9651 – Arqueologia – Sítios deram apoio a tese polêmica sobre a ocupação da América


Houve um tempo em que o sítio arqueológico Boqueirão da Pedra Furada estava no epicentro de uma longa e azeda controvérsia científica: a antiguidade da ocupação humana das Américas. Que o Parque Nacional da Serra da Capivara esteja à beira de fechar é só mais uma oportunidade perdida na pátria das oportunidades perdidas.
A polêmica já teve como desfecho a quebra do chamado paradigma Clovis. O nome vem de um sítio no Novo México (EUA) que seria o mais representativo dos primeiros ocupantes do Novo Mundo.
Mais dogma que paradigma, a hipótese rezava que todas as populações pré-colombianas descendiam de caçadores-coletores da Ásia que teriam alcançado este continente por uma passagem de terra no estreito de Bering há 13 mil anos –e não mais.
A antropóloga Niède Guidon foi uma das primeiras a se levantar contra Clovis. Nos anos 1970, participou de um estudo científico pioneiro naquela região do Piauí, que conta com um milhar de abrigos cobertos de pinturas rupestres. Para ela, ali estavam os vestígios mais antigos do homem americano.
Guidon não teve entre arqueólogos o sucesso obtido –de início– em criar o parque. Nunca conseguiu convencer a maioria dos especialistas de que os pedaços de carvão de Pedra Furada, datados de 50 mil anos atrás, tivessem feito parte de uma fogueira construída por mãos humanas e não fossem produto de um incêndio natural.
O Museu do Homem Americano em São Raimundo Nonato ainda fala em ocupação de 50 mil anos, mas isso não é levado a sério fora dali.
Clovis está enterrado. A teoria que vier a substituí-lo, porém, estará baseada nas datações de sítios como Monte Verde (Chile) ou Paisley (Oregon, EUA), que apontam para uma leva de migração 14 mil ou 15 mil anos atrás.
A última promessa da Serra da Capivara é a Toca da Tira-Peia, com artefatos datados de 22 mil anos atrás.
Mas como esperar que a pesquisa no sítio receba todos os recursos para tornar essa datação inquestionável, se nem o parque nacional o país se dispõe a sustentar?

9650 – Biologia – Aves voam em conjunto para economizar energia


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Uma equipe de cientistas desvendou o segredo do voo dos pássaros em conjunto. No estudo, publicado na revista Nature na última quinta-feira, os pesquisadores liderados pelo Royal Veterinary College, da Universidade de Londres, mostram como a formação em “V” característica de aves migratórias é a estratégia ideal para poupar energia.
Para comprovar que o voo das aves é feito com sincronia, precisão e eficácia, a equipe desenvolveu sensores especiais para captar a velocidade, direção e batida das asas de catorze íbis criados em cativeiro no zoológico de Viena, na Áustria. Em ultraleves, alguns dos pesquisadores ensinaram aos pássaros a voar em conjunto e seguiram com eles em uma rota migratória da Áustria à Itália.
Com os dados recebidos pelos sensores acoplados às aves durante o voo, foi possível analisar como os pássaros posicionam-se no ar em pontos específicos que favorecem o menor esforço. A ave de trás aproveita o movimento ondulatório do ar provocado pelas asas da ave da frente. Ou seja, o primeiro pássaro faz a maior parte do esforço do bando – e é por isso que os pássaros se revezam em quem toma a dianteira do voo. As asas entram em sincronia para que o bando possa voar usando o menor esforço possível. Isso seria importante para longos voos, como as migrações.

9648 – Mortalidade por câncer cai drasticamente nos EUA


O risco de morrer de câncer nos Estados Unidos caiu 20% em 20 anos, o que reflete avanços na prevenção e no tratamento da doença, segundo o último relatório da Sociedade Americana Contra o Câncer (ACS), divulgado nesta terça-feira.
De 2006 a 2010, últimas estatísticas disponíveis, a incidência de câncer diminuiu 0,6% ao ano entre os homens e permaneceu estável entre as mulheres. Já a taxa de mortalidade caiu 1,8% ao ano entre eles e 1,4% entre elas. Essa diminuição se traduz em 1,34 milhão de mortes evitadas (952 700 homens e 387 700 mulheres) durante este período.
A redução varia de acordo com a idade, a origem étnica e o sexo dos doentes, passando de uma taxa de mortalidade que continua imutável entre mulheres brancas de 80 anos para uma queda de 55% entre homens negros de 40 a 49 anos.
Mesmo assim, entre todos os grupos étnicos, os negros americanos registram a maior incidência de câncer e de morte provocada pela doença – o dobro dos casos comparados aos asiáticos, os menos afetados. Segundo o relatório, “essa disparidade racial é explicada, sobretudo, pelas diferenças de tratamento no momento do diagnóstico”.​

Novos casos
O relatório da ACS prevê 1 660 000 novos casos de câncer nos Estados Unidos em 2014, assim como 585 720 mortes – 1 600 por dia – como resultado da enfermidade.
Entre os homens, os tumores de próstata, pulmão e cólon serão a metade dos diagnósticos do ano. No caso das mulheres, os três tipos mais incidentes serão mama, pulmão e cólon, que representarão metade dos casos.

9647 – História da Medicina – A Peste Negra


Embora haja desacordo, as estimativas são de 75 a 200 milhões de mortes. Estudiosos mais conservadores estimam que a população mundial de 450 milhões teria caído para 350 a 370 milhões.
A bactéria causadora da epidemia teve origem na China ou na Ásia Central, de onde viajou pela rota da seda, nos intestinos das pulgas que infestavam os ratos. Chegando ao Mediterrâneo, os ratos se encarregaram de levá-las para os navios, que disseminaram a doença pelos portos em que atracavam.
Relatos históricos dão conta do sofrimento humano. O poeta Boccaccio, que viveu em Florença nessa época, fez a seguinte descrição:
“Em homens e mulheres, ela se manifesta pela emergência de certos tumores nas virilhas e axilas, alguns dos quais chegam ao tamanho de uma maçã; outros, ao de um ovo… Dessas duas regiões do corpo esses tumores mortais logo começam a propagar-se e a espalhar-se em todas as direções; depois disso, a apresentação se modifica, em muitos casos manchas negras ou lívidas aparecem nos braços, nas coxas e outras partes, de início poucas e grandes, mais tarde pequenas e numerosas. Assim como os tumores, as manchas negras são sinais infalíveis de que a morte se aproxima daqueles nos quais se manifestam”.
Faltou dizer que a febre atingia 41 graus, os vômitos eram sanguinolentos, e que alguns desenvolviam complicações pulmonares, enquanto outros se curavam espontaneamente. Cerca de 80% iam a óbito em uma semana, proporção que aumentava para 90% quando havia comprometimento pulmonar e beirava 100% nos casos de septicemia.
As explicações para as epidemias de peste que já afligiam a Europa nos tempos de Justiniano, no século 8, eram imaginativas: conjunção de três planetas que espalharia pestilência no ar, terremotos, mendigos, peregrinos, estrangeiros, envenenamento dos poços de água pelos judeus (sempre eles), suposições que justificavam massacres sangrentos.
Foi apenas em 1894, quando um grupo de bacteriologistas visitou Hong Kong, que o agente etiológico, a Yersinia pestis, foi identificado por Alexandre Yersin.
Curiosamente, mesmo antes dos antibióticos, os casos mais recentes de peste não provocavam mortalidade elevada. As bactérias daqueles tempos seriam mais virulentas ou as pessoas mais fracas e desnutridas?
O advento de técnicas modernas de sequenciamento de DNA tem ajudado a decifrar essa questão. Um grupo de canadenses e americanos extraiu o DNA encontrado em dentes e ossos de pessoas enterradas no cemitério de East Smithfield, em Londres, última morada das vítimas da peste do século 14.
Em 2011, os resultados publicados na revista Nature mostraram que a Yersinia pestis daquela época está extinta, de fato. O genoma desse ancestral, no entanto, é bastante similar ao da bactéria de hoje.
Trabalhando com amostras antigas e recentes da bactéria, outros grupos observaram que a peste europeia foi causada por uma das 11 cepas que já circulavam na época de Justiniano. Entre os séculos 6 e 8, teria ocorrido um “big bang” de diversidade entre as yersínias, surgindo cepas novas dotadas de agressividade variável.
De acordo com esse modelo, deslocamentos humanos como os das Cruzadas e outras guerras, teriam criado pressões seletivas para que as bactérias se adaptassem rapidamente a ambientes estranhos e novos hospedeiros. Nessa luta pela sobrevivência, teriam levado vantagem as yersínias mais virulentas.
A partir de 1351, quando a epidemia europeia arrefeceu, a cepa virulenta que lhe havia dado origem pôde replicar-se com menos frequência, tornando-se mais estável, portanto mais semelhante às que circulam hoje entre seres humanos e roedores.
Estudos como esses têm sido realizados com os agentes de enfermidades responsáveis pelas mortes em massa do passado: varíola, tuberculose, hanseníase, sífilis e até o da praga da batata que matou de fome um milhão de irlandeses, entre 1845 e 1852.
Na santa ignorância em que viviam, quando nossos antepassados medievais imaginariam que, séculos mais tarde, desvendaríamos os segredos mais íntimos dos germes que lhes tiraram a vida?

9646 – Medicina – A Radioterapia


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É um tratamento oncológico que consiste no uso de ondas eletromagnéticas para a destruição de células tumorais. Mais seletiva que a quimioterapia, esse método busca atingir somente as áreas com células em processo de divisão descontrolada.
O esquema de aplicação é decidido caso a caso e pode ser até diário. Os efeitos colaterais dependem muito do local de incidência, mas de forma geral são menos desagradáveis que os da quimioterapia e na maioria das vezes limitam-se a problemas de pele, como ressecamento, queimaduras e descamação. Se a radiação for direcionada para regiões como genitais ou medula, podem haver efeitos específicos como azoospermia (ausência de espermatozoides no sêmen), anovulação (não liberação de óvulo) e leucopenia (diminuição da quantidade de leucócitos).

9645 – Butantan Alerta Sobre os Riscos da ‘VACINA DO SAPO’


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O Instituto Butantan, um dos maiores centros de pesquisa biomédica do mundo, alerta sobre os riscos da “vacina do sapo”, técnica indígena que promete força, resistência e até mesmo a cura de diversas doenças, entre elas câncer e depressão, pela injeção de veneno da perereca-verde Phyllomedusa bicolor, popularmente conhecida como kambô.
O biólogo Carlos Jared, diretor do Laboratório de Biologia Celular do instituto, ressalta que ainda é muito prematuro falar sobre os benefícios dessa substância. “Só temos 30 anos de estudos sobre os efeitos dos veneno dos anfíbios. Se comparado com as pesquisas do veneno de cobras, por exemplo, que vem sendo estudado desde o século XVII, ainda estamos só no começo. Nunca houve uma ação de saúde pública direta para estudá-lo. Seria importante coletar o veneno bruto do animal, passá-lo por um processo de separação química, isolar cada substância e estudá-las separadamente para, assim, afirmarmos veementemente sua eficácia. Mas para isso é preciso tempo, já que o processo é longo e trabalhoso.”
Embora cause sintomas incômodos , a ingestão do veneno vem atraindo cada vez mais adeptos devido à reação momentânea de bem-estar que provoca. A sensação é reflexo da presença comprovada de opioides produzidos pelas glândulas do animal. Esse grupo de fármaco natural atua em alguns receptores neurais amenizando a dor. Entretanto, uma série de outros componentes também faz parte do veneno, sendo que a maioria tem função desconhecida pela ciência. Algumas substâncias presentes na glândula podem causar vômitos, diarreia, taquicardia, sudorese e alterações de pressão, entre outros sintomas.
Há quem acredite que o vômito é importante para purificar o corpo, mas o diretor explica que a reação, bastante comum, é uma “arma” do anfíbio contra o seu predador. “Os venenos dos anfíbios, que ficam localizados sob a pele do animal, são passivos, liberados apenas por pressão do predador. É preciso que o predador ingira o animal para que o veneno seja expelido, diferentemente das cobras, que envenenam com a mordida. Caso o sapo seja engolido, a função do veneno é provocar vômito para que ele seja regurgitado. Se esses efeitos já são intensos pelo contato com a mucosa da boca, quando colocados em contato direto com a corrente sanguínea são muito mais fortes e aparecem em questão de segundos.”
Para a aplicação da ‘vacina do sapo’ são feitos de sete a nove orifícios no braço (em caso dos homens) ou na perna (em mulheres) com um pedaço de madeira quente. A secreção venenosa extraída da pele do sapo é inserida embaixo da pele com um canivete.
Jared reforça que a técnica não é recomendada por especialistas, nem reconhecida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “Embora possa existir uma mística, um glamour por ser um tratamento natural, ela causa efeitos desagradáveis, provocados por substâncias conhecidas. Fora isso, existem vários outros elementos nesse ‘caldeirão da bruxa’ que não sabemos o que são e o que podem provocar.”
A “vacina do sapo” é bastante utilizada pelos índios da Amazônia brasileira e peruana em rituais antes da caça. O intuito é aproveitar a sensação de bem-estar provocada após os efeitos colaterais. “A técnica é bastante interessante dentro do contexto da cultura indígena. Mas os índios, além de terem outros costumes, possuem mais resistência aos efeitos colaterais do que nós, que não estamos acostumados com a substância”.

9644 – Bê a bá da Genética


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Clonagem é um mecanismo comum de propagação da espécie em plantas ou bactérias. De acordo com Webber (1903), o clone é definido como uma população de moléculas, células ou organismos que se originaram de uma única célula e que são idênticas à célula original e entre si.
Em humanos, clones naturais são os gêmeos idênticos que se originam da divisão de um único óvulo fertilizado. A grande revolução que a Dolly provocou abriu caminho para a possibilidade de clonagem humana. Pela primeira vez, ficou patente que era possível clonar um mamífero, isto é, produzir uma cópia geneticamente idêntica a partir de uma célula somática diferenciada. Para entendermos por que essa experiência foi surpreendente, precisamos recordar um pouco de embriologia.
Todos nós já fomos uma célula única, resultante da fusão de um óvulo com um espermatozoide. Essa primeira célula já tem, em seu núcleo, o DNA com toda a informação genética necessária para gerar um novo ser. Nas células, o DNA fica extremamente condensado e organizado em cromossomos. Com exceção das nossas células sexuais, o óvulo e o espermatozoide que têm 23 cromossomos, todas as outras células do nosso corpo têm 46 cromossomos. Em cada uma delas, existem 22 pares que são iguais nos dois sexos, os chamados autossomos, e um par de cromossomos sexuais : XX no sexo feminino e XY no sexo masculino. As células com 46 cromossomos são chamadas células somáticas.

Voltemos agora a nossa primeira célula resultante da fusão do óvulo e do espermatozoide. Logo após a fecundação, ela começa a dividir-se: uma célula em duas, duas em quatro, quatro em oito e assim por diante. Pelo menos até a fase de oito células, cada uma delas é capaz de desenvolver-se num ser humano completo. Por isso, são chamadas de totipotentes. Na fase de 8 a 16 células, as células do embrião se diferenciam em dois grupos: um grupo de células externas, que vão originar a placenta e os anexos embrionários, e uma massa de células internas que vai originar o embrião propriamente dito. Setenta e duas horas depois da fecundação, esse embrião agora com cerca de 100 células passa a ser chamado de blastocisto. É nessa fase que ocorre sua implantação na cavidade uterina. As células internas do blastocisto que vão originar as centenas de tecidos que compõem o corpo humano são chamadas de células-tronco embrionárias pluripotentes.

Num dado momento, porém, as células somáticas, que até então eram todas iguais, começam a diferenciar-se nos vários tecidos que vão compor o organismo: sangue, fígado, músculos, cérebro, ossos, etc… Os genes que controlam essa diferenciação e o processo pelo qual isso ocorre ainda é um mistério.

O que sabemos é que, uma vez diferenciadas, as células somáticas perdem a capacidade de originar qualquer tecido. As descendentes de uma célula diferenciada vão manter as mesmas características daquela que as originou, isto é, células de fígado vão originar células de fígado, células musculares vão originar células musculares e assim por diante. Apesar do número de genes e do DNA serem iguais em todas as células do nosso corpo, nas células somáticas diferenciadas, os genes se expressam de maneira diferente em cada tecido, isto é, a expressão gênica é específica para cada tecido. Com exceção dos genes responsáveis pela manutenção do metabolismo celular (“housekeeping genes”) que se mantêm ativos em todas as células do organismo, só irão funcionar em cada tecido ou órgão os genes importantes para sua manutenção. Os outros se mantêm “silenciados” ou inativos.

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O PROCESSO DE CLONAGEM REPRODUTIVA

A grande notícia que a Dolly trouxe consigo foi justamente a descoberta de que uma célula somática de mamífero, já diferenciada, poderia ser reprogramada ao estágio inicial e voltar a ser totipotente. Isso foi conseguido transferindo o núcleo de uma célula somática da glândula mamária da ovelha que originou Dolly para um óvulo enucleado que, surpreendentemente, começou a comportar-se como um óvulo recém fecundado por um espermatozoide. Isso provavelmente ocorreu porque o óvulo, quando fecundado, tem mecanismos — para nós ainda desconhecidos – para reprogramar o DNA de modo a tornar todos os seus genes novamente ativos, o que ocorre no processo normal de fertilização.

Para obtenção de um clone, o óvulo enucleado para o qual foi transferido o núcleo da célula somática foi inserido no útero de outra ovelha. No caso da clonagem humana reprodutiva, a proposta seria retirar-se o núcleo de uma célula somática, que teoricamente poderia ser de qualquer tecido de uma criança ou de um adulto, inserir esse núcleo em um óvulo e implantá-lo num útero (que funcionaria como barriga de aluguel). Se esse óvulo conseguir desenvolver-se, teremos um novo ser com as mesmas características físicas da criança ou do adulto de quem foi retirada a célula somática. Seria como um gêmeo idêntico nascido posteriormente.

Já sabemos que não é um processo fácil. Dolly só nasceu depois de 276 tentativas que fracassaram. Além disso, dentre as 277 células “da mãe de Dolly“ que foram inseridas num óvulo sem núcleo, 90% não alcançaram nem o estágio de blastocisto. A tentativa posterior de clonar outros mamíferos, tais como camundongos, porcos, bezerros, um cavalo e um veado, também tem mostrado eficiência muito baixa e proporção muito grande de abortos e embriões malformados. Penta, a primeira bezerra brasileira clonada a partir de uma célula somática adulta, em 2002, morreu com um pouco mais de um mês. Ainda em 2002, foi anunciada a clonagem do “copycat” o primeiro gato de estimação clonado a partir de uma célula somática adulta. Para isso, foram utilizados 188 óvulos que geraram 87 embriões e apenas um animal vivo. Na realidade, experiências recentes, com diferentes modelos animais têm mostrado que a reprogramação dos genes para o estágio embrionário, processo que originou Dolly, é extremamente difícil.

O grupo liderado por Ian Wilmut, cientista escocês que se tornou famoso por essa experiência, afirma que praticamente todos os animais clonados nos últimos anos a partir de células não embrionárias estão com problemas (Rhind , 2003). Entre os diferentes defeitos observados nos pouquíssimos animais que nasceram vivos após inúmeras tentativas, observam-se placentas anormais, gigantismo em ovelhas e gado, defeitos cardíacos em porcos, problemas pulmonares em vacas, ovelhas e porcos, problemas imunológicos, falha na produção de leucócitos, defeitos musculares em carneiros. De acordo com Hochedlinger e Jaenisch (2003), os avanços recentes em clonagem reprodutiva permitem quatro conclusões importantes: 1) a maioria dos clones morre no início da gestação; 2) os animais clonados têm defeitos e anormalidades semelhantes independentemente da célula doadora ou da espécie; 3) essas anormalidades provavelmente ocorrem por falhas na reprogramação do genoma; 4) a eficiência da clonagem depende do estágio de diferenciação da célula doadora. De fato, a clonagem reprodutiva a partir de células embrionárias tem mostrado uma eficiência de 10 a 20 vezes maior provavelmente porque os genes que são fundamentais no início da embriogênese estão ainda ativos no genoma da célula doadora. (Hochedlinger e Jaenisch, 2003)

É interessante que, dentre todos os mamíferos que já foram clonados, a eficiência é um pouco maior em bezerros (cerca de 10% a 15%). Por outro lado, um fato intrigante é que ainda não se tem notícia de macaco ou cachorro que tenha sido clonado. Talvez seja por isso que a cientista inglesa Ann McLaren afirme que as falhas na reprogramação do núcleo somático possam constituir uma barreira intransponível para a clonagem humana.
Mesmo assim, pessoas como o médico italiano Antinori ou a seita dos raelianos defendem a clonagem humana, procedimento que tem sido proibido em todos os países. Na realidade, em documento assinado em 2003, as academias de ciências de 63 países, inclusive do Brasil, pedem o banimento da clonagem reprodutiva humana. O fato é que a simples possibilidade de clonar humanos tem suscitado discussões éticas em todos os segmentos da sociedade. Por que clonar? Quem deveria ser clonado ? Quem iria decidir? Quem será o pai ou a mãe do clone? O que fazer com os clones que nascerem defeituosos?, são questões sempre em pauta.

Na verdade, o maior problema ético atual é o enorme risco biológico associado à clonagem reprodutiva. No meu entender, seria a mesma coisa que discutir os prós e os contras da liberação de uma medicação nova, cujos efeitos são devastadores e ainda totalmente incontroláveis.

Apesar de todos os argumentos contra a clonagem humana reprodutiva, experiências com animais clonados têm-nos ensinado muito acerca do funcionamento celular. Por outro lado, a tecnologia de transferência de núcleo para fins terapêuticos, a chamada clonagem terapêutica, poderá ser extremamente útil para obtenção de células-tronco.

A TÉCNICA DE CLONAGEM TERAPÊUTICA PARA OBTENÇÃO DE CÉLULAS-TRONCO

Se pegarmos o óvulo cujo núcleo foi substituído pelo núcleo de uma célula somática e, em vez de inseri-lo em um útero, deixarmos que ele se divida no laboratório, teremos a possibilidade de usar essas células que, na fase de blastocisto, são pluripotentes, para fabricar diferentes tecidos. Isso abrirá perspectivas fantásticas para futuros tratamentos, porque hoje só se consegue cultivar em laboratório células com as mesmas características do tecido de onde foram retiradas. É importante que as pessoas entendam que, na clonagem para fins terapêuticos, serão gerados apenas tecidos, em laboratório, sem implantação do óvulo no útero. Não se trata de clonar um feto até alguns meses dentro do útero para depois retirar-lhe os órgãos, como alguns acreditam. Também não há por que chamar esse óvulo, após a transferência de núcleo, de embrião porque ele nunca terá esse destino.

Pesquisa publicada na revista Science, por um grupo de cientistas coreanos (Hwang e col, 2004) confirmou a possibilidade de obter células-tronco pluripotentes a partir da técnica de clonagem terapêutica ou transferência de núcleos (TN). O trabalho foi feito graças a participação de 16 mulheres voluntárias que doaram ao todo 242 óvulos e células cumulus (células que ficam ao redor dos óvulos) para contribuir com pesquisas visando à clonagem terapêutica. As células cumulus, que já são diferenciadas, foram transferidas para os óvulos dos quais haviam sido retirados os núcleos. De todos eles, 25% conseguiram dividir-se e chegar ao estágio de blastocisto, portanto capazes de produzir linhagens de células-tronco pluripotentes.

A clonagem terapêutica teria a vantagem de evitar rejeição se o doador fosse a própria pessoa. Seria o caso, por exemplo, de reconstituir a medula em alguém que se tornou paraplégico após um acidente ou para substituir o tecido cardíaco comprometido por um infarto. Entretanto, essa técnica tem limitações. No caso dos afetados por doenças genéticas, o doador não poderia ser a própria pessoa, pois a mutação patogênica causadora da doença está presente em todas as células. Usar linhagens de células-tronco embrionárias de outra pessoa pode provocar o problema da compatibilidade entre o doador e o receptor. Seria o caso, por exemplo, de um indivíduo afetado por distrofia muscular progressiva que necessita substituir tecido muscular.

Ele não poderia utilizar-se de suas próprias células-tronco, mas teria de recorrer a um doador compatível, eventualmente, um parente próximo. Além disso, não sabemos se as células obtidas de uma pessoa idosa com doença de Alzheimer, por exemplo, uma vez clonadas, teriam a mesma idade do doador ou seriam células jovens. Outra questão em aberto seria a reprogramação dos genes que poderiam inviabilizar o processo, dependendo do tecido ou do órgão a ser substituído.

Em resumo, por mais que sejamos favoráveis à clonagem terapêutica, trata-se de uma tecnologia que necessita de muita pesquisa antes de ser aplicada no tratamento clínico. Por esse motivo, a curto prazo, a grande esperança para terapia celular vem da utilização de células-tronco de outras fontes.

TERAPIA CELULAR COM OUTRAS FONTES DE CÉLULAS-TRONCO

a) Indivíduos adultos

Existem células-tronco em vários tecidos (medula óssea, sangue, fígado) de crianças e adultos. Entretanto, a quantidade é pequena e não sabemos ainda em que tecidos são capazes de diferenciar-se. Pesquisas recentes mostraram que células-tronco retiradas da medula de indivíduos com problemas cardíacos foram capazes de reconstituir o músculo do seu coração, o que abre perspectivas fantásticas para o tratamento de problemas cardíacos. A maior limitação dessa técnica – autotransplante -, porém, é não servir para portadores de doenças genéticas.
É importante lembrar que as doenças genéticas afetam entre 3% e 4% das crianças que nascem, ou seja, mais de cinco milhões de brasileiros, se considerarmos uma população de 170 milhões de habitantes. É verdade que nem todas as doenças genéticas poderiam ser tratadas com células-tronco, mas, se pensarmos somente nas doenças neuromusculares degenerativas que afetam uma em cada mil pessoas, estaremos falando em quase 200.000 pacientes.

b) Cordão umbilical e placenta

Pesquisas recentes vêm mostrando que o sangue do cordão umbilical e da placenta são ricos em células-tronco. Entretanto, também não sabemos ainda qual é o potencial de diferenciação dessas células em diferentes tecidos. Se as pesquisas com células-tronco de cordão umbilical derem os resultados esperados, isto é, se as células-tronco forem realmente capazes de regenerar tecidos ou órgãos, essa será certamente uma notícia fantástica, porque não envolve questões éticas. Ainda assim, porém, teremos de resolver o problema de compatibilidade entre as células-tronco do cordão doador e o receptor. Para tanto, será necessário criar, com a maior urgência, bancos de cordão públicos à semelhança dos bancos de sangue, porque se sabe que quanto maior o número de amostras de cordão em um banco, maior a chance de achar um doador compatível.

Experiências recentes já demonstraram que o sangue do cordão umbilical é o melhor material para substituir a medula em casos de leucemia. Por isso, a criação dos bancos de cordão é prioridade que se justificaria somente pelo fato de servirem de base para o tratamento de doenças sanguíneas, mesmo antes de serem confirmados os resultados de outras pesquisas.

c) Células embrionárias

Se as células-tronco de cordão tiverem a potencialidade desejada, a alternativa será o uso de células-tronco embrionárias obtidas de embriões não utilizados e que são descartados em clínicas de fertilização. Opositores ao uso de células embrionárias para fins terapêuticos argumentam que isso poderia gerar um comércio de óvulos ou que “embriões humanos” seriam destruídos e não é ético destruir uma vida para salvar outra.

ASPECTOS ÉTICOS
Apesar desses argumentos, o uso de células-tronco embrionárias para fins terapêuticos, obtidas tanto pela transferência de núcleo como de embriões descartados em clínicas de fertilização, é defendido por todos aqueles, e são muitos, que poderão beneficiar-se com a aplicação dessa técnica e pela maioria dos cientistas.
As 63 academias de ciência do mundo, que se posicionaram contra a clonagem reprodutiva, defendem as pesquisas com células embrionárias para fins terapêuticos. Em relação aos que acham que a clonagem terapêutica pode abrir caminho para clonagem reprodutiva, devemos lembrar que existe uma diferença intransponível entre os dois procedimentos: a implantação e a não implantação em um útero humano. Basta proibir a implantação no útero!

Se pensarmos que qualquer célula humana pode ser teoricamente clonada e gerar um novo ser, poderemos chegar ao exagero de achar que toda vez que tiramos a cutícula ou arrancamos um fio de cabelo, estamos destruindo uma vida humana em potencial. Afinal, o núcleo de uma célula da cutícula poderia ser colocado em um óvulo enucleado, inserido em um útero e gerar uma nova vida!
Por outro lado, a cultura de tecidos é prática comum em laboratório, apoiada por todos. A única diferença, no caso, seria o uso de óvulos (quando não fecundados são apenas células) que permitiriam a produção de qualquer tecido no laboratório. Ou seja, em vez de poder produzir apenas um tipo de tecido, já especializado, o uso de óvulos permitiria fabricar qualquer tipo de tecido. O que há de antiético nisso?
Quanto ao comércio de óvulos, não seria a mesma coisa do que já ocorre com o transplante de órgãos? Não é mais fácil doar um óvulo do que um rim? Cada um de nós pode fazer a si próprio esta pergunta: “Eu doaria um óvulo para ajudar alguém? Para salvar uma vida?”.
No que se refere à destruição de “embriões humanos”, novamente devemos lembrar que estamos falando de cultivar tecidos ou, futuramente, órgãos a partir de embriões que são normalmente descartados e que nunca serão inseridos em um útero. Sabemos que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e inseridos num útero nas melhores condições possíveis não geram vida. Além disso, um trabalho recente (Mitalipova et al., 2003) mostrou que células obtidas de embriões de má qualidade, que não teriam potencial para gerar uma vida, mantêm a capacidade de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e, portanto, de gerar tecidos.
Em resumo, é justo deixar morrer uma criança ou um jovem afetado por uma doença neuromuscular letal para preservar um embrião cujo destino é o lixo? Um embrião que, mesmo implantado em um útero, teria potencial baixíssimo de gerar um indivíduo? Ao usar células-tronco embrionárias para regenerar tecidos em uma pessoa condenada por uma doença letal, na realidade não estamos criando vida? Isso não é comparável ao que se faz hoje nos transplantes, quando se retira os órgãos de uma pessoa com morte cerebral (mas que poderia permanecer em vida vegetativa indefinidamente)?
É extremamente importante que as pessoas entendam a diferença entre clonagem humana, clonagem terapêutica e terapia celular com células-tronco embrionárias antes de assumir uma posição contrária. Por outro lado, também não podemos acreditar que as células-tronco sejam capazes de curar todas as doenças humanas. As pesquisas que estão se iniciando agora serão fundamentais para responder inúmeras questões sobre o potencial das células-tronco adultas em comparação com o das embrionárias, sobre as doenças que poderão ser tratadas e quais serão os benefícios e riscos da terapia celular.

9643 – Planeta Gelado – O Oceano Antártico


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Também conhecido como Oceano Glacial Antártico é o conjunto das águas que banham o Continente Antártico, mas que em realidade constituem o prolongamento meridional do oceano Atlântico, oceano Pacífico e oceano Índico. Muitos cientistas, oceanógrafos e geógrafos, não reconhecem a existência do oceano Antártico, considerando-o como uma junção de partes dos outros oceanos.
O oceano Antártico se estende desde a costa antártica até à latitude de os 60° S; limite convencional com o Oceano Atlântico, o Oceano Pacífico e o Oceano Índico. É o penúltimo oceano em extensão (só o oceano Ártico é menor). Formalmente, sua extensão foi definida pela Organização Hidrográfica Internacional no ano 2000 e coincide com os limites fixados pelo tratado Antártico.
O Oceano Antártico é o único a rodear o globo de forma completa, e circula completamente a Antártida. Tem uma superfície de 20.327.000 km², uma cifra que compreende aos mares periféricos: o mar de Amundsen, o mar de Bellingshausen, parte da passagem de Drake, o mar de Ross e o mar de Weddell. A terra firme que borda o oceano tem 17.968 km de costa.
Juridicamente, pelo tratado da Antártica, assinado dia 1 de janeiro de 1956, o oceano Antártico e o continente Antártico seriam de responsabilidade dos seguintes países, para usos pacíficos e científicos; Chile, Argentina, Austrália, Bélgica, Estados Unidos, Brasil, França, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido, África do Sul e Rússia (como herdeira da União Soviética).
No projeto da 4.ª edição foram consultados em 1972 os países membros da OHI. Até 1976 haviam respondido 32 países expressando a maioria sua preferência pelo nome Antarctic Ocean. Somente Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido se pronunciaram a favor do nome Southern Ocean e o Chile preferiu Antarctic Glacial Ocean. O Brasil e os Estados Unidos se opuseram à definição de um novo oceano. Sobre o limite norte existiram divergências com projetos apresentados pelo Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Noruega e por vários países que propuseram a linha da convergência antártica. Em 1986 foi decidido não incluir o oceano Antártico no projeto da 4° edição, que foi reprovado em 1998.4
Um novo projeto foi posto em consideração aos 68 países membros da OHI, sendo que até 1999 28 responderam favoravelmente à definição de um novo oceano rodeando a Antártida e a Argentina respondeu negativamente.5 18 países aceitaram que o nome em inglês do novo oceano fosse Southern Ocean, enquanto que o restante preferiu Antarctic Ocean. Com relação ao limite norte, 14 votos foram para que fosse o paralelo 60° Sul, 7 para que fosse o paralelo 50° Sul, 5 aceitaram a proposta australiana e 3 prefeririam o paralelo 35° Sul.
A temperatura do mar varia de +10 °C a -2 °C. Tempestades ciclônicas se movem do leste girando ao redor do continente antártico e são frequentemente de forte intensidade, e são a causa da diferença de temperatura entre os gelos e o oceano aberto.
A superfície oceânica está entre os 40° de latitude sul e a Corrente Circumpolar Antártica que tem os ventos mais fortes do planeta. No inverno o oceano se estende até os 65° S em direção ao Pacífico e até os 55° S em direção ao Atlântico, deixando a temperatura superficial abaixo de zero. Em algumas costas, os fortes e constantes ventos provenientes do interior mantém a costa livre de gelo também no inverno.
A camada que se forma ao redor do continente antártico, é de aproximadamente 1 m de profundidade, possui pelo menos 2,6 milhões de km² em março e chega ao máximo de 18,8 milhões de km² em setembro, um aumento de mais de sete vezes. A Corrente Circumpolar Antártica, de 21.000 km de largura, se move eternamente para leste. É a maior corrente do mundo, e transporta 130 milhões de m³/s, 100 vezes mais que todos os rios da Terra juntos. As ondas podem ser muito altas. Os icebergs antárticos podem possuir dimensões imponentes, estendendo-se por quilômetros e constituem um perigo para a navegação.
O ponto mais profundo do oceano se encontra no extremo meridional da Fossa Sandwich do Sul e alcança 7.235 m de profundidade.
Os glaciares e mantos de gelo antárticos que se estenderam e flutuam sobre a superfície do oceano formam um amplo sistema de plataformas de gelo. Pedaços dessas plataformas que estão ligadas aos glaciares em terra firme se rompem e formam campos de gelo e icebergues (ou iceberg). Devido ao aquecimento global algumas dessas grandes plataformas estão derretendo, contribuindo para o aumento do nível do mar.

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O Oceano Antártico, com uma profundidade geralmente compreendida entre os 4.000 e 5.000 metros, é um oceano profundo com poucas zonas estreitas de águas pouco profundas. A plataforma continental antártica é estreita e relativamente profunda em relação às outras: dos 400 aos 800 metros, contra uma média mundial de 133 metros.
Os recursos naturais do Oceano Antártico ainda não têm sido explorados, mas existem grandes jazidas de petróleo e gás natural nas proximidades do continente antártico.
O Oceano Antártico tem uma biodiversidade imensa e ainda muito pouco explorada. Sua fauna varia de pinguins, pinípedes e cetáceos, até cianobactérias, fitoplâncton e krill, que apesar de pequenos servem de alimento para os animais maiores. A Antártida não tem flora terrestre, sendo a sua única composição vegetal feita por algas marinhas e outros organismos autótrofos.
Dentre os principais portos operacionais estão a Base Rothera, a Base Palmer, a Villa Las Estrellas, a Base Esperanza, a Base Mawson, a Estação McMurdo, e os ancoradouros no mar na Antártida.
Poucos portos existem na costa sul (Antártida) do Oceano Antártico, uma vez que as condições do gelo restringem o uso da maioria das praias para curtos períodos, em pleno verão. E mesmo no verão alguns requerem escolta de navios quebra-gelo para o acesso. A maioria dos portos da Antártida são operados por estações de pesquisa governamentais e, exceto em caso de emergência, permanecem fechados aos navios comerciais ou particulares; navios em qualquer porto ao sul de 60 graus de latitude sul estão sujeitas a inspeção por observadores do Tratado da Antártida.

9642 – Cães – O Rotweiller


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É uma raça canina desenvolvida na Alemanha. Cão criado por açogueiros da região de Rottweil para o trabalho, logo tornou-se um eficiente animal de guarda e pastoreio, além de útil na tração. É reconhecidamente uma das raças mais antigas, já vista no século I em campanhas das legiões romanas pelos Alpes, tanto pastoreando quanto guardando prisioneiros. É dito que Nero mantinha exemplares em seu palácio para desencorajar intrusos. Os rottweilers eram ainda usados para guardar dinheiro em longas jornadas. Devido à sua utilidade, tornou-se popular em todo o mundo. É uma raça descrita como de exemplares inteligentes, bravos e devotados. Fisicamente é um animal forte, de pelagem preta e curta, com marcações em mogno; é robusto e de estrutura compacta, que transparece força, agilidade e resistência.
O Rottweiler é um cão de linhagem muito antiga que se pensa ter surgido numa cidade chamada Arae Flaviae fundada pelos Romanos, aquando das suas incursões no território alemão. Neste contexto, pensa-se que descende de um Mastim, não só pela sua notável inteligência, mas também pela vincada capacidade de trabalho.
A Arae Flaviae corresponde hoje a Rottweill, localizada perto da Floresta Negra. Este cão acompanhou o desenvolvimento da cidade que lhe deu o nome e nela evoluiu, desempenhando diferentes tarefas. Conta-se que inicialmente trabalhou como cão de carga entregando carne, daí que também seja conhecido por Metzgerhund (Cão do Carniceiro). Revelou-se igualmente útil na condução do gado e a puxar pequenos veículos com cargas de leite. Diz-se que alguns comerciantes tinham por hábito guardar, nas coleiras destes cães, o dinheiro que faziam nas feiras, por segurança.
A prosperidade desta raça foi no entanto ameaçada quando, no séc. XVIII, o Governo estabeleceu que o transporte de gado fosse feito por comboio. Tal afectou o “stock” da estirpe naquele país, já que o Rottweiler ao perder uma das suas mais importantes tarefas, deixou de ser tão cobiçado e consequentemente tão largamente criado. Ainda assim, o primeiro registo de um exemplar teve lugar numa exposição canina em Heilbronn, no ano de 1882.
Em 1901, surge um clube que agrupa duas raças: o Rottweiler e o Leonberger. Apesar do seu curto tempo de existência, esta entidade ofereceu-nos o primeiro standard da raça. A partir de então, a história desta raça toma um rumo diferente. Em 1907, surge o Deustcher Rottweiler Klub, em Heiderberg, filiado na Associação Alemã de Cães Polícia e o Internacional Rottweiler Klub, cuja linha de acção privilegiava a beleza da estirpe. A fusão destes dois clubes origina, em 1921, o aparecimento do Allegmeiner Deutscher Rottweiler Klub (ADRK), que publica, em 1924, o primeiro Livro de Origens da raça.
Por volta da I Guerra Mundial, a sua popularidade já há muito que havia sido estabelecida no meio policial, que a nomeara “cão-polícia”, em 1910. Os dois conflitos mundiais foram (tal como nas demais raças) momentos particularmente difíceis para o seu desenvolvimento, mas os esforços que foram sendo realizados pelos seus admiradores revelaram-se bastante positivos.
Em 1935, a raça foi oficialmente reconhecida pelo Kennel Club americano e, no ano seguinte chega á Grã-Bretanha. Em 1966, recebe um registo separado da parte do Kennel Club britânico.

Temperamento
O Rottweiler é uma companhia calma, silenciosa e obediente. Existem porem linhas de cães com temperamentos totalmente opostos. O seu nível de agressividade está muito dependente do tipo de treino que recebe, e é altamente desaconselhável estimulá-lo para o ataque.
Deve ser educado desde pequeno de uma forma sistemática e positiva, para que se torne num companheiro seguro. É aconselhável que o seu o dono possua alguma experiência em lidar com este tipo de perfil, já que estes cães são bastante inteligentes e têm uma personalidade forte. Como cães de guarda são extremamente atentos e são hostis para com os intrusos.
Na sua relação com a família, são animais alegres que gostam de receber atenção do seu dono. Lidam bem com as crianças e com outros animais de estimação, se forem devidamente habituados a conviver com estes.

Descrição
Rottweiler é um cão de porte musculoso e robusto, mas com linhas elegantes e bonitas. Os machos medem nas espáduas cerca de 60 cm e as fêmeas cerca de 56 cm. O seu peso atinge os 50 kg nos primeiros, e os 40 Kg nos segundos.
A pelagem é de tamanho médio e apresenta-se rija. O subpêlo é abundante, curto e denso. As cores permitidas são o vermelho, cinzento lobeiro e o preto (que pode ou não ter marcas mais claras).
A cabeça de raposa é grande e larga entre as orelhas e possui um chanfro acentuado. Os olhos amendoados são castanhos, de expressão calma e segura e as orelhas são pequenas e triangulares, pendendo dobradas para a frente, ligeiramente afastadas da cabeça. O pescoço é vigoroso, terminando num peito largo e forte de costelas bem arqueadas. Os membros anteriores têm os jarretes levemente descaídos. Os posteriores são largos e musculosos e têm os pés ligeiramente maiores que os anteriores. A cauda é amputada curta.

Observações
A esperança média destes cães ronda, aproximadamente, os 10 anos de idade. A sua saúde requer toda a atenção já que são susceptíveis de desenvolver displasia da anca, problemas de visão, epilepsia, hipotireoidismo e cancro.
A manutenção do seu pêlo deve ser efectuado semanalmente com uma escova de arame ou de borracha.
Não são animais exigentes em termos de exercício físico. Apreciam nadar, passeios moderados ou simplesmente brincar. É aconselhável que possam sair pelos menos durante 2 horas por dia.
Estes cães normalmente adaptam-se a viver em espaços menos amplos, mas o ideal é que tenham sempre acesso a uma área devidamente cercada.

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A personalidade do Rottweiler engloba o conjunto de qualidades, habilidades e os atributos físicos e mentais inatos e adquiridos, que determinam o seu comportamento no meio ambiente. Psicologicamente, sua atitude é amistosa e pacífica. Ante um estímulo desagradável, ele age com dureza. Diante de uma real ameaça, porém, seu instindo de defesa é acionado, em virtude do alto desenvolvimento de seu espírito de luta e proteção, resistindo sem medo ou hesitação a experiências dolorosas. Uma vez cessada a ameaça, o instinto de luta se extingue relativamente rápido e retorna normalmente à sua atitude pacífica.
Um temperamento tão forte exige do dono uma atitude de líder perante o Rottweiler. Essa condição está ao alcance da maioria das pessoas, de forma bastante simples, desde que se saiba fazê-lo. Basta disciplinar o comportamento do Rottweiler desde pequeno e ele aceitará os donos como líderes naturalmente e então terão um companheiro fiel e carinhoso para com a família. Esta troca de afeto e contato é de extrema importância para um Rottweiler, pois ele é extremamente apegado à sua família, tornando-o também mais equilibrado para desempenhar sua principal vocação: a guarda. Este convívio entre o dono (líder) e o Rottweiler (liderado) é o fator fundamental para a educação e socialização dele. Um Rottweiler mal-educado e/ou anti-social pode trazer uma série de problemas, desde destruir objetos do quintal, por causa da solidão, até tornar inviável um passeio pela rua, pois, desabituado com outros animais e pessoas, pode tornar-se agressivo com eles. Este problema não é exclusivo da raça, mas torna-a uma vítima comum se for criado isolado da família e do convívio com outros animais.
Uma característica importante que ajuda na educação do Rottweiler é sua elevada inteligência e impressionante memória. Considerada a nona raça mais inteligente, dentre 133 analisadas, no livro A Inteligência dos Cães, de Stanley Coren, um Rottweiler raramente é culpado por ser desobediente. Por isso reforça-se tanto a necessidade de um adestramento básico para o cão. São séculos de aprimoramento da raça para trabalhar junto com seu dono, seja como guarda, boiadeiro e até, em alguns casos, resgate de pessoas. Essa avidez por trabalho do Rottweiler não pode ser negligenciada. Um adestramento básico necessita apenas de uma guia, coleira e boa vontade do próprio dono e o Rottweiler adora ser adestrado. Existe uma bibliografia extensa de livros que ensinam a educar seu cão.
Rottweilers podem (e devem) ser controlados utilizando apenas reprimendas verbais. Além disso, trancos e machucaduras nem sempre funcionam para se obter obediência, porque a resistência à dor é elevada na raça. Evite adestradores demasiadamente ríspidos. Deve-se evitar o confronto físico com seu Rottweiler, pois bem sabemos que não podemos com a força de um adulto, mas ele nunca deve saber disso. Por isso, é de extrema importância que ele nos obedeça prontamente a um comando de voz.
Um Rottweiler obediente vem quando é chamado, segue as normas, senta, deita, aceita ordens e uma bronca moderada, acompanha (e não reboca) o dono nos passeios, tem hábitos de higiêne absolutamente sob controle, deixa o dono dar banho, remédio e fazer curativos e não late desnecessariamente.
Os machos medem aproximadamente entre 60 e 68 cm e pesam entre 45 e 60kg. As fêmeas são um pouco menores, medindo aproximadamente entre 55 e 63cm, pesando algo entre 35 e 45 kg. A altura é relativa à cernelha (nuca) do cão, não levando em conta o pescoço e a cabeça. O Rottweiler é muito forte para o seu tamanho, pois era originalmente um cão de tração também. Por isso um cão adulto pode facilmente derrubar uma pessoa, mesmo durante uma brincadeira. Por isso, não de deve deixá-lo sozinho com crianças muito pequenas (aliás, nenhum cão médio ou grande deve ser deixado só com uma criança pequena) e ter um cuidado maior quando em contato com pessoas muito idosas.

9641 – Geologia – Como se formou o Himalaia?


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A viagem de mais de 6.000 km do continente indiano antes de sua colisão com a Ásia (Eurásia) entre cerca de 40 e 50 milhões de anos atrás.
O Himalaia está entre as formações montanhosas mais jovens do planeta. De acordo com a moderna teoria das placas tectônicas, sua formação é resultado de uma colisão continental, ou então, pelo processo de orogenia (isto é, processo de formação de montanhas) entre os limites convergentes entre as placas Indo-australiana e da Eurásia. A colisão iniciou-se no Cretáceo Superior há cerca de 70 milhões de anos, quando a placa Indo-australiana se moveu rumo ao norte e colidiu com a placa da Eurásia. Há cerca de 50 milhões de anos, com a movimentação rápida da placa Indo-australiana, a junção já havia se estabelecido. Entretanto, a placa, continua a movimentar-se horizontalmente para baixo do planalto do Tibete, forçado a ascendência do planalto. As montanhas de Arakan-Yoma em Mianmar e as ilhas Andamão e Nicobar na Baía de Bengala também se formaram em decorrência dessa colisão.
A placa Indo-australiana ainda se move numa proporção de 67 mm/ano, e nos próximos 10 milhões de anos avançará cerca de 1500 km para o interior da Ásia. Cerca de 20 mm/ano da convergência da Índia com a Ásia é absorvida pelo empuxo ao longo da frente sul do Himalaia. Isto, leva os Himalaias a elevar-se cerca de 5 mm/ano; fazendo com que eles sejam geologicamente ativos. O movimento da placa indiana em direção à placa asiática, também faz esta região ser sismicamente ativa, induzindo terremotos periodicamente.

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9640 – Bioquímica – Aminoácidos como formadores de peptídeos a proteínas


Aminoácidos, ou simplesmente aa, são moléculas orgânicas que apresentam um carbono saturado, denominado de carbono alfa, que realiza uma ligação com um átomo de hidrogênio, com um grupamento amino, com um grupamento ácido e com um radical orgânico qualquer, sendo esta última ligação a que distingue um aminoácido de outro. Com relação à sua denominação, estão presentes as funções amina e ácido carboxílico, obrigatoriamente, em toda molécula de aa. A estrutura elementar de um aa é representada na Figura 1.

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Aminoácidos são geralmente compostos de alta polaridade, uma vez que há somente três possibilidades de apresentarem um átomo de carbono alfa que também não seja quiral. Ou seja, um carbono quiral é aquele que se liga quimicamente a quatro grupos distintos. No caso do carbono alfa, apenas quando o radical diferenciador for um átomo de hidrogênio, um grupo amina ou um grupo ácido é que esse carbono alfa não será também quiral.
No momento em que se tem muitos aa ligados entre si (o número difere dependendo da fonte adotada, mas gira em torno de 100), deixamos de classificar a molécula formada de peptídeo para então a classificarmos como uma proteína.

Proteínas são polímeros biológicos com elevadas massas molares formadas por unidades fundamentais (monômeros) denominadas aminoácidos. As proteínas são os componentes químicos mais importantes do ponto de vista estrutural, pois estão presente em todas as partes da célula. São também fundamentais no funcionamento do organismo, uma vez que o controle das reações químicas depende das enzimas, que são moléculas de proteínas. “São as moléculas orgânicas mais abundantes e importantes nas células e perfazem 50% ou mais de seu peso seco. São encontradas em todas as partes de todas as células, uma vez que são fundamentais sob todos os aspectos da estrutura e função celulares. Existem muitas espécies diferentes de proteínas, cada uma especializada para uma função biológica diversa. Além disso, a maior parte da informação genética é expressa pelas proteínas. Pertencem à classe dos peptídeos, pois são formadas por aminoácidos ligados entre si por ligações peptídicas. Uma ligação peptídica é a união do grupo amino (-NH2 ) de um aminoácido com o grupo carboxila (-COOH) de outro aminoácido, através da formação de uma amida”.

A lista abaixo apresenta itens que visam a resumir e a elucidar o exposto:

1. A principal diferença entre peptídeos e proteínas.
Um peptídeo pode ser formado pela união de dois aminoácidos e uma proteína só será formada por filamentos de polipeptídios, ou seja, as proteínas são polímeros e os peptídeos são os monômeros.

2. A caracterização de uma reação peptídica.
União do grupo ácido do aminoácido com o grupo amina de outro aminoácido, com liberação de uma molécula de água.

3. Alimentos considerados como fonte de proteína completa.
Um alimento que apresenta todos os 20 aminoácidos necessários para formar as proteínas necessárias para o organismo humano. Alimentos de origem animal, como carne, leite, queijo, peixe e ovos, possuem proteínas de alta qualidade.

4. O que se entende por carbono alfa e quando um carbono alfa será quiral?
Carbono alfa é o carbono em que está ligado a um grupo amina, a um grupo ácido, a um átomo de hidrogênio e a um radical R qualquer. Quando o átomo de carbono está ligado a quatro radicais diferentes, como N2H, COOH, H, R, por exemplo. O único aminoácido que não apresenta composto quiral é a GLICINA, pois apresenta três radicais diferentes (N2H, COOH, H, H), havendo dois radicais hidrogênio.

9639 – Minerais e a Escala de Dureza de Mohs


A Escala de Dureza de Mohs estabelece uma classificação para um número de dez minerais em relação à dificuldade que este impõe a ser riscado, ou à retirada de partículas de sua superfície. Essa escala foi elaborada pelo mineralogista Friedrich Mohs, em 1812, a partir de dez minerais diferentes presentes na crosta terrestre. Mohs estabeleceu valores de 1 a 10, atribuindo o número um para o mineral menos duro e o número 10 para o mineral mais duro. Assim, quanto mais acima na escala estiver o mineral, maior será a sua capacidade de riscar outros minerais e menor será a sua capacidade de se deixar riscar pelos mesmos, ou seja, quanto mais acima estiver o mineral maior será a sua dureza.
A Escala de Dureza de Mohs é mostrada na tabela abaixo, juntamente com a fórmula molecular do mineral correspondente.

Classificação Mineral Fórmula Molecular
1 Talco Mg3Si4O10(OH)2
2 Gipsita CaSO4·2H2O
3 Calcita CaCO3
4 Fluorita CaF2
5 Apatita Ca5(PO4)3(OH-,Cl-,F-)
6 Feldspato KAlSi3O8
7 Quartzo SiO2
8 Topázio Al2SiO4(OH-,F-)2
9 Coríndon Al2O3
10 Diamante C

Escala de Dureza de Mohs, com Fórmulas Moleculares dos minerais.
Com relação ao talco, o mineral natural de menor dureza, trata-se de um mineral filossilicato, que cristaliza em um sistema monoclínico, sendo esta cristalização muito rara. Possui coloração variável do branco ao cinzento, sendo também encontrado em outras colorações. “Por se tratar de um produto natural e sem tratamento químico, não oferece riscos desde que sejam respeitadas as normas de transporte, manuseio, conservação, armazenamento e descarte do produto. Este produto não tem prazo de validade definido, desde que armazenado adequadamente. As especificações dos tipos de embalagens são: embalagem de papel valvulado com 2 ou 3 folhas, confeccionando em papel Kraft natural”.
Com relação ao diamante, o mineral de mais alta dureza, trata-se de uma das formas alotrópicas do carbono. Cristaliza normalmente em uma estrutura cúbica e pode ser obtido industrialmente, em um processo de alto custo. Devido à sua elevada dureza (aproximadamente 1500 vezes mais duro do que o talco) é utilizado como material abrasivo. “O diamante possui uma estrutura extremamente unida e com ligações fortes, na qual, cada um dos átomos está unido a outro por ligações covalentes poderosas e altamente direcionadas a quatro carbonos vizinhos, dispostos nos vértices de um tetraedro regular (com orbitais híbridos do tipo sp3)”2. O diamante pode ser convertido em grafite, sob baixas pressões, sob temperaturas de aproximadamente 1500°C e atmosfera inerte.
Dessa forma, qualquer outro mineral natural poderá ser encaixado na Escala de Dureza de Mohs, sendo mais duro do que o talco e menos duro do que o diamante.

9638 – Cardiologia – Infarto do miocárdio


No sistema cardiovascular, as artérias coronárias são responsáveis pela irrigação sanguínea do músculo cardíaco, abastecendo-o de oxigênio e nutrientes. Quando, por algum motivo, uma ou mais artérias coronárias são obstruídas, há a interrupção do fornecimento de sangue para o músculo cardíaco, provocando o infarto do miocárdio, também conhecido como ataque cardíaco.
O bloqueio do fluxo sanguíneo pode ser ocasionado pela formação de coágulos no sangue, trombos ou placas de gordura nas paredes das artérias. Sem irrigação, as células musculares do coração necrosam (morrem) dentro de poucos minutos, devido à falta de oxigênio.
Se uma pequena região do coração for afetada pelo infarto, a lesão é cicatrizada com a substituição de células mortas por tecido conjuntivo, permitindo que o coração continue sua atividade. Porém, se uma grande parte do coração for atingida pelo infarto, a emissão de sinais elétricos produzida pelo marca-passo (um aglomerado de células musculares) pode ser interrompida e os batimentos cardíacos deixam de acontecer.
A principal característica do infarto é o aparecimento de sinas e sintomas repentinos. O indivíduo sente dores agudas e súbitas no lado esquerdo do peito, sintoma mais predominante dessa doença carciovascular. Além disso, pode ocorrer dormência e formigamento no ombro esquerdo, sensação de azia, náuseas, tonturas, cansaço, dor de cabeça, palidez do rosto e sudorese excessiva.
Ao serem identificados os primeiros sinais de um quadro de infarto, é preciso buscar atendimento médico imediatamente. A pessoa que está sofrendo o ataque cardíaco deve se sentar, procurar manter a calma, evitar esforços físicos mínimos, como andar e dirigir um veículo, suas roupas e acessórios precisam ser afrouxados e seu corpo deve ser aquecido. Caso ela desmaie, é preciso que alguém verifique a pulsação e a respiração e, na ausência desses sinais vitais, deve-se começar imediatamente a fazer massagem cardíaca e ventilação (respiração boca a boca) até que a pessoa seja atendida por profissionais.
O infarto é uma doença multifatorial, isto é, causada por vários fatores. Fumo, obesidade, altos níveis de colesterol no sangue, sedentarismo, estresse, depressão, hipertensão arterial, menopausa, idade e a predisposição genética são os principais fatores de risco associados à doença. Assim, tanto o infarto quanto outras doenças cardiovasculares podem ser prevenidas com a manutenção de hábitos saudáveis de vida:
Seguir uma dieta balanceada, livre de gorduras, alimentos industrializados, condimentos, fast-foods.
Praticar exercícios físicos moderada e regularmente.
Banir o consumo de cigarros e bebidas alcoólicas.
Manter o peso corporal compatível com a altura.
Evitar situações de estresse.
Checar a pressão arterial e fazer exames médicos de rotina, em especial, após os 40 anos de idade.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, estima-se que, hoje, aproximadamente 300 mil pessoas sejam acometidas pelo infarto no Brasil por ano. E deste número, cerca de 80 mil pessoas morrem por infarto anualmente.

9637 – Medicina – O que é Anisaquíase?


É o termo usado da doença aguda no trato gastrointestinal dos seres humanos causada pela ingestão do parasita da família Anisakidae. A doença manifesta-se por cólicas abdominais e vômitos, resultante da ingestão de peixes crus ou mal cozidos contaminados com a larva. A larva pode causar ulceras na parede do estômago com náusea, vômitos e dores epigástricas. As larvas podem migrar para a parte superior atacando a orofaringe e causando tosse. No intestino delgado, elas causam abscessos eosinofílicos. Com o tempo, pode haver perfuração da cavidade peritoneal. Raramente as larvas atingem o intestino grosso.
O agente etiológico é a fase larval dos nematoda dos gêneros Anisakis e Pseudoterranova. O Anisakis simplex (vermes do arenque), Pseudoterranova decipiens (verme do bacalhau ou da foca), Contracaecum spp. e Hysterothylacium (Thynnascaris) spp. são anisaquídeos.
A ocorrência desta doença é comum no Japão devido aos sushis e sashimis, também comum na Holanda, na Escandinávia e na costa do Pacífico da América Latina. No Brasil não há notificação de casos, embora tenha estudos mostrando a existência de peixes contaminados como o dourado, anchova, pargo e peixe-espada na costa brasileira, especialmente no litoral nordeste. Suspeita-se que muitos casos não estejam sendo detectados. A doença é transmitida por peixes e marisco crus, mal cozidos ou insuficientemente congelados ou mal preparados, e sua incidência deve aumentar com a popularidade crescente de restaurantes japoneses.
O diagnóstico da doença é feito pelo exame morfológico do nematoda nos casos onde o paciente vomita ou tosse o vermes ou por endoscopia. Outros casos são diagnosticados mediante o achado de lesões granulomatosas com o verme na laparotomia.
Os frutos do mar são as fontes principais de infecções em humanos. Os adultos do A. simplex são encontrados nos estômagos das baleias e dos golfinhos. Os ovos fertilizados do parasita fêmea saem do hospedeiro junto com suas fezes. Na água do mar, os ovos embrionados se desenvolvem em larvas e eclodem. Estas larvas são infectantes aos copépodes e a outros invertebrados pequenos. As larvas crescem no invertebrado e tornam-se infectantes para o hospedeiro seguinte, um peixe ou invertebrado maior, tal como uma lula. As larvas podem penetrar através do trato digestivo nos músculos deste segundo hospedeiro. Alguma evidência existe de que as larvas dos nematodas se movem das vísceras para a carne dos peixes hospedeiros, se estes não forem prontamente eviscerados após a captura. Os ciclos de vida de todos os gêneros restantes de anisaquídeos implicados em infecções humanas são similares. Estes parasitas são encontrados freqüentemente na carne do bacalhau, hadoque, linguado, salmões do pacífico, arenque e outros.
Evitar a ingestão de peixes e frutos do mar crus ou mal cozidos é a melhor medida preventiva. Recomenda-se a evisceração dos peixes logo em seguida à pesca para evitar a penetração das larvas das vísceras para os músculos.

9636 – Bioquímica – A Tetrodotoxina (TTX)


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É uma potente neurotoxina. O envenenamento é causado pela ingestão de toxina produzida nas gônadas e vísceras de alguns peixes da classe Tetraodontiformes, à qual pertence o peixe baiacu. É fatal para o homem, por causar paralisia dos músculos respiratórios. A tetrodotoxina e a saxitoxina são as mais potentes conhecidas.
Esta potente neurotoxina é não-proteica, termoestável e não modifica as características sensoriais do alimento. A produção dessa toxina é de origem bacteriana (e não de alga), pois é comum bactérias associarem-se à animais marinhos. Cepas da família da Vibrionaceae, Pseudomonas sp. e Photobacterium phosphoreum são causadoras desta produção. A despeito dos cuidados na preparação, no Japão ainda são responsáveis por casos fatais, contabilizando-se cerca de 50 mortes por ano. A importação desse peixe é proibida em alguns países. Um potencial perigo permanece em relação a possíveis erros em seu preparo.
A intoxicação por esta biotoxina ocorre devido a ingestão do baiacu e de outras espécies que produzem a tetrodotoxina. Após ingestão do peixe o período de incubação é de 20 minutos a 3 horas, havendo relato de casos com início dos sintomas 2 a 3 minutos após a ingestão. No Japão é um problema de saúde pública, pois faz parte da culinária tradicional. É considerada uma iguaria preparada e vendida em restaurantes especiais com indivíduos treinados e licenciados capazes de remover cuidadosamente as vísceras para reduzir o perigo de envenenamento.
O primeiro sintoma de envenenamento é uma dormência dos lábios e da língua. O sintoma seguinte é o aumento de parestesia de face e extremidades, que pode ser acompanhada de sensação de leveza ou flutuação. Dor de cabeça, rubor facial, dor epigástrica, náusea, diarreia e ou vômito podem ocorrer. Dificuldade para andar pode ocorrer nessa fase que evolui para o aumento da paralisia, com dispneia. A fala é afetada e a pessoa envenenada apresenta comumente cianose e hipotensão, com convulsões, contração muscular, pupilas dilatadas, bradicardia e insuficiência respiratória. O paciente, embora totalmente paralisado, permanece consciente e lúcido até o período próximo da morte. O óbito ocorre dentro de 4 a 6 horas, podendo variar de cerca de 20 minutos a 8 horas.
O diagnóstico presuntivo é feito com base no quadro clínico e história de ingestão recente do baiacu. É importante estabelecer o diagnóstico diferencial com outras síndromes causadas por toxinas naturais, em especial, as produzidas por frutos do mar e o botulismo. As medidas de controle são feitas por notificação. As medidas preventivas são feitas com orientações sobre o risco de ingestão do peixe baiacu e outras espécies que produzem a tetrodoxina.

9634 – Consumo de álcool pode acelerar perda de memória


Os homens de meia-idade que consomem mais de duas doses de bebida alcoólica por dia podem acelerar a perda de memória em até seis anos, revela um estudo publicado no periódico Neurology.
O estudo foi feito com base em dados coletados de mais de 5.000 homens de 44 a 69 anos. Eles responderam perguntas sobre seus hábitos de consumo alcoólico em três ocasiões, durante um intervalo de dez anos. Também foram submetidos a testes cognitivos e de memória, repetidos duas vezes nos dez anos seguintes.
“Nosso estudo sugere que beber em alta quantidade está associado a uma queda mais rápida de todas as áreas da função cognitiva nos homens”, afirma Severine Sabia, pesquisadora da University College London e uma das autoras do estudo.
Não houve diferenças em perda de memória entre os homens que não bebiam e os que tomavam menos de duas doses (cerca de 20 gramas de álcool) por dia. Acima dessa quantidade, as habilidades mentais dos participantes começaram a declinar de forma mais rápida. Os homens que bebiam 36 gramas de álcool ou mais diariamente – cerca de duas latas e meia de cerveja – tiveram quedas mais acentuadas em sua memória e nas funções cerebrais, podendo chegar a um prejuízo equivalente ao envelhecimento de seis anos.

O corpo intoxicado
O consumo exagerado de gordura, sódio e álcool e a superexposição ao sol e ao cigarro, entre outros hábitos ruins da modernidade, podem comprometer o funcionamento de uma das mais nobres estruturas celulares, as mitocôndrias – pequenas usinas de energia existentes no interior das células. Quando agredidas, elas deflagram a produção excessiva de radicais livres, átomos ou moléculas altamente reativos que podem desequilibrar a bioquímica celular.
O cigarro e o açúcar agridem as células das artérias, provocando um quadro inflamatório e, consequentemente, estimulando a produção
de radicais livres. Ao entrarem em contato como colesterol circulante, eles alteram a bioquímica das moléculas de gordura, fazendo com que se depositem com mais facilidade nas paredes arteriais. Já as baixas doses de oxigênio características do ar poluído levam o órgão a aumentar as contrações musculares, desgastando-o.

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Fígado
O fígado depura cerca de 80% das impurezas circulantes no organismo. Uma das mais nocivas é o etanol. Para ser metabolizada, a substância exige grande esforço do órgão. Tal demanda aumenta a produção de radicais livres. Com isso,o fígado tem comprometida sua capacidade de processar lipídios, o que pode levar ao acúmulo exagerado de gordura (a esteatose).

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Pele
Uma das ações mais tóxicas do sol é danificar os telômeros, trechos do cromossomo que têm a função de proteger o DNA de agentes externos, assegurando que a informação genética seja perfeitamente copiada durante a divisão celular. Enfraquecidos, deixam o material genético vulnerável, estimulando o envelhecimento celular e facilitando o desenvolvimento de doenças

Cérebro
A barreira hematoencefálica filtra a maioria das substâncias químicas circulantes no sangue. Com moléculas diminutas, o álcool é um dos poucos compostos que conseguem vencer esse obstáculo. Ao atingir o tecido cerebral, a bebida estimula os neurônios a aumentar a quantidade de neurotransmissores, sobretudo o GABA, responsável por reduzir o funcionamento do sistema nervoso central. A consequência: sedação e perda de reflexos do organismo.

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Pâncreas
A alta toxicidade do álcool e do excesso de gordura agride as células do pâncreas, causando um processo inflamatório. A inflamação favorece o entupimento dos canais secundários do órgão – aqueles que transportam suco pancreático, envolvido no processo digestivo. Já o excesso de açúcar faz com que as células produtoras de insulina aumentem a fabricação do hormônio, o que pode levá-las à exaustão.

Rins
Os rins eliminam o excesso de sódio através da urina. Em excesso, a substância danifica as células renais, levando à inflamação, mecanismo que contribui para o estreitamento dos vasos.

Intestinos
Na tentativa de metabolizar grandes quantidades de gordura, álcool e açúcar, as células intestinais aumentam seu ritmo metabólico, o que incrementa a síntese de radicais livres. Uma das principais consequências desse processo é a intensificação dos movimentos peristálticos. Com isso, reduz-se a absorção de água e sal. Tem-se então um quadro de diarreia. A longo prazo, pode haver a formação de tumores.

9633 – Google desenvolve lentes de contato para diabéticos


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O “Google lab” anunciou que desenvolve lentes de contato que ajudarão pessoas com diabetes a controlar seus níveis de açúcar.
“Estamos testando lentes inteligentes fabricadas para medir a taxa de glicose nas lágrimas”, explicaram os responsáveis pelo projeto, Brian Otis e Babak Parviz.
Estas lentes funcionam “utilizando um pequeno dispositivo conectado a um detector de glicose miniaturizado, que estão contidos em duas camadas do material com o qual são feitas as lentes de contato”.
Os testes clínicos estão em andamento, do mesmo modo que os procedimentos junto à agência de medicamentos dos EUA (FDA, sigla em inglês).
Os protótipos das lentes puderam determinar a glicose nas lágrimas a cada segundo e os pesquisadores analisam a possibilidade de integrar sinais luminosos para alertar sobre níveis perigosos.

9632 – Terapia genética em teste freia doença ocular degenerativa


Conseguir ler três linhas de letras miúdas a mais durante um exame de vista pode não parecer um grande triunfo, mas faz uma diferença tremenda para quem estava ficando cego por causa de uma doença degenerativa.
Esse avanço ocorreu durante um teste da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que usou terapia genética para tentar reverter o dano à retina e a outras regiões cruciais dos olhos.
O resultado do teste clínico de fase 1 (cujo objetivo principal é verificar só a segurança do tratamento) foi relatado na revista médica “Lancet”, uma das mais importantes do mundo.
Não há nada de milagroso: dos seis pacientes tratados, quatro continuam com a mesma acuidade visual que tinham antes da operação (eram os casos menos sérios, nos quais a visão era só um pouco mais fraca do que a de pessoas sadias).
Os outros dois doentes –justamente os que já tinham perdido boa parte da visão– responderam de forma mais clara ao tratamento.
A doença que a equipe do pesquisador Robert MacLaren está tentando enfrentar é a coroideremia, assim chamada porque afeta a coroide, camada do olho cheia de vasos sanguíneos que ajuda a nutrir a retina, também progressivamente destruída pela moléstia. A coroideremia afeta uma pessoa a cada 50 mil, em geral homens– e tem origem genética. A cegueira vem ao longo de décadas e é inevitável.
Como um defeito num único gene desencadeia o problema, a ideia dos cientistas é substituir o trecho de DNA defeituoso pelo equivalente “em bom estado”.
Isso é conseguido por meio de um vírus modificado que, na natureza, infecta seres humanos e outros primatas sem causar doenças.
Em laboratório, os cientistas embutem o gene de interesse no vírus, como um arquivo num pen drive, e ele fica encarregado de espalhar o gene nas células do olho após ser injetado no local.
Seis meses depois do procedimento, os resultados se mantiveram –o que ainda é pouco tempo, admitem os cientistas, dada a progressão lenta da doença.
As doenças degenerativas que afetam os olhos têm estado entre os alvos preferenciais da geneterapia por uma conjunção de motivos.
O mais óbvio deles é que não há cura para esse problema, o que justifica abordagens ousadas para preservar a visão dos pacientes.
Além disso, há a questão de como “entregar” o DNA com efeito terapêutico às células certas e evitar que ele afete outros tecidos que não precisam daquele gene extra.
Ainda há o temor de que os vírus modificados que são os “entregadores de DNA” saiam do controle. Os olhos são bons alvos para essas terapias porque o acesso à área de interesse é relativamente fácil e, ao mesmo tempo, a chance de que os vetores de DNA se espalhem por outros tecidos é baixa.
Além dos males oculares, a terapia genética tem mostrado resultados em outros problemas raros de origem hereditária, como baixa imunidade crônica e leucemia.
Por enquanto, só um tratamento desse tipo, para tratar um problema metabólico que causa inflamação do pâncreas, já foi liberado para comercialização na União Europeia.

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9630 – Biologia Marinha – Descobertos mais de 180 peixes luminosos


enguia luminosa
enguia luminosa

Quando achamos que já conhecemos o bastante, 180 espécies de peixes aparecem para nos encantar ainda mais com a natureza.
Em 2011, cientistas do Museu Americano de História Natural perceberam, por acaso, uma enguia verde brilhante nas fotos de uma expedição no fundo do mar das Ilhas Cayman, território britânico no sul do Caribe.
Curiosos, logo organizaram grupos de estudo para mergulhar e entender do que se tratava. Resultado? Não apenas uma enguia, mas mais de 180 novas espécies, que brilham em tons de verde, laranja e vermelho, foram descobertas. “No início, achamos que era uma brincadeira do fotógrafo, que ele tinha usado Photoshop nas imagens”, conta John Sparks, do Museu Americano de História Natural.

Mas o que faz, de fato, os peixes brilharem? A biofluorescência. Funciona da seguinte maneira: o organismo absorve luz e a reflete, com uma cor diferente. Corais, águas-vivas, e outros animais com a propriedade, são conhecidos desde a década de 1960, mas este é o primeiro registro de peixes. “Levamos mais de dois anos para desenvolver diferentes equipamentos necessários para estudar peixes biofluorescentes”, conta Sparks.
O Plos One*, publicação online que divulga novidades científicas, disponibilizou documento que revela detalhes da pesquisa. Os peixes já foram organizados em 16 ordens, 51 famílias e 105 gêneros.

9629 – Biologia – Uma situação enganadora


A cascavel, quando encontrada no meio de sua refeição, não deve ser considerada indefesa; ela pode vomitar rapidamente a presa que está quase engolida e ficar pronta para fincar os dentes em qualquer um que lhe perturbe a paz.

cascavel

Cascavel é o nome genérico dado às cobras venenosas dos géneros Crotalus e Sistrurus. As cascavéis possuem um chocalho característico na cauda, e estão presentes em todo o continente americano. Geralmente, refere-se mais especificamente à espécie Crotalus durissus, cuja área de distribuição se estende do México à Argentina. A cascavel, por razões não bem entendidas, em vez de sair completamente de sua pele antiga, mantém parte dela enrolada na cauda em forma de um anel cinzento grosseiro. Com o correr dos anos, estes pedaços de epiderme ressecados formam os guizos que, quando o animal vibra a cauda, balançam e causam o ruído característico. Embora no conceito popular o número de anéis do guizo às vezes é interpretado como correspondente a idade desta cobra, isto não é correto, pois no máximo poderia indicar o número de trocas de pele. A finalidade do som produzido pelo guizo é de advertir a sua presença e espantar os animais de grande porte que lhe poderiam fazer mal. É uma ótima possibilidade de evitar o confronto.