11.161 – Sistema Solar – Curiosidades Jupiterianas


Jupiter

Para fazer jus ao seu tamanho absurdo, ele recebeu o nome do rei dos deuses da mitologia romana — correspondente a Zeus na mitologia grega — e, só para que você tenha uma noção do tamanho da “criança”, mais de 1.300 Terras caberiam em seu interior!
Júpiter também é o planeta mais massivo do Sistema Solar, contando com mais do que o dobro da massa de todos os demais planetas juntos. Além disso, se Júpiter tivesse 80 vezes mais massa do que tem, ele se tornaria uma estrela em vez de um planeta.
A descoberta de Júpiter também foi revolucionária. Isso porque Galileu Galilei descobriu quatro de suas luas — Io, Europa, Ganimedes e Calisto — em 1610, e foi o primeiro a observar corpos celestes circundando um astro que não fosse a Terra, constatação que ajudou a apoiar a teoria de Nicolau Copérnico de que o nosso planeta não era o centro do Universo.
A composição da atmosfera Júpiter é parecida à do Sol — e à de Saturno também —, sendo formada principalmente por hélio e hidrogênio. E você já deve ter notado que Júpiter conta com diversas bandas de cores diferentes, não é mesmo?
Essas bandas são formadas devido ao movimento de ventos extremamente fortes — que viajam nas direções leste e oeste a velocidades que podem passar de 640 quilômetros por hora — nas camadas mais altas da atmosfera e, na verdade, são nuvens. As mais claras que vemos são compostas por cristais de amônia congelada, enquanto que as mais escuras são formadas por outros elementos.
As bandas não são permanentes e podem mudar de tempo em tempo, e um dos aspectos mais marcantes da atmosfera de Júpiter é a “Grande Mancha Vermelha”, uma monstruosa tempestade que está em plena atividade há mais de 300 anos e que é tão grande que o nosso planeta poderia caber facilmente dentro dela. Contudo, a característica mais curiosa da atmosfera de Júpiter é que os cientistas acreditam que no planeta chove diamantes!

jupiter2

Ao ser um gigante gasoso, Júpiter não possui uma superfície sólida, e os cientistas acreditam que seu núcleo seja formado por rochas e metais — e tenha o tamanho da Terra, aproximadamente. Além disso, ao estar mais distante do Sol do que o nosso planeta, o astro leva o equivalente a 12 anos terrestres — ou 4.380 dias! — para completar uma volta ao redor da nossa estrela.
E isso não é tudo! Júpiter gira mais depressa do que qualquer outro planeta do Sistema Solar, e cada dia por lá tem duração de pouco menos que 10 horas “terrestres”. Esse rápido ritmo de rotação é o responsável pelo planeta ter o equador mais gordinho e os polos mais achatados, tanto que a diferença entre as distâncias chega a ser de 7 %.

luas de jupiter

Gigante com muitas luas
Embora as quatro luas descobertas por Galileu — Io, Europa, Ganimedes e Calisto — sejam as maiores de Júpiter, elas dividem sua órbita com outros 46 satélites menores conhecidos, além de outros 17 que foram descobertos e ainda aguardam confirmação. Ganimedes, a maior lua de Júpiter, tem tamanho superior ao do planeta Mercúrio, e é o único satélite do Sistema Solar a contar com seu próprio campo magnético.
Io, por sua vez, possui diversos vulcões ativos em sua superfície, enquanto que Europa é coberta por uma bela camada de gelo. Aliás, os cientistas acreditam que sob esse gelo todo exista um enorme oceano — e que seu volume seria equivalente ao dobro de toda a água que existe aqui na Terra.

Ele também tem anéis
Em 1979, a sonda espacial Voyager 1 da NASA descobriu que Júpiter também conta com sistema de anéis, compostos principalmente por pequenas partículas de poeira. Os aros, que possuem entre 30 e 20 mil quilômetros de espessura, começam a aproximadamente 92 mil quilômetros da superfície do planeta, e se estendem por mais de 225 mil quilômetros. No entanto, o título de “Senhor dos Anéis do Sistema Solar” continua pertencendo a Saturno.

aneis d jupiter

As temperaturas das nuvens de Júpiter são de, em média, – 145 °C, enquanto que as temperaturas no núcleo rondam os 24 mil °C, ou seja, superiores às registradas na superfície do Sol;
A gravidade em Júpiter é 2,4 vezes mais forte do que a da Terra, o que significa que uma pessoa de 100 quilos pesaria 240 kg no planeta;
O planeta conta com o campo magnético mais poderoso do Sistema Solar, e em algumas regiões de sua atmosfera, ele chega a ser 20 vezes mais forte do que o da Terra;
Júpiter é um dos cinco planetas que podem ser vistos a olho nu aqui da Terra, e é o quarto objeto mais brilhante no céu depois do Sol, da Lua e de Vênus.

11.141- Estamos sozinhos no universo?


Mais do que determinar a consistência do nosso universo, somos obcecados por saber se existe vida além do nosso planeta.
Neste ano, o telescópio espacial Kepler, da Nasa, identificou (mais) dois sistemas planetários que podem abrigar vida fora do sistema solar. Dos cinco corpos que orbitam a estrela Kepler-62, que fica a 1.200 anos-luz de distância da Terra, há chances de dois deles terem água líquida na superfície. Mas essa é a só a ponta do iceberg.
Dos 1.235 planetas suspeitos até agora, cerca de um terço estão em sistemas multiplanetários solares como o nosso. A julgar por essas descobertas, parece que os planetas são tão numerosos quanto grãos de areia.
Há 25 anos, apenas 9 planetas eram conhecidos, todos em nosso sistema solar. Nós só podíamos imaginar o resto, alimentados por um rico acervo de ficção científica, para o qual o espaço exterior era uma fonte inesgotável de ideias. A situação, no entanto, é diferente agora.
Mesmo assim, encontrar exoplanetas – ou seja, aqueles que estão fora do nosso sistema solar – não é tarefa fácil. Eles não emitem luz própria, apenas refletem a luz de suas estrelas. Dadas as distâncias interestelares envolvidas, até mesmo as estrelas mais próximas de nós não são muito visíveis, por isso identificá-los é um desafio tecnológico.
Uma das formas encontradas pelos cientistas para procurar vida extraterrestre em potencial é observar a oscilação rítmica de uma estrela como o nosso sol, criada pela força gravitacional de um planeta em sua órbita.
Existem maneiras de detectar planetas menores. A nave espacial Kepler foi especificamente projetada para varrer uma parte da Via Láctea e descobrir dezenas de planetas do tamanho da Terra perto de sua zona habitável – região em que a vida como a conhecemos é possível –, determinando quantas das bilhões de estrelas em nossa galáxia possuem tais planetas. Kepler monitora continuamente 145 mil estrelas da Via Láctea.
Também, uma nova equipe internacional de astrônomos apresentou provas convincentes de que nossa galáxia está cheia de planetas do tamanho de Júpiter, à deriva entre as estrelas. A descoberta foi feita por meio de uma técnica ainda mais misteriosa: as microlentes gravitacionais. Com base na premissa de Einstein de que a gravidade dobra a luz, é possível ver objetos escuros no céu, medindo a luz que dobra das estrelas por trás deles. Desta forma, os astrofísicos viram 10 planetas andarilhos, e estima-se que pode haver um ou dois deles para cada uma das cerca de 200 bilhões de estrelas na Via Láctea.
E se planetas do tamanho de Júpiter, que são mais fáceis de detectar, existem aos bilhões, certamente deve haver muitos outros planetas do tamanho da Terra lá fora, girando em torno de suas estrelas a uma distância certa para sustentar a vida. Mas simplesmente não sabemos ainda. E não podemos descartar a hipótese, a propósito, de que em algum lugar, existam criaturas inteligentes, moldadas por uma confluência de eventos improváveis ou forças sobrenaturais, olhando para o céu neste exato momento e pensando “será que estamos sozinhos?”.

11.126 – Astrobiologia


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Também conhecida como exobiologia e xenobiologia, é um ramo da Ciência atualmente considerado com muita seriedade. Ela investiga a existência nos planos extraterrestres, como a vida se processa fora da Terra e como ela exerce influência sobre o funcionamento do Universo.
Os profissionais deste campo buscam indícios de qualquer espécie de vida em outros astros e até mesmo em nuvens interestelares, procurando também entender como contextos externos ao Planeta Terra influenciam o desenvolvimento de seres vivos. Esta complexa área de pesquisas une-se a disciplinas como a Astronomia, a Geologia, a Física, a Química e a Biologia para melhor compreender seu objeto de estudo, constituindo-se assim em uma ciência interdisciplinar.
Esta expressão surgiu no começo dos anos 60, elaborada por Joshua Lederberg, médico norte-americano, especialista em biologia molecular. Ele trabalhou para a Nasa em projetos experimentais que envolviam a procura de vida no planeta Marte. A Astrobiologia é uma área de estudos bem recente e deriva da Biologia. Ela se dedica a compreender como a vida é preservada e em que condições ela pode existir no âmbito externo da Terra.
Os especialistas tentam entender melhor o contexto da vida no nosso Planeta, como ela nasceu e se aprimorou na esfera terrena, que princípios a regem, o que possibilita a Terra ser uma dimensão capaz de abrigar uma variada e rica gama de espécies vivas. Assim estes estudiosos vão poder usar estes dados para orientar sua procura de organismos vivos em outras esferas.
A Astrobiologia se preocupa em descobrir, assim, como a existência se tornou possível na Terra; se já houve ou há seres vivos em outras esferas do Sistema Solar; se a vida é algo comum no Universo ou uma exceção; se há uma conexão entre o surgimento do Universo e o aparecimento da vida; se a existência é um resultado compulsório da evolução universal ou uma casualidade que só ocorreu em nosso Planeta – se há aqui a interferência dos planos divinos, então não cabe a esta ciência adotar como alvo de investigação a vida no Universo, pois o Homem não tem como acessar os complexos propósitos de Deus -; se os organismos vivos são regidos por leis gerais; entre outras indagações.
Há atualmente na NASA um vasto projeto de estudos e pesquisas neste campo. Em várias universidades do Planeta há estudiosos atentos a este tema, e já é possível encontrar vários cursos de graduação nesta área. A Astrobiologia tende a crescer nos próximos anos; há previsões inclusive de que ela venha a se converter no ramo mais ativo, estimulante e fascinante da Astronomia.
Recentemente os astrônomos encontraram no Universo a presença de mais de oitenta planetas, exteriores ao Sistema Solar, o que reforça a certeza de que no Cosmos pode haver inúmeros astros e aumenta a possibilidade de se encontrar planetas como o nosso, igualmente habitados. Ou seja, torna-se mais viável a existência de ambientes que preencham os requisitos necessários para o florescimento da vida.

11.090 – Astronáutica – Que Força desconhecida empurrou as sondas pioneer?


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A história da sonda Pioneer 10 já seria empolgante, mesmo que tudo tivesse ocorrido como previsto: a nave foi lançada em 1972 e tornou-se o primeiro objeto criado pelo homem a sair do sistema solar, em 1983. Manteve contato com a Terra durante 25 anos, até perder-se no espaço profundo, em 1997. A Pioneer 10 deixou um enigma: algum fator desconhecido começou a reduzir sua velocidade e empurrá-la de volta para o Sol, quando ela estava se aproximando de Plutão. A “força” desconhecida era ínfima, mas, dadas as distâncias espaciais, bastou para alterar a rota da nave em 400 mil km. O mesmo ocorreu com a Pioneer 11. Tentou-se explicar a anomalia com idéias prosaicas, como vazamentos de fluido nas naves ou problemas na análise de dados. Outras propostas, no campo da chamada “nova física”, foram bem mais ousadas, lembrando que talvez devamos mudar nossas concepções de tempo, espaço e gravidade em escalas cósmicas. Mas nenhuma explicação foi conclusiva. O mistério continua.

11.040 – Descoberto sistema solar mais velho que já pode ter abrigado vida


Astrônomos anunciaram a descoberta dos mais antigos planetas do tamanho da Terra já conhecidos, em um sistema estelar com 11,2 bilhões anos de idade. Eles dizem que o achado sugere que a vida poderia ter existido durante a maior parte de 13,8 bilhões de anos de história do Universo.
Os cinco planetas do tamanho da Terra foram detectados através de uma análise de dados do telescópio espacial Kepler da NASA, que procura por variações indicativas na luz estelar assim que os planetas atravessam o disco de uma estrela. Neste caso, a estrela está a 117 anos-luz da Terra e é 25% menor do que o nosso Sol. Ele é conhecido como Kepler-444.
Os pesquisadores usaram uma técnica que mede pequenas oscilações no brilho de uma estrela, para determinar a idade da Kepler-444.
Os planetas variam em tamanho entre Mercúrio e Vênus, mas todos eles orbitam a Kepler-444 dentro de uma órbita parecida com a de Mercúrio em nosso Sistema Solar.
Isso faria com que estes planetas fossem quentes demais para o desenvolvimento da vida como a conhecemos. No entanto, o fato de que tais planetas poderiam se formar tão cedo na história do Universo sugere que os mundos favoráveis à vida poderiam existir por bilhões de anos.
“Há implicações de longo alcance em torno desta descoberta”, disse em um comunicado à imprensa Tiago Campante, da Universidade de Birmingham, principal autor do artigo publicado esta semana no The Astrophysical Journal.
“No momento em que a Terra se formou, os planetas neste sistema já eram mais velhos do que o nosso planeta é hoje. Esta descoberta agora pode ajudar a identificar o começo do que poderíamos chamar de” era da formação do planeta “, disse Campante.
Confira o vídeo como funciona este sistema solar extremamente antigo:

11.003 – Astronomia – Planeta anima cientistas em busca de vida extraterrestre


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Três novos planetas situados fora do Sistema Solar foram descobertos por cientistas americanos, a partir de dados obtidos pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa. Um deles está na chamada “zona habitável” de sua estrela, isto é, a uma distância que permitiria a existência de água líquida em suas superfícies. Essa condição é indispensável para a potencial existência de vida, de acordo com os astrônomos.​
Liderado por pesquisadores das universidades do Arizona, da Califórnia e do Havaí, o novo estudo foi financiado pela Nasa e pela Fundação Nacional de Ciência (NSF, na sigla em inglês). O artigo foi submetido à revista Astrophysical Journal, mas ainda não tem data para ser publicado.
Na primeira semana de janeiro, outro grupo dos Estados Unidos anunciou a descoberta de oito planetas na zona habitável de suas estrelas, com distâncias da Terra variando entre 475 e 1100 anos-luz. Além deles, os dados do Kepler já levaram à descoberta de mais de mil planetas.
A nova descoberta, no entanto, é considerada a mais promissora até agora na busca de planetas semelhantes à Terra. Os três novos objetos estão na órbita da estrela EPIC 201367065, que fica a cerca de 150 anos-luz da Terra. De acordo com os autores do estudo, essa distância, considerada pequena em escala astronômica, permitirá pela primeira vez o estudo de um planeta da zona habitável com os instrumentos e tecnologias atuais.
As dimensões dos novos planetas são 110%, 70% e 50% maiores que as da Terra. O menor deles, que tem a órbita mais distante de sua estrela, recebe níveis de radiação luminosa semelhante à que nosso planeta recebe do Sol, de acordo com Erik Petigura, um estudante de pós-graduação da Universidade da Califórnia em Berkeley. Ele descobriu os planetas no dia 6 de janeiro, quando realizava uma análise computacional dos dados do Kepler. Segundo Petigura, há uma possibilidade real do planeta mais externo ser rochoso, como a Terra, o que significa que ele poderia ter a temperatura certa para a formação de oceanos de água líquida.

A estrela EPIC 201367065, segundo os autores, é uma anã-vermelha que tem aproximadamente a metade do tamanho e da massa do Sol e, portanto, emite menos calor e luz. A maior parte dos planetas descobertos pela missão Kepler, até agora, são envolvidos por uma espessa atmosfera rica em hidrogênio, que são provavelmente incompatíveis com a vida.

Exoplanetas, isto é, os planetas fora do Sistema Solar, são descobertos às centenas atualmente, embora os astrônomos fiquem na dúvida sobre a possibilidade de algum deles realmente ter condições semelhantes às da Terra. Segundo Andrew Howard, da Universidade do Havaí, a nova descoberta ajudará a resolver essa questão. O próximo passo será estudar as atmosferas do novo planeta com o telescópio Hubble e outros observatórios, para descobrir quais elementos existem em sua atmosfera.

Kepler-438b e Kepler-442b
Candidatos a explonetas mais parecidos com a Terra já descobertos, eles orbitam estrelas anãs vermelhas, menores e mais frias do que o Sol. Enquanto a órbita do primeiro é de 35 dias, o Kepler-442b completa uma órbita em sua estrela a cada 112 dias.
Com diâmetro apenas 12% maior do que o do planeta azul, o Kepler-4386 tem 70% de chance de ser rochoso, afirmam os pesquisadores, enquanto o outro, cerca de 30% maior do que a Terra, tem 60%.

10.853 – Sistema Solar – Os Satélites de Saturno


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Saturno é o planeta do sistema solar com o segundo maior número de luas ou satélites naturais, sendo Titã a única lua do sistema solar com uma atmosfera importante.
Os satélites maiores, conhecidos antes do começo da exploração espacial são: Mimas, Encélado, Tétis, Dione, Reia, Titã, Hiperião, Jápeto e Febe. Encélado e Titã são mundos especialmente interessantes para os cientistas planetários, primeiramente pela existência de água líquida a pouca profundidade de sua superfície, com a emissão de vapor de água através de geysers. Em segundo porque possui uma atmosfera rica em metano, bem similar a da terra primitiva.
Outras 30 luas de Saturno possuem nome, mas o número exato de satélites ainda é incerto, pois existe uma grande quantidade de objetos que orbitam este planeta. No ano 2000, foram detectados 12 satélites novos, cujas órbitas sugerem ser fragmentos de objetos maiores capturados por Saturno. A missão Cassini-Huygens também encontrou novas luas.
As 62 luas conhecidas de Saturno são listados aqui segundo o período orbital crescente a partir do planeta.

Nome Diâmetro
S/2009 S 1 ≈ 0,3
Pã 28,4 ± 2,6 (35×32×21)
Dafne 7,8 ± 1,6 (9×8×6)
Atlas 30,2 ± 2,8 (42×36×18)
Prometeu 86,2 ± 5,4 (133×79×61)
Pandora 80,6 ± 4,4 (103×80×64)
Epimeteu 113,4 ± 3,8 (116×117×106)
Jano 179,2 ± 4 (195×194×152)
Aegaeon ≈ 0,5
†Mimas 396,4 ± 1,0 (415×394×381)
Methone 3,2 ± 1,2
Anthe ≈ 2
Palene 4,4 ± 0,6 (5×4×4)
†Encélado 504,2 ± 0,4 (513×503×497)
†Tétis 1 066 ± 2,8
Telesto 24,8 ± 0,8
†Dione 1 123,4 ± 1,8
Helene 33 ± 1,2
†Reia 1 528,6 ± 4,4
Titã 5 151 ± 4
†Hipérion 266 ± 16
†Jápeto 1 471,2 ± 6,0
‡Ijiraq 12~0,00118
♣†Febe 214,4 ± 12,4
‡Paaliaq ≈ 22 ~0,00725
♣Skathi ≈ 8 ~0,00035
♦Albiorix ≈ 32 ~0,0223
♣S/2007 S 2 ≈ 6 ~0,00015
♦Bebhionn ≈ 6 ~0,00015
♦Erriapo ≈ 10 ~0,00068
‡Siarnaq ≈ 40 ~0,0435
♣Skoll ≈ 6 ~0,00015
♦Tarvos ≈ 15 ~0,0023
‡Tarqeq ≈ 7 ~0,00023
♣Greip ≈ 6 ~0,00015
♣S/2004 S 13 ≈ 6 ~0,00015
♣Hyrrokkin ≈ 8 ~0,00035
♣Mundilfari ≈ 7 ~0,00023
♣Jarnsaxa ≈ 6 ~0,00015
♣S/2006 S 1 ≈ 6 ~0,00015
♣S/2007 S 3 ≈ 5 ~0,00009
♣Narvi ≈ 7 ~0,00023
♣Bergelmir ≈ 6 ~0,00015
♣S/2004 S 17 ≈ 4 ~0,00005
♣Suttungr ≈ 7 ~0,00023
♣Hati ≈ 6 ~0,00015
♣S/2004 S 12 ≈ 5 ~0,00009
♣Bestla ≈ 7 ~0,00023
♣Farbauti ≈ 5 ~0,00009
♣Thrymr ≈ 7 ~0,00023
♣Aegir ≈ 6 ~0,00015
♣S/2004 S 7 ≈ 6 ~0,00015
♣S/2006 S 3 ≈ 6 ~0,00015
♣Kari ≈ 7
♣Fenrir ≈ 4 ~0,00005
♣Surtur ≈ 6 ~0,00015
♣Ymir ≈ 18 ~0,00397
♣Loge ≈ 6 ~0,00015
♣Fornjot ≈ 6

Existem mais 3 satélites não confirmados, detectados pela sonda Cassini.
Não está claro se estes possíveis satélites são reais ou se se trata de outros fenômenos persistentes no seio do anel F.
De Saturno, o primeiro satélite a ser descoberto foi Titã, em 1655. Os outros descobertos antes de 1970, foram através de telescópios e observatórios. A Voyager descobriu outros satélites de Saturno após 1970. A Cassini descobriu muitos outros.

10.846 – Astrofísica – Planeta em formação é registado pela primeira vez


planeta-formacao-noticia-history-channel

O caminho em direção a uma compreensão melhor e mais clara a respeito das origens do Sistema Solar está agora um pouco mais próximo, graças a uma imagem de altíssima resolução capturada pelo telescópio ALMA. Os especialistas que trabalham com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array”) conseguiram tirar uma fotografia que revela, com precisão, detalhes extraordinários de um disco de formação planetária. Trata-se de um enorme avanço nessa área, que poderá ajudar a entender como os discos protoplanetários se desenvolvem e geram planetas.
Os cientistas basearam suas observações em uma estrela chamada HL Taui, localizada a 450 anos-luz da Terra, e rodeada por um disco de poeira. “Quando vimos essa imagem pela primeira vez, ficamos impressionados com o espetacular nível de detalhe. A HL Tauri não possui mais que um milhão de anos. No entanto, seu disco parece estar repleto de futuros planetas”, disse Stuart Corder, autor principal do trabalho. Ele espera que a imagem vá “revolucionar as teorias da formação planetária existentes”. Por enquanto, já é possível saber que o processo de formação planetária é muito mais rápido do que se imaginava. A observação dele permitirá também que saibamos como, há quatro milhões de anos, o Sistema Solar foi criado.

10.372 – Astrônomos acham vapor d’água em planeta pequeno fora do Sistema Solar


planeta com vapor

Combinando observações de três diferentes telescópios espaciais, astrônomos conseguiram pela primeira vez detectar vapor d’água na atmosfera de um planeta de porte relativamente pequeno fora do Sistema Solar.
Ainda não tão diminuto quanto a Terra, mas bem menor que gigantes gasosos como Júpiter –os únicos até então a ter sua composição atmosférica estudada.
Conhecido pela sigla HAT-P-11b, o planeta orbita uma estrela um pouco menor que o Sol a 122 anos-luz de distância, na constelação do Cisne.
Ele tem o tamanho aproximado de Netuno e foi investigado pelos cientistas usando os telescópios Hubble, Spitzer e Kepler.
Os dois primeiros tinham por objetivo captar a luz emanada da estrela que passasse de raspão pela atmosfera do planeta, carregando consigo a “assinatura” de sua composição química.
Já os dados do Kepler permitiram estudar especificamente o brilho da estrela, para se certificar de que qualquer medição feita fosse mesmo do planeta, e não proveniente de manchas estelares.
Eis que, com isso, surgiu a assinatura clara da presença de água, assim como de vastas quantidades de hidrogênio, na alta atmosfera de HAT-P-11b.
Tentativas anteriores de medir a atmosfera de exoplanetas pequenos já haviam sido feitas pelo mesmo grupo, mas em todos os casos acabaram frustradas pela presença de nuvens na alta atmosfera, que impediram qualquer detecção.

“A descoberta mais significativa da nossa pesquisa é que de fato achamos uma atmosfera limpa [sem nuvens] num exoplaneta pequeno”, disse à Folha Jonathan Fraine, da Universidade de Maryland, primeiro autor do trabalho publicado na revista “Nature”.
Muito próximo de sua estrela e gasoso como Netuno, o HAT-P-11b é quente demais, inadequado para a presença de vida como a conhecemos.
Contudo, o achado mostra que os cientistas estão num bom caminho para encontrar planetas que tenham temperaturas mais amenas e suficiente quantidade de água para suportar uma biosfera similar à terrestre.

10.623 – Astrofísica – Parte de água do Sistema Solar é mais antiga que o Sol


sol

Pelo menos é o que diz um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista “Science”. A pesquisa abre a possibilidade que haja também vida nos exoplanetas que orbitam outras estrelas em nossa galáxia.
Durante anos, os pesquisadores tentaram determinar se a água que se encontra no sistema solar procede da nebulosa molecular que rodeava o Sol, da qual nasceram os planetas, ou se foi criada antes que uma nuvem fria de gás formasse o “astro rei”. A pesquisa, liderada por Lauren Cleeves, da Universidade de Michigan, recriou um modelo informático que analisa as condições químicas entre as moléculas de água formadas no sistema solar há 4,6 bilhões de anos. Em particular, os especialistas se centraram no estudo do deutério, um isótopo estável do hidrogênio, presente na água, em meteoritos e cometas.
A equipe determinou que os processos químicos dentro dos discos protoplanetários do Sistema Solar primitivo não podem ser responsáveis pelos índices de deutério encontrados atualmente na água achada em cometas, luas e oceanos desse sistema. Assim, uma parte notável de água do sistema solar não pôde ser formada depois do Sol e, portanto, uma quantidade de gelo interestelar sobreviveu à criação desse sistema.
Isso significa que, se outros sistemas planetários na galáxia se formaram da mesma maneira que a nossa, esses sistemas teriam tido acesso à mesma água que sistema solar, sustentam os pesquisadores. “A ampla disponibilidade de água durante o processo de formação de planetas abre uma perspectiva promissora sobre a existência de vida em toda a galáxia”, apontam os pesquisadores, que lembram que, até agora, o satélite Kepler da Nasa detectou mil planetas extra-solares confirmados.
“Este é um passo importante em nossa busca para saber se existe vida em outros planetas”, indicou Tim Harries, do Departamento de Física e Astronomia da universidade britânica de Exeter e membro da equipe de pesquisa.
Com a identificação da herança de água na Terra “podemos ver que a maneira como se formou nosso sistema solar não foi única, e que os exoplanetas surgem em ambientes com água abundante”, destacou Harries.
Neste cenário, acrescentou o especialista da Exeter, “se abre a possibilidade que alguns exoplanetas poderiam abrigar as condições adequadas e os recursos hídricos, para que a vida evolua”.

10.496 – Astrofísica – Com órbita ‘caótica’, Mercúrio pode se perder do Sistema Solar


orbita-eliptica-de-mercurio

Sistemas solares organizam os planetas que os compõem de tempos em tempos, mas isso ocorre de forma conturbada e com instabilidades orbitais que afetam em especial os planetas localizados próximos a seu centro. Isso é o que afirma um estudo divulgado no periódico científico Proceedings of the National Academy of Science.
Conduzido por cientistas ligados à Northwestern University, nos Estados Unidos, o estudo cita a instável órbita de Mercúrio —o planeta que em nosso Sistema Solar localiza-se mais próximo do Sol— como uma evidência dessa organização confusa.
O estudo afirma que graças a sua “particularmente caótica” órbita, Mercúrio pode até mesmo se perder do Sistema Solar daqui a 5 bilhões de anos.
O caos ocorrido com sua órbita, ainda segundo o estudo, encontra paralelo também com a órbita de Marte (um dos planetas mais leves de nosso sistema).
Os astrônomos autores da pesquisa afirmam que a tendência apontada por eles foi possível de ser observada também em outros sistemas extra-solares, nas órbitas dos chamados planetas do tipo Júpiter quente (classe de planetas extrassolares que possuem massa similar à de Júpiter).

Mercúrio encolhe
Nos últimos dias, a descoberta de que o planeta vizinho ao Sol vem diminuindo de tamanho a uma intensidade maior do que se pensava surpreendeu astrônomos.
Cientistas afirmam que o encolhimento do planeta é da ordem de 11,4 quilômetros em seu diâmetro, e que ele teria diminuído isso desde a criação do Sistema Solar, 4,5 bilhões de anos atrás. Dados de pesquisas anteriores apontavam um encolhimento em apenas dois ou três quilômetros em seu diâmetro.
A razão para isso estaria na composição do planeta, que vem esfriando ao longo dos anos.

10.468 – Astronomia – Tritão a Lua de Netuno


Trata-se da maior lua de Netuno, que se encontra a 4.500 milhões de quilômetros da Terra. É possivelmente o astro mais frio do sistema solar (-235°C). Descoberto por William Lassell em 1846, somente 17 dias após o descobrimento do próprio planeta, deve seu nome ao deus Tritão da mitologia grega. Tritão é um dos astros mais gélidos do sistema solar, com uma história geológica bastante complexa; possui uma superfície bastante jovem e de aspecto rugoso, desfigurada por violentas erupções vulcânicas, rápidos congelamentos de superfície e com repentina fundição, gerando assim uma rede de rachaduras enormes.
Após a passagem de Voyager 2, suas enigmáticas imagens revelaram o que pareceu ser geiseres de nitrogênio líquido emanados de sua superfície gelada. Esta descoberta mudou o conceito clássico do vulcanismo que, até então, supôs que os corpos gelados não seriam geologicamente ativos. Tritão demonstrou que para que haja atividade geológica basta meios fluidos, rocha fundida, nitrogênio ou água.
Em 1820, William Lassell começou a construir espelhos para o seu telescópio e em 1844 construiu melhores espelhos que permitiram a descoberta do planeta Neptuno, a 23 de Setembro de 1846. A notícia da descoberta terá chegado a John Herschel que decide escrever a Lassell para procurar por satélites no primeiro dia do mês de Outubro, já que havia uma forte probabilidade disso.
Mal soube da ideia, Lassell começa à procura de satélites e descobre Tritão oito dias depois do início das buscas, no dia 10 de Outubro de 1846; apenas 17 dias tinham passado desde a descoberta do planeta Neptuno. As suas observações levaram-no também a acreditar que tinha visto um anel à volta de Neptuno. Apesar de Neptuno ter, de facto, anéis, estes são tão finos e escuros que o que Lassell viu era, muito provavelmente, uma ilusão.
Só cem anos depois da descoberta de Tritão é que foram feitas as primeiras observações detalhadas do satélite. Os astrónomos começaram a estudar a lua e descobriram que tinha uma órbita no sentido oposto à órbita de Neptuno e muito inclinada.
Hoje em dia, presume-se que seja um objecto capturado da Cinturão de Kuiper. Cálculos indicam que, dentro de 1400 a 3600 milhões de anos, a órbita de Tritão diminuirá em tamanho progressivamente, o que poderá resultar que Tritão se quebre numa grande aproximação a Neptuno, formando um anel à volta do planeta ou num choque colossal atingir Neptuno.
Apesar das propriedades de Tritão terem sido definidas quase corretamente no século XIX, pouco se sabia sobre o que teria Tritão para desvendar até à chegada da sonda Voyager 2 no final do século XX. Na primeira fotografia que foi tirada, o satélite aparecia com uma cor rosa-amarelada.
A primeira tentativa de medir o diâmetro de Tritão corretamente foi feita por Gerard Kuiper em 1954, que obteve um valor de 3800 km. Depois disso, várias tentativas de medição levaram a dimensões que variavam entre os 2500 e os 6000 km, ou seja desde bastante mais pequeno que a Lua até sensivelmente metade do tamanho da Terra.
Com a aproximação da Voyager 2 a Netuno a 25 de Agosto de 1989 obtêm-se dados que permitiram a medição correcta do diâmetro (estimado em cerca de 2706 km) e decidiu-se que a sonda iria sobrevoar Tritão de perto, mesmo que isso afectasse a sua trajetória e o que se descobriu foi surpreendente. E, a maioria do que se sabe hoje deve-se a esta sonda, já que foi a única que explorou Tritão. A Voyager descobriu criovulcanismo, um novo tipo de vulcanismo, e uma superfície exótica.
Na década de 1990, foram feitas diferentes observações a partir da Terra ao limbo de Tritão com recurso a ocultações de estrelas por Tritão. Estas observações mostraram uma atmosfera mais densa que na altura da passagem da Voyager 2.
A NASA planeja uma missão a Netuno e Tritão que deverá ser lançada entre 2016 e 2018, mas que só chegará a Neptuno em 2035. A missão deverá incluir duas sondas que pousarão na superfície de Tritão e irão estudar a atmosfera e pesquisar informação geoquímica perto dos geisers.
Tritão tem tamanho, densidade, temperatura e composição química semelhantes a Plutão, e ao verificar a órbita excêntrica de Plutão que atravessa a de Neptuno, visualizam-se pistas da possível origem de Tritão como um planeta semelhante a esse capturado por Netuno. Assim Tritão poderá ter-se formado longe de Neptuno.
Apesar de existirem várias diferenças entre Tritão e as outras luas geladas do sistema solar, o terreno é semelhante ao de Ariel (lua de Urano), Encélado (lua de Saturno), e três luas de Júpiter: Io, Europa e Ganímedes. Também lembra Marte, com as suas calotas polares.
O efeito gravitacional de Tritão na trajetória da Voyager 2 sugere que o manto de gelo deve cobrir um núcleo substancial de rocha (com probabilidade de conter metal). O núcleo corresponde a dois terços da massa total de Tritão (65% a 75%), o que é mais do que qualquer outra lua do sistema solar, com excepção de Io e Europa. A diferenciação pode ter sido eficiente devido ao efeito gravitacional de Neptuno durante a captura de Tritão. Tritão tem uma densidade média de 2,05 g/cm³, e é composto por cerca de 25% de gelo de água, essencialmente localizado no manto.
A superfície é composta principalmente por gelo de azoto, mas também gelo seco (dióxido de carbono gelado), gelo de água, gelo de monóxido de carbono e metano. Pensa-se que poderão existir gelos ricos em amônia à superfície, mas não foram detectados. Tritão é muito brilhante, refletindo 60 a 95 por cento da luz solar que incide sobre a superfície; a Lua da Terra, em comparação, reflecte apenas 11 por cento.
A área total da superfície corresponde a 15,5% da área emersa da Terra, ou 4,5% da área total. A dimensão de Tritão sugere que deverão existir regiões de densidades diferentes, variando entre 2,07 a 2,3 gramas por centímetro cúbico. Existem áreas que têm exposições rochosas, e são áreas escorregadias, devido às substâncias geladas, nomeadamente o metano gelado que cobre parte da superfície.
A região do pólo sul de Tritão é coberta por uma capa de azoto e metano gelados salpicado por crateras de impacto e aberturas de geisers. A capa gelada é altamente refletora, porque absorve pouca energia solar. Desconhece-se como será o pólo norte já que este se encontrava na penumbra quando a Voyager 2 visitou Tritão. No entanto, pensa-se que, tal como o pólo Sul, deverá ter uma calota polar.
Na região equatorial longas falhas com cordilheiras paralelas de gelo expelido do interior cortam terrenos complexos com vales imperfeitos. Yasu Sulci, Ho Sulci e Lo Sulci são alguns destes sistemas conhecidos como “Sulci”, termo que significa “sulcos”. A leste destes sulcos encontram-se as planícies Ryugu e Cipagu e o planalto Cipango.
As zonas planas de Sipagu Planitia e Abatus Planum no hemisfério sul encontram-se rodeadas por pontos negros – as “maculae”. Dois grupos de maculae, Acupara Maculae e Zin Maculae destacam-se a leste do Abatus Planum. Estas marcas parecem ser depósitos na superfície deixados por gelos que evaporaram, mas não se sabe ao certo do que serão compostos e a sua origem.
Perto de Sipagu e Abatus Planum encontra-se ainda uma grande cratera fresca, com 27 km de diâmetro, chamada Mozamba. Seguindo para noroeste, outras duas crateras menores (Kurma e Llomba) seguem a cratera Mozamba quase em linha recta. A maioria dos poços e terreno agreste são causados por derretimento e colapso de gelo, ao contrário do que acontece em outras luas, onde as crateras de impacto dominam a superfície. No entanto, a Voyager fotografou uma cratera de impacto com 500 km de diâmetro, que foi extensivamente modificada por inundações repetidas, derretimento, falhas e colapsos.

triton-geyser

Surpreendentemente, Tritão é geologicamente ativo; a sua superfície é recente e com poucas crateras. Existem vales e cristas num padrão complexo por toda a superfície, provavelmente resultantes dos ciclos do congelamento e aquecimento e dos vulcões. A sonda Voyager 2 observou vulcões gelados (as Plume) que cuspiam verticalmente azoto líquido, pó ou compostos de metano, proveniente de baixo da superfície, em plumas que atingiam 8 km de altura. Provavelmente, esta actividade vulcânica é devida ao aquecimento sazonal causado pelo Sol, e não como o aquecimento dos vulcões registados em Io.
Hili e Mahilani são os criovulcões tritanianos observados, ambos com nomes de espíritos da água de mitologias africanas. Tritão é assim com a Terra, Io e talvez Vénus e Titã, um dos poucos mundos do sistema solar a possuir atividade vulcânica no momento presente.
Tritão possui uma atmosfera ténue composta por azoto (99,9%) com pequenas quantidades de metano (0,01%). A pressão atmosférica tritoniana é de apenas 14 microbars, cerca de 1/70000 da pressão atmosférica terrestre.
A sonda Voyager 2 conseguiu observar uma camada fina de nuvens numa imagem que tirou do limbo desta lua. Estas nuvens formam-se nos pólos e são compostas por gelo de azoto; existe também nevoeiro fotoquímico até uma altura de 30 km que é composto por vários hidrocarbonetos, semelhante ao que foi encontrado em Titã, no entanto nenhum destes hidrocarbonetos foi detectado. Pensa-se que os hidrocarbonetos contribuem para o aspecto cor-de-rosa da superfície.
A temperatura à superfície é de cerca de -235 graus Celsius, ainda mais baixa que a temperatura média de Plutão (cerca de -229 °C), logo é a mais baixa temperatura jamais medida no sistema solar. A 800 km da superfície, a temperatura sobe para -180 °C.
O eixo de rotação de Tritão é particularmente invulgar, inclinado 157° em relação ao eixo de Neptuno, e 130° em respeito à órbita de Neptuno, expondo um pólo ao Sol de cada vez. Como Netuno orbita o Sol, as regiões polares de Tritão trocam de posição num intervalo de 82 anos, o que provavelmente resulta em mudanças de estações do ano radicais cada vez que um pólo se move para a luz do Sol. Dada a sua órbita e inclinação axial, Tritão apresenta um ciclo de estações amenas e extremas. As estações mais extremas ocorrem em intervalos de cerca de 700 anos, e o próximo grande Verão em Tritão decorre em 2007.
Durante o encontro com a Voyager 2, o pólo sul de Tritão estava virado para o Sol, o que acontece desde que Tritão foi descoberto. E, quase todo o hemisfério sul estava coberto de uma calota de azoto e metano gelado. Possivelmente esse metano evapora lentamente.
Tritão é um dos locais mais gélidos do sistema solar. Esta lua tem uma órbita pouco convencional, é retrógrada, o que é comportamento orbital invulgar. Em especial, a interacção com as outras luas de Netuno poderá causar aquecimento interno em Tritão. Com a passagem da Voyager 2 em 1989, descobriu-se que tinha atividade vulcânica, mas de um tipo de vulcanismo gelado que consiste no derretimento de gelos de água e azoto e talvez metano e amônia.
A atmosfera é composta de azoto e metano, e estes são os mesmos compostos que existem na grande lua de Saturno, Titã. O azoto é também o composto principal da atmosfera terrestre, e o metano na Terra está normalmente associado à vida, sendo um produto secundário da atividade desta. Mas tal como Titã, Tritão é extremamente frio, se não fosse esse o caso, estes dois componentes da atmosfera seriam sinais de vida.

10.172 – Astronomia na TV – Série Cosmos no Discovery Channel


planetas cosmos

Quintas as 22:30 no Discovery
A série em oito episódios Como funciona o Universo mostra, de forma inédita, o funcionamento interno do nosso planeta, do Sistema Solar e das galáxias. Os episódios investigam o cosmos, explorando uma ampla variedade de fascinantes fenômenos celestiais. Dos buracos negros às supernovas, passando pelas estrelas de nêutrons e a matéria escura, cada episódio investiga a origem e evolução destes fenômenos. Com um elenco dinâmico de especialistas e uma nova geração de imagens geradas por computador, esta série permite que os telespectadores descubram a origem do Universo e de tudo o que nos rodeia.
Estrelas
Este episódio narra como estrelas surgiram e passaram a determinar importantes eventos no cosmos. A fusão nuclear no centro desses corpos celestes faz com que eles brilhem durante bilhões de anos, o que justifica a energia de nossa estrela mais próxima, o Sol. Elas transformaram o universo, espalhando novas gerações de estrelas, depois os planetas, e, no caso da Terra, abrigando vida.
Seguiremos o ciclo de existência das estrelas: as ‘gigantes vermelhas’, que morrem deixando atrás de si uma bela ‘névoa planetária’ e as maciças ‘supergigantes vermelhas’, que desaparecem com um evento espetacular – as supernovas.
O Big Bang
Este episódio nos contará a origem do espaço e do tempo. Há 13.7 bilhões de anos não existia nada. Do ‘nada’, acontece um explosão e uma partícula subatômica se expande para tamanho de uma galáxia. Depois dá-se a formação das forças fundamentais que vão reger o universo, inicia-se a batalha entre matéria e ante-matéria, a criação das primeiras partículas que virão a formar as células em nossos corpo, o chão sob nossos pés e as estrelas. Este é o momento mais importante da História: muito mais acontece no primeiro segundo do que nos 13 bilhões de anos que se passaram desde então.
Buracos negros
Os buracos negros são a força mais destruidora, poderosa e misteriosa do universo. Durante anos, sua existência foi especulada, mas a astronomia moderna provou que eles são reais, comprovando ainda que podem ser imprescindíveis para o equilíbrio do universo. Ficaremos sabendo como é que eles nascem a partir da morte de estrelas maciças, como seria viajar por dentro de um buraco negro e conheceremos as possibilidades de que um dia possamos realmente ver um deles de perto.

Galáxias
As galáxias são de todos os tamanhos e formatos. De majestosas espirais a bolas gigantescas, formadas por estrelas e gás, essas imensas cidades estelares são como unidades que somadas constituem o universo. COMO FUNCIONA O UNIVERSO testemunha a evolução das galáxias. Os telespectadores conhecerão os buracos negros e uma misteriosa matéria negra que pode ser descrita como a cola que mantém as galáxias unidas. Filamentos de gás unem as galáxias em uma rede cósmica colossal, formando a estrutura geral do universo e protegendo-as de uma força enigmática… a energia negra que ameaça romper o universo.
Luas
Recentes descobertas revelaram que as luas são os laboratórios químicos do Cosmos, e o lugar mais provável para encontrarmos vida fora de nosso planeta. Enquanto algumas luas não passam de asteroides capturados pelo campo gravitacional, outras são parte de gigantescos sistemas. Conheceremos a existência de 300 luas de nosso Sistema Solar – mas podem existir milhões. Saber como essas luas nasceram e como morrem é fundamental para o conhecimento das origens do nosso planeta – e do lugar que ocupamos no universo.

Sistemas solares
O Sistema Solar é nosso lar estável e confortável no universo. Mas o que sabemos sobre sua formação? Descobertas recentes revelam uma história de colisão entre planetas, alguns até foram devorados pelo Sol. Modelos futuros prevêem sua morte violenta. Desde a primeira descoberta de um planeta que orbitava uma estrela, em 1992, mais de 280 sistemas solares exógenos foram identificados. Observando sistemas solares muito afastados do nosso que poderemos compreender quão fascinante é a parte do universo que nos cabe.

Planetas
Há apenas oito planetas no nosso sistema solar, mas, em toda a Via Láctea, eles podem chegar 100 bilhões. Aprofundando-nos cada vez mais no espaço, encontraremos planetas muito mais estranhos do que poderíamos imaginar – de esferas gasosas em chamas a mundos gelados isolados, flutuando no espaço interestelar. Por que eles são tão diferentes? COMO FUNCIONA O UNIVERSO mostra a fantástica jornada dos planetas: de grãos de areia a mundos extremamente diferenciados.

10.109 – Sistema solar “gêmeo” é descoberto. Semelhanças impressionam astrônomos


Astrônomos de todo o mundo conseguiram identificar um sistema solar “gêmeo” do nosso, com sete planetas. A descoberta se se trata do sistema planetário que orbita a estrela KIC 11442793, residente há 2.500 anos luz do nosso Sol, na constelação de Cisne.
O que impressionou astronomos do mundo inteiro foi o encontro do sétimo planeta dentro deste sistema, o que trouxe outra dimensão a sua relevância no âmbito da astronomia.
Apesar de contar com um planeta a menos, o sistema gêmeo apresenta traços muito semelhantes ao nosso sistema planetário entre os quais destacam-se dois planetas parecidos com a Terra, três super-Terras e dois corpos gasosos imensos. Além disto, tal como ocorre em nosso sistema, quanto menor o planeta, mais próximo orbita de sua estrela. O planeta recentemente descoberto tem quase três vezes o diâmetro da Terra e ocupa o quinto lugar de sua formação, da estrela para fora (espaço). Por sua dimensão, este planeta leva apenas 125 dias para completar uma volta em torno de sua estrela.
Uma das coisas mais interessantes desta descoberta foi a participação fundamental de um grupo de astrônomos amadores que colaborou através do site Planet Hunters, processando inúmeros dados obtidos pelo telescópio Kepler, durante sua investigação espacial.

9985 – Mais quatro mundos habitáveis


planetas

Um grupo internacional de pesquisadores, fuçando dados de arquivo de busca por planetas fora do Sistema Solar ao redor das menores e mais comuns estrelas do Universo, encontrou oito novos candidatos, dos quais possivelmente quatro são mundos habitáveis.
Todos entram na categoria das “superterras” — planetas maiores que o nosso, mas mais modestos que Netuno, o menor dos gigantes gasosos em nosso Sistema Solar. O mais próximo está a apenas 17 anos-luz de distância, uma ninharia em termos cósmicos. (Um ano-luz é a distância que a luz atravessa em um ano, cerca de 9,5 trilhões de quilômetros.)
Ele orbita a estrela Gliese 682 e tem uma massa mínima 4,4 vezes a terrestre — o que faria dele um planeta com 1,5 vez o diâmetro do nosso planeta, se tivesse a mesma composição. Ele completa uma volta em torno de seu sol a cada 17 dias terrestres.
O sistema mais interessante dentre os recém-descobertos, contudo, pertence à estrela Gliese 180, a 38 anos-luz de distância. Lá, dois planetas diferentes se encontram na chamada “zona habitável” — a região do sistema planetário em que um planeta do tipo terrestre seria capaz de preservar água em estado líquido na superfície. Trata-se da condição mais essencial para a vida como a conhecemos. O mais interno deles dá uma volta em torno de seu sol a cada 17 dias, e o mais afastado completa um ano em 24 dias.
Finalmente, o quarto mundo habitável descoberto pela equipe liderada por Mikko Tuomi, da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, gira em torno de Gliese 422 e completa uma translação em 26 dias.

9924 – O Planeta-anão Ceres


Ceres é um planeta anão que se encontra no cinturão de asteroides, entre Marte e Júpiter. Ceres tem um diâmetro de cerca de 950 km e é o corpo mais maciço dessa região do sistema solar, contendo cerca de um terço do total da massa do cinturão.
Apesar de ser um corpo celeste relativamente próximo da Terra, pouco se sabe sobre Ceres. A superfície ceriana é enigmática: em imagens de 1995, pareceu-se ver um grande ponto negro que seria uma enorme cratera; em 2003, novas imagens apontaram para a existência de um ponto branco com origem desconhecida, não se conseguindo assinalar a cratera inicial.
A própria classificação mudou mais de que uma vez: na altura em que foi descoberto foi considerado como um planeta, mas após a descoberta de corpos celestes semelhantes na mesma área do sistema solar, levou a que fosse reclassificado como um asteroide por mais de 150 anos.
No início do século XXI, novas observações mostraram que Ceres é um planeta embrionário com estrutura e composição muito diferentes das dos asteroides comuns e que permaneceu intacto provavelmente desde a sua formação, há mais de 4,6 bilhões de anos. Pouco tempo depois, foi reclassificado como planeta anão. Pensava-se, também, que Ceres fosse o corpo principal da “família Ceres de asteroides”. Contudo, Ceres mostrou-se pouco aparentado com o seu próprio grupo, inclusive em termos físicos. A esse grupo é agora dado o nome de “família Gefion de asteroides”.
Ceres é o maior objeto do cinturão de asteroides, um conjunto localizado entre as órbitas de marte e Júpiter. Mas não se parece, exatamente, com os asteroides típicos que povoam o imaginário popular. Por causa de seu tamanho, ele é classificado como uma planeta anão. Tal qual Plutão (que foi considerado planeta até 2006, quando uma revisão o fez cair de categoria)

Observações anteriores feitas pelo telescópio Herschel já tinham detectado uma fina camada de vapor d’água em torno do asteroide. Segundo os cientistas, o vapor pode ter duas fontes: o calor do Sol, que faz a água sob a superfície evaporar; ou alguma espécie de atividade vulcânica sob a crosta do asteroide.
A capacidade de liberar jatos de vapor coloca Ceres em um grupo seleto dentre os membros do Sistema Solar – o de corpos gelados e vaporosos. É o caso da lua de Júpiter , Europa, e de uma das luas de Saturno, Enceladus.
A descoberta não é mera curiosidade. Os cientistas têm uma teoria de que a água na Terra se originou do choque do nosso planeta com asteroides e meteoros. Os jatos de vapor de Ceres colaboram para corroborar essa hipótese.

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9814 – Astronomia e suas verdades transitórias – A Família de um Gigante Azulado


Até então, o campeão no número de satélites, era Saturno. O planeta dos anéis contava com dezoito satélites naturais descobertos até meados da década de 1990. Pois seu vizinho Urano, igualmente gasoso e gigante, de um belo tom azul esverdeado, empatou, há alguns anos, na primeira posição. O responsável pela mudança fora o astrônomo Erich Karkoschka, da Universidade do Arizona. Ele comparou fotos antigas batidas pela nave Voyager 2 com outras, mais recentes, tiradas pelo telescópio espacial Hubble, e achou uma manchinha invisível a olhos menos atentos ou menos treinados. O pequeno corpo foi batizado temporariamente com a sigla S/1986 U10. Ele percorre uma órbita semelhante à de outra lua de Urano, Belinda.
Anos depois foram descobertos mais dezenas de satélites em Saturno.

Saturn-map

Saturno é o planeta do sistema solar com o segundo maior número de luas ou satélites naturais, sendo Titã a única lua do sistema solar com uma atmosfera importante.

Os satélites maiores, conhecidos antes do começo da exploração espacial são: Mimas, Encélado, Tétis, Dione, Reia, Titã, Hiperião, Jápeto e Febe. Encélado e Titã são mundos especialmente interessantes para os cientistas planetários, primeiramente pela existência de água líquida a pouca profundidade de sua superfície, com a emissão de vapor de água através de geysers. Em segundo porque possui uma atmosfera rica em metano, bem similar a da terra primitiva.

Outras 30 luas de Saturno possuem nome, mas o número exato de satélites ainda é incerto, pois existe uma grande quantidade de objetos que orbitam este planeta. No ano 2000, foram detectados 12 satélites novos, cujas órbitas sugerem ser fragmentos de objetos maiores capturados por Saturno. A missão Cassini-Huygens também encontrou novas luas.

Eis todas as 61 luas conhecidas de Saturno até o momento:


Dafne
Atlas
Prometeu
Pandora
Epimeteu
Jano
Aegaeon
Mimas
Methone
Anthe
Palene
Encélado
Tétis
Telesto
Calipso
Dione
Helene
Polideuces
Reia
Titã
Hipérion
Jápeto
Kiviuq
Ijiraq
Febe
Paaliaq
Skathi
Albiorix
Bebhionn
Erriapo
Skoll
Siarnaq
Tarqeq
Greip
Hyrrokkin
Jarnsaxa
Tarvos
Mundilfari
Bergelmir
Narvi
Suttungr
Hati
Farbauti
Thrymr
Aegir
Bestla
Fenrir
Surtur
Kari
Ymir
Loge
Fornjot
S/2004 S07
S/2004 S12
S/2004 S13
S/2004 S17
S/2006 S1
S/2006 S3
S/2007 S2
Daman

9669 – Telescópio vê água no asteroide Ceres


Ceres, o asteroide, com órbita entre Marte e Júpiter, possui água em sua superfície, indicam imagens do telescópio espacial Herschel, que enxerga infravermelho. Seria uma descoberta trivial, não fosse pelo fato de que teorias físicas proíbem objetos úmidos de se formarem ali.
O estudo desse pequeno mundo –habitante da zona conhecida como Cinturão de Asteroides– não teria em princípio a capacidade de abalar teorias astronômicas importantes. A nova descoberta sobre Ceres, porém, pode levar até mesmo a uma revisão das teorias de por que a própria Terra possui água.

As moléculas de H2O presentes no planeta-anão estão na forma de vapor, que emana de duas fontes diferentes, afirma estudo sobre a descoberta, publicado na edição de hoje da revista “Nature”. É relativamente pouca água –seis litros sendo liberados por segundo– , mas é o suficiente para estimular astrônomos a rever teorias sobre a formação dos Sistema Solar.
No centro da discussão está a questão da diferença entre um cometa e um asteroide. Um cometa, pela definição clássica, é um corpo celeste de órbita alongada, capaz de viajar para os confins do Sistema Solar, e com um bocado de gelo d’água em sua composição. Já um asteroide é um corpo seco e rochoso, com órbitas confinadas à parte mais interna do Sistema Solar, antes de Júpiter.

Um Estranho no Ninho
Acreditava-se que Ceres, promovido a planeta-anão apenas em razão de seu tamanho (leia quadro à dir.), seria essencialmente um asteroide. Ele habita, aliás, uma região orbital conhecida como cinturão de asteroides.
Nessa região, o calor do Sol é forte demais para que seja possível o acúmulo de gelo na superfície de um corpo pequeno. Objetos retendo H2O, em princípio, só se formam em órbitas mais distantes.
“Ceres, em teoria, deveria ser rochoso e seco”, disse à Folha Michael Küppers, astrônomo da Agência Espacial Europeia que liderou a descoberta anunciada agora. “Talvez Ceres tenha surgido no próprio cinturão de asteroides, mas depois tenha coletado matéria de objetos que vieram do Sistema Solar exterior e se chocaram com ele.”
Outra hipótese é que Ceres tenha se formado longe do Sol e depois sido tragado para perto. Algo capaz de fazer isso seria uma “migração” da órbita de Júpiter, o segundo corpo mais maciço do Sistema Solar, capaz de desestabilizar objetos menores.
“Uma pista inicial de que planetas gigantes do Sistema Solar podem sofrer migração drástica veio em 1995, com a descoberta de alguns planetas extrassolares gigantes orbitando estrelas a uma distância menor do que a do Sol a Mercúrio –distância orbital onde não poderiam ter se formado”, escreve Humberto Campins, da Universidade da Flórida Central, comentando a descoberta de Küppers.
A Terra também formou-se relativamente perto do Sol e, longe de cometas que poderiam “abastecê-la”, não poderia ter água. Nossos oceanos, porém, podem ter sido semeados por asteroides “úmidos” –objeto de existência questionada até agora.
Não se sabe de onde sai o vapor que Ceres exala. Küppers suspeita que sejam ou crostas de gelo evaporando no fundo de crateras ou “criovulcanismo” –vulcões alimentados por gelo em vez de lava. A sonda espacial Dawn, que visitará Ceres em 2015, poderá resolver o mistério.

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9045 – Sistema Solar – Pela primeira vez, componente do plástico é encontrado fora da Terra


A sonda Cassini encontrou propileno, substância utilizada para fazer diversos produtos de plástico, em Titã, uma das luas de Saturno. Esta descoberta marca a primeira vez que um componente do plástico é encontrado em outra lua ou planeta, que não a Terra. Uma pequena quantidade do gás foi identificada na atmosfera baixa de Titã pelo Espectrômetro Composto Infravermelho (Cirs, na sigla em inglês) presente na sonda Cassini, que explora o sistema de Saturno.
“O propileno substância está ao nosso redor cotidianamente, em longas cadeias que formam um plástico chamado polipropileno”, explica Conor Nixon, cientista da Nasa e principal autor do estudo, publicado nesta segunda-feira, no periódico Astrophysical Journal Letters.
Esta foi a primeira molécula descoberta em Titã com uso do Cirs, instrumento que mede o calor da radiação emitida por Saturno e suas luas, de forma parecida com a qual as nossas mãos sentem o calor de uma fogueira ao se aproximar dela. Assim, ele identifica um gás em particular através de sua assinatura térmica. O maior desafio, porém, é isolar essa assinatura dos sinais de outros gases ao seu redor.
A identificação do propileno preenche uma lacuna nas observações de Titã, desde quando a sonda Voyager 1 se aproximou desta lua pela primeira vez, em 1980. A sonda descobriu que muitos gases na atmosfera de Titã eram hidrocarbonetos, substâncias que formam o petróleo e outros combustíveis fósseis da Terra.
Os hidrocarbonetos se formam em Titã quando os raios solares quebram as moléculas de metano e elas se recombinam, formando cadeias com um ou mais carbonos. A sonda Voyager identificou todos os membros das famílias com um e dois carbonos na atmosfera, mas da família de três carbonos foram encontrados apenas os compostos mais leves, como o metilacetileno, e os mais pesados, como o propano. Já os intermediários, como o propileno, estavam faltando — até serem encontrados pelo Cirs.

8755 – Candidatos ao IgNobel – Explodir o Sol com uma bomba nuclear? Dupla de pesquisadores tem a receita


A Ideia Maluca do Dia

Que tal explodir o Sol? Uma dupla de pesquisadores pensou nisso, e se atreveu a publicar um estudo detalhando a técnica, que consumiria todo o Sistema Solar — incluindo a Terra e a vida em sua superfície — em uma imensa bola de fogo. Para isso, a dupla formada por Alexander Bolonkin e Joseph Friedlander imaginou o lançamento de uma bomba nuclear capaz de percorrer toda a distância que separa a Terra do Sol, resistir ao calor e à radiação local e chegar ao coração do astro. Ali, uma explosão atômica daria início a uma reação em cadeia, levando a estrela a gastar todo o seu combustível em instantes e explodir em uma espécie de supernova artificial. A ideia parece fruto da mais pura ficção científica e, segundo outros cientistas, é simplesmente disso que se trata: pura especulação.
Os dois pesquisadores que escreveram o artigo não são conhecidos por estudar o funcionamento do Sol, das estrelas ou das bombas nucleares. Ao contrário, Alexander Bolonkin possui um doutorado em engenharia aeronáutica, com especialização em ciências da computação e matemática, enquanto Joseph Friedlander é um empresário com conhecimentos de computação. A pesquisa foi publicada na revista Computational Water, Energy, and Environmental Engineering, um periódico chinês que é conhecido por não seguir os mais rigorosos processos de revisão. Às vezes encontra-se algo interessante por ali, mas na maioria das vezes o joio supera o trigo.
Ainda assim, a pesquisa chamou atenção quando foi publicada, principalmente por causa da ideia que é esboçada: os seres humanos seriam capazes de provocar uma explosão definitiva e arrasadora no Sol. “A humanidade tem temores, alguns mais e outros menos justificados, sobre a queda de asteroides, o aquecimento global e extinções. Todos esses cenários, no entanto, podem deixar alguns sobreviventes — mas ninguém pensa que a aniquilação completa do Sistema Solar não deixaria uma única pessoa viva”, escrevem os pesquisadores, conscientes do impacto de sua ideia.
Sabe-se que 75% da massa do Sol é composta por átomos de hidrogênio. Sob a imensa gravidade e o calor no centro do astro, essas partículas se fundem, criando átomos de hélio e liberando uma enorme quantidade de energia (a reação é semelhante à que acontece no lançamento das bombas de hidrogênio, milhares de vezes mais poderosas que a bomba lançada sobre Hiroshima). É esse processo que fornece todo calor e luz liberados pelo Sol e que permite que haja vida na Terra.

Acontece que, segundo o estudo, a taxa de fusão dos átomos de hidrogênio é maior conforme aumenta a densidade e a temperatura da estrela. Assim, a queima do combustível estelar segue uma espécie de equilíbrio: quando o núcleo do Sol se aquece demais, ele também se expande, diminuindo a taxa de fusão do hidrogênio. A menor taxa de fusão provoca uma diminuição da temperatura e um aumento da densidade, levando, novamente, uma aceleração nas fusões. A ideia dos pesquisadores é que esse equilíbrio estelar pode ser perturbado.
Eles propõem que a explosão de uma bomba nuclear no interior do Sol poderia criar uma região de temperatura e densidade muito altas, capaz de dar início a uma cadeia de reações nucleares autossustentáveis, que se espalhariam pelo interior e superfície solar. O aquecimento resultante poderia fazer a temperatura da estrela atingir mais de um bilhão de graus Celsius, o que levaria à sua explosão completa.
A justificativa dada pela dupla para a pesquisa foi a de alertar quanto ao perigo de alguma mente diabólica ou de um ditador com os recursos necessários poder colocar em prática a implausível ideia. Em 2007, o diretor Danny Boyle (vencedor do Oscar pelo filme Quem quer ser um milionário?), retratou algo semelhante no filme Sunshine, mas com o objetivo contrário. Em um futuro no qual o problema é uma glaciação global causada pela baixa atividade solar, a única esperança da humanidade é lançar uma gigantesca bomba nuclear no sol, para “reativá-lo”. O filme foi mal nas bilheterias.