9194 – Medicina – O Ciclo Nasal


É como se chama um ritmo natural de congestão e descongestão das cavidades nasais nos seres humanos. É um congestionamento fisiológico da concha nasal, devido à ativação seletiva de uma metade do sistema nervoso autônomo pelo hipotálamo. Embora vários aspectos do ciclo nasal tenham sido estudados e discutidos na antiga literatura do Yoga, na literatura ocidental moderna ele foi descrito pela primeira vez pelo médico alemão Richard Kayser em 1895.
Em 1927 Heetderks citou que a turgescência alternada dos cornetos inferiores em estava presente em 80% da população saudável. As conchas em uma fossa se enchem, enquanto o o lado oposto é descongestionada. Este ciclo controlado pelo sistema nervoso autônomo, costumava ter uma duração média de duas horas e meia. Ele ainda observou e documentou que os cornetos da fossa nasal eram preenchidos quando o paciente estava em deitado lateralmente. Alguns estudiosos afirmaram que essa obstrução alternada tinha a a finalidade de forçar que uma pessoa trocasse de lado durante o sono. Em pacientes com desvio de septo, a obstrução nasal é intermitente, e a interação do ciclo nasal torna-se evidente, a sensação de obstrução se assemelha muito com o congestionamento causado por gripe.
A importância do ciclo nasal torna-se evidente quando consideramos que a função do nariz é para aquecer, umidificar e filtrar o ar inspirado. Estas funções de filtragem e de umidificação são dependentes da presença de epitélio respiratório úmido, que contém tanto as células caliciformes produtoras de muco e os cílios, que são pelos microscópicos cobertos com uma camada de muco, à qual as partículas inspiradas colam e são varridas (pelos cílios) para a garganta, onde são engolidas. A presença de duas fossas nasais, ou as câmaras, que funcionam num padrão alternado impedem uma secagem excessiva, crostas e infecções, que são resultados da passagem que está aberta ao fluxo de ar constante, especialmente em regiões do deserto. O ciclo persiste durante a respiração bucal, oclusão nasal e anestesia tópica, e fica ausente em pacientes traqueostomizados, sofrendo modificações na presença de infecções e durante o período de gestação.
Estudos demonstraram que, em um nariz que esteja funcionando normalmente, enquanto uma fossa nasal está congestionada, seu batimento ciliar diminui drasticamente, ou até mesmo cessa, para que a umidade se acumule, preparando-se para retomar as suas funções nasais quando aquele lado for descongestionado. Fisiologicamente falando, um ser humano tem dois narizes (tornando necessárias duas narinas) que trabalham em conjunto para proporcionar umidificação constante, filtragem e aquecimento.

9193 – AIDS – Descoberto o segredo dos “herois da resistência”


Superanticorpos’ contra HIV controlam infecção em macacos

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Nem todo mundo se defende contra o HIV da mesma forma: algumas pessoas produzem tipos raros de “superanticorpos” contra o vírus. A eficácia de uma terapia que usa esses anticorpos para controlar um vírus similar ao HIV em macacos é relatada em dois estudos publicados hoje na “Nature”.
Infusões dos “superanticorpos” clonados a partir do material colhido de humanos conseguiram reduzir, em uma semana, a carga de HIV a níveis indetectáveis em um grupo de macacos resos.
Esse controle da carga viral, no entanto, não foi duradouro na maioria deles: dois meses após a aplicação da terapia, em média, o número de vírus em circulação voltou a crescer na maioria dos macacos. O controle só permaneceu nos que já tinham uma carga viral mais baixa desde o início do estudo, o que sugere uma ação conjunta do sistema imune dos animais e dos “superanticorpos”.
A existência desses anticorpos poderosos já é conhecida há anos pelos pesquisadores. Eles se tornaram o objeto de estudo do brasileiro especialista em imunologia.

9191 – AIDS – Cientistas traçam mapa da resistência humana ao HIV


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Um grupo de pesquisadores suíços elaborou o primeiro mapa de resistência humana ao HIV, vírus causador da aids, que mostra a defesa natural do corpo contra a doença. O avanço poderá ter aplicações como a criação de novos tratamentos personalizados.
Quando uma pessoa é infectada pelo HIV, seu sistema imunológico devolve estratégias de defesa. Em alguns casos, elas são tão bem sucedidas que permitem controlá-lo sem o uso de medicamentos, como é o caso dos chamados “controladores de elite”, indivíduos que possuem o vírus HIV, mas não desenvolvem a aids.
Infelizmente, isso não acontece na maioria dos casos, pois o genoma do vírus também se modifica rapidamente, a fim de driblar as estratégias do sistema imunológico. Mesmo assim, o esforço do organismo em combater o invasor deixa suas marcas no próprio vírus: mutações genéticas que indicam como ele reagiu aos ataques.
Analisando cepas do vírus que viveram em hospedeiros humanos, cientistas da Escola Politécnica de Lausanne e do Hospital Universitário de Vaud, ambos na Suíça, e diversas instituições de outros seis países, identificaram as mutações genéticas que ocorreram em resposta aos ataques do organismo. Dessa forma, reconstituíram toda a cadeia de eventos, criando o mapa da resistência ao HIV.
Para isso, foram estudados vírus de 1 071 pacientes soropositivos. Os pesquisadores cruzaram mais de 3 000 mutações potenciais no genoma viral com mais de 6 milhões de variações no DNA dos pacientes. Com uso de supercomputadores, eles estudaram todas as combinações possíveis e identificaram correspondências entre os pacientes.
“Tínhamos de estudar as cepas virais de pacientes que ainda não tivessem recebido nenhum tratamento, o que não é comum”, explicou o pesquisador Jacques Fellay, um dos autores do estudo, em um comunicado divulgado pela Escola Politécnica. Por esse motivo, os cientistas basearam o estudo em bancos de amostras criados nos anos 1980, quando ainda não havia tratamentos eficazes contra o vírus.
Segundo os autores do estudo, esse trabalho permitiu obter uma visão mais completa dos genes humanos e sua resistência ao HIV. Isso permite não só entender melhor como o organismo se defende, mas também como o vírus se adapta a esses mecanismos de defesa. “Agora nós temos uma base de dados que vai nos indicar qual variação genética humana vai provocar que tipo de mutação no vírus”, explicou Amalio Telenti, integrante da equipe.
As descobertas podem ajudar no desenvolvimento de novas terapias contra o HIV e tratamentos individualizados, que levem em consideração as virtudes e desvantagens genéticas do paciente.

9187 – Bioecologia – O que são bioindicadores?


São organismos vivos que indicam de forma precoce a presença de alterações ambientais, sendo que esses indicadores podem identificar diversos tipos de modificações, antes que se agravem, além de determinar qual tipo de poluição pode afetar determinado ecossistema.
Bioindicadores podem ser indivíduos ou mesmo comunidades, cujas funções vitais se relacionam tão estreitamente com determinados fatores ambientais, que podem ser empregados como indicadores na avaliação de uma determinada área. Em geral, a alteração da abundância, diversidade e composição do grupo de indicadores mede a perturbação do ambiente. Existe tipos diferentes de Bioindicadores:
Sentinelas: introduzidas para indicar níveis de degradação e prever ameaças ao ecossistema.
Detectores: são espécies locais que respondem a mudanças ambientais de forma mensurável.
Exploradoras: reagem positivamente a perturbações.
Acumuladoras: permitem a verificação de bioacumulação.
Sensíveis: modificam acentuadamente o comportamento.
Todos os grupos de seres vivos podem ser potencialmente bioindicadores, entretanto os melhores organismos para o monitoramento biológico são os invertebrados, mais especificamente os macroinvertebrados, pois são mais simples para se amostrar, são de extrema eficácia, possuem tolerâncias e sensibilidades variadas. Em especial os grupos dos insetos são ótimos bioindicadores, como os Odonatas (Libélulas), Coleóptera (Besouros), Lepidóptera (Borboletas e Mariposas), Himenópteros (Formigas, Vespas e Abelhas) e os mais usados Ephemeroptera, Plecoptera, Trichoptera conhecidos pela sigla “EPT”.

bioecologia

Por que usar bioindicadores?

É um método simples, rápido e de baixo custo
Eles fornecem sinais rápidos sobre problemas ambientais, mesmo antes do homem saber sua ocorrência e amplitude.
Permitem que se identifiquem as causas e os efeitos entre os agentes estressores e as respostas biológicas.
Oferecem um panorama da resposta integrada dos organismos e modificações ambientais.
Permitem avaliar a efetividade de ações mitigadoras tomadas para contornar os problemas criados pelo homem.
Sabendo disso, podemos adequar o uso de alguns organismos para otimizar a eficiência para alguma área especifica, veja:

Bioindicadores da qualidade da água: comumente usados protozoários, por causa de sua alta abundância, tempo de multiplicação curto, são sensíveis a alterações na cadeia trófica e facilmente mantidos em laboratórios para os testes.
Bioindicadores de poluentes do ar: Leveduras e Liquens são usados para medir o nível de ao dióxido de enxofre, fluoretos, ozônio e dióxido de carbono, que é a poluição do ar. A presença delas em folhas de Ipê amarelo ou roxo ocorre em áreas com menores índices de poluição do ar.
Bioindicadores de poluentes do solo: Bactérias, fungos e diversos invertebrados podem desempenhar o papel de bioindicador, tais organismos permitem verificar a qualidade do solo, pois englobam atributos físicos, químicos e biológicos que são necessários.

9186 – Viajando no tempo para uma galáxia distante


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Sua luz, detectada originalmente pelo Telescópio Espacial Hubble e depois observada em mais detalhes pelo Observatório Keck, no Havaí, e pelo Telescópio Espacial Spitzer, é de uma época em que o Universo tinha “apenas” 700 milhões de anos.
Pode parecer muito, mas é menos de 5% da idade atual do Universo — 13,8 bilhões de anos.
Estudar as profundezas do espaço é como usar uma máquina do tempo. E foi basicamente isso o que fez a equipe liderada por Steven Finkelstein, da Universidade do Texas em Austin.
Eles partiram de uma amostra de alguns dos objetos mais antigos já detectados, a fim de estudar como era o Universo em sua infância. Isso é possível porque a velocidade da luz é finita (cerca de 300 mil km/s). Assim, a luz que saiu desse objeto quando o Universo era novo só chegou aqui agora, estando disponível aos astrônomos para estudos.
A galáxia, que leva o antipático nome z8_GND_5296, tem algumas características peculiares que ajudam a compreender o que estava rolando no cosmos nessa época. Embora ela não passe de uma manchinha de luz nas imagens colhidas pelos astrônomos, há muita informação para se extrair dela.
Um exemplo é a constatação de que essa galáxia antiga produzia novas estrelas a um ritmo 150 vezes maior que o da Via Láctea — a nossa galáxia — nos tempos atuais.
Especula-se que ela seja um dos primeiros objetos a emergir da chamada “era da reionização” — um nome complicado para definir a época em que o Universo deixou de ser opaco e a luz passou a circular livremente.
Se isso for confirmado, trata-se de uma ótima janela para observar as condições do cosmos numa época próxima à formação das primeiras galáxias.
O trabalho foi publicado na última edição da prestigiosa revista britânica “Nature”.

9185 – Medicina -Proteína de lagarta age contra vírus do sarampo e H1N1


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Pesquisa FAPESP

Mais da metade de todas as espécies animais conhecidas são insetos. Mas como espécies com um sistema imune tão pouco desenvolvido – principalmente se comparado aos mamíferos – evoluíram ao longo de 350 milhões de anos e sobrevivem hoje nos mais diversos ambientes do planeta, até nos mais hostis?

Estudos indicam que o segredo está em substâncias presentes na hemolinfa, o fluido que exerce a função de sangue nos insetos. Trata-se, no geral, de substâncias que, nesses animais, têm a capacidade de combater vírus, bactérias e fungos. Tem, portanto, potencial para reduzir a ação dos microrganismos em humanos. Conhecer essas substâncias e seu mecanismo de ação é um grande passo para o desenvolvimento de medicamentos.
Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, têm identificado substâncias promissoras em lagartas. “Há muito se produz substâncias antivirais originárias de organismos e produtos animais ou vegetais, como ouriço-do-mar e própolis. Mas pouco se investiga em insetos, e menos ainda em lagartas”, disse à Agência FAPESP o virologista Ronaldo Zucatelli Mendonça, responsável pela pesquisa “Bioprospecção de proteínas de interesse farmacológico e biotecnológico na hemolinfa de lagartas da família Megalopygidae”, que conta com apoio da FAPESP.
A equipe de Mendonça encontrou substâncias de alta potência antiviral em lagartas da família Megalopygidae. “Ainda não sabemos exatamente a composição química dessa substância”, disse. “No entanto, ela já demonstrou ter ação inequívoca: tornou 2 mil vezes menor a replicação do picornavírus (parente do vírus da poliomielite) e 750 vezes menor a do vírus do sarampo, além de ter neutralizado o vírus da influenza H1N1.”
Segundo o coordenador da pesquisa, esses dados são preliminares. “Até a conclusão do trabalho, podemos chegar a uma redução ainda maior”, disse.
O estudo com a Megalopygidae dá sequência a uma pesquisa anterior, na qual a equipe isolou e purificou uma proteína em outra lagarta, da família Saturniidae, a Lonomia obliqua.
A proteína encontrada na Lonomia tornou a replicação do vírus da herpes 1 milhão de vezes menor e a replicação do vírus da rubéola, 10 mil vezes menor. O trabalho foi publicado na revista Antiviral Research, em 2012.
As duas pesquisas, sobre a Lonomia e sobre as lagartas da família Megalopygidae, têm foco em substâncias que apresentam duas propriedades específicas: ação apoptótica e antiviral. A primeira promove a apoptose (morte celular programada ou desencadeada para eliminar de forma rápida células desnecessárias ou danificadas), um processo importante no mecanismo para controle do câncer. O foco atual da pesquisa com as lagartas Megalopygidae é sua ação antiviral.
As proteínas em estudo são produzidas pela tecnologia de DNA recombinante. O gene codificador da proteína é extraído da hemolinfa, clonado em um baculovírus (vírus que ataca insetos). Depois, é replicado em células de insetos, que, por sua vez, produzem as proteínas de defesa (as chamadas proteínas recombinantes) em grande quantidade.

“A principal vantagem em produzir a proteína recombinante é que isso torna possível a extração da substância de maneira mais simples e em maior escala”, comentou Mendonça. “Antes de chegar à indústria, porém, é preciso verificar sua ação em organismos, em testes in vivo, e avaliar sua viabilidade econômica”.
As lagartas estudadas pela equipe estão entre as taturanas urticantes que fazem mal ao homem. Suas cerdas liberam veneno capaz de levar à morte. A escolha delas para as duas pesquisas se deveu ao acúmulo de centenas de carcaças desses insetos no Instituto Butantan, que sobram depois da retirada do veneno para a produção de soro contra queimaduras. É dessas carcaças que é retirada a hemolinfa, de onde se extrai o gene codificante das substâncias de defesa.
A família Megalopygidae engloba mais de 200 espécies, entre elas a Megalopyge lanata e a Megalopyge albicollis.
Os estudos com a Lonomia e com as lagartas da família Megalopygidae constituem uma porta para outras pesquisas de grande relevância. “O Brasil tem uma megabiodiversidade em insetos. E todos podem ter substâncias desse tipo, de ação até maior do que as encontradas até agora”, disse o pesquisador, que realizou três pós-doutorados com bolsa FAPESP, dois em Portugal e um no México.

9184 – Geologia – A última grande alta do Atlântico


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Ao passar pela região da atual Porto Seguro, sul da Bahia, a bordo da nau capitânia comandada por Pedro Álvares Cabral, Pero Vaz de Caminha se espantou com o tamanho do litoral da ilha de Vera Cruz, primeiro nome dado ao Brasil recém-descoberto, e registrou também a presença de vistosas escarpas na praia, quase lambendo o Atlântico: “[Esta terra] Traz ao longo do mar, em algumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas e delas brancas, e a terra, por cima, toda chã e muito cheia de grandes arvoredos”.
O escrivão português mirava um trecho do que hoje se denomina Formação Barreiras, constituída por camadas de areia e argila geralmente de algumas dezenas de metros de espessura que se estende por mais de 5 mil quilômetros ao longo da costa nacional, do Amapá até o Rio de Janeiro.
Para os geólogos, essas falésias, que fazem parte da primeira unidade geológica descrita no país, contam uma história muito mais antiga do que a saga do descobrimento. São testemunhas da última grande elevação do nível do Atlântico registrada em trechos da costa brasileira, especificamente no Norte e Nordeste, entre 25 e 16 milhões de anos atrás, final da época chamada Oligoceno e meio do Mioceno.
Grande parte dessas falésias se formou pela ação de correntes de maré ao longo da costa que arrastaram sedimentos continente adentro devido a esse aumento significativo do nível do mar. Segundo alguns estudos, os oceanos, durante o Mioceno, teriam subido até 180 metros em certos pontos do planeta em relação ao seu nível atual. No Brasil, a elevação média foi mais modesta, geralmente da ordem de 60 metros, com picos de até 140 metros na costa de Sergipe e Alagoas, de acordo com um amplo estudo sobre a Formação Barreiras publicado na edição de agosto da revista científica Earth-Science Reviews.
Mas esse talvez não seja o dado mais surpreendente revelado pelo artigo, assinado por três geólogos brasileiros. Segundo o trabalho, após esse período marcado por momentos de alta do oceano Atlântico em setores da costa do Norte e do Nordeste entre 25 e 16 milhões de anos atrás, o nível do mar ao longo do litoral do país passou por uma fase de baixa entre 15 e 10 milhões de anos atrás.
Paradoxalmente, essa queda no nível do Atlântico na costa brasileira ocorreu ao mesmo tempo que o nível dos oceanos atingiu sua subida máxima em outras partes do planeta. Por que o período de alta do Atlântico no Norte e no Nordeste não bate com o de elevação dos oceanos em todo o globo?
“Provavelmente, isso se deveu a movimentações de terreno provocadas pela atividade tectônica em trechos da costa brasileira”, diz a geóloga Dilce de Fátima Rossetti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espacias (Inpe), primeira autora do artigo, que estuda a Formação Barreiras há mais de duas décadas.
De acordo com os dados dos geólogos, o solo em muitas partes da costa brasileira teria afundado algumas dezenas de metros entre 25 e 16 milhões de anos atrás em razão de tectonismos. Embora, nesse período, os oceanos ainda não tivessem atingido seu pico de alta global, o rebaixamento do relevo em trechos do litoral do Norte e do Nordeste abriu caminho para a entrada no continente de material vindo do mar: criou bacias propícias para receber e armazenar sedimentos trazidos pelo Atlântico.
Dessa forma, a subida do nível do oceano em trechos da costa brasileira resultou na deposição de sedimentos que deram origem à Formação Barreiras e também à Formação Pirabas, esta última ligeiramente mais antiga e de menor extensão.
Entre 15 e 10 milhões de anos atrás, quando houve o pico de elevação global do nível dos oceanos, a atividade sísmica teria produzido justamente o efeito contrário sobre o relevo da costa brasileira. “Nesse período, o terreno se estabilizou ou até soergueu. Isso teria compensado o aumento do nível do mar global, que não conseguiu deixar nenhum registro sedimentar sobre essa região”, explica Dilce. “Nesse momento, uma ampla faixa do litoral do Norte e Nordeste do Brasil, que então se encontrava coberta pelo mar, emergiu, ficou exposta à erosão e se tornou um lugar favorável ao crescimento de vegetação.”
A hipótese dos pesquisadores se baseia numa constatação que ganhou força nas duas últimas décadas. Diferentemente do que sempre se acreditou, a costa brasileira não está situada numa região geológica totalmente estável. Embora todo o território nacional esteja assentado no meio da placa tectônica Sul-Americana, característica que o torna livre de grandes terremotos, a ocorrência de abalos sísmicos de nível médio e de alterações relevantes na altitude dos terrenos se dá com certa frequência.
“A topografia é dinâmica”, afirma o geólogo Francisco Hilário Rego Bezerra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), outro autor do artigo. “Nossa costa era considerada estável, mas nosso trabalho mostra que não é bem assim. Existem evidências da presença de muitas falhas tectônicas nessa região e de que elas foram reativadas no Mioceno. Na verdade, há evidências de que ainda devem estar ativas até hoje.”
De forma simplificada, três grandes fatores podem influenciar a altura do mar num trecho da costa: o nível global de todos os oceanos; a estabilidade local do terreno (se ele está afundando ou levantando por causa de movimentos tectônicos); e a ocorrência de processos erosivos, que desgastam a superfície, ou de deposição de sedimentos, que acrescentam camadas ao solo.

De acordo com a intensidade de cada fator, a tendência global de aumento (ou redução) do nível do mar pode ser amplificada, mitigada ou mesmo anulada numa escala local ou regional. Parece contraditório, mas não é. Devido à interação desses fatores, o mar pode subir apenas em um ou em alguns pontos de uma costa, como no caso do Norte e do Nordeste durante o Mioceno, enquanto ocorre uma queda ou estabilização no nível dos oceanos na maior parte do planeta. “Os continentes não se mantêm fixos no plano vertical”, explica José Dominguez, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), outro autor do estudo, especialista em geologia marinha. “Eles estão sempre se deslocando.”
A borda leste da América do Sul está associada a um cenário geologicamente mais calmo e estável do que a oeste. Moldada durante o Mioceno pela subida dos Andes, fruto do choque das placas tectônicas Nazca e Antártica com a margem ocidental da placa Sul-Americana, a costa do Pacífico é até hoje frequentemente sacudida por movimentos tectônicos de forte intensidade. “Os Andes subiram aproximadamente 4 quilômetros durante o Mioceno”, diz Dilce, cujos estudos são parcialmente financiados pela FAPESP.
O último grande evento que moldou o relevo da região foi a separação da América do Sul do continente africano, iniciada há mais de 100 milhões de anos. A fratura que separou os dois blocos de terra foi preenchida pelas águas do Atlântico. Mas, como sugerem as pesquisas do trio de geólogos, isso não quer dizer que, desde então, não houve tremores e movimentações de terra ao longo da costa brasileira.

9179 – Anatomia – Os Rins


rim

São 2. Cada um dos dois órgãos excretores, em forma de feijão (tendo no ser humano, aproximadamente 11 cm de comprimento, 5 cm de largura e 3 cm de espessura). É o principal órgão do sistema excretor e osmoregulador dos vertebrados. Os rins filtram produtos do metabolismo de aminoácidos (especialmente uréia) do sangue, e os excretam, com água, na urina; a urina sai dos rins através dos ureteres, para a bexiga.
Em humanos, os rins estão localizados na região posterior do abdomen, atrás do peritoneo, motivo pelo qual são chamados de órgãos retroperitoneais. Existe um rim em cada lado da coluna; o direito encontra-se logo abaixo do fígado e o esquerdo abaixo do baço. Em cima de cada rim encontramos a glândula suprarrenal.
Os rins estão, aproximadamente no mesmo nível que as vértebras T12 a L3, sendo que o rim direito localiza-se um pouco mais inferiormente que o esquerdo. O pólo superior de cada rim está encostado na décima primeira e décima segunda costelas e ambos encontram-se envoltos por um coxim de gordura, com finalidade de proteção mecânica.
Os rins são duas glândulas da cor vermelha escura colocadas simetricamente ao lado da coluna vertebral, na região lombar. Medem 10cm de largura e pesam cerca de 150gr cada um. O peritoneo membrana serosa que cobre a superficie superior do abdómen, prende-os fortemente contra a parede abdominal. A extremidade supérior de cada rim é coberta por uma glândula edócrina, a glândula suprarrenal.
No adulto o rim tem cerca de 11 a 13 cm de comprimento, 5 a 7,5 cm de largura, 2,5 a 3 cm de espessura, com aproximadamente 125 a 170 gramas no homem e 115 a 155 gramas na mulher.
Cada rim possui a forma de um grão de feijão com duas faces (anterior e posterior), duas bordas (medial e lateral) e dois pólos ou extremidades (superior e inferior). Na borda medial encontra-se o hilo, por onde passam o ureter, artéria e veia renal, linfáticos e nervos. Os rins estão envolvidos em toda sua superfície por um tecido fibroso fino chamado cápsula renal. Ao redor do rim existe um acúmulo de tecido adiposo chamado gordura perirrenal, que por sua vez está envolvida por uma condensação de tecido conjuntivo, representando a fáscia de Gerota ou fáscia renal.
Ao corte frontal, que divide o rim em duas partes, é possível reconhecer o córtex renal, uma camada mais externa e pálida, e a medula renal, uma camada mais interna e escura. O córtex emite projeções para a medula denominadas colunas renais, que separam porções cônicas da medula chamadas pirâmides.
As pirâmides têm bases voltadas para o córtex e ápices voltados para a medula, sendo que seus ápices são denominados papilas renais. É na papila que desembocam os ductos coletores pelos quais a urina escoa atingindo a pelve renal e o ureter. A pelve é a extremidade dilatada do ureter e está dividida em dois ou três tubos chamados cálices maiores, os quais subdividem-se em um número variado de cálices menores. Cada cálice menor apresenta um encaixe em forma de taça com a papila renal.
Os rins são supridos pela artéria renal, que se origina da aorta. A artéria renal divide-se no hilo em um ramo anterior e um ramo posterior. Estes, dividem-se em várias artérias segmentares que irão irrigar vários segmentos do rim. Essas artérias, por sua vez, dão origem às artérias interlobares, que na junção cortiço-medular dividem-se para formar as artérias arqueadas e posteriormente as artérias interlobulares. Dessas artérias surgem as arteríolas aferentes, as quais sofrem divisão formando os capilares dos glomérulos, que em seguida, confluem-se para formar a arteríola eferente. A arteríola eferente dá origem aos capilares peritubulares a às arteríolas retas, responsáveis pelo suprimento arterial da medula renal.
A drenagem venosa costuma seguir paralelamente o trajeto do sistema arterial. O sangue do córtex drena para as veias arqueadas e destas para as veias interlobares, segmentares, veia renal e finalmente veia cava inferior.
No córtex há numerosos linfáticos que drenam para a cápsula ou junção córtico-medular. Na medula, os linfáticos correm do ápice das pirâmides para a junção córtico-medular, onde formam linfáticos arqueados que acompanham os vasos sanguíneos até o hilo para drenar em linfonodos para-aórticos.

Hiperaldosteronismo primário é caracterizado pelo excesso de produção de aldosterona pela suprarrenal. Leva a hipertensão arterial associada a hipocaliémia, esta é normalmente uma pista para o diagnóstico. O síndrome de Conn é uma exemplo desta patologia, em que há um processo neoplásico (adenoma) produtor de aldosterona, localizado na suprarrenal.
Hiperaldosteronismo secundário é caracterizada pela grande actividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona e que leva à produção de grande quantidade de aldostero.
A consequência mais grave do hiperaldosteronismo é a hipertensão arterial, que embora possa passar despercebida ocasionalmente, noutros casos é evidenciada por sintomas característicos: dor de cabeça, palpitações, náuseas e tonturas. Caso a hipertensão seja muito intensa e não seja corrigida com o tratamento adequado, pode provocar, a longo prazo, insuficiência cardíaca e acidentes vasculares cerebrais. Como a aldosterona promove a eliminação de potássio através da urina, é igualmente frequente o aparecimento de sintomas que indicam uma redução da concentração de potássio no sangue, sobretudo alterações neurológicas, bem como parestesia (formigueiros), debilidade muscular e paralisia.
Dependendo da causa e outros factores, o hiperaldosteronismo pode ser tratado cirurgicamente e/ou medicamente por antagonistas de aldosterona.

9178 – Desertificação – Seca na África


Pegadas no deserto
Pegadas no deserto

Em 1974, após uma prolongada seca na região da África, conhecida como Sahel, uma terra árida no sul do Saara, a ONU convocara uma conferência mundial sobre a desertificação. Reuniram-se em Nairobi, no Quênia, para estudar medidas que evitassem a expansão dos desertos.
O Brasil, segundo dados de 1983 da ONU, tinha cerca de 780 Km² de áreas desertificadas concentradas, principalmente no nordeste, onde viviam mais de 10 milhões de pessoas. Em menos de um século destruíram-se 81% da cobertura florestal do Estado de São Paulo. O Pontal do Paranapanema, na divisa com o Mato Grosso, com mais de 1500 km² de área verde em 1950, está totalmente devastado.

9176 – Ecologia & Biodiversidade – Animais em extinção no Brasil


Com o constante aumento na demanda mundial por matéria prima, alimentos e energia, é inevitável a perda de florestas. Isso causa desaparecimento de espécies, o que é muito preocupante para o ecossistema brasileiro. Hoje o país enfrenta um enorme desafio na conservação da biodiversidade, mas apresenta também enormes oportunidades.
Pesquisas indicam que o Brasil abriga mais de 20% de todas as espécies já conhecidas pela ciência, além de aproximadamente 40% das florestas tropicais remanescentes no mundo. Assim sendo, é essencial e urgente conhecer, conservar e promover o uso sustentável.

Onça, a pantera pintada, é brasileira.
Onça, a pantera pintada, é brasileira.

Além do crescimento dos fatores citados anteriormente, existem outros responsáveis pelo aumento do processo de extinção, como colecionadores, lojas de animais (pet shops), zoológicos e exploradores. Depois disso a perda do habitat com degradação ambiental, catástrofes naturais, incêndios florestais, extrativismo desordenado, poluição, tráfico de animais (a segunda maior ameaça a fauna silvestre brasileira). O tráfico de animais constitui o terceiro maior comercio ilícito do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e armas.
Atualmente, existem mais de 627 animais em extinção no Brasil. Em 2012, o Instituto Chico Mendes, do Ministério do Meio Ambiente, e a Organização Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), lançaram o Livro Vermelho das Espécies Ameaçadas, onde listam detalhadamente cada espécie em extinção com sua localização e nível de perigo. Veja alguns exemplos: ararinha, arara-azul, Cachorro-vinagre, Cervo do Pantanal, jaguatirica, Lobo-guará, Muriqui, Mico-leão-dourado, Onça-pintada, Tamanduá-bandeira, Tatú-canastra, Veado-campeiro, entre outros.

A brsileirissima ariranha também corre risco
A brsileirissima ariranha também corre risco

A revista cientifica Nature, no ano 2000, divulgou a existência de 25 áreas da biodiversidade mundial que devem receber atenção urgente, pois são regiões que concentram maior número de animais que caminham para extinção. No Brasil, a revista destacou os Biomas Mata Atlântica e Cerrado.

Nós podemos ter atitudes ajudam no combate à extinção de animais, mesmo estando longe deles. Uma forma é denunciar aos órgãos competentes qualquer tipo de agressão ao meio ambiente como desmatamento, queimadas e tráfico de animais.
Não compre nenhum tipo de artesanato nem vestuário que tenha alguma parte retirada de animais como penas, couro, etc.
Oriente amigos e parentes que tenham o hábito de manter animais silvestres presos em gaiolas a soltá-los ou entrega-los aos órgãos competentes.
Denuncie sempre que perceber ações de maus tratos e manutenção de animais em cativeiro.

9170 – Armas Químicas – Cronologia do uso


1675
A aversão ao emprego de agentes químicos nos campos de batalha atravessa os séculos. Já na Antiguidade, gregos e romanos consideravam o uso de veneno indigno. O primeiro tratado conhecido para bani-los dos campos de batalha é de 1675. Foi assinado em Strasbourg, na Alsácia, por franceses e alemães, vetando o uso de balas envenenadas.

1874
Declaração de Bruxelas, assinada por 14 estados europeus mas nunca ratificada, bane o uso de venenos, gases tóxicos e armas que causem sofrimento desnecessário.

1899
Conferência de Haia veta o uso de arsenal tóxico – especificamente, projéteis que liberem gases asfixiantes.

1914
Em agosto, primeiro mês da Guerra Mundial I, a França usa granadas de gás lacrimogêneo. Em outubro, a Alemanha lança contra os britânicos 3 mil bombas com gás clorídrico, agente químico que ataca as vias respiratórias, causando asfixia.

1915
O químico Fritz Haber, que ganharia o Nobel em 1919 por sintetizar amônia, sugere aos alemães o uso de gás clorídrico, não por meio de bombas, mas em cilindros pressurizados, que deveriam ser abertos conforme o vento se mostrasse favorável. A proposta é colocada em ação em Ypres, Bélgica. O ataque é desfechado após uma espera de três semanas por condições atmosféricas favoráveis. As 168 toneladas do agente químico formam um nuvem sobre as linhas inimigas, queimando os olhos, a garganta e os pulmões, causando cegueira, tosse, náusea, dor de cabeça e dor no peito. Mais de 600 soldados franceses e argelinos agonizam até a morte. A mulher de Haber, que também era química, se revolta com o ataque, confronta o químico e acaba se matando com a arma dele. Ainda em 1915, os britânicos tentam a mesma estratégia, mas o vento muda de duração na hora do ataque, que acaba matando mais britânicos que alemães.

1917
Os alemães, de novo na Bélgica, começam a usar o gás mostarda, que havia sido sintetizado pela primeira vez em 1860. Além dos pulmões, este agente ataca também a pele, causando severas queimaduras e bolhas, seguidas de infecções. Em 1918, os aliados começam a retaliar os alemães com ataques do mesmo gás.

1918
Balanço da Guerra Mundial I: mais de 124 mil toneladas de 21 agentes tóxicos diferentes fizeram 1 milhão de baixas, com 90 mil mortes.

1925
Protocolo de Genebra: a Liga das Nações proíbe o emprego de gases venenosos ou asfixiantes e armas bacteriológicas. Nos dez anos seguintes, o tratado seria ratificado por 40 países, incluindo todas as potências, menos Estados Unidos e Japão.

1935
A Itália de Benito Mussolini ataca a Abissínia (atual Etiópia) com gás mostarda.

1936
O químico Gerhard Schrader, do departamento de inseticidas da alemã IG Farben, então a maior corporação do mundo, descobre acidentalmente um agente químico muito mais letal e difícil de detectar que o gás mostarda – porque não irritava os olhos ou os pulmões, e sim o sistema nervoso. Seu efeito é tão poderoso que ele é batizado Tabun, de tabu. Começava então a era dos agentes químicos nervosos.

1938
O gás Sarin é descoberto na Alemanha.

1941
Apesar dos estoques de Sarin e Tabun, a Alemanha não chega a usá-los nos campos de batalha da Guerra Mundial II, por superestimar o arsenal inimigo e temer uma reação na mesma moeda. Mas os nazistas usam em larga escala o infame Zyklon B, nos campos de concentração, para o extermínio de judeus. A primeira carga de Zyklon B chegou a Auschwitz em 1941.

1957
Nos anos 1950, uma nova geração de gases dos nervos é desenvolvida: cerca de 50 agentes da chamada família V, dos quais o VX é selecionado para abastecer o arsenal americano. O VX é três vezes mais forte que o Sarin quando inalado e 1000 vezes mais quando em contato com a pele. Um litro de VX, teoricamente, pode matar 1 milhão de pessoas.

1963
Os russos produzem o R33, uma variante do VX.

1963
O Egito de Gamal Nasser inicia ataques químicos com gás mostarda e fosgênio em intervenção militar após um golpe militar no Iêmen. Em 1967, derrotado no front israelense, o Egito se retira do Iêmen.

1983
Na guerra contra o Irã, o Iraque de Saddam Hussein inicia ataques com gás mostarda.

1988
Saddam Hussein perpetra contra a população curda de seu próprio território o mais devastador ataque químico. Uma única operação com gás Sarin mata de 2 a 5 mil pessoas.

1991
Na Guerra do Golfo, o Iraque é alertado pelos EUA que o país daria a ‘mais forte resposta’ em caso de um ataque químico. Saddam interpreta o recado como uma ameaça de bomba atômica e não usa seu arsenal de agentes tóxicos. A coalizão liderada pelos americanos destrói fábricas de armas químicas. Cinco anos depois, descobre-se que os bombardeios liberaram plumas tóxicas que o vento carregou por mais de 500 quilômetros.

1993
Em Paris, a Convenção de Armas Químicas amplia o escopo do Protocolo de Genebra, proibindo, além do emprego de arsenal tóxico, seu desenvolvimento, estocagem e transferência. O acordo já foi ratificado por 189 países (o Brasil aderiu em 1970). A Síria de Bashar Assad é uma das poucas exceções, assim como a Coreia do Norte e o Egito.

1995
Um ataque com gás Sarin ao metrô de Tóquio, empreendido pelos fanáticos da seita Aum Shinrikyo, mata 12 pessoas.

2002
Forças de segurança russas usam gás narcótico contra rebeldes chechenos que mantinham havia três dias centenas de reféns em um teatro em Moscou. Morrem 129 reféns, dos quais 127 por efeito do gás. Nem em face da agonia das vítimas a Rússia revela o agente químico usado no ataque aos rebeldes.

2003
Os Estados Unidos invadem o Iraque, alegando que o país tinha reerguido seu complexo de armas químicas, possuindo de 100 a 500 toneladas de agentes tóxicos, o que se mostraria falso.

2004
A Líbia de Muamar Kadafi renuncia a seu arsenal químico e obtém incentivo para transformar sua fábrica de Rabta em um complexo farmacêutico.

2013
Morreram mais de 1.400 pessoas na Síria sob aparente efeito de gases tóxicos, provavelmente Sarin. O governo americano responsabiliza o ditador Bashar Assad pelo ataque, e Barack Obama se diz decidido a lançar uma ofensiva contra o regime de Damasco.

9169 – Astrofísica – Os detectores de ondas gravitacionais


Em 1974 foi descoberto um pulsar binário que perdia energia mais rápido do que o previsto. Segundo os pesquisadores que estudam o fenômeno, esta perda de energia adicional seria devido às ondas gravitacionais geradas pelo sistema. Um pulsar é um tipo de estrela que no fim de sua vida transforma-se em uma estrela de nêutrons e emite grande quantidade de radiação. Já um pulsar binário é um sistema de dois pulsares que orbitam um ao redor do outro.
Para entendermos como são formadas essas ondas gravitacionais, imagine que uma pedra caísse dentro de um tranquilo lago. Isto produziria ondas que se propagariam até as margens.
De forma análoga, o pulsar binário perturba o espaço-tempo à sua volta como a pedra perturba o líquido. As ondas gravitacionais produzidas, embora extremamente fracas, poderiam de alguma forma ser detectadas por um astrônomo com os equipamentos certos. Atualmente cientistas do mundo inteiro estão se mobilizando para detectar estas ondulações através de diferentes tipos de detectores de ondas gravitacionais.
Mais do que compreender um fenômeno astronômico, o conhecimento a respeito das ondas gravitacionais pode contribuir para unificação de todas as teorias a respeito das forças fundamentais em uma única Teoria que aborde todas as forças do Universo! Isto porque, conhecemos muito bem as forças eletromagnética, nuclear forte e nuclear fraca, bem como as partículas responsáveis pela sua propagação. Também já somos capazes de unificar estas forças em uma única Teoria, a Teoria Quântica de Campos.
Porém ainda não há comprovação experimental de diversos aspectos da gravitação e a forma com que ela se propaga. Isto ocorre devido as dificuldades experimentais de estudar fenômenos gravitacionais e as partículas envolvidas, os grávitons.
Uma forma de estudar estes fenômenos extremos é a detecção de ondas gravitacionais. Elas não possuem comprovação experimental direta, e por isso há uma corrida entre físicos e astrônomos de diversas partes do mundo buscando sua detecção. Algumas das equipes que participam deste esforço são brasileiras.
A grande dificuldade em detectar ondas gravitacionais está na minúscula influência que elas teriam sobre a nossa região do espaço. O pulsar mais próximo da Terra fica a 500 anos luz de distância. Isto é tão longe que a luz (ou uma onda gravitacional, que se propaga na mesma velocidade dos fótons no vácuo) levaria 500 anos para chegar até a Terra. A intensidade destas ondas decresce muito rápido conforme se afastam da fonte. Em nosso planeta, é necessário utilizar engenhosos artifícios para separar o efeito de uma onda gravitacional de vibrações sísmicas ou de outras ondas gravitacionais originadas em outras regiões do Universo.
Alguns experimentos importantes para estudar ondas gravitacionais são o americano aLIGO (Advanced Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory, ou Observatório Avançado de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser) e o detector brasileiro Mario Schenberg, em operação no Instituto de Física da USP, em São Paulo.

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O aLIGO, como o nome descreve, utiliza um interferômetro laser gigante e de altíssima precisão para medir qualquer variação que possa ser associada a ondas gravitacionais. Um interferômetro é um dispositivo que compara dois feixes de luz laser provenientes de direções diferentes e assim são capazes de determinar oscilações mínimas nos feixes. No caso do observatório de ondas gravitacionais americano, mínimas alterações nos espelhos do interferômetro separados por um kilômetro de distância poderão ser detectadas e estudadas.
Semelhante ao aLIGO, o interferômetro VIRGO está instalado no EGO (European Gravitational Observatory ou Observatório Gravitacional Europeu) em Cascina, na Itália.
Já o detector Mário Shenberg é composto por uma esfera metálica de mais de uma tonelada, resfriada a alguns centésimos acima do zero absoluto. A essa temperatura é possível estudar as variações da esfera sem a influência da agitação das moléculas pelo calor.
Em um esforço internacional, os cientistas pretendem lançar ao espaço o interferômetro LISA (Laser Interferometer Space Antenna ou Antena Interferômetro Laser Espacial). Este interferômetro seria montado no espaço a partir de 3 naves que juntas formariam um triângulo equilátero cujo lado mediria centenas de quilômetros.
A exemplo da radioastronomia, pesquisadores acreditam que a detecção de ondas gravitacionais irá inaugurar um novo campo de pesquisas espaciais, a astronomia gravitacional.

9168 – Mega Techs – Firmware de Máquinas Fotográficas


Firmware

É um software, ou um conjunto de softwares, que vêm armazenados na memória do equipamento desde a fábrica, e que contém instruções e comandos para controlar determinado aparelho ou equipamento, como por exemplo, uma câmera fotográfica.
A câmera fotográfica é controlada por um programa, que é um firmware, e este programa influencia diretamente na performance do equipamento, de forma que podemos comparar a atualização de um firmware com a aquisição de um equipamento semelhante completamente novo, com nova capacidade e problemas anteriores resolvidos.
Para quem possui algum tipo de equipamento com firmware, aconselha-se que haja um acompanhamento através da página do fabricante, em busca de estar informado para o caso de haver alguma atualização disponível para o firmware. Estas atualizações são necessárias pois geralmente as novas versões vêm com problemas anteriores resolvidos, sendo sempre útil a nova versão. A lógica é que o firmware só vai estar amadurecido após algumas novas versões.
Os problemas podem aparecer desde a função de filmar da câmera até a gravação de arquivos nos cartões. Outros equipamentos também podem apresentar problemas “de fábrica”, que serão resolvidos com a atualização do firmware. Esta atualização, embora muito simples, deve ser feita da forma correta; o melhor é pedir ajuda a uma assistência técnica, assim haverá a segurança de que a atualização foi feita da forma correta.
Cada programa contido no firmware possui sua função específica. Vejamos alguns dos principais componentes do firmware:

SISTEMA BÁSICO DE ENTRADA E SAÍDA (BIOS) – existe no computador e serve para instruir ao processador como ele deverá operar com dispositivos como o HD e o leitor de DVD.
SETUP – na câmera fotográfica, é o programa responsável para alterar os parâmetros da memória de configuração (CMOS). Permite ao usuário fazer algumas alterações nas configurações determinadas pela BIOS.
CMOS – também chamada de memória de configuração, é ela que armazena as configurações e manipulações feitas pelo SETUP.
Enfim, pode-se resumir firmware como o conjuntos de instruções (programas / softwares) operacionais, que são programadas no hardware dos equipamentos eletrônicos, permitindo o funcionamento do aparelho de forma correta, ou exigindo, para melhor funcionamento, uma atualização.

9167 – As Aberrações Ópticas


Quando Johann Carl Friedrich Gauss (1777-1855) estudou os fundamentos da óptica geométrica ele definiu que na formação de imagens, os pontos do objeto correspondem aos pontos da imagem, retas correspondem a retas na imagem, e planos no objeto correspondem a planos na imagem. Para que isso ocorra, é necessário que a abertura dos sistemas ópticos assumam valores muito pequenos. No entanto, o próprio Gauss notou diferenças entre objetos e imagens nos sistemas ópticos experimentais, mesmo considerando pequenos intervalos de abertura. Estas diferenças são conhecidas como aberrações ópticas. Estas aberrações não ocorrem devido a erros de construção dos equipamentos, mas devido a forma geométrica e características dos meios que formam o sistema.
As aberrações ópticas podem ser classificadas como cromáticas ou monocromáticas.

Aberrações monocromáticas
Também conhecidas como aberrações geométricas, as aberrações cromáticas provocam mudanças relacionadas a forma da imagem. Elas podem ser esféricas, coma, astigmatismo, curvatura de campo e distorção.

Aberrações esféricas
Considerando um feixe de raios de luz monocromática paralelas que atravessam uma lente convergente paralelamente ao seu eixo, os raios mais próximos ao eixo e os raios mais distantes serão refratados entre dois pontos A e B, conforme a figura:

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Como podemos observar na figura, os raios que emergem da lente não passam todos pelo mesmo ponto, mas ficam distribuído entre os pontos A e B. Envolvendo os raios que emergem da lente até o ponto A, obtemos a forma de um funil, conhecido como cáustica de reflexão. O ponto A é conhecido como foco paraxial e o ponto B é chamado foco marginal. Se, entre estes pontos, posicionarmos um anteparo em um plano perpendicular ao eixo da lente, veremos círculos que ficam menores quanto mais o aproximarmos do ponto A. O ponto onde a imagem aparece com maior clareza é conhecido como ponto de mínima confusão.

As lentes convergentes e divergentes possuem aberrações de sentidos opostos, por isso uma das formas de corrigir as aberrações esféricas é combinar lentes convergentes e divergentes. Sistema aplanético é o nome dado a um sistema óptico com a aberração esférica corrigida.

Aberrações coma
Quando o ponto luminoso encontra-se fora do eixo da lente, surge a aberração coma. Ela possui esse nome porque se envolvermos os raios emergentes no trecho entre os focos paraxial e marginal, obtemos uma forma semelhante a um cometa. A coma aumenta conforme a abertura e a inclinação dos raios de luz, por isso esta aberração pode aparecer em qualquer sistema óptico. A correção é feita por métodos parecidos com os utilizados para corrigir aberrações esféricas.
A utilização do diafragma, aparelho que limita a abertura do sistema ótico, também ajuda a evitar o aparecimento do coma.

9166 – Curiosidades – Por que a pressão do pneu de bicicleta é maior que a do pneu de trator?


O pneu de bicicleta tem área menor. E, segundo uma lei da Física, quanto menor a área. maior é a pressão (pressão = força sobre área). Um pneu do tipo utilizado nas bicicletas de corrida, com 10 marchas, por exemplo, precisa de 5600 a 6300 gramas por centímetro quadrado (80 a 90 libras por polegada quadrada) para manter a rigidez, enquanto um trator consegue o mesmo resultado com uma pressão entre 700 e 1400 gramas por centímetro quadrado (10 e 20 polegadas por centímetro quadrado).

9164 – Bandeirantismo – Quem foi Borba Gato?


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Manuel de Borba Gato (1649 — 1718) foi um bandeirante paulista. Borba Gato iniciou as suas atividades com o sogro, Fernão Dias Pais. Quando faleceu, em 1718, com quase 70 anos de idade, ocupava o cargo de Juiz Ordinário da vila de Sabará. Ignora-se onde foi sepultado, talvez na Capela de Santo Antônio ou na Capela de Santana, ambas do arraial velho de Sabará, ou ainda, segundo alguns autores, em Paraopeba onde tinha um sítio. Além de descobridor de minas, foi hábil administrador no fim da vida.
A irmã de Borba, Ana Borba, casou com Pedro Correia de Godói, e foram povoadores da região do ribeirão de São Miguel do Carmo. Na crise de 1702 instalaram-se à margem do rio de Miguel Garcia, sitio dito do Gualacho (corruptela de Iguarachue ou “poço do carumbé quebrado” – o carumbé era uma espécie de tartaruga: comida pelos indígenas, estes quebravam as suas cascas e as depositavam num poço cercado).
A pedido do Governador Geral do Estado do Brasil, Afonso Furtado de Castro do Rio de Mendonça (1671-1675), Fernão Dias Paes realizou de 1674 a 1681, uma bandeira em busca da mítica serra do Sabarabuçu, jazida de esmeraldas e de prata. Borba Gato, extraordinário desbravador de sertões, o acompanhou, assim como Matias Cardoso de Almeida e outros bandeirantes.
Após a morte do sogro, por ocasião da ida do administrador-geral das Minas, D. Rodrigo de Castelo Branco à região das Minas Gerais, desentendeu-se com o fidalgo, parece que o emboscou e assassinou no caminho que levava ao arraial do Sumidouro, em 28 de agosto de 1682. Pelo crime, como era costume, evadiu-se – era castigo bastante naqueles tempos. Fugiu para a região desconhecida ainda do Vale do rio Doce, onde se ocultou de 1682 a 1699, tendo, segundo relatos, chegado até à foz do rio Piracicaba, atual município de Ipatinga.
Borba Gato fugiu e viveu foragido muitos anos nos sertões do rio Piracicaba ou rio Doce tendo atingido a região onde estes dois rios de encontram, local em que hoje está o município de Ipatinga. Teria descoberto também o ouro do Rio das Velhas? Entre o Sumidouro e a atual Sabará, era o posto da Roça Grande, abundante de ouro… anos depois!
Tem data de 15 de outubro de 1698 carta patente com o perdão e o posto de lugar-tenente. Borba Gato. Ao encontrar com o governador Artur de Sá e Menezes que viera às minas, Borba disse-lhe que «dignando-se prometer perdão em nome do rei, ele iria patentear-lhe minas tão abundantes de ouro que seriam uma nova fonte de riqueza para a coroa e prosperidade para seus vassalos», tendo-o guiado à região do rio das Velhas. Mesmo evadido, Borba Gato nunca teria realmente perdido contacto com seus parentes em São Paulo e por eles negociou o perdão régio em troco de revelar as ricas faisqueiras descobertas nos ribeiros e serras de Sabará.
A riqueza no rio das Velhas era tal que levou Borba Gato a enviar amostras ao Governador Artur de Sá e Menezes em São Paulo, para obter ser isento da acusação em troca da revelação das jazidas. Por isso em 6 de março de 1700 receberá nomeação como «Guarda-mor do distrito das Minas do Rio das Velhas», esperando até que o Governador viesse proceder à repartição dos lotes em abril de 1701.
A Provisão Régia de 6 de março de 1700 nomeou-o Guarda-mor desse distrito do Rio das Velhas, «esperando que o governador Artur de Sá e Menezes viesse reparti-lo pessoalmente em abril de 1701. As guardas-morias eram as únicas autoridades necessárias e com razão de ser, pois nas Minas a primeira propriedade nelas constituída nenhuma outra origem teve senão a título de datas minerais. Tendo Borba Gato subido em 1699 e supondo Artur de Sá e Menezes que estivesse para o Sumidouro, arraial já existente na zona, e de fundação sua, explica-se a confusão do Rio das Velhas com o Sumidouro, nome certo e dominante naquelas paragens. Por esta e outras provisões se deduz que as minas dos Cataguases eram as da região adentro da Itaverava, únicas conhecidas; as de Miguel Garcia e do Ribeirão do Carmo.

Estátua do Borba Gato

Estátua do Borba Gato na Av. Santo Amaro, zona sul de S. Paulo
Estátua do Borba Gato na Av. Santo Amaro, zona sul de S. Paulo

Na cidade de São Paulo foi construída uma estátua em homenagem a Borba Gato. Inaugurada em 1963, na comemoração do IV Centenário de Santo Amaro, a estátua demorou seis anos para ser construída.
Foi obra do escultor Júlio Guerra, que para realizá-la utilizou trilhos de bonde para compor a estrutura de concreto, posteriormente revestida com pedras coloridas de basalto e mármore. A estátua possui dez metros de altura e pesa vinte toneladas, sendo a fase mais difícil a colocação da cabeça, que, pesando três toneladas, foi alçada por mais de dez metros de altura.
Localizada à altura 5700 da Avenida Santo Amaro, em confluência com a Avenida Adolfo Pinheiro, a estátua integra o Inventário de Obras de Arte em Logradouros Públicos da Cidade de São Paulo, mantido pelo Departamento do Patrimônio Histórico.

Anti-Homenagem
Através do concurso do MinC/IPHAN “Arte e Patrimônio 2007″, o artista Plástico João Loureiro teve oportunidade de implantar monumento em anti-homenagem ao bandeirante, baseado na estátua paulista, no município de São Miguel das Missões/RS, próximo ao sítio arqueológico da redução jesuítica de São Miguel Arcanjo. A ideia do trabalho é lembrar as capturas e massacres de índios considerados “domesticados” cometidos pelos bandeirantes na região das reduções. O trabalho consiste em um busto inclinado enterrado alguns metros abaixo do solo e enclausurado em vidro, com acesso por uma escada.

9161 – Astronomia – ‘Canhão espacial’ vai explorar subsolo de asteroide


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A agência japonesa Jaxa anunciou ter testado com sucesso uma espécie de canhão espacial que deverá retirar amostras do subsolo do asteroide “1999JU3″. O equipamento vai ser enviado ao espaço ano que vem.
Tal instrumento, uma combinação entre uma bomba e um canhão, equipará a sonda Hayabusa-2, que decolará no próximo ano para tirar amostras do asteroide em 2018 e trazê-las de volta à Terra em 2020.
Quando alcançar a órbita desejada do pequeno asteroide, a sonda Hayabusa-2 liberará este “canhão espacial” e depois ficará à espera do outro lado do asteroide. O canhão então lançará uma bala de metal sobre o asteroide para criar uma cratera na qual, posteriormente, pousará a sonda que vai recolher as amostras do subsolo.
Os cientistas da Jaxa consideram que é mais interessante analisar o subsolo que a superfície do asteroide, pois o material externa fica alterado por sua exposição permanente aos raios cósmicos.
Uma sonda similar ao Hayabusa-2 foi lançada em 2003 para tirar amostras do asteróide Itokawa, apesar de empregando uma técnica diferente.
Compreender os materiais dos corpos celestes pode ajudar, explicou Jaxa, a explicar melhor as condições de formação da Terra e a aparição da vida.

canhão espacial

9160 – Genética – ‘DNA lixo’ determina características faciais


Pesquisadores começam a descobrir como o DNA faz a sintonia fina do nosso rosto. Em experimentos com camundongos, foram identificadas milhares de regiões no genoma que agem como interruptores para muitos dos genes que codificam as características do rosto, como tamanho do nariz.
Mutações em genes já são conhecidas como causas de problemas como lábio leporino. Mas no novo estudo, pesquisadores liderados por Axel Visel, de Berkeley, Califórnia, queriam descobrir como variações vistas em rostos comuns são controladas.
Apesar de o rosto de cada pessoa ser singular, as diferenças entre eles são sutis. O que nos distingue uns dos outros é o tamanho e a posição exata do nariz, da testa ou dos lábios. Já se sabe que nosso DNA contém instruções para construir o rosto, mas não se sabia como isso acontece.
A equipe de Visel estava interessada na parte do genoma que não codifica proteínas -apelidada de “DNA lixo”- mas que responde por 98% do nosso genoma.
Em pesquisas com tecido embrionário de camundongos, nos quais as estruturas que formam a face estavam em desenvolvimento, os cientistas identificaram mais de 4.300 regiões do genoma que regulam o comportamento de genes responsáveis pelas características do nosso rosto.
Os resultados da análise foram publicados ontem na “Science”. Essas regiões ajustam o funcionamento de centenas de genes envolvidos na construção do rosto. Alguns ligam e desligam genes em diferentes partes do rosto, outros trabalham juntos para criar diferentes proporções de crânio, o tamanho do nariz ou quanto osso há em volta dos olhos.
A pesquisa ainda envolveu criar roedores alterados geneticamente para não ter três dessas regiões ativadoras dos genes. Os cientistas usaram tomografia para construir imagens 3D do crânio dos camundongos com oito semanas de idade.
Em comparação com os roedores normais, havia mudanças microscópicas no formato do rosto, mas nenhum efeito danoso.
Para o pesquisador, essas informações poderão ser usadas como ferramenta diagnóstica para médicos que possam avisar aos pais se eles têm risco de transmitir alguma mutação em particular para os filhos.
Segundo Peter Hammond, professor do Instituto de Saúde Infantil da University College London, entender como o rosto se desenvolve pode ser importante para a saúde. “Há muitas alterações genéticas nas quais o rosto é a primeira pista para o diagnóstico. Ainda que as alterações faciais não sejam graves, o problema genético pode envolver deficits intelectuais e outros efeitos. Diagnóstico é importante para os pais para reduzir o estresse por não saber o que está errado e também é importante para saber o prognóstico.”
Mas, mesmo que já fosse possível, não se sabe se “corrigir” o genoma para melhorar rostos valeria a pena. “Não acho que seria desejável nem tentar isso. Não é o que motiva o meu trabalho e acho que o de ninguém que trabalha nesse campo.

9159 – Descoberto o primeiro crustáceo venenoso


Trata-se de uma criatura que parece uma centopeia e vive em cavernas submarinas no Caribe, nas Ilhas Canárias, e na costa oeste da Austrália, e se alimenta de outros crustáceos.
A espécie cega usa um composto que derrete suas presas, semelhante ao veneno da cobra cascavel. O veneno contém um coquetel complexo de toxinas, incluindo enzimas e um agente paralisante.
A descoberta foi divulgada na publicação científica “Molecular Biology and Evolution”.
O crustáceo rompe os tecidos do corpo da presa com seu veneno e suga o líquido de seu exoesqueleto.
“Os resultados desse estudo ajudam a melhorar a nossa compreensão sobre a evolução dos venenos dos animais”, disse Jenner.
“Essa técnica de se alimentar, semelhante a de uma aranha, é única entre crustáceos. Esse veneno é claramente uma forma de adaptação para essa espécie cega que vive em cavernas pobres em nutrientes.”
O grupo dos crustáceos é bastante numeroso e faz parte do filo de animais invertebrados artrópodes. Entre os crustáceos estão o camarão, a lagosta e o caranguejo.
A maioria vive na água, mas alguns, como o oniscídea, ou tatu-bola como é conhecido popularmente, vivem na terra.
Bjoern von Reumont, também do Museu de História Natural, comentou: “Esta é a primeira vez que vimos veneno sendo usado em crustáceos, e o estudo adiciona um novo grupo importante para a lista de animais peçonhentos”.
“Venenos são especialmente comuns em três dos quatro principais grupos de artrópodes, como insetos. Crustáceos, no entanto, são uma notável exceção à regra.”
“Apesar da variedade, até hoje não se conhecia nenhuma das cerca de 70 mil espécies descritas de crustáceos como sendo venenosa.

9152 – Cinema – Gravidade


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Solta no espaço, a astronauta Ryan Stone (interpretada por Sandra Bullock) rodopia sem parar. Sozinha, sem ter onde se segurar, ela pode ficar assim para sempre — girando em órbita da Terra, como um satélite. A cena do filme Gravidade é um retrato perfeito do movimento dos corpos no espaço. A precisão científica tem sido levantada como um dos pontos altos da produção, que é a mais vista nos Estados Unidos há duas semanas e já conseguiu acumular mais de 200 milhões de dólares de bilheteria ao redor do mundo. Ainda assim, cientistas e astrônomos encontraram alguns erros e imprecisões em sua tentativa de retratar o espaço sideral.
O filme se passa em um futuro próximo, e conta a história de dois astronautas, Ryan Stone e Matt Kowalski (George Clooney), à deriva depois de sua nave ser atingida por destroços. Os movimentos de seus corpos no espaço, e sua interação com os muitos destroços à sua volta, encantou os cientistas, que viram ali um retrato fiel e bonito da mecânica dos satélites na órbita terrestre. “Ficar em órbita é estar em queda-livre perpétua. Os objetos ainda estão presos à gravidade da Terra, que os puxa para baixo, mas eles também possuem uma velocidade lateral. Assim, eles estão sempre caindo, acompanhando a curvatura do planeta — embora pareçam estar flutuando”, diz Alexandre Cherman, astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro.
A beleza dessas cenas e a perfeição com que retratam o movimento dos astronautas acabou levando a uma análise mais detalhada dos aspectos científicos do filme. E ele não passou incólume. “Não se pode pensar que se trata de um documentário. Há furos”, diz Cherman. “Mas é importante destacar que o filme acerta muito mais do que erra. E alguns dos erros são claramente propositais. Sem eles, não haveria filme”.

Como disse Neil deGrasse Tyson, diretor do Planetário Hayden, em Nova York, e um dos primeiros astrônomos a procurar — e encontrar — por falhas no filme: “O que poucas pessoas parecem reconhecer é que os cientistas não se juntam para criticar filmes como Está Chovendo Hamburguer, O Homem de Aço, Transformers ou Vingadores […] Ganhar o direito de ser criticado em um nível científico é uma grande elogio.”

Filme: Logo no começo da história, os astronautas são atingidos por uma enorme nuvem de destroços. Provocada pela explosão de um satélite aposentado russo, que cria uma reação em cadeia na órbita terrestre, a nuvem dá uma volta no planeta a cada noventa minutos, causando grandes danos cada vez que encontra os personagens principais.
Fato: A quantidade de detritos na órbita terrestres é uma preocupação constante das agências espaciais. O lixo é composto do resto de satélites aposentados e pedaços de aeronaves, e se encontra principalmente na órbita terrestre baixa, onde se passa o filme.
Normalmente, os detritos não estão agrupados, mas espalhados pelo espaço. “A NASA e a Agência Espacial Europeia possuem programas de computadores que rastreiam cerca de 18.000 detritos de tamanhos maiores que 10 centímetros a cada instante, e planejam suas missões com muita segurança. A própria ISS costuma fazer manobras evasivas diversas vezes ao ano para evitar a colisão”, afirma Antônio Delson Conceição de Jesus, pesquisador da Universidade Estadual de Feira de Santana, especialista na dinâmica orbital dos detritos espaciais.
Uma chuva de detritos como a mostrada no filme, no entanto, não costuma exigir tantos cuidados, pois é um cenário extremamente improvável — mas não impossível. “Uma chuva realmente poderia acontecer a partir de uma explosão ou de uma colisão entre detritos. Neste caso, se uma atividade espacial estiver acontecendo nessa região, os resultados da chuva podem ser piores ainda do que os mostrados no filme”, diz Delson.
Gravidade também acerta ao mostrar o potencial destrutivo desse tipo de acidente. Em órbita, mesmo um pequeno parafuso como o que a astronauta Ryan Stone quase deixa escapar no começo da história pode ser extremamente perigoso. “Na órbita terrestre baixa, a velocidade de um detrito chega a mais de 12 quilômetros por segundo. Com esta velocidade um objeto pequeno pode destruir a estação ISS, se penetrar num compartimento essencial”, diz o pesquisador.
Alfonso Cuarón acerta até no tempo em que a nuvem de detritos demora a dar a volta no planeta: 90 minutos.