Arquivo da categoria: Ciência

8331 – Evolução – A Vitória do Homo Sapiens


evolucao, humana, homo, sapiens, habilis, erectus, neanderthalensis
Peixes, insetos e mesmo outros mamíferos compõem grupos de animais de espécies que têm que competir entre si. O homem é um dos raros gêneros que só tem uma espécie.
Nos últimos 25 000 anos tem sido assim. Nenhuma outra espécie animal conta com condições de ameaçar o nosso domínio. Tempo mais do que suficiente para encararmos com naturalidade essa exclusividade e esse privilégio. (A ponto de considerá-los uma bênção divina.) Mas 25 000 anos são só a ponta do iceberg da evolução humana, com seus 6 milhões de anos. A descoberta recente de novos fósseis na África vem revelando que estar sozinho tem sido a exceção e não a regra na espécie humana. “Sabemos hoje que a evolução do homem não tem nada daquele gráfico em escadinha que aprendemos no colégio”, diz Walter Neves, paleantropólogo da USP. “Nossa história é semelhante à de qualquer outro animal, cheia de ramificações e espécies vivendo juntas ao mesmo tempo.”
Até pouco tempo, imaginar várias espécies de hominídeos coexistindo na Terra era algo tão fantasioso quanto a convivência do humano Han Solo com o wookie Chewbacca em Guerra nas Estrelas. O que os pesquisadores descobriram é que em diversos períodos da história humana, essa coexistência de espécies existiu.
No norte do Quênia, em um sítio de escavação de fósseis às margens do Lago Turkana, os paleantropólogos descobriram que pelo menos quatro tipos de hominídeos disputavam a hegemonia do planeta há cerca de 1,8 milhão de anos. Vestígios de fósseis do Australopithecus boisei, do Homo rudolfensis, do Homo habilis e do Homo ergaster datados desse período, comprovam que eles andaram sobre a mesma savana e é bem provável que tenham se cruzado. Como foi esse encontro? É difícil dizer. Mas os pesquisadores sabem que “convivência” não é a palavra mais adequada para definir o que deve ter ocorrido. O que se sabe é que, a não ser pelo fato de serem bípedes e usarem ferramentas (toscas, feitas de pedra), eles não tinham quase nada do que hoje define o homem moderno.
Desde a década de 70, os paleantropólogos sabem que antes de qualquer vestígio cultural, como a troca de alimentos entre grupos, ou anatômico, como aumento do cérebro, o traço mais importante que marca o início da história do homem é termos nos tornado bípedes. Foi graças a Lucy, o esqueleto de Australopithecus afarensis com 3,2 milhões de anos achado na Etiópia em 1974 (batizado em homenagem à música dos Beatles “Lucy in the Sky with Diamonds”), que os pesquisadores concluíram que andar sobre dois membros foi a mudança decisiva que nos separou dos outros macacos. O esqueleto de Lucy, na época o mais antigo fóssil de nossos ancestrais já encontrado, era semelhante ao do homem moderno. Mas seu crânio era mais parecido com o de um chimpanzé: o cérebro de Lucy tinha o tamanho de uma mexerica.
A hipótese que melhor explicava por que um dia nos levantamos e deixamos a mata para passear na savana era baseada em mudanças na paisagem do Leste e do Sul da África que ocorreram há 15 milhões de anos. Foi por esse período que a placa de terra que hoje conhecemos por África se arrastou em direção ao Oriente Médio. Nesse vaivém, vulcões se formaram e explodiram transformando o que antes era verde em mata seca de savana. O surgimento da savana quente foi o que tornou a bipedia um bom negócio. Ao sair da posição curvada dos grandes primatas e ficar em pé no sol escaldante ao meio-dia, os primeiros hominídeos reduziram em até 40% a exposição dos seus corpos ao nada ameno sol equatorial. Ampliamos também nossa visão, olhando o horizonte para ver de antemão a chegada de predadores e inimigos. Com as mãos livres, ficou mais fácil catar alimentos, desenvolver ferramentas, caçar.
Mas essa hipótese, como tantas outras na história das teorias da evolução, vem sendo questionada. Em 1994, o antropólogo Tim White, da Universidade da Califórnia, encontrou, também na Etiópia, fósseis com 4,4 milhões de anos. Como esses fragmentos de ossos são mais primitivos do que os de Lucy, eles chamaram as novas espécies de Ardipithecus ramidus. (Ardi, na língua local significa chão e ramidus, raiz.) Ao lado dos fósseis, ossos de animais, madeira petrificada e outros vestígios indicam que a região era cheia de árvores quando o ramidus vivia por lá. Se a espécie realmente tiver sido bípede como os estudos indicam, as teorias para o surgimento da bipedia em que acreditamos até agora podem ir por água abaixo.
Menos de um ano depois da descoberta do ramidus, a paleantropóloga Meave Leakey – mulher do legendário caçador de fósseis Richard Leakey, autor de best-sellers como The Sixth Extinction – encontrou no Quênia fósseis de outra espécie, o Australopithecus anamensis, um pouco mais jovem: 4,2 milhões de anos. O anamensis era certamente bípede. E o número de ancestrais vem aumentando desde então. No ano passado, foi a vez do Australopithecus garhi, um elo provável que liga espécies primitivas como o afarensis aos primeiros humanos.
A cada nova descoberta, surgem novas evidências de que umas espécies estavam acompanhadas de outras. E de que esse número de hominídeos que disputavam a primazia de virar aquilo que hoje chamamos de espécie humana, deve aumentar. “Essa quantidade de espécies ainda é pequena em relação ao que devemos encontrar daqui a alguns anos”, diz Ian Tattesall, antropólogo do Museu Americano de História Natural e autor do livro Extinct Humans, lançado em agosto deste ano nos Estados Unidos. Para ele, o quebra-cabeças da evolução vai se mostrar maior e rico em detalhes do que os velhos modelos que explicavam nossas origens jamais supuseram. Um dos modelos que estão ficando obsoletos é o de espécie única, que até hoje faz com que alguns pesquisadores relutem em aceitar que as savanas tenham sido ocupadas concomitantemente em tempos primevos por várias espécies de hominídeos. Essa tese ganhou força nos anos 60 e era supostamente baseada numa lei ecológica: duas espécies com adaptações muito similares não podiam coexistir. Sendo assim, os hominídeos apareciam numa sucessão linear, que vinha do mais primitivo ao mais avançado, e o homem moderno seria o último degrau dessa escada. Uma visão reconfortante para o antropocentrismo – que já tinha sofrido um abalo no século passado, quando descobriu, por meio das teorias de Darwin, que o verdadeiro Adão não devia ser mais bonito do que um macaco prego.
Se nosso passado foi tão rico em diversidade de espécies, por que somente nós, Homo sapiens, sobrevivemos? Que diferencial nos garantiu sobrepujar os hominídeos que disputavam conosco o direito de continuar existindo?
Nenhum paleantropólogo de bom senso arriscaria responder assertivamente a essas perguntas. Mas é bastante provável que as respostas venham a ser dadas por um único evento: a chamada explosão criativa do paleolítico superior. Apesar de a biologia molecular estimar que o Homo sapiens tenha surgido há cerca de 200 000 anos, foi só por volta de 45 000 anos atrás que ele desencadeou essa revolução tecnológica. Trata-se de um período de acelerado desenvolvimento da linguagem e da produção de ferramentas. Em conseqüência, a capacidade de se comunicar e de guerrear evoluiu muito mais entre os Homo sapiens do que entre as outras duas espécies – o Homo erectus na Ásia e o Homem de Neanderthal na Europa e no Oriente Médio – que disputavam com eles a hegemonia do planeta.
Os pesquisadores acreditam que, em vários momentos, o Homo sapiens deve ter tentado sair da África e entrar na Europa pelo Oriente Médio – mas foi provavelmente barrado pelos Neanderthais, que eram mais fortes. Em Israel há diversos sítios com vestígios de que sapiens e Neanderthais viveram próximos. Há quem acredite que o fóssil de uma criança encontrado em Portugal no ano passado possa ser de um filho de um neandertal com sapiens, apesar de a maioria dos pesquisadores achar impossível chegar a essa conclusão a partir dos ossos de uma única criança.
Logo depois da explosão criativa, nossa espécie teria conseguido entrar na Europa. Seguramente à custa das novas ferramentas e da sua capacidade de comunicação. (Imagine um Neanderthal tentando avisar outro, com grunhidos, da chegada de um grupo de ataque organizado.) Ninguém sabe como os Neanderthais se extinguiram. E nem os erectus, que eram ainda mais atrasados. Não há vestígios suficientes que comprovem que essas espécies tenham sido exterminadas pelas novas armas e capacidades do Homo sapiens. É possível que essa extinção tenha ocorrido indiretamente pela disputa de recursos naturais.
O que dá para dizer é que o surgimento do que chamamos de cultura – que começou exatamente há 45 000 anos com a explosão criativa – marcou também o próprio surgimento do homem moderno. Essa é a grande esquina da história que determinou que o Homo sapiens seria a primeira espécie animal a deixar de depender da evolução natural para se desenvolver. Daquele momento para cá, mas especialmente daqui para diante, poderá até haver algumas mudanças leves na configuração da nossa espécie. Mas, para o bem e para o mal, estamos aqui para ficar.

8328 – Ecologia – Experiência para tentar reverter o aquecimento global pode resultar em catástrofe


O aquecimento global é causado pelo excesso de CO2 na atmosfera. Parte desse gás é absorvido pelo fitoplâncton, um conjunto de plantas e algas que vive no mar e faz fotossíntese, ou seja, se alimenta de CO2 e luz. Se você aumentar a quantidade de fitoplâncton nos oceanos, em tese ele irá sugar mais CO2 e ajudará a combater o aquecimento global. O empresário americano Russ George resolveu testar essa ideia por conta própria: e jogou 100 toneladas de sulfato de ferro no Oceano Pacífico.
As algas adoram ferro (porque ele é necessário à fotossíntese), e a ação provocou o surgimento de uma mancha de fitoplâncton com 10 mil km² – seis vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Mas isso gerou protestos na comunidade científica. Tudo porque o super crescimento de algas pode afetar o ecossistema marinho, levando à extinção de espécies, e gerar efeito oposto ao planejado. “Se você ficar jogando ferro no mar, pode haver desequilíbrios com outros elementos. E essas microalgas podem liberar dimetil sulfeto e outros aerossóis que podem contribuir para o aquecimento global”, diz um professor do Instituto de Oceanografia da USP. Por tudo isso, e como a técnica viola uma convenção de biossegurança da ONU, alguns pesquisadores classificaram a ação de Russ George como um ato de terrorismo ambiental.

8326 – Vacina Contra Sífilis


Duas equipes de cientistas conseguiram traçar um mapa da composição genética da bactéria da sífilis, descoberta que poderá levar a uma vacina para combater e erradicar essa doença venérea, informou a revista Science.
Os cientistas do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, em Houston, e do Instituto para a Pesquisa Genética de Rockville, Maryland, disseram que analisaram os 1,1 milhão de pares de elementos do ácido desoxirribunocleico que formam o genoma da sífilis. Um genoma é o conjunto de cromossomos de uma célula.
Os especialistas disseram que o novo mapa de genes permitirá aos pesquisadores detectar a sífilis mais facilmente. “A conclusão desse projeto é um avanço extraordinário na campanha para a criação de uma vacina”, disse o dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, a agência federal que financiou a pesquisa genética.
A sífilis se espalhou pelo mundo depois que os europeus chegaram à América, em 1492. Isso deu lugar a conjeturas de que a bactéria teria origem no Novo Mundo, mas isso jamais foi provado. A doença é transmitida exclusivamente através de relações sexuais e causa ferimentos que expõem a vítima a outras doenças venéreas ou a vírus, como o HIV,transmissor da Aids. A bactéria da sífilis morre fora do corpo humano, o que tornou muito difícil seu estudo. A sífilis pode causar doenças cardíacas, demência e cegueira.

8325 – Medicina – O Tétano


tetano acidental

É uma doença infecciosa, não contagiosa, com elevada letalidade para jovens e idosos. Sua principal característica é causar espasmos dolorosos, rigidez dos músculos e distúrbios neurológicos. É causada pela neurotoxina tetanospasmina que é produzida pela bactéria gram-positiva e anaeróbica Clostridium tetani.
A transmissão ocorre pela introdução dos esporos da bactéria em ferimentos externos, geralmente perfurantes, contaminados com terra, poeira, fezes de animais ou humanas. A infecção se dá pela entrada de esporos por qualquer tipo de ferimento na pele contaminado com areia ou terra. Ferimentos com objetos contaminados normalmente representam um risco grande de desenvolvimento da doença, se a pessoa não tiver sido vacinada.
Popularmente é associada com objetos de metal enferrujado, mas o esporo do bacilo tetânico está em todo lugar e pode ser encontrado na terra, em plantas, em vidro, em madeira e em outros objetos, entrando no organismo por perfuração ou corte.
Nos equinos o acesso da infecção se dá com maior frequência em lesões nos cascos (pregos etc.), cordão umbilical, aparelho genital etc. Nos bovinos pode-se instalar através de feridas resultantes de colocação de argola no focinho; da amputação dos chifres; da castração e de traumatismo no parto. Em ovinos e caprinos pode ocorrer ao tosquiar, ao marcar, ao cortar a cauda, durante o parto ou na castração.
Depois que penetram no organismo, as bactérias e seus esporos elaboram duas potentes toxinas ou venenos, que entram na corrente sangüínea e vão agir nos grandes centros nervosos e também produzir espasmos tônico-clônicos.
A Contaminação de feridas com esporos leva ao desenvolvimento e multiplicação local de bacilos. Eles não são invasivos e não invadem outros órgãos, permanecendo junto à ferida. Aí formam as suas toxinas, que são responsáveis pela doença e por todos os sintomas.
O período de incubação pode variar de 3 a 21 dias (sendo o mais comum 8 dias).4 Em casos de recém-nascidos, o período de incubação é de 4 a 14 dias, sendo 7 o mais comum. Na maioria dos casos, quanto mais afastada do sistema nervoso estiver a ferida, mais longo é o período de incubação. O período de incubação e a probabilidade de morte são inversamente proporcionais.
O tétano caracteriza-se pelos espasmos musculares. Eles podem ser provocados pelos mais pequenos impulsos nervosos, como barulhos, luzes e encostar no paciente ou podem surgir espontaneamente. Duram de dois a cinco dias. Os sintomas de tétano são.
Trismus (dificuldade de abrir a boca);
Rigidez do pescoço e costas;
Risus sardonicus (riso causado pelo espasmo dos músculos em volta da boca);
Dificuldade de deglutição;
Rigidez muscular do abdômen;
Contração de músculos dos braços e pernas;
Opstotóno, (espasmo tetânico em que se recurvam para trás a cabeça e os calcanhares, arqueando-se para diante o resto do corpo);
Insuficiência respiratória.
O paciente permanece lúcido e sem febre. A rigidez e espasmos dos músculos estendem-se de cima para baixo no corpo. Sinais típicos do período toxêmico incluem uma elevação da temperatura corporal de entre 2 a 4 °C, sudorese (suor excessivo), aumento da tensão arterial, taquicardia (batida rápida do coração). Os espasmos podem durar semanas e a recuperação completa pode levar meses.
Complicações da doença incluem espasmos da laringe (cordas vocais), músculos secundários (aqueles do peito usados para respiração), e diafragma (o músculo primário usado na respiração); fraturas de ossos longos por causa de espasmos violentos; e hiperatividade do sistema nervoso autônomo.

Animais de fazenda como equinos, bovinos, cabras e ovelhas são mais suscetíveis à doença que humanos.
Há três formas clínicas distintas de tétano: local (incomum), cefálico (raro), e generalizado (o mais comum). O tratamento generalizado é aplicado em 80% dos casos. No caso desses animais o período de incubação varia normalmente de uma a três semanas, porém, às vezes, dura até quatro meses. É mais curto nos animais novos. Os principais sintomas são5 :

Dificuldade em abrir a boca;
Dificuldade de engolir;
Rigidez muscular, principalmente no pescoço;
Grunhidos causados pelos espasmos;
Protusão da membrana nicititante;
Ventre recolhido;
Pescoço estendido para a frente e a cabeça mais ou menos fixa;
Patas abertas e tesas, lembrando um cavalete;
Narinas dilatadas;
Movimentos cada vez mais lentos até a imobilização total;
Espasmos generalizados;
Tremores musculares, quando o animal é excitado.
A morte ocorre em cerca de 5 a 15 dias por falta de alimentação, desidratação, paralisia dos órgãos internos ou por acidose. Algumas vezes, no curso do tétano, pode haver desaparecimento temporário dos sintomas gerais (remissão), o que dá uma falsa impressão de melhora do animal.
O diagnóstico é essencialmente clínico (análise do histórico e sintomas durante a consulta). Pode ser confirmado através de diagnóstico laboratorial coletando material do ferimento ou do baço e pesquisando a neurotoxina ou fazendo uma cultura anaeróbia com o material coletado.
Cerca de 30% dos casos são fatais no Brasil e em Portugal, causados geralmente por asfixia devido aos espasmos contínuos do diafragma. A maioria das mortes ocorre entre crianças menores de 5 anos e idosos na área urbana. É mais comum em homens (62% dos casos). Em países da África a mortalidade pode chegar a 60%.
Com a ampla vacinação da população no Brasil as taxas médias de incidência no período de 1982 a 2003, com uma redução de entre 40-100% no número absoluto de casos confirmados. Na região Sudeste o número caiu de 1,00 para 0,01 casos por 100 mil habitantes.4 A vacinação de toda a população é importante pois 46,2% dos casos estavam concentrados no grupo de 20 a 49 anos de idade, mas crianças e idosos tem um risco de mortalidade mais do que duas vezes maior.
Ainda assim, em 2001 o Brasil registrou um total de 578 casos e em 2011 foram 327. A partir de 2007, a média foi de 340 casos confirmados ao ano.8 Entre 1996 e 2005 foram registrados 6.503 casos pela vigilância sanitário, sendo a maior parte dos casos foi no Nordeste, Sudeste e Sul do país.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que ocorreram 15.516 casos em todo o mundo de tétano em 2005. O número estimado é de 290.000 mortes entre 2000 e 2003. A maioria destes casos ocorreu entre recém-nascidos (tétano neonatal).

Tratamento:
A ferida deve ser limpa com antisséptico ou oxidante (como água oxigenada) e é administrado antídoto, um anticorpo que se liga à toxina e inibe a sua função. São também administrados fármacos relaxantes musculares. A penicilina e o metronidazol eliminam as bactérias, mas não têm efeito no agente tóxico que elas produzem. Os depressores do sistema nervoso central Diazepam e DTP também são dados, reduzindo a ansiedade e resposta espásmica aos estímulos. A internação deve ser imediata em UTI de alta complexidade, com isolamento, baixa estimulação sonora, luminosa e tátil enquanto durarem os riscos de espasmos.
No caso veterinário o tratamento é mais difícil e problemático. Pode-se usar vários recursos como aplicação de soro antitetânico, em doses adequadas para o animal, por via endovenosa e repeti-las quando necessário.5 Também se usa penicilina ou outro antibiótico para eliminar as bactérias. Em casos de ferimentos profundos é fundamental manter em acompanhamento veterinário para limpar, drenar e debridar (retirada do tecido morto) da ferida. O animal deve ser mantido em ambiente escuro, silencioso e isolado para evitar espasmos. Pode ser feito uso de fármacos relaxantes musculares.

Prevenção
Todos os ferimentos sujos, fraturas expostas, mordidas de animais e queimaduras devem ser bem limpos com substâncias oxidantes ou antissépticas (como álcool) e tratados adequadamente para evitar a proliferação de bactérias nocivas no organismo, não só de tétano. O ferimento deve ser coberto com uma gaze ou algodão limpos para evitar re-contaminações.

O tétano pode ser evitado:

Vacinando crianças e animais e reforçando a vacina a cada 10 anos.
Usando soro anti-tetânico antes das intervenções cirúrgicas ou depois de ferimentos que possam facilitar a infecção;
Evitando o contato das feridas profundas com terra ou qualquer sujeira;
Cuidando da assepsia do instrumento cirúrgico e da antissepsia das feridas;
Desinfetar, tão cedo quanto possível, feridas recentes dos equinos;
Eliminando os objetos pontiagudos que possam causar ferimentos acidentais.
Quando alguém se fere profundamente e não faz a higiene necessária, os médicos solicitam a aplicação do soro antitetânico, para que o tétano não se desenvolva. Esse cuidado é muito importante, porque a toxina tetânica tem afinidade pelo sistema nervoso e pode levar a pessoa a morte. O soro é uma preparação com anticorpos já prontos para o uso na defesa do organismo.

Vacinação
A vacina é especialmente importante para menores de 5 anos e maiores de 60, que são as principais vítimas fatais da doença.3 É recomendado que as grávidas tomem uma vacina de reforço, caso não tenham tomado nos últimos 10 anos. A vacina tetravalente tem 99% de eficácia e também ajuda a prevenir difteria, gripe tipo B e coqueluche.
Segundo o Calendário de Vacinação da Criança recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria – 2009 a vacina contra tétano deveria ser administrada em três doses aos 2, 4 e 6 meses, respectivamente e dois reforços aos 15 meses e entre 4 – 6 anos.

Na História da Medicina
O primeiro registro de ocorrência de tétano é de autoria de Hipócrates, que escreve no século V a.C., dando inúmeras descrições clínicas da doença. Contudo a sua etiologia (causa) foi descoberta somente em 1884, por Carle e Rattone. A primeira imunização passiva contra a doença foi implementada durante a Primeira Guerra Mundial.
Durante muitos anos o antídoto era feito por injeção de toxina em cavalos, e o seu soro rico em anticorpos antitoxina era administrado aos doentes. Contudo este processo gerava reações imunitárias contra os anticorpos do cavalo, um problema denominado de doença do soro. Por essa razão, cada pessoa só podia receber antídoto uma vez na vida, pois a reação do seu sistema imunitário contra o anticorpo de cavalo era quase sempre fatal à segunda aplicação do soro.

8324 – Medicina – Pesquisa pode ajudar no desenvolvimento de fígado artificial


Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) descobriram substâncias que podem auxiliar na produção de tecidos do fígado em laboratório ou até mesmo de um órgão artificial criado para transplantes. O processo até hoje desafia a ciência porque as células do fígado, conhecidas como hepatócitos, perdem sua função quando removidas do organismo.
Os pesquisadores identificaram 12 compostos que ajudaram a manter o funcionamento e ainda promoveram a divisão das células do fígado em laboratório.
Em um estudo publicado no periódico Nature Chemical Biology, os autores descrevem diversas substâncias que ajudam as células do fígado não só a manter sua funcionalidade, mas também a se multiplicar em laboratório. Partes do órgão criadas artificialmente poderiam ser utilizadas em transplantes e no tratamentos de doenças crônicas, como a hepatite C, afirmam os pesquisadores.
Sangeeta Bhatia e sua equipe de pesquisadores já haviam conseguido manter temporariamente a função de células do fígado, intercalando essas células a fibroblastos (células do tecido conjuntivo) de camundongos. No novo estudo, eles utilizaram a mesma técnica para testar como 12.500 substâncias afetavam o crescimento e a função das células do fígado.
Após analisar centenas de células de oito doadores, os pesquisadores identificaram 12 compostos que ajudaram a manter o funcionamento e ainda promover a divisão das células.
Células-tronco
Duas dessas substâncias foram eficazes especialmente em células de doadores jovens. Os pesquisadores decidiram então testá-las em células do fígado geradas a partir de células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs, na sigla em inglês), células-tronco artificialmente derivadas de células adultas.
Tentativas de criar hepatócitos a partir desse tipo de células-tronco já haviam sido realizadas, mas as células produzidas não atingiam o estado de maturidade necessário. Com a adição dos dois componentes estudados, as células atingiram um estágio de maturação mais avançado. Os pesquisadores agora analisam se esses compostos podem auxiliar na maturação de outros tipos de células geradas a partir de células-tronco.
De acordo com os autores, os próximos passos do estudo incluem colocar as células do fígado tratadas em estruturas de polímeros e implantá-las em camundongos e descobrir se elas poderiam substituir tecidos do órgão. Eles também estudam a possibilidade de desenvolver medicamentos que ajudem a regenerar as próprias células do fígado dos pacientes.
Sangeeta Bhatia também contribuiu recentemente com outro ponto importante para um possível implante de tecido do fígado: a capacidade de o organismo do receptor criar vasos sanguíneos para levar oxigênio e nutrientes ao novo tecido. Em um artigo publicado em abril no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, os pesquisadores mostram que quando células do endotélio (camada celular interna dos vasos sanguíneos) são inseridas no novo tecido, elas rapidamente crescem e se transformam em vasos sanguíneos após a implantação de tecido.

8323 – China deve lançar missão espacial tripulada esta semana


De acordo com o site Space.com, a China está se preparando para lançar nesta sexta-feira, dia 7, uma missão com três astronautas rumo ao módulo espacial experimental Tiangong-1 (Palácio Celestial). O lançamento de uma missão em junho deste ano já havia sido anunciada no fim do ano passado pelo governo chinês.
O foguete Longa Marcha 2F, que impulsionará a nave Shenzhou 10 até a órbita, já está no centro de lançamento de Jiuquan, na região noroeste da China. Apesar de estar previsto para esta sexta-feira, a janela para o lançamento pode se estender até agosto.
A missão vai servir para aperfeiçoar a capacidade de a agência espacial chinesa realizar acoplagens e também melhorar as tecnologias necessárias para construir uma estação espacial maior.
A capacidade espacial da China é inferior à dos Estados Unidos e da Rússia, mas o programa do país é ambicioso e inclui planos de enviar um homem à Lua e construir até 2020 uma estação que gire em torno da Terra.
A China lançou em 2012 a nave espacial Shenzhou 9, a missão mais ambiciosa de sua história, com três astronautas, entre eles Liu Yang, a primeira mulher chinesa ao viajar para o espaço.
Pequim realizou seu primeiro voo espacial tripulado em outubro de 2003.

Cronologia
1956 — a China, ainda uma sociedade predominantemente rural imersa na pobreza, inaugura seu primeiro Instituto de Pesquisas de Mísseis e Foguetes.
1960 — o país desenvolve seu primeiro foguete, auxiliado por cientistas russos. O feito marca o início de uma série inteira de foguetes, todos nomeados CZ (abreviação de Changzheng ou “Longa Marcha”).
1970 — em 24 de abril, a China se torna o quinto país do mundo a enviar um satélite para a órbita terrestre, quando o DFH-1 (Dong Fang Hong – ‘O Leste é Vermelho’) é lançado ao espaço a bordo de um foguete Longa Marcha.
1992 — enquanto a China faz dos voos tripulados seu objetivo de médio e longo prazos, o Conselho de Estado ou gabinete adota o “projeto 921″, tão secreto quanto os projetos anteriores, mais conhecido pelo nome Shenzhou (“nave divina”).
1995 — o programa espacial chinês sofre um revés quando um foguete CZ-2E explode durante o lançamento em Xichang, na província de Sichuan (sudoeste), matando seis pessoas.
1999 — a primeira nave espacial Shenzhou é lançada em 20 de novembro a bordo de um foguete CZ-2F e retorna à Terra após completar 14 órbitas. A bordo viajam quilos de amostras biológicas.
2002 — a Shenzhou 3 é lançada em 25 de março, na presença do presidente Jiang Zemin. Em 1º de abril, após orbitar a Terra 108 vezes, a espaçonave volta à Terra.
2003 — em 15 de outubro, a Shenzhou 5 é lançada para um voo orbital, levando a bordo o primeiro taikonauta (astronauta chinês), Yang Liwei. Ele volta à Terra após 21 horas e 14 voltas ao redor da Terra.
2007 — a China lança a Chang’e-1, sua primeira sonda lunar, que orbita a Lua e tira fotos em alta resolução da superfície do satélite natural da Terra.
2008 — Zhai Zhigang conclui com sucesso a primeira caminhada espacial de um astronauta chinês.
2010 — em 1º de outubro, a China lança a Chang’e-2, sua segunda sonda lunar.
2011— em 29 de setembro, a China lança o módulo experimental Tiangong 1 ou “Palácio Celestial”, no primeiro passo rumo à construção de sua estação espacial, prevista para 2020.
2011 — em 1º de novembro, a China lança a Shenzhou 8 e realiza sua primeira operação de acoplamento no espaço.
2012 — em junho, a Chenzou 9 é lançada e torna-se a primeira missão tripulada chinesa a acoplar-se com o módulo experimental Tiangong 1. Participa desta missão Liu Yang, a primeira mulher astronauta chinesa a ir ao espaço.

8322 – Sexo – Vem aí a pílula que aumenta a libido feminina


Uma pílula capaz de aumentar o desejo sexual das mulheres pode estar disponível em 2015, segundo matéria publicada neste domingo no jornal britânico The Guardian. A droga, que recebeu o nome de Lybrido, foi idealizada pela empresa holandesa Emotional Brain. A pílula contém testosterona “para aumentar a receptividade do cérebro aos estímulos sexuais” e também apresenta em sua fórmula, assim como o Viagra, um inibidor de fosfodiesterase tipo 5, que aumenta o fluxo sanguíneo à região genital para aumentar a sensibilidade e o desejo sexual.
Um estudo publicado no fim do ano passado no periódico The Journal of Sexual Medicine, por exemplo, mostrou que essa droga é melhor do que placebo para aumentar a libido entre as mulheres. Segundo o The Guardian, o Food and Drug Administration (FDA), órgão que regula alimentos e remédios nos EUA, já deu sinal verde para a realização dos próximos testes em torno da pílula nos Estados Unidos.
Há especialistas, porém, que acreditam que a falta de desejo sexual entre as mulheres não é uma doença e, portanto, não precisa ser tratada com remédios. A matéria do The Guardian cita um artigo publicado há dez anos no periódico British Medical Journal (BMJ), no qual é levantado um debate sobre o assunto. O texto mostra que, na opinião de alguns médicos, o termo “disfunção sexual feminina” passou a ser usado para o benefício de indústrias farmacêuticas.
Um artigo sobre a pílula Lybrido publicado em maio na revista The New York Times Magazine levanta outra questão. De acordo com a matéria, o remédio não deve ser encarado e discutido como um “Viagra feminino”. Isso porque problemas com desejo sexual entre as mulheres parecem estar muito mais relacionados a fatores psicológicos do que físicos. “O Viagra age nas artérias; causa alterações físicas que permitem o pênis ficar ereto. A versão feminina da droga do desejo seria outra coisa. Ela ajustaria regiões do cérebro”, afirma o texto.

8316 – Odontologia – Como é feito o clareamento dental?


Logo odonto

Com substâncias químicas que reagem com a sujeira que escurece os dentes. O processo é simples e consiste em aplicar um gel e deixá-lo agir por alguns minutos. É possível fazer o clareamento inteiramente com o dentista, combinar sessões no consultório com outras em casa ou fazer tudo apenas em domicílio. Para ter resultados melhores, vale a pena fazer várias aplicações leves ao longo de bastante tempo (30 em um mês, por exemplo). Pessoas com gengivas especialmente sensíveis ou com problemas no esmalte devem falar com o dentista antes de tentar o clareamento, pois pode haver contraindicações. O procedimento também tem menos efeito sobre manchas causadas pelo uso de antibióticos.

Preto no branco
Escurinho causado por acúmulo de restos é eliminado com gel abrasivo;

O dente é formado por várias camadas sobrepostas. A mais superficial é o esmalte, que é naturalmente porosa. Ao longo do tempo, pedacinhos de comida entram por essas microfissuras e se depositam na camada abaixo do esmalte, a dentina. É o acúmulo desse material que escurece o dente.
Antes de realizar o procedimento, é preciso fazer uma limpeza básica na estrutura dentária. O dentista usa uma ferramenta chamada cureta para limpar a placa bacteriana e o tártaro. Esse processo aumenta a eficácia do clareamento e evita dor e danos a alguma área especialmente sensível.
É preciso também proteger a gengiva. Se a aplicação for no consultório, o mais comum é cobri-la com um líquido protetor, que depois é exposto a um feixe de luz que o deixa mais rígido, como uma borracha. Em casa, como a substância clareadora é aplicado num molde, ela não chega a tocar as gengivas
O dentista aplica o gel clareador nos dentes com uma seringa. Em todos os casos, o ingrediente ativo é o peróxido de hidrogênio (a popular água oxigenada) ou o peróxido de carbamida (o mais usado). Ambos causam uma reação de oxidação e quebram moléculas orgânicas, como as derivadas dos alimentos
O gel penetra nas fissuras e reage com as substâncias. A reação faz com que as moléculas das manchas sejam decompostas em pedaços menores, como amônia (NH3), gás carbônico (CO2) e oxigênio (O2). Elas se soltam da dentina e são expulsas do dente. Como o processo é lento, várias sessões são necessárias
Em casos nos quais se deseja acelerar o resultado, pode-se usar uma fonte potente de luz para estimular a reação do peróxido com as manchas. Isso produz mais oxigênio, o principal agente “limpador”. No entanto, alguns estudos questionam a real eficácia dessa técnica
Em cada sessão no consultório, o paciente fica de 20 a 30 minutos com o gel na boca. Para limpar o dente, o dentista apenas esguicha-o com água, eliminando as sobras das reações químicas. Em casa, são seis horas com o gel, que podem ser durante o sono, e o produto é retirado com escovação.

8315 – Quais são as plantas medicinais mais utilizadas?


plantas_medicinais
Não há dados estatísticos que classifiquem quais são as mais usadas. Como as plantas medicinais são de uso doméstico, ninguém afere – afinal, não dá para checar os jardins de todas as casas. Mas alguns estudos científicos já comprovam a eficiência terapêutica de diversas espécies – entre 2003 e 2010, o Ministério da Saúde financiou 108 pesquisas relacionadas ao assunto. Mas vale o lembrete: embora algumas ervas realmente ajudem a curar uma dorzinha ou outra, a automedicação pode ser perigosa. Por isso, quando estiver doente, procure um médico antes de tomar qualquer coisa.

Conheça algumas plantas aprovadas por nossas avós e pela ciência

BABOSA (Aloe vera)
Como usar – Compressas e lavagens com a seiva da folha
Bom para – Feridas, queimaduras e inflamações na pele
Similares – Calêndula, confrei e tanchagem
Use só no exterior do corpo! A ingestão não é recomendada – tanto que já proibiram seu uso em bebidas e alimentos

CAMOMILA (Matricaria chamomilla)
Como usar – Chá da flor seca
Bom para – Ansiedade, insônia
Similares – Melissa, erva-cidreira e valeriana

GUACO (Mikania glomerata)
Como usar – Chá ou xarope da folha
Bom para – Vias respiratórias obstruídas e estados gripais
Similares – Eucalipto, hortelã e poejo
QUEBRA-PEDRA (Phyllanthus niruri)
Como usar – Chá da planta toda
Bom para – Cálculos renais e infecções urinárias
Similares – Cavalinha, carqueja, barba-de-milho

BOLDO (Plectranthus barbatus)
Como usar – Chá das folhas
Bom para – Problemas digestivos, azia e indigestão
Similares – Alcachofra, espinheira-santa e erva-doce

GENGIBRE (Zingiber officinale)
Como usar – Chá da raiz
Bom para – Rouquidão e problemas na garganta
Similares – Canela, cravo e romã

8314 – Arqueologia – Um Muro nas Bahamas


Você está no ☻ Mega Arquivo

O pesquisador Valentine, explorando o fundo do Atlântico, no Largo das Bahamas, descobriu um muro baixo e largo, feito de lages gigantescas. Tal muro, medindo 600 metros de comprimento e situado 6 metros abaixo do nível do mar, provocou discussões sobre sua origem: Vestígios de uma civilização ou formação natural?
Segundo um geólogo, o muro seria de origem natural. Suas lages parecem todas se originar de um bloco único composto de restos de conchas e depósitos de cálcio. O bloco seria formado pelas marés, e as fissuras teriam aparecido devido às vagas. Quanto aos cilindros de mármore e cimento encontrados no local, uma análise permitiu verificar que foram feitos de material estranho à região. Datam do século 19 e teriam sido perdidos num naufrágio.

8313 – Mega Sampa – Onde fica Balbinos?


cidade_balbinos_sp

É um município brasileiro do estado de São Paulo. Localiza-se a uma latitude 21º53’59” sul e a uma longitude 49º21’24” oeste, estando a uma altitude de 460 metros. Sua população estimada em 2010 era de 3 932 habitantes.
Possui uma área de 90,9 km².

O município foi fundado em 31 de dezembro de 1954 pelos seus habitantes e pela família Balbino que se instalou na região no início do século XX. Já foi distrito de Pirajuí que antigamente era o maior produtor de café de todo o planeta. Ultimamente tem uma das melhores quermesses de toda a região realizada em meados de junho e julho

Dados do Censo – 2010 Balbinos (SP) tinha cerca de 1.313 habitantes para 3.932. Apresentando crescimento populacional de 199,47%, sendo então o município brasileiro com o maior índice de crescimento. Dados do Censo – 2000

População Total: 1.313

Urbana: 1.062
Rural: 251
Homens: 676
Mulheres: 637
Densidade demográfica (hab./km²): 14,44

Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 16,67

Expectativa de vida (anos): 70,79

Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 2,31

Taxa de Alfabetização: 89,07%

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,761

IDH-M Renda: 0,666
IDH-M Longevidade: 0,763
IDH-M Educação: 0,854
(Fonte: IPEADATA)

Hidrografia
Rio Dourado
Rio Batalha

Rodovias
SP-331
SP-300

balbinos_

Um Pouco +
Do dia para a noite, a pequena e pacata cidade de Balbinos, a 400 km de São Paulo, ganhou destaque na mídia por ter a maior população masculina do Brasil (82,2% dos 3.932 moradores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas –IBGE). Pouco acostumada às lentes das filmadoras e aos flashes das câmeras, a população balbinense recebeu a notícia com certa desconfiança.
“A proporção aqui na cidade é igual, não tem muita diferença, não”, garante o comerciante Ailton Carlos Rigoto, de 47 anos. De fato, o número de mulheres e de homens é equilibrado na área urbana: segundo dados da prefeitura, 51% dos 1.191 moradores que vivem lá são mulheres. O que inflaciona o número, resultado do Censo 2010, é a presença de penitenciárias na zona rural. As duas unidades abrigam 2.556 detentos (quase o dobro dos 1.376 moradores em liberdade).
Os presídios começaram a funcionar em 2006. O que no início foi visto com receio e medo agora é celebrado pelos moradores –principalmente os comerciantes. Carlos Roberto Pereira, por exemplo, espera com ansiedade a chegada do fim de semana. “É quando tem visita nos presídios”, afirmou o homem de 46 anos, que é dono de um dos poucos restaurantes do município.
Às sextas-feiras e aos sábados, ele, sua esposa, a filha, o cunhado e mais uma funcionária se revezam no pequeno estabelecimento para cozinhar, arrumar mesas e atender a clientela – majoritariamente feminina. “Tem vez que recebo 50 fregueses. O normal são 15”, contou Pereira. “Muitas mulheres de presos vêm aqui e pedem para a gente fazer ‘quentinha’ para seus maridos.”
Esse turismo de fim de semana fez com que a economia do município (que é baseada em serviços e na indústria) esquentasse. “Antes, você conseguia alugar uma casa por R$ 80. Agora, não encontra imóvel com valor inferior a R$ 300”, disse a chefe de gabinete da Prefeitura, Flora Rosilene Carvalho.
Atualmente, os grandes empregadores do município são a Prefeitura, onde trabalham cerca de 170 pessoas, e uma fábrica de condimentos, responsável pelo sustento de ao menos uma centena de moradores e por deixar o Centro da cidade com o cheiro de temperos variados (nesta terça, o ar tinha aroma de sal com alho). O restante dos habitantes vive do comércio e uma pequena parcela trabalha no campo.
Antes, a maior parte da população trabalhava em plantações de café. Com a crise do setor, na década de 1950, houve um êxodo de balbinenses. “Tínhamos quase 5 mil moradores. Depois dessa crise, a maior parte foi trabalhar em outras lavouras, principalmente no Paraná”, revelou Flora.
O novo crescimento populacional veio justamente com os presídios, que, apesar de fortalecerem a economia, trouxeram problemas para a Polícia Civil.
BOs
Os quatro policiais do único Distrito Policial balbinense tiveram um aumento considerável no volume de trabalho. Dados da Polícia Civil indicam que antes das penitenciárias o número de boletins de ocorrência registrados era muito pequeno. Em 2005, por exemplo, foram feitos apenas 70 BOs; no ano seguinte, o esse número mais que dobrou, saltando para 181.
Em 2010, 72 das 181 ocorrências registradas na delegacia ocorreram nos presídios. “Aqui fora acontecem só discussões, no máximo”, afirmou o investigador Carlos Eduardo Labriolla, de 50 anos. “Nas prisões tem muita apreensão de drogas, ameaças e brigas”, acrescentou. E foi justamente em uma das unidades que foi registrado o único homicídio da história da cidade. “Foi em março desse ano. Um condenado estrangulou a mulher que foi visitá-lo”, lembrou, com pesar, o policial.
Fofocas
As dimensões da cidade facilitam o contato entre os moradores. Pode-se dizer que a maioria se conhece por nome ou apenas de vista. Isso faz com que notícias – sejam elas verdadeiras ou falsas – se espalhem como rastilho de pólvora. “É um boato novo por dia. É impressionante. Tem muita fofoqueira aqui”, disse a dona de casa Paula da Silva Cunha, de 26 anos.
Um exemplo: mal a informação sobre o número de homens na cidade foi divulgada e pessoas de todos os cantos do município já comentavam os dados do IBGE. Resultado: quando a reportagem visitou a cidade, nesta terça, todos os entrevistados sabiam o porcentual de pessoas do sexo masculino e já tinham opinião formada sobre o levantamento.
A vendedora Natália Cristina Ferreira, de 21 anos, acredita que, na prática, o número de mulheres é superior. “Aqui a mulherada fica em cima dos homens. Inclusive dos que já têm dona”, afirmou. “Eu fui vítima. Uma amiga roubou meu namorado e eu roubei ele de volta, depois de brigar com ela”. Apesar da confusão, hoje Natália está feliz e casada com esse rapaz.

O ponto de encontro dos jovens é um posto de gasolina no Centro. Além da lanchonete que funciona até tarde, o lugar serve de palco para apresentações musicais em alguns fins de semana. Além do posto há a praça central, onde nos dias ensolarados o pessoal se reúne para tomar sorvete e ouvir música.
Baladas, shopping centers e cinema, só nas cidades próximas. “Quando quero sair, vou para Lins, Pirajuí e Bauru”, contou Ailton Rigoto Júnior, de 18 anos. E é fora de Balbinos que ele procura as garotas. “Aqui não dá para namorar ou ficar. Aqui qualquer pingo d’água se torna tempestade”, brincou.

8312 – Vinagre é aliado eficaz no diagnóstico do câncer de colo de útero


A detecção do câncer de colo de útero com vinagre é uma técnica simples e barata que pode salvar milhares de mulheres que vivem nos países mais pobres, segundo estudo clínico realizado na Índia apresentado, neste domingo, nos Estados Unidos, durante a a conferência anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica. O método consiste no uso de vinagre, de gaze e de uma lâmpada de halogêneo e exige uma formação básica para enfermeiros ou profissionais da área de saúde.
No exame, o profissional de saúde esfrega o colo do útero da mulher com vinagre, o que faz com que os tumores pré-cancerígenos fiquem brancos. Os resultados são apresentados um minuto depois, quando a luz da lâmpada é utilizada para inspecionar visualmente o colo do útero. Além da grande redução de custos, os resultados instantâneos são uma grande vantagem para as mulheres em áreas rurais que precisam viajar durante horas para receber atendimento médico.
Este estudo foi conduzido durante 15 anos com 150.000 mulheres indianas de 35 a 64 anos, examinadas a cada dois anos. Segundo os responsáveis pela pesquisa, os testes indicaram uma redução de 31% na taxa de mortalidade provocada pelo câncer de colo de útero.
Os pesquisadores estimam que o teste seria capaz de salvar anualmente 22.000 vidas na Índia e 73.000 em outros países em desenvolvimento, onde o câncer de colo de útero é uma das principais causas de mortalidade entre as mulheres. Isso porque, nesses países, há pouco ou nenhum acesso ao teste papanicolau, procedimento mais utilizado para detecção desta doença. O papanicolau detecta as mudanças das células do colo do útero que poderiam se tornar cancerígenas.
“Esperamos que os resultados deste estudo tenham um efeito importante na redução do número de casos de câncer de colo do útero na Índia e no mundo”, disse Surendra Srinivas Shastri, médico e professor de oncologia preventiva do hospital Tata Memorial de Mumbai, principal autor do estudo.
As 150.000 mulheres recrutadas para este estudo não tinham antecedentes da doença. A metade foi submetida a um exame a cada dois anos com o vinagre e a outra metade não fez nenhum teste, situação mais comum na Índia. A incidência de câncer de colo do útero foi similar nos dois grupos, ocorrendo 26,5 para 100.000 casos nas mulheres submetidas aos testes de detecção e 26,7 para 100.00 nas outras. Mas o teste permitiu uma redução de 31% na taxa de mortalidade.
O câncer de colo de útero, para o qual existe prevenção, é responsável por 275.000 mortes por ano no mundo, sendo 80% dos casos registrados nos países em desenvolvimento.

8311 – Transporte – Brasil pode ganhar 21 linhas de trens de passageiro


O superveloz trem bala (500 km/h), realidade na Europa e Japão há mais de 2 décadas, estávido para o Brasil a passos de tartaruga
O superveloz trem bala (500 km/h), realidade na Europa e Japão há mais de 2 décadas, está vindo para o Brasil a passos de tartaruga

Depois de quatro décadas de abandono, os trens regionais voltaram à pauta dos governos estaduais e federal. Atualmente, está em estudo pelo poder público a construção de 21 ramais ferroviários para passageiros. Caso todos os projetos planejados no Brasil saiam do papel no prazo previsto, o país pode ganhar 3.334 km de trilhos para transporte em 14 Estados até 2020.
O número é mais que o dobro do que existe hoje em operação. Apenas duas linhas de passageiros funcionam atualmente: uma liga Belo Horizonte (MG) a Vitória (ES) e outra, São Luís (MA) a Carajás (PA) – ambas são operadas pela Vale. O atual cenário contrasta com o que era esse mercado há meio século: na década de 1960, cerca de 100 milhões de passageiros eram transportados em trens interurbanos anualmente. Hoje, esse número é de cerca de 1,5 milhão de pessoas por ano.
O transporte ferroviário de passageiros é normalmente rápido, seguro, confortável e não poluente. Trens de velocidade média, entre 100 e 150 km/h, são uma alternativa para a mobilidade entre as cidades, que hoje está um desastre.
Entre os projetos mais avançados estão a ligação entre Brasília e Goiânia, passando por Anápolis, e cerca de 500 km de trilhos em Minas que fariam a conexão entre Belo Horizonte e cidades como Sete Lagoas, Ouro Preto e Brumadinho. O primeiro, orçado em 800 milhões de reais, está prometido para 2017 e deve vencer todo o trajeto em cerca de uma hora. Já o segundo está divido em três trechos e deve ser feito por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) que já tem 18 interessados em preparar estudos de viabilidade. A expectativa é de que as obras comecem em 2014.
Em São Paulo, o governo estadual realiza estudos para três ramais – ligando a capital a Jundiaí, Santos e Sorocaba. Além disso, o Trem de Alta Velocidade (TAV), previsto pelo governo federal para ficar pronto em 2020, vai cortar grandes cidades do Estado, como Campinas, São Paulo e São José dos Campos, no caminho até o Rio.

8307 – Astronomia – Um Asteroide com Lua Própria


asteroide com lua
O asteroide 1998 QE2, cujo tamanho é estimado em cerca de 2.7 quilômetros de diâmetro passou nesta sexta-feira (31), de forma segura, a 5.8 milhões de quilômetros da Terra. O astro, que vem sendo estudo por astrônomos em sua aproximação da Terra, revelou uma surpresa: um satélite de 600 metros de diâmetro orbitando ao seu redor.
Segundo cientistas, em nenhum momento o objeto apresentou risco à Terra. Em sua maior aproximação, o 1998 QE2 esteve cerca 15 vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Mas astrônomos estiveram monitorando o astro, uma chance de aprender mais sobre a sua composição, estrutura e órbita.
“É extremamente emocionante ver imagens detalhadas desse asteroide pela primeira vez”, disse Lance Benner, do radar Goldstone, no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa em Pasadena.
Asteroide 1998 QE2 foi descoberto em agosto de 1998. A rocha espacial é um dos 10 mil asteroides próximos da Terra identificados até o momento, mas a população total desses objetos pode ultrapassar 1 milhão.
Muitos objetos menores e perigosos, entretanto, ainda não foram descobertos. Os astrônomos catalogaram menos de 30% dos asteroides de pelo menos 100 metros de diâmetro que possuem algum possibilidade de passar próximo à Terra em algum momento de suas órbitas. Tais objetos poderiam destruir uma área do tamanho de um estado se se chocassem com a Terra.

8306 – Mega Sampa – A Represa do Guarapiranga


Represa-de-Guarapiranga

É uma barragem situada no sul da Região Metropolitana de São Paulo, no estado de São Paulo, no Brasil.
“Guarapiranga” é um termo de origem tupi que significa “guará vermelho”.
Inaugurada em 1908, sua finalidade era, originalmente, atender às necessidades de produção de energia elétrica na Usina Hidrelétrica de Parnaíba.
Inicialmente conhecida por Represa de Santo Amaro, Guarapiranga teve sua construção iniciada em 1906 pela São Paulo Tramway, Light and Power Company, na época responsável pelo fornecimento de energia elétrica na cidade, sendo concluída em 1908.1 Em 1928, com o crescimento da região metropolitana de São Paulo, Guarapiranga passou a servir como reservatório para o abastecimento de água potável.
A construção da Represa de Guarapiranga e, posteriormente, da Billings, foi decisiva para o desenvolvimento da região de Santo Amaro, então um vilarejo autônomo nos arrabaldes de São Paulo
A partir dos anos 1920 e 1930, um crescente interesse pela ocupação das margens da represa, fez surgir loteamentos pioneiros que procuravam oferecer ao cidadão paulistano uma opção de lazer náutico. Daí o surgimento de bairros com nomes como Interlagos, Veleiros, Riviera Paulista e Rio Bonito.
Entre as décadas de 1980 e 1990, a ausência de políticas claras de uso e ocupação do solo por parte da Prefeitura do Município de São Paulo e dos municípios vizinhos contribuiu para a criação de loteamentos populares clandestinos ao redor da represa, que cresceram desordenadamente e jogam esgoto não tratado na mesma. Também possui patinhos e Caracóis.
O lançamento de esgoto levou ao aparecimento de algas e o comprometimento da qualidade do manancial e da água para abastecimento humano, obrigando a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) a investir pesadamente em programas de tratamento para minimizar o problema que já estava grave.
Mas, em junho de 2008, foi anunciado o início das obras de urbanização e infraestrutura de centenas de favelas da região, melhorando a qualidade de vida dos habitantes e a preservação das áreas de mananciais.5 Atualmente, é utilizada para abastecimento de água potável para a Região Metropolitana de São Paulo através da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. Também é utilizada, além do controle de cheias, como local de esportes e lazer, em que se destaca a importância nos esportes de vela, tendo vários clubes de iatismo no seu entorno, como o Yacht Club Santo Amaro, berço de vários campeões.
A represa é abastecida pelo Rio Guarapiranga e outros rios e córregos de menor porte, abrangendo áreas dos municípios de São Paulo, Itapecerica da Serra e Embu-Guaçu.
Nas suas margens, existem praias artificiais e marinas de barcos.
Apesar de ser uma região afastada das áreas centrais de São Paulo (subúrbio), a represa é um de seus principais ícones naturais, muito procurada para lazer, devido a suas praias, parques, pela pesca amadora e esportes, tendo destaque para os esportes de vela, concentrando vários clubes de iatismo em sua margens. Foi o local de disputa do torneio de vela dos Jogos Pan-Americanos de 1963. Em 2011 foi palco do primeiro Mundialito de Clubes de Futebol de Areia.
A represa ainda possui algumas ilhas, tendo destaque para a Ilha do Eucalipto, a maior delas, e para a Ilha dos Amores, que em dezembro de 2008 abrigou uma árvore de natal de 30 metros de altura com as cores do Brasil, a qual faz parte do projeto Natal Iluminado, realizado pela Prefeitura de São Paulo em parceria com a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio).
Para se chegar nos polos comerciais ao redor da represa é possível chegar pela Marginal Pinheiros até a Av. Atlântica (antiga Av. Robert Kennedy).
Teve início um projeto de revitalização da orla da represa de Guarapiranga, desenvolvido pela Subprefeitura da Capela do Socorro. A obra inclui novo parque, uma via panorâmica que circundará toda a represa, ciclovia e calçada, além da árvore de natal inaugurada dia 9 de dezembro de 2008. O projeto já está em execução e parte dele deve ser inaugurado dentro de dois ou três meses.

8304 – Decifrada a Capa Protetora do HIV


Estrutura HIV
Estrutura HIV

Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram decifrar com detalhes a estrutura de proteína que serve como uma capa protetora ao material genético do HIV. A estrutura, chamada capsídeo, também facilita a proliferação do vírus. É justamente por isso que o feito é relevante: conhecer a fundo a estrutura que protege o HIV pode revelar suas vulnerabilidades e, assim, ajudar a desenvolver formas de combater a infecção, o que nenhuma droga conseguiu fazer até hoje. Esse estudo, feito na Universidade de Pittsburgh, Estados Unidos, foi publicado na revista Nature.
“Essa abordagem tem o potencial de ser uma alternativa poderosa às nossas terapias atuais contra o HIV, as quais agem tendo como alvo certas enzimas. Porém, a resistência a essas drogas devido à elevada taxa de mutação do vírus continua sendo um enorme desafio”, diz Peijun Zhang, coordenadora do estudo, em um comunicado divulgado pela universidade.
O capsídeo do HIV fica sob a membrana externa do vírus e, em formato de cone, envolve o seu material genético. Até agora, era difícil estudar com precisão essa estrutura devido à sua forma irregular. A equipe de Peijun Zhang conseguiu analisar o capsídeo com a ajuda de um supercomputador e microscópios potentes.
Segundo o estudo, a estrutura é formada 1.300 proteínas que estão ligadas em uma rede complexa constituída em uma grade de três hélices que garante a estabilidade dos capsídeos. Peijun Zhang explica que se os cientistas conseguirem interferir nessas estruturas, será possível afetar a proteção do vírus.
“Os capsídeos precisam permanecer intactos para proteger o genoma do HIV e garantir que o vírus entre em células humanas. Mas, uma vez dentro delas, o capsídeo precisa se separar para poder liberar seu conteúdo (o material genético do vírus) e permitir que o HIV se replique. Desenvolver medicamentos que causem a disfunção dos capsídeos, impedindo que eles se formem, ou então que eles se separem, pode interromper a replicação do HIV”, diz a pesquisadora.

8303 – Equipe brasileira vai estudar possíveis benefícios da cerveja


Terceiro país com maior consumo de cerveja no mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, o Brasil vai iniciar uma pesquisa para avaliar os possíveis benefícios do consumo moderado da bebida para o coração. Estudos internacionais já demonstram, por exemplo, que ingerir cerveja em quantidades moderadas — o que significa beber de uma a duas latas por dia, no máximo — tem um efeito protetor nos vasos sanguíneos, evitando a aterosclerose (entupimento dos vasos) e um possível infarto.
A pesquisa será feita por meio de uma parceria da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) com o Hospital do Coração (HCor), que vai conduzir os estudos com dois grupos de voluntários: um de abstêmios e outro de pessoas que bebem cerveja regularmente. Outros detalhes do estudo serão definidos neste sábado durante o 34º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). No evento, haverá um simpósio que vai apresentar os resultados de pesquisas feitas em animais na Universidade de Barcelona, na Espanha, pela médica Lina Badimón.
Segundo o médico Nabil Ghorayeb, da SBC, a pesquisa no Brasil deve seguir os passos da experiência com o estudo do vinho, que já é feito no HCor. “Pelos resultados da Espanha, deu para perceber que existe um paralelo muito semelhante ao observado no vinho. Lá, o consumo moderado de cerveja reduziu os índices de aterosclerose em animais”.

Pabst Blue Ribbon 1844 – Custa 44 dólares
Produzida pela cervejaria norte-americana Pabst especialmente para o mercado chinês, a Blue Ribbon 1844 é feita de malte caramelizado trazido da Alemanha, o que garante um paladar doce à bebida. A cerveja tem um volume alcoólico de 4,74% e custa 44 dólares na China.

cerveja-1-size-620

O efeito do álcool — Segundo o cardiologista Luiz Antônio Machado César, diretor do Núcleo Café e Coração do Instituto do Coração (Incor), uma das hipóteses para explicar o efeito protetor da cerveja nas artérias é o próprio álcool, além das vitaminas B3 e B6, proteínas e sais minerais presentes na bebida. “Há estudos que demonstram que o álcool em quantidades adequadas tem um efeito benéfico para os vasos sanguíneos, evitando a aterosclerose. O problema são as alterações deletérias do álcool nos outros órgãos, caso ele seja consumido em excesso”, diz César. “Na pesquisa com animais, quando as quantidades de cerveja ultrapassavam a quantidade tecnicamente efetiva, o quadro era de piora.”
Os médicos reforçam a importância de uma pesquisa com uma das bebidas mais consumidas no país. “Aqui, a cerveja é muito mais diversão do que complemento alimentar. A pesquisa vai avaliar o consumo como alimento”.

Não é para você

Apesar de a bebida alcoólica, com moderação, proporcionar benefícios para a saúde, ela não é indicada para todos. Existem pessoas que não devem ingerir quantidade alguma de álcool, já que os prejuízos são muito maiores do que as vantagens. Sinal vermelho para quem tem os seguintes problemas:

Doença hepática alcoólica: é a inflamação no fígado causada pelo uso crônico do álcool. Principal metabolizador do álcool no organismo, o fígado é lesionado com a ingestão de bebidas alcoólicas.

Cirrose hepática: o álcool destrói as células do fígado e é o responsável por causar cirrose, quadro de destruição avançada do órgão. Pessoas com esse problema já têm o fígado prejudicado e a ingestão só induziria a piora dele.

Triglicérides aumentado: o triglicérides é uma gordura tão prejudicial quanto o colesterol, já que forma placas que entopem as artérias, podendo causar infarto e derrame cerebral. O álcool aumenta essa taxa. Portanto, quem já tiver a condição deve manter-se longe das bebidas alcoólicas.

Pancreatite: a doença é um processo inflamatório do pâncreas, que é o órgão responsável por produzir insulina e também enzimas necessárias para a digestão. O consumo exagerado de álcool é uma das causas dessa doença, e sua ingestão pode provocar muita dor, danificar o processo de digestão e os níveis de insulina, principal problema do diabetes.

Úlcera: é uma ferida no estômago. Portanto, qualquer irritante gástrico, como o álcool, irá piorar o problema e aumentar a dor.

Insuficiência cardíaca: por ser tóxico, o álcool piora a atividade do músculo cardíaco. Quem já sofre desse problema deve evitar bebidas alcoólicas para que a atividade de circulação do sangue não piore.

Arritmia cardíaca: de modo geral, ele afeta o ritmo dos batimentos cardíacos. A bebida alcoólica induz e piora a arritmia.

Redobre a atenção
Há também aqueles que devem ter muito cuidado ao beber, mesmo que pouco.Tudo depende do grau da doença, do tipo de remédio e do organismo de cada um.

Problemas psiquiátricos: o álcool muda o comportamento das pessoas e pode alterar o efeito da medicação. É arriscada, portanto, a ingestão de bebida alcoólica por aqueles que já têm esse tipo de problema.

Gastrite: é uma fase anterior à úlcera e quem sofre desse problema deve tomar cuidado com a quantidade de bebida alcoólica ingerida. Como pode ser curada e controlada, é permitido o consumo álcool moderado, mas sempre com autorização de um médico.

Diabetes: Todos os diabéticos devem ficar atentos ao consumo de álcool. A quantidade permitida dessa ingestão depende do grau do problema, dos remédios e do organismo da pessoa. Recomenda-se, se for beber, optar por fazê-lo antes ou durante as refeições para evitar a hipoglicemia.

8302 – Epidemiologia – Principais doenças transmitidas por mosquitos


Malária
Doença febril aguda, caracterizada por febres altas, calafrios e cefaleias. Se não tratada, pode gerar complicações graves, principalmente se for transmitida pelo Plasmodium falciparum, responsável por transmitir entre 15% e 20% da malária diagnosticada no Brasil. Ao redor do mundo são registrados cerca de 250 milhões de novos casos e perto um milhão de mortes por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. A maior incidência é na África, onde é causa de uma entre cinco mortes infantis. No Brasil, a maior incidência está na região amazônica, mas atualmente a mortalidade é baixa.
Transmissor: Fêmea do mosquito do gênero Anopheles. Prefere lugares como água limpa, sombreada e de baixo fluxo, comuns na região amazônica.
O que transmite: Plasmódios (parasitas) presentes no sangue de quem tem malária. Eles se multiplicam dentro do mosquito e entram em contato com o sangue daquele que for picado pelo Anopheles infectado.

Febre amarela
Vírus transmitido por mosquitos por duas formas: urbana e silvestre. Somente esta última existe no Brasil atualmente, transmitida por macacos silvestres. É uma doença infecciosa febril aguda, sua gravidade é variável, lesa principalmente o fígado e pode matar por insuficiência hepática. Só existe na América do Sul e na África. Segundo o Ministério da Saúde, entre 1990 e 2010 ocorreram 587 casos e 259 mortes no Brasil.
Transmissor: Mosquitos infectados pelo vírus do gênero Flavivrus. Nas regiões urbanas, por exemplo, é transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito que transmite a dengue.
O que transmite: Um arbovírus pertencente ao gênero Flavivirus, da família Flaviviridae, que é contraído, no caso silvestre, dos macacos infectados.

Leishmaniose visceral
É uma doença crônica, fatal e não curável, caracterizada por febre de longa duração, perda de peso e anemia. Ataca o fígado e o baço, que aumentam de tamanho, provocando o aumento abdominal e, depois da dengue, é a mais disseminada doença endêmica no Brasil. Em 2010, foram registrados 3.526 casos no país e 219 mortes, segundo dados do Ministério da Saúde. A maior incidência é no Nordeste. A Organização Mundial de Saúde estima que a cada ano são detectados entre 1 e 2 milhões de casos no mundo.
Transmissor: Inseto vetor Lutzomyia longipalpis ou Lutzomyia cruzi, conhecidos popularmente como mosquito-palha ou birigui. No Brasil, não há registros de transmissão direta de pessoa para pessoa.
O que transmite: O protozoário da família Tripanosoma, gênero Leishmania e espécie Leishmania chagasi.

Dengue
Doença endêmica mais disseminada no Brasil, presente em todos os estados. Causa febre aguda, e pode matar. Muito disseminada ao redor do mundo. Os sintomas podem não aparecer ou também se manifestar por dores de cabeça, febre e dores no corpo.
Transmissor: Fêmea do mosquito Aedes aegypti. Criados preferencialmente em ambientes onde há focos de acúmulo de água parada.
O que transmite: Vírus do gênero Flavivírus, pertencente à família Flaviviriade. Possui quatro tipos conhecidos: 1, 2, 3 e 4.

8301 – Vacina japonesa reduz em 72% o risco de malária


Aedes, transmissor da febre amarela e da dengue
Aedes, transmissor da febre amarela e da dengue

Cientistas japoneses estão testando uma vacina contra a malária que, segundo eles, pode reduzir o risco da infecção em até 72%. Ao menos foi o que demonstraram os resultados da primeira fase dos testes clínicos – ou seja, feito em pessoas, e não em modelos animais – do tratamento. Para que uma nova terapia seja aprovada, ela deve passar por três fases de pesquisa clínica.
Os pesquisadores avaliaram a eficácia e a segurança da vacina BK-SE36 para prevenir a malária comparando pessoas imunizadas a indivíduos não vacinados. A vacina parece diminuir em até 72% o risco de infecção e mostrou ser segura.
Ainda não existe uma vacina que evite completamente a malária, e pesquisas que testaram vacinas contra a infecção demonstraram uma redução do risco pequena ou então pouco duradoura. Além disso, a resistência da doença aos remédios vem aumentando, o que piora a eficácia dos tratamentos disponíveis.
O novo estudo, feito na Universidade de Osaka, no Japão, testou a vacina BK-SE36, desenvolvida na própria universidade. A vacina foi feita a partir de uma mistura entre um gel de hidróxido de alumínio e uma proteína geneticamente modificada do parasita responsável pela transmissão da doença.
A vacina foi testada no Japão e também em uma região de Uganda onde a malária é endêmica. No país africano, entre 2010 e 2011, os cientistas testaram a vacina em 132 indivíduos de 6 a 20 anos e, entre 130 e 365 dias após a imunização, compararam essas pessoas a outras cinquenta de um grupo de controle, que não haviam sido vacinadas.

De acordo com os pesquisadores, essa fase do estudo mostrou que a vacina é segura e nenhum paciente imunizado apresentou efeitos adversos graves. O efeito protetor demonstrado pelo tratamento, porém, precisa ser confirmado nas próximas etapas da pesquisa clínica.
Os resultados do teste foram publicados nesta semana no periódico PLoS One. Toshihiro Horii, coordenador do estudo, disse à agência de notícias Jiji Press que seu objetivo é que a vacina BK-SE36 seja usada “cinco anos após a realização de um estudo feito com crianças de até 5 anos de idade, que representam a maior parte das mortes por malária”.

8300 – Sabão germicida reduz em 37% infecções por bactéria resistente a antibióticos


Usar sabão germicida em todos os pacientes internados em unidades de cuidados intensivos pode reduzir em até 37% as contaminações por Staphylococcus aureus (ou estafilococo dourado), bactéria resistente à maioria dos antibióticos e uma importante causa de infecções hospitalares. A prática também pode diminuir em 44% o risco de contaminações no sangue por qualquer agente. Essas são as conclusões do maior estudo já feito nos Estados Unidos sobre o tema. A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira no periódico The New England Journal of Medicine.
Essa bactéria também é conhecida por MRSA, sigla em inglês para Staphylococcus aureus resistente à meticilina. De acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), órgão de saúde dos Estados Unidos, três quartos das cepas dessa bactéria são resistentes a vários antibióticos.
No estudo, especialistas testaram três métodos para reduzir as infecções por MRSA: cuidados de rotina; o uso do sabão e do creme germicida apenas em pacientes já infectados; e o uso de produtos germicidas em todos os pacientes de uma unidade de cuidados intensivos. A pesquisa foi feita com 74.256 pacientes hospitalizados entre 2009 e 2011 e conduzida por uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine, do Hospital Corporation of America e do CDC.
Os pesquisadores concluíram que, além de eficaz para deter a propagação do MRSA, o uso de germicidas também ajuda a prevenir outras causas de infecção. “Este estudo poderia modificar a prática clínica neste campo e criar um ambiente mais seguro para os pacientes nos hospitais”, disse Carolyn Clancy, diretora da Agência para a Pesquisa sobre a Atenção Médica e Qualidade (AHRQ, sigla em inglês) do governo americano.