Arquivo da categoria: Ciência

7969 – Saúde – Mais potássio na dieta reduz risco de derrame


Um incremento no consumo de frutas e legumes frescos e uma redução na ingestão de alimentos industrializados podem aumentar a presença do potássio na dieta e levar a uma redução de 24% no risco de derrames cerebrais na população.
Hoje, a doença é a principal causa de morte e incapacidade no Brasil.
A indicação vem de uma grande revisão de estudos liderada por pesquisadores da OMS (Organização Mundial da Saúde) e publicada no “British Medical Journal”.
O trabalho envolve dados de quase 130 mil pessoas saudáveis e mostra que, entre as que consumiam mais potássio (de 3,5 g a 4,7 g por dia), o risco de derrame era 24% menor do que no grupo que ingeria menos desse nutriente.
O potássio é essencial para o funcionamento celular e serve como contraponto à ação do sódio, componente do sal fortemente ligado à hipertensão, que é fator de risco para derrames e outras doenças cardiovasculares.
O trabalho sobre potássio, assinado por Nancy Aburto, do Departamento de Nutrição para a Saúde e o Desenvolvimento da OMS, é acompanhado por outras duas revisões de estudos a respeito do efeito de reduções do consumo de sódio na pressão.
Que cortar o sal da dieta ajuda a controlar a pressão é mais do que sabido. O que ainda se discute são as metas ideais de consumo diário -e como implementá-las.
Hoje, a OMS recomenda até 5 g de sal por dia –o equivalente a 2 g de sódio.
De acordo com o trabalho liderado pelo pesquisador Feng He, da Universidade de Londres, diminuir o consumo de sal dos atuais 9 g a 12 g observados em média na população para 5 g já teria um grande impacto, mas um corte mais radical, para 3 g, seria ainda melhor para o controle da pressão arterial.
O governo brasileiro estabeleceu metas de redução de sódio para os alimentos industrializados, mas o acordo foi visto como tímido por alguns especialistas.

Controle da pressão no dia mundial da Saúde
O controle da pressão arterial foi o tema escolhido pela OMS para o Dia Mundial da Saúde, no próximo domingo.
Hoje, no Rio, a Federação Mundial do Coração vai discutir o cumprimento dos objetivos da OMS de redução de 25% da mortalidade por doenças crônicas até 2025.
“Queremos a adesão do Brasil a esses objetivos”, afirma Johanna Ralston, diretora-presidente da federação.
Também será lançado um aplicativo de celular (Pontuação Digital da Saúde) que avalia o risco de desenvolver doenças crônicas.

pressão alta

7968 – Bactérias transformam o lixo em gás e adubo


Os biodigestores são compartimentos onde se coloca material orgânico restos de comida, a parte esgoto e fezes de animais, para que. transformá-los em adubo e gás metano. O gás pode ser usado em automóveis. Quem faz esse trabalho são existem no próprio material orgânico. As bactérias aeróbicas fermentam o lixo, absorvendo oxigênio e liberando o gás carbônico. Quando o oxigênio acaba, as bactérias anaeróbicas ( que agem sem oxigênio) ácidas quebram as partículas de gordura, proteína e amido, transformando-as em acido acético. As bactérias metanogênicas produzem outra fermentação, que dá origem ao metano.

7966 – Evolução – Mudanças na Teoria


Eis o mais novo fundador da linhagem evolutiva humana, o Australopithecus ramidus, que andou pela Terra há 4,4 milhões de anos. Ele foi achado na Etiópia, África, bem perto do sítio em que se havia desenterrado o Australopithecus afarensis.
O ramidus, por isso, está perto de um ponto crucial na evolução, no qual a linhagem humana mistura-se com a dos grandes macacos, especialmente o chimpanzé.
Embora ancestrais do homem, nem o ramidus nem o chimpanzé são humanos. Eles não são incluídos no gênero Homo, ao qual pertence a nossa espécie, o Homo sapiens sapiens. O ramidus foi um Australopithecus, um gênero já extinto. O chimpanzé é do gênero Pan.
Mas é assim mesmo: quanto mais se recua para o passado, mais bichos entram para o círculo de parentesco do homem. As diferenças com o homem vão ficando cada vez maiores, mas algumas características básicas da humanidade são preservadas. A primeira linha horizontal da tabela agrupa todos os membros da ordem dos Primatas. Essa ordem agrupa os bichos mais parecidos com o homem entre todos os mamíferos. Nesse nível, até os pequenos lêmures, semelhantes aos roedores, são parentes nossos.
A segunda linha é a subordem dos antropóides, que se opõem aos prossímios.Em seguida, vê-se a família do homem, a dos hominídeos. O ramidus, por ter sido hominídeo, está mais próximo do homem do que o chimpanzé. Este, com o gorila e o orangotango, é da família dos pongídeos, a mais próxima dos hominídeos, entre os antropóides.
A linha seguinte mostra os australopitecos, onde duas espécies — o ramidus e o afarensis — estão na linhagem do homem. O africanus, do mesmo gênero, tinha traços divergentes. Não é considerado ancestral humano. Aí reside a importância do ramidus, que pode fornecer dados precisos sobre essa era de transição.
Os paleoantropólogos estão diante de um mundo em que os animais da linhagem humana eram muito mais numerosos do que hoje, confundindo-se com australopitecos, macacos e outros animais. Era muito mais interessante que o mundo atual, em que os únicos hominídeos somos nós.

A genealogia dos primatas
Há 70 milhões de anos, alguns roedores primitivos ganharam características típicas: olhos voltados para a frente, dedos adaptados para agarrar, unhas em vez de garras e cérebro relativamente grande. Desde então, esses traços passaram a distinguir os primatas. Eles evoluíram em várias direções e uma delas levou ao homem moderno.

7965 – Vacina passa por prova de fogo


A mais promissora candidata à vacina contra a malária acaba de passar pelo seu teste mais difícil: a SPf66, como é chamada, reduziu um terço da incidência da doença em crianças da cidade de Idete, no sudoeste da Tanzânia. Criada em 1987 pelo médico colombiano Manuel Patarroyo, ela é composta por proteínas extraídas do parasita da malária e fez o maior sucesso nos primeiros testes, realizados há dois anos na América do Sul: 39% das pessoas em que foi aplicada ficaram imunes. Mesmo assim, muita gente desconfiava que a SPf66 não teria o mesmo desempenho nas regiões pobres da África, onde a taxa de transmissão da malária é cem vezes maior do que em qualquer outro canto do planeta. Na Tanzânia, as crianças sofrem, em média, trezentas picadas por ano de mosquitos infectados pelo parasita. Por causa desse elevado grau de exposição, alguns especialistas não ficaram ê muito animados com a nova droga colombiana. Mas ela surpreendeu, deixando 31 % das crianças africanas imunizadas.
Alguns acham que a vacina precisa ainda ser melhorada. Patarroyo responde: “Na falta de outra, não podemos deixar de usar esta para combater a malária. “

7964 – Geografia – Veneza ameaçada pelo mar


Todo o incalculável patrimônio histórico e cultural de Veneza, na Itália, está afundando. A cidade-sonho da costa do Adriático, insulada no interior de uma laguna de 55 quilômetros de extensão por 13 quilômetros de largura, está morrendo. Cinqüenta anos de transformações industriais alteraram catorze séculos de equilíbrio delicado entre a cidade e a laguna. Marés cada vez mais altas afogam Veneza e seus famosos “palazzi”.
Soluções tecnológicas sofisticadas podem deter o mar. Mas há trinta anos discutem-se causas, estratégias e custos. O preço é alto e a vontade política, pouca. E, pior, enquanto o tempo passa, desaparece a matéria-prima de qualquer recuperação — os venezianos. Em 1954, eles eram 175 000 em 1974, 108 000; hoje, não passam de 78 000.
A Veneza de Goethe, Mozart, Nietzsche e Thomas Mann virou uma cidade-fantasma. Tem cada vez menos padarias, mercearias e cinemas. E cada vez mais turistas.

Canal de Veneza
Canal de Veneza

Veneza convive com a maré alta, acqua alta em italiano, desde a sua fundação, no século VI. Mas, com o passar do tempo, o subsolo cedeu e o piso da cidade baixou 23 centímetros em relação ao nível médio do mar em 1900. Para resolver a questão, desde o século XVI duas teorias se confrontam. A primeira defende o fechamento das três entradas da laguna, por onde a maré alta passa: elas seriam trancadas. A outra teoria prega a preservação máxima da laguna, atribuindo o aumento do impacto das marés aos detritos industriais e urbanos que se acumulam no fundo da laguna.
A pior fase começou com o desenvolvimento industrial. Em 1920, surgiram aterros nas margens da laguna, do lado do continente, onde ergueram-se as cidades de Mestre e de Marghera, um porto. Na década de 50, período de grande crescimento econômico no pós-guerra, a cidade de Marghera foi muito ampliada com novos aterramentos para a construção de um vasto complexo petroquímico.
Na laguna, cuja profundidade média não ultrapassa 2 metros, escavaram-se canais para a navegação de grande calado, com 5 quilômetros de extensão e 15 metros de profundidade. Por eles, passaram a entrar enormes volumes de água Finalmente, em 1973, veio um novo aterramento, para a construção do aeroporto Marco Polo.
Há treze anos, formou-se o Consorzio Venezia Nuova para recuperar a bacia lagunar, integrado por várias empresas, como a Fiat, Iri-Italstat, Mazzi, Girolla, Lodigiani e Sacaim. Em 1988, criaram-se mais quatro consórcios semelhantes. Até agora, porém, foram feitos apenas testes e estudos. A crise econômica restringe a disponibilidade de recursos.
Às 17 horas do fatídico dia 4 de novembro de 1966, a maré alta atingiu o recorde histórico de 1,94 metro. As ondas impelidas pelo vento scirocco passaram por cima das muralhas na costa, entraram pelas bocas do porto e foram açoitar o Palácio dos Doges. No centro histórico e nas ilhas do estuário, 16 000 famílias e comerciantes perderam quase tudo. Todos os 432 transformadores elétricos da cidade explodiram, deixando os venezianos em pânico, no escuro, durante três dias.

Quando a água começou a recuar, lixo, móveis e mercadorias amontoavam-se em todos os cantos. Manchas de óleo e gasolina tingiam ruas e prédios. Barcos e gôndolas jaziam, quebrados, nas ruas. Milhares de ratos encurralados nas pontes e nos andares superiores das casas ameaçavam os moradores. Gatos, pombos e ratos mortos boiavam nos canais.
Um cenário inesquecível: calçadas afundadas, encanamentos entupidos, ralos abertos e milhares de toneladas de sujeira. Praças, jardins e plantações desvastados. Os danos ao patrimônio cultural foram gravíssimos. A cidade parecia abatida pela peste, como no romance do escritor alemão Thomas Mann, Morte em Veneza.
Para os venezianos, as marés viraram uma ameaça constante. A família de Massimo Cannaregio, 32 anos, é uma das que desistiram e mudaram-se para Mestre: “Vivi a primeira infância em Veneza”, diz ele. “Nossa residência ficava no segundo andar de um prédio restaurado do século XVIII. Quando tinha quatro anos, minha família foi embora, porque a casa estava sempre úmida. A enchente de 66 fez um estrago danado e custaria muito dinheiro para reformar o prédio. Vendemos o imóvel por uma ninharia.”

Constrangida pela fragilidade ambiental, “a cidade mais bonita do mundo” transferiu moradores de seu centro histórico para aquela que os italianos chamam de “a cidade mais feia do mundo” — Mestre. Veneza esvaziou, enquanto Mestre inchou, sem nenhum planejamento urbanístico. Passou de 37 000 habitantes, em 1921, para 57 000, em 1951, 161 000, em 1961 e 205 000, em 1971.
Os jovens são os primeiros a sair, em busca de emprego, qualidade de vida, automóvel, lazer e outros consumos de que Veneza não pode proporcionar. Ali resiste a população mais velha da Itália: média de 46 anos, contra 40 anos da média nacional. Há poucos espaços para crianças. E cada vez menos infra-estrutura urbana.
Veneza não tem condições de virar uma espécie de Disneylândia, eternamente lotada de turistas. Nem os venezianos gostariam disso. Eles querem a mesma cidade, com canais em vez de ruas asfaltadas. Gaivotas em vez de vira-latas. E barcos (os vaporettos) em vez de ônibus.
A cidade é frágil e vive por um fio, sempre torcendo para que outra maré alta catastrófica, como a de 1966, não se repita. Mas para sobreviver terá de sair de seu imobilismo. Terá aprender a controlar as marés.

Memória pode ir por água a baixo

Em Veneza, pode-se admirar cerca de 450 palácios e residências de valor artístico inegável — neles, há quase sempre o toque de um mestre da arquitetura medieval, renascentista e barroca. A cidade, durante séculos, teve fama de ser ponto de encontro de artistas. Compositores como Rossini, Giuseppe Verdi e, mais recentemente, Igor Stravinsky fizeram a sua primeira apresentação em Veneza, no Teatro la Fenice. O Museu Accademia reúne obras de alguns dos mais famosos pintores italianos, todos com passagens pela capital do Vêneto.
Em 10 de julho de 1989, Veneza sofreu outro trauma. Duzentas mil pessoas se espremeram na Praça São Marcos para assistir o concerto da banda inglesa Pink Floyd. Foi uma tentativa de fazer a cidade recuperar a fama de palco de grandes eventos culturais. A tragédia foi que os produtores do evento — musicalmente esplêndido — esqueceram que a cidade tinha poucos banheiros. No dia seguinte, ruas, vielas e canais amanheceram inundados. Não propriamente de água do mar.

7963 – Medicina – Perda de sódio e potássio provoca a cãibra


A cãibra é uma contração . muscular forte, prolongada e parcialmente involuntária.

Por meio de nervos, chamados motores, o cérebro manda impulsos elétricos que avisam ao músculo se ele deve contrair. Com o músculo relaxado, uma diferença de potencial elétrico entre a parte de fora e a parte de dentro das fibras musculares. A diferença de potencial se deve à presença de sódio no exterior e de potássio na parte superficial interna. Com a chegada do impulso elétrico, porém, tudo muda: abre-se uma série de receptores na membrana que reveste as fibras musculares. Os receptores são comparáveis a portões, pelos quais – o sódio que estava do lado de fora – consegue entrar. No lado de dentro, a substancia ocupa o espaço do potássio, que acaba saindo. A troca de lugares excita as partículas de cálcio situadas numa região mais profunda da fibra e elas, por sua vez, provocam movimentações dos filamentos musculares, ocasionando a contração. A câimbra acontece quando a quantidade de sódio e potássio não é o ideal. Essas substancias funcionam como tradutoras da mensagem cerebral. Portanto, o impulso elétrico ai normal ao cérebro, mas termina sendo traduzido de uma maneira errada pelas partículas de cálcio, que realizam uma contração mais forte do que necessário. O relaxamento muscular também demora mais para acontecer. O problema geralmente ocorre quando alguém toma diurético ou realiza exercícios físicos intensos. “ A pessoa, então, elimina grande quantidade de água, misturada com sódio e potássio, na forma de urina ou suor, diminuindo assim a concentração ideal para a passagem do impulso nervoso”.

Escola Paulista de Medicina

7962 – Astronomia – Possível sinal de matéria escura é detectado


Um experimento de raios cósmicos na Estação Espacial Internacional pode ter obtido a chave para resolver o mistério da matéria escura.
O grupo responsável pelo equipamento, que opera no espaço desde maio de 2011, apresentou ontem, no Cern (Centro Europeu para Pesquisa Nuclear), seus primeiros resultados científicos.
Fruto de 18 meses de observação de raios cósmicos, o trabalho achou um excesso de pósitrons, partículas em tudo iguais aos conhecidos elétrons, mas com carga positiva em vez de negativa.

Estação Espacial Internacional
Estação Espacial Internacional

Componentes da chamada antimatéria, os pósitrons são raros e só podem aparecer quando produzidos por algum evento ocorrido na própria Via Láctea.
Especula-se que esses detectados pelo instrumento tenham sido gerados pela colisão de partículas de matéria escura nas bordas da galáxia.
Se for esse o caso, será possível usar sua prevalência para discriminar entre as várias teorias sobre este que é um dos maiores mistérios da física moderna: do que seria feita essa substância presente nas regiões mais externas das galáxias e que não pode ser detectada diretamente, pelo simples fato de não interagir com a matéria convencional, exceto pela gravidade.

Muitas dúvidas ainda…
Contudo, ainda não há certeza de que os pósitrons captados pelo instrumento, chamado AMS (Espectrômetro Magnético Alfa), tenham origem na colisão de partículas de matéria escura.
“Nos próximos meses, o AMS será capaz de nos dizer se esses pósitrons são um sinal da matéria escura ou se eles têm outra origem”, afirma Samuel Ting, pesquisador do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e um dos autores do estudo, publicado no periódico “Physical Review Letters”.
Uma possibilidade mais prosaica para explicar o excesso de pósitrons seria imaginar que eles são formados nos arredores de pulsares (cadáveres de estrela de alta massa) e então ejetados a grandes velocidades.
Quanto mais energia tem o pósitron, mais raro ele é, por isso é preciso muito tempo de observação para detectar essas partículas em quantidade suficiente para obter significância estatística.
A boa notícia é que o AMS deve continuar operando por mais de uma década, tempo de sobra para resolver de uma vez por todas o enigma da matéria escura –ou não.

7961 – Nutrição – Peixe na dieta pré-histórica


Ele pode ter entrado para o cardápio do homem há 2 milhões de anos, segundo a canadense Kathlyn Stewart, do Museu da Natureza, em Otawa. A nova data muda a visão dos antropólogos, para os quais a pesca teria surgido há apenas 50 000 anos. Mesmo sem nenhuma espinha de peixe fóssil para conferir, Kathlyn está convencida de que o Homo erectus (ancestral humano que viveu na África, há cerca de 1,8 milhão de anos) não poderia dispensar o prato. Principalmente nas estações secas, quando há escassez de frutos e caça. Ela avalia que o erectus nem precisou de elaboradas ferramentas: até hoje, algumas tribos africanas pescam com lanças ou só com as mãos.

7960 – Robô Mecânico no Espaço


A Universidade de Maryland, Estados Unidos, construía o primeiro robô consertador de satélites. É o Ranger, que foi ser lançado em 1996, para um teste no espaço. A ideia da agência espacial americana NASA era oferecer assistência técnica automatizada aos aparelhos em órbita do planeta. O robô foi manipulado por controle remoto, flutuando livremente para fazer reparos em vários pontos dos satélites avariados. Para ver como o Ranger se comportaria no espaço, os técnicos manobram um protótipo num aquário. Ali, a flutuação na água simulava a falta de gravidade.

7957 – Pica-pau fura onde há larvas porque tem bom ouvido


O bico do pica-pau é uma estrutura dura e apropriada para furar a madeira. Já a sua língua é mole como a dos seres humanos. Mas é comum ver o pica-pau colocando a língua no buraco que acabou de abrir. Por isso, pode se ter a impressão de que ela foi usada para fazer o furo. Com a língua, o pássaro apanha as larvas e os insetos que estão embaixo da casca da arvore. Sua língua cilíndrica e comprida, tem um formato apropriado para isso. ” O pica-pau tem um ouvido muito acurado e muitas vezes é capaz de localizar as larvas pelo som, indo furar no ponto certo”, conta o biólogo Werner Bokerman, do Parque Zoológico de São Paulo.

7956 – As Estações dos Ursos


Despertada pelo sol da primavera, após mais de três meses de sono, a fêmea pela primeira vez olha a cria com atenção. O urso, um dos mais bizarros animais da face da Terra, nasce assim de uma mãe sonolenta, cujo corpo lhe serve de felpudo cobertor no início da vida, quando apenas dorme e mama. Os bichos adultos nem sequer sentem necessidade de se alimentar enquanto dura o frio e a família não sai da toca por nada. Isso porque, no inverno, o metabolismo dos ursos faz maravilhas, reciclando as substâncias do organismo, sem perder muita coisa. Mas um urso pode de repente ficar completamente alerta por causa de um ruído e até lutar com quem o despertou.
Daí seu comportamento nos meses frios ser considerado uma falsa hibernação, o que o torna um animal ainda mais peculiar. O urso não entra para o seleto clube dos hibernantes, do qual fazem parte o esquilo e o morcego, por razões que só os fisiologistas compreendem bem. Apesar de poupar energia refugiando-se em um longo sono, sua temperatura, por exemplo, não cai suficientemente para se falar em hibernação – um estado em que o organismo está fisiologicamente à beira da morte. Assim, enquanto um esquilo quase se congela ao hibernar, os termômetros marcam apenas 9 graus abaixo do normal no corpo de um urso adormecido.
Esse singular metabolismo chega a interessar cientistas que imaginam descobrir aí novas terapias para doenças humanas. É verdade que nem todo urso dorme dessa maneira. O urso-polar não imita a hibernação como seus primos de outras latitudes, pois, além de estar acostumado ao clima invariavelmente gelado dos pólos, tampouco tem problemas de abastecimento: seu prato predileto, a foca, está ao alcance das patas o ano inteiro. De fato, há ursos e ursos, cada qual com suas manias. Ocorre que a família dos ursídeos, os últimos carnívoros que surgiram na evolução das espécies, há cerca de 6 milhões de anos, se espalhou da Eurásia para todo o globo, com exceção do continente africano.
Muitos outros animais, por serem fisicamente parecidos, são confundidos com membros da família. É o caso, principalmente, do panda, que não é ursídeo mas ailuropódeo. Certamente, o pai de toda a legítima família é o Ursus spelaeus, o extinto urso das cavernas, um feroz parente dos cães. Ao se adaptar a determinados ambientes escassos em caça, porém, certos ursos perderam os caninos afiados do ancestral. Hoje se considera que os ursos são capazes de devorar um variado cardápio: de castanhas a raízes e frutas, de peixes a pequenos roedores, de mel a insetos.
Embora cada espécie tenha suas preferências, com fome qualquer urso traça o que vier. Ou seja, é um animal carnívoro, como dizem os biólogos. No entanto, é bom que se esclareça os ursos parecem não apreciar a carne humana e só atacam o homem com patadas fatais quando se sentem ameaçados. No outono, eles se tornam verdadeiros glutões e passam vinte horas por dia mastigando o que encontram pela frente. Cada adulto começa a consumir cerca de 20 mil calorias diárias, cinco vezes mais do que o habitual. “A gula, no caso, é uma excelente tática de sobrevivência”, justifica o zoólogo Rogério Ribeiro da Universidade de São Paulo, que estuda ursos entre tantos outros bichos.
No final da estação, o urso já formou uma camada de gordura de aproximadamente 15 centímetros.
Obeso após tanta comilança, o urso procura um lugar para a temporada de inverno, que nem sempre é a tradicional toca. Os zoólogos observam que parece existir um gosto individual, de forma que alguns ursos insistem em determinada escolha ano após ano, mesmo sem ser a ideal.
Desse modo, é comum um urso-pardo, na América do Norte, perambular até encontrar um canto qualquer que lhe agrade e construir ali uma espécie de ninho a céu aberto. O animal às vezes termina coberto por um lençol branco de neve, mas isso não incomoda o extravagante dorminhoco. Quando os ursos despertam com o calor da primavera, a primeira providência é recuperar a boa forma para um namoro de verão, a época do acasalamento. Na família dos ursídeos , seja qual for a espécie, os machos têm fama de amantes fiéis, capazes eventualmente de perseguir, com a ajuda do faro apuradíssimo, a fêmea com que se acasalaram em anos anteriores. Para conferir até onde ia, literalmente, o romantismo da fera, pesquisadores espanhóis vestiram um exemplar de urso-pardo com uma coleira dotada de emissores de radar, para acompanhar seus passos. Salsero (intrometido), como foi apelidado o bicho, começou a seguir a fêmea por quem se sentiu atraído.

Os filhotes, normalmente um ou dois, nascem após sete meses, já em pleno inverno. Mesmo em espécies como o urso-pardo, em que o adulto chega a pesar mais de 200 quilos, as crias são pequenas e frágeis, não ultrapassando 400 gramas na balança – daí o encanto que esses bichinhos provocam. A mãe, uma exímia professora, passa dois anos e meio ensinando os filhotes a buscar comida e a se defender. O treinamento inclui várias técnicas de caça e pesca. O estilo do acasalamento e a persistência da mãe são traços comuns a todos os ursos, como também o gosto por amplos territórios. O urso-pardo, por exemplo, se irrita quando tem companhia em seu pedaço – um espaço de 200 metros quadrados.
As espécies, porém, evoluíram com temperamentos muito diferentes. Talvez em resposta a tais diferenças, os sentimentos do homem em relação a esses animais gorduchos também variam conforme o lugar. Na América do Norte, por exemplo, a relação entre ursos e homens sempre foi das mais amistosas. Os índios americanos venderam o urso como um animal sagrado, o qual, aliás, aparece desenhado em totens e amuletos. Uma lenda indígena conta que certa vez um castor, cansado de roer os cedros dos bosques, começou a devorar a lua, até a noite ficar em completa escuridão. A grande Mãe pediu então a um corvo para capturar outra lua, colocada sobre a sua casa. A partir daí o urso ficou incumbido de cuidar que ninguém roube a lua da noite. Certas tribos americanas também acreditam que os homens são descendentes dos ursos. Os europeus, por sua vez, preferem tradicionalmente o urso na mira de uma espingarda. Os antigos romanos o descrevem como uma fera, que matava ou quebrava os braços dos soldados.

Na verdade, o urso-pardo ou Ursus arctos, com seus 2 metros de altura, agride homens apenas quando provocado. Suas duas centenas de quilos são mantidas habitualmente com uma singela dieta à base de morangos, amoras, groselhas, raízes e, claro, mel. No entanto, em épocas menos fartas, esse animal de pelugem que varia do preto ao marrom-escuro e acobreado não hesita em atacar criações de gado. Até a Idade Média, podia ser visto em todo o território europeu. Hoje, as populações de ursos-pardos se concentram nas áreas selvagens de montanhas, sobretudo na União Soviética – quem não se lembra do ursinho Micha, mascote das Olimpíadas de Moscou em 1980?
Já na América do Norte existem três espécies de ursos, das quais a dos grizzly ou Ursus horribilis tem mais de oitenta subespécies catalogadas. Com seus 3 metros de altura e quase 800 quilos, o acizentado grizzly é sem dúvida o maior carnívoro terrestre. Bem mais forte do que um leão ou um tigre, um grizzly esfomeado ataca pequenos roedores ou resolve pescar salmões. Isso mesmo: essa é uma espécie de exímios pescadores que, sobre pedras nas corredeiras, tiram os peixes da água com ágeis patadas.
O célebre urso-polar branco ou Tharlarctos maritimus habita todo o círculo polar ártico, sobre blocos flutuantes de gelo.
Na Ásia, a família também passou por modificações morfológicas importantes. Ali, os ursos-preguiças, por exemplo, também chamados Ursus ursinus, têm um beiço semelhante ao do tamanduá para abocanhar alimentos que, na Índia, onde vivem, podem encontrar com facilidade: formigas e cupins. Suas garras também são mais afiadas e compridas pelo mesmo bom motivo, pois dessa maneira os preguiças conseguem cavar a terra. O nome preguiça desse urso de pêlo curto e crespo surgiu por causa de seu modo na infância: o filhote se agarra aos ombros da mãe e dali só sai quando, com cerca de 6 meses de idade e 10 quilos, é expulso do colo pela exausta genitora.
O mais curioso dos ursos, cujos hábitos os cientistas conhecem muito pouco e cuja população nem é estimada, é o urso-de-óculos ou Tremarctos ornatus. Trata-se do único membro da família ursídea que vive na América do Sul, nos bosques que contornam a cordilheira andina e nas montanhas com mais de mil metros de altitude na região noroeste da floresta amazônica, onde o Brasil faz fronteira com o Peru. O nome desse bicho essencialmente herbívoro é devido às manchas brancas nos olhos, que causam a impressão de que está de óculos.
Desde 1973, um acordo internacional proíbe a caça aos ursos; só podem ser abatidos em legítima defesa. A medida faz sentido. Afinal, não existem mais de 10 mil ursos-pardos na Europa. O número pode não parecer alarmante, mas é. Pois esses animais, que vivem até 30 anos, começam a se reproduzir tarde. As fêmeas geram no máximo um par de filhotes e só então se acasalam novamente. Se não houver cuidado, o urso pode engrossar a já extensa lista de animais em extinção.

O sono dos ursos
Para sobreviver, um organismo quebra moléculas. O que sobra dessa operação é a uréia, uma substância que, ao se acumular no sangue, leva à morte. Mas, durante o inverno, os ursos produzem tão pouca uréia que os rins nem têm de filtrá-la como de costume. Cientistas americanos querem saber como eles conseguem a proeza. Parece que um dos segredos dos animais é obter energia exclusivamente da gordura acumulada no corpo roliço, graças à mesma substância que os faz dormir no inverno. Queimada a gordura, sobram apenas água e gás carbônico, ou seja, nenhuma uréia.
Para imitar os ursos, setenta pacientes de insuficiência renal seguiram uma dieta à base de gordura e assim dispensaram por dez dias a hemodiálise – filtração artificial do sangue que costuma ser aplicada três vezes por semana. Agora os pesquisadores querem isolar o hormônio do sono dos ursos, capaz de fazer o organismo transformar todo alimento em gordura e daí obter energia, o que reduz a produção de uréia. Com isso poderá surgir um remédio para seres humanos, os quais, dispensando o trabalho dos rins, como os ursos durante o sono, conseguirão aguardar por mais tempo o inevitável transplante.

Falsos Ursos
Afinal, o que faz de um urso um urso? Segundo o zoólogo Ladislaw Deutsch, de São Paulo, o essencial é um pré-molar pontiagudo pronto para dilacerar em vez de mastigar, o que faz dos ursos típicos carnívoros, como cães e felinos. Alguns animais, por exemplo certas focas, não têm nem essa outra característica dos ursos e, no entanto, recebem o seu nome. Mas há casos, como o do panda, em que até a presença de pré-molares engana.

Urso-panda – É tão parecido com um urso de verdade que, durante muito tempo, os próprios zoólogos o consideravam da mesma família. Estudos minuciosos provaram porém que, embora também seja carnívoro, não tem ancestrais com os ursos.
Urso-gato – Bem menor que o panda, pertence na verdade à mesma família ailuropódeo.
Urso-lavador – Também conhecido como mapache, pertence à família dos procionídeos, que talvez tenham sido aparentados com os ursos no início da evolução.
Ursos-marinhos – Por esse nome são chamadas oito espécies de focas que têm uma pelugem nas costas. Essa característica teria criado a confusão com os ursos.

As principais espécies

Nome popular : grizzly
Nome científico: Ursus horribilis
Aparência: o pêlo varia do acinzentado ao marrom;
é feroz quando provocado
Quanto mede:2,5 a 3 metros
cerca de 780 quilos
O que come: mel, insetos, roedores e frutas
Onde vive: em toda a América do Norte, especialmente na fronteira do Canadá e Estados Unidos

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Nome popular: polar
Nome científico: Tharlarctos maritimus
Aparência: o pêlo branco ou muito claro chega a cobrir as plantas das patas
Quanto mede: cerca de 1,5 metro
Quanto pesa: cerca de 400 quilos
O que come: peixes e focas
Onde vive: sobre blocos flutuantes de gelo, em todo o círculo polar ártico

Nome popular: preto
Nome científico: Enarctos americanus
Aparência: pêlo negro, corpo roliço, é o mais brincalhão de todos
Quanto mede: cerca de 1,5 metro
Quanto pesa: de 250 a 300 quilos
O que come: raízes, mel e frutas
Onde vive: na América do Norte, dos bosques californianos ao estreito de Bering

Nome popular: tibetano
Nome científico: Selenarctos thibetanus
Aparência: apresenta um mancha branca em forma de meia-lua; por isso é conhecido também como urso-de-lua
Quanto mede: 1,2 a 1,5 metro
Quanto pesa: de 100 a 125 quilos
O que come: prefere pequenos roedores, mas costuma atacar gado e comer carniça
Onde vive: na Ásia, do Irã às ilhas setentrionais do Japão, sempre em regiões altas.

Nome popular: preguiça
Nome científico: Ursus ursinus
Aparência: o focinho é mais comprido que o de outras espécies, daí também ser chamado de urso-beiçudo
Quanto mede: de 1,5 a 1,8 metro
Quanto pesa: cerca de 150 quilos
O que come: predileção por formigas e cupins
Onde vive: na Índia e no Sri Lanka

Nome popular: malaio
Nome científico: Helarctos malayanus
Aparência: pêlo escuro com uma mancha dourada no peito, devido à qual é chamado urso-sol;
é o menor de todos no Quanto mede: máximo 1 metro
Quanto pesa: cerca de 45 quilos
O que come: mel e pequenos roedores
Onde vive: no Sudeste da Ásia e na Oceania

Nome popular: urso-de-óculos
Nome científico: Tremarchos ornatus
Aparência: preto, com manchas brancas nos olhos
Quanto mede: de 1 a 1,5 metro
Quanto pesa: cerca de 140 quilos
O que come: raízes e folhas, especialmente as de palmeira
Onde vive: nas selvas que contornam a cordilheira dos Andes e na região noroeste da floresta amazônica

Nome popular: pardo
Nome científico: Ursus arctos
Aparência: o pêlo varia do marrom ao acobreado
Quanto mede: 2 metros
Quanto pesa: cerca de 200 quilos
O que come: frutas, mel, insetos e roedores
Onde vive: nas montanhas européias

Urso pardo, 500 quilos de ferocidade
Urso pardo, 500 quilos de ferocidade

7955 – Mega Polêmica – O Preço da Carne


Chineses costumam encarar qualquer coisa que se mova como um alimento à sua disposição. Eles consideram o animal um mecanismo, um objeto, cuja dor e sofrimento não nos dizem respeito. Ironicamente, os piores exemplos de maus tratos acontecem na mesma Ásia onde nasceu o budismo – a mais benevolente e avançada religião do mundo no trato com os animais.
Nos tristemente famosos “mercados de vida selvagem” asiáticos há de tudo. Mamíferos, répteis, insetos, batráquios, tudo vai para gaiolas apertadas e lotadas sem água nem comida. Qualquer foto desses mercados é um permanente festival de sangue, urina e fezes. Há mais do que cheiro ruim no ar: existe medo. E vírus de diferentes espécies novas se combinando uns com os outros.
As imagens mais chocantes registram o que esses mercados destinam aos cães. Os mesmos cães que aqui viram membros da família, ajudam cegos ou orientam equipes de salvamento. Lá, cachorros são comida. E não se deixe enganar: esses mercados chineses não existem para “matar a fome do povo”. Chineses pobres comem frango e peixe. Os cães são “iguarias” caras, assim como gatos, escorpiões, cobras, enguias etc.
Os cozinheiros acreditam que a adrenalina no sangue dos cães amacia a carne. Quanto mais sofrimento, mais apetitoso o prato. Em nome dessa carne macia, a palavra de ordem é torturar os cães até a morte. Eu já vi a foto de um pastor alemão sendo enforcado na viga de uma cozinha, sendo puxado pelos pés. Eu já testemunhei um vira-latas com as patas dianteiras amarradas para trás do corpo e desisti de imaginar o tamanho de sua dor. Assisti ao vídeo de um cão magrinho que foi mergulhado em água fervendo, retirado, teve sua pele inteirinha arrancada e ainda olhava a câmera, tremendo junto à panela onde foi cozido em vida.
A pergunta básica é: nós, humanos, temos direito a isso? Quem nos deu esse direito? Temos o direito de jogar uma lagosta viva na água fervente? Temos o direito de comer um peixe fatiado ainda vivo no seu prato num restaurante japonês? Temos o direito de prender bezerros em lugares escuros, imobilizados por toda sua curta vida, por um vitelo? Nosso paladar é tão importante assim na ordem das coisas? Um sabor diferente em nossas bocas justifica tudo?
A questão ultrapassa a esfera da ética e da civilidade. A Sars nasce no chão imundo dos mercados chineses. A doença da vaca louca – permanente ameaça na nossa pátria do churrasco – surgiu quando obrigamos o gado a se canibalizar. O terrível ebola se espalha com cada homem africano que devora nossos primos biológicos, gorilas e chimpanzés. Vírus mutantes saltam do sangue de aves para o dos homens sem defesas naturais. Segundo a revista inglesa The Economist, nada menos que 60% das doenças humanas surgidas nos últimos 20 anos têm origem em outras espécies animais. Tony McMichael, pesquisador da Universidade Nacional de Austrália, é bastante claro: “Vivemos num mundo de micróbios. Precisamos ser um pouco mais espertos no jeito como manejamos o mundo ao nosso redor.”
Mercados chineses e churrascos africanos parecem fenômenos distantes. Mas o brasileiro continua dependendo demais de alimentação animal. Temos uma churrascaria por quarteirão, e numa cidade de 12 milhões de habitantes, como São Paulo, contam-se nos dedos os restaurantes vegetarianos. E ainda temos um lobby querendo ampliar a oferta de animais nas geladeiras: avestruzes, capivaras, jacarés, tudo criado em cativeiro com carimbo do Ibama. A cada nova espécie consumida pelo homem, mais uma mistura de vírus – algumas combinações inofensivas, outras não.
Para tentar controlar essas doenças, cometemos mais brutalidade: enterramos milhões de aves vivas, afogamos gatos selvagens em piscinas de desinfetante. Provocamos o desastre e massacramos as vítimas. Temos um caminho inteligente: racionalizar, humanizar e diminuir cada vez mais o consumo de animais. Ou podemos continuar o banho de sangue. Aí, todos nós pagaremos o preço.
Quando uma borboleta bate as asas na Europa, pode iniciar um furacão no oceano Pacífico. A Sars começou em mercados chineses e chegou ao Canadá. A gripe aviária já se espalhou por diversos países asiáticos e ameaça lugares distantes como o Paquistão e a Itália. Num mundo de vôos diretos, os gritos desesperados de um cachorro chinês podem chegar um dia ao Brasil por meio de alguma nova e tenebrosa sigla.

7954 – Livro – Um outro gênio da lâmpada


Além de Thomas Alva Edison que já ostenta este título, o escritor, dramaturgo e filósofo francês Voltaire (1694-1778) foi um dos maiores pensadores de seu tempo e um dos mais prolíficos também. Ele acreditava no trabalho, ainda que seu ofício – vez ou outra – o mandasse para a Bastilha. Essa edição do Dicionário Filosófico é uma pequena, porém valiosa, mostra do conhecimento do autor mais inspirado e temido do Ancien Régime. Voltaire escreve fácil, usa a ironia e o bom-humor com uma classe invejável. Resultado: os verbetes produzidos há três séculos continuam saborosos.
Nesse pequeno compêndio dos vícios e virtudes do homem e do mundo, o autor não raro se vale de descrições certeiras e anedotas espirituosas para ilustrar alguns dos temas abordados. Um bom exemplo pode ser encontrado no verbete “Amor-próprio”.
“Um mendigo esmolava nas ruas de Madri quando um transeunte lhe perguntou: ‘O senhor não tem vergonha de se dedicar a mister tão infame, quando podia estar trabalhando?’ ‘Senhor, respondeu o mendigo, estou lhe pedindo dinheiro e não conselhos’.”
Essa é uma das obras mais acessíveis do filósofo Voltaire. O gênio iluminista, autor de mais de uma centena de volumes, bem merece o elogio de Will Durant em A História da Filosofia: “A Itália teve uma Renascença, a Alemanha uma Reforma, mas a França teve Voltaire”.

7953 – Mega Polêmica – O Império vai Cair?


Opinião de um cientista político:

Quando o império soviético desmoronou, muitos analistas internacionais pensaram que os Estados Unidos passariam a disputar o mundo com países como Japão, Rússia, Alemanha e China. Eles se enganaram. Pela primeira vez na história, uma só nação assumiu um poder muito acima das demais, uma situação que os especialistas chamam de unipolaridade. Os domínios de Carlos Magno se limitavam à Europa. Os romanos chegavam mais longe, mas conviviam com um grande império na Pérsia e um maior ainda na China. Hoje, a história é bem diferente. Os Estados Unidos gastam em defesa o mesmo que a soma dos outros 25 países mais poderosos do mundo. Em 2007, vão gastar mais que todas as demais nações juntas.
Até onde a vista alcança, nada parece deter a superpotência solitária. “Mas ela vai cair. É apenas uma questão de tempo”, diz Kenneth Waltz, professor de ciência política da Universidade de Colúmbia, Estados Unidos, e membro da Academia Americana de Artes e Ciências. Waltz é o pai do neorealismo, que parte da teoria clássica de que os países são o que importa nas relações internacionais, e não organizações, empresas, fundos ou bancos. A novidade de Waltz é estudar a lógica – ou, em suas palavras, a estrutura – que define o comportamento entre os países. Não importa muito quem esteja governando cada país, a estrutura estabelece regras que fazem a relação entre eles ser sempre parecida.
Uma dessas regras é que, por não existir nenhum governo que regule a relação entre as nações, cabe a cada uma competir para sobreviver. Quando um país poderoso começa a emergir, outros tratam de detê-lo para impedir que se torne hegemônico.

A China pode ser uma ameaça ao poder dos Estados Unidos?
Ainda não. Um dia os chineses poderão ter condições de igualar forças com os Estados Unidos, mas tudo vai depender de como os dois países vão se desenvolver nas esferas econômica, tecnológica e militar. Penso que esse equilíbrio só ocorrerá daqui a 20 ou 30 anos. Na última crise entre China e Taiwan, os Estados Unidos mandaram porta-aviões às águas chinesas e não houve nada que os orientais pudessem fazer. Foi muito impressionante do ponto de vista militar americano e muito deprimente do ponto de vista chinês.

E a União Européia?
Depois da Segunda Guerra Mundial, os países europeus deixaram de ser grandes poderes e mudaram de comportamento. Antigos provedores de segurança para outras partes do mundo, eles se tornaram consumidores de segurança. Passaram a viver à sombra das duas superpotências: Estados Unidos e União Soviética. Se a União Européia fosse uma entidade política, poderia equilibrar forças com os Estados Unidos em pouco tempo. Tem todos os recursos para isso: população, economia e tecnologia. Só o que lhe falta é existência política. Ela existe como uma sociedade economicamente cooperativa, uma união que pode administrar, proteger direitos humanos e impor uniformidade de leis, mas é incapaz de ter uma política exterior e de defesa comum.

O terror não ameaça a superpotência?
O terrorismo incomoda muito, mas não ameaça a segurança e o tecido social de um Estado forte. O Taleban destruiu dois edifícios importantes, causou danos ao Pentágono e matou algo como 3 mil pessoas. Em resposta, os Estados Unidos derrotaram e ocuparam o Afeganistão e o Iraque. A desproporção é imensa. Claro que não estamos acostumados a essas circunstâncias perigosas, por isso ficamos tão impressionados por eventos como os de 11 de setembro.
Globalização e interdependência são termos muito usados hoje, mas obscurecem a realidade. O mundo é altamente desigual. A diferença entre os países é imensa e está crescendo. Nos anos 90, cerca de 80% dos investimentos internacionais foram para os países do norte, sobretudo Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. E os americanos buscam aumentar essa diferença. A política oficial da administração Bush é: seremos tão fortes que todos os demais vão desistir de competir conosco. As pessoas falam de integração, mas o mundo está cada vez mais desintegrado.

7952 – Homens ou Ratos? As Cobaias Humanas


Eram 400 homens doentes, todos negros. Mas, para os cientistas que os observavam, eles valiam apenas como cobaias de laboratório. Os pesquisadores sabiam qual era a doença deles. Depois de algum tempo, sabiam como curá-la. Apesar disso, negavam-se a dar o tratamento. Apenas registravam metodicamente a piora nas condições de saúde dos doentes. Enquanto isso, os homens morriam, um a um.
Coisa de campo de concentração nazista? Não exatamente. A pesquisa com 400 portadores de sífilis foi feita em Tuskegee, Alabama, Estados Unidos. Terminou em 1972, com uma denúncia da própria comunidade científica, depois de se arrastar por quatro décadas. A penicilina era indicada como tratamento básico para a sífilis desde 1943. Em 1997, o então presidente Bill Clinton pediu desculpas àquela comunidade do Alabama. O Estudo de Sífilis de Tuskegee rendeu grande parte das informações que temos hoje sobre a doença, mas é consenso que foi um grande erro. Entrou para a história como exemplo de tudo que não se deve fazer em experiências médicas com seres humanos. Isso não quer dizer que as experiências com gente tenham sido abandonadas. Claro que não, nem se pensa nisso. Na verdade, elas são cada vez mais comuns, em um número crescente de países. Da próxima vez que for ao médico, você pode até ser convidado a participar de uma.
Usam-se pessoas em pesquisa médica porque nossa tecnologia não é boa o bastante para dispensá-las – e talvez nunca venha a ser. Todos os testes existentes – em laboratório, em animais, em simulações por computador – são incapazes de dizer com precisão como agirá uma droga no corpo do Homo sapiens. “Não temos como simular todos os efeitos que poderão ocorrer no organismo”, afirma o médico diretor no Brasil da Pfizer, maior companhia farmacêutica do mundo. “Além disso, há questões como a variabilidade genética da espécie e a influência de fatores como gênero, idade e hábitos alimentares.” Em outras palavras: só sabemos se um remédio funciona e quais seus efeitos colaterais depois de testá-lo em centenas ou milhares de seres humanos. O problema é como garantir a saúde dessas pessoas.
É tranquilizador saber que as regras dos testes melhoraram muito desde a época em que qualquer um podia inventar um elixir e sair por aí vendendo. Hoje, a pessoa que aceita experimentar um candidato a remédio – chamada no jargão médico de “sujeito de pesquisa” – é cercada de cuidados e tem direitos bem definidos (embora alguns sejam motivo de briga no meio científico, como você verá a seguir). O caminho até esse ponto da história não foi curto. Ele começou a ser percorrido depois dos horrores dos campos de concentração nazistas, quando experimentos avaliavam a resistência do ser humano ao congelamento, ao afogamento, à altitude e a venenos, que normalmente levavam o “paciente” à morte. A revelação dos arquivos nazistas resultou na criação, em 1947, do Código de Nuremberg, após o julgamento dos criminosos de guerra – 27 médicos entre eles –, na cidade alemã de mesmo nome.
O Código foi um primeiro passo para tornar as pesquisas mais justas. Ele determinou princípios valiosos, vigentes até hoje: os testes só podem usar voluntários, devem ser feitos primeiro com animais e têm de parar se prejudicarem um único paciente. Parecem óbvios? Pois eles foram solenemente ignorados muitas vezes, mesmo depois da derrota nazista. Dos anos 1930 aos 60, houve de tudo um pouco: vírus da hepatite inoculado em crianças deficientes mentais, câncer provocado em idosos, cirurgias cardíacas feitas em pessoas saudáveis. Tudo em nome da ciência.
Cerca de 80 abusos do tipo, só nos Estados Unidos, foram documentados pelo anestesista Henry Beecher, professor da Universidade Harvard, morto em 1976. Quando divulgou um estudo com 22 dessas pesquisas, em 1966, Beecher mostrou ao mundo uma realidade até então comodamente escondida: o horror do uso de gente como cobaia não era exclusividade nazista.
Dois anos antes, em 1964, o Código de Nuremberg havia gerado um filhote: a Declaração de Helsinque, que lista os direitos do sujeito de pesquisa. A declaração, assinada numa Assembléia Médica Mundial, até hoje orienta médicos nos cinco continentes. Sim, nos cinco continentes. Afinal, já se foi o tempo em que os temores dos participantes de servir como cobaias eram limitados a um grupo de nações ricas, principalmente Estados Unidos, Alemanha, Suíça e Inglaterra. Esses eram e continuam sendo os países de origem de quase toda a pesquisa farmacêutica no mundo. Mas, agora, cidadãos em qualquer lugar do planeta podem ser envolvidos nos experimentos.
O que cientistas brasileiros, argentinos e de outros países pobres mais temem é que a flexibilização torne realidade uma crença popular, segundo a qual povos subdesenvolvidos servem apenas como cobaias da indústria farmacêutica.
Atualmente, há pelo menos 27 empresas farmacêuticas multinacionais fazendo testes no Brasil. Essas companhias, junto com universidades, realizaram em 2003 mais ou menos 1 200 pesquisas clínicas no país. O número de pesquisas em território nacional não pára de aumentar desde que se aprovou a Lei de Patentes, em 1996, com a qual passou-se a respeitar a propriedade intelectual de medicamentos. Cerca de 600 mil brasileiros já participam, a cada ano, de testes de potenciais remédios. “O país tem grande população, pesquisadores de padrão internacional, centros de excelência e custo relativamente baixo”, diz Flávio Vormittag, presidente da Interfarma, a associação das empresas – estrangeiras – que fazem pesquisa de novos medicamentos no Brasil.
Em princípio, receber pesquisas clínicas é bom negócio para o país. Os cientistas locais, chamados a colaborar, têm a chance de aprender. Além disso, cada povo tem características genéticas de maior ocorrência. Se os testes forem feitos apenas, digamos, na Alemanha, aumenta a chance de que efeitos colaterais só sejam detectado no Brasil com o remédio à venda.
Mas por que alguém aceitaria tomar um remédio que ninguém sabe exatamente como funciona? Na maior parte dos casos, o convite é feito pelo médico a pessoas que não obtiveram resultados com a terapia tradicional, ou cuja doença não tem tratamento eficaz. O convite não pode envolver dinheiro, porque o pagamento ao sujeito de pesquisa é proibido no Brasil (na Europa também. Já nos Estados Unidos e no Canadá é permitido e os testes são até anunciados no rádio). A idéia é que as pessoas decidam participar só pelos possíveis benefícios a sua saúde.
O médico é o responsável por mostrar o grau de segurança da pesquisa e esclarecer dúvidas do paciente. Ainda há muito o que melhorar nesse campo: os termos de consentimento redigidos no Brasil, que têm de ser assinados pelo voluntário, são bem complicados. Eles são escritos em um tecniquês difícil de entender para pessoas com menos de onze anos de escolaridade, caso da maioria da população brasileira.
Antes de decidir aceitar participar de uma experiência, o convidado tem de saber o seguinte: qualquer molécula recém-descoberta e que tenha chance de virar um novo medicamento passa por uma verdadeira odisséia antes de entrar no corpo de alguém (veja infográfico acima). Ela atravessou pelo menos três anos de testes em laboratório e em cobaias – e não apenas camundongos. Os testes pré-clínicos (ou seja, antes de chegar às pessoas) têm de envolver pelo menos três mamíferos. Essa é uma briga à parte com os defensores dos direitos dos animais, já que ninguém inventou ainda uma maneira de dispensar os bichos. Apenas parte da interação da substância com tecidos vivos pode ser simulada em computador. No final das contas, de cada 50 remédios promissores que iniciam os testes pré-clínicos, apenas um chegará ao ponto de ser testado em humanos.
As pesquisas que chegam ao Brasil já se encontram, provavelmente, na chamada Fase Três – a última antes de o remédio ir ao mercado. Mas o trabalho do cientista só acaba num momento seguinte, a Fase Quatro. É a hora de ficar atento ao que acontece no mundo real. “Há efeitos colaterais raros, que só se manifestam quando centenas de milhares de pessoas são expostas à droga”, diz o médico André Feher, diretor do laboratório Eli Lilly. Ou seja: num certo sentido, todo mundo que toma remédio é um pouco cobaia.

7949 – Genética – Por que há tantos gatos siameses vesgos?


A alta ocorrência de estrabismo (vesguice) é uma conseqüência dos cruzamentos que resultaram no surgimento dos gatos siameses. “Quando a raça foi criada no Sião, atual Tailândia, foram selecionados involuntariamente genes que acarretaram alguns defeitos, como o estrabismo, e uma pequena falha na ponta da cauda, que pode ser em forma de L”, diz um da USP de Ribeirão Preto, especialista em gatos. O estrabismo, no caso dos gatos siameses, geralmente é convergente – os dois olhos virados para dentro. Os especialistas supõem que essa característica está relacionada ao mesmo gene causador do albinismo.
Um dos gatos mais populares do mundo, o siamês era um animal sagrado no Sião. Sua linhagem era cuidadosamente preservada e eles nunca eram vendidos, mas presenteados como forma de honrar uma pessoa. Diz a lenda que eles eram encarregados de fazer a guarda de tesouros do reino e acabaram ficando vesgos porque os vigiavam muito de perto. Os primeiros relatos sobre essa raça remontam ao ano 1350, mas foi apenas no século 19 que ela chegou ao Ocidente. O cônsul inglês Owen Gould recebeu alguns animais de presente do próprio rei do Sião, em 1884, e os levou para Londres, onde fizeram enorme sucesso numa exposição de felinos. O curioso é que, embora boa parte dos bichanos dessa raça sofra de estrabismo, só bichanos com olhos perfeitos têm valor comercial e participam de exposições.

Tricolor não é macho
Outra peculiaridade genética dos gatos é o fato de animais com pêlo de três cores – branco, amarelo e preto – quase sempre serem fêmeas. Quando um bichano tricolor dá de ser macho, ele possui três cromossomos (o normal são dois) e é estéril;

Surdez está nos olhos
Se um gato tem pêlo branco e olhos azuis, ele é portador de um gene que também o torna portador de surdez total ou parcial. Geralmente esses animais conseguem levar uma vida normal – já os filhotes de fêmeas assim dificilmente sobrevivem porque as mães não ouvem seus miados.

7948 – Um enterro espacial


Enterro em cemitério não está com nada, diriam o guru psicodélico Timothy Leary e o criador da série Jornada nas Estrelas, Gene Roddenberry. A moda agora é mandar restos mortais para o espaço, da mesma forma que esses dois.
Se depender da empresa norte-americana Celestis, em breve a Via Láctea vai ser orbitada por vários satélites recheados de restos de corpos cremados. “Pegamos carona nas missões que vão para o espaço. Vamos aonde eles estão indo”, diz o presidente da Celestis, Chan Tysor. O próximo lançamento está marcado para maio no Cazaquistão.
Para passar a eternidade dando voltas pela Terra (ou 156 anos, o tempo previsto para a viagem do satélite russo Kosmos I), os “passageiros” pagam 995 dólares para enviar 1 grama de cinzas. Sete gramas custam 5 300 dólares.
E o melhor é que esse serviço começa a ser oferecido aos brasileiros a partir de abril. E por quem entende do ramo: Celso Sepulvida, vereador e dono de funerária em São Caetano (SP). Ele será o responsável por enviar os restos tupiniquins em cápsulas até a Celestis, de onde serão mandados direto em direção às estrelas.

7946 – Livros – Desbravadores dos mares


Depois de um mês e meio navegando, chegam os portugueses, enfim, ao continente que viria a se chamar América. Brasil: Terra à Vista!, agora na versão pocket, parte do encontro de europeus e tupis em Pindorama, naquele 22 de abril de 1500, para contar a história dos descobrimentos naquela movimentada virada de século (do 15 para o 16). Numa narrativa ágil e fragmentada, como a de um jornal de hoje, o autor amarra informações sobre os homens e naus que cruzaram os mares para encontrar outros mundos e outros homens, curiosidades ilustradas por mapas e desenhos que explicam, por exemplo, como uma caravela consegue navegar contra o vento – tecnologia que permitiu conquistar o mar e “novas” terras.

7945 – Paleontologia – Dinossauro Brasileiro


Em 1991, o professor Cândido Simões, hoje aposentado da UFRJ, tinha 71 anos e fazia uma de suas últimas expedições em busca de fósseis de moluscos. Ao descer do barco e pisar na margem do rio Itapecuru, no Maranhão, ele tropeçou em um osso e quase foi ao chão. “Que perigo esse osso de vaca!”, pensaram os pesquisadores que acompanhavam o mestre. Mas, ao analisarem o objeto, eles viram que a vaca não tinha culpa alguma. O professor Simões havia chutado um fóssil que estava ali há 110 milhões de anos. E de uma nova espécie.
“A vértebra era muito densa. Só podia ser de dinossauro”, conta Ismar de Souza Carvalho, do departamento de Geologia da UFRJ, que fazia parte da expedição. Depois do tropicão, foram seis anos de escavação meticulosa na região. No total, foram encontrados cerca de 100 fragmentos, entre costelas, cintura e espinhos neurais.
A partir desses fragmentos de um único animal, os pesquisadores começaram a montar um complicado quebra-cabeça. “Não tínhamos todas as peças. E nem sempre elas se encaixavam”, relata Ismar. Vários especialistas internacionais em dinos foram consultados. Por fim, os pesquisadores concluíram que se tratava de uma nova espécie, a primeira a ser encontrada na Amazônia. Daí seu nome: Amazonsaurus maranhensis.
O bichão, que pertence à superfamília dos saurópodes (os maiores dinos que já habitaram o planeta), era herbívoro. A descoberta brasileira foi publicada na revista especializada Cretaceous Research, em dezembro de 2003. Ah, se não fosse aquele osso no meio do caminho…

7944 – Mega Projeções – Como seria o planeta sem ratos, baratas, moscas e mosquitos?


O mundo seria bem menos nojento – essa é a opinião de muita gente. Mas pense bem: as conseqüências ruins seriam maiores que as boas. Baratas, ratos, moscas e mosquitos são elos fundamentais da cadeia alimentar da qual você também faz parte. Por mais estranha que a ideia possa parecer, sua vida depende dos pernilongos.
Na cidade, a falta desses bichos talvez não causasse tanto sofrimento a curto prazo. Doenças como a leptospirose e a peste bubônica, transmitidas por ratos, não seriam mais um problema. Com a ausência de baratas e moscas, nos alimentaríamos com mais segurança – elas frequentam tanto ambientes contaminados como a despensa, transportando bactérias causadoras de enfermidades. “Até a telefonia seria mais eficiente, já que os cabos não seriam mais roídos por ratazanas”. E quer coisa melhor do que não precisar levar repelente à praia?
Esse paraíso seria seriamente ameaçado pelo desequilíbrio ambiental. Entretanto, larvas de mosquitos se alimentam de partículas em suspensão na água e também servem de comida para peixes. Sem essas larvas, muita matéria orgânica se acumularia nos rios e faltaria alimento para os peixes. Também teríamos menos plantas nas florestas. Algumas moscas ajudam na polinização, assim como as abelhas.
A Natureza é inteligente, reformar o planeta não é tão fácil.