7802 – Biologia -Caranguejos-ferraduras, os símbolos da resistência


Caranguejo-ferradura

Como ocorre a 200 milhões de anos, o sutil aumento da temperatura no limo frio já e suficiente para os caranguejos-ferraduras (Limulus polyphemus) iniciarem sua longa migração em direção as praias da costa atlântica dos Estados Unidos, onde costumam desembarcar entre maio e junho. Eles repetem esse despertar da primavera desde os tempos em que os dinossauros perambulavam pelo planeta, quando os continentes ainda se afastavam um dos outros e os mamíferos ensaiavam os primeiros passos para ser tornarem os reis do mundo animal. Para os caranguejos, nos somos meros intrusos, talvez tão passageiros quanto diversas criaturas que tiveram uma existência breve no planeta.
Estudos científicos sugerem que apenas duas espécies seriam capazes de sobreviver ao holocausto nuclear – as baratas e o Limulus, o que prova a resistência desses caranguejos. O movimento rumo à praia, lento e inexorável, e disparado por um dos mais fortes impulsos: o sexo. Os caranguejos deixam a lama, que habita durante o inverno, para se acasalar nas baias rasas, aquecidas pelo sol, no litoral da região que aqueles instruções – os seres humanos – convencionaram chamar Estados Unidos. Os machos vêm na frente e aguardam. Uma ou duas semanas depois é que aparecem as fêmeas. Entregadoras de ovos, liberando um poderoso fenômeno, uma espécie de perfume, típico dos caranguejos-ferradura, com a função de acender os desejos dos machos.
Os caranguejos-ferraduras machos são equipados com afiadas tenezes, como se chama seu primeiro par de pernas, com as quais seguram na carapaça das companheiras. Assim, preços, permitem que as fêmeas os reboquem para a beira do mar. Na praia, uma única fêmea deve depositar de 3000 a 4000 ovos, em tons de verde e marrom, cada qual com cerca de 3 milímetros de diâmetro. O macho fertiliza esses ovos imediatamente depois da postura. Então, o casal cobre o ninho com areia. A desova do Limulus parece ser cuidadosamente planejada para coincidir com a elevação do nível da água, típica nos mares da primavera. Dentro dos ovos, os embriões passam por quatro mudas de carapaça, enquanto se desenvolvem. Um mês depois de fecundada, o ovo se rompe e aparece uma larva, cavando a areia. O caranguejo-ferradura recém-nascido já emerge bastante parecido com seus pais. A única diferença é a falta de um parelho digestivo desenvolvido.
A ignorância dessa complexa cadeia, no entanto, fez com que durante muito tempo as pessoas encarassem o Limulus com um baderneiro, responsável pelo afastamento dos turistas. É verdade que a aparência do caranguejo-ferradura costuma inspirar medo: sua carapaça escura lembra um capacete, arrastando-se com dois olhos sinistros, enquanto balança uma cauda formidável, também conhecida o ultimo segmento de abdome de um crustáceo. Os banhistas, em geral, imaginam que aquela cauda e capaz de ataques letais, quando na realidade os Limulus são absolutamente inofensivos. Eles podem fincar o telso em observadores mais ousados, mas preferem fugir dos seres humanos, sempre que possível.

De fato, o caranguejo-ferradura não se parece com outros caranguejos. Não exibe Atenas nem mandíbulas, possui muita garra e ainda por cima, tem um numero errado de pernas. Ele esta mais para uma das ultimas espécies remanescentes dos primitivos escopioes-marinhos, sendo muito mais aparentado com as aranhas e com os carrapatos do que com seus xarás. O detalhe anatômico que mais o aproxima das aranhas e o aparelho respiratório no caso, guelras, dobradas como as paginas de um livro, para aumentar a superfície destinada à troca de gazes. Essas guelras e as genitais se encontram na parte mediana do abdome, chamado opistossomo. Do lado oposto ao da cauda fica uma parte larga, o prossoma, por onde se estende a boca, entre cinco pares de pernas agitadas.
O Limulus se alimenta de minhocas, moluscos e crustáceos que habitam a lama ou o solo submarino. Graças a receptores no ventre, que fazem às vezes de narizes, ele sente a presença da presa: agarra-a, quebrando-a em inúmeros pedacinhos com a ajuda de espinhos espalhados por suas pernas. Um par de garras, então, termina o serviço, levando a comida ate a boca destinada. A cauda, com seus movimentos, impedem que o caranguejo seja carregado pelo vaivém das ondas. A carapaça do Limuls, normalmente, é toda riscada por linhas que, por sua vez, refletem o processo de crescimento do animal. Afinal, e como se o limulus vivesse dentro de um esqueleto – no caso, exoesqueleto, porque esta do lado de fora – incapaz de crescer.

Assim, a única maneira que o caranguejo tem de ganhar tamanho e trocando sua carapaça. A nova carapaça, a principio, e macia e flexível, ficando toda enrugada cada vez que o caranguejo emerge da lama para a água. As linhas que se vêem na dura carapaça são justamente resquícios dessas rugas. Os machos atingem a maturidade aos 9 anos., ou seja, depois da décima quinta muda; as fêmeas, por sua vez, são consideradas adultas aos 10 anos, quando já passaram por dezesseis mudas. Os cientistas especularam que os caranguejos-ferraduras vivem cerca de cinco anos depois de alcançar a maturidade. Os nativos americanos ensinaram aos imigrantes europeus que esses caranguejos são excelentes fertilizantes. Os nativos alias, também comiam os músculos responsáveis pelos movimentos abdominais do animal.
Na década de 50, o Limulus passou a ser usado na fabricação de alimentos para porcos e galinhas. Foi em Cape Cod, no Estado Massachusetts, porem, que o caranguejo-ferradura ganhou a fama de peste. Os pescadores de mariscos perceberam sua predileção por essas pequenas criaturas. E assim lhes declararam uma guerra: os caranguejos começaram a ser mortos aos milhares. Apesar de o gosto por mariscos ser verdadeiro, o fato é que os Limulus existem a milhões de anos e nem por isso suas presas entraram em extinção. Ao contrario: ao se alimentarem de outros animais, os caranguejos ate criam um ambiente favorável à sobrevivência da maioria dos mariscos.
Por ironia, justamente em Cape Cod, o lugar onde o Limulus ganhou seu status de fora-da-lei, foi descoberto o seu imenso valor para a Medicina. Nos últimos sessenta anos, os cientistas vêm usando o nervo ótico do caranguejo-ferradura, por ser grande e de fácil acesso, para desvendar os mecanismos da visão.
Até a pouco tempo, os cientistas jogavam fora os outros produtos do sangue do Limulus – ou seja, o plasma azul e os pedaços de membranas celulares. Mas estudos realizados por cientistas da ACC mostram que, na membrana da célula sanguínea do caranguejo-ferradura – antes, destinada ao lixo -, existe uma proteína capaz de bloquear a molécula de endotoxina, neutralizando-a. Essa proteína poderá ser usada para remover endotoxinas de soluções ou mesmo para evitar a more de pessoas com choque séptico, como se chama o envenenamento por endotoxinas. Os resultados das experiências com animais são promissores. Por isso, a proteína do Limulus começa a ser testada em hospitais americanos.
O plasma do caranguejo-ferradura também poderá ser muito útil aos médicos. Recentemente, os pesquisadores da ACC isolaram outra proteína desse componente sanguíneo, capaz de reagir ao acido siálico, substancia que costuma aumentar terrivelmente no organismo de pessoas com câncer. Assim, a proteína devera ser aplicada para diagnosticar mais precocemente a doença. Graças a tantas descobertas para a Medicina moderna, o Limulus polyphemus finalmente passa a ser encarado com respeito pelos intrusos seres humanos, nas praias onde desova há milhões de anos. Sua historia, no entanto, serve como ponto de reflexão, a respeito de outras espécies ameaçadas de extinção por pura ignorância nossa.

7801 – Astronomia – Conjunto gigante de radiotelescópios foi inaugurado no Chile


Imagine um radiotelescópio com 16 km de diâmetro –o equivalente a 130 campos de futebol enfileirados. Bem, agora não é preciso mais imaginar. Foi inaugurado no Chile o mais ambicioso projeto de astronomia em solo já construído.

Projeto Alma

O Alma (sigla para Atacama Large Millimeter/submillimiter Array) não é de fato uma parabólica de 16 km, mas é como se fosse. São 66 antenas espalhadas por uma área imensa no platô Chajnantor, que trabalham em concerto para produzir imagens equivalentes às que seriam obtidas com uma única antena gigante.
O custo do projeto é estimado em US$ 1,5 bilhão e bancado pelo ESO (Observatório Europeu do Sul), além de americanos, canadenses e japoneses.
A radiação captada pelo Alma vem na forma de infravermelho e ondas de rádio. Graças a um supercomputador, as informações de todas as antenas são combinadas em uma única imagem.
A mágica na verdade é ciência e atende pelo nome de interferometria. É uma propriedade ligada ao caráter ondulatório da luz que permite, grosso modo, realizar uma observação com as antenas pequenas que corresponderia a ter um radiotelescópio gigante com o tamanho da distância entre as duas antenas mais distantes.
Claro, vários desafios tecnológicos precisaram ser vencidos antes que o Alma saísse do papel. No caso em questão, eles foram superados com três grandes financiadores. Pelo lado europeu, o ESO (Observatório Europeu do Sul) entrou com 37,5%. Americanos e canadenses bancaram outros 37,5%. Os 25% remanescentes vieram do Japão. Total estimado: US$ 1,5 bilhão.
A radiação captada pelo Alma vem na forma de infravermelho e ondas de rádio. Graças a um supercomputador projetado especificamente para o Alma e capaz de realizar quatrilhões de operações por segundo, as informações colhidas por todas as antenas são combinadas para produzir uma única imagem.
Embora não tenham 16 km de diâmetro, as antenas individuais são bem respeitáveis, com 7 e 12 metros. Principalmente quando se leva em conta o cuidado com que foram construídas: sua curvatura precisa ser perfeita no nível de 10 mícrons (milésimos de milímetro) para não distorcer as observações.
Das 66 antenas previstas, 57 já estão instaladas. As demais devem estar no local –uma região inóspita a 5.000 metros de altitude, onde praticamente metade da atmosfera terrestre já ficou para trás.
O que é ótimo para os astrônomos, pois corta boa parte da interferência causada pelo ar nas observações, mas é péssimo para quem tem de trabalhar lá, na construção do complexo.
A grande sacada do Alma é que, nas frequências de luz em que ele opera, é possível detectar coisas que normalmente não são observáveis em luz visível, como, por exemplo, estrelas em formação. Abrigadas em casulos de poeira em seu nascimento, elas não podem ser observadas por telescópios convencionais.
Para o Alma, contudo, é moleza. Um exemplo recente, fruto da primeira bateria de pesquisas, é a observação de um disco de poeira ao redor da estrela jovem HD 142527 que, pela configuração, parece estar bem no meio do processo de produção de planetas gigantes gasosos.
O resultado é sem precedentes e ajuda a entender o mistério por trás do nascimento dos planetas _um processo que hoje é compreendido apenas em linhas gerais e pode determinar quão rara ou comum é a Terra no contexto do Universo.
Detalhe: a primeira bateria de observações, feita a partir de outubro do ano passado, usou apenas 16 antenas. Com 66, será possível fazer muito mais e revelar com cada vez mais detalhes os segredos das profundezas do espaço.

7800 – Aves primitivas tinham dois pares de asas


Esta é uma hipótese defendida por um grupo de paleontólogos.
As primeiras aves do mundo tinham algo em comum com alguns dos mais antigos aviões: em vez de um único par de asas, elas tinham dois.
Essa é a hipótese defendida por paleontólogos para explicar um conjunto de belos e bizarros fósseis achados no nordeste da China. Eles representam espécies de aves primitivas cujas patas parecem ter sido cobertas por uma plataforma de penas compridas.
É verdade que algumas raças de galinhas e certas espécies selvagens de hoje (como aves de rapina) também possuem penas nas patas.
Mas nenhum penoso atual tem membros posteriores semelhantes aos dos fósseis chineses. Para a equipe liderada por Xing Xu, da Universidade Linyi, a explicação mais plausível é que elas tenham funcionado como uma espécie de “asa de trás”.
Não é a primeira vez que Xu defende essa ideia radical. O pesquisador é um dos mais renomados caçadores de fósseis da China e já teve a sorte de achar quase todo tipo de exemplar com penas delicadamente preservadas.
A diferença é que Xu e seus colegas tinham proposto a presença de quatro asas não em aves, mas em dinossauros. O garoto-propaganda dessa ideia é o minidino Microraptor gui, criatura do tamanho de um quero-quero descoberta em 2003.
A ideia é que os dois pares de asas teriam ajudado os bichos a planar quando saltavam de árvores. Com o refinamento da arte de bater as asas, o segundo par teria sido aposentado.
É esse cenário que as penas compridas e rígidas sugerem. Elas foram encontradas em ao menos cinco espécies de aves com 120 milhões de anos. Para Xu, as asas seriam estabilizadores de voo.
A pesquisa foi publicada na “Science”. Entrevistado pela revista, o paleontólogo americano Kevin Padian, da Universidade da Califórnia, elogiou o estudo, mas disse que não há evidências da relação entre as penas das patas e o voo. Elas poderiam até atrapalhar o movimento nos ares, declarou Padian.

7799 – Astronomia – Condição de vida em Marte leva a novas questões


Se estudos posteriores confirmarem que o planeta vermelho já teve mesmo condições para abrigar vida no passado, como foi anunciado anteontem pela Nasa, será uma grande descoberta, mesmo se não forem achados vestígios nem de um micro-organismozinho sequer.
O anúncio da agência espacial americana foi baseado em uma análise feita em uma rocha pelo jipe Curiosity.
Pousado no planeta vermelho desde agosto, o Curiosity está apenas começando seu trabalho de análise.
Europa em Marte
A Agência Espacial Europeia (ESA) e a Roskosmos (agência russa) assinaram um acordo para trazer amostras do solo marciano que, espera-se, possam responder à questão sobre vida fora da Terra. A Europa havia esperado trabalhar com a Nasa na missão com duas espaçonaves mas acabou recorrendo aos russos depois que os EUA saíram da cooperação por problemas orçamentários.
O anúncio é feito em meio à empolgação causada pelo anúncio da Nasa sobre uma análise de rocha realizada pelo jipe Curiosity, pousado em Marte, mostrando que o planeta já foi habitável.
A agência americana quer mandar um segundo jipe em 2020 e trazer amostrar para estudo, mas os russos e os europeus querem lançar sondas em 2016 e 2018 –formando uma corrida espacial pós-Guerra Fria por um dos maiores feitos científicos até hoje.
Moscou vai entrar com os foguetes para lançar a missão. A Roskosmos também vai desenhar o módulo de pouso e a plataforma em superfície para a segunda metade da viagem.
Apesar de descrever o ExoMars como o “Santo Graal da exploração de Marte”, a Nasa deixou o projeto de US$ 1,3 bilhão em 2012, citando problemas de orçamento e mudança de prioridade.
Essa pode ser uma ótima oportunidade para a agência espacial russa após o fracasso da missão Fobos-Grunt, que coletaria amostras do solo de uma lua marciana. O foguete, lançado em novembro de 2011, teve problemas e não conseguiu sair da órbita da Terra. A sonda caiu no oceano Pacífico no início de 2012.

7798 – História da Discoteca – O Village People


Vilage People

Na época das discotecas não havia certas “rotulagens” como nos dias atuais, onde as pessoas colocam o seu preconceito acima da Arte.
Num cenário então sem preconceitos na música surgiu o Village People, uma das mais consagradas bandas de Discoteca dos EUA.
Mais conhecido pelos seus mega-hits mundiais Macho Man e Y.M.C.A., ambos de 1978.
O grupo, surgido em boates gays nos Estados Unidos, foi criado entre 1976 e 1977 pelos produtores Jacques Morali e Henri Belolo. O nome originou-se do reduto gay de Nova Iorque na época, o Greenwich Village, e a banda ficou conhecida por apresentar-se com fantasias que evocavam símbolos de “masculinidade”: um policial (Victor Willis), um índio norte-americano (Felipe Rose), um cowboy (Jeff Olson), um operário (David “Scar” Hodo), um soldado (Alex Briley) e um motociclista (Glenn Hughes).
O sucesso aconteceu primeiro na Inglaterra, em 1977, com “San Francisco (You’ve Got Me)”. Nos Estados Unidos, o sucesso veio em 1978, com “Macho Man”. O grupo lançou também Y.M.C.A., In The Navy, Go West (regravada em 1993 pela dupla inglesa Pet Shop Boys) e várias outras que também alcançaram êxito. Em 1980, apareceram no filme baseado na história do grupo, chamado Can’t Stop the Music, que venceu e recebeu o troféu irônico Framboesa de Ouro, na categoria pior filme do ano.
Em 1995, Glenn Hughes foi substituído por Eric Anzalone. Os integrantes actuais do Village People são Felipe Rose (índio), Alex Briley (soldado), David “Scar” Hodo (operário), Jeff Olson (cowboy), Ray Simpson (policial, no lugar de Victor Willis) e Eric Anzalone (motociclista, no lugar de Glenn Hughes).
Em 2001, Glenn Hughes, o motociclista original do grupo, faleceu (vítima de câncer no pulmão). Jacques Morali, o fundador do grupo faleceu em 1991, vítima da AIDS. O produtor e empresário Henri Belolo continua actuando no mercado fonográfico, como um dos donos do selo francês Scorpio Music. A Black Scorpio, que nos anos 70 e 80 lançou os discos do Village People, é uma de suas afiliadas.

7797 – Tecnologias – O Chip


Milimétricos condutores de energia são a alma da eletrônica e um dos motores do mundo moderno. Do quartzo ao circuito integrado, sua fabricação exige até trinta etapas, além de extremos cuidados.
São peças dignas de ser apreciadas pelo microscópio: as menores têm 0,3 milímetro de espessura e as maiores medem 0,5 milímetro. As áreas nunca excedem 1 centímetro quadrado. Apesar de tão minúsculas, têm embutidos milhões de transistores por onde se movimentam sem parar sinais elétricos, como carros trafegando em alta velocidade pelas ruas e avenidas de uma cidade bem planejada. Esses ínfimos circuitos incrustados nos faladíssimos chips chegam a medir 1,5 mícron 1,5 milésimo de milímetro, ou seja, são cinqüenta vezes mais finos do que um fio de cabelo. No entanto, guardam milhões de informações, os chips utilizados nos supercomputadores IBM 3090, por bits.
Nas últimas 4 décadas, o chip — palavra que em inglês significa lasca, fatia ou pedaço — tornou-se a ferramenta mais preciosa da indústria eletroeletrônica mundial. E um pequeno retângulo feito de silício—substância a meio caminho entre os condutores de eletricidade, como os metais, e os isolantes, como a cerâmica usada nas linhas de alta tensão. Por isso é chamado semicondutor. O irrisório tamanho do chip é muito bem aproveitado: ali coabitam componentes de nomes exóticos, como resistores, capacitores, diodos e até os conhecidos transistores. Todos eles, quando conectados entre si, podem provocar resistência, armazenar, amplificar ou interromper a corrente elétrica. Essas possibilidades, devidamente combinadas e traduzidas em números, são a chave de qualquer sistema eletrônico moderno.
Se os chips não fossem capazes de armazenar tantos componentes num espaço tão limitado, não haveria supercomputadores, satélites de comunicação, naves espaciais nem mísseis de guerra. Aliás, não é preciso ir tão longe. Os chips estão presentes nos televisores, equipamentos de som, telefones, calculadoras, relógios, brinquedos e eletrodomésticos. Eles fazem parte de tudo o que se fabrica com um componente eletrônico em seu bojo, seja um autorama ou um liquidificador, o mecanismo de partida de um carro ou as caixas registradoras de um supermercado.
A carreira dessa micropeça é recente, mas meteórica. No final da década de 50, os engenheiros já sabiam que uma onda eletromagnética, produzida por circuitos elétricos poderia transportar milhares de informações através do espaço em poucos segundos. Teoricamente, as possibilidades eram ilimitadas. Naquela época, os transistores feitos de material semicondutor como o silício já tinham substituído as válvulas nos computadores mais rápidos. Mas o que na teoria funcionava perfeitamente, na prática dava errado. Como num jogo de armar, os transistores tinham de ser soldados quase manualmente aos outros componentes de um circuito eletrônico. Em casos mais complexos, podia-se obter até 1 milhão de conexões. Assim, embora já houvesse projetos de supercomputadores, eles esbarravam nesse problema: a tirania do número de conexões que crescia assustadoramente com a complexidade dos circuitos.
Foi quando, em 1958, um engenheiro da Texas Instruments, Jack Kilby, na época com 34 anos, descobriu uma maneira de juntar todos os componentes do circuito numa única pastilha de silício. Em vez de usar circuitos soldados um a um, Kilby percebeu que a adição de determinadas “impurezas”, como fósforo ou boro, numa barra de silício altamente purificado afetaria a mobilidade dos elétrons. Se essas impurezas fossem colocadas em camadas, como num sanduíche, seria possível comprimir todos os componentes de um circuito integrado num único bloco de silício semicondutor. A tendência, com o tempo, foi manter a área do chip e diminuir o tamanho dos componentes, que, empilhados em dez camadas de material, podem medir 10 milionésimos de milímetro cada uma.
Mas, em 1958, não era apenas a Texas Instruments, empresa famosa por ter fabricado os primeiros rádios transistores, que estava interessada em circuitos integrados de silício. Outra companhia, a Fairchild Semiconductor, instalada num vale ao sul da baia de São Francisco, na Califórnia, então uma aprazível área agrícola, também fazia pesquisas semelhantes. Um de seus diretores, o físico Robert Noyce, então com 31 anos, tivera a mesma idéia de Kilby, com a diferença de alguns meses. Entre o tempo que durou a pesquisa e o aparecimento das primeiras peças, já na década de 60, Kilby e Noyce repartiram as honras de serem os inventores dos chips. O local onde funcionava a Fairchild acabaria invadido por gigantes da microeletrônica, tornando-se conhecido como Vale do Silício.
O nome pegou. Outras regiões dos Estados Unidos foram batizadas de Floresta do Silício, Pradaria da Silício, Colinas do Silício e assim por diante. O primeiro chip fabricado em 1958 tinha cinco peças fundidas numa barra de 1,5 centímetro quadrado, hoje, os chips podem ter até 5 milhões de componentes. Em trinta anos, eles diminuíram dez vezes de tamanho e multiplicaram por 1 milhão a capacidade. Isso não aconteceu por acaso.
Como subproduto do projeto espacial americano que levaria o homem à Lua, a microeletrônica foi premiada com grandes investimentos para pesquisa. Mas, nos últimos anos, com a disseminação do uso dos chips, o custo e, portanto, a competitividade das indústrias passou a fazer toda a diferença e os japoneses tomaram a dianteira no ramo.
O Brasil possui uma das maiores jazidas de quartzo do mundo, mineral de onde é retirado o silício. Mas entre o quartzo—encontrado até no cascalho à beira dos rios do sul de Minas — e o silício monocristalino dos chips vai uma grande diferença. O quartzo é transformado em silício metálico, depois purificado até tornar-se cristal—mas ainda não está pronto para ser trabalhado. Esse cristal de silício deve ter todos os átomos em seus devidos lugares para que não haja nenhuma imperfeição no material e para que a corrente elétrica que circula pelo chip não sofra alterações. Portanto, ele é fundido em torno de uma “semente”, ou núcleo monocristalino, sobre o qual vão se depositando, já então corretamente ordenados os átomos de silício. Formam-se assim os tarugos—”salames”, de 1,50 metro de altura, fatiados por uma serra de diamante.
As bolachas, ou wafers, como são chamadas em inglês as finíssimas fatias de silício de 3 polegadas de diâmetro, são lapidadas ou polidas como barras de aço de uma usina siderúrgica. Essas lâminas são então divididas em centenas de chips, cujos circuitos, numa etapa posterior, serão gravados segundo um método semelhante ao da fotografia. Na curta história dos chips, esses circuitos já foram feitos a mão, embora atualmente sejam usados computadores gráficos. Curiosamente, são esses computadores que vão desenhar as memórias de outros computadores iguais a eles. Para que os circuitos sejam gravados na chapa de silício, ela é aquecida à temperatura de 1 200 graus centígrados, até que se forme uma finíssima camada protetora de óxido, com uma grande resistência elétrica. Em seguida, se cobre o wafer com material fotográfico, sobre o qual se colocam as máscaras— que se parecem às antigas chapas de vidro usadas em fotografia—onde os circuitos foram fotografados.
No futuro, prevê-se que os chips serão confeccionados com materiais supercondutores que, por não oferecerem resistência à eletricidade, podem transmitir sinais ainda mais velozes do que se sonha com os circuitos atuais. Aliás, a preocupação dos fabricantes é conseguir chips que processem informações cada vez mais rapidamente. Para isso, já está sendo usado o arseneto de gálio como material semicondutor. O arseneto conduz elétrons até seis vezes mais depressa do que o silício, além de operar em temperaturas mais elevadas, reduzindo a necessidade de resfriar os computadores e outros sistemas eletrônicos.

7796 – Religião – A Igreja e o Poder


Frei Caneca – Fora fuzilado em janeiro de 1825, sob a acusação de ser o autor de escritos de papéis incendiários. Fora o redator de um jornal que criticava abertamente o imperador e um dos líderes da Confederação do Equador, que reunia no início 6 estados do norte e pregava o regime republicano.
Regente Feijó
Diogo Antônio Feijó, também conhecido como Regente Feijó ou Padre Feijó (São Paulo, batizado a 17 de agosto de 1784 — São Paulo, 10 de novembro de 1843).
Considerado um dos fundadores do Partido Liberal. Pode-se resumir bastante sua vida afirmando que exerceu o sacerdócio em Santana de Parnaíba, em Guaratinguetá e em Campinas. Foi professor de História, Geografia e Francês. Estabeleceu-se em Itu, dedicando-se ao estudo da Filosofia. Em seu primeiro cargo político foi vereador em Itu. Foi deputado por São Paulo às Cortes de Lisboa, abandonando a Assembléia antes da aprovação da Constituição. Era adversário político de outro paulista, José Bonifácio de Andrada e Silva. Era defensor da descentralização e de políticas liberais, entrando em conflito com a própria Igreja. Foi deputado geral por São Paulo (1826 e 1830), senador (1833), ministro da Justiça (1831-1832) e regente do Império (1835-1837).

7795 – Mega Notícias da Saúde


O consumo de hipnóticos (remédios usados para induzir o sono) aumenta em até 35% a incidência de vários tipos de câncer em pessoas saudáveis. Essa é a conclusão de um estudo que avaliou 35 mil pessoas nos EUA. O risco aumenta mesmo que o consumo seja moderado e por períodos curtos.
Mulher resiste mais à dor do que homem? Balela. É justamente o contrário!
O homem é mais resistente. “Em estudos, mulheres apresentaram menor tolerância à dor”, diz o dentista Roger Fillingim, da Universidade da Flórida. Um experimento do psicólogo Ed Keogh, da Universidade de Bath, no Reino Unido, concluiu que elas sentem dor por mais tempo, com mais frequência e maior intensidade. O mito começou provavelmente porque os homens são mais chorões. “Por uma questão cultural, as mulheres reclamam menos e sofrem caladas”, explicou uma anestesiologista, da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor.
Gota – 8 homens para 1 mulher
Afeta 2% da população mundial. É provocada pelo ácido úrico que, em excesso no sangue, forma cristais que se acumulam nas articulações e desencadeiam as crises de dor.
Cefaleia em salvas – 9 homens para 1 mulher
A mais intensa dor de cabeça. Geralmente, ocorre de um lado só da cabeça. Durante as crises, a pessoa bate a cabeça na parede para aliviar a dor.
Enxaqueca – 3 mulheres para 1 homem
De cada 5 brasileiros, um sofre de enxaqueca. A enxaqueca atinge os dois lados da cabeça, costuma ser latejante e vem acompanhada por náusea, vômito e sensibilidade à luz.
Fibromialgia – 9 mulheres para 1 homem
Síndrome que se manifesta com dor por todo o corpo. Na maioria dos casos, a dor persiste por mais de 3 meses. Assim como a enxaqueca, sua origem está na oscilação hormonal.

7794 – Medicina- O Velho Problema da Gordura


A aterosclerose –o acúmulo de gorduras e colesterol nas paredes das artérias que podem levar a acidente vascular cerebral e doença cardíaca – é geralmente considerada um problema dos tempos modernos, um resultado de dietas gordurosas e estilos de vida sedentários. Mas um novo exame de múmias de culturas antigas sugere que a doença apareceu muito antes da chegada da junk food e dos televisores de tela plana.
Pesquisadores realizaram tomografias computadorizadas em 137 múmias, incluindo egípcias e peruanas.
Os exames foram avaliados por sete especialistas em imagens que identificaram a aterosclerose pela presença de calcificação nas paredes das artérias ou ao longo do percurso esperado de uma artéria que deixou de ser visível.
Pesquisas anteriores já haviam encontrado evidências de aterosclerose em múmias egípcias, mas a mumificação no Egito era praticada entre a elite, cuja dieta e estilo de vida, provavelmente, diferem substancialmente da do resto da população.
De fato, este estudo, publicado on-line na revista “Lancet” no domingo (10), encontrou aterosclerose em 29 das 76 múmias egípcias examinadas.
Mas os pesquisadores também descobriram a doença em 13 das 51 múmias peruanas datadas entre o ano 200 e 1500, duas das cinco múmias dos ancestrais de índios norte-americanos que viveram entre 1500 a.C. e 500 d.C. no sudoeste dos EUA, e três das cinco múmias das Ilhas Aleutas, no Alasca, que viveram nos séculos 19 e início de 20.
Ao todo, 38% dos egípcios e 29% das outras múmias continham evidência definitiva ou provável de aterosclerose, concluíram os cientistas.
O autor, Gregory S. Thomas, cardiologista e diretor médico no Long Beach Memorial Medical Center, em Long Beach, Califórnia, disse que, entre as múmias de pessoas com 40 anos ou mais, 50% tinham aterosclerose.
Dieta e clima variaram entre esses quatro grupos. Os egípcios podem ter comido uma dieta rica em gordura saturada. Os peruanos cultivavam milho, batata e feijão, e eles tinham animais domésticos. Os índios americanos plantavam milho e caçava coelhos, cervos e ovelhas, enquanto o habitantes das Ilhas Aleutas subsistiram com uma dieta de peixe, marisco, focas, lontras marinhas e baleias.

7793 – Marte pode ter tido vida no passado


Estamos de volta, após um breve apagão de 2 dias com a internet, trazendo as últimas informações de grande repercussão comunidade científica.
Sob o inabitável solo vermelho de Marte se escondem segredos de um mundo bem menos inóspito, possivelmente favorável à vida microbiana num passado remoto. É o que revelam os últimos resultados obtidos pelo jipe robótico Curiosity.
Em amostra coletada pela broca instalada a bordo do veículo e analisada por dois instrumentos, os cientistas encontraram sinais de enxofre, oxigênio, fósforo, nitrogênio, hidrogênio e carbono –elementos essenciais à vida.
O material foi coletado de uma rocha sedimentar, que fornece uma oportunidade de investigar o passado do planeta pela análise de suas camadas inferiores.
A presença de certos minerais confirma que naquela região, localizada no interior da cratera Gale, houve água líquida em grande quantidade –possivelmente em um lago ou em um rio. Isso, contudo, já havia sido observado pelos predecessores do Curiosity, os menos avançados jipes Spirit e Opportunity, também da Nasa.
A grande novidade é a constatação de o ambiente na região batizada de baía Yellowknife era mais ou menos neutro –nem muito salino (como na região investigada pelo Opportunity), nem muito ácido, nem oxidante.
É um forte contraste com o atual solo marciano –avermelhado justamente por conta da alta taxa de oxidação (ferrugem mesmo) e completamente avesso a moléculas orgânicas.
Além disso, os pesquisadores encontraram certos sulfetos e sulfatos que poderiam servir de fonte de energia química para micro-organismos. O que, é claro, não quer dizer que eles tenham de fato exercido essa função no passado do planeta.
Com o sucesso, o Curiosity cumpriu um de seus principais objetivos. “Uma questão fundamental era se Marte poderia ter abrigado um ambiente habitável”, disse Michael Meyer, cientista-chefe do programa de exploração de Marte da Nasa e um dos participantes do anúncio, feito recentemente. “Pelo que sabemos, a resposta é sim.”
Apesar disso, o jipe robótico ainda não conseguiu encontrar sinais de química orgânica –moléculas complexas baseadas em carbono.
As investigações do Curiosity devem prosseguir, enquanto ele marcha na direção do centro da cratera Gale, onde um monte pode revelar novos segredos.
Por ora, o jipe confirmou descobertas anteriores e revelou que havia variedade nos ambientes habitáveis marcianos. Com ou sem vida, é certo que o planeta vermelho já foi bem mais colorido no passado.

7792 – Cientistas tentam ‘driblar’ malária resistente


Um estudo sobre a sensibilidade do parasita da malária a drogas deu uma excelente pista de como contornar o problema do aumento da resistência desse micróbio a medicamentos e, com isso, criar tratamentos mais eficazes contra uma doença que afeta meio bilhão de pessoas por ano em todo o mundo.
O parasita é transmitido por picadas de mosquitos do gênero Anopheles. Conhecido como plasmódio, o parasita tem um complexo ciclo de vida tanto dentro do mosquito como no homem, infectando em formas diversas a glândula salivar do inseto, o sangue e o fígado humanos.
O novo estudo, feito por uma equipe, da Universidade de Melbourne, Austrália, mostrou que diferentes estágios de vida do parasita têm diferentes sensibilidades às artemisinas, drogas populares hoje no tratamento da malária.
A equipe conseguiu realizar experimentos “em proveta” capazes de imitar o que acontece na infecção pelo plasmódio no ser humano.
Os resultados mostram como a resistência a drogas pode surgir da ação combinada da curta sobrevivência do medicamento no organismo e do momento do desenvolvimento do parasita.
Para ela, vai ser difícil parar a tendência do parasita de adquirir resistência. “Ele vai eventualmente desenvolver resistência a qualquer droga que desenvolvermos.”
O que é possível, afirma ela, é tornar mais lento o desenvolvimento da resistência, ao garantir que as drogas sempre sejam usadas em certas combinações.
A estratégia, segundo Tilley, também precisa incluir o fim do tráfico de medicamentos falsificados, que costumam conter doses menores das drogas, uma praga típica do Terceiro Mundo, onde, aliás, se concentram os casos da doença.

7791 – Neurologia – A hipnose realmente funciona?


☻ Mega Arquivo 25° Ano

A hipnose é hoje reconhecida como importante ferramenta para tratar dores e vencer medos, podendo ser usada para aplacar o sofrimento de pacientes com câncer terminal, diminuir o temor dos tratamentos dentários ou enfrentar fobias e depressão.
Nas sessões hipnóticas, o objetivo é fazer o paciente relaxar, seja pelo método clássico de fixar a atenção em um objeto ou por meio das palavras do hipnotizador. Quando a pessoa está totalmente relaxada, começa o transe hipnótico, que desencadeia importantes reações cerebrais.
O assunto sempre gerou controvérsia. Tem gente que acha a hipnose um jogo teatral. O hipnotizado fingiria sensações que seu cérebro não sente, querendo se iludir, mas, no fundo, no fundo, sabendo da farsa. E tem gente que vê na hipnose um estado neurológico especial. Nele, o cérebro focaria a atenção no assunto sugerido pelo hipnotizador, sem dar bola para outras informações registradas naquele momento. Ok, tudo continuaria não passando de ilusão. Mas com uma enorme diferença: o cérebro é que seria iludido, sentindo de fato o que o hipnotizador lhe sugerisse. Seria possível até ver o cérebro sendo enganado. Aliás é exatamente isso o que está fazendo um grupo de cientistas americanos – eles entraram de cabeça na hipnose para desvendar seus mistérios e acabar com a polêmica.
Os resultados preliminares desse estudo, são espantosos. Dezesseis voluntários observaram imagens em cores na tela de um computador. Depois de hipnotizados, eles foram levados a acreditar que a mesma figura colorida, vista outra vez no monitor, era toda cinza.
Mais tarde, os mesmos voluntários foram induzidos a ver cores em imagens onde elas não existiam. E, outra vez, bingo! Os resultados confirmaram que o cérebro estava mesmo “vendo” colorido.

Veja como foi:
Hipnotizados, os voluntários da experiência americana tinham de olhar para uma figura em preto e branco, enquanto o hipnotizador dizia que ali havia cor. O PET, iniciais em inglês para tomografia por emissão de pósitrons, exame que aponta as áreas cerebrais ativadas, mostrou que na região da visão, próxima da nuca, de repente se acendeu a área responsável pela visão de cores.

7790 – Perseguição aos gatos


Erro – Ter perseguido e matado os bichanos durante a peste negra.
Praticamente toda a Europa, por influência de crendices.
Século 14, durante a baixa Idade Média.
Consequências – Aumento da população de ratos, que eram os principais responsáveis pela disseminação da peste.
No século 14, baixa Idade Média, a Europa foi devastada pela peste negra. Estima-se que algo entre um terço e metade da população tenha morrido. Alguns dos motivos para tamanha catástrofe – além da falta de antibióticos, que nem existiam ainda – eram a sujeira e o esgoto a céu aberto que predominavam nas cidades e nos povoados. O lixo era jogado na rua, a água não era tratada e o contato com animais domésticos era próximo, mas muito próximo mesmo. Nas noites mais frias de inverno, por exemplo, era comum reservar um espaço na cama para uma cabra ou uma ovelha. Ratos estavam por toda parte, infestando navios, atacando celeiros e devorando as rações dos exércitos em pleno campo de batalha. E eram eles que desempenhavam um papel decisivo na disseminação da epidemia.
O agente causador da doença era a bactéria Yersinia pestis, que começou contaminando marmotas na Ásia Central. As pulgas que picavam esses bichos mordiam também os mercadores que transitavam pela movimentada Rota da Seda, que ligava a Europa ao Extremo Oriente. Em algum momento, a bactéria começou a contaminar também os ratos europeus. E foi então que a epidemia começou a se alastrar mais rápido que um foguete.

Gatos seriam uma boa numa situação como essa, não seriam? Afinal, eles são predadores naturais e obstinados de ratos. Podiam não ser o remédio, mas certamente ajudariam a controlar a disseminação da peste. O problema é que os felinos andavam em falta, apesar da abundância de alimento. Tudo porque os bichanos – especialmente os negros – eram associados à bruxaria, talvez por seus hábitos noturnos, sua estranha agilidade ou seu jeitão independente.
Muita gente na Idade Média considerava os gatos verdadeiras encarnações do capeta. Como o povo já andava estressado, achando que a epidemia tinha sido mandada por Deus, a maioria achou por bem não dar mole a quem flertava com o demônio. Mulheres consideradas bruxas pelos mais variados motivos eram discriminadas, perseguidas, muitas vezes mortas e incineradas. Os felinos, coitados, acabaram entrando na mesma roubada.
O clima de medo era tamanho, nessa fase da Europa, que levava as pessoas a acreditar nas histórias mais absurdas. Uma das crenças era a de que demônios assumiam a forma de gatos para transar com as bruxas, suas servas na terra. Milhares de felinos acabaram indo parar na fogueira ou tiveram o couro transformado em tamborim medieval por causa de crendices desse tipo. Sorte dos ratos, é lógico. Sem precisar correr dos gatos, tinham muito mais tempo para se multiplicar – e espalhar o terror da peste negra com mais velocidade ainda.

• A vocação dos gatos para caçar camundongos era admirada pelos antigos egípcios, que confiavam aos bichanos a missão de evitar que as colheitas fossem atacadas. Os europeus da Idade Média, no entanto, preferiram acusá-los de heresia.

• Na vila medieval que deu origem a Ypres (Bélgica), os gatos eram atirados do alto de uma torre em todo início de primavera, para simbolizar a expulsão dos maus espíritos. A tradição permanece, mas com gatos de pelúcia no lugar dos de verdade.

Sem a compreensão moderna sobre a existência de micróbios ou a transmissão de doenças, era natural que a população europeia da Idade Média enxergasse em catástrofes, como a peste negra, a própria ira de Deus. E foi por esse motivo que, além de exterminar os gatos, a Europa cristã cometeu outro erro perigoso em tempos de epidemia: rendeu-se ao autoflagelo.

7789 – Astronomia – Mais um asteroide passa perto da Terra


Neste fim de semana, mais um asteroide passará “de raspão” pela Terra. Do tamanho de um quarteirão (100 m), o pedregulho só foi descoberto no último domingo.
Batizado de 2013ET, ele passará a 960 mil km de distância do nosso planeta –o equivalente a mais ou menos duas vezes e meia a distância entre a Terra e a Lua.
Embora próxima, a passagem do asteroide não deve render boas imagens para os astrônomos amadores, como bólidos anteriores já fizeram.
Astrônomos que operam telescópios maiores, usados em pesquisa, no entanto, estão empolgados com a visita.
Alguns observatórios, como o Slooh, nas Ilhas Canárias, transmitirão a passagem ao vivo no sábado à tarde.
De acordo com astrônomos de várias partes do mundo, o bólido não oferece risco de se chocar com o planeta.
Apesar disso, a repentina descoberta do asteroide, já tão próximo de chegar à Terra, assustou muita gente.
Nas últimas semanas, a Terra tem assistido a uma série de aproximações de asteroides. O último deles, o 2013 EC, com 10 metros de comprimento, também só foi descoberto dias antes de passar por nossa vizinhança.
O traumático meteoro que explodiu na Rússia e deixou mais de 1.200 feridos, no dia 15 de fevereiro, não chegou sequer a ser detectado.
No mesmo dia, o asteroide 2012 DA14, de 45 m, passou a míseros 27.680 km, bem mais próximo do que a Lua, mas sem causar estragos.
E, além dos asteroides, o fim de semana também será dos cometas. Em um evento raro, há dois deles visíveis do Brasil simultaneamente.
Hoje, no entanto, será a última oportunidade para ver o Pan-STARRs. Já o Lemmon deve ser observável por pelo menos mais uma semana.

7787 – Raios UV – Como o Sol queima a pele?


Os responsáveis pelas queimaduras são os raios ultravioletas, que são classificados em UVA e UVB. Basicamente, a diferença entre eles é que o UVA penetra na pele e o UVB, não. Quando o UVB atinge a pele, os vasos sanguíneos se dilatam, formando o eritema, nome técnico para a vermelhidão. E, junto com a cara de pimenta, vem a ardência. Isso ocorre porque os raios UVB ativam uma substância presente no corpo chamada prostaglandina. Quando liberada, ela deixa as células nervosas receptoras da dor extremamente sensíveis. E, se o UVB pode ser vilão no embelezamento do verão, o UVA tende a ser aliado. Afinal, esses raios estimulam mais a atividade de melanócitos, as células produtoras da melanina, resultando no bronzeamento da pele.
Você saiu da praia aparentemente branco, mas, à noite, surpreendeu-se com o visual “moldura da capa da SUPER” que adquiriu. Isso é normal. O efeito dos raios UVB é tardio, aparecendo em média de seis a 24 horas depois da exposição ao Sol.
Quando tomamos muito sol, o aumento da melanina não causa apenas bronzeamento. Os raios solares atravessam a camada mais superficial da pele, que funciona como uma barreira contra as agressões externas. O UVA atinge o DNA das células, que ressecam e morrem. Essa camada de células mortas é a pele descascada – um ícone do verão.

7786 – Medicina – O efeito do cigarro dura 3 gerações


O cigarro gera alterações fisiológicas que passam por gerações e podem afetar eventuais descendentes – se uma mulher que fuma tiver filhos ou netos, eles já nascerão com maior risco de desenvolver asma. Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado pela Universidade da Califórnia, que fez experiências para medir o efeito da nicotina (princípio ativo do cigarro) em ratos de laboratório. Segundo os pesquisadores, a nicotina tem o poder de desligar genes necessários para a formação correta dos pulmões – e essa mudança é transferida aos descendentes do fumante.

7785 – Astronomia – Dois cometas estão visíveis no hemisfério Sul


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Em um evento raro, dois cometas –Lemmon e Pan-STARRs– estão cruzando o céu da Terra e podem ser observados com relativa facilidade ao mesmo tempo a partir do hemisfério Sul.
O mais fácil de ser localizado é o cometa Pan-STARRs, que está visível a olho nu até domingo, 10 de março.
Para enxergá-lo, porém, é preciso começar a observação logo após o pôr-do-Sol.
Para encontrá-lo, deve-se olhar para o oeste, onde o Sol se põe. Ele estará na constelação da Baleia.
O cometa se parecerá com uma bolinha ligeiramente brilhante, sendo observável até por volta das 19h30.
No domingo, 10 de março de 2013, o cometa já estará próximo demais do Sol para ser visto. Ele passará algum tempo assim até voltar a ser visível da Terra, dessa vez em melhores condições no hemisfério Norte.
Menos brilhante, o Lemmon não está sendo visto a olho nu, mas basta um binóculo para conseguir enxergá-lo.
E, devido à proximidade com o mais brilhante Pan-STARRs, está relativamente simples encontra-lo. Após avistar o outro cometa, deve-se olhar mais para cima e para a esquerda. Ele está próximo às constelações da Fênix e do Escultor.
O Lemmon pode ser avistado até por volta das 20h30 e deve estar visível por aqui por pelo menos mais duas semanas.

O cometa chamado Pan-STARRS, o primeiro a visitar o Sistema Solar este ano, poderá ser observado a olho nu de qualquer ponto da Terra. Na última terça-feira, o cometa atingiu o ponto mais próximo do planeta, passando a 161 milhões de quilômetros.
Astrônomos que observavam o céu do topo do vulcão Haleakala, no Havaí descobriram o cometa em junho de 2011. De acordo com a Nasa, o PAN-STARRS é oriundo da Nuvem de Oort, um conjunto de corpos celestes feitos de gelo, que se localizaria além das órbitas de Netuno e Plutão. “Trata-se de um novo cometa, jamais observado antes, e passará uma única vez pelo nosso céu antes de ser expulso nas profundidades da galáxia”, afirmou o Observatório de Paris em comunicado.
A previsão é de que o cometa fique visível até 15 de março no Brasil.

Viajantes solitários — Os cometas são corpos celestes constituídos por gelo e pó. Eles se formaram durante o nascimento do Sistema Solar, há 4,5 bilhões de anos, e giram em torno do Sol seguindo frequências variáveis. Conforme o cometa se aproxima do Sol, parte do gelo evapora e forma uma camada em torno do núcleo brilhante, denominada coma. O calor também provoca a formação de uma cauda de gás e pó, que pode atingir milhões de quilômetros.
Ainda de acordo com a Nasa, outro cometa poderá ser visto a olho nu este ano, em novembro. O cometa ISON deverá ser tão brilhante quanto a lua cheia, e poderá ser observado sem telescópio mesmo durante o dia.

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7784 – Medicina – Excesso de sal causa doença autoimune em roedores


O consumo elevado de sal pode ser o culpado pelas taxas crescentes de doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, afirmaram pesquisadores em três novos trabalhos publicados na revista especializada “Nature”.
Os cientistas investigaram o papel de uma classe específica de células relacionadas a inflamações.
O estudo indica que dietas ricas em sal aumentaram os níveis de um tipo de célula do sistema imune que é relacionada a doenças autoimunes.
Nos testes, ratos geneticamente modificados para desenvolverem esclerose múltipla ficaram muito piores quando ingeriram uma quantidade de sal que seria a semelhante a uma dieta ocidental com muito sal, em comparação com roedores que tinham uma ingestão mais moderada de sal.
Os resultados sugerem que o sal possa ter um papel no desencadeamento de doenças autoimunes em pessoas previamente dispostas, como a própria esclerose múltipla e a diabetes tipo 1, que não era conhecido anteriormente.
O consumo elevado de sal já é conhecidamente um fator que aumenta as chances de problemas cardíacos e de hipertensão.
Hafler ficou interessado em estudar o link entre o sal e doenças autoimunes através de estudos do microbioma intestinal, um censo dos micróbios e das funções celulares de cem indivíduos saudáveis.
O grupo identificou que, quando as pessoas no estudo iam a restaurantes de fast food mais do que uma vez por semana, havia um incremento nos níveis de células inflamatórias destrutivas, que são produzidas pelo sistema imune para responder a um ferimento ou a invasores externos, mas que, em doenças autoimunes, atacam também os tecidos saudáveis.
Ele compartilhou sua descoberta com pesquisadores de Harvard, do MIT e outros colegas, que também buscavam fatores de indução das atividades de um tipo de célula autoimune conhecida como Th17.
As células Th17 podem promover inflamações que são importantes para combater patógenos, mas que também são relacionadas a doenças como esclerose múltipla, psoríase e artrite reumatoide. O tratamento para alguma dessas doenças, como a psoríase, inclui a manipulação da função da célula Th17.

7783 – Religião – O que é a Cabala?


Cabala

Qual a origem do Universo? Por que estamos aqui? De onde vem a vida? O que acontece depois da morte? Imagine se você pudesse fazer todas essas perguntas diretamente para a autoridade máxima no assunto. Isso mesmo: que tal ter uma conversa com Deus e ouvir dele todas as respostas? Agora imagine que as respostas já existem, e foram passadas de geração a geração por um grupo de sábios estudiosos, do início dos tempos até os dias de hoje. Pois essa é a definição da cabala: uma revelação feita por Deus para os homens, capaz de esclarecer todos os mistérios que rondam a humanidade.

No princípio, Deus criou os céus e a Terra. “Faça-se a luz”, e a luz foi feita. Depois, Deus criou o homem e o chamou Adão. Findos os 7 dias da Criação, o Senhor viu que tinha feito algo bom. O homem habitava o paraíso e tinha contato direto e constante com Ele. E daí Deus resolveu passar ao homem toda a sabedoria da cabala. “Adão conhecia a cabala”, dizem alguns praticantes. O assunto, porém, é controverso entre os próprios cabalistas. Teria o conhecimento da cabala sido passado de Adão a seus descendentes até Noé, depois até Abraão, Moisés e em seguida aos grandes mestres históricos, que selecionavam rigorosamente aqueles que estariam aptos a ser seus discípulos?
Cabala não é religião, autoajuda, superstição, magia, bruxaria, sociedade secreta, meditação, adivinhação, interpretação de sonhos, ioga, hipnose ou espiritismo, embora possa estar relacionada a todas essas coisas. Agora fica mais simples entender o que a cabala É: um conjunto de ensinamentos sobre Deus, o homem, o Universo, a Criação, o Caminho, a Verdade e coisas afins; uma revelação de Deus para o homem.
A cabala é uma forma de misticismo, pois ensina que é possível ao homem ter contato direto com esferas superiores da realidade, ou mesmo com manifestações do próprio Criador. Portanto, de um modo simplificado, a cabala é o misticismo judaico, ou a corrente mística ligada à tradição do judaísmo, para ser mais exato.

No grosso modo, a cabala está para o judaísmo assim como o gnosticismo está para o cristianismo e o sufismo está para o islã. Gnosticismo e sufismo são as correntes místicas ligadas respectivamente às tradições cristã e muçulmana. Como misticismos, essas 3 correntes têm muito em comum.
Se a cabala é um tipo de misticismo, talvez seja o caso de explicar: o que é misticismo? Em poucas palavras, é a crença na possibilidade de percepção, identidade, comunhão ou união com uma realidade superior, representada como divindade(s), verdade espiritual ou o próprio Deus único, por meio de forte intuição ou de experiência direta em vida. Na intenção de atingir esse tipo de experiência, as tradições místicas fornecem ensinamentos e práticas específicos, como meditação e aperfeiçoamento pessoal consciente.
Durante séculos, especialmente após a destruição do Segundo Templo em Jerusalém pelos romanos, no ano 70, a sabedoria da cabala foi cuidadosamente transmitida “por mestres iluminados somente a pequenos grupos de seus discípulos mais brilhantes e inspirados”, conta Alanati. Os discípulos ideais eram homens maduros (mais de 40 anos), pais de família, de comportamento exemplar e ávidos por descobrir os segredos do Universo. Não eram muitos, portanto, aqueles que se tornavam mestres e davam continuidade à transmissão do conhecimento oral.
Para boa parte dos cabalistas, as restrições tinham uma razão clara: o público não estava preparado para receber esses ensinamentos.