Arquivo da categoria: Ciência

8385 – Mega Notícias – Clonagem


O coreano Woo Suk Hwang e seus colegas, que já haviam clonado um embrião humano em 2004, apresentaram mais 11 clones. A ideia, porém, não é produzir cópias de humanos, mas utilizar os embriões como fonte de células-tronco, capazes de se transformar em qualquer tecido do corpo, de neurônios a músculos. É por isso que eles foram desenvolvidos com material genético de pessoas com lesões na medula espinhal, diabetes tipo 1 e CGH (uma doença grave do sistema imunológico). Por terem o DNA idêntico ao dos doentes, essas células-tronco poderiam, em tese, regenerar os tecidos dos pacientes. Hwang provou que isso é possível, mas resta um longo caminho até que a idéia vire realidade. De quebra, a equipe de Seul anunciou a clonagem do primeiro cão, um galgo afegão apelidado de Snuppy.

8384 – Manter o aquecimento global em 2°C é ‘missão impossível’


A comunidade internacional começa a trabalhar para alcançar em 2015 um importante acordo para conter um máximo de 2ºC de aumento na temperatura, um desafio colossal que alguns especialistas consideram uma “missão impossível”.
O ciclo de negociações de dez dias na ONU terminou nesta sexta-feira, em Bonn, e deu início à contagem regressiva para a cúpula de Paris. No evento que ocorre daqui a dois anos e meio deverá ser adotado o mais ambicioso plano na luta contra o mudanças climáticas.
Com o objetivo de conter o aquecimento em 2°C acima dos níveis pré-industriais, a cúpula precisa responder a questões complexas como as disputas sobre um marco regulatório, as medidas para reduzir emissões de gases do efeito estufa e a flexibilidade para grandes países emergentes, como a China.
De acordo com o grupo de referência de especialistas do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), limitar o aumento da temperatura entre 2°C e 2,4°C exige que a concentração de CO2 não exceda 350-400 ppm. “Teríamos que diminuir pelo menos pela metade as emissões antes de 2050″, explica Jouzel, vice-presidente do IPCC.
A meta de 2°C foi oficialmente adotada na Cúpula de Copenhagem em dezembro de 2009. O valor foi determinado por políticos a partir de pesquisas científicas sobre o impacto de vários limiares de temperatura em corais, calotas polares da Groenlândia e na produtividade agrícola.

8383 – Combater fome no Brasil com insetos é ideia extrema, dizem cientistas


As Nações Unidas recomendam: o consumo de insetos e as florestas onde eles vivem são ferramentas de combate a fome. O assunto está na pauta da Conferência da FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, que começa neste sábado (15/06), em Roma.
Mas essa proposta esbarra em uma questão cultural e, no Brasil, a viabilidade é questionável. “O México vende gafanhotos em lata. Na China, tem churrasco de escorpião. Para nós (brasileiros) é difícil. Vai ser complicado. Vai demorar alguns anos”, comenta a bióloga Waleska Bretas, da Univale, em Minas Gerais.
A mudança de padrão no Brasil ocorreria “só mesmo em caso de necessidade extrema ou costume”, avalia Bretas. “Como em algumas populações indígenas da Amazônia, que já comem larvas de coqueiros e besouros”, adiciona.
Existem, no entanto, outras maneiras de usar a floresta como aliada para alimentar a população, defende Yeda Maria Malheiros, pesquisadora da Embrapa há 35 anos no Paraná. “E estamos perto de uma revolução”, afirma. A solução que o Brasil testa é integrar as matas e as áreas cultiváveis para produzir comida sem degradar o meio ambiente.
O programa quer, na verdade, manter a agricultura e evitar que a mata nativa se acabe – uma forma indireta de usar as florestas no combate a fome. Na visão da Embrapa, essa é a resposta do Brasil frente à crescente demanda mundial por alimentos.
Embora reconheça muitas vantagens no método, o engenheiro agrônomo Alexandre Sylvio acha difícil conciliar floresta e lavoura. “Isso seria mais viável para pequenas comunidades, aldeias. Não dá para sustentar São Paulo num sistema agroflorestal. O que é possível fazer é aumentar a produtividade sem desmatar mais. Já desmatamos o suficiente”, pondera.
Outro problema na efetivação da agrofloresta seria a ausência de mão de obra rural. “Na década de 1950, tínhamos uma pessoa produzindo alimento para 20 pessoas. Hoje temos uma para 150. E na agrofloresta tudo tem que ser manual e você produz menos. Se você produz menos, o preço dispara”, argumenta Alexandre.
Historicamente, floresta e agricultura no Brasil têm problemas de convivência. No Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, parte da vegetação típica da região desapareceu. A paisagem foi modificada, a transformação foi nítida, mas gerou resultados econômicos para os agricultores. “O Cerrado suporta muita seca, tem frutas, bichos, só que em quantidade pequena. Como fonte de alimento, não atenderia a demanda que temos”, explica Nery Ribas, diretor técnico da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho).
Restam 62% de Cerrado no Mato Grosso. A atividade agrícola estaria ocupando o mínimo de território, que também é dividido com os índios. “Qualquer expansão a partir de agora vai se dar em cima de área de pastagem, sem derrubar uma árvore sequer”, prevê o diretor. O esquema de lavoura no Mato Grosso é por revezamento. Entre janeiro e fevereiro, planta-se o milho, que é colhido em meados julho. Em agosto, sobre a palha das espigas, vem a soja.
As safras seguem em volumes cada vez maiores, de acordo com a associação. Todos os anos, são cerca de 50 sacas de 60 quilos, ou seja, três toneladas por hectare, sendo que a soja já ocupa oito milhões de hectares no estado.
Pelas contas da União, o Brasil tem hoje 500 milhões de hectares de florestas, o que equivale a 56% do território nacional. Os biomas são diferentes, mas têm a mesma grandeza: uma variedade imensa de plantas e animais que poderiam servir de comida, principalmente para os moradores do campo. “Não tem como não olhar para a floresta com um uso importante, ainda que esse uso tenha sido convertido apenas para fins urbanos”, lembra Yeda.
Além de toda essa diversidade, a estimativa é de que existam 30 milhões de hectares de pastagens degradadas, onde poderia haver criação de gado e cultivos de todo tipo. Aos poucos, a pesquisadora da Embrapa acredita que esses espaços vão ser mais bem aproveitados e a monocultura vai deixar de ser prioridade diante de desafios maiores: matar a fome do mundo e evitar o caos do clima.

8382 – Biologia – Um macho mais ou menos grávido


Trata-se do cavalo marinho.

A gravidez, o estado temporário em que a fêmea carrega um óvulo fecundado dentro do útero (ou estrutura semelhante), é uma caraterística apenas de indivíduos do sexo feminino. Mas existe um grupo de peixes chamados gasterosteiformes nos quais, os machos, apesar de não ficarem “grávidos”, passam por uma experiência muito semelhante. O animal mais conhecido desse grupo é o cavalo-marinho. “Durante a cópula, a fêmea deposita seus óvulos em uma pequena bolsa, chamada incubadora, que fica na parte da frente da barriga do macho, onde são fecundados pelos espermatozoides”, explica um veterinário da Imparque, empresa que faz projetos de zoológicos, em São Paulo.
Os óvulos fecundados permanecem lá até quando estiverem maduros. Em alguns outros peixes do mesmo grupo, os óvulo ficam presos diretamente na superfície ventral do macho. “Mas o macho continua com todas as suas características masculinas, tornando-se apenas um portador”. Não existem outros casos semelhantes conhecidos entre aves, mamíferos ou insetos.

Basta observa-lo de perto para ver que ele reúne características de pelo menos 3 bichos, além do cavalo e da lagarta. Sua pele muda como a do camaleão, a cauda é preensil como a de um macaco e a barriga de canguru.
Desde os tempos de Cristo a fama de tais animais já se alastrava, graças a ensinamentos de Plínio, um naturalista e comandante militar do Império Romano. Segundo ele, as cinzas combatiam a calvície, febres, erupções na pele e a morte dos mordidos por cão raivoso.

8380 – Mega Memória – Trapalhada Acadêmica


Burocratas da Universidade de Stanford, nos EUA, desviaram verbas para comprar piano, iate e antiguidades.
Uma das mais famosas e prestigiadas universidades do mundo, que fica na cidade de Palo Alto, Califórnia, foi colocada no banco dos réus. A Receita Federal Americana pediu a seus administradores que explicassem por que disseram que gastaram 700 mil dólares em janeiro de 1991 em pesquisas; quando na verdade, desviaram o dinheiro para compra de antiguidades destinada às residências de seus burocratas. De um piano até a compra de um iate de luxo. Foi um erro de digitação de nossos computadores, dissera o reitor, numa frágil defesa, demolida por seus acusadores.
Anualmente, o governo americano gastava 10 bilhões de dólares, apenas com pesquisas realizadas nas universidades.

Um Pouco +
Há décadas, entrar na universidade é dura missão no Brasil

Está longe da realidade a afirmação que pobres ingressam com facilidade na Universidade.

Não é de hoje que os estudantes brasileiros enfrentam uma dura batalha para garantir uma vaga na universidade. O vestibular foi instituído no Brasil em 1911, por meio de um decreto governamental. Desde então, o governo e as instituições de ensino têm feito sucessivas mudanças nos exames – nem todas positivas. A Reforma Universitária de 1969, por exemplo, estabeleceu o critério classificatório para a entrada nas universidades. Mas também instituiu a data única de vestibular a todas as escolas superiores oficiais – ideia fracassada de 1972. Quarenta anos depois, o novo Enem surgia como a maior transformação nesse tipo de prova desde 1911 – e como uma versão aprimorada do vestibular unificado. E agora tenta sobreviver às trapalhadas do governo para não se tornar outro fracasso.

Situação Atual
Apenas nos últimos 20 anos, o número de estudantes que passaram a tentar ingressar no ensino superior triplicou. Para atender às novas necessidades do ensino superior no país, que cresce a cada ano, o governo federal decidiu consolidar um sistema nacional de admissão. Em 2009, foi criado o novo o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), substituto do vestibular em centenas de universidades públicas e particulares do país. O exame trazia ainda uma importante novidade: a priorização do raciocínio lógico em detrimento da decoreba. O sistema unificado de admissão às universidades é algo que o Brasil começou a fazer com atraso em relação ao resto do mundo. Já é assim no Chile, no Japão, na China e em grande parte da Europa.

Mais complexa e abrangente do que o extinto Enem, criado pelo MEC em 1998, a nova prova foi concebida sob a inspiração do SAT, o exame de admissão às universidades americanas, e do Pisa, teste internacional que afere a qualidade do ensino. O que era para ser uma boa ideia, porém, tornou-se motivo de angústias e indefinições para os estudantes. Já no primeiro ano de sua aplicação, o Enem tornou-se caso de polícia: o exame foi surrupiado da gráfica, em São Paulo, por funcionários do próprio consórcio responsável por sua elaboração e distribuição da prova. E a sequência de trapalhadas do Ministério da Educação não parou por aí. Houve ainda vazamento de dados de candidatos e, em 2011, versões do exame apresentavam erros no enunciado.

É importante para o país que o governo recupere a credibilidade do Enem. E as soluções para que o exame sobreviva e se imponha aos erros existem. Elas passam pela simplicidade. É preciso descentralizar o Enem. Ao aplicar uma única prova a todos os estudantes e centralizar sua gigantesca logística num órgão oficial, o Brasil caminha em direção inversa à de países que primam pelo bom ensino. A existência de um exame único traz outro efeito colateral, este no campo acadêmico. Em muitos países, há provas diferentes para distintas áreas de conhecimento. O aluno pode escolher os testes a que vai se submeter de acordo com as exigências das universidades que almeja. Facilitar a vida do estudante numa fase de tantas expectativas é uma boa intenção, mas, no Brasil, a iniciativa submergiu em meio à sucessão de falhas do governo.

8379 – Astronomia – Uma Idosa Galáxia


Ao captar sistematicamente durante anos as emissões de rádio vindas de uma determinada área do espaço, o astrônomo inglês Simon Lilly acabou descobrindo um corpo celeste a 12 bilhões de anos-luz de distância que poderá corrigir a teoria habitualmente aceita sobre a data de nascimento das galáxias. Pois, se essa formação, já catalogada como 0902 + 34, for de fato uma galáxia como se suspeita, será a mais distante já conhecida. Ocorre que uma parte de seu brilho talvez provenha de estrelas ainda mais anti-gas, nascidas de 13 a 14 bilhões de anos atrás.
Segundo os cosmologistas, porém, pelo menos 4 bilhões de anos transcorreram desde o Big Bang até que a sopa cósmica de matéria e energia que constituiu inicialmente o Universo desse origem às galáxias. Ora, como os cosmologistas também calculam que o Big Bang ocorreu entre 15 e 20 bilhões de anos atrás, não teria havido tempo suficiente para existirem galáxias completamente formadas, como a que o inglês Lilly parece ter descoberto.

8378 – Uma Viagem ao Início dos Tempos


Na falta de melhor juízo, a cautelosa imagem que se faz desse período é a de um deserto absoluto. Apenas um gás — composto pelos átomos mais leves e simples da natureza, o hidrogênio e o hélio — encheria monotonamente o espaço em todas as direções. Suspeita se, porém, que logo será possível dar corpo, cor e movimento a esse cenário que, em vez de amorfo, se revelaria fulgurante, quase selvagem, comparado aos padrões atuais. É o que sugere o quasar recém-descoberto, que emite 25% mais energia que qualquer outro conhecido. A magnitude de sua potência só com certo esforço pode ser concebida pela mente, pois brilha com a força de 10000 galáxias do porte da Via Láctea—que contém de 100 a 200 bilhões de sóis.
Vitalidade nessa escala faz pensar que a plácida visão das estrelas em noite límpida é enganosa. Ela esconde fenômenos e corpos celestes extremamente violentos, e estes denunciam as forças responsáveis pela evolução dos astros e do Cosmo. Uma hipótese afirma, por exemplo, que os quasares não são essencialmente diferentes das galáxias, mas sim gerados por elas. Esse raciocínio pressupõe que em sua juventude as galáxias teriam um núcleo extremamente denso, repleto de estrelas, radiação e gases dispersos, em alta temperatura. A ponto de em seu centro formar se um monumental buraco negro, ou seja, uma região onde a densidade da matéria tende ao infinito e adquire força suficiente para devorar estrelas próximas. Como compensação, o monstro ejeta para o espaço um vendaval de energia.
Estima-se que o quasar BR 1202-07 abriga um buraco negro de massa 10 bilhões de vezes maior que a do Sol, capaz de sorver o lauto banquete de 100 estrelas por ano. Assim se explicaria o jorro de energia que o torna visível a incomensurável distancia. Este ano, obteve-se a primeira evidência direta de um quasar escondido no núcleo de uma radiogaláxia, a Cygnus A, assim denominada porque emite a maior parte de sua energia em ondas de rádio, forma de energia eletromagnética, como a luz. Embora muito ativa, a Cygnus A tem grande extensão no céu—por isso não se assemelha aos quasares, que aparecem nos telescópios como um ponto de luz.
Ela também está perto da Via Láctea, 750 milhões de anos-luz (1 ano-luz mede cerca de 10 trilhões de quilômetros); em comparação, 0 BR 1202-07 está a 12,1 bilhões de anos-luz). No seu coração, porém, brilha um poderoso foco de energia, como se verificou por meio dos raios infravermelhos — a radiação de calor que, ao contrário da luz, atravessa com certa facilidade a poeira cósmica. Esse é o motivo porque não se vêem quasares em galáxias do tipo da Cygnus A vistas de perfil, elas expõem aos telescópios um espesso disco de estrelas, gases e poeira e não o seu núcleo.

Aquilo que se chama de quasares, por outro lado, seriam galáxias vistas de frente: assim, expõem seu núcleos isto é, o centro do disco. A energia do quasar, nesse caso, obscurece as estrelas à volta. Esse é o raciocínio do astrônomo americano George Djorgovski, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, chefe da equipe que analisou a Cygnus A. “A interpretação lógica é que encontramos um quasar sepultado, que não podíamos ver por meios ópticos.” A própria Via Láctea pode ter sido habitada por um quasar, mas, por ser idosa, esgotou a provisão de estrelas próximas que alimentavam a fera. Mesmo velho e desdentado,. porém, ele ainda agita o centro da galáxia, situado na direção da Constelação de Sagitário. a 30 000 anos-luz do Sol. Entrevê-se aí forte turbulência em massas de gases, possivelmente sob a batuta de um buraco negro ancião.
Se os quasares forem realmente o núcleo ativo das galáxias, estas já habitariam o Universo desde o seu primeiro bilhão de anos de vida. Ou ainda mais cedo, pois os quasares mais distantes não parecem jovens: haviam começado a brilhar algum tempo antes de serem avistados. “Se pudéssemos determinar em que época foram acionados, saberíamos quando as galáxias se formaram?, aposta o astrônomo americano Wallace Sargent, do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Um dado animador é que, de acordo com alguns cientistas, as barreiras do tempo serão quebradas cada vez com maior freqüência. De fato, mal se anunciou a descoberta do BR 1202-07, surgiu outro recordista, cuja luz teria sido emitida quando o Universo tinha 870 milhões de anos.. Assim, dentro de um ano se poderá chegar ao período em que o Cosmo tinha cerca de 350 milhões de anos. Mas será difícil superar essa barreira.

Corrida para o passado
A chave para se calcular a idade do Universo surgiu com o astrônomo americano Edwin Hubble, que, em 1929, percebeu-não sem espanto —que todas as galáxias do céu estavam se distanciando da Terra. Era como se todo o Cosmo estivesse se esticando e a conseqüência disso irrompeu como um clarão na mente dos cientistas. Se estavam se afastando, as galáxias deviam ter estado juntas, em algum momento do passado—desde então identificado com o início dos tempos. Mais do que isso, podia-se calcular o tempo que duas galáxias haviam demorado para afastar-se uma da outra: se dois corpos estão a 10 quilômetros um do outro e se afastam a 5 quilômetros por hora., conclui-se que estiveram lado a lado duas horas antes.
Não é fácil fazer essa conta ao lidar com o conjunto do Universo. Para se ter uma idéia, as galáxias mais distantes têm de se afastar mais velozmente, já que, para chegar à distancia em que estão, não podem ter demorado mais tempo que uma galáxia próxima, mais lerda. É justamente por isso que, se o tempo andasse para trás, todas as galáxias chegariam, ao mesmo tempo, a um mesmo ponto do espaço. Outra complicação: além de acompanhar o esticamento geral do Universo, as galáxias também se atraem sob ação da gravidade. Por esse motivo, muitas galáxias próximas, em lenta expansão, estão se aproximando, e não se afastando da Terra. Por outro lado, é difícil avaliar a distancia das galáxias muito afastadas.
Todas essas dificuldades, embora não impeçam seu cálculo, introduzem grande incerteza na idade do Universo: os cientistas, muitas vezes, assinalam apenas que ela se situa entre 10 bilhões e 20 bilhões de anos. As mais aprimoradas estimativas apontam para o tempo de 13 bilhões de anos, mas ainda se trata de um número provável. Não é definitivo.

8373 – Mais uma inimiga da Saúde


Pesquisadores da USP detectaram nas águas e sedimentos do estuário de Santos. a presença de até 2,5 microgramas de mercúrio por litro, uma concentração 25 vezes maior que o padrão máximo recomendável. Perto de 1971 já havia a demonstração de danos irreversíveis à flora. Das matas tropicais da Serra do Mar, restaram troncos secos e os bananais deixaram de dar frutos. Há rumores de uma estranha doença que produz nati-mortos sem cérebro com cara de sapo. Mas ainda não há a exata definição se tal anomalia é causa genética ou ambiental.

8375 – Tecnologia – O Elevador Espacial


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Imagine um asteroide preso à Terra por um cabo. Agora pense numa nave subindo por esse cabo rumo a um resort estacionado no espaço. Parece ficção científica, mas a Nasa diz estar vencendo os obstáculos para construir o elevador espacial, uma idéia acalentada desde 1960. O maior empecilho era criar um cabo de um material forte o bastante para aguentar a tensão de segurar o satélite na órbita do planeta. A solução parece estar nos nanotubos C-60 (finos cilindros de carbono), que resistiriam com folga ao esforço. “O elevador poderá ser construído em alguns anos”, diz o pesquisador David Smitherman, líder de uma equipe que trabalha no projeto. Além de abrir as portas do espaço a todos, o elevador baratearia o custo de colocar material em órbita. Hoje, custa 22 000 dólares por quilo. Pelo elevador, custaria 1,48 dólar. Mas a economia não é para já. A produção de nanotubos é pequena e cara. Em alguns anos, talvez o preço caia.
Arthur Clarke, que citou o aparelho em um livro, profetizou: “O elevador será construído 50 anos depois que as pessoas pararem de rir”. Já não há motivo para risos.

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O cabo, de 47 000 quilômetros, começa em uma torre com 20 quilômetros de altura, instalada em uma plataforma em alto-mar. Hoje, a construção mais alta tem 553 metros
A 150 quilômetros de altitude, a gravidade diminui. As pessoas flutuam em seus assentos. O elevador se desloca a 2 000 km/h;
Após 18 horas, o elevador chega à estação espacial, em órbita geoestacionária. Mas o cabo de sustentação segue adiante por muitos quilômetros à frente da estação, terminando num contrapeso, possivelmente um asteróide artificial.

8373 – Sonda vai enviar mini laboratório para pousar em núcleo de cometa


Um projeto concebido há duas décadas está perto de ser concluído, depois de quase dez anos de viagens pelo Sistema Solar.
A sonda espacial europeia Rosetta, lançada em 2004, deverá sobrevoar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 2014, além de enviar um minilaboratório, o Philae, para pousar no núcleo do corpo celeste, um feito inédito.
Cometas são verdadeiros “fósseis” espaciais, surgidos há bilhões de anos e mantendo basicamente a mesma composição química.
Ao passarem perto do Sol, criam a famosa cauda luminosa que os caracteriza, ejetando poeira, água e outras substâncias.
A ESA (Agência Espacial Europeia) já tinha tradição no estudo desse tipo de astro. A sonda Giotto passou a meros 600 km do núcleo do cometa Halley em 1986. Foi um feito impressionante, que deu ímpeto ao ainda mais ambicioso projeto Rosetta.
O nome da sonda é uma homenagem à Pedra de Roseta, encontrada no Egito e que ajudou a decifrar a antiga escrita egípcia de hieróglifos, pois o mesmo texto também está escrito em grego; Philae é uma ilha onde foi achado um obelisco também usado na decifração.
As duas sondas também pretendem “decifrar” os enigmas dos cometas.
A ideia foi aprovada em 1993 e seu projeto começou em 1996, na empresa Astrium, a maior do setor espacial na Europa. Desde então o engenheiro Gunther Lautenschlaeger está envolvido com a missão.
“Em primeiro lugar, estou esperando nervosamente o despertar da Rosetta em janeiro de 2014 e interessado em saber como o ‘nosso bebê’ sobreviveu a mais de dois anos sem nenhum contato com a Terra”.
A Rosetta vai monitorar a passagem do cometa pelo Sistema Solar, com especial atenção para sua atividade ao ser aquecido pelo Sol.
O laboratório Philae vai estudar a composição do núcleo do cometa. O módulo de pouso vai fazer um furo de 20 cm de profundidade para coletar amostras para análise pelo laboratório de bordo.
Graças a novas tecnologias de células solares, a sonda é a primeira a ir além do cinturão de asteroides dependendo apenas de energia solar, em vez dos tradicionais geradores térmicos.
A 800 milhões de quilômetros do Sol, o nível de radiação é apenas 4% daquele que atinge a Terra.
“Nenhuma missão anterior viajou tão longe no espaço profundo, perto de Júpiter, apenas com painéis solares; ela é com certeza uma ‘espaçonave verde'”, disse o engenheiro, gerente do projeto na Astrium.

Cometa grafico

A sonda tem dois painéis solares de 14 metros de comprimento cada um. Os 11 instrumentos a bordo ficam concentrados no lado que será direcionado ao cometa e são capazes de medir a composição, a massa e o fluxo de poeira do núcleo, além da interação do cometa com o vento solar de partículas carregadas eletricamente.
A parte mais “perigosa” dessa trajetória, no entanto, é o passo final, a ser dado em novembro de 2014: o pouso do mini laboratório Philae no núcleo do cometa.
Segundo o engenheiro, o módulo foi projetado para áreas de pouso extremas, mas a gravidade do cometa, cujo núcleo tem 4 km de diâmetro, é muito baixa. “E ninguém sabe exatamente o que há na superfície”, afirmou.
“Pode ser poeira macia, na qual ele vai afundar; ferrita sólida, na qual pode se arrebentar; ou uma superfície de fendas, onde pode cair de lado ou de cabeça para baixo.”
O que resta às equipes é cruzar dedos até 2014.

8370 – Consumo de gordura ‘saudável’ melhora prognóstico de pacientes com câncer de próstata


Homens diagnosticados com câncer de próstata devem substituir carboidratos e gordura de origem animal, presente na carne vermelha e em alimentos processados, por exemplo, por gordura vegetal, encontrada no azeite de oliva, nozes, abacate e outros ingredientes. Segundo um novo estudo americano, essa troca reduz a chance de propagação da doença e o risco de morte por qualquer causa em um período de nove anos. Os resultados dessa pesquisa foram publicados no periódico JAMA.
O estudo foi feito com 4.577 homens diagnosticados com câncer de próstata não metastático (que não havia se espalhado pelo corpo) que foram acompanhados durante oito anos, em média. Ao longo da pesquisa, 1.064 participantes morreram – 31% devido a alguma doença cardíaca; 21% em consequência do câncer de próstata; 21% devido a outro tipo de câncer; e o restante, por causas variadas.

Substituição
A cada quatro anos, os participantes responderam um questionário sobre seus hábitos alimentares. Com isso, os pesquisadores queriam tentar estabelecer uma relação entre a alimentação e os quadros de saúde de cada um. Eles concluíram que os homens que substituíram 10% das calorias que consumiam diariamente vindas de gordura animal e carboidratos por gorduras ‘saudáveis’ apresentaram um risco 29% menor de morrer em consequência da propagação do câncer de próstata. Esses pacientes também tiveram 26% menos chances de morrer por outro motivo em comparação com aqueles que não fizeram essa troca.
Substituir carboidratos e gordura animal por gordura ‘saudável’ diminui em cerca de um terço o risco de morte por câncer de próstata e em 26% de morte por qualquer outra causa.

8369 – Biônica – Australianos desenvolvem ‘olho biônico’ que pode ajudar até 85% dos cegos


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O dispositivo é formado por chip implantado no cérebro e óculos com câmera, processador digital e transmissor wireless. Tecnologia deve ajudar pessoas com deficiência visual causada por doenças como glaucoma, degeneração macular e retinopatia diabética. Primeiro teste em paciente será feito em 2014.
Um grupo de cientistas e designers australianos desenvolveu um protótipo de “olho biônico” para devolver a visão a pessoas cegas. Os testes em pacientes começarão no próximo ano. O dispositivo é composto por óculos que captam, com a ajuda de uma câmera digital, a imagem ao redor do indivíduo e enviam esses estímulos visuais a um chip implantado no cérebro. Se os experimentos envolvendo a tecnologia correrem como o esperado, ela terá o potencial de devolver a visão a até 85% das pessoas classificadas como clinicamente cegas (com pouca visão e percepção de luz ou então sem visão alguma).

A tecnologia está sendo desenvolvida por especialistas do Grupo de Visão da Universidade Monash, na Austrália. Em seu site oficial, o grupo informa que o olho biônico está sendo desenvolvido para “pessoas com deficiência visual causada por uma série de condições, como glaucoma, degeneração macular e retinopatia diabética. Ele também pode ajudar pessoas com danos em seus nervos ópticos ou em seus olhos causados por um trauma ou uma doença.”
O modelo desse olho biônico é formado por óculos e chip. Na parte da frente dos óculos, há uma câmera digital embutida que capta as imagens. Na parte interna dos óculos, existe um sensor que percebe os movimentos dos olhos e é utilizado para direcionar corretamente a câmera. Na lateral dos óculos, os especialistas inseriram um processador digital que recebe as informações visuais da câmera e as envia a um chip que deve ser inserido na parte de trás do cérebro do paciente. Esse chip, por sua vez, emite sinais elétricos ao córtex visual, que interpreta esses sinais como a visão.
Em agosto de 2012, essa mesma equipe anunciou a implantação do protótipo do que chamou de “olho pré-biônico”. A abordagem consistiu em implantar eletrodos na retina de uma paciente com retinite pigmentosa degenerativa, um tipo de degeneração da retina que leva à perda da visão. A ideia era a de que os eletrodos enviassem impulsos elétricos para as células nervosas dos olhos e devolvessem parte da visão à paciente. De acordo com o grupo, esse método é adequado a pessoas com retinite pigmentosa e também degeneração macular relacionada à idade.

8368 – Cientistas estudam genoma de cães e lobos para entender suas diferenças


O Lobo Cinzento teria sido o primeiro animal selvagem a ser domesticado pelo homem
O Lobo Cinzento teria sido o primeiro animal selvagem a ser domesticado pelo homem

Imagine um lobo apanhando um “frisbee” 12 vezes seguidas, conduzindo policiais a um esconderijo de cocaína ou apenas dormindo ao seu lado no sofá. É um exagero, para dizer o mínimo. Os cães podem ter evoluído a partir dos lobos, mas as mentes dos dois são muito diferentes.
O cérebro dos cachorros se tornou sintonizado com o dos humanos. Os cientistas estão se concentrando em alguns genes que foram cruciais para reprogramar o cérebro canino. Seus resultados poderão ensinar algo sobre a evolução de nossos cérebros: alguns dos genes que evoluíram nos cães são os mesmos que evoluíram em nós.
Para rastrear a mudança nos cérebros caninos, os cientistas tiveram de elucidar como as raças de cães se relacionam entre si e como todas elas são parentes dos lobos. O doutor Zhang Ya-Ping, geneticista na Academia Chinesa de Ciências, liderou uma rede internacional de cientistas que compararam pedaços de DNA de diferentes caninos. Eles chegaram à conclusão de que os lobos começaram sua transformação na Ásia oriental.
Aqueles primeiros cachorros então se espalharam para outras partes do mundo. Muitas das raças mais conhecidas hoje surgiram apenas nos últimos séculos. Aqueles primeiros cães permaneceram durante milhares de anos. Hoje são conhecidos como cães nativos chineses. “Os cães chineses vivem em aldeias rurais, ajudando as pessoas a proteger suas casas”, escreveu o doutor Zhang em um e-mail.
Ele e seus colegas sequenciaram o genoma dos cães nativos chineses e o compararam com os genomas de lobos asiáticos e raças modernas de cães.
Ao comparar as mutações, puderam estimar quando os lobos e os cães divergiram. Como relataram em 14 de maio na revista “Nature Communications”, eles descobriram que a divisão começou 32 mil anos atrás.
Os primeiros cachorros encontraram pequenos bandos de caçadores/coletores. As pessoas só se estabeleceram em aldeias para praticar a agricultura na Ásia oriental há 10 mil anos.
Depois que os cães se separaram dos lobos, seus genes começaram a evoluir em uma nova direção. O doutor Zhang e seus colegas puderam identificar alguns desses genes, vários dos quais ainda ativos no cérebro de cachorros.
Alguns dos genes que evoluíram primeiro no cão estão no córtex pré-frontal, onde os mamíferos tomam decisões sobre como se comportar. Alguns genes participam da criação de conexões entre os neurônios. O gene chamado SLC6A4 transporta serotonina para os neurônios.
Os resultados oferecem pistas sobre como os lobos tornaram-se parecidos com os cachorros. “A visão convencional é que os caçadores/coletores recolheram filhotes”, disse Chung-I Wu, da Universidade de Chicago. Se os humanos criaram os primeiros cachorros dessa maneira, então eles seriam descendentes de uma população muito pequena.
Em vez disso, parece que uma grande população de lobos começou a se aproximar dos humanos. Nesse cenário, os lobos agressivos teriam se saído mal, porque os humanos os teriam matado, enquanto lobos mais mansos teriam prosperado.
Isso significaria que não domesticamos os lobos -eles se domesticaram. O gene SLC6A4 pode ter tido um papel crucial nessa mudança, porque a serotonina influencia a agressividade.
O doutor Zhang e seus colegas esperam descobrir como as variantes de genes como o SLC6A4 afetam o comportamento dos cães. Os resultados podem ajudar a explicar a evolução humana: alguns genes que evoluíram no cérebro dos cães, como o SLC6A4, também mudaram no cérebro humano.

8367 – Astronomia – Está provado: Havia água em Marte


Rios volumosos já correram sob o céu amarelo de Marte, e não faz muito tempo. A sonda americana Mars Global Surveyor revelou 150 fotografias com paisagens que se parecem muito com a dos rios terrestres. Não há uma gota aparecendo nas imagens, mas os vales observados só podem ter sido cavados por uma corrente de algum líquido, muito provavelmente água. O rio fluía até há alguns séculos, no máximo poucos milênios. Se fossem mais velhos, algum meteoro já teria destruído os vales.
Os vales encontrados no planeta se dividem em três regiões.
Esta é a região em que as correntes subterrâneas atingiram a superfície. O fluxo da água que chegava com força ao local cavou este buraco.
Estes são os canais. Algum líquido correu por aqui porque o leito é sinuoso e serpenteia dos lugares mais altos para os mais baixos.
Aqui o líquido congelou com o frio de 60 graus negativos. O que sobrasse evaporaria porque não há atmosfera para manter as moléculas de H2O juntas. Elas escapariam e virariam gás.

8366 – Glaciação – A Terra quase virou uma imensa bola de neve


Há cerca de 730 milhões de anos a Terra quase virou uma imensa bola de neve. O planeta foi coberto por uma capa de gelo que chegava a 5 quilômetros de espessura. O fenômeno por pouco não acabou com todos os seres multicelulares, que haviam acabado de surgir no planeta. Eles só se salvaram graças a uma estreita faixa de mar no equador. Ali a evaporação e a grande quantidade de gás carbônico mantiveram a temperatura a 10 graus Celsius positivos, enquanto nos continentes o frio podia chegar a escorchantes 110 abaixo de zero. A grande glaciação foi simulada em computador por cientistas dos Estados Unidos e do Canadá. O estudo levou em consideração a quantidade de gás carbônico na atmosfera, a configuração dos continentes e as condições de vento e chuva. “Descobrimos que naquela época a Terra poderia congelar ou descongelar em 2 000 anos”, afirmou o oceanógrafo americano William Hyde, da Texas A&M University, um dos autores do estudo. “É uma velocidade muito grande do ponto de vista geológico.” Os cientistas ainda não sabem direito as razões desse congelamento tão acelerado. Mas acreditam que a simulação possa servir de alerta para as alterações climáticas atuais.

A Terra passou 200 milhões de anos congelada.
Há 800 milhões de anos, a Terra começou a congelar. O supercontinente Rodínia, que ocupava todo o pólo sul do planeta, foi coberto por uma capa de gelo de 5 quilômetros de espessura.
Entre 730 e 630 milhões de anos atrás, o planeta virou uma bola de neve. A temperatura nos pólos chegou a 110 graus Celsius negativos. Os seres pluricelulares sobreviveram só numa estreita faixa de mar no equador, a única parte do planeta sem gelo.

8364 – Astronomia e Evolução – Sem meteoritos só haveria algas por aqui


Bólidos que caem do espaço assustam, mas, se não fossem eles, você provavelmente seria uma alga unicelular. É o que diz uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia para os quais a queda de meteoritos pode ter sido decisiva para a evolução. Eles chegaram a essa conclusão ao estudar os períodos em que o planeta passou por bombardeios pesados, no passado. Para isso, o grupo analisou os impactos na Lua, considerando que, como os dois mundos estão próximos, o que ocorreu em um deve valer para o outro. A vantagem é que o nosso satélite preservou melhor as marcas do passado. Datando amostras de poeira lunar, os cientistas verificaram que foi num período de bombardeio muito intenso que a evolução deu seu maior salto. Isso foi há 400 milhões de anos, época em que as bactérias e as algas – únicos habitantes do planeta até então – originaram os primeiros animais grandes.

Queda de meteoritos explica surgimento de organismos complexos.
Entre 4 e 3,5 bilhões de anos atrás.

Um grande número de meteoritos caiu na Terra e na Lua. As primeiras bactérias e algas podem ter surgido na Terra por volta dessa época.
3,5 bilhões de anos atrás.
Os impactos rarearam. Com isso proliferaram seres simples, sem grandes mudanças evolutivas.
Entre 500 e 400 milhões de anos atrás.
O bombardeio cósmico volta a se intensificar. Esse período corresponde à chamada explosão cambriana, em que diversas criaturas complexas se desenvolveram por aqui.

8364 – Biologia – Cavalo: Ar condicionado para os neurônios


Depois de horas de galope, o sangue de um cavalo esquenta um bocado. Teoricamente, tanto calor poderia danificar as células do cérebro do bicho. Mas uma nova pesquisa revelou que o equino evita o superaquecimento dos neurônios com um curioso sistema de refrigeração, feito de bolsas de ar (veja infográfico). Para chegar a essa conclusão, cientistas dinamarqueses e canadenses implantaram pequenos termômetros nas artérias carótidas dos animais antes e depois da passagem delas pelas bolsas. Perceberam que, ao atravessar os sacos de ar, o sangue esfria até 2 graus Celsius e pode alcançar o cérebro sem causar dano. Esse ar-condicionado não é privilégio dos cavalos. Outros animais, como pequenos morcegos, usam o mesmo mecanismo para abaixar a temperatura do sangue.

Vejamos como funciona o sistema de refrigeração dos cavalos.
Depois de mais de 1 hora de exercício, o sangue na cabeça do animal pode atingir até 46 graus Celsius.
Ele é resfriado por bolsas de ar capazes de reter até 0,5 litro de ar fresco.
Depois da passagem, o sangue da artéria segue para o cérebro até 2 graus Celsius mais frio.

8362 – Novo exame de sangue é capaz de detectar câncer colorretal


Pesquisadores desenvolveram um método não invasivo capaz de detectar o câncer colorretal com 87% de precisão tanto em estágios iniciais quanto mais avançados da doença. A abordagem consiste em detectar se há uma alteração no gene SDC2 a partir da análise de amostras do sangue dos paciente. O estudo que avaliou o teste também mostrou que ele detecta com 95% de precisão quais são os indivíduos livres desse tipo de câncer. Os resultados foram publicados nesta segunda-feira no periódico The Journal of Molecular Diagnostics.
O câncer colorretal abrange tumores que atingem um segmento do intestino grosso, o cólon, e o reto. Diagnosticar precocemente a doença é essencial para reduzir o risco de metástase e aumentar as chances de sobrevivência e cura do paciente. Atualmente, a principal forma de detecção desse câncer é a colonoscopia, mas o procedimento é invasivo, desconfortável e, por isso, muitos pacientes preferem não ser submetidos a ele. Daí a importância de serem encontradas formas eficazes de diagnosticar a doença por métodos menos invasivos.
Um grupo de cientistas da empresa sul-coreana Genomictree realizou uma análise do DNA de 12 pacientes com câncer colorretal a partir de amostras de tecido dos tumores de cada um. Os pesquisadores, então, identificaram um grupo de genes que apresentou alterações no DNA de todos esses indivíduos. Entre esses genes estava o SDC2, que codifica determinada proteína conhecida por estar envolvida no processo de proliferação e migração de células cancerígenas.
Nessa fase da pesquisa, os autores observaram que alterações químicas conhecidas como metilações, que podem ser introduzidas e retiradas sem alterar a sequência genética original, no gene SDC2 pareciam estar associadas ao câncer colorretal.
Os autores do estudo, então, testaram o gene SDC2 como um marcador biológico (substância medidas para detectar alguma doença ou desequilíbrio no organismo) para o câncer colorretal em outros 131 pacientes com essa doença e em um grupo de controle, formado por 125 pessoas livres da condição.

Segundo Sungwhan An, CEO da Genomictree e coordenador a pesquisa, o teste que detecta metilação no gene SDC2 pode ser utilizado como alternativa à colonoscopia, ou então como um procedimento complementar a ela. O pesquisador acredita que o método também possa ser útil para monitorar a progressão do câncer colorretal, assim como os resultados do tratamento.
Esses resultados fazem parte da primeira fase dos testes clínicos do exame – ao todo, são necessárias três etapas para validar um método diagnóstico. De acordo com Sungwhan An, os próximos estudos devem explorar se o SDC2 é um marcador biológico restrito ao câncer colorretal ou então se poderia ajudar a diagnosticar outros tipos de câncer.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), houve cerca de 30.000 novos casos de câncer colorretal no Brasil em 2012 e foram registradas 13.344 mortes pela doença no mesmo ano. Em 2012, essa doença foi o terceiro tipo de câncer mais comum entre homens e mulheres.

8361 – Protetor solar ajuda a prevenir envelhecimento da pele, confirma pesquisa


Pessoas que passam a fazer uso de protetor solar diariamente têm, após um período de quatro anos, uma chance 24% menor de apresentar sinais visíveis de envelhecimento da pele causado pelo sol em comparação às que não se protegem adequadamente. E isso vale mesmo entre quem tem mais de 40 anos, quando a pele já exibe danos causados pela exposição solar a longo prazo. Foi o que concluiu um estudo realizado na Austrália e publicado nesta terça-feira no periódico Annals of Internal Medicine.
O estudo feito no Instituto de Pesquisa Médica da Universidade de Queensland, na Austrália, avaliou 903 pessoas de até 55 anos. Parte delas foi orientada a aplicar diariamente protetor solar com fator de proteção 15 no rosto, pescoço, braços e mãos. Elas deveriam usar o produto de manhã e após o banho, e reaplicá-lo caso passassem muito tempo no sol. O restante dos participantes foi orientado a usar protetor solar como bem entendessem. Todos os voluntários foram acompanhados ao longo de 4,5 anos.
Segundo o estudo, as pessoas do segundo grupo usavam protetor solar em três ou quatro dias a menos do que aquelas que foram orientadas a aplicar o produto com frequência. Os pesquisadores observaram que o efeito positivo do uso diário de protetor solar foi observado mesmo entre pessoas que já apresentavam danos na pele causados pelo sol. O produto, em alguns casos, até melhorou o aspecto desses danos.
Talvez a principal recomendação de um dermatologista a seu paciente seja passar protetor solar com a finalidade não só de se proteger contra o câncer de pele, mas também evitar o envelhecimento da pele. No entanto, embora o poder desses produtos em reduzir o risco do câncer de pele seja algo reconhecido por pesquisas científicas, nenhum estudo havia validado até então o efeito sobre o envelhecimento cutâneo.
“Essa é uma daquelas dicas de beleza que se ouve muito, mas, pela primeira vez, podemos apoiá-la com evidências cientificas: proteger-se do câncer de pele usando protetor solar também tem o bônus de deixar uma pessoa com a aparência mais jovem”, diz Adele Green, coordenadora do estudo.

8360 – Mundo – Obesidade X Fome


É um paradigma constantemente citado aqui no ☻ Mega, vejamos um dos lados dessa moeda de contrastes:

Na Somália, 750.000 podem morrer de fome em 4 meses

A fome afeta uma sexta região da Somália, e a situação se agravará, já que a ajuda humanitária não aumentará, anunciou a ONU nesta segunda-feira. Segundo a organização, 750.000 correm o risco de morrer nos próximos quatro meses.
O limite da fome foi superado ante a desnutrição aguda e o índice de mortalidade registrado na região de Bay, sul da Somália, em consequência de uma seca devastadora no Chifre da África, destacou a ONU. “Se o nível atual de resposta (a crise humanitária) continuar, a fome seguirá progredindo nos próximos quatro meses”, adverte em um comunicado a Unidade de Análises da ONU para a Segurança Alimentar e a Nutrição (FSNAU).
No total, 4 milhões de pessoas estão em situação crítica na Somália, das quais 750.000 correm o risco de morrer nos próximos quatro meses na ausência de uma resposta adequada em termos de envio de ajuda”, completa o texto. “Dezenas de milhares de pessoas já morreram, sendo que mais da metade eram crianças”, recorda a FSNAU.
O estado de fome responde a uma definição estrita das Nações Unidas: pelo menos 20% das residências confrontadas com uma grave penúria alimentar, 30% da população com desnutrição aguda e uma taxa de mortalidade diária de dois sobre 10.000 pessoas.

( ☻ As Imagens são Chocantes…)

A região de Bay, a última declarada em fome pela ONU, é controlada pelos insurgentes islamitas shebab, assim como grande parte do sul e do centro da Somália, e inclui sobretudo a cidade de Baidoa, uma das principais do país. No total, 12,4 milhões de pessoas residentes no Chifre da África sofrem com a pior seca em décadas e precisa de ajuda humanitária, segundo a ONU.
A Somália é o país mais afetado em consequência da guerra civil iniciada em 1991, que destruiu boa parte das infraestruturas e dificulta muito o acesso ao centro e ao sul do país.