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8668 – Biologia – Veja aqui o que que a formiga baiana tem


A formiga baiana fêmea tem apenas uma relação sexual em sua vida enquanto o macho morre minutos depois.
Estudando a Dinoponera quadriceps, uma formiga que habita as matas do Recôncavo Baiano, os pesquisadores Thibaud Monnin e Christian Peeters, da Universidade de Paris, mostraram até que ponto chega a disputa pelo poder na natureza. Entre as dinoponera, a fêmea castra e mata seu parceiro após o acasalamento. Guarda o esperma do macho num órgão especial de seu corpo e nunca mais copula de novo. Embora todas as operárias possam se reproduzir, só uma conquista o direito de se acasalar, no tapa, transformando-se na chamada formiga alfa. “As operárias brigam entre si”, diz um biólogo da Universidade de São Paulo. “A que bater mais domina o grupo.” A vida dos machos se resume a procurar uma alfa, namorar e morrer nas patas da sua cara-metade. “Mas ele não deve se importar”, brinca Monnin. “Dificilmente encontraria uma outra alfa virgem.”
Uma única lua-de-mel
Depois de copular com o macho, a dinoponera fêmea desiste da vida sexual.
Entre as formigas dinoponera, o direito à reprodução é disputado a ferroadas. Só a vencedora, chamada alfa, poderá se acasalar com um macho
O macho sobe nas costas da alfa, vencedora da disputa, e introduz o órgão reprodutor, onde estão os espermatozóides. A cópula dura minutos.
Fertilizada, a fêmea dobra o abdômen e, assim, arranca o órgão genital do parceiro, que fica preso ao seu corpo. Castrado, o macho morre.
A viúva se livra do órgão do macho. E guarda o esperma dentro de seu corpo para usar pelo resto da vida. Ela nunca mais se acasalará de novo.

8666 – Curiosidades – Qual é a frequência de som que incomoda os cães?


Convencionou-se chamar de som as frequências audíveis ao ser humano, de 20 Hz a 20.000 Hz (ou 20 kHz). Acima dessa faixa, há o ultra-som. Abaixo, ocorre o infra-som. Outros animais, que não o homem, ouvem uma faixa de freqüência diferente. Os cães escutam entre 15 Hz e 50 kHz. A partir de 20 kHz, faixa que o homem não detecta, o som pode se tornar incômodo a eles. Os animais que usam o som para se guiar têm capacidades auditivas ainda mais vastas. Os morcegos ouvem a faixa 1 kHz – 120 kHz e os golfinhos, 70 Hz – 240 kHz.
O homem, com seus aparelhos, produz frequências infra e ultra-sônicas. Essas fontes, no entanto, nem sempre causam incômodo aos animais. É o volume das ondas acústicas e a distância em que elas são produzidas que podem causar incômodo ou dor. Se a fonte emissora estiver próxima e o volume for muito alto, um cão poderá ficar incomodado, ainda que o humano não ouça nada. O ultra-som também é usado no adestramento desses animais. Cães de caça e de guarda às vezes são treinados a ter certos comportamentos ao ouvir o ultra-som de um apito especial.
Vale também dizer que alguns animais têm a capacidade de emitir o ultra-som. Os filhotes de gato, por exemplo, emitem sons nessa freqüência para chamar sua mãe e evitar predadores.

8665 – Por que a chama fica sempre para o alto?


A chama fica sempre para cima porque, durante a queima da vela, ocorre um processo contínuo em que o produto da combustão sai pelo topo da chama, enquanto mais oxigênio entra pela sua base, próximo de onde a parafina está sendo queimada. Qualquer que seja a posição da vela, o fogo sempre se mantém no sentido vertical. O ar frio é atraído para a chama por causa das chamadas correntes de convecção. Como os gases produzidos pela combustão são menos densos que o ar ao redor, eles sofrem menor ação da força da gravidade e sobem, ao contrário do ar frio, atraído pela gravidade da Terra por ser mais denso (mais pesado).
O ar quente, ao subir, deixa espaço para que o ar frio, com mais oxigênio, ocupe o seu lugar, realimentando o processo de combustão da chama. A fuligem, produto da queima incompleta da vela, também é carregada para cima durante a combustão. Portanto, a convecção do ar ocorre graças ao efeito da gravidade.

8664 – Como funcionam as drogas contra disfunção erétil?


Atualmente, existem quatro drogas que prometem combater o problema da disfunção erétil. Três delas, cujos princípios ativos são o sildenafil, o vardenafil e o tadalafil, agem de forma semelhante no organismo: ao barrar a atividade de uma enzima que inibe a ereção, chamada PDE5, elas fazem com que o pênis permaneça ereto por mais tempo.
Os medicamentos começam a agir cerca de 30 minutos após serem ingeridos e continuam eficazes por um tempo que varia entre cada medicamento. O vardenafil, por exemplo, pode ser tomado de 25 a 60 minutos antes da relação sexual, e ela pode ser iniciada até cinco horas após a ingestão da pílula. O sildenafil tem efeito semelhante. Já o tadalafil age no organismo por mais tempo: até 36 horas.
A quarta droga, com o princípio ativo apomorfina, age diretamente no cérebro, estimulando a produção mais elevada do neurotransmissor dopamina, com o objetivo de aumentar o desejo sexual no momento da relação e, dessa forma, estimular a ereção. A droga, dissolvida embaixo da língua, age após cerca de 20 minutos.
No entanto, os medicamentos não fazem o trabalho sozinhos. Para que entrem em ação, é preciso que a pessoa tenha um estímulo inicial, físico ou psicológico. Portanto, ninguém corre o risco de ter uma ereção de surpresa, no meio do trabalho.
No Brasil, estima-se que 12 milhões de brasileiros tenham problemas de disfunção erétil. Desses, apenas 300 mil procuram algum tipo de tratamento. Mas isso pode mudar. De acordo com especialistas, após o lançamento desses medicamentos, a procura pelos médicos aumentou. As pessoas passaram a encarar a disfunção erétil como uma doença que pode ser tratada.

8663 – Paradoxo Ecológico – Por que o derretimento das geleiras pode fazer o nível do mar recuar?


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Com o aquecimento do planeta e o derretimento das geleiras, o nível do mar subirá. Mas, em alguns lugares do mundo, por mais estranho que pareça, as águas deverão baixar. No passado, cientistas acreditavam que o nível do mar aumentaria por igual em todas as partes do mundo, como numa banheira cheia de água. Ao analisar os dados do aumento do nível do mar que já vivemos e as mudanças na última era do gelo, os números não batiam – e foram até usados como argumento, por céticos, para mostrar que a ciência do clima estava errada.
A solução para a questão só foi descoberta quando a equipe do pesquisador Jerry Mitrovica, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, decidiu colocar um dado a mais na equação: a força da gravidade. Mitrovica descobriu que as grandes geleiras da Antártica e da Groenlândia exercem forte atração gravitacional sobre o mar. Essa força puxa a massa de água na direção da geleira, aumentando o nível do mar nos polos. Quando a geleira derrete, a atração gravitacional enfraquece, e o nível do mar diminui ali.
A boa notícia é que o mar mais baixo nos polos pode ajudar a desacelerar o próprio derretimento das geleiras. Com menor quantidade de água do mar, as geleiras ficam menos expostas às correntes de água quente. Com isso, podem derreter em velocidade menor que a esperada. A má notícia é que essa água vai para algum lugar. Se o nível do mar diminuirá nos polos, deverá aumentar ainda mais em outras partes do globo. Os modelos mostram que o derretimento da Groenlândia pode diminuir o nível do mar no nordeste do Canadá, na Islândia e na Escócia. Em compensação, as águas subirão mais na América do Sul, inclusive no sul do Brasil. Os modelos de computador que calculam essas variações ainda estão em aprimoramento. Mas, provavelmente, quem gosta de praia terá de buscar refúgio na Escócia ou na Islândia. Pelo menos estará mais quente por lá.

8662 – Planeta Verde – A China limpará o mundo?


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“Observe profundamente o vento e a nuvem, e você conhecerá completamente este reino.” É assim que se encerra o poema “Habitando as montanhas”, do chinês Xie Lingyun, considerado o primeiro poeta paisagista da história. Lingyun viveu entre 385 e 433 a.C. e passou os dez últimos anos de sua vida recluso, numa região montanhosa do sudeste da China. Pouco imaginaria que, milênios depois, o céu limpo que o inspirou se tornaria tão poluído e cinza. Os moradores de Pequim que o digam. Em janeiro, a poluição do ar na capital chinesa ultrapassou em 25 vezes o limite considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde. Segundo a embaixada americana local, a concentração de sujeira no ar ao longo do mês foi de 194 microgramas de partículas por metro cúbico, maior que a média nos fumódromos dos aeroportos americanos.
O cenário quase apocalíptico é incongruente com os investimentos do governo chinês em energia limpa. Segundo um relatório publicado em abril pelo instituto americano Pew de pesquisa, em parceria com a empresa Bloomberg New Energy Finance, a China assumiu em 2012 o título de país que mais investe em energia limpa no mundo. Somente no ano passado, gastou US$ 65,1 bilhões instalando geradores de energia solar, eólica e de biomassa. É quase o dobro dos Estados Unidos, o vice-líder em investimentos verdes do mundo.
O empenho ambiental impressiona. Mas não anula a poluição produzida com as riquezas da China. “Embora o governo tenha metas ambiciosas para lidar com seus problemas ambientais, parece perder espaço em outras áreas importantes”, afirma Henry Paulson, ex-secretário do Tesouro americano e ex-executivo-chefe do banco Goldman Sachs. Em nome do Paulson Institute, organização sem fins lucrativos que fundou em 2011, ele atualmente aconselha o governo chinês na busca de um crescimento sustentável. “Pouco adianta crescer e aumentar 1 ponto no PIB, se as pessoas estão morrendo pela poluição”, diz.
A China não sujeita seus moradores a infecções respiratórias, doenças cardiopulmonares e câncer de pulmão à toa. O país paga a conta pelos planos de ultrapassar a economia dos EUA até 2030. “Para chegar lá, a China precisará gastar 400% a mais de energia que atualmente”, afirma Richard Brubaker, professor de sustentabilidade e liderança responsável da China Europe International Business School, em Xangai. “É impossível atingir essa meta de maneira sustentável.” Principalmente quando o país depende da energia gerada pelo carvão. Segundo a agência de Administração de Informação de Energia dos EUA, em 2011 a China consumiu 47% do carvão no mundo.
O custo da sujeira é alto. Segundo o Ministério do Meio Ambiente da China, os danos à saúde e aos ecossistemas custaram US$ 230 bilhões em 2010, o equivalente a 3,5% do PIB do país. “Muitas autoridades chinesas já admitem que os problemas ecológicos podem prejudicar o desenvolvimento futuro”, afirma Sam Geall, professor da Universidade de Oxford e editor do livro China and the environment: the green revolution (China e o meio ambiente: a revolução verde, em tradução livre).
As autoridades chinesas dão sinais de que pretendem um novo tipo de progresso. Um projeto desafiador para um país que pretende colocar mais 300 milhões de pessoas em cidades nos próximos 30 anos – o equivalente a criar uma Nova York a cada ano. “A China tem uma economia bem mais complexa que há dez anos, e seus interesses resistirão a mudanças. Mesmo sendo otimista, sei que elas levarão tempo”..
Um indicador positivo é a mudança na postura dos cidadãos. Há 20 anos a China tinha apenas duas ONGs ambientais. Hoje, são milhares. “Os jovens chineses estão cada vez mais preocupados com o meio ambiente, e muitos políticos sabem disso”.A mudança de mentalidade é importante para além da Grande Muralha, pois boa parte da poluição não tem fronteiras.

8661 – Mega Curiosidades – Por que não conseguimos provocar cócegas em nós mesmos?


Porque a capacidade de prever as consequências das nossas próprias ações faz o cérebro reagir diferentemente a um auto-estímulo. Ou seja, se você sabe que vai sentir cócegas, porque é você mesmo quem as está provocando, deixa de senti-las. Um estudo coordenado pela pesquisadora Sarah Blakemore, do Instituto de Neurologia da College University de Londres, observou o cérebro de dois grupos de voluntários. Em um deles, a palma das mãos, onde normalmente se sentem cócegas, era tocada por um robô e, no outro, pelos próprios donos das mãos. Os exames revelaram que no primeiro grupo foram ativadas mais áreas cerebrais que interpretam os estímulos sensoriais do que no segundo. “Acreditamos que uma região do cérebro, o cerebelo, seja a responsável por prever as conseqüências sensoriais de nossos próprios movimentos”, diz Sarah Blakemore. “Nesse caso, ele enviou sinais para cancelar as respostas sensoriais interpretadas como cócegas produzidas pela própria pessoa.”

Vejamos como o cérebro responde aos estímulos:

Se uma pessoa faz cócegas em outra, as regiões do cérebro onde estão as células que captam as sensações são ativadas.
Quando alguém tenta fazer cócegas em si mesmo, o estímulo é bloqueado e menos sensores são ativados.

8660 – Fala Chita! Descobertos os neurônios da fala do chimpanzé


De acordo com os neurologistas, o bicho homem domina a linguagem porque tem um cérebro meio torto. É que, para decodificar os sons, e com isso criar a fala, os neurônios formam duas pequenas estruturas chamadas plano temporal, uma de cada lado do crânio. E elas não são iguais: a do lado esquerdo é ligeiramente maior do que a da lateral direita. Foi essa diferença que deu ao homem a aptidão para entender as palavras, já que só ele, em todo o reino animal, tem o plano temporal canhoto crescido. Ou melhor, tinha: agora se sabe que o “órgão” da fala também existe no chimpanzé. A descoberta pertence ao antropólogo Patrick Gannon, da Faculdade de Medicina Monte Sinai, em Nova York. Com isso, a estrutura cerebral da linguagem deixa de ser exclusiva da espécie humana. “O Chimpanzé evidentemente não fala”, disse Gannon à Super. “Mas é impressionante pensar que, há uns 8 milhões de anos, a linguagem estava começando a evoluir no crânio dos ancestrais dos macacos”.

8659 – Física – Existem chamas com temperaturas diferentes?


A do álcool etanol está entre 200° e 300° Celsius enquanto a da parafina da vela chega a 600°. E um fósforo, no instante em que é aceso, chega a 750°. A queima é uma reação entre um material qualquer e o oxigênio do ar, que libera calor. O quanto é liberado depende do que é queimado. “Uma das características de um material é o chamado poder calorífico, a capacidade de emitir energia durante a queima”, explica um engenheiro químico, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo. Isso depende das ligações químicas dentro do tal material. O carbono e o hidrogênio, presentes no gás butano, por exemplo, têm um poder calorífico maior e produzem uma chama mais quente do que a da ligação de carbono com oxigênio, característica dos álcoois. Também é possível elevar a temperatura de uma chama sem mudar o material em combustão: basta aumentar a concentração de oxigênio no ar.

8658 – De ☻lho no Mapa – Estado do Piauí tem o menor litoral do Brasil


litoral do Piauí

O Piauí é o estado marítimo de menor litoral, apenas 66km de extensão. Isto deve – se ao sistema de colonização adotado em nosso estado, do interior para o litoral e as questões de fronteiras que tivemos com os vizinhos: Estado do Maranhão e Ceará.
Durante muito tempo o Piauí foi um estado sem litoral. Somente no século passado, o estado fez uma troca com o Ceará, cedendo os municípios de príncipe Imperial, hoje Crateús – Ce e Independência que permanece com o mesmo nome naquele estado, conseguindo em 1880, o território de Amarração; com os mesmos limites estabelecidos pelo Ceará.
O litoral é pouco recortado, apresentando costas baixas e arenosas, nas quais observa-se a existência de dunas que resultam de ação do vento sobre a areia das praias. Os 66km do litoral que possuímos estão divididos em duas partes:
– 30km na Ilha Grande de Santa Isabel.
– 36km na parte continental.

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Extensão:
O litoral piauiense começa na Barra das canárias – na fronteira com o Maranhão e segue pela Ilha Grande de Santa Isabel, passando pelo farol e praia da Pedra do Sal, vai até a Barra da Timonha – na foz do rio São João da Praia, na fronteira com o Ceará.
O principal acidente do litoral piauiense é o delta do rio Parnaíba, que só nos pertence em parte, o restante pertence ao Estado do Maranhão.

Barra das Canárias:
Um dos braços formadores do delta do Parnaíba, que serve de divisa entre o Piauí e o Maranhão.
Barra do Iguaçu:
Outro braço formador do delta do Parnaíba que pertence ao Piauí.
Barra da Timonha:

Acidente do litoral piauiense onde encontramos a importante Ilha do cajueiro que pertence ao Piauí. Na barra da Timonha desembocam os rios: São João da Praia ou Ubatuba e o Timonha, no local onde termina o litoral do Piauí e começa o litoral cearense.
Ilhas:
Todas as ilhas do Delta do Parnaíba pertencem ao município de Parnaíba. As principais são:
Ilha de Santa Isabel:
A maior e mais importante ilha do delta do Parnaíba, fica situada entre a Barra das Canárias e a Barra do Iguaçu. Nela encontramos o ponto extremo norte do Piauí. Outras ilhas Batatas, Trindade, Estevão e Morros.

Canais:
Canárias – com o farol. Morros, Trindade, Iguaçu e o canal de São José. Este último, artificia, cortando a ilha de Santa Isabel, tem por finalidade encurtar a distância entre Parnaíba e o Porto de Tutóia no Maranhão.
Pontas:
Itaqui, do Anel e Pedra do Sal.
Baías:
Canárias – na foz do Parnaíba, entre o Piauí e o maranhão, ponta do Anel, Amarração, Barrinha e Timonha.

Praias:
Pedra do Sal: na ilha Grande de Santa Isabel, no município de Parnaíba.
Atalaia: a mais freqüentada, já urbanizada e com pista asfáltica, onde encontramos um farol e alguns hotéis. No município de Luís Correia.
Praia do Coqueiro: com linda paisagem onde predomina coqueiros (coco da praia), local de grande atração, devido a pesca. Localizado no município de Luís Correia. Nossas praias oferecem ótimas condições de turismo, devido suas belezas naturais.

Lagoas:
No município de Luís Correia, estão quatro lagoas litorânicas: Sobradinho, Santana, São Bento e Alagadiço, sendo as duas primeiras de grande importância econômica, pela sal que acumulam.

Porto:
O único porto marítimo do Piauí é o de Luís Correia, antiga Amarração, fundado em 1820 na foz do Iguaçu, pelo governo do Ceará.
Atualmente, há no Piauí dois municípios litorâneos – Parnaíba e Luís Correia, ambos integrantes da micro – região do Litoral Piauiense, cujo o pólo é a cidade de Parnaíba.
O clima do litoral piauiense é quente e úmido, com chuvas de verão e temperaturas médias anuais em torno de 26ºC e os totais pluviométricos estão por volta dos 1.200mm.
A vegetação é constituída de mangues, vegetação de dunas e cerrados, também existem coqueiros que se espalham por todo o litoral. Nas partes baixas e úmidas, aparecem a carnaúba e o buriti.
A pesca é a mais importante atividade econômica do litoral. Também merecem destaque as grandes reservas de sal e a Indústria de turismo.
O transporte marítimo é muito precário, por que o Porto de Amarração precisa ser ampliado e aparelhado para receber navios de grande calado.

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8657 – Planeta Verde – Floresta e cerrado sob risco de extinção


Planeta Verde
As projeções são alarmantes. Segundo estudos recentes, o cerrado corre sérios riscos de desaparecer até 2030, enquanto a Amazônia não veria o alvorecer do próximo século.
Dois dos maiores biomas (nome dado a regiões onde predomina um conjunto de espécies de fauna e flora) do país, o cerrado ocupa 2,04 milhões de km2 (22% do território brasileiro), enquanto a floresta Amazônica responde por 3,4 milhões de km2 (mais de 40% do Brasil).
Coincidentemente os dois alertas foram dados em julho passado. Primeiro, a revista Nature publicou nota sobre um estudo feito pela ONG Conservação Internacional (CI) revelando que cerca de 20 mil km2 de cerrado são destruídos todos os anos para dar lugar ao cultivo de soja, trigo e algodão. “É o equivalente a 2,6 campos de futebol por minuto”, diz o biólogo Ricardo Machado, um dos autores do estudo. Os pesquisadores compararam imagens de satélites de 2002 com dados de 1993. Naquele ano, 49% da área total do cerrado havia sido destruída. Em 2002, a devastação chegou a 54%. Nesse ritmo o cerrado poderá acabar em 2030, dando lugar a áreas agrícolas e urbanas.
O mais irônico dessa história é que, se o cerrado sumir, ele poderá ressurgir em outra região do país, como fruto de mais um desastre ecológico: a devastação da floresta Amazônica. Em estudo recente, o meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Carlos Nobre analisou como a floresta tem interagido com o clima nos últimos 20 mil anos e fez uma projeção. “O aquecimento global e o crescente desmatamento podem trazer mudanças climáticas importantes, principalmente com a diminuição de chuvas”, afirma. Com isso, ele prevê que a densa floresta possa dar lugar a uma vegetação típica do cerrado.
Para evitar que isso aconteça, é preciso agir em duas frentes. “A primeira é acabar com a exploração ilegal de madeira, que responde por até 80% dos desmatamentos. A outra é lutar para que a emissão de poluentes, que provoca a elevação da temperatura, seja reduzida”.

Glossário:
A FLORESTA AMAZÔNICA É…
• Principal bioma do país, ocupa uma área de 3,4 milhões de km2 (mais de 40% do Brasil, nove Estados) e tem um quinto da disponibilidade mundial de água doce
• Abriga cerca de 30 mil espécies de plantas, o que corresponde a 10% de todo o planeta. Só em árvores há cerca de 5 mil espécies
• Conta com, no mínimo, 1 300 espécies de peixes. Mas esse número pode ser 40% maior, já que nem todos são conhecidos.
O CERRADO É…
• Segundo maior bioma do Brasil, estende-se continuamente por 11 estados, contabilizando 2,04 milhões de km2 (22% do território nacional)
• Reúne 112 espécies animais ameaçadas de extinção
• Espécie de “caixa-d’água” da América do Sul, abriga nascentes e cursos de água que escoam para as bacias dos rios Amazonas, Tocantins, Parnaíba, São Francisco, Paraná e Paraguai.

8651 – Ervas daninhas desafiam poder da biotecnologia


A depender do ponto de vista, o capim-arroz é um pesadelo ou uma maravilha. Isso porque é uma planta extremamente triunfante. O capim-arroz é particularmente devastador em arrozais, onde os prejuízos às vezes chegam a 100%. Ele desenvolveu resistência a muitos herbicidas usados por agricultores para controlar ervas daninhas, e cada planta pode produzir até 1 milhão de sementes, que se alojam no solo esperando a chance de crescer.
No fim das contas, o capim-arroz e as muitas outras ervas daninhas do mundo resultam em uma redução de 10% na produtividade das lavouras. Só nos EUA, causam um prejuízo estimado em US$ 33 bilhões por ano. Os herbicidas podem reduzir o dano, mas a resistência se desenvolve em poucos anos a partir da introdução de um novo defensivo químico. Agora, alguns cientistas argumentam que podemos encontrar formas mais eficazes de combater as ervas daninhas estudando sua evolução.
“São plantas incrivelmente bem-sucedidas. Elas evoluíram para tirar proveito de nós”, disse Ana Caicedo, da Universidade de Massachusetts. O capim-arroz mudou drasticamente em relação a seus ancestrais, desenvolvendo tolerância ao solo encharcado dos arrozais. Ele também evoluiu para ficar parecido com o arroz.
Certos traços ajudam as espécies selvagens a se tornarem ervas daninhas -elas crescem rapidamente, por exemplo, e produzem muitas sementes.

Outras ervas evoluem a partir da união de plantas selvagens com cultivos agrícolas. Na década de 1970, beterrabas selvagens da Europa lançaram pólen que fertilizou beterrabas açucareiras cultivadas em fazendas. Também cultivos agrícolas podem virar ervas daninhas. “Domesticamos uma planta a partir do estado selvagem, e ela, de alguma forma, se ‘desdomestica’ -o que eu acho bastante interessante”.
Entre esses cultivos desgarrados está uma erva daninha conhecida como arroz vermelho. O arroz domesticado foi selecionado geneticamente de modo a reter suas sementes quando colhido. Já o arroz vermelho desenvolveu sementes frágeis, que caem no chão ao serem colhidas, às vezes ficando dormentes. Essas sementes dormentes podem posteriormente brotar. “É um traço fantástico para uma erva daninha”, disse Caicedo.
O DNA das ervas “desdomesticadas” adquire novas mutações em diferentes genes. “Você tem um novo conjunto de truques genéticos”, disse Norman Ellstrand, da Universidade da Califórnia, em Riverside.
O último século trouxe uma série de herbicidas químicos que logo se tornaram ineficazes. Hoje, 217 espécies de ervas são resistentes a pelo menos um herbicida, segundo a Pesquisa Internacional de Ervas Resistentes a Herbicidas.
Na década de 1970, havia grande esperança em torno de um novo herbicida chamado glifosato, vendido pela Monsanto como Roundup. Os primeiros estudos revelaram que as ervas daninhas não desenvolviam resistência a ele, o que despertou a expectativa de que finalmente os agricultores haviam escapado da evolução.
Na década de 1980, a Monsanto ampliou a popularidade do glifosato lançando cultivos agrícolas geneticamente modificados que portavam um gene que lhes conferia resistência ao herbicida. Em vez de usar diversos herbicidas diferentes, muitos agricultores poderiam agora usar apenas um. No entanto, por meio da evolução, as ervas daninhas acabaram se tornando resistentes ao glifosato.
Meses atrás, a consultoria agrícola Stratus informou que metade das fazendas americanas tinha em 2012 ervas daninhas resistentes ao glifosato. Em 2011, eram 34%.
Alguns pesquisadores argumentam que as ervas daninhas podem ser combatidas com a combinação de dois genes de resistência em uma só planta cultivada, de modo que os agricultores poderiam aplicar dois herbicidas ao mesmo tempo. A chance de que uma erva tenha resistência aos dois produtos químicos seria minúscula. Mas na revista “Trends in Genetics”, uma equipe franco-americana de cientistas apresentou um contra-argumento: pulverizar um produto químico pode motivar a evolução de um sistema de reação a todo tipo de estresse, capaz de defender a planta contra mais de um herbicida.

8650 – Linguística – Hipócrates e Hipocrisia, Nada a Ver…


A palavra hipócrita veio do grego e designava, a princípio, apenas um ator, um comediante, um histrião, sem as conotações intensamente negativas – de falsidade, dissimulação, fingimento – que hoje estão grudadas nela. Ou melhor: o fingimento estava lá, mas era exercido em nome de uma causa nobre, a de entreter o público.
Todos os filólogos concordam sobre a origem do vocábulo hipocrisia: o grego tardio hypokrisía, com ou sem a intermediação do latim hypocrisis. O dicionário Saraiva define assim o substantivo latino: “elocução, declamação; arte, habilidade para imitar a fala, gestos e modos de uma pessoa”.
Há alguma controvérsia sobre os sentidos primitivos que deram origem à acepção moderna de hipócrita. O Houaiss registra a acepção grega de “intérprete de um sonho, de uma visão; adivinho, profeta” como anterior à de ator – o que pode sugerir uma raiz de charlatanismo para o dissimulado de hoje.
No entanto, o etimologista catalão Joan Corominas liga a hipocrisia diretamente ao trabalho de interpretação de uma peça, sem a interferência de profetas ou adivinhos, ao derivar o termo grego de hypokrínomai, “diálogo”.
Seja como for, é certo que ao desembarcar em português no século XIV a palavra hipócrita já trazia consigo, pronta, a acepção que hoje vemos atribuída com frequência a políticos e outros fingidores. O passo decisivo para a consolidação desse sentido foi, segundo o Saraiva, o uso do vocábulo latino por São Jerônimo (cerca de 347-420), padre e erudito, para designar um tipo bem específico de “ator”: o falso bom cristão, o devoto fingido.
Em tempo: o grego Hipócrates, conhecido como “pai da medicina”, não tem nada a ver com isso.

8649 – Evolução das Espécies – Novos estudos britânicos discutem origem da monogamia


A monogamia é uma opção rara entre os mamíferos. Isso porque, períodos de gestação e lactação acabam deixando mais vantajoso para os machos procurar outra parceira com quem se acasalar — e continuar espalhando seu material genético. O surgimento da monogamia entre os primatas é alvo de constante debate e hipóteses controversas entre cientistas. Esta semana, duas pesquisas publicadas em periódicos científicos de renome trazem novamente o debate à tona. Enquanto um estudo no PNAS defende a monogamia como um mecanismo para defesa da prole, evitando o infantícidio por machos concorrentes, um estudo publicado na revista Science alega que a monogamia teria surgido como uma estratégia dos machos para proteger as fêmeas.

Realizado por uma equipe de pesquisadores de universidades britânicas, o estudo publicado pelo PNAS alega que alguns machos estariam dispostos a matar as crias de uma fêmea com quem desejam se acasalar. Com os filhotes de um macho concorrente fora do seu caminho, eles teriam uma fêma disponível ao acasalamento — e à preservação de seu material genético. Para proteger a prole desse infanticídio, os primatas começaram, então, a se dividir em pares. Assim, o casal teria mais força e união para defender sua ninhada. Na visão deles, nascia a monogamia.
Para chegar a essa conclusão foram analisados dados estatísticos de 230 espécies de primatas. Além da tese relacionada ao infanticídio, outras duas hipóteses também foram consideradas: a de que a monogamia surgiu para evitar que fêmeas se acasalassem com machos rivais, e a de que a contribuição paterna no cuidado dos filhotes melhoraria o sucesso reprodutivo do par, ou seja, conduzisse ao aprimoramento da prole. Segundo os pesquisadores, porém, a principal razão que levou à monogamia foi mesmo o infanticídio — a importância do cuidado paternal surgiria apenas depois disso.
De acordo com Eleonore Setz, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), já era sabido que os machos tinham um papel importante na criação da prole: eles ajudavam, por exemplo, no transporte dos filhotes, já que a mãe talvez não conseguisse cumprir as funções de amamentar e transportar sua cria. “Suspeitava-se, no entanto, de que essa necessidade do cuidado paternal teria dado origem à monogamia”. Segundo ela, a ideia sugerida pelo estudo da PNAS traz à discussão uma nova visão sobre o início da monogamia.
A tese defendida pela equipe da Universidade de Cambridge, também no Reino Unido, e publicada na revista Science, no entanto, vai por outro caminho. De acordo com o trabalho, a monogamia teria surgido entre os mamíferos como uma estratégia usada pelos machos para proteger as fêmeas, e evitar que elas se acasalassem com machos rivais. No cenário estudado pela equipe, as fêmeas viviam isoladas uma das outras, para evitar a competição entre elas.
Os pesquisadores de Cambridge analisaram dados de mais de 2.500 espécies de mamíferos. Descobriram que se reproduzir com várias fêmeas e estar perto de todas elas a fim de defendê-las era uma tarefa árdua e desgastante para os machos. Para conseguir isso, eles precisavam percorrer as grandes distâncias que separavam as fêmeas uma das outras.
Segundo o estudo, para conseguir defender a fêmea com eficácia, os mamíferos teriam passado, então, a se dividir em pares. Assim, cada macho se tornou responsável pela proteção de apenas uma fêmea, que viria a se tornar sua companheira.

8648 – Universidade – Stanford dá rasteira na Harvard


A revista americana Forbes publicou no fim da semana passada uma lista com as cem melhores universidades dos Estados Unidos de 2013, feita em parceira com o Center for College Affordability and Productivity (CCAP), núcleo independente de pesquisas voltado ao ensino superior. Pela primeira vez em seis edições do America’s Top Colleges, como é conhecido o levantamento, as duas primeiras posições foram ocupadas por instituições da Califórnia: Stanford e Pomona, respectivamente. A Universidade Princeton aparece em terceiro, enquanto Harvard, que figurou no 6º lugar em 2012, caiu para 8º. Foram avaliadas 650 universidades.
Além de ter duas escolas no top 3 do ranking, a Costa Oeste americana também se saiu melhor no quesito educação pública. A Universidade da Califórnia, em Berkeley, foi considerada a melhor instituição estadual de ensino superior, ocupando a 22ª posição da lista.

Os organizadores do prêmio destacaram ainda o bom desempenho da chamada Ivy League – grupo que reúne as universidades privadas Harvard, Pensilvânia, Princeton, Columbia, Yale, Brown, Cornell e Darthmouth, todas localizadas no Nordeste dos Estados Unidos. Apesar de não liderar o ranking, o grupo ficou dentro do top 20, com Princeton, Yale e Columbia em 3º, 4º e 5º lugares, respectivamente. Cornell foi a que apresentou o melhor salto: da 51ª posição, em 2012, para a 19ª, em 2013.
Para construir o ranking, Forbes e CCAP analisam fatores como taxa de satisfação dos estudantes com as aulas, inserção no mercado de trabalho após a graduação, dívida adquirida para pagar mensalidades, prêmios conquistados pelos estudantes das faculdades e porcentagem de alunos no prazo estipulado pelo curso.

8647 – As dez melhores universidades dos Estados Unidos


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1º lugar – Universidade Stanford, Stanford, Califórnia
Instalada em pleno Vale do Silício, a Universidade Stanford, fundada em 1891, é conhecida pelo desenvolvimento de tecnologia de ponta e pela formação dos mais poderosos CEOs da indústria tecnológica – caso de Larry Page, atual presidente do Google. A instituição acumula o mais famoso curso de ciência da computação dos Estados Unidos e um dos principais centros de pesquisa do mundo.
Stanford é também sinônimo de excelência em ciências humanas, sociais e naturais, com renomados cursos de direito e medicina, além do maior laboratório de pesquisa de células-tronco já construído. São sete faculdades, 16.000 estudantes e 19 prêmios Nobel laureados a alunos, ex-alunos e docentes.
Stanford foi considerada a segunda melhor universidade do mundo pelo ranking 2012-2013 da revista Times Higher Education (THE), atrás apenas do Instituto de Tecnologia da Califórnia e empatada com a Universidade Oxford, na Grã-Bretanha.

2º lugar – Faculdade Pomona, Claremont, Califórnia
Fundada em 1887 e localizada a aproximadamente 50 quilômetros de Los Angeles, a Faculdade Pomona é a casa de 1.600 estudantes, distribuídos em 47 cursos de graduação nas áreas de humanas, ciências naturais, ciências sociais e artes. A instituição prima pelas classes menores, com aproximadamente 15 alunos cada.
Estima-se que 91% dos estudantes se formam em quatro anos – duração considerada ideal pelos organizadores da America’s Top Colleges. Somente outras duas faculdades atingiram essa mesma porcentagem: Swarthmore (6ª colocação) e Haverford (43ª colocação).

3º lugar – Universidade Princeton, Princeton, Nova Jersey
No posto de quarta universidade mais antiga dos Estados Unidos – tendo o alvará de funcionamento liberado em 1746 –, a Princeton é ainda hoje referência internacional em pesquisa: nesse setor, cerca de 1.100 profissionais são contratados especificamente para orientar estudantes nos campos de humanas, engenharias, ciências naturais e ciências sociais. Princeton é frequentada anualmente por 8.000 estudantes e já reúne 36 prêmios Nobel ao longo da história.

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4º lugar – Universidade Yale, New Haven, Connecticut
A Universidade Yale é ainda mais antiga do que Princeton: data de 1701, figurando como a terceira mais antiga dos Estados Unidos. Com 11.250 alunos, reúne cursos das áreas de humanas, exatas e biológicas – cada uma contemplada com dezenas de centros de pesquisas.
Entre as graduações mais procuradas, Yale possui 15 escolas dedicadas aos cursos de medicina e enfermagem. Uma delas, a School of Medicine, funciona desde 1810.

5º lugar – Universidade Columbia, Nova York
A Universidade Columbia tem nome no cenário jornalístico: oferece aquele que é considerado o melhor curso de jornalismo dos Estados Unidos, além de administrar o Prêmio Pulitzer, mais cobiçado do ramo. Mas não é apenas à comunicação social que Columbia se dedica.
A instituição, quinta mais antiga do país, atende cerca de 28.000 estudantes nas áreas de exatas, biológicas e humanas. Em 259 anos, totaliza 82 laureados pelo prêmio Nobel, atingindo o posto de universidade americana que oficialmente mais possui essa condecoração.

6º lugar – Faculdade Swarthmore, Swarthmore, Pensilvânia
Assim como Pomona, a Faculdade Swarthmore, de 1864, é mais reclusa: concentra 1.545 estudantes em classes com menos pessoas. Cerca de 90% de seus estudantes se formam em quatro anos de graduação.
Swarthmore oferece mais de 40 cursos de humanas, exatas e biológicas. Seu forte, porém, são as ciências sociais e linguísticas.

7º lugar – Academia Militar dos Estados Unidos, West Point, Nova York
West Point forma oficiais do Exército americano desde 1802, a 80 quilômetros ao norte da cidade de Nova York. No ramo dos cadetes, a instituição é uma das mais renomadas não só dos Estados Unidos, mas do mundo todo.
Os currículos oferecidos pela academia também englobam as três principais áreas do conhecimento – exatas, humanas e biológicas – e possuem a duração de 47 meses.

8º lugar – Universidade Harvard, Cambridge, Massachusetts
Estabelecida em 1636, Harvard é a universidade mais antiga dos Estados Unidos. A instituição ficou em quarto lugar no ranking 2012-2013 de melhores universidades do mundo da revista Times Higher Education (THE), ficando apenas 0,1 ponto atrás da Universidade Stanford.
Harvard é composta por dez faculdades e um grande centro de pesquisa que, juntos, atendem os 21.000 estudantes dos principais campos de estudo. As escolas mais famosas, porém, são as de direito, medicina e economia – às quais se devem muitos dos 44 prêmios Nobel que Harvard oficialmente totaliza.
Entre as personalidades mais influentes que Harvard formou está Mark Zuckerberg, fundador do site de relacionamento Facebook.

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9º lugar – Faculdade Williams, Williamstown, Massachusetts
Williams ocupou o primeiro lugar na lista America’s Top Colleges de 2011 e o segundo em 2012. Mesmo tendo caído para a 9ª colocação em 2013, a faculdade fundada em 1793 é ainda uma das melhores opções para os que pretendem se formar em artes, humanas e ciências sociais. Oferece cerca de 35 cursos e é frequentada por 2.000 alunos.

10º lugar – Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Cambridge, Massachusetts
O MIT admitiu seu primeiro aluno em 1865, quatro anos após sua fundação, e é conhecido até hoje pelo rigor de seus cursos – 46, no total, divididos nos campos de arquitetura, engenharia, administração, ciências naturais, humanas, artes e ciências sociais.
O instituto, formado por cinco faculdades, integra ainda laboratórios e centros de pesquisa comparáveis aos da Universidade Stanford. Com 78 prêmios Nobel, o MIT é a terceira instituição de ensino superior dos Estados Unidos com maior número de laureados.

8646 – Nutrição – Condenando o Bife


De acordo com o julgamento das maiores autoridades do planeta no combate ao câncer, só o cigarro pode ser mais perigoso do que uma picanha na brasa. Daqui para a frente, o rodízio e outros cultos da carne passam a ser o inimigo público número 2 segundo a bancada de juízes reunida no 17º Congresso Mundial do Câncer, no Rio de Janeiro. Quem acha que essa é outra moda passageira vai mudar de idéia quando ficar sabendo que, segundo os médicos, 35% de todas as mortes por câncer se devem, em boa parte, ao abuso no consumo de filés, lombos e lingüiças.
Se você é um carnívoro moderado e só ingere, diariamente, o equivalente a dois hambúrgueres médios de qualquer modalidade de carne vermelha (o que inclui boi, porco e os outros mamíferos comestíveis), é melhor cortar um deles já. E se você é daqueles que não passam 24 horas sem deglutir uma portentosa fraldinha grelhada, é melhor procurar um nutricionista e se submeter a uma reeducação alimentar geral.
Nos países ricos o trauma será menor porque boa parte da população já vinha empurrando o vermelho para fora da paleta alimentar. Agora, com o veredicto dos cancerologistas, o destino do bife mal passado, no mundo todo, é se tornar ator coadjuvante em cardápios cada vez mais dominados por plantas e por delicadas receitas à base de peixes e frangos.
Os venenos que a proteína esconde
A lista de doenças atribuídas ao bife não é apenas impressionante. Ela está crescendo. Para se ter uma idéia, até o início dos anos 90, a preocupação dos médicos concentrava-se nos males da gordura animal para o coração. Os fanáticos do espeto corriam alto risco de ataques cardíacos, hipertensão e aterosclerose. “Como a proteína vermelha tem muita gordura, ela aumenta as taxas de colesterol, um entupidor de artérias”, diz Bruno Debenois, diretor de Nutrição da Organização Mundial da Saúde.
Nesta década os médicos perceberam que também tinham que se preocupar com outra sinistra coleção de moléstias, a dos tumores malignos. Até 1990, apenas um câncer havia sido relacionado ao açougue, o do intestino, o terceiro que mais mata no mundo. Mas, de lá para cá, apareceram os da boca, da faringe e do estômago, o campeão de mortes no Brasil. E, este ano, estudos preliminares estão revelando ataques a mais dois órgãos, o seio e a próstata. Segundo previsões do Instituto Nacional do Câncer, os tumores do estômago terão sido responsáveis
pela morte de 13 200 brasileiros em 1998. Isso faz dele o mais letal do país (o segundo colocado é o que ataca o pulmão, com 12 700 vítimas).
Abaixo o bem-passado
Não está claro, ainda, qual é o elo entre a proteína vermelha e a proliferação de células malignas nos órgãos da digestão, mas que ele existe, existe. Há cinco suspeitos. Um deles é a gordura. “Ela dificulta a digestão, forçando o fígado e o estômago a produzir ácido em excesso”, explicou o oncologista suíço Fabio Levi, da Universidade de Lausanne. “E a corrosão das paredes do intestino pode provocar mutações cancerígenas”.
Outra hipótese é a de que o enxofre contido nos medalhões e escalopes possa estar participando de uma conspiração terrível, ao lado de uma infinidade de pequenas foras-da-lei. São as bactérias moradoras do intestino, denuncia o oncologista Cummings. “É quase certo que as toxinas expelidas pelas bactérias ao devorar o enxofre colaboraram para o aparecimento da doença.” No começo deste ano, Cummings fez uma experiência que confirma a hipótese
Outra substância perigosa contrabandeada para dentro do organismo é o chamado amino heterocíclico. Apesar de não existir nas proteínas cruas, ele é criado pelo calor da grelha ou da panela, formando aquele pretinho crocante dos churrascos e das frituras. “Os aminos acabam no interior das células, onde se ligam ao DNA e provocam mutações cancerígenas”. Em altas doses, tais compostos chamuscados atacam o intestino e o estômago de ratos. Em novembro, os saborosos suspeitos foram também associados ao câncer do seio.
As duas últimas substâncias incriminadas são o alcatrão, o mesmo do cigarro, contido na fumaça que sobe da picanha na brasa, e, pasmem, o sal que recobre a tradicional carne seca. Sozinho, ele é inofensivo. Mas, misturado a uma substância de nome arrevesado, o N-nitrosamida – segregado pela ligeira fermentação da carne ao sol – se transforma numa toxina cancerígena. Diante de um quinteto nefasto como esse, fica difícil ignorar os riscos da proteína vermelha.
Que uma coisa fique bem clara: você precisa de proteína. Ela constitui a matéria-prima com a qual são feitos todos os seus órgãos e as engrenagens do organismo no dia-a-dia (a hemoglobina, por exemplo, transporta oxigênio do pulmão para as células o tempo todo). Sem ela, seu corpo simplesmente não funciona. E a fonte número 1 dessas moléculas essenciais está na carne. A branca e a vermelha. Sem dúvida, alguns vegetais, como o feijão e a soja, também têm muitas proteínas, mas elas não são tão úteis quanto as dos animais. Isso se deve à maneira como o corpo aproveita a comida. Na digestão, as moléculas sofrem uma desmontagem, até serem reduzidas a peças menores, chamadas aminoácidos. Então, as células remontam as substâncias de que têm necessidade. Acontece que as proteínas vegetais não apresentam, em quantidade suficiente, todos os aminoácidos que entram na receita do organismo humano.
Dito de outra maneira, você até pode adotar uma dieta 100% vegetariana e desistir de toda comida animal – ovo, leite, queijo, peixe, frango e boi. Só que, aí, vai ter que comer muito feijão para compensar. Seria preciso engolir, por dia, 1 quilo da leguminosa mais presente na dieta brasileira para suprir todas
as suas necessidades de aminoácidos. Por isso, os nutricionistas não acham boa idéia abandonar de vez os pratos de origem animal. “Eu aconselho consumir até 80 ou 100 gramas de carne vermelha a cada 24 horas”, conta a holandesa Wya van Staveren, pesquisadora da Universidade Wageningen. Desde que não seja todos os dias: “Umas três vezes por semana, deve-se substituí-la por peixe, ovo, queijo ou leite”. A meta, aqui, é justamente ampliar a oferta de aminoácidos diferentes.

Uma pesquisa feita pela revista americana Cancer mostra que houve um crescimento de 20% no consumo de vegetais, nos Estados Unidos, desde 1973. Não é à toa que a Burger King, a segunda maior cadeia de lanchonetes do mundo, resolveu fazer um teste e lançou, em 1996, um hambúrger de soja nos Estados Unidos. A empresa afirma que ainda não tem uma avaliação definitiva, mas considera que, até agora, o resultado tem sido “interessante”.
A força das hortaliças é ainda mais clara na Inglaterra, a meca mundial dos vegetarianos. Lá, mais de 5% da população já é adepta dessa religião alimentar. E, de acordo com um levantamento do Instituto Gallup, feito há dois anos, 46% dos ingleses estavam cortando a carne vermelha das refeições.
As estatísticas demonstram que, na Europa e nos Estados Unidos, o frango voa alto, enquanto a vaca vai para o brejo. Nos dois lugares, o consumo de picanha vem caindo devagar, mas com firmeza, nos últimos dez anos. O tombo foi de aproximadamente 20% nos países europeus e de 7,5% nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a procura pelo frango vem subindo aos saltos. As taxas de crescimento são de 40%, nos Estados Unidos, e de 20% na Europa. No Brasil, apesar de a carne vermelha ter crescido 40%, a subida dos galinácios é ainda mais extraordinária, de 100%.

8643 – Arma Química – O Vinagre e o Gás Lacrimogênio


Durante os protestos pelo Brasil em junho de 2013, se disseminou pela mídia a utilização de gases de ação lacrimogênea como um meio dispersante da multidão, assim como possíveis propriedades que o vinagre teria em anular os seus efeitos. Esse texto tem por objetivo trazer alguns esclarecimentos sobre o tema.
Ainda em relação ao gás lacrimogêneo, abordou-se questões que apontavam o vinagre como uma substância que poderia anular os efeitos desse gás. Entretanto, como o vinagre trata-se de uma solução de ácido acético (CH3COOH) à concentração de aproximadamente 5%, e este ácido não possui nenhuma atuação neutralizante sobre os gases lacrimogêneos, geralmente compostos clorados ou bromados, esta questão está mais para um mito popular do que para uma fundamentada teoria científica. Dessa forma, apresentou-se midiaticamente títulos como “A Revolta do Vinagre”, ou “A Resistência do Vinagre”, os quais podem melhor serem apontados como simbologia de uma movimentação social do que por apresentarem algum embasamento científico no que poderia se referir a uma reação orgânica de neutralização.
Referindo-se novamente ao vinagre, “esse ingrediente, porém, contém ácido acético e pode ajudar a aliviar os casos mais graves de contato com o gás: as queimaduras alcalinas na pele. Mas esse tipo de ferimento só ocorre em casos extremos, quando policiais atiram muitas cápsulas de pó lacrimogêneo numa área pequena (algo que são treinados para não fazer). Manifestantes que demoram a sair das nuvens de pó lacrimogêneo também podem ter essa queimadura, sobretudo se estiverem com roupas úmidas, que facilitam a absorção do gás pelo tecido”.
Tais gases lacrimogêneos podem ter seus efeitos minimizados aos se utilizar, por exemplo, uma máscara de carvão ativado, o qual é responsável pela adsorção das moléculas gasosas. Mas, com relação ao vinagre, a irritação cutânea poderá se dar inclusive pela ação deste ácido, uma vez que é irritante em concentrações maiores do que a apresentada na solução de vinagre. Temos aqui mais um caso de repercussão desorientada, motivada, provavelmente, por um efeito visual de repercussão iniciada casualmente.
Algumas recomendações são interessantes e fundamentadas ao se ter contato com um gás lacrimogêneo, como “tirar a roupa o quanto antes puder e sair do local para inalar o mínimo possível, pois em longos períodos o gás pode provocar, além da irritação, bronquite, pneumonia e lesões definitivas nos olhos”2. De modo caseiro, o carvão que resta nas churrasqueiras, enrolado por um tecido, poderia ser utilizado para cobrir as vias respiratórias, atuando similarmente ao carvão ativado e adsorvendo parte das moléculas gasosas irritantes.

8641 – O que são armas biológicas?


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São agentes vivos patogênicos (vírus, fungos, bactérias, etc) que são utilizados para atingir e contaminar um grande número de pessoas.
Esses artefatos são manipulados há séculos – existem registros de contaminações, quando os exércitos usavam cadáveres em deterioramento para contaminar o abastecimento de água ou quando lançavam corpos de vítimas de varíola em território inimigo. Os registros mais recentes são os dos atos terroristas que enviavam correspondências contaminadas com Anthrax.
Ainda não houve uma grande contaminação (em massa), até porque este evento só pode ser efetuado com um grande apoio científico-militar, ou seja, em período de uma grande guerra ou por grupos terroristas bem treinados.
A arma biológica de maior potencial conhecida é o anthrax, uma doença causada pela bactéria Bacillus anthracis. Típica de regiões agrícolas da Ásia, África e América Latina, a transmissão da doença se dá quando esporos da bactéria penetram algum ferimento cutâneo, ou quando os mesmos são inalados ou ingeridos. Na pele, que corresponde a 95% dos casos, a doença se manifesta como uma infecção com pus, semelhante ao furúnculo, formando posteriormente uma mancha-negra. No caso de inalação, provoca pneumonia, febre alta e dificuldades respiratórias, e geralmente é fatal.
Uma guerra biológica pode produzir efeitos assustadores, por isso um grupo de países assinou um acordo em 1972 para evitar tal guerra, mas de fato, esse acordo não estipula penalidades e nem faz um controle rigoroso, apenas registrou a intenção destes países.

8640 – Medicina – Fim da linha para o câncer?


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O monstro chamado câncer – palavra que muitos supersticiosos evitam até pronunciar – será domado, se não abatido de vez nos próximos dez ou 12 anos. Os mais otimistas dizem que o avanço da tecnologia e o domínio da genética vai acabar com a doença brevemente. Prognósticos moderados dão conta de que o câncer deixará de ser fatal para se tornar uma doença crônica, com a qual o paciente poderá conviver por muitos anos, tratando dos sintomas e evitando seu agravamento. É mais ou menos o que ocorre hoje com a diabetes e a hipertensão. Além disso, daqui a dez anos, os tratamentos terão menos efeitos colaterais, haverá maior controle sobre a dor, os exames diagnósticos serão menos invasivos e a prevenção mais eficiente.
A cura pode ser encontrada desde que existam as condições ideais – ou seja, muito, muito dinheiro – para pesquisas. Só para se ter uma idéia do quanto é esse “muito”: a pesquisa de uma nova droga contra o câncer, desde sua descoberta até que ela chegue ao consumidor, pode custar de 200 a 600 milhões de dólares. Em geral, os grandes laboratórios fazem associações para financiar esse trabalho precioso. Andrew C. von Eschenbach, diretor do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, acena com outra boa perspectiva: “Nunca tivemos tantas pesquisas sobre câncer e tantos recursos financeiros na história da pesquisa médica”.
É claro que ele está falando dos Estados Unidos, embora também haja pesquisas realizadas no Brasil – como, por exemplo, a da vacina curativa, coordenada pelo imunologista José Alexandre Marzagão Barbuto, do Hospital Sírio-Libanês, e professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Mas, como a maior parte dos remédios aprovados no Brasil são antes autorizados pelo FDA (o órgão norte-americano que testa, aprova e fiscaliza medicamentos), as boas novas de lá invariavelmente acabam aportando por aqui.

Uma doença, mil caras
Uma das maiores dificuldades para se pesquisar um tratamento definitivo ou uma cura total está na multiplicidade dessa doença. “Não se pode falar ‘o câncer’, e sim ‘os cânceres’, já que existem mais de 100 tipos diferentes”,
Cada célula de nosso corpo carrega seu código genético (DNA), um manual de instruções, que deve ser seguido à risca cada vez que ocorre uma divisão celular. O DNA é uma fita dupla que, na divisão, se separa e faz outra fita idêntica. Se houver algum erro nessa divisão, o mecanismo de controle de erro é acionado. No processo de crescimento tumoral, porém, esse controle falha, assim como nosso sistema imunológico, que está preparado para detectar e eliminar qualquer coisa errada ou estranha a nosso corpo.
O câncer possui vários mecanismos de crescimento e de fuga – ou seja, para escapar ao reconhecimento e à ação do sistema imunológico. “O câncer ocorre por alteração genética e por seleção”, isso quer dizer que as células cancerosas – com alterações genéticas – que conseguem escapar do sistema imunológico são selecionadas e continuam se multiplicando, exatamente como ocorre no processo de evolução das espécies.
Os pesquisadores buscam drogas específicas para atingir cada mecanismo de fuga e de tratamentos individualizados (chamados tailor made, ou, numa tradução literal, feito por um alfaiate).
As pesquisas atuais envolvem a prevenção, o diagnóstico e o tratamento – três fatores que, se mais bem desenvolvidos, podem reduzir o número anual de mortes causadas pelo câncer, hoje, em todo o mundo: 4 milhões. A boa notícia é que algumas das novas drogas e tratamentos pesquisados já comprovaram sua eficiência e começaram a ser usados. O futuro está chegando.
O conforto do doente é a prioridade número 1 para os pesquisadores. “Um dos problemas mais urgentes nos tratamentos de câncer é o controle da dor. Ele se faz com medicamentos cada vez mais eficazes, que não interferem com as condições de alerta dos pacientes. Assim, espera-se que nos próximos anos os tratamentos e suas conseqüências continuem a molestar cada vez menos os pacientes”, afirma o médico Raul Cutait, professor de cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretor do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo.

2015 é o limite
Reduzir os efeitos do sofrimento é o objetivo mais premente também nos Estados Unidos. O Instituto Nacional do Câncer estabeleceu o ano de 2015 como meta para se pôr fim à morte e ao sofrimento causados pela doença. “Atingimos um ponto de crescimento sem precedentes em três áreas relacionadas à pesquisa sobre câncer: conhecimento, tecnologia e recursos. Isso não significa que vamos curar o câncer, mas eliminar vários tipos e controlar os outros, permitindo que as pessoas vivam com a doença, em vez de morrer por causa dela”, afirma o médico Andrew C. von Eschenbach. O conhecimento a que ele se refere é o domínio do genoma – já que o câncer se origina em alterações genéticas – e da tecnologia.
Os exames diagnósticos vêm sendo pesquisados e desenvolvidos para atingir cada vez maior precisão e se tornar menos invasivos. “Há alguns anos, estiveram aqui pesquisadores da Nasa (Agência Espacial Americana) que estão estudando o uso de raios infravermelhos para detectar massas tumorais no organismo”, diz Brentani.
E o tratamento individualizado a que ele se refere se faz necessário por causa de uma das características mais marcantes (e cruéis) do câncer: sua multiplicidade. Uma de nossas armas é o coquetel de medicamentos, também múltiplo. “Como o tumor aparece por diversas vias, com várias alterações genéticas e moleculares, torna-se interessante a combinação de diferentes drogas e tratamentos. Isso amplia a possibilidade de controle da doença”, diz o médico Hakaru Tadokoro, secretário-executivo do Grupo Multidisciplinar de Oncologia Clínica do Hospital São Paulo e professor da Faculdade de Medicina da Unifesp.

Vejamos o arsenal que deve ser utilizado contra o câncer

Como vai funcionar a vacina anticâncer:
Material do tumor inserido em célula sadia desperta as defesas naturais
1. As células tumorais enganam o sistema imunológico. As células dendríticas, responsáveis por ativar as células de defesa, não reagem nesse ambiente
2. Células tumorais e dendríticas são fundidas em laboratório. Para formar a célula híbrida, os cientistas usam uma corrente elétrica de mil volts
3. A célula híbrida é injetada no organismo. É ela que avisa para o sistema imunológico que o tumor é um corpo estranho e deve ser destruído
4. Desarmado o sistema de disfarce do câncer, as células de defesa do organismo conseguem reconhecer e atacar as células tumorais

A busca pela vacina
Pesquisas tentam driblar o mecanismo perverso do câncer
Há dois tipos de vacina sendo pesquisadas para o combate do câncer, direto ou indireto: as preventivas e as curativas. As preventivas não se destinam a evitar o surgimento dos tumores propriamente ditos, mas de doenças que possam evoluir para um quadro de câncer. Uma delas, já em uso, previne a hepatite B – enfermidade virótica que ataca o fígado e pode se tornar cancerígena. Outra está em fase final de pesquisa: ela visa a prevenção de determinados tipos de papilomavírus humano (HPV). A doença, que se manifesta por pequenas verrugas nos órgãos genitais, é considerada um fator de risco para o desenvolvimento de câncer no colo do útero e no pênis.
As vacinas curativas atuam quando a doença já está instalada no organismo. Elas estimulam o sistema imunológico do paciente a reconhecer e eliminar as células cancerígenas. Não se sabe ainda exatamente por que nosso corpo deixa escapar células cancerígenas. Segundo uma das hipóteses, ele simplesmente não as reconhece como um inimigo, por se tratar de células do próprio corpo.
Uma das vacinas pesquisadas busca alertar nossas defesas ao combinar elementos do tumor com células do sistema imunológico (veja infográfico acima). Em nosso organismo, há várias células capazes de apresentar antígenos (fatores estranhos ao corpo) aos leucócitos – os glóbulos brancos do sangue, capazes de eliminar elementos nocivos ou chamar aliados para fazê-lo. As mais eficientes são as chamadas células dendríticas. O método consiste em pegar uma célula, in vitro, e acrescentar a ela material do tumor, que funciona como antígeno.

As drogas do futuro
Novos rumos do tratamento do câncer excluem os efeitos danosos da químio e da radioterapia
Centenas de milhões de dólares são gastos anualmente na pesquisa de drogas contra o câncer. Infelizmente, a doença é capaz de criar sempre novos mecanismos de crescimento, caso o organismo consiga suprimir um deles. Por isso cada droga pesquisada visa combater um truque específico. “São as target therapies”, afirma o médico Frederico Costa, do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês. “Elas destroem as células tumorais, mas poupam as células normais.” Nos tratamentos convencionais, como quimioterapia e radioterapia, também são eliminadas células saudáveis, o que causa terríveis efeitos colaterais. Veja abaixo o que há de mais novo na pesquisa de substâncias contra o câncer:

INIBIDORES DE TIROSINA QUINASES:
Substâncias que bloqueiam a produção de proteínas necessárias para o crescimento do tumor. São as mais avançadas, hoje, na terapia do câncer, como Imatinib, ZD 1839, C225.

INIBIDORES DE ANGIOGÊNESE:
Os tumores criam uma rede de vasos sangüíneos, por meio da qual se alimentam e se espalham pelo organismo. Hoje, há drogas capazes de inibir esse processo (chamado angiogênese), “matando de fome” o tumor. A mais usada é a Talidomida. A substância, que já foi usada como sedativo, ganhou notoriedade macabra por provocar o nascimento de crianças deformadas quando tomada por mulheres grávidas.

INIBIDORES DE METALOPROTEASE (MMP):
São substâncias que atuam quando a célula tumoral invade estruturas de outros tecidos para iniciar uma metástase, ou quando inicia a angiogênese. Há várias em pesquisa, como a BMS 275921.

INIBIDORES DA FARNESIL TRANSFERASES:
São drogas que bloqueiam um dos processos de crescimento tumoral, chamado oncogênese “ras”. Em pesquisa: R 115777 e SCH 66336.

INIBIDORES DE COX:
Já utilizadas para alguns tipos específicos de câncer, como o de pulmão (que apresenta a mais alta taxa de mortalidade) e o de cólon. As chamadas drogas inibidoras de Cox-2 já são vendidas como antiinflamatórios e analgésicos, mas podem ser usadas na prevenção e no tratamento desses tumores.

MARCADORES DE APOPTOSE, MARCADORES DE CICLO E PROLIFERAÇÃO CELULAR E MARCADORES DE METILAÇÃO ABERRANTE DE DNA:
As células saudáveis realizam apoptose, ou seja, se suicidam, “sabem” a hora de morrer, já que novas células estão sempre sendo produzidas. Alterações genéticas impedem que as células tumorais morram, levando ao crescimento do câncer. Estão sendo pesquisadas drogas que interfiram nesse processo de alteração genética.