9478 – Tabagismo – O primeiro cigarro do dia


Um estudo publicado no periódico “Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention” demonstrou que quanto mais cedo uma pessoa fuma seu primeiro cigarro do dia, maior é seu risco de desenvolver câncer de pulmão ou de boca. Fumar imediatamente após acordar eleva no sangue os níveis de uma substância chamada NNAL, associada a esses tipos de câncer. Os índices podem ser menores caso o fumante acenda o primeiro cigarro meia hora depois de acordar. (O ideal seria nunca).

9477 – Gordura saudável para homens


Substituir os carboidratos e a gordura animal provenientes de carnes vermelhas e alimentos processados por gordura de origem vegetal, encontrada principalmente no azeite de oliva, nozes e abacate, pode ser benéfico para os homens diagnosticados com câncer de próstata. A opção pela gordura considerada saudável reduz a chance de propagação da doença, segundo uma pesquisa publicada no periódico “JAMA”.

9475 – A ameaça do diabetes


Além do tombo, o coice!

Os portadores do diabetes têm um risco maior de desenvolver câncer de mama e de cólon e de falecer em decorrência dessas doenças do que os não diabéticos. É o que sugere o resultado de uma análise de vinte pesquisas realizadas entre 2007 e 2012, divulgado no Congresso Europeu de Câncer. De acordo com os pesquisadores, os pacientes diabéticos que participaram dos estudos tiveram mais risco de desenvolver câncer de mama (23%) e de cólon (26%) do que os demais pacientes.

9474 – Vacina contra HPV


VACINA

A vacina contra HPV era utilizada apenas para proteção contra tumores da vagina, vulva e colo do útero em mulheres, e para verrugas genitais em ambos os sexos. Neste ano, foram descobertos mais dois benefícios da vacina — a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou sua indicação para a prevenção do câncer anal em homens e mulheres, e a Organização Mundial da Saúde mostrou que a vacina protege também a garganta. Segundo a OMS, um estudo mostrou que a vacina reduz em 93% as infecções orais provocadas pelo HPV, que podem causar cânceres de orofaringe (popularmente conhecidos como cânceres de garganta).

9473 – Nutrição – Dieta leve


comer-menos-

Uma dieta com poucas calorias pode potencializar os efeitos do tratamento contra o câncer. Essa foi a conclusão de uma pesquisa divulgada no periódico “Blood”. Segundo os pesquisadores, ao ingerir menos calorias, a quantidade de nutrientes disponíveis para as células se torna menor. Assim, o metabolismo fica mais lento e a produção de algumas proteínas acaba sendo limitada, entre elas, uma associada ao surgimento de diversos tipos de câncer.

9472 – Mega Retrospectiva – Avanços da Medicina em 2013


Bebê geneticamente selecionado cura a irmã
Maria Clara Reginato Cunha, que nasceu em fevereiro do ano passado, foi o primeiro bebê geneticamente selecionado no processo de fertilização in vitro. O seu embrião foi escolhido por ser saudável e compatível com o da irmã mais velha, Maria Vitória, que sofria de talassemia major, uma doença genética hereditária caracterizada pela diminuição da síntese de hemoglobinas. Quando Maria Clara completou 1 ano, e sua irmã 6, médicos coletaram células de sua medula óssea e realizaram um transplante em Maria Vitória. No mês seguinte, já era possível dizer que a mais velha havia sido curada da doença.

Cura da aids ficou mais próxima
O ano de 2013 foi fundamental no caminho em direção a uma cura definitiva para a aids. Em março, médicos americanos anunciaram que conseguiram promover a cura funcional em um recém-nascido infectado pelo HIV. A criança deixou de apresentar níveis detectáveis do vírus mesmo tendo interrompido o tratamento. Alguns dias depois ao anúncio, foi publicado um estudo relatando o caso de catorze pacientes da França infectados pelo vírus HIV que também parecem ter obtido uma cura funcional. Essas pessoas foram submetidas ao tratamento mais precocementedo que o normal.

Primeira mulher a receber transplante de útero engravida
Derya Sert, uma jovem turca de 22 anos e primeira mulher do mundo a receber um transplante de útero com êxito, está grávida. O anúncio foi feito em abril deste ano. Derya realizou uma fertilização in vitro com seus óvulos e espermatozoides de seu marido. Segundo os médicos da jovem, o mais provável é que ela faça uma cesariana, e que seu útero deverá ser extraído nos meses seguintes ao nascimento do bebê para evitar complicações e risco de rejeição.

Feto é operado em cirurgia brasileira inédita
Em maio deste ano, em São Paulo, um feto de 25 semanas foi submetido a uma cirurgia inédita desenvolvida pela médica brasileira Denise Pedreira. O bebê havia sido diagnosticado com espinha bífida, uma doença congênita da medula espinhal que pode causar hidrocefalia ou fazer com que a criança perca a capacidade de andar. A técnica usada na cirurgia diminui o tempo do procedimento, além de ser mais barata e segura do que as disponíveis até então. Joaquim, o bebê operado, nasceu em 15 de junho, após sete meses de gestação. Somente será possível dizer se ele será capaz de andar quando completar 2 anos, mas uma avaliação inicial do ortopedista deu confiança aos médicos.

Australiana ‘revive’ depois de 42 minutos clinicamente morta
Milagre?
A australiana Vanessa Tanasio, de 41 anos, conseguiu sobreviver após sofrer um ataque cardíaco e passar 42 minutos clinicamente morta — ou seja, sem respirar e com a circulação sanguínea interrompida. Isso aconteceu graças ao uso de um dispositivo médico novo que realiza uma compressão cardíaca (ou seja, empurra o tórax) de forma automática, eliminando a necessidade de usar as mãos. Enquanto o compressor normalizou o fluxo de sangue da paciente, os médicos implantaram um stent em sua artéria entupida. Com a artéria livre, seu coração voltou a bater em ritmo normal.

anorexia

Anorexia é tratada com marca-passo cerebral
Pela primeira vez, pesquisadores usaram a estimulação cerebral profunda para tratar pessoas com anorexia. O teste, feito no Canadá, usou eletrodos para estimular regiões do cérebro associadas à ansiedade, depressão e imagem do próprio corpo em seis pacientes com anorexia grave que não haviam respondido aos tratamentos convencionais. Com exceção de um, todos voltaram a ganhar peso ou apresentaram uma melhora significativa em relação ao transtorno.

Adesivo corporal alivia enxaqueca
Os Estados Unidos aprovaram neste ano um adesivo corporal para atenuar os sintomas da enxaqueca. Uma vez colado no corpo, o adesivo libera, durante cinco horas seguidas, um remédio chamado sumatriptano no organismo do paciente. Bastam 20 ou 30 minutos para que a substância começar a fazer efeito. O adesivo elimina a necessidade de absorção do remédio pelo sistema digestivo e é uma solução para as pessoas que sofrem de enxaqueca acompanhada de náuseas. Cada adesivo custará cerca de 90 dólares.

Coração monitorado
Pesquisadores brasileiros desenvolveram o primeiro monitor cardíaco portátil inteligente do mundo. O aparelho é composto por eletrodos que devem ser colados no peito do paciente, por um GPS e por um monitor que controla a atividade cardíaca do indivíduo e manda essas informações para uma central. A ideia é que pessoas com alto risco de doenças cardíacas usem o aparelho no cotidiano e, a qualquer alteração em seu coração, o médico da central entre em contato com elas e preste socorro caso necessário. O monitor aguarda autorização para poder ser usado no país. Estima-se que o seu “aluguel” custará 600 reais por semana.

Novo uso para o Papanicolau
Ainda não existem testes eficazes de prevenção contra o câncer de ovário e endométrio. Mas uma equipe internacional de pesquisadores, entre eles dois brasileiros, conseguiu detectar ambas as doenças por meio do Papanicolau – exame ginecológico no qual células do colo do útero são recolhidas para investigar a presença de um outro tipo de câncer, o cervical. O estudo foi publicado na revista “Science Translational Medicine” e teve 100% de precisão na detecção de câncer endomentrial e 41% na de câncer de ovário.

Cientistas descobrem novo ligamento do joelho
Em novembro de 2013, cirurgiões belgas anunciaram uma descoberta que não só acrescentou uma nova peça ao atlas do corpo humano como tem potencial para revolucionar o tratamento de lesões no joelho. Os médicos conseguiram identificar um novo ligamento, que recebeu o nome de anterolateral, ou ALL, na sigla em inglês. O tecido conecta o fêmur (osso da coxa) à tíbia. Segundo a descrição, é possível que a lesão no ALL seja uma das causas do rompimento do ligamento cruzado anterior, uma das lesões mais comuns entre praticantes de esporte. Se a hipótese for confirmada, os médicos acreditam que ela pode levar a tratamentos mais eficientes para casos graves desse rompimento.

9471 – Satélite europeu vai fazer mapa 3D da Via Láctea


via lactea

Trata-se de uma das mais ambiciosas missões espaciais europeias: o satélite Gaia.
A sonda fará o mais completo censo das estrelas da Via Láctea. A espaçonave vai monitorar cerca de 1 bilhão de astros, de um total estimado em 100 bilhões a 200 bilhões na galáxia.
“É como se até agora nossas pesquisas de opinião pública só pudessem abranger uma dezena de pessoas e, de repente, pudéssemos amostrar 10 mil pessoas, de diferentes idades, poder aquisitivo, escolaridade etc.”, compara Augusto Damineli, astrônomo da USP que não está envolvido com o projeto.
o principal objetivo do Gaia é ajudar a compreender como se organiza a nossa própria galáxia.
Parece mais trivial do que é na verdade. Como estamos dentro dela, é muito difícil identificar sua forma exata.
Em geral, sabe-se que estamos numa galáxia espiral, que tem uma barra (estrutura alongada) na região central. Mas os astrônomos não entram num acordo nem sobre quantos braços ela tem ou onde estão.
O Gaia pode não solucionar todos esses mistérios, mas vai dar uma boa ajuda.
Seus instrumentos permitirão medir não só as propriedades intrínsecas das estrelas (como cor, brilho e temperatura) mas dará coordenadas exatas de sua distância e velocidade.
Num raio de 150 anos-luz (um ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros), o Gaia também será um potente caçador de planetas. Ele não serve para procurar mundos similares à Terra, mas estima-se que descobrirá simplesmente todos os planetas do porte de Júpiter com órbitas que vão de 1,5 ano a 9 anos terrestres.
Ironicamente, caso o Sol fosse uma das estrelas estudadas, nosso Júpiter ficaria de fora, porque sua órbita demora 12 anos.
Ainda assim, estima-se que o Gaia descubra entre 10 mil e 50 mil exoplanetas durante sua missão, que deve durar pelo menos cinco anos.
Com seus telescópios sensíveis, o Gaia também fará descobertas no campo das anã marrons –objetos estranhos que nascem como estrelas, mas não atingem tamanho suficiente para realizar fusão nuclear. Apesar de mais numerosos, são bem mais difíceis de achar, por conta do baixo brilho.
No Sistema Solar, o satélite europeu também encontrará dezenas de milhares de asteroides –alguns deles potencialmente ameaçadores à Terra– e membros do cinturão de Kuiper, região do nossos sistema além de Netuno que contém objetos celestes e o planeta-anão Plutão.
Existe também a possibilidade de que ele revele a existência de planetas dentro do Sistema Solar além de Netuno, caso eles existam (ninguém está prendendo a respiração por essa descoberta).
Tudo isso a um custo estimado de US$ 1 bilhão. A missão da ESA (Agência Espacial Europeia) vai partir de Kourou, na Guiana Francesa, impulsionada por um foguete russo Soyuz-Fregat.

9469 – Projeções – Viagem no futuro será possível(?)


O professor, cientista e físico japonês Hitoshi Murayama afirma que falta pouco para que possamos viajar para o futuro. Murayama, diretor do Instituto Kavli para Física e Matemática do Universo além de catedrático da Universidade de Tóquio, afirmou que o homem poderá viajar para o futuro a partir do momento em que exista tecnologia suficiente para chegar até a estrela mais próxima da Terra. Para alcançarmos a Próxima Centauri, a estrela mais próxima do nosso planeta, seria necessário percorrer uma distância de 4 anos-luz, o que, atualmente, não é possível. Entretanto, se obtivermos conhecimento necessário para transformar uma força suficiente para propulsão da velocidade semelhante à da luz, tudo será possível. Segundo a Teoria da Relatividade, uma pessoa poderia viajar na velocidade da luz até a Próxima Centauri e retornar em oito anos. Na volta, seus familiares e amigos estariam mais velhos do que ela, pois eles teriam passado por décadas e não apenas oito anos como no caso do viajante. O professor esclarece que, assim como poderíamos de sair da Terra na velocidade da luz e ir ao futuro, nunca poderíamos retornar ao momento presente de onde partimos, da mesma forma que não seria possível viajar a nenhuma época do passado; simplesmente porque as leis da física não permitem.

9468 – Em 2020 já teremos implantes cerebrais para se conectar à internet


Especialistas do mundo inteiro estão trabalhando para que, daqui a alguns anos os seres humanos possam navegar na Internet, fazer ligações ou enviar mensagens utilizando apenas nosso cérebro. Estima-se que atualmente 100 mil pessoas já tenham implantes cerebrais, a maioria destinados aos tratamentos médicos. Entretanto, a medicina não será o único campo de atuação dos microchips. Há alguns anos, companhias como a Intel e Google vem trabalhando no desenvolvimento de implantes cerebrais para interação com dispositivos eletrônicos e Internet.
Longe de uma conspiração do estilo “Grande Irmão”, os cientistas acreditam que muitas pessoas vão optar pela tecnologia voluntariamente. Segundo eles, o uso de implantes cerebrais será tão natural quanto a utilização de telefones celulares. Basta pensar em alguma coisa para receber toda a informação disponível a respeito.
Entretanto muitos céticos afirmam que algo assim nunca aconteceria, pois o procedimento de implantação de microchips cerebrais seria complexo e extremamente custoso.

9467 – Caso de garota que não sente dor inspira estudo para poderoso analgésico


Depois de analisar os genes de uma garota que tem insensibilidade congênita à dor, condição em que ela não possui a capacidade de sentir dor, sofrendo frequentes lesões, uma equipe de pesquisadores na Alemanha identificou uma mutação genética que poderá dar origem a uma nova classe de analgésicos, que será muito mais eficaz aos medicamentos atuais.
A descoberta, publicada na revista Nature, foi realizada após a comparação dos genes da paciente com os dos seus pais, que não sofrem desta desordem. Assim, a equipe chegou à conclusão que esta insensibilidade à dor ocorre por causa de uma mutação no gene SCN11A, responsável pelo controle do desenvolvimento dos canais dos neurônios sensíveis à dor.
De acordo com os cientistas do Hospital da Universidade de Jena, na Alemanha, a sensação de dor é gerada quando os íons de sódio passam por estes canais, criando impulsos elétricos enviados ao cérebro. Contudo, uma hiperatividade do gene SCN11A não permite que sejam gerados estes impulsos elétricos que acenderiam o “sinal” da dor no cérebro.
O estudo passou por uma fase de comprovação, em que este gene alterado foi introduzido em ratos. A partir daí, os cientistas passaram a desenvolver um medicamento que poderá bloquear seletivamente o canal do SCN11A. De acordo com os pesquisadores, este caminho é muito mais simples do que trabalhar diretamente nos dois canais envolvidos na sensação de dor, o SCN9A e o 10A, uma vez que este dois não permitem o efeito da dor quando não estão trabalhando, ao contrário do 11A, que bloqueia a dor quando está hiperativo.
O que é a a insensibilidade congênita à dor:
– Insensibilidade congênita à dor é uma condição rara que significa que uma pessoa não pode sentir dor.
– Pessoas com a doença são capazes de sentir o toque e temperatura, mas não podem sentir dor.
– Muitas vezes estas pessoas sofrem infecções despercebidas e lesões que podem se tornar graves, pois não são tratadas.
– A condição pode ser causada por uma mutação do gene, mas também pode ser causado pelas por um excesso de produção de endorfina pelo cérebro.
– Esta condição é tão rara que, aproximadamente, apenas 20 casos foram relatados na literatura científica.

9466 – Café X Cigarro – Um Vício cura o Outro


Em vez de despertar o desejo de acender um cigarro, o cafezinho pode, isto sim, diminuir ou até acabar com o tabagismo. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro observaram trinta ávidos consumidores de dois mações diários de cigarros, convidados a experimentar diferentes tipos de café. Os fumantes não tragaram mais de dez cigarros nos dias em que a bebida tinha alto teor de cafeína – “mera coincidência”, desconfiou um especialista em Farmacologia Clínica que dirigiu a pesquisa. Ele suspeita de outro alcaloide do café, descoberto por cientistas australianos há seis anos e cuja função era indefinida.
Esse alcaloide ocupa os receptores cerebrais onde a nicotina costuma se encaixar. O substituto, no caso, causaria a sensação de saciedade. Por isso, com o apoio da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, os cientistas brasileiros estudam a receita de um xarope de café à base daquela substancia, que será testado no tratamento de fumantes inveterados. “É trocar um vício por outro”, reconhece Lima, “mas não há evidências de que o café faça mal se toma até seis xícaras por dia.” Lima, embora não fume, ultrapassa de longe quota de cafezinhos que prescreve.

9465 – Medicina – Efeito Colateral contra o Câncer


Bioquímicos americanos suspeitam de que drogas para diminuir o colesterol no organismo também poderiam impedir o crescimento de certos tumores no pâncreas e intestino. Ao menos em tubos de ensaio, os medicamentos inibem a ação da proteína que comanda a divisão celular desenfreada típica do câncer. Isso porque as células, em geral, precisam de determinada quantidade de colesterol para se manter e, quando este é reduzido por causa das drogas, a proteína não consegue dar a ordem química que inicia a divisão das células cancerígenas. Os cientistas devem testar os remédios anticolesterol em cobaias com tumores. Se os resultados se repetirem, essas drogas deixarão de pertencer exclusivamente aos receituários dos cardiologistas.

9462 – Medicina – Criado rim ’em miniatura’ com células-tronco


Uma equipe de cientistas australianos conseguiu criar, a partir de células-tronco humanas, um rim. Em tamanho muito menor do que o de um adulto e com alguns aspectos simplificados, o rim poderá ser usado para testes de medicamentos novos e para o tratamento de doenças renais. A pesquisa que descreve a produção do órgão foi publicada neste domingo, no periódico Nature Cell Biology.
Segundo os pesquisadores, o rim se assemelha ao órgão que um embrião com cinco semanas de desenvolvimento teria. Para criá-lo, os especialistas submergiram as células-tronco em concentrações de moléculas denominadas fatores de crescimento, para guiá-las em um processo que imitava o desenvolvimento normal do órgão. “Tivemos que guiar as células através de todos os passos que estas normalmente adotariam durante seu desenvolvimento”, disse Melissa Little, pesquisadora da Universidade de Queensland, na Austrália, e principal autora do estudo, ao canal australiano ABC.
Inicialmente os cientistas buscavam produzir apenas um tipo de célula do rim, mas ao longo da pesquisa perceberam que conseguiam fazer as células-tronco se transformarem nos dois tipos principais de células necessárias para formar um rim. Assim, conseguiram que as células colocadas em um molde se organizassem por si mesmas para criar as complexas estruturas existentes no rim humano. “Conseguimos produzir um conjunto mais complexo de células e isto representa um grande avanço em termos do que foi feito até agora”, explicou Melissa.
A curto prazo, esta conquista pode ser útil em testes de novos remédios para doenças que afetam o rim e, mais adiante, pode ajudar também a melhorar tratamentos médicos específicos, mas os pesquisadores afirmam que ainda serão necessárias algumas décadas para que esta técnica possa ser utilizada para criar órgãos para transplante.

9461 – Tatuagem 3D ajuda a reconstruir mamas de mulheres que tiveram câncer


Mulheres cujas mamas foram reconstruídas após o câncer têm agora uma nova aliada no resgate da autoestima: a tatuagem tridimensional da aréola e do mamilo que, de tão real, chega a enganar os mais desavisados.
A técnica consiste em fazer um retrato da aréola, com uma mistura de cores para que o desenho fique de acordo com o tom da pele.
Um jogo de luz e sombra cria a ilusão da existência dos mamilos e dos tubérculos de Montgomery (pequenos carocinhos ao redor da aréola).
A fisioterapeuta Tarsila Sakamoto, que se especializou em tatuar aréolas, conta que muitas mulheres com as mamas reconstruídas só voltam a mostrar os seios para os maridos ou namorados após a tatuagem.
Muitas mulheres chegam aos estúdios encaminhadas pelos próprios cirurgiões. O preço da tatuagem depende da complexidade do trabalho.
Pode variar entre R$ 200 e R$ 1.000. A durabilidade chega a dez anos ou mais.
Refazer a aréola e o mamilo é a última etapa na longa trajetória das mulheres que enfrentam o câncer de mama.
Após a reconstrução das mamas, normalmente feita a partir de músculos e gordura do abdome, os novos peitos ficam sem aréola e mamilo.
Ao fim desse processo, a mulher pode optar por reconstruir o mamilo (com a própria pele do peito) e colori-lo juntamente com a aréola ou só tatuá-lo em 3D.

9460 – Farmacologia- Uma Carona Indesejada


Ao analisar como nanopartículas porosas carregadas de fármacos interagiam com células tumorais, o químico Oswaldo Alves observou algo inesperado. Após vários experimentos, ele e sua equipe verificaram que, além do medicamento – a camptotecina, um antitumoral potente, mas de toxicidade elevada –, as nanoestruturas transportavam para dentro das células uma das moléculas do meio de cultura celular, a mistura de vitaminas, proteínas e sais minerais que mantém as células vivas. A descoberta sugeria que as nanopartículas não eram veículos tão eficientes quanto se acreditava para o transporte de medicamentos, e que poderiam até mesmo levar para dentro das células substâncias com efeitos nocivos. Em vez de auxiliares farmacológicos de alta precisão, seriam cavalos de Tróia.
Até agora, Alves e outros pesquisadores dessa área acreditavam que, encapsulados, os fármacos eram levados às células sem interferências externas. Isso porque essas nanocápsulas, feitas à base de sílica e com diâmetro de 20 a 60 nanômetros, são protegidas por uma capa formada por proteínas que ajuda a manter e proteger o medicamento no interior de seus poros. Agora, no estudo que rendeu para o grupo a capa da edição de julho da revista Applied Materials & Interface, os pesquisadores explicam que essas nanoestruturas também atraem moléculas avessas à água, desencadeando reações químicas que podem comprometer ou até mesmo bloquear a liberação do fármaco preso aos seus microporos.
Os efeitos dessa interferência, segundo ele, podem acarretar na diminuição da quantidade de medicamento liberado. Em outras palavras, a quantidade de fármaco encapsulado pode não ser a mesma a chegar às células.

Até hoje, experimentos voltados à aplicação dessas nanoestruturas, de aspecto semelhante ao de uma bola de golfe, eram feitos normalmente em meios de culturas celulares sem considerar essas possíveis interações.
Os pesquisadores ainda não sabem como se dá essa interação química. “Os componentes intrusos podem ser nocivos, mas não sabemos se isso pode acarretar numa associação cooperativa entre eles e o fármaco.
Uma hipótese levantada pelo grupo da Unicamp é que todo componente do meio de cultura celular com características hidrofóbicas (que repelem a água) possa ser atraído para o interior das nanopartículas. “Precisamos investigar melhor esse fenômeno. Não sabemos quanto do fármaco sai da partícula e quantos componentes são capazes de invadi-la. Só identificamos um deles, a SYTOX green”, diz o químico Amauri Jardim de Paula, autor principal do estudo. “O próximo passo é tentar controlar a quantidade de moléculas que entram na célula e entender se esse fenômeno ocorre de modo diferente em outros meios de cultura”.
O uso de nanopartículas para o transporte de fármacos tem sido estudado e desenvolvido em todo o mundo.
Nessa linha existem alternativas como a ciclodextrina, já incorporada na maioria dos fármacos.

9459 – Nanotecnologia – Luz do sol sem calor


Um novo tipo de material para aplicação em janelas e fachadas de edifícios, feito com nanocristais ajustáveis eletricamente, permite selecionar com um simples apertar de botão a passagem da luz e do calor do sol de forma independente. Em dias quentes, por exemplo, o usuário poderá selecionar apenas a iluminação da luz visível sem o calor, já que uma pequena voltagem se encarrega de bloquear a parte da radiação do espectro infravermelho. A tecnologia, desenvolvida por pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, dos Estados Unidos, foi capa da edição da Nature de 15 de agosto. Os vidros da janela podem ficar totalmente transparentes ou escuros, bloqueando ao mesmo tempo a luz visível e a radiação infravermelha. A tecnologia é baseada em um novo material eletrocrômico, que muda de cor pela aplicação de uma corrente elétrica, feito a partir de nanocristais de óxido de índio e estanho incorporados numa matriz vítrea de óxido de nióbio. O material, além de permitir controlar a passagem de luz e calor, proporciona maior interação na área em que a matriz vítrea encontra os nanocristais, o que aumenta a potência do efeito eletrocrômico.

9458 – Tecnociência – Energia Alternativa


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Um novo passo para facilitar a produção de energia limpa e barata foi dado por pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia, Estados Unidos. Eles descobriram que é possível usar nanopartículas de níquel e fósforo, ou o fosfeto de níquel, para extrair hidrogênio da água e utilizá-lo em células a combustível, aparelho produtor de eletricidade com esse gás. Tanto a água como os dois elementos químicos são abundantes em grande parte do planeta. O fosfeto de níquel pode ser usado em sistemas de hidrólise, reação química feita em meio aquoso para produção de hidrogênio. As nanopartículas de fosfeto de níquel fazem o papel de catalisador para efetivar a reação sem utilizar metais nobres, como a platina, um elemento caro e escasso. A descoberta foi publicada no Journal of the American Chemical Society (13 de junho). O professor Raymond Schaak coordenou o estudo, que contou também com pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Além do uso na forma de geradores ou para mover veículos, as células a combustível podem ter um papel importante em localidades distantes se acopladas a um sistema de energia solar. Basta pouca energia captada do Sol para fazer funcionar um eletrolisador, no qual poderão estar as nanopartículas de fosfeto de níquel, para produzir hidrogênio e suprir a célula.

9457 – Neurociência – Ler preserva a memória


Cultivar o hábito de ler e escrever regularmente pode contribuir para preservar a memória por mais tempo. Estudo feito por pesquisadores do Centro Médico da Universidade Rush, de Chicago, com 294 idosos indica que se dedicar a esse tipo de atividade reduz a velocidade do processo de deterioração mental (Neurology, 3 de julho). Essas práticas saudáveis podem diminuir até 15% o ritmo de progressão da perda da memória. ”Nosso estudo mostra que adotar atividades que estimulam o cérebro ao longo da vida, desde a infância até a idade avançada, é importante para manter a saúde mental na velhice”, diz Robert S. Wilson, principal autor do trabalho. Não abandonar esse estilo de vida com o passar dos anos também se mostrou importante. O declínio cerebral entre os idosos que liam ou escreviam com frequência ainda na velhice ocorreu em um ritmo 32% mais lento do que entre os que faziam isso com uma constância menor. Os velhos que quase nunca se dedicavam a essas atividades apresentaram uma velocidade de deterioração mental 48% maior do que os que liam e escreviam esporadicamente. Os pesquisadores acompanharam os participantes do estudo durante cerca de seis anos, até o momento de sua morte, em média aos 89 anos. Anualmente, submeteram os idosos a testes de memória e cognição e os entrevistaram sobre seus hábitos de leitura ao longo da vida. Fizeram ainda uma autópsia no cérebro dos velhos para determinar a incidência de lesões e placas associadas a demências.

9455 – Estudo avalia viabilidade do bioquerosene para aviação civil 100% nacional


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O pesquisador Augusto Cortez, vice reitor de Relações Internacionais da Unicamp apresenta um estudo que incentiva a produção de bioquerosene para a aviação civil brasileira. Patrocinado pelas empresas Boing e Embraer, o estudo Plano de vôo para biocombustíveis de aviação no Brasil tem financiamento da FAPESP e coordenação do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp.
Biocombustível ou agrocombustível é o combustível de origem biológica não fóssil. Normalmente é produzido a partir de uma ou mais plantas. Todo material orgânico gera energia, mas o biocombustível é fabricado em escala comercial a partir de produtos agrícolas como a cana-de-açúcar, mamona, soja, canola, babaçu, mandioca, milho, beterraba, algas.
Biocombustíveis são fontes de energia renováveis, derivados de matérias agrícolas como plantas oleaginosas, biomassa florestal, cana-de-açúcar e outras matérias orgânicas. Existem vários tipos de biocombustíveis: bioetanol, biodiesel, biogás, biomassa, biometanol, bioéter dimetílico, bio-ETBE, bio-MTBE, biocombustíveis sintéticos, bio-hidrogênio, gás de síntese.

9454 – Energia – O que é Biomassa?


Planeta Verde

É uma fonte de energia limpa e renovável disponível em grande abundância e derivada de materiais orgânicos. Todos os organismos capazes de realizar fotossíntese (ou derivados deles) podem ser utilizados como biomassa. Exemplo: restos de madeira, estrume de gado, óleo vegetal ou até mesmo o lixo urbano.
O máximo está sendo feito para obter a energia da biomassa, já que o petróleo e o carvão mineral têm previsões de acabar, a energia elétrica está cada vez mais escassa (já que essa energia depende da força da água no caso de hidroeletricidade) e a energia nuclear poderá ter alguns perigos.
Outro fator importante é que a humanidade esta produzindo cada vez mais lixo e esse lixo também é capaz de produzir energia, isso ajuda a resolver vários problemas: diminuição do nível de poluição ambiental, contenção do volume de lixo das cidades e aumento da produção de energia. Vantagens: energia limpa e renovável, menor corrosão de equipamentos, os resíduos emitidos pela sua queima não interferem no efeito estufa, ser uma fonte de energia, ser descentralizadora de renda, reduzir a dependência de petróleo por parte de países subdesenvolvidos, diminuir o lixo industrial (já que ele pode ser útil na produção de biomassa), ter baixo custo de implantação e manutenção.
Quatro formas de transformar a biomassa em energia:
pirólise: através dessa técnica, a biomassa é exposta a altíssimas temperaturas sem a presença de oxigênio, visando a acelerar a decomposição da mesma. O que sobra da decomposição é uma mistura de gases (CH4, CO e CO2 – respectivamente, metano, monóxido de carbono e dióxido de carbono), líquidos (óleos vegetais) e sólidos (basicamente carvão vegetal);
gaseificação: assim como na pirólise, aqui a biomassa também é aquecida na ausência do oxigênio, gerando como produto final um gás inflamável. Esse gás ainda pode ser filtrado, visando à remoção de alguns componentes químicos residuais. A diferença básica em relação à pirólise é o fato de a gaseificação exigir menor temperatura e resultar apenas em gás;
combustão: aqui a queima da biomassa é realizada a altas temperaturas na presença abundante de oxigênio, produzindo vapor a alta pressão. Esse vapor geralmente é utilizado em caldeiras ou para movimentar turbinas a gás. É uma das formas mais comuns hoje em dia e sua eficiência energética situa-se na faixa de 20 a 25%;
co-combustão: essa prática propõe a substituição de parte do carvão mineral utilizado em uma termoelétricas por biomassa. Dessa forma, reduz-se significativamente a emissão de poluentes (principalmente dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio, responsáveis pela chuva ácida). A faixa de desempenho da biomassa encontra-se entre 30 e 37%, sendo por isso uma opção bem atrativa e econômica atualmente.