Arquivo da categoria: Ciência

8877 – O que são Objetos Submarinos Não Identificados (OSNI)?


Questões existenciais sobre o universo e o relacionamento dos humanos com seres de outros planetas ou galáxias são questões que tomaram conta da cultura popular na segunda metade do século XX. Nunca se falou tanto de avistamentos e supostos contatos com seres alienígenas como a partir da Segunda Guerra Mundial. Nesse contexto, o tema foi explorado em diversas possibilidades em variadas mídias. Ganhou repercussão mundial a questão dos discos voadores, que seriam, supostamente, os veículos utilizados por esses seres alienígenas. Mas, embora não haja evidências oficiais sobre isso, o certo é já foram registrados muitos vídeos ou fotografias que demonstram a existência de objetos estranhos realizando movimentos incompreensíveis no céu ou no espaço. Situações em que, reconhecidamente, esses objetos realizam movimentos além de nossas capacidades tecnológicas atuais. Sem saber o que são tais objetos e qual sua origem, cunhou-se um nome que reúne todas essas possíveis manifestações, os chamados Objetos Voadores Não Identificados (OVNI).
No entanto, estamos muito acostumados a nos concentrar no céu e esperar que dele venham novidades e surpresas para nossas vidas. Muitas vezes, acabamos nos esquecendo do mar, que está muito mais próximo, mas também é inatingível em alguns pontos e repleto de mistérios. Com o passar dos anos, houve um incremento na quantidade de relatos sobre situações inexplicáveis vistas no mar que, assim como no céu, estão além de nossa compreensão ou de nossas explicações científicas até o momento. Em analogia ao termo OVNI, criou-se o termo Objeto Submarino Não Identificado (OSNI), utilizado para definir qualquer objeto ou fenômeno de percepção óptica ou mecânica observado na água.
Há muitas pessoas interessadas especialmente em OSNI que alegam haver tantas ocorrências desses objetos ou fenômenos no mar quanto no ar. As principais características desses objetos não identificados são acerca da capacidade de suportar uma pressão que nenhum submarino construído com as tecnologias atuais seria capaz de resistir. Simultaneamente, são capazes de realizar manobras em alta velocidade e com movimentos não explicáveis ou reproduzíveis para objetos em ambientes aquáticos. Algumas pessoas atribuem esses fenômenos a civilizações extraterrestres. Outras acreditam que são veículos de civilizações intraterrestres, ou seja, que vivem no interior ou núcleo de nosso planeta. Seja como for, por ora, são apenas especulações e tais objetos ou fenômenos continuam não identificados.
Os principais registros de supostos OSNI’s aconteceram em Porto Rico, no Japão, na Rússia, nos Estados Unidos e nos países da Escandinávia.

8875 – O Centro Espacial John F. Kennedy


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Logo após a Segunda Guerra Mundial, teve início um novo confronto internacional, porém com características bem particulares. A Guerra Fria polarizou o mundo entre seguidores do capitalismo e os seguidores do socialismo. O primeiro grupo era liderado pelos Estados Unidos e o segundo pela União Soviética, ambos vencedores do nazismo no conflito encerrado em 1945. Como as principais representações de cada lado eram poderosas o bastante para causar muitos estragos no inimigo e na humanidade, travou-se um conflito especialmente no campo ideológico, buscando demonstrar a superioridade de cada sistema político-social. Uma das principais características dessa disputa era a corrida espacial, na qual os envolvidos corriam para desvendar e conquistar mais rápido o universo. Nesse contexto, os Estados Unidos construíram na região do Cabo Canaveral, em 1949, uma área de testes de mísseis. A localização era ideal, pois estava próxima da linha do Equador e permitia uma base de lançamentos voltada para o Oceano Atlântico. No mesmo ano foi realizado o primeiro voo sub-orbital. Em 1951, foi estabelecido o Centro de Testes de Mísseis da Força Aérea e a primeira tentativa de colocar em órbita um satélite foi em 1957, resultando em uma catastrófica explosão. Só no ano seguinte que foi fundada a agência de Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço, popularmente conhecida como NASA, que, gradativamente, foi transformando o Cabo Canaveral em seu local principal de lançamentos.
Na década de 1960, a NASA anunciou o programa de exploração lunar e comprou um terreno de 340 km², que foi nomeado como Centro de Operações de Lançamento, em 1962. No entanto, devido ao grande entusiasmo do presidente John F. Kennedy e devido aos investimentos que fez no programa espacial, o político se destacou no tema. Mas ele foi assassinado e não pode ver muitas das conquistas estadunidenses na corrida espacial. Em sua homenagem, o Centro de Operações de Lançamento foi renomeado em 1963 e passou a ser chamado de Centro Espacial John F. Kennedy. A própria região em torno do Cabo Canaveral também foi renomeada para Cabo Kennedy, todavia esta mudança não fez sucesso entre os habitantes e a região retomou seu nome anterior em 1973.
O Centro Espacial John F Kennedy está localizado entre Miami e Jacksonville, na Ilha Merritt. Sedia-se em uma extensão de 55 Km de comprimento por 10 Km de largura, resultando em 567 Km². Atualmente, cerca de 17 mil pessoas trabalham no centro, que possui duas bases de lançamento e uma área industrial. O Centro Espacial John F. Kennedy foi responsável por várias conquistas espaciais dos Estados Unidos no século XX. De lá partiu a tecnologia e os programas de orbitar a Terra, de lançamento de satélites e de exploração lunar. A corrente missão de exploração de Marte também é fruto das pesquisas e inovações produzidas no Cabo Canaveral.
O Centro Espacial John F. Kennedy conta com um centro de visitantes e de passeios públicos, pois se tornou uma das principais atrações turísticas da Flórida. Além disso, preserva a natureza em volta ao utilizar apenas 9% do terreno.

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8874 – Medicina – Tuberculose surgiu há 70 000 anos; e evoluiu com o homem


A tuberculose surgiu na África há 70 000 anos – e a doença possui uma trajetória evolutiva próxima a dos seres humanos. É o que concluiu um estudo internacional que analisou 259 amostras da bactéria Mycobacterium tuberculosis, causadora da doença. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a tuberculose matou 1,4 milhão de pessoas em 2011.
Liderados por Sebastien Gagneux, do Instituto de Saúde Pública e Tropical Suíço, os pesquisadores sequenciaram o genoma completo de 259 cepas da bactéria, colhidas em diversas partes do mundo. Os resultados foram publicados neste domingo, no periódico Nature Genetics.
Comparando a árvore evolutiva da bactéria com a do homem, os pesquisadores descobriram semelhanças que indicam uma relação próxima entre eles: ambos surgiram na África, emigraram juntos e se expandiram por todo o mundo.
Evolução – O comportamento migratório dos humanos modernos, alinhado a mudanças no estilo de vida, com pessoas vivendo em grupos maiores, favoreceu a evolução e transmissão da doença. “Nós vemos que a diversidade de bactérias causadoras da tuberculose aumentou quando a população humana se expandiu” afirma Gagneux.
Os resultados indicam ainda que a tuberculose não deve ter chegado aos humanos a partir de animais domesticados, como é o caso de outras doenças. “Simplesmente porque a Mycobacterium tuberculosis surgiu muito antes de os humanos começaram a domesticar animais”, explica o pesquisador.
A tuberculose ainda é considerada uma ameaça à saúde, principalmente nos países menos desenvolvidos. Ela é transmitida pelo ar, de pessoa para pessoa – estima-se que uma pessoa infectada possa contaminar de 10 a 15 pessoas por ano.

De acordo com a OMS, de todas as doenças infecciosas, apenas o vírus HIV, causador da aids, provoca mais mortes do que a tuberculose. Em 2011, 8,7 milhões de pessoas contraíram tuberculose, sendo que 1,4 milhão morreram.
A doença é tratada com uma combinação de antibióticos, que deve ser utilizada durante seis meses. O fato de muitos pacientes abandonarem o tratamento antes de sua conclusão, além do uso excessivo ou equivocado de antibióticos, tem contribuído para que o bacilo desenvolva resistência aos medicamentos. Em 2012, na Índia, médicos relataram casos de tuberculose totalmente resistente, para a qual não há nenhum medicamento eficaz.

8872 – História da Medicina – Os Vírus mais Perigosos do Mundo


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Varíola
Quando surgiu: Entre os humanos, provavelmente há 10.000 anos, com o advento da agricultura
Origem: Não se sabe se a doença nasceu na África ou na Ásia. Análises de DNA mostram que o vírus se assemelha à varíola do camelo. Foi o primeiro vírus erradicado na história, em 1977, após uma massiva campanha de vacinação mundial.
Durante séculos, sem tratamento, matava 30% dos infectados. Somente no século 20, foram 300 milhões de mortes.
Erradicado desde a década de 70, ainda existem cópias de seu DNA em laboratórios na Rússia e nos Estados Unidos. A população mundial não possui mais imunização contra o vírus. Pode ser transformada em uma arma biológica caso caia nas mãos de terroristas.

Gripe espanhola
Quando surgiu: Milhares de anos atrás. Hipócrates descreveu o que parecem ser epidemias de influenza no ano 412 a.C. Em 1918, atingiu entre 1 e 2% de toda a população mundial.
Origem: O termo influenza vem do italiano, que atribuíam à influência das estrelas os casos de gripe. Aliás, gripe é um termo francês criado no século 18. Até 1933, quando o vírus (H1N1, também originário de porcos, mas bem diferente do que causaria a gripe suína 90 anos depois) foi isolado, não se sabia o que a causava — especulou-se até que fossem bactérias.
Vítimas: entre 40 e 50 milhões de pessoas entre 1918 e 1919.
A gripe espanhola assustou por ser a primeira gripe a matar jovens e adultos saudáveis — a doença se limitava a crianças e idosos. Para se ter uma ideia, 80% das mortes registradas no exército americano durante a Primeira Guerra Mundial foram causadas pela gripe, e não por ferimentos de guerra.

HIV
Quando surgiu: Provavelmente na década de 1930, em Camarões e no Gabão.
Origem: Veio do consumo e manipulação de carne contaminada de chimpanzés na África. Apesar do vírus ter sido identificado apenas em 1983, foram descobertas amostras de sangue de africanos coletadas em 1959 e congeladas nos EUA que já continham o vírus.

Vítimas: 25 milhões de mortes desde 1981. Atualmente, há 33 milhões de pessoas vivendo com o vírus
Já foi uma doença mais assustadora. Com novos tratamentos, sua mortalidade vem caindo. Foram 3 milhões de mortes em 2000 e 1,8 milhão em 2009. A maioria das mortes está localizada em países sem acesso aos modernos tratamentos antivirais.

Ebola
Quando surgiu: 1976
Origem: O devastador vírus — “ele faz em dez dias o que o HIV leva dez anos”, escreveu Richard Preston no livro Hot Zone — apareceu no Congo e no Sudão, em 1976, com uma taxa de mortalidade incrivelmente alta. Nos dois países, foram registrados 602 casos e 431 mortes. A maioria dos casos vem do contato direto com primatas não-humanos, como chimpanzés, gorilas, e outros animais selvagens, como antílopes e porcos-espinhos.
Vítimas: 1.850 casos, 1.200 mortes.
Transmitido por secreções e pelo sangue, destrói as células de defesa do organismo e as plaquetas, provocando brutais hemorragias.

Marburg
Quando surgiu: 1967
Origem: Da mesma família de vírus do Ebola (filovírus), o Marburg também causa a febre hemorrágica. Foi identificado longe da África, em Marburg, na Alemanha. Técnicos de laboratório da Behring que produziam vacina contra a pólio receberam macacos contaminados de Uganda (depois foi descoberto que quase metade dos macacos chegava morta de Uganda, vítima de hemorragia). A letalidade foi alta entre os técnicos: 31 ficaram doentes e sete morreram.
Vítimas: 569 casos, 467 mortes (82% de mortalidade). O maior surto aconteceu em Angola, entre 2004 e 2005: 374 casos, com 329 mortes.
Por que é perigoso: Os mesmo motivos do Ebola. Além dos efeitos devastadores, ele tem um longo tempo de incubação — de 3 a 9 dias — e pode infectar todo mundo que tem contato com o paciente através de secreções e sangue.

Lassa
Quando surgiu: 1969
Origem: Embora cause a febre hemorrágica, como o Marburg e o Ebola, o Lassa é de outro família de vírus, os arenavírus (transmitidos por roedores). Ganhou o nome porque suas primeiras vítimas foram duas freiras americanas que coordenavam uma escola na cidade de Lassa, na Nigéria.

Vítimas: Segundo estimativas, o número de casos varia entre 300.000 e 500.000 por ano, na África Ocidental, com 5.000 mortes.

Por que é perigoso: Apesar da taxa de mortalidade reduzida, de 1%, mata 80% das gestantes ou dos fetos se for contraída no terceiro trimestre de gravidez. Por ter um grande período de incubação — 7 a 10 dias — pode infectar turistas, que levam a doença para seus países de origem. A doença já apareceu nos EUA, Canadá, Israel, Japão, Alemanha, Reino Unido e Holanda.

H5N1
Quando surgiu: Em 1997
Origem: O vírus da gripe aviária foi isolado pela primeira vez em 1996, em uma fazenda na província de Guangdong, na China. No ano seguinte, os primeiros casos apareceram em Hong Kong: 18 infectados, 6 mortes. É transmitida pelo contato com as aves. Se um dia o vírus ‘aprender’ a passar de humano para humano pela via respiratória, pode se tornar a gripe mais devastadora de todos os tempos.
Vítimas: Até o dia 31 de agosto de 2011, foram registrados 565 casos e 331 mortes (58,6% de mortalidade, um índice altíssimo).
Por que é perigoso: É uma gripe que mata mais da metade dos infectados. Para nossa sorte, ela só é transmitida de humano para humano em casos excepcionais.

SARS
Quanto surgiu: Final de 2002
Origem: O vírus da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS) apareceu em Guangdong, província da China, quando um felino chamado civeta virou moda na culinária local. Provavelmente um cozinheiro contraiu a doença e a passou adiante, originando a pandemia que atingiu mais de 30 países. Foi controlada ainda em 2003, após uma forte atuação da OMS.
Vítimas: Matou 9,6% dos infectados. Segundo a OMS, foram 8.096 casos e 774 mortes.
Por que é perigoso: Em pouco tempo, o vírus sofreu mutações que o permitiram pular do civeta para o ser humano. Passou a ser transmitido pelo ar, aumentando suas chances de contaminação.

H1N1
Quando surgiu: 2009
Origem: Em 2009, o vírus encontrou um caminho para deixar os porcos e também infectar humanos, provocando uma pandemia a partir da América do Norte. O mundo ficou assustado com a rapidez com que a gripe suína progrediu (74 países em poucos meses). No Brasil, o antiviral Tamiflu, que combate a doença, sumiu das farmácias. Hoje, o H1N1 é uma das variantes anuais da gripe, junto com a H3N2 e a influenza B.
Vítimas: Em 2009, matou 44.100 pessoas nos EUA, contra 47.800 da gripe comum.
Por que é perigoso: Ele mata menos que a gripe comum, mas toma mais anos de vida. Enquanto as gripes sazonais matam mais pessoas idosas, a gripe suína atinge mais crianças e gestantes.

Nipah
Quando surgiu: 1998
Origem: Na Malásia, morcegos que continham o vírus deixaram cair frutas semi-mastigadas em criadouros de porcos, que comeram as frutas. Os tratadores contraíram os vírus ao ter contato com as fezes dos animais, passando a mão na calça e levando ao rosto, por exemplo. Foi o vírus que inspirou a criação do fictício MEV-1 no filme Contágio
A mortalidade ficou acima de 50%. Dos 475 casos registrados, 251 pessoas morreram
Por que ele é perigoso: Causa uma encefalite (inflamação cerebral) mortal na maioria dos casos. Quando não mata, pode deixar profundas sequelas, como convulsões frequentes e mudanças de personalidade.

Dengue
Quando surgiu: 1950
Origem: A origem da dengue é o desmatamento. Com o avanço do homem em regiões selvagens, o mosquito que transmite a dengue passou a picar humanos. Existem quatro tipos de vírus diferentes, todos com os mesmo sintomas e mesma forma de tratamento. A origem também é a mesma: o sudeste da Ásia.
Vítimas: Por volta de 500.000 pessoas precisam ser hospitalizadas por causa da dengue hemorrágica — 2,5% morrem.
Por que é perigoso: A pessoa contaminada pode começar com uma dengue normal, aquela em que os sintomas são leves ou moderados e depois se transformar em uma dengue hemorrágica, em que os vasos sanguíneos são lesados, provocando sangramentos.

8871 – Altos níveis de radiação são detectados em outros três tanques de Fukushima


A Tepco, empresa operadora da usina nuclear de Fukushima, anunciou neste domingo que detectou altos níveis de radiação em três tanques de armazenamento de água contaminada e em uma das tubulações, o que pode significar novos vazamentos. A radiação detectada é de entre 70 e 1,8 mil milisieverts por hora, um nível de radioatividade 18 vezes maior que o registrado no mesmo lugar na semana passada, informou a Tokyo Electric Power (Tepco).
A lei japonesa estabelece que o nível seguro de exposição anual a radiação está em 50 milisieverts, o que significa que os níveis detectados neste sábado pela Tepco seriam altamente perigosos. A empresa não descarta que a situação esteja ocorrendo por um novo vazamento de água contaminada dos tanques, mas nada foi detectado.
Um porta-voz da operadora explicou que os altos níveis detectados podem ter ocorrido também pelo fato de que agora estão sendo utilizados instrumentos de medição capazes de detectar quantidades de radiação muito maiores.
Os tanques afetados foram construídos com chapas de aço e montados da mesma forma que o tanque em que houve vazamento de 300 toneladas de água contaminada na semana passada. A Tepco revelou na ocasião que, além do vazamento de água radioativa de um de seus tanques, foram descobertos altos índices de radiação na parte inferior de outros dois.
Após o início da crise, o governo japonês e a operadora da usina iniciaram os trabalhos de limpeza e decretaram uma área de isolamento de 20 quilômetros em torno da usina devido aos altos índices de radiação. A área foi parcialmente suspensa, mas dezenas de milhares de pessoas ainda estão proibidas de voltarem para suas casas.

8870 – Primeira sonda chinesa a pousar na lua será lançada ainda neste ano


A imprensa oficial da China anunciou nesta quarta-feira que o país pretende enviar sua primeira sonda espacial com objetivo de pousar em solo lunar até o fim do ano. Segundo informações da agência Reuters, as fases de elaboração e construção da sonda Chang’e-3 já terminaram, e a sonda entrou oficialmente em fase de lançamento. A sonda foi batizada a partir de uma personagem da mitologia chinesa: Chang’e, uma mulher que vivia em um palácio na Lua.
A imprensa oficial afirmou que usará uma técnica especial para reduzir a velocidade da sonda e permitir que ela faça a alunissagem. Os chineses não revelaram, porém, qual técnica será usada.
O lançamento da Chang’e-3 é mais um passo do ambicioso programa espacial chinês, que inclui a construção de uma estação espacial. O programa teve início em 2007, quando a China lançou seu primeiro orbitador lunar, o Chang’e-1. A segunda sonda, Chang’e-2, foi lançada em 2010. De acordo com a Reuters, os cientistas chineses já chegaram a discutir a possibilidade de enviar um homem à Lua após a construção da estação espacial, em 2020. Para ajudar a concretizar a ideia, em junho deste ano, três astronautas chineses passaram quinze dias em órbita, realizando operações de acoplamento a um laboratório espacial.
Enquanto Pequim assegura que o programa espacial chinês será usado apenas para fins pacíficos, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos afirma que a China está aprimorando suas tecnologias espaciais com fins militares.

8869 – Neurologia – Pesquisadores descobrem possível causa da perda de memória relacionada à idade


Pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, descobriram que a deficiência da proteína RbAp48 em uma região cerebral denominada hipocampo contribui para a perda de memória relacionada à idade – e que esse processo pode ser revertido. O estudo fornece ainda evidências de que esse tipo de perda de memória não está relacionado ao Alzheimer.
Liderado por Eric Richard Kandel, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina em 2000, por trabalhos relacionados à memória, a pesquisa foi realizada com células cerebrais humanas e com camundongos. Os resultados foram publicados nesta quarta-feira na edição online do periódico Science Translational Medicine.
Inicialmente acreditava-se que a perda de memória relacionada à idade era uma manifestação inicial do Alzheimer, mas evidências mostraram esses são dois processos distintos, ambos relacionados ao hipocampo – uma região do cérebro composta por várias sub-regiões conectadas, fortemente associada à memória e ao aprendizado.
Estudos anteriores mostraram que o Alzheimer afeta a memória agindo no córtex entorrinal (CE), região que contém a maior parte das vias de entrada para o hipocampo. Já a perda de memória relacionada à idade afeta o giro denteado (GD), sub-região que recebe estímulos do CE. “Até agora, porém, ninguém havia conseguido identificar os defeitos moleculares específicos envolvidos na perda de memória por idade em humanos”, afirma Scott Small, coautor do estudo.
No tabalho atual, os pesquisadores procuravam mais evidências da distinção entre a perda de memória “comum” e o Alzheimer. O primeiro passo foi analisar as expressões dos genes no giro denteado em células cerebrais humanas colhidas de oito adultos que não apresentavam doenças cerebrais, após sua morte. A equipe analisou também células do córtex entorrinal, que serviram como controle, uma vez que essa área cerebral não é afetada pelo envelhecimento. Os resultados levaram a 17 genes que poderiam estar relacionados ao envelhecimento do giro denteado. Dentre eles, o que apresentou mudanças mais significativas foi o RbAp4: a expressão desse gene sofreu uma queda acentuada com o avançar da idade.
Para determinar se o RbAp48 estava envolvido com a perda de memória relacionada à idade, os pesquisadores realizaram estudos com camundongos. “A primeira pergunta era se esse gene também tem a expressão reduzida em camundongos idosos”, disse Elias Pavlopoulos, integrante da equipe. “E foi isso o que aconteceu – houve uma redução da proteína RbAp48 no giro denteado [dos camundongos].”
Os pesquisadores então inibiram a atividade desse gene em animais jovens e avaliaram sua memória em testes de reconhecimento de objetos e labirintos. Os resultados mostraram que eles sofreram uma perda de memória semelhante aos camundongos idosos. Porém, quando a inibição do gene foi interrompida, a memória desses animais voltou ao normal.
Em outro experimento, camundongos mais velhos tiveram a expressão do gene aumentada. “Nós ficamos surpresos em notar que isso não só melhorou o desempenho desses animais em testes de memória, mas tornou-os comparáveis aos camundongos jovens”, explica Pavlopoulos.
Para Kandel, é possível que outras mudanças no giro denteado contribuam para esse tipo de perda de memória, mas a grande importância deste estudo é mostrar que esse processo se relaciona a mudanças funcionais nos neurônios, e não a sua perda, como ocorre no caso do Alzheimer.
O estudo sugere ainda que a via molecular PKA-CREB1-CBP, descoberta pela equipe em estudos anteriores, pode estar relacionada à ação da proteína RbAp48, o que torna tanto a proteína quanto a via alvos para tratamentos experimentais contra a perda de memória. Agentes que estimulam essa via já foram relacionados à melhora de disfunções relacionadas à idade no hipocampo de roedores.
“Não se sabe se essas substâncias vão funcionar em humanos, mas a questão é que para desenvolver tratamentos, primeiro é preciso encontrar o alvo certo. Agora nós temos um bom alvo, e com os camundongos que desenvolvemos nós podemos testar diversas terapias”, afirma Small.

8864 – Espécie de tubarão que ‘anda’ no fundo do mar é descoberta


A descoberta de uma nova espécie de tubarão que “anda” no fundo do mar foi anunciada nesta semana por cientistas ligados à ONG Conservação Internacional e ao Museu Ocidental Australiano. O animal, batizado de Hemiscyllium halmahera, ocorre próximo à costa da Indonésia, afirma o site do jornal britânico “The Telegraph”.
O peixe mede cerca de 70 centímetros e tem coloração próxima ao marrom, com manchas na pele. Ele se contorce para poder arrastar o corpo no fundo do mar e usa as barbatanas para “caminhar”, diz o jornal britânico.
O tubarão é mais ativo à noite, e caça invertebrados marinhos e peixes para se alimentar.
A espécie foi descrita no periódico científico “Jornal Internacional de Ictiologia” pelo pesquisador Gerald Allen, afirma o “The Telegraph”. Ela foi descoberta com a ajuda de outro cientista, Mark Erdmann.
O animal é muito pequeno para ameaçar humanos. Ele possui semelhanças com outro, da espécie Hemiscyullium galei, ressalta ainda o jornal.

8863 – Descobertas duas novas espécies de peixe elétrico na Amazônia


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Cientistas brasileiros e americanos descobriram duas novas espécies de peixes elétricos na região central da Amazônia. A descrição de ambas foi publicada na quarta-feira (28) pela publicação científica “Zookeys”.
Os animais, do gênero Brachyhypopomus, ocorrem em geral sob a vegetação flutuante nas águas da porção central da bacia Amazônica, principalmente ao longo das margens do rio Solimões e de afluentes, diz a pesquisa. Eles foram batizados com os nomes científicos de Brachyhypopomus walteri e Brachyhypopomus bennetti, diz o estudo.
Os peixes são classificados como “eletricamente fracos” e não representam riscos em comparação com um “parente”, o chamado peixe poraquê (Electrophorus electricus), que chega a ter três metros de comprimento e realiza fortes descargas elétricas para defender-se ou capturar presas, aponta a pesquisa.
Os animais recém-descobertos possivelmente utilizam descargas elétricas como forma de ajudar em sua movimentação noturna e na comunicação com outros espécimes, sugere o estudo.
Hábitos noturnos
Animais parecidos com as novas espécies em geral têm hábitos noturnos.
O Brachyhypopomus walteri possui corpo semi-translúcido e com coloração amarela em vida, além de ter dentes pequenos no pré-maxilar (característica compartilhada com o outro peixe recém-descoberto).
Já o Brachyhypopomus bennetti possui o órgão elétrico mais visível na lateral, em uma área semitransparente ocupando até 17% da altura do corpo, afirma a pesquisa. Ele também têm como característica a coloração amarela, às vezes em tom mais escuro que a outra espécie.
Os cientistas responsáveis pela descoberta são Jansen Zuanon, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa); Cristina Cox, do departamento de biologia da Universidade de Massachusetts; e John Sullivan, do Museu de Vertebrados da Universidade de Cornell – as duas últimas nos EUA.
“As maiores diferenças entre as duas espécies, que são muito parecidas, têm a ver com os órgãos elétricos e as descargas criadas por eles”, afirmou John Sullivan para o “Zookeys”.
“Se não fosse por essas características, pensaríamos que se trata de uma só espécie. O Brachyhypopomus bennetti possui um órgão elétrico achatado, que produz uma descarga elétrica monofásica; já o peixe da outra espécie tem um órgão elétrico longo e fino, mais comum de ser visto, e produz um pulso elétrico bifásico”, disse Sullivan para a publicação.
Os cientistas também criaram um subgênero para as espécies, o Odontohypopomus. De acordo com a pesquisa, o subgênero caracteriza-se pela dentição pequena no pré-maxilar, além de outras características.

8862 – Há vida fora da Terra?


Há séculos o homem vem tentando responder tal pergunta, mas está longe de um consenso. Os cientistas costumam se dividir em dois grupos: os otimistas e os pessimistas. Os primeiros acreditam que, sim, o Universo está cheio de vida e, a qualquer momento, poderemos fazer contato com civilizações extraterrestres. Eles se apoiam na probabilidade estatística: somente em nossa galáxia, a Via Láctea, existem mais de 100 bilhões de estrelas – e ela é somente uma entre as 100 bilhões de galáxias que existem no Universo. Nessa imensidão de mundos, é difícil imaginar que sejamos os únicos seres abençoados com a vida. Já os pessimistas lembram que, apesar de todas as buscas realizadas, até hoje não foi encontrada uma evidência sólida sobre a existência de vida fora do nosso planeta. Em 2000, o paleontólogo Peter Ward e o astrônomo Donald Brownlee, ambos americanos e da Universidade de Washington, em Seattle, jogaram um balde de água fria nos otimistas ao publicar um livro chamado Rare Earth (lançado no Brasil como Sós no Universo), no qual defendem a hipótese de que a vida inteligente que existe na Terra é um fenômeno raríssimo, senão único. Para eles, o Universo provavelmente está repleto de criaturas vivas, só que unicelulares, como as bactérias, mais adaptáveis a situações extremas, como o excesso de calor e de frio. Já os seres mais complexos, feitos de muitas células, precisariam de lugares tranquilos e estáveis para evoluir, como a Terra. Polêmicas à parte, os otimistas e pessimistas concordam num ponto: ainda sabemos pouquíssimo – quase nada – sobre o Universo. Continuar investigando é o único meio de, algum dia, descobrir se somos ou não tão especiais assim.

8861 – Quantos ETs Existem?


Supondo que não estejamos sós no Universo, com quantas civilizações dividimos a Via Láctea? A resposta pode estar na Equação de Drake, criada pelo astrofísico americano Frank Drake em 1961. Essa fórmula enumera sete condições indispensáveis para que um planeta abrigue seres inteligentes e com comunicação avançada (veja na página seguinte). Qual é o resultado? Bem, depende. Do ponto de vista astronômico, R* pode ir de 1 a 10, fp chega a 50% e ne varia de 1 a 3. Os demais valores são desconhecidos. Ou seja, o resultado cresce ou diminui conforme o otimismo ou o pessimismo de quem fizer o cálculo.
Nas contas do próprio Drake, N – o número de civilizações na nossa galáxia capazes de se comunicar com a Terra – chegaria a 10 mil. Nos últimos anos, Drake passou a acreditar que esse número possa ser maior. Um dos motivos, segundo ele explicou é que a ciência passou recentemente a admitir a possibilidade de que estrelas-anãs vermelhas – que representam 80% do total – tenham planetas habitáveis. “Uma vez que tal entendimento é recente, com implicações que ainda precisam ser mais bem analisadas, podemos por ora apenas ‘chutar’ quanto isso aumentaria N”, disse Drake. “É bem possível que esse número aumente em dez vezes, mas, no momento, trata-se de uma especulação.”
Cabe lembrar que Drake é um dos criadores do Projeto Ozma, precursor do Seti (sigla em inglês para Busca por Inteligência Extraterrestre), que caça sinais eletromagnéticos de alienígenas soltos no espaço. Portanto, ele é um otimista. Há 50 anos, quando o homem ainda não havia descoberto planetas extra-solares, viajado até a Lua ou encontrado indícios de água em Marte, ele tentava estimar o número de planetas com civilizações tão avançadas quanto a nossa. Drake sabia que não havia um número exato para a questão, mas decidiu simplificar o raciocínio. O que seria necessário para a vida se desenvolver e evoluir a padrões tecnológicos semelhantes aos da Terra? A resposta está em cada uma das sete variáveis da equação. Se você ignorar as explicações científicas e se limitar ao raciocínio matemático, vai lembrar que um único valor igual a zero numa multiplicação resulta, necessariamente, em zero. Logo, só haverá outra civilização como a nossa se todas aquelas condições se confirmarem.
Como a fórmula liberou a imaginação dos simpatizantes da teoria extraterrestre, otimistas e pessimistas resolveram apresentar as suas versões. No primeiro time, o astrônomo Carl Sagan calculou nada menos do que 1 milhão de civilizações. O escritor de ficção científica Isaac Asimov obteve 530 mil. O astrofísico Thomas R. McDonough chegou a 4 mil. No lado oposto, o psicólogo e diretor da revista Skeptic, Michael Shermer, arredondou as contas para apenas três civilizações avançadas. Apesar dos resultados divergentes, todos brincaram com as variáveis da equação, apoiados por suas opiniões pessoais sobre a composição do Universo. Já o escritor Michael Crichton – autor de O Parque dos Dinossauros – tachou a fórmula de “pseudociência”. “Ela é sem sentido e nada tem a ver com ciência. Acredito que ciência envolve a criação de hipóteses testáveis, e a Equação de Drake não pode ser testada”, declarou Crichton, há dois anos.
Por que tanta polêmica a respeito de uma simples fórmula matemática? Porque as três últimas variáveis da equação mexem muito mais no vespeiro da biologia, da antropologia e da sociologia que no da astronomia e da física. Mas a maioria dos estudiosos há de concordar: a Equação de Drake é simplesmente mais um jeito de pôr os pensamentos em ordem – além de ser uma fórmula simpática que produz resultados divertidos.

8860 – Linguística – Como nasce uma língua?


Em primeiro lugar, é preciso compreender o que é um idioma. “É o conjunto organizado de signos linguísticos, com características fonéticas e vocabulares próprias. Além disso, ele deve ter um número razoável de falantes que o utilizem em textos de larga circulação. Do contrário, é só um dialeto”, explica Jarbas Vargas Nascimento, professor de latim da PUC de São Paulo. Geralmente, uma nova língua nasce de outra já existente, num processo que pode durar séculos. O português e o francês, por exemplo, surgiram do latim. Mas também é possível que não haja uma só raiz. É o caso das chamadas línguas germânicas, como o alemão e o dinamarquês. “Elas podem ter se originado de forma independente, pois essas tribos nem sequer se conheciam”, afirma um especialista em dialetologia e professor convidado da Universidade de São Paulo.
“No caso das línguas neolatinas sabe-se que todas têm uma origem comum porque na época do Império Romano todos falavam o latim vulgar e quase ninguém estudava normas gramaticais”. Com o fim do domínio dos césares, os vários povos passaram a falar dialetos diferentes, que se transformaram em idiomas próprios.
Hoje o inglês é dominante, mas os especialistas acham difícil ocorrer um processo semelhante de fragmentação porque não só o idioma é bem estruturado como milhões de pessoas conhecem as regras gramaticais. “Ainda assim, o inglês falado na Índia é cada vez mais diferente do usado em outras partes do mundo e pode ser que no futuro ele seja considerado outra língua”.

Chinês
Origem – Pré-história, a partir de dialetos como o cantonês, o de Xangai e o de Pequim.
Curiosidade – Só em 1949, com o governo comunista, surgiu uma língua oficial, derivada da fala de Pequim. A escrita, ideográfica (refere-se a significados e não a fonemas), unificou culturalmente o país.
* Tradução: “Eu posso ler japonês.”
Grego
Origem – Nasceu de vários dialetos da península Balcânica no século 8 a.C.
Curiosidade – Foi a primeira língua internacional e com ele nasceram a filosofia e a cultura do Ocidente. Outros idiomas o utilizam em nomes científicos e em palavras como “fósforo” e “estética”.
* Tradução: “Terrível Cronida, o que estás me falando?” (extraído da Ilíada)
Japonês
Origem – Por volta do século 3, ao leste e ao sul do arquipélago japonês.
Curiosidade – Tem 3 sistemas de escrita: o hiragana, o katakana e o kanji (os ideogramas chineses). Por isso, um japonês que não fala uma palavra em chinês pode ler muita coisa nesta língua.
* Tradução: “Eu posso ler chinês.”
Árabe
Origem – Península Arábica, primeiros registros escritos datam do século 5.
Curiosidade – Desenvolveu um alfabeto próprio, que depois foi adotado pelo persa (Irã) e o pashtu (Afeganistão). A língua responsável pelo desenvolvimento da civilização islâmica é falada em 22 países.
* Tradução: “Falo todas as línguas do mundo.”
Latim
Origem – Por volta do século 7 a.C. na região do Lácio, onde Roma foi fundada.
Curiosidade – Expandiu-se junto com o Império Romano e acabou dando origem a cerca de 10 línguas. Ainda hoje é o idioma oficial no Vaticano. Palavras latinas estão em todas as línguas modernas.
* Tradução: “A voz do povo é a voz de Deus.”

8859 – Falsas Respostas Para Tudo – Jesus era um astronauta?


Está escrito na Bíblia: Jesus Cristo era um ET. Pelo menos assim interpretam as escrituras os defensores da teoria de que Jesus chegou ao nosso planeta num disco voador, tomou a forma humana e espalhou conhecimento alienígena no Oriente Médio. As lideranças religiosas esconderiam a verdade para não destruir as religiões da Terra. Mas o complô ganhou um inimigo em 2003. Dom Fernando Pugliese, bispo da Igreja Católica Apostólica Brasileira, disse acreditar na origem extraterrena de Cristo. Pronto. Um religioso aceitava a tese do escritor Erich von Däniken no livro Eram os Deuses Astronautas? (Melhoramentos, 2000): as divindades vieram do espaço.
Formado em filosofia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália, Dom Pugliese estuda mensagens ocultas na Bíblia. Ele tem sua própria interpretação para os ensinamentos cristãos. A estrela de Belém, que guiou os Reis Magos até a manjedoura de Jesus, seria uma nave espacial, porque se movia de forma inteligente, acompanhando a viagem dos nobres. A aparição da Virgem Maria na cidade de Fátima, em Portugal, seria uma manifestação ufológica, um robô em forma feminina controlado por um óvni. Jesus suava gotas de sangue por causa de características somáticas e psicossomáticas sobre o seu corpo humano. Embora nunca tenha visto um ET – apenas discos voadores –, Dom Pugliese acha que os anjos e arcanjos, assim como Cristo, têm origem alienígena. Segundo ele, as referências à vida extraterrestre estão no Antigo e no Novo Testamento, em mensagens cifradas.
Como explicar os milagres de curar doentes, multiplicar pães e peixes ou transformar água em vinho? Entre os crédulos está o francês Claude Vorilhon, ou simplesmente Raël, fundador do Movimento Raeliano. Autor do livro Extraterrestrials Took me to Their Planet (Extraterrestres Levaram-me ao seu Planeta, sem versão brasileira), Raël declarou em 1975 que se encontrou com Jesus, Buda, Moisés e Maomé no mundo de Elohim, o ser supremo. O criador da seita ufológica diz que todos os profetas que viveram na Terra foram enviados por Elohim. Logo, Cristo é um ET. Felizmente, segundo Raël, o filho de Deus foi clonado pelos alienígenas, que pegaram o DNA divino ainda na cruz. Assim estariam explicados os raios e tremores testemunhados na época, logo depois da morte de Cristo. Graças à clonagem, resultado de uma tecnologia de 25 mil anos, Jesus vive até hoje em outra galáxia, de onde voltará na hora certa.
Alguns escritores do movimento batizado de Nova Era, como Brad Steiger e Randolph Winters, simpatizam com a paternidade extraterrestre de Cristo. No livro The Fellowship: Spiritual Contact between Humans and Outer Space Beings (A Irmandade: Contato Espiritual entre Humanos e Seres Espaciais, sem versão brasileira), Steiger conta histórias de pessoas que garantem conversar com ETs. Uma delas explica que o Homem de Nazaré não era um deus, mas um mestre ascendente alienígena que encarnou para assumir um padrão físico mais aceitável aos humanos. Jesus voltará, mas não no Juízo Final. Ele descerá à Terra numa espaçonave, claro. Curiosamente, entretanto, não há compaixão nesse Cristo ET. Quem não atender as suas palavras será varrido do planeta.
A natureza extraterrena do messias pode ser comprovada por outros sinais, argumentam os adeptos da teoria. O anjo Gabriel visto por Maria seria um astronauta do alto de uma nave espacial, escondida pela intensidade do brilho das luzes. Foi um ET quem anunciou a gravidez à Virgem, invocando o nome de Deus para justificar o seu experimento médico. A concepção foi realizada, na verdade, por uma projeção de esperma através da luz emitida do óvni. Não deixa de haver ainda uma dose de misticismo, oculta nesse pretenso racionalismo científico: Jesus era “o corpo biológico de uma entidade espiritual cósmica”. Todos esses argumentos são encontrados em sites e publicações ufológicas, desde as mais sérias até as de qualidade duvidosa. A maioria não tem dúvidas de que João Batista, o primo de Jesus, também era um alienígena, pois certas interpretações dos Evangelhos dizem que ele havia sido “levado para o céu no interior de um objeto voador”.

ETs Divinos?
Os conspiradores esconderiam muito mais segredos. Toda a linhagem de personagens bíblicos, do Gênesis ao Apocalipse, seriam astronautas de outras galáxias, como defende Däniken. A lista é variada: os anjos que revelaram a Ló a destruição de Sodoma e Gomorra ou conduziram os judeus na fuga do Egito, o carro de fogo que levou o profeta Elias para o céu, as visões de Deus do profeta Ezequiel, a arca utilizada por Noé durante o dilúvio. Segundo seguidores da teoria extraterrestre, todas essas descrições correspondem perfeitamente a espaçonaves alienígenas. Para colocar mais lenha na fogueira, em 1995, o padre italiano Piero Coda propôs uma questão aos seus colegas de Vaticano. Ele queria saber se a morte de Cristo na cruz também salvou as criaturas de outros planetas. Embora não tenha citado um salvador ET, Coda acabou admitindo a hipótese de que Deus poderia ter criado a vida em outros lugares do universo.
Um documento apócrifo, escrito no segundo século antes de Cristo, costuma ser apresentado como mais uma prova do messias alienígena. O livro do profeta Enoque, bisavô de Noé, relata algumas passagens inspiradoras aos simpatizantes da teoria. Entre as quais, “200 anjos desceram e tiveram relações amorosas com as filhas da Terra, que deram nascimento a gigantes”. Seria um dos mais antigos registros de casos de sexo entre humanos e ETs, tema preferido da ufologia moderna.
As mensagens cifradas da Bíblia, repletas de figuras de linguagem, realmente dão margem a diversas interpretações. Sempre há espaço para novas soluções, como envolver o mais famoso autor de milagres de todos os tempos. Uma coisa é certa. Se Jesus era mesmo extraterrestre, o papa e a Nasa terão em mãos a maior agência de turismo do mundo.

☻ Nota
É claro que há outras explicações mais razoáveis sobre os milagres citados na Bíblia e que não envolvem ETs.

8858 – Fibrilação – Como fazer o coração pegar no tranco


MEDICINA simbolo

O coração funciona com estímulos elétricos que se propagam pelo músculo causando contração e, depois, relaxamento. “Às vezes, por causa de doença cardíaca, acidentes ou complicações cirúrgicas, o impulso engasga e não chega”, esclarece o professor Noedir Stolf, do Instituto do Coração, em São Paulo. Quando isso acontece, há fibrilação, isto é, o músculo entra em atividade caótica, sem conseguir contrair nem bombear o sangue. Em alguns casos, basta uma pancadinha no peito para eliminar a arritmia. Em caso de parada cardíaca, os médicos usam um desfibrilador, aparelho que dá choques no tórax. O efeito é o de uma pancada forte. O impacto normaliza a falha elétrica, fazendo o impulso ultrapassar a gagueira e chegar aonde deve. Não substitui o impulso, apenas desimpede o seu caminho. A descarga do choque pode ir até 200 joule (unidade de medida de energia) – o suficiente para acender uma lâmpada de 100 watts por 2 segundos. Mas só funciona quando a parada cardíaca é provocada por fibrilação. Quando o impulso elétrico deixa de ser emitido, só medicamentos ou massagens cardíacas podem fazer o órgão voltar a bater.

INCOR – SP

8857 – De ☻lho no Mapa – As Ilhas Canárias


canarias mapa

É um arquipélago espanhol no Oceano Atlântico, ao largo de Marrocos, constituindo uma Região Autônoma da Espanha. A área é de 7 447 km² (décima-terceira Comunidade espanhola em área); a população em 2003 era de 1 843 755, em 2005 quase 2 000 000, correspondendo à oitava região mais populosa. A densidade demográfica é de 247,58 hab/km².
Para além dos vizinhos continentais, as Canárias são também o território mais próximo do arquipélago da Madeira. Capitais: Santa Cruz de Tenerife e Las Palmas de Gran Canária.

O arquipélago das Canárias é constituído por sete ilhas principais, divididas em duas províncias, e várias pequenas ilhas e ilhéus costeiros:
Província de Santa Cruz de Tenerife:
Tenerife;
La Palma;
La Gomera;
El Hierro.
Província de Las Palmas:
Gran Canária;
Fuerteventura;
Lançarote;
Arquipélago Chinijo:
Graciosa;
Alegranza;
Ilha de Lobos;
Montaña Clara;
Roque del Oeste;
Roque del Este.
Há ainda um conjunto de pequenos ilhéus costeiros, penedos e ilhotas (Anaga, Salmor, Garachico).

ilhas-canarias

São conhecidas desde a Antiguidade: existem relatos fidedignos e vestígios arqueológicos da presença cartaginesa na ilha. Foram descritas no período greco-romano a partir da obra de Juba II, rei da Numídia, que as mandou reconhecer e que, afirma-se, por nelas ter encontrado grande números de cães, deu-lhes o nome de “Canárias” (“ilhas dos cães”). São referidas por autores posteriores como “Ilhas Afortunadas”.
Depois de um período de isolamento, resultado da crise e queda do Império Romano do Ocidente, e das invasões dos povos bárbaros, as ilhas foram redescobertas e novamente visitadas com regularidade por embarcações europeias a partir de meados do século XIII.
A sua redescoberta é reivindicada por Portugal em período anterior a Agosto de 1336. A sua posse, entretanto, foi atribuída ao reino de Castela pelo Papa Clemente VI, o que suscitou um protesto diplomático de Afonso IV de Portugal, por carta de 12 de Fevereiro de 1345:
“Ao Santíssimo Padre e Senhor Clemente pela Divina Providência Sumo Pontífice da Sacrossanta e Universal Igreja, Afonso rei de Portugal e do Algarve, humilde e devoto filho Vosso, com a devida reverência e devotamento beijo os beatos pés. (…)
Respondendo pois à dita carta o que nos ocorreu, diremos reverentemente, por sua ordem, que os nossos naturais foram os primeiros que acharam as mencionadas Ilhas [Afortunadas].
E nós, atendendo a que as referidas ilhas estavam mais perto de nós do que qualquer outro Príncipe e a que por nós podiam mais comodamente subjugar-se, dirigimos para ali os olhos do nosso entendimento, e desejando pôr em execução o nosso intento mandamos lá as nossas gentes e algumas naus para explorar a qualidade daquela terra.
Abordando às ditas Ilhas se apoderaram, por força, de homens, animais e outras coisas e as trouxeram com muito prazer aos nossos reinos.
Porém, quando cuidávamos em mandar uma armada para conquistar as referidas Ilhas, com grande número de cavaleiros e peões, impediu o nosso propósito a guerra que se ateou primeiro entre nós e El-rei de Castela e depois entre nós e os reis Sarracenos. (…)”
Nos séculos seguintes, com o consentimento papal e o apoio da Coroa castelhana, organizaram-se várias expedições comerciais em busca de escravos, peles e tinta.
As Canárias converteram-se em ponto de escala nas rotas comerciais com a América e África (o porto de Santa Cruz de La Palma chegou a ser um dos pontos mais importantes do Império Espanhol), o que trouxe grande prosperidade a determinados sectores da sociedade, mas as crises da monocultura no século XVIII e a independência das colónias americanas no século XIX provocaram graves recessões.
No século XIX e na primeira metade do século XX, a razão das crises económicas foi a emigração, cujo destino principal era o continente americano.
No início do século XX, foi introduzida, nas ilhas Canárias, pelos ingleses, uma nova monocultura: a banana, cuja exportação será controlada por companhias comerciais como a Fyffes.
A rivalidade entre as elites das cidades de Santa Cruz e Las Palmas pela condição de capital das ilhas fez com que, em 1927, se tomasse a decisão da divisão do arquipélago em províncias. Atualmente, a capital está dividida entre essas duas cidades.
A economia é baseada no setor terciário (74,6%), principalmente turismo que tem proporcionado o desenvolvimento da construção civil, sendo a origem dos turistas: espanhóis (30%), alemães, britânicos, suecos, franceses, russos, austríacos, neerlandeses, portugueses e de outras nacionalidades europeias.
A indústria é escassa, basicamente agro-alimentícia, de tabaco e de refinação de Petróleo (A refinaria de petróleo de Tenerife é a maior de Espanha). Depois da ocupação do Saara Ocidental por Marrocos, as indústrias de conserva e de salga de pescado desapareceram.
Só esta cultivado 10% do solo sendo a maioria de secano (cevada e trigo), e de regadio uma minoria (tomates, bananas e tabaco), orientados para o comércio com o resto da Espanha e da União Europeia. Também se iniciou a exportação de frutas tropicais (abacate e manga) e flores. A pecuária, principalmente a caprina e a bovina, tem sofrido um importante retrocesso nas últimas décadas.

8856 – Física – O que são os raios cósmicos?


São núcleos altamente energéticos que atravessam o nosso universo. Cerca de 87% dos raios cósmicos observados são núcleos de Hidrogênio. 12% são núcleos de Hélio e os restantes são elementos mais pesados como o Carbono e o Ferro. Os raios cósmicos mais energéticos observados até à data têm uma energia igual à de uma bola de tênis lançada com uma velocidade de 57 m/s. É uma quantidade de energia imensa para um corpo que é cerca de 0,00000000000001 vezes mais pequeno que uma bola de tênis!
A origem dos raios cósmicos de muito alta energia não se encontra ainda esclarecida porque se desconhecem fenômenos naturais que possam acelerar os núcleos às energias observadas. Alguns fenômenos naturais de aceleração de partículas são os ambientes extremos como a explosão de uma estrela. No entanto nem mesmo estes fenômenos chegam para acelerar um raio cósmico às energias mais elevadas que já foram observadas até à data. Este mistério constitui um dos grandes desafios da física: enquanto os físicos teóricos investigam modelos que expliquem as observações feitas, os físicos experimentais procuram criar telescópios que identifiquem raios cósmicos de alta energia com maior precisão.

8854 – Astronomia – Explosão espacial


Na Via Láctea, a cada trinta anos, pelo menos uma estrela monumental, milhares de vezes maior que o Sol, fica sem combustível. Então ela implode, desabando sobre si mesma num desastre indescritível, e vira uma supernova. A luz é tanta que por um instante ofusca os outros 200 bilhões de sóis da Galáxia. Mais violenta ainda é uma outra inundação de energia provocada pela implosão da estrela, que os físicos conhecem pelo nome de onda gravitacional. Ela anda ao lado da onda de luz, mas é de natureza totalmente diversa, pois representa uma vibração do próprio espaço. À medida que passa, engorda ou afina planetas, estrelas e qualquer outra coisa.
O problema é que o efeito de uma onda gravitacional, apesar de ser carregado de energia, é muito difícil de registrar, pois produz alterações muito sutis. Para você ter uma ideia, se uma delas passar por aqui, a distância entre a Terra e o Sol, que é de 150 milhões de quilômetros, vai mudar muito menos do que o diâmetro de um átomo! Por isso, embora já tenha registrado diversas supernovas, a Astronomia continua perseguindo o sonho de capturar sua primeira onda gravitacional. Mas os cientistas se animam cada vez mais.
Pense bem: você acredita mesmo que a Terra atrai a Lua sem estar presa a ela por algum tipo de corda ou de elástico? Será que é mesmo possível puxar ou empurrar um objeto sem realmente encostar nele de algum jeito? Se você desconfia dessa idéia meio marota, e tem vergonha de confessar, saiba que foi duvidando dela que o alemão Albert Einstein previu a existência das ondas gravitacionais em 1915.
Seguindo o raciocínio do gênio, ele inicialmente resolveu que, para o planeta fazer força sobre seu satélite, os dois teriam que se “tocar” de um modo ou de outro. Depois, ele mostrou que os contatos podiam ser feitos por meio de partículas – como se um planeta jogasse pedras no outro o tempo todo. São essas partículas, os grávitons, que formam as ondas gravitacionais, mais ou menos como o movimento da massa de água nos oceanos cria as ondas do mar.
Imagine, então, que o Universo está imerso num oceano de grávitons, infinitas partículas voando de um lado para outro, transmitindo força gravitacional entre todos os planetas, estrelas e galáxias. Normalmente, esse oceano está calmo porque a revoada prossegue sem perturbação. Mas volta e meia a calmaria dá lugar à desordem: se uma estrela gigante explode, desarranja o movimento das partículas e o distúrbio se espalha pelo Cosmo com a velocidade da luz. É a onda gravitacional. Com a distância, o efeito fica mais fraco, o que explica, em parte, a trabalheira dos físicos para detectar os maremotos cósmicos.
Outro problema sério é que nada é mais parecido com um fantasma do que os grávitons: eles atravessam qualquer coisa praticamente sem deixar pistas. Cada um de nós é testemunha disso, pois o peso medido na balança é uma força gravitacional e, portanto, surge da troca de grávitons entre nosso corpo e a Terra. Apesar disso, ninguém sente os grávitons deslizando pelas canelas. Então, como flagrá-los passeando por aí?
O jeito é mesmo surpreender uma onda enorme, um vagalhão de grávitons. Vários detectores estão sendo construídos para registrar a capacidade das ondas de cruzar o Cosmo distorcendo as distâncias, assim como o tamanho e a forma de tudo o que encontram. A alteração ocorre em escala subatômica, mesmo na crista de um vagalhão. Mas, com as novas tecnologias, nem fantasmas vão escapar.

8852 -Astronomia-De ☻lho no Hubble


telescópio hubble

Para publicar todas as fotos batidas por tal telescópio, seriam precisos quase 2 milhões de edições de uma revista.
Como prolongar a vida útil de um telescópio sem enviar astronautas para consertá-lo? É o que os engenheiros da Nasa se perguntam atualmente. Desde o acidente com o ônibus espacial Columbia as viagens tripuladas para o Hubble estão vetadas. E o futuro do telescópio é incerto.
• Sem ajustes, é impossível manter o Hubble em órbita. As baterias do telescópio acabarão em breve. Se até lá não for desenvolvido um substituto para o trabalho dos astronautas, o Hubble irá despencar em alguma parte da Terra – sem comando, não será possível nem mesmo dirigi-lo para o oceano.
• As mais de 14 mil formações observadas pelo Hubble revolucionaram o que sabemos sobre o Universo. Há quem dê ao telescópio importância maior que os trabalhos de Galileu. Mas falta muito a descobrir: a Omega Centauri é tão grande que tem apenas um pequeno pedaço no campo de visão do Hubble.
Orbitando a 600 km da Terra, o Hubble tira fotos imunes às distorções provocadas pela atmosfera. São as imagens mais nítidas que o homem já viu do espaço. Graças a essa resolução astrônomos conseguem analisar formações como os glóbulos de Thackeray, que estão constantemente em choque.
• 130 milhões de vezes a distância que a luz percorre num ano. É esse o endereço da galáxia NGC 4650A. Achou longe? Pois isso é pouco para o Hubble, que captou fotos a 12,6 bilhões de anos-luz da Terra. Ou seja, o telescópio flagrou imagens quase tão antigas quanto o Universo, um vovô de 13 a 14 bilhões de anos.
• Um exemplo da importância científica do Hubble: antigamente, acreditava-se que galáxias eram estáveis e pouco dinâmicas. Nesta imagem, duas delas aparecem interagindo. O Hubble nos fez entender que galáxias são como pessoas: normais à primeira vista, mas surpreendentes e estranhas à medida que nos aproximamos.
• Desde o lançamento, em 1990, astronautas faziam atualizações tecnológicas no Hubble. A foto da galáxia NGC 604 foi tirada por câmeras instaladas em 2002. Agora, a Nasa estuda a utilização de robôs para substituir o trabalho dos homens. Parece ser a última chance de manter o telescópio em funcionamento
A Hubble é capaz de absorver 118 mil vezes mais luz do que o olho humano
A Nasa estuda enviar robôs ao espaço para substituir os astronautas.

8851 – Biologia – Nosso ancestral? Esse micróbio?


Um pesquisador francês muda os rumos da discussão sobre a identidade do primeiro ser vivo da Terra, o micróbio fundamental. A hipótese predominante dizia que ele era amigo das altíssimas temperaturas. Agora, o professor Paul Forterre diz que não, o bicho não era tão quente assim.
Por volta de 4 bilhões de anos atrás, a superfície da Terra era um inferno horroroso, assolado por centenas de vulcões ativos e bombardeado por grandes meteoros. Mas isso não impediu que os micróbios aparecessem. Segundo a hipótese mais aceita, eram seres infernais: habitavam fendas fumegantes, por onde jorrava vapor de água carregado de sais minerais. Alimentados pelo caldo forte e aquecidos pelo forno interior da Terra, aqueles seres não precisaram da energia do Sol para viver, ao contrário da grande maioria dos seus sucessores.
Bem recentemente, em 1977, foram descobertos micróbios subterrâneos bem parecidos — e bem vivos. São bactérias: os termófilos (se aguentam bem até 80°C) ou hipertermófilos (chegam aos 110°C). No final do ano passado, descobriu-se mais. Que a quantidade desses amigos do calor é tão grande que, em peso, pode ser maior do que a de todos os outros animais e plantas somados. A descoberta foi pura lenha na fogueira e inflamou ainda mais a hipótese de que nossos ancestrais biológicos ferviam. Os herdeiros encontrados seriam as provas candentes da existência dos antepassados.
Fundamental é achar um tronco para a árvore genealógica de todos os seres, dos insetos às baleias azuis, passando pelas famílias de cada um de nós. São conhecidos três grandes galhos: o das bactérias, o das arqueobactérias e o dos eucariotas. As duas primeiras são bastante semelhantes entre si. Seu organismo é uma célula pequena e sem órgãos internos, nem núcleo nem nada. Por isso, parecem primitivas.
Os eucariotas, o terceiro galho, seriam uma ramificação mais recente. Suas células, de fato, são maiores e têm diversos órgãos internos, como o núcleo — uma bolha de gordura onde os genes ficam guardados. Muitos eucariotas são unicelulares, como as algas, as amebas e os protozoários (um protozoário conhecido é o tripanossoma, causador do mal de Chagas). Mas há os eucariotas multicelulares. Você, que está com essa revista na mão, é um eucariota. A minhoca também é, como todos os animais e plantas.
Foi a partir dessa árvore de três galhos que se chegou a hipótese do ancestral mais tórrido. Por sua simplicidade, as bactérias e arqueobactérias parecem ser as mais primitivas. Além do quê, são amigas do calor. Outro ponto a favor: os fósseis mais antigos já encontrados, com 3,5 bilhões de anos, têm os traços gerais das bactérias, enquanto os primeiros rastros dos eucariotas aparecem há apenas 2 bilhões de anos. Mas a tese pegou fogo mesmo quando passaram a surgir, recentemente, novas descobertas de termófilos e hipertermófilos (bactérias das altas temperaturas, de até 110 graus) habitando as profundezas da terra, muitas vezes embaixo do fundo dos oceanos.
Todos os meses, praticamente, surge um novo representante da escaldante fauna. Em 1994, o microbiologista ambiental Daniel Boone, do Oregon Graduate Institute, de Portland, Estados Unidos, encontrou montanhas de bactérias enterradas sob mais de 3 quilômetros de rochas. Uma delas, apropriadamente batizada Bacillus infernus, é inquilina das fendas de pedra a 60°C. Boone resumiu o argumento da maioria dos cientistas com relação a esses micróbios. “Durante a formação da Terra, a temperatura era muito alta, e assim que ela caiu um pouco, as primeiras células capazes de sobreviver teriam sido as bactérias termófilas.”
O francês Paul Forterre, no entanto, acha prematuro tirar conclusões por aí. Ele reconhece que as bactérias têm uma anatomia simples. Mas, se forem observadas mais de perto, na escala das moléculas, elas não são realmente primitivas: “Elas têm mais ou menos as mesmas engrenagens bioquímicas dos eucariotas.” Forterre trabalha com a idéia de um ser ancestral muito diferente com relação aos que existem hoje.

Planeta dos micróbios
Eles estão na Terra há mais de 4 bilhões de anos; os humanos (Homo erectus) chegaram há 2 milhões de anos, se tanto. Uma idade duas mil vezes menor. Mesmo juntando todos os animais, dos menores vermes às baleias azuis, nenhum está aqui há mais de 500 milhões de anos, quase um décimo da idade dos micróbios. Numa árvore genealógica de todos os seres, o conjunto completo dos animais é um único ramo, e o conjunto das plantas ocupa mais um. São dois ramos num dos três galhos da árvore, o galho dos eucariotas. Todos os outros vinte ramos da árvore são propriedade dos micróbios.
“Já sabemos que há mais diferença entre duas linhagens de micróbios, mesmo filiados ao galho dos eucariotas, do que entre as plantas e os animais, que também são eucariotas”, diz o francês Paul Forterre. Isso significa que há mais semelhanças entre um cidadão comum e uma samambaia do que entre um micróbio e outro.
Forterre sustenta que a ramificação dos seres unicelulares, por volta de 4 bilhões de anos atrás, foi muito rápida. Uma explosão que transformou profundamente o hipotético precursor de todos eles, na visão do cientista. Ele sabe que está andando na contramão.

Em oposição a ele, pesa o fato de que Terra sofreu pesada blitz de meteoros gigantes, entre 4,2 e 3,8 bilhões de anos atrás. Essa descoberta, feita há pouco mais de cinco anos, animou os defensores de um ancestral termófilo, já que a temperatura global da Terra pode ter chegado a quase 100 °C.

Uma árvore para cada hipótese

Hipótese 1
A visão predominante entre os pesquisadores é que os primeiros organismos surgiram mesmo na Terra ardente. Eram antepassados das bactérias (microorganismos que não têm núcleo). Por isso, as bactérias estariam na linhagem principal da árvore genealógica.

Hipótese 2
Na hipótese alternativa nem tudo era castigo, o tempo todo. As células originais acharam um ambiente menos quente para nascer e estavam na linhagem dos eucariotas (microorganismos com núcleo). Nesse ramo, estão os animais, inclusive o homem.

8847 – Terráqueos ou Marcianos? Teoria sugere que a vida na Terra teria vindo de Marte


Falando ontem (29- 08-2013) a uma plateia de cientistas em uma conferência em Florença, na Itália, Benner sugeriu que, por incrível que pareça, os primeiros passos da vida, a partir de química simples, teriam sido dados muito mais facilmente no planeta vermelho, 4 bilhões de anos atrás, do que na Terra.
Benner é um dos defensores da hipótese conhecida como “mundo de RNA”. Trata-se da resposta mais aceita ao clássico dilema de Tostines no que diz respeito à origem da vida: o que vem primeiro, o material genético, que guarda as receitas das proteínas que fazem tudo no interior dos organismos, ou as proteínas, que tocam o metabolismo adiante e são a razão de ser do material genético?

Hoje, a principal molécula guardadora do material genético, como todos nós conhecemos, é o DNA. Todas as criaturas vivas têm seus genomas confortavelmente conservados em longas moléculas dele.

Contudo, no passado, o RNA — que hoje serve principalmente para fazer o leva-e-trás da informação contida no DNA — pode ter sido o protagonista da festa. Por quê? Ocorre que os cientistas descobriram que, em certas circunstâncias, ele pode agir ora como uma proteína, estimulando reações químicas (ou seja, realizando metabolismo), ora para servir como guardador da informação genética (como, inclusive, faz para alguns vírus até hoje). Resolvendo os dois problemas ao mesmo tempo, ele seria o primeiro passo natural da vida, sem exigir a formação de duas coisas diferentes (DNA e proteínas) simultaneamente.
Daí a ideia de que o livro da vida teria como seu capítulo inicial o “mundo de RNA”.
Benner se especializou nos últimos anos no estudo de processos que podem partir de moléculas simples e chegar à síntese de RNA. Seu trabalho é tão reconhecido que o paleontólogo americano Peter Ward chegou a chamá-lo de “mestre-cuca do RNA”.

Em suas pesquisas, Benner se deparou com dois paradoxos. O primeiro é o de que, quando você junta moléculas orgânicas e as coloca para reagir, você não cria vida — de RNA ou de qualquer outro tipo. “O que você tem é algo como piche, óleo ou asfalto”, diz.
Aparentemente, há alguns elementos químicos que, colocados na mistura, impedem que esse processo de degradação aconteça, entre eles boro e molibdênio. “Análises de um meteorito marciano recentemente mostraram que havia boro em Marte. E agora acreditamos que a forma oxidada do molibdênio também estava lá”, complementa.
O segundo paradoxo tem a ver com a água. Ela é essencial à vida, mas faz um estrago danado quando RNA é exposto a ela. Benner aponta que, embora houvesse água no passado de Marte, ela existia em quantidades bem menores.
Ou seja, transferindo o mundo de RNA da Terra para Marte, Benner parece estar resolvendo alguns dos maiores desafios químicos para a origem da vida. Usando boratos para impedir a tendência de os compostos orgânicos simples virarem piche, e molibdatos (versões oxidadas do molibdênio) para rearranjar as moléculas capturadas pelos boratos, Benner e seus colegas obtiveram ribose. “O R do RNA”, diz. “E estamos usandos ambientes desérticos para administrar a instabilidade intrínseca do RNA em água.”
Em compensação, Marte parece ter sido o ambiente ideal para essas reações. “Cerca de 3,5 bilhões de anos atrás, toda a química que propomos poderia ter acontecido em Marte”.
Mas como a vida vai de um planeta a outro? Ela pode pegar carona em meteoritos. Um asteroide colide com Marte, atira material marciano — com criaturas vivas — para o espaço. Esses pedregulhos ficam flutuando sem rumo pelo Sistema Solar até que caem na Terra.
Acontece direto. Aconteceu com o ALH 84001, meteorito que ficou famoso depois que um grupo de pesquisadores da Nasa, liderados por David McKay, disse ter encontrado sinais de bactérias marcianas antigas nele. (Hoje, a maior parte da comunidade aposta que os cientistas comeram barriga. Benner também não compra a versão dos micróbios marcianos, embora ressalte que “ausência de evidência” não é “evidência de ausência”.)
Um dos pesquisadores que estudam a resistência de organismos vivos a viagens espaciais involuntárias como essa é Douglas Galante, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas. Embora ele acredite na viabilidade da panspermia (teoria que fala na transferência de organismos de um planeta a outro), o brasileiro é cauteloso quanto às afirmações mais arrojadas de Benner.
“É algo que ainda precisaremos provar”, diz. “A ideia ganharia muita força se detectarmos, com uma sonda como a Curiosity, uma grande quantidade de moléculas precursoras da vida em Marte, que tenham sobrevivido à destruição pela radiação UV e pelos raios cósmicos.”