Um dos reatores de uma central atômica em Tsuruga (oeste do Japão), atualmente parada, está localizado sobre uma falha geológica ativa. É o que confirma o relatório final de um painel de especialistas. Com isso, o reator não receberá autorização para ser reativado, e empresa Japan Atomic Power se vê obrigada a estudar seu desmantelamento.
A empresa criticou publicamente a decisão dos especialistas, alegando que faltam dados e fatos objetivos que apoiem seu relatório. O presidente da Japan Atomic Power, Yasuo Hamada negou que seja necessário fechar o reator imediatamente.
Atualmente, apenas dois reatores de um total de 50 estão em serviço no Japão. Os demais foram paralisados por medida de precaução à espera de novas normas de segurança, em fase de elaboração, e que entrarão em vigor em julho.
As mudanças rígidas foram implementadas após o acidente nuclear de Fukushima, provocado por um tsunami em março de 2011.

8541 – Nasa vai tentar ressuscitar telescópio caçador de planetas


kepler gráfico

A Nasa começará a testar nas próximas semanas alternativas para tentar ressuscitar o telescópio espacial Kepler, que pifou em 11 de maio, após uma pane em um de seus giroscópios.
De acordo com representantes da agência espacial americana, desde que o incidente aconteceu, diversos especialistas têm pensado em maneiras de fazer o dispositivo voltar a funcionar. Os testes para ver a viabilidade de desses projetos deve começar em breve ma Califórnia.
Lançado em março de 2009 com o objetivo de localizar novos planetas, sobretudo uma possível “gêmea” da Terra, o Kepler foi equipado com quatro giroscópios. Ele poderia operar só com três deles. Mas, como um já havia pifado no ano passado, a nova falha foi crítica.
Apesar das várias alternativas, a Nasa destaca de que não há garantia de que o satélite, que já encontrou mais de 3.200 candidatos a planeta, volte mesmo à ativa.

8540 – Tecnologia – Nova Revolução Industrial?


Revolução Industrial
Revolução Industrial

A maior invenção do Século 21, até então, a impressora 3D, hoje ainda cara e pouco conhecida. Mas tal cenário deve mudar em breve.
No Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da USP ela custou em torno de 50 mil dólares em 2009.
Seu uso na confecção de protótipos de pesquisas compensara fartamente o investimento.
A melhor medida de uma revolução tecnológica é seu impacto na vida das pessoas. Mudanças no modo como produzimos bens e serviços desencadeiam uma energia transformadora nas relações humanas e aspectos que vão do íntimo ao profissional.
O aperfeiçoamento da máquina de tecer do século 18, por exemplo, foi o estopim de uma renovação para melhor na sociedade, na cultura, na política e bem estar social. Em 1766, o tecelão James Hargreaves, cuja indústria era a própria casa, imaginou um mecanismo com apenas uma roda de fiar, mas capaz de trabalhar múltiplas linhas de algodão. Da noite para o dia, a fiandeira de pedal multiplicou por 8 a produtividade de um operário. Quando morreu em 1778, o tear já trabalhava com 80 linhas e havia mais de 20 mil de tais máquinas instaladas. O salário médio dos ingleses se multiplicou por 10. A prosperidade, somada ao desenvolvimento de novos medicamentos dobrara a expectativa de vida no país. Esta foi a 1ª Revolução Industrial, uma pedra sobre a qual se ergueu o mundo moderno, e o capitalismo selvagem foi seu efeito colateral.

Quase 250 anos depois da revolução do tear a pedal, e por causa dele, a nossa produção em massa é feita em fábricas, mas isso começa a mudar novamente com a chegada da impressora 3D, que vem prenunciando uma nova revolução.
Tal máquina permite confeccionar objetos sólidos em 3 dimensões, utilizando-se para isso, em teoria, qualquer material, do plástico ao concreto. Programas de computador fazem o desenho em 3 dimensões.
Hoje, ainda engatinhando, já é possível imprimir as paredes de um edifício e até tecido humano.

Vejamos como:
O cartucho da impressora é abastecido com uma cultura de células-tronco mistura a colágeno.
3 Seringas ejetam diferentes tipos de células em filamentos viscosos. Uma 4ª libera acrilato, composto químico utilizado para agrupar as células.
O tecido se desenvolve sob luz ultravioleta, que matém aquecida a mistura.
Em 7 horas, tem se um rim de dimensões similares ás do órgão humano.
A previsão do 1° transplante em ser humano é para 2014.

8539 – Psiquiatria – O que é o Transtorno de Ansiedade Generalizada?


O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) consiste em um dos transtornos mentais mais observados na clínica. Nos dias de hoje, este distúrbio é avaliado como uma doença crônica, que apresenta morbidade relativamente alta, bem como altos custos individuais e sociais.
Trata-se de uma preocupação constante e persistente em relação a diversas atividades e eventos do cotidiano, de controle difícil e que persiste por, no mínimo, seis meses e que, de acordo com o DMS-IV (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) vem acompanhado por três ou mais das seguintes manifestações clínicas: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e distúrbios do sono.
Outro ponto que deve ser enfatizado é que, no caso do TAG, o nível de ansiedade é desproporcional ao fato que conduz à ansiedade, levando a muito sofrimento e interferindo da qualidade de vida do indivíduo e no convívio familiar, social e profissional.
Acomete indivíduos de todas as faixas etárias, desde o nascimento até a velhice, sendo que, no geral, as mulheres são mais atingidas do que os homens.
Os pacientes com a TAG podem apresentar tremores, inquietação, falta de ar, cefaleia, sudorese excessiva, palpitações, taquicardia, transtornos gastrointestinais, dificuldade de concentração, tensão muscular, irritabilidade e fácil perda de controle.
O diagnóstico inclui o histórico do paciente, a avaliação clínica detalhada e, quando for necessário, alguns exames complementares podem ser realizados.
O diagnóstico diferencial engloba TOC (transtorno obsessivo compulsivo), síndrome do pânico e fobia social.
O tratamento inclui o uso de fármacos antidepressivos ou ansiolíticos, além da terapia comportamental cognitiva. O tratamento medicamentoso deve ser estendido por seis a doze meses após o desaparecimento dos sintomas, porém a dose deve ser reduzida gradativamente.

8538 – Física – Bóson de Higgs, a força que criou o Universo


bóson de higgs

O maior acelerador de partículas do mundo confirmou a existência dessa partícula.
Peter Higgs foi o físico inglês que previu a sua existência.
O bóson é uma das tantas partículas fundamentais que tiveram papel na formação original e no funcionamento do Universo e recebeu esse nome em homenagem ao físico indiano Satyendra Nath Bose. Junto com Albert Einstein, Bose estudou novas fases da matéria quando os átomos são resfriados a temperaturas próximas do zero absoluto, 273°C negativos..
O de Higgs não é um bóson qualquer. Os bósons se ocupam de transportar ou tornar possível certas formas de energia. O fóton é um bóson e sem ele não existiria a luz. Sem o bóson de Higgs não haveria o Universo.
Ele teve importância nos instantes iniciais depois do Big Bang, a súbita inflação que criou o Universo há mais de 13,7 bilhões de anos. A formidável e violenta liberação de forças ejetou partículas elementares para todos os lados e foi justamente o campo criado pelo bóson de Higgs que diminuiu a aceleração das partículas. Assim, elas acabaram interagindo entre si e formando os blocos de matéria que viriam a dar origem as galáxias.

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8536 – Um Inimigo Invisível e Silencioso


Cultura das mortíferas superbactérias
Cultura das mortíferas superbactérias

São os super micróbios. Doenças que estavam controladas ou quase erradicadas sofreram mutações e voltaram a atacar. O uso excessivo dos antibióticos tem resultado em novas cepas de tuberculose, malária, febre tifoide, gonorreia, meningite e pneumonia estão com o tratamento cada vez mais difícil e oferecendo resistência a drogas modernas. Um problema global e preocupante e que pode resultar numa catástrofe na área de Saúde.