9664 – Materiais – O Nylon


Força e resistência nas cordas para alpinismo
Força e resistência nas cordas para alpinismo

É o nome genérico para a família das poliamidas, sintetizado pelo químico chamado Wallace Hume Carothers em 1935.1 Foi a primeira fibra têxtil sintética produzida. Dos fios desse polímero fabricam-se o velcro e os tecidos usados em meias femininas, roupas íntimas, maiôs, biquínis, bermudas, shorts e outras roupas esportivas.
Várias são as histórias que explicam a etimologia dessa palavra. A mais famosa (ainda que não seja provada) conta que ele é assim chamado, pois a fábrica que inicialmente o produziu tinha sede tanto nos Estados Unidos (em New York) quanto na Inglaterra (em London). Os criadores dessa fibra, diante da necessidade de dar-lhe um nome, decidiram juntar as iniciais de New York, com as três primeiras letras de London, dando origem à palavra nylon. Outra possível explicação para o termo seria a de que durante a 2ª Guerra Mundial os EUA usaram o tecido nos pára-quedas. O “nylon” seria então uma abreviação de “Now you’ve lost, Old Nippon”.
O náilon consiste, também, no mais conhecido representante de uma categoria de materiais chamados poliamidas, que apresentam ótima resistência ao desgaste e ao tracionamento. Esta última propriedade é facilmente percebida quando tentamos arrebentar com as mãos uma linha de pesca fabricada com náilon.
O náilon e as demais poliamidas podem também ser moldados sob outras formas, além de fios, possibilitando a confecção de objetos como parafusos, engrenagens e pulseiras para relógios.
O náilon também é muito utilizado para realização de suturas em ferimentos, uma vez que é um material inerte ao organismo e não apresenta reação inflamatória como outros fios de sutura (ex.: vicryl, cat-gut, seda, algodão).
Este fio pode ser tão resistente quanto o fio que forma a teia da aranha. Isto se deve a uma certa semelhança química entre o que seja o náilon e as proteínas. Os polímeros que genericamente são chamados de náilon são resultado da polimerização de ácidos dicarboxílicos alternadamente com diaminas, enquanto as proteínas são polímeros de aminoácidos.
O náilon, se descartado em locais indevidos, pode ter forte impacto no meio ambiente, pois seu tempo de degradação é de cerca de 400 anos. Por ser muito utilizado na indústria pesqueira, muitos animais marinhos como tartaruga e golfinhos ficam presos pelo resto da vida em eventuais contatos com o material.
Em alguns locais do Brasil, a pesca de grande porte é proibida se utilizar redes de náilon, principalmente em épocas de piracema; sendo permitido apenas com cadastro no orgão ambiental realizar pescas por lazer ou recreação com o uso de anzol, chumbada, linha, vara, molinete e iscas.

O nylon no ambiente
O nylon no ambiente

O náilon é um dos muitos nomes correntes das fibras artificiais mais comuns.
O náilon é obtido em diferentes combinações de diaminas com ácidos dicarboxílicos, sendo comuns a reação de hexametilenodiamina com o ácido adípico ou com o cloreto de adipoíla, para o nylon “6,6” (estes números referem-se ao número de carbonos de cada um de seus constituintes, e com o ácido sebácico ou o dicloreto de ácido sebácico, alternativamente para obter o nylon “6,10”, entre outras variações).
No Brasil o nylon é produzido em grande escala pela RHODIA sendo vendido em estado líquido com o nome de Sal N.
A reação geral é:

nylon

9663 – Nem aí pro Oscar… – Pescadores japoneses saem novamente ao mar para capturar mais golfinhos


golfinhos2

Pescadores japoneses voltaram ao mar para tentar capturar mais golfinhos na costa do arquipélago, anunciaram organizações de defesa dos animais, que tentam alertar a opinião mundial sobre a prática.
O governo japonês defendeu a caça a golfinhos em sua costa, confrontando a nova embaixadora americana, Caroline Kennedy, que criticara a caça recentemente em um post no Twitter, no qual a qualificava de “desumana”.
Kennedy se opôs a uma forma de pesca conhecida como “drive hunt”, em que golfinhos são conduzidos por barcos a uma área da qual não podem escapar, onde dezenas ou, talvez, centenas de animais são capturados. Críticos haviam considerado a prática desumana em razão do número de golfinhos mortos e da ameaça que isso traz às populações do animal.
Ativistas da associação de defesa dos animais Sea Sheperd, com sede nos Estados Unidos, viajaram a Taiji, no oeste do Japão, para denunciar o que consideram uma carnificina.
Segundo este organismo, desde o início da temporada de pesca de golfinhos nesta região 41 cetáceos foram mortos e 52 foram capturados para serem vendidos vivos por somas que podem alcançar milhares de dólares. Mais de 200 animais foram confinados na baía e parte deles foi libertada, acrescentou a Sea Sheperd.
Esta prática local foi divulgada em todo o mundo no documentário “The Cove”, de 2009, que obteve o Oscar de melhor documentário em 2010.
As autoridades e os pescadores de Taiji afirmam, no entanto, que esta atividade é primordial para a economia da comunidade e acusam os ativistas de não respeitarem a cultura local.

golfinhos

9662 – O Relógio Atômico


Atomicclock
É um relógio que usa a frequência de transição eletrônica na micro-onda, na região óptica ou ultravioleta do espectro eletromagnético, como um padrão de frequência, que é usado como seu mecanismo para medição do tempo. Os relógios atômicos são os dispositivos de medição de tempo e frequência mais precisos criados pela humanidade, sendo usados como padrões primários para os serviços internacionais de pesquisa de tempo, além de serem usados para controlar a frequência de ondas de transmissões de televisão, e em sistemas de navegação por satélite, como o GPS.
O princípio de funcionamento de um relógio atômico não é baseado em física nuclear, mas sim em física atômica, utilizando o sinal de micro-ondas que os elétrons (presentes nos átomos) emitem quando se deslocam entre os níveis de energia. Os primeiros relógios atômicos eram baseados em masers (dispositivos que produzem ondas eletromagnéticas) expostos à temperatura ambiente. Hoje em dia, o os relógios atômicos mais modernos primeiro resfriam os átomos para uma temperatura absoluta perto de zero, deixando-os lentos com o uso de lasers e colocando-os em fontes atômicas, numa cavidade cheia de micro-ondas. Um exemplo desse dispositivo, é o americano NIST-F1.
A precisão de um relógio atômico depende da temperatura da amostra de átomos frios, e da frequência e largura inerente da transição electrônica. Altas frequências e linhas estreitas aumentam a precisão do dispositivo. Os relógios atômicos são responsáveis por manter o Tempo Atômico Internacional (TAI), que é usado para definir o Tempo Universal Coordenado (UTC), também conhecido como “tempo civil”, que é o fuso horário de referência a partir do qual se calculam todas as outras zonas horárias do mundo, sendo o sucessor do Tempo Médio de Greenwich (GMT).
A ideia de usar as transições atômicas para medir o tempo foi sugerida pela primeira vez por William Thomson, o Lord Kelvin, em 1879, e a ressonância magnética, desenvolvida na década de 1930 por Isidor Rabi, tornou-se o método mais prático para fazer isso. Em 1945, Rabi sugeriu que a ressonância magnética do feixe nuclear poderia ser usada como uma base para um relógio. O primeiro relógio atômico foi um dispositivo maser de amônia construído em 1949, no National Bureau of Standards, EUA. Ele era bem menos preciso que os já conhecidos relógios de quartzo, mas serviu como um excelente exemplo do funcionamento desse novo conceito para medição do tempo. O primeiro relógio atômico preciso, baseado numa certa transição do átomo de césio-133, foi construído por Louis Essen em 1955 no Laboratório Nacional de Física do Reino Unido. Essa criação fez com que ficasse internacionalmente acordado que o segundo internacional estaria baseado no tempo atômico.
Desde o início do seu desenvolvimento na década de 1950, os relógios atômicos têm sido baseados nas transições hiperfinas em hidrogênio-1, o césio-133, e rubídio-87. O primeiro relógio atômico comercial foi o Atomichron, fabricado pela empresa americana National Radio Company, com mais de 50 relógios vendidos entre 1956 e 1960. Posteriormente El foi substituído por dispositivos muito menores, como o modelo Hewlett-Packard, que usava a frequência de césio 5060, lançado em 1964.
Em agosto de 2004, os cientistas do NIST (National Institute of Standards and Technology) apresentaram um relógio atômico do tamanho de um chip. De acordo com os pesquisadores, o relógio foi pensado para ser um centésimo do tamanho de qualquer outro. Necessitando de menos de 125 mW para funcionar, logo ele se mostrou adequado para o uso em dispositivos alimentados a bateria. Esta tecnologia se tornou disponível no mercado em 2011.
O Brasil possui, no Observatório Nacional, localizado na cidade do Rio de Janeiro, dois relógios atômicos de Césio 133, que apresentam uma precisão de 10−9 segundo por dia, ou seja, um bilionésimo de segundo.

9659 – Um besouro pode ser a salvação do sertão


besouro

Em anos de seca prolongada, o gado da Caatinga depende da palma forrageira para sobreviver no sertão nordestino. Trata-se de uma espécie de cacto com pouco ou nenhum espinho, com raquetes (“folhas”) achatadas e suculentas. Os produtores rurais plantam e mantêm pequenas áreas como estoque: caso venha a estiagem, eles cortam as raquetes com o facão e dão para o gado comer. Em alguns locais com menos recursos, a palma chega a ser a única fonte de alimento para o gado.
Justamente quando bate a escassez, porém, uma praga “importada” – a cochonilha rosada do hibisco – ataca as palmas. Cochonilhas são insetos da família dos coccídeos, também chamados de piolho-dos-vegetais porque sugam a seiva e impede o desenvolvimento das plantas. No Nordeste, há casos de perda de 100% das áreas plantadas com palmas devido a infestações desta praga. Por isso, a Embrapa Semiárido – unidade dedicada a pesquisas para melhorar a convivência com a seca – levou para o sertão uma joaninha originária da Austrália, inimiga natural desta cochonilha.

“Depois de reproduzir a joaninha australiana fomos a campo testar a metodologia de dispersão e ver sua eficiência para controle da praga”, conta Beatriz Aguiar Jordão Paranhos, do Laboratório de Entomologia da Embrapa. “Chegando às áreas afetadas pela cochonilha, no entanto, vimos que havia uma espécie nativa, bem presente, e a coletamos”. Os pesquisadores levaram o besourinho (Zagreus bimaculosus) para o laboratório e passaram a estudar a possibilidade de usá-lo em lugar da joaninha importada (Chroptolaemus montrouzieri) para controlar a praga estrangeira.

“A espécie nativa já está adaptada às condições climáticas do semiárido e é bastante eficiente. Porém sua multiplicação precisa ser feita nos sítios, pelo produtor, para o controle funcionar bem”, comenta Beatriz. “Após mais de 3 anos de estudos, agora temos uma metodologia e vamos produzir um manual técnico ainda neste ano para repassar essa tecnologia de controle biológico da praga”.
Claro que o controle feito pelo besourinho é apenas uma ferramenta e não resolve todo o problema. É preciso também fazer um manejo, tomar uma série de medidas para evitar o alastramento da praga, tais como retirar e queimar as palmas infestadas e desinfetar as raquetes usadas para propagação (em geral, repassadas de um produtor para outro). Mas, como não existe nenhum produto químico seletivo contra esta cochonilha, a alternativa à criação de joaninhas seria o uso de químicos pesados. Assim, o besourinho é a opção mais barata e acessível para os sertanejos, além de ser ambientalmente mais segura para o sertão.

9657 – Gruda até debaixo d’água (literalmente)


Com muita paciência e criatividade, os tecelões da Antiguidade encontraram um meio de transformar em tecido os fiozinhos com os quais os mexilhões se prendem às rochas para resistir à força das ondas, conhecidos como bisso. O tecido era chamado de “seda do mar” ou “seda das sereias” e há referências a seu uso na Grécia, em Roma, na China, no Egito e até na Bíblia!

Extremamente leve e quente, era usado pela nobreza e pelo clero, sobretudo para a confecção de luvas. Os fiozinhos de uma espécie de mexilhão do Mediterrâneo – Pinna nobilis –, em particular, eram tratados com limão depois de tecidos, assumindo um tom dourado duradouro e destinado à roupas finamente bordadas de reis, rainhas, bispos e cardeais.
Tal tipo de tecelagem ainda existia no início do Século XX, mas sucumbiu face aos fios sintéticos. O grande problema foi a falta de mexilhões, pois é preciso coletar uma grande quantidade de fiozinhos para cada metro de tecido, considerando que cada bisso têm, em média, meros 6 centímetros!
Agora, outro tipo de produto derivado da excepcional adaptação dos mexilhões à vida no quebra-mar enfrenta o mesmo dilema: trata-se da “cola” produzida pelo molusco para fixar seus fiozinhos às rochas. Neste início de Século XXI, a pesquisa e a indústria de adesivos descobriram diversas aplicações para essa cola, capaz de aderir em ossos, pele, músculos, vidros, cerâmicas, pedras, madeira, concreto, plásticos e até no famoso antiaderente das panelas. E, isso, mesmo quando aplicada embaixo d’água!

Dá para imaginar a demanda por um adesivo assim, como cola em cirurgias e no socorro a acidentados, no caso dos tecidos humanos, ou como meio de reparar de fissuras de encanamentos subaquáticos a rachaduras em pontes de concreto, passando por consertos em cascos de barcos e em motores, não? Pois é. Só que o problema ainda é a imensa quantidade de mexilhões necessária para produzir um grama de adesivo, completamente insustentável.
Então o investimento da pesquisa é no sentido de produzir sinteticamente as mesmas proteínas, peptídeos e aminoácidos responsáveis pela firme adesão de mexilhões do gênero Mytilus às rochas beira-mar. Estas espécies ocorrem naturalmente em águas temperadas do Atlântico e Pacífico, incluindo os trechos mais frios da costa brasileira, nas regiões Sudeste e Sul. Também são as espécies preferidas para cultivo (maricultura) de modo que se espalharam artificialmente por quase todo o mundo.

Uma das linhas de pesquisa adotadas visa obter o adesivo a partir de uma mistura de proteínas de soja, carboidratos e lignina para uso na indústria madeireira. Uma primeira geração do novo adesivo já está mercado, usada na decoração de interiores. A segunda geração deve começar a ser fabricada em escala em breve, com aplicações mais amplas, incluindo painéis compensados. O desenvolvimento é do químico chinês Kaichang Li, atualmente no departamento de ciência e engenharia da madeira da Universidade Estadual do Oregon, nos Estados Unidos. Segundo ele, “as resinas atualmente usadas para compensados e aglomerados de madeira têm fenol-formaldeídos e ureia-formaldeidos, dois derivados de petróleo que podem causar problemas ambientais tanto na fase de produção como no uso desses produtos de madeira”. Ou seja, além de supercolante, o novo adesivo inspirado nos mexilhões também passa a substituir derivados de petróleo potencialmente poluentes.
Outra linha de pesquisa adotada envolve a sintetização dos principais peptídeos presentes na cola do mexilhão, formando um hidrogel biocompatível para uso em cirurgias. Desenvolvida na Universidade Northwestern de Illinois, também nos EUA, a patente foi comprada em 2011 pela empresa Kensel Nash, que atua no mercado de adesivos médicos. A grande vantagem dessa cola é dispensar os pontos cirúrgicos e permitir a cicatrização de tecidos sem condições de sutura. Conforme comunicado da empresa, os primeiros produtos desenvolvidos com o hidrogel serão destinados a cirurgias para reparar defeitos nas paredes abdominais e no trato gastrointestinal. Depois virão produtos específicos para uso neurológico, para cirurgias de reconstrução e plásticas estéticas, ortopedia, urologia e para o sistema cardiovascular.

9656 – Ufologia – O que é Tipologia Extraterrestre?


A Tipologia Extraterrestre define os diferentes tipos de raças alienígenas que são abordadas pela cultura popular.
Desde a década de 1950, os relatos sobre abduções, avistamentos e contatos com seres de fora do planeta Terra cresceram exponencialmente. Elementos como a corrida espacial, situações forjadas de invasão alienígena, literatura e produções cinematográficas contribuíram para o fortalecimento da crença na vida fora da Terra, gerando diversos relatos sobre aparência e comportamento desses seres. Cientificamente, ainda não há comprovação da existência desses seres, embora, hoje, já se conheça vários planetas fora do nosso sistema solar que são capazes de abrigar vida. Vida inteligente fora do nosso planeta ainda não é algo reconhecido oficialmente, mas há ufólogos que argumentam sobre um encobrimento da verdade promovido pelos governos terrestres, os quais buscam absorver as tecnologias extraterrestres.
Seja como for, a recorrência da vida extraterrestre na cultura popular é algo marcante e que se enriquece diariamente. A todo o momento, somos bombardeados por produções feitas pelos diversos tipos de mídia que abordam a vida alienígena. Mais do que isso, há, de fato, programas espaciais em desenvolvimento que se dedicam à descoberta e ao contato com seres de outros planetas. O programa SETI (search for extraterrestrial intelligence), analisa sinais de radiotelescópios em busca de vida inteligente no universo. Ou seja, os seres extraterrestres estão fortemente presentes no nosso cotidiano. Ainda que não comprovados ou apresentados, ao menos culturalmente. De tal forma que já se fala em três principais raças de seres alienígenas, os reptilianos, os greys e os pleiadianos.

Os Pleiadianos têm ganhado destaque na literatura, cinema e televisão. Eles seriam originários do grupo de estrelas Plêiades e seriam seres altamente evoluídos, incluídos no grupo dos alienígenas pacíficos, ajudando os humanos a atingir um novo estágio evolutivo. Sua aparência seria muito similar a dos humanos.

Os Reptilianos seriam membros de uma raça comumente citada em teorias da conspiração. São também identificados como Draconianos. Está no grupo dos seres alienígenas que não são pacíficos e são identificados pela pele verde e a aparência de lagarto em um corpo bípede de características humanas.

Já os Greys representam a tipologia extraterrestre mais tradicional nos relatos sobre vida alienígena. O nome é dado em função da cor da pele, que seria cinza. Além disso, eles teriam baixa estatura, olhos grandes e negros, boca fina e narinas mínimas e mãos com garras. Eles seriam oriundos do sistema Zeta Reticuli e também não estão no grupo dos seres pacíficos.
Importante destacar que nenhum desses tipos extraterrestres é reconhecido pela ciência, mas são recorrentes nos relatos de pessoas que alegam já terem vivido experiências com seres alienígenas, com destaque para os Greys.

E então, cadê o ET?
E então, cadê o ET?

9654 – Sonda espacial desperta de hibernação em trajetória rumo a cometa


Sonda Rosetta
Sonda Rosetta

A sonda espacial europeia Rosetta despertou de um período de hibernação de dois anos pelo qual passou durante sua trajetória rumo à região da órbita de Júpiter. Os sistemas espaçonave robótica foram quase todos desligados em 2011 para que ela economizasse energia para sua missão final: o encontro com o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.
A confirmação de que a Rosetta conseguiu se religar chegou à Terra às 16h18 de hoje (hora de Brasília), quando uma estação de radares da Nasa recebeu na Califórnia um sinal da sonda. A notícia foi seguida imediatamente de gritos e aplausos por parte dos técnicos que estavam no centro de controles da missão, em Darmstadt, na Alemanha.
O sinal recebido foi uma resposta a um comando enviado da Terra. “Agora nós realmente precisamos trabalhar para obter o retorno sobre toda a esperança depositada na missão.”
Em maio, a Rosetta acionará propulsores para ajustar sua trajetória final. O encontro com o cometa, para o qual a sonda enviará um módulo de aterrissagem, ocorrerá em agosto, perto da órbita de Júpiter. Após isso, a sonda continuará acompanhando o 67P/Churyumov-Gerasimenko em sua trajetória de aproximação do Sol.
Lançada há dez anos, a Rosetta está realizando uma das mais longas trajetórias já percorridas por uma sonda espacial.

9653 – Mega Documentário – A Enseada


Um documentário que faturou um Oscar e gerou polêmica no Japão

a enseada cartaz

Enredo:
Um grupo de ativistas enfrenta perigos como a máfia japonesa, policiais e pescadores para chegar a uma pequena baía em Taiji, no sul do Japão, e assim conseguir registrar o extermínio sangrento de golfinhos, usados para vários fins, entre eles comida para as crianças nas escolas, sem que observem o nível de toxinas presentes nas carnes. As cenas são reais e chocantes.

Os japoneses não gostaram nem um pouco do Oscar concedido ao documentário “A enseada”, que mostra a matança de golfinhos no sul do Japão. Para as autoridades locais, a caça faz parte de uma longa tradição cultural.
Para os ecologistas, o Oscar de melhor documentário foi uma vitória. Para muitos japoneses, mais uma derrota de suas tradições e hábitos culinários.
O prêmio foi para o filme “A enseada” que mostra a caça anual de golfinhos na cidade de Taiji, no sudeste do Japão. As fêmeas jovens eram capturadas e levadas para parques aquáticos de todo o mundo. Os que sobraram foram mortos, e a carne vendida em mercados da região. Depois do filme, passaram a ser soltos.
Processo contra produtores
Os moradores ficaram revoltados com o documentário e ainda mais, agora, com o Oscar. Eles ameaçam processar os produtores. Reclamam que não deram autorização para aparecer no filme, que acusam de ser parcial. Usar golfinho na alimentação está em decadência no Japão, poucas pessoas comem.
Mas no momento em que os japoneses enfrentam criticas por causa da caça de baleias e da pesca de atum, que ameaçam algumas espécies de extinção, os moradores de Taiji receberam apoio.

a enseada

9652 – Neurociência: Googles Humanos – O que é a Memória Autobiográfica Superior?


memória´

Hipertimesia, também chamado hipermnesia hipermnésico ou síndrome, é uma desordem que consiste em aumentar a função de rechamada sem hiperfunção em termos de capacidade de armazenamento. As pessoas que sofrem desta síndrome apresentam uma memória autobiográfica superiores, ou eles podem se lembrar até mesmo o mais ínfimo pormenor.
Indivíduos com hipertimesia pode se lembrar de eventos que experimentaram pessoalmente. Para uma pessoa é hipertimésica pode indicar uma data e isso vai descrever os acontecimentos daquele dia, incluindo condições climáticas e muitos detalhes aparentemente triviais que a maioria das pessoas não seria capaz de se lembrar. Você pode se lembrar que dia da semana caiu para cada data, mas não necessariamente calculadoras calendário como as pessoas com autismo ou síndrome de savant ,. suas memórias estão limitados a aqueles dias em um calendário mental, “pessoal” A associação mental ocorre automaticamente e obsessivamente. Além disso, a hipnose parece causar algumas pessoas a hipermnésia transitória.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Irvine – Elizabeth Parker, Larry Cahill e James McGaugh estudaram essa síndrome em uma mulher identificada apenas pelas iniciais “AJ” (mais tarde, revelou sua identidade como Jill Price, de Los Angeles, em um livro publicado em 09 de maio de 2008 ), cuja memória é caracterizada como “non-stop, incontrolável e automática”. AJ percebeu mudanças básicas na sua memória em 1974, quando ele tinha oito anos. Desde 1980, aparentemente, pode lembrar-se de todos os seus dias.
A síndrome é rara e até onde se sabe não traz grandes complicações para quem nasce com ela, muito pelo contrário. Só há cerca de 30 casos reconhecidos pela Medicina, todos concentrados nos Estados Unidos.
A Síndrome da Memória Autobiográfica Altamente Superior (HSAM, na sigla em inglês), se caracteriza pelo fato de que seus portadores não esquecem de praticamente nada do que acontece em suas vidas e são capazes de registrar números, datas, rostos e nomes de forma impressionante. Não por outra razão são apelidados pelos pesquisadores de “Googles humanos”.
O reconhecimento dessa altíssima capacidade de memorização como uma síndrome só foi estabelecido há cerca de cinco anos pelo especialista em memória e neurobiólogo James McGaugh, da Universidade da Califórnia. Ele publicou artigo sobre um estudo de seis anos feito com uma paciente que apresentava esses sintomas. ”Provavelmente há pessoas com essa síndrome há séculos, mas suas bases nunca haviam sido investigadas cientificamente”, explicou. O teste para identificar a HSAM consiste basicamente de um questionário sobre acontecimentos públicos ocorridos nos últimos 20 anos.
Para ser diagnosticado com a síndrome o paciente precisa lembrar de datas, nomes e detalhes muito precisos sobre cada evento perguntado e apenas os que acertam mais de 55% dessas perguntas passam para a fase seguinte, nas quais respondem à perguntas pessoais. ”A família nos dá fotos ou diários para que a gente tenha dados precisos e assim provar as informações das quais eles dizem se lembrar. É muito, muito difícil que um indivíduo registre dados como esse, além de um certo tempo, como um nível de detalhes tão específico”, afirmou McGaugh.

Dom ou fardo?
Um dos exemplos mais famosos dentre os portadores da HSAM é o produtor de documentários do History e do Discovery Channel, Robert Petrella. “Às vezes, me recordo de algo que alguém disse há 30 anos, coisas que as outras pessoas não lembrariam, porque foram ditas no momento”, relata. Ele afirma ainda que sua grande memória ajudou a construir uma carreira de sucesso, pois é capaz de lembrar ao olhar para uma fotografia de uma partida de futebol americano, por exemplo, qual foi a data e o placar do jogo.
Além dele, a imensa maioria dos portadores de HSAM afirma não ter problemas com a síndrome, mas há uma exceção importante. A paciente Jill Price sentia tanto incômodo por não conseguir esquecer de nada e ser exigida pelos outros por conta de sua mega-memória que resolveu contar suas experiências pessoais dramáticas na autobiografia “The Woman Who Can’t Forget” (ou “A Mulher que Não Consegue Esquecer”, ainda sem versão brasileira). No livro ela relata ainda como sua capacidade superior afetou suas relações afetivas.
Se você se identificou com os sintomas, o neurobiólogo McGaugh recomenda não encarar a HSAM nem como fardo nem como um dom sobrenatural, mas que se evite expor a circunstâncias traumatizantes. Portadores da síndrome devem evitar profissões como a de policial, militar, médico, socorrista, ou bombeiro, por exemplo.

9651 – Arqueologia – Sítios deram apoio a tese polêmica sobre a ocupação da América


Houve um tempo em que o sítio arqueológico Boqueirão da Pedra Furada estava no epicentro de uma longa e azeda controvérsia científica: a antiguidade da ocupação humana das Américas. Que o Parque Nacional da Serra da Capivara esteja à beira de fechar é só mais uma oportunidade perdida na pátria das oportunidades perdidas.
A polêmica já teve como desfecho a quebra do chamado paradigma Clovis. O nome vem de um sítio no Novo México (EUA) que seria o mais representativo dos primeiros ocupantes do Novo Mundo.
Mais dogma que paradigma, a hipótese rezava que todas as populações pré-colombianas descendiam de caçadores-coletores da Ásia que teriam alcançado este continente por uma passagem de terra no estreito de Bering há 13 mil anos –e não mais.
A antropóloga Niède Guidon foi uma das primeiras a se levantar contra Clovis. Nos anos 1970, participou de um estudo científico pioneiro naquela região do Piauí, que conta com um milhar de abrigos cobertos de pinturas rupestres. Para ela, ali estavam os vestígios mais antigos do homem americano.
Guidon não teve entre arqueólogos o sucesso obtido –de início– em criar o parque. Nunca conseguiu convencer a maioria dos especialistas de que os pedaços de carvão de Pedra Furada, datados de 50 mil anos atrás, tivessem feito parte de uma fogueira construída por mãos humanas e não fossem produto de um incêndio natural.
O Museu do Homem Americano em São Raimundo Nonato ainda fala em ocupação de 50 mil anos, mas isso não é levado a sério fora dali.
Clovis está enterrado. A teoria que vier a substituí-lo, porém, estará baseada nas datações de sítios como Monte Verde (Chile) ou Paisley (Oregon, EUA), que apontam para uma leva de migração 14 mil ou 15 mil anos atrás.
A última promessa da Serra da Capivara é a Toca da Tira-Peia, com artefatos datados de 22 mil anos atrás.
Mas como esperar que a pesquisa no sítio receba todos os recursos para tornar essa datação inquestionável, se nem o parque nacional o país se dispõe a sustentar?

9650 – Biologia – Aves voam em conjunto para economizar energia


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Uma equipe de cientistas desvendou o segredo do voo dos pássaros em conjunto. No estudo, publicado na revista Nature na última quinta-feira, os pesquisadores liderados pelo Royal Veterinary College, da Universidade de Londres, mostram como a formação em “V” característica de aves migratórias é a estratégia ideal para poupar energia.
Para comprovar que o voo das aves é feito com sincronia, precisão e eficácia, a equipe desenvolveu sensores especiais para captar a velocidade, direção e batida das asas de catorze íbis criados em cativeiro no zoológico de Viena, na Áustria. Em ultraleves, alguns dos pesquisadores ensinaram aos pássaros a voar em conjunto e seguiram com eles em uma rota migratória da Áustria à Itália.
Com os dados recebidos pelos sensores acoplados às aves durante o voo, foi possível analisar como os pássaros posicionam-se no ar em pontos específicos que favorecem o menor esforço. A ave de trás aproveita o movimento ondulatório do ar provocado pelas asas da ave da frente. Ou seja, o primeiro pássaro faz a maior parte do esforço do bando – e é por isso que os pássaros se revezam em quem toma a dianteira do voo. As asas entram em sincronia para que o bando possa voar usando o menor esforço possível. Isso seria importante para longos voos, como as migrações.

9648 – Mortalidade por câncer cai drasticamente nos EUA


O risco de morrer de câncer nos Estados Unidos caiu 20% em 20 anos, o que reflete avanços na prevenção e no tratamento da doença, segundo o último relatório da Sociedade Americana Contra o Câncer (ACS), divulgado nesta terça-feira.
De 2006 a 2010, últimas estatísticas disponíveis, a incidência de câncer diminuiu 0,6% ao ano entre os homens e permaneceu estável entre as mulheres. Já a taxa de mortalidade caiu 1,8% ao ano entre eles e 1,4% entre elas. Essa diminuição se traduz em 1,34 milhão de mortes evitadas (952 700 homens e 387 700 mulheres) durante este período.
A redução varia de acordo com a idade, a origem étnica e o sexo dos doentes, passando de uma taxa de mortalidade que continua imutável entre mulheres brancas de 80 anos para uma queda de 55% entre homens negros de 40 a 49 anos.
Mesmo assim, entre todos os grupos étnicos, os negros americanos registram a maior incidência de câncer e de morte provocada pela doença – o dobro dos casos comparados aos asiáticos, os menos afetados. Segundo o relatório, “essa disparidade racial é explicada, sobretudo, pelas diferenças de tratamento no momento do diagnóstico”.​

Novos casos
O relatório da ACS prevê 1 660 000 novos casos de câncer nos Estados Unidos em 2014, assim como 585 720 mortes – 1 600 por dia – como resultado da enfermidade.
Entre os homens, os tumores de próstata, pulmão e cólon serão a metade dos diagnósticos do ano. No caso das mulheres, os três tipos mais incidentes serão mama, pulmão e cólon, que representarão metade dos casos.

9647 – História da Medicina – A Peste Negra


Embora haja desacordo, as estimativas são de 75 a 200 milhões de mortes. Estudiosos mais conservadores estimam que a população mundial de 450 milhões teria caído para 350 a 370 milhões.
A bactéria causadora da epidemia teve origem na China ou na Ásia Central, de onde viajou pela rota da seda, nos intestinos das pulgas que infestavam os ratos. Chegando ao Mediterrâneo, os ratos se encarregaram de levá-las para os navios, que disseminaram a doença pelos portos em que atracavam.
Relatos históricos dão conta do sofrimento humano. O poeta Boccaccio, que viveu em Florença nessa época, fez a seguinte descrição:
“Em homens e mulheres, ela se manifesta pela emergência de certos tumores nas virilhas e axilas, alguns dos quais chegam ao tamanho de uma maçã; outros, ao de um ovo… Dessas duas regiões do corpo esses tumores mortais logo começam a propagar-se e a espalhar-se em todas as direções; depois disso, a apresentação se modifica, em muitos casos manchas negras ou lívidas aparecem nos braços, nas coxas e outras partes, de início poucas e grandes, mais tarde pequenas e numerosas. Assim como os tumores, as manchas negras são sinais infalíveis de que a morte se aproxima daqueles nos quais se manifestam”.
Faltou dizer que a febre atingia 41 graus, os vômitos eram sanguinolentos, e que alguns desenvolviam complicações pulmonares, enquanto outros se curavam espontaneamente. Cerca de 80% iam a óbito em uma semana, proporção que aumentava para 90% quando havia comprometimento pulmonar e beirava 100% nos casos de septicemia.
As explicações para as epidemias de peste que já afligiam a Europa nos tempos de Justiniano, no século 8, eram imaginativas: conjunção de três planetas que espalharia pestilência no ar, terremotos, mendigos, peregrinos, estrangeiros, envenenamento dos poços de água pelos judeus (sempre eles), suposições que justificavam massacres sangrentos.
Foi apenas em 1894, quando um grupo de bacteriologistas visitou Hong Kong, que o agente etiológico, a Yersinia pestis, foi identificado por Alexandre Yersin.
Curiosamente, mesmo antes dos antibióticos, os casos mais recentes de peste não provocavam mortalidade elevada. As bactérias daqueles tempos seriam mais virulentas ou as pessoas mais fracas e desnutridas?
O advento de técnicas modernas de sequenciamento de DNA tem ajudado a decifrar essa questão. Um grupo de canadenses e americanos extraiu o DNA encontrado em dentes e ossos de pessoas enterradas no cemitério de East Smithfield, em Londres, última morada das vítimas da peste do século 14.
Em 2011, os resultados publicados na revista Nature mostraram que a Yersinia pestis daquela época está extinta, de fato. O genoma desse ancestral, no entanto, é bastante similar ao da bactéria de hoje.
Trabalhando com amostras antigas e recentes da bactéria, outros grupos observaram que a peste europeia foi causada por uma das 11 cepas que já circulavam na época de Justiniano. Entre os séculos 6 e 8, teria ocorrido um “big bang” de diversidade entre as yersínias, surgindo cepas novas dotadas de agressividade variável.
De acordo com esse modelo, deslocamentos humanos como os das Cruzadas e outras guerras, teriam criado pressões seletivas para que as bactérias se adaptassem rapidamente a ambientes estranhos e novos hospedeiros. Nessa luta pela sobrevivência, teriam levado vantagem as yersínias mais virulentas.
A partir de 1351, quando a epidemia europeia arrefeceu, a cepa virulenta que lhe havia dado origem pôde replicar-se com menos frequência, tornando-se mais estável, portanto mais semelhante às que circulam hoje entre seres humanos e roedores.
Estudos como esses têm sido realizados com os agentes de enfermidades responsáveis pelas mortes em massa do passado: varíola, tuberculose, hanseníase, sífilis e até o da praga da batata que matou de fome um milhão de irlandeses, entre 1845 e 1852.
Na santa ignorância em que viviam, quando nossos antepassados medievais imaginariam que, séculos mais tarde, desvendaríamos os segredos mais íntimos dos germes que lhes tiraram a vida?

9646 – Medicina – A Radioterapia


radioterapia

É um tratamento oncológico que consiste no uso de ondas eletromagnéticas para a destruição de células tumorais. Mais seletiva que a quimioterapia, esse método busca atingir somente as áreas com células em processo de divisão descontrolada.
O esquema de aplicação é decidido caso a caso e pode ser até diário. Os efeitos colaterais dependem muito do local de incidência, mas de forma geral são menos desagradáveis que os da quimioterapia e na maioria das vezes limitam-se a problemas de pele, como ressecamento, queimaduras e descamação. Se a radiação for direcionada para regiões como genitais ou medula, podem haver efeitos específicos como azoospermia (ausência de espermatozoides no sêmen), anovulação (não liberação de óvulo) e leucopenia (diminuição da quantidade de leucócitos).

9645 – Butantan Alerta Sobre os Riscos da ‘VACINA DO SAPO’


butantan

O Instituto Butantan, um dos maiores centros de pesquisa biomédica do mundo, alerta sobre os riscos da “vacina do sapo”, técnica indígena que promete força, resistência e até mesmo a cura de diversas doenças, entre elas câncer e depressão, pela injeção de veneno da perereca-verde Phyllomedusa bicolor, popularmente conhecida como kambô.
O biólogo Carlos Jared, diretor do Laboratório de Biologia Celular do instituto, ressalta que ainda é muito prematuro falar sobre os benefícios dessa substância. “Só temos 30 anos de estudos sobre os efeitos dos veneno dos anfíbios. Se comparado com as pesquisas do veneno de cobras, por exemplo, que vem sendo estudado desde o século XVII, ainda estamos só no começo. Nunca houve uma ação de saúde pública direta para estudá-lo. Seria importante coletar o veneno bruto do animal, passá-lo por um processo de separação química, isolar cada substância e estudá-las separadamente para, assim, afirmarmos veementemente sua eficácia. Mas para isso é preciso tempo, já que o processo é longo e trabalhoso.”
Embora cause sintomas incômodos , a ingestão do veneno vem atraindo cada vez mais adeptos devido à reação momentânea de bem-estar que provoca. A sensação é reflexo da presença comprovada de opioides produzidos pelas glândulas do animal. Esse grupo de fármaco natural atua em alguns receptores neurais amenizando a dor. Entretanto, uma série de outros componentes também faz parte do veneno, sendo que a maioria tem função desconhecida pela ciência. Algumas substâncias presentes na glândula podem causar vômitos, diarreia, taquicardia, sudorese e alterações de pressão, entre outros sintomas.
Há quem acredite que o vômito é importante para purificar o corpo, mas o diretor explica que a reação, bastante comum, é uma “arma” do anfíbio contra o seu predador. “Os venenos dos anfíbios, que ficam localizados sob a pele do animal, são passivos, liberados apenas por pressão do predador. É preciso que o predador ingira o animal para que o veneno seja expelido, diferentemente das cobras, que envenenam com a mordida. Caso o sapo seja engolido, a função do veneno é provocar vômito para que ele seja regurgitado. Se esses efeitos já são intensos pelo contato com a mucosa da boca, quando colocados em contato direto com a corrente sanguínea são muito mais fortes e aparecem em questão de segundos.”
Para a aplicação da ‘vacina do sapo’ são feitos de sete a nove orifícios no braço (em caso dos homens) ou na perna (em mulheres) com um pedaço de madeira quente. A secreção venenosa extraída da pele do sapo é inserida embaixo da pele com um canivete.
Jared reforça que a técnica não é recomendada por especialistas, nem reconhecida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “Embora possa existir uma mística, um glamour por ser um tratamento natural, ela causa efeitos desagradáveis, provocados por substâncias conhecidas. Fora isso, existem vários outros elementos nesse ‘caldeirão da bruxa’ que não sabemos o que são e o que podem provocar.”
A “vacina do sapo” é bastante utilizada pelos índios da Amazônia brasileira e peruana em rituais antes da caça. O intuito é aproveitar a sensação de bem-estar provocada após os efeitos colaterais. “A técnica é bastante interessante dentro do contexto da cultura indígena. Mas os índios, além de terem outros costumes, possuem mais resistência aos efeitos colaterais do que nós, que não estamos acostumados com a substância”.

9644 – Bê a bá da Genética


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Clonagem é um mecanismo comum de propagação da espécie em plantas ou bactérias. De acordo com Webber (1903), o clone é definido como uma população de moléculas, células ou organismos que se originaram de uma única célula e que são idênticas à célula original e entre si.
Em humanos, clones naturais são os gêmeos idênticos que se originam da divisão de um único óvulo fertilizado. A grande revolução que a Dolly provocou abriu caminho para a possibilidade de clonagem humana. Pela primeira vez, ficou patente que era possível clonar um mamífero, isto é, produzir uma cópia geneticamente idêntica a partir de uma célula somática diferenciada. Para entendermos por que essa experiência foi surpreendente, precisamos recordar um pouco de embriologia.
Todos nós já fomos uma célula única, resultante da fusão de um óvulo com um espermatozoide. Essa primeira célula já tem, em seu núcleo, o DNA com toda a informação genética necessária para gerar um novo ser. Nas células, o DNA fica extremamente condensado e organizado em cromossomos. Com exceção das nossas células sexuais, o óvulo e o espermatozoide que têm 23 cromossomos, todas as outras células do nosso corpo têm 46 cromossomos. Em cada uma delas, existem 22 pares que são iguais nos dois sexos, os chamados autossomos, e um par de cromossomos sexuais : XX no sexo feminino e XY no sexo masculino. As células com 46 cromossomos são chamadas células somáticas.

Voltemos agora a nossa primeira célula resultante da fusão do óvulo e do espermatozoide. Logo após a fecundação, ela começa a dividir-se: uma célula em duas, duas em quatro, quatro em oito e assim por diante. Pelo menos até a fase de oito células, cada uma delas é capaz de desenvolver-se num ser humano completo. Por isso, são chamadas de totipotentes. Na fase de 8 a 16 células, as células do embrião se diferenciam em dois grupos: um grupo de células externas, que vão originar a placenta e os anexos embrionários, e uma massa de células internas que vai originar o embrião propriamente dito. Setenta e duas horas depois da fecundação, esse embrião agora com cerca de 100 células passa a ser chamado de blastocisto. É nessa fase que ocorre sua implantação na cavidade uterina. As células internas do blastocisto que vão originar as centenas de tecidos que compõem o corpo humano são chamadas de células-tronco embrionárias pluripotentes.

Num dado momento, porém, as células somáticas, que até então eram todas iguais, começam a diferenciar-se nos vários tecidos que vão compor o organismo: sangue, fígado, músculos, cérebro, ossos, etc… Os genes que controlam essa diferenciação e o processo pelo qual isso ocorre ainda é um mistério.

O que sabemos é que, uma vez diferenciadas, as células somáticas perdem a capacidade de originar qualquer tecido. As descendentes de uma célula diferenciada vão manter as mesmas características daquela que as originou, isto é, células de fígado vão originar células de fígado, células musculares vão originar células musculares e assim por diante. Apesar do número de genes e do DNA serem iguais em todas as células do nosso corpo, nas células somáticas diferenciadas, os genes se expressam de maneira diferente em cada tecido, isto é, a expressão gênica é específica para cada tecido. Com exceção dos genes responsáveis pela manutenção do metabolismo celular (“housekeeping genes”) que se mantêm ativos em todas as células do organismo, só irão funcionar em cada tecido ou órgão os genes importantes para sua manutenção. Os outros se mantêm “silenciados” ou inativos.

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O PROCESSO DE CLONAGEM REPRODUTIVA

A grande notícia que a Dolly trouxe consigo foi justamente a descoberta de que uma célula somática de mamífero, já diferenciada, poderia ser reprogramada ao estágio inicial e voltar a ser totipotente. Isso foi conseguido transferindo o núcleo de uma célula somática da glândula mamária da ovelha que originou Dolly para um óvulo enucleado que, surpreendentemente, começou a comportar-se como um óvulo recém fecundado por um espermatozoide. Isso provavelmente ocorreu porque o óvulo, quando fecundado, tem mecanismos — para nós ainda desconhecidos – para reprogramar o DNA de modo a tornar todos os seus genes novamente ativos, o que ocorre no processo normal de fertilização.

Para obtenção de um clone, o óvulo enucleado para o qual foi transferido o núcleo da célula somática foi inserido no útero de outra ovelha. No caso da clonagem humana reprodutiva, a proposta seria retirar-se o núcleo de uma célula somática, que teoricamente poderia ser de qualquer tecido de uma criança ou de um adulto, inserir esse núcleo em um óvulo e implantá-lo num útero (que funcionaria como barriga de aluguel). Se esse óvulo conseguir desenvolver-se, teremos um novo ser com as mesmas características físicas da criança ou do adulto de quem foi retirada a célula somática. Seria como um gêmeo idêntico nascido posteriormente.

Já sabemos que não é um processo fácil. Dolly só nasceu depois de 276 tentativas que fracassaram. Além disso, dentre as 277 células “da mãe de Dolly“ que foram inseridas num óvulo sem núcleo, 90% não alcançaram nem o estágio de blastocisto. A tentativa posterior de clonar outros mamíferos, tais como camundongos, porcos, bezerros, um cavalo e um veado, também tem mostrado eficiência muito baixa e proporção muito grande de abortos e embriões malformados. Penta, a primeira bezerra brasileira clonada a partir de uma célula somática adulta, em 2002, morreu com um pouco mais de um mês. Ainda em 2002, foi anunciada a clonagem do “copycat” o primeiro gato de estimação clonado a partir de uma célula somática adulta. Para isso, foram utilizados 188 óvulos que geraram 87 embriões e apenas um animal vivo. Na realidade, experiências recentes, com diferentes modelos animais têm mostrado que a reprogramação dos genes para o estágio embrionário, processo que originou Dolly, é extremamente difícil.

O grupo liderado por Ian Wilmut, cientista escocês que se tornou famoso por essa experiência, afirma que praticamente todos os animais clonados nos últimos anos a partir de células não embrionárias estão com problemas (Rhind , 2003). Entre os diferentes defeitos observados nos pouquíssimos animais que nasceram vivos após inúmeras tentativas, observam-se placentas anormais, gigantismo em ovelhas e gado, defeitos cardíacos em porcos, problemas pulmonares em vacas, ovelhas e porcos, problemas imunológicos, falha na produção de leucócitos, defeitos musculares em carneiros. De acordo com Hochedlinger e Jaenisch (2003), os avanços recentes em clonagem reprodutiva permitem quatro conclusões importantes: 1) a maioria dos clones morre no início da gestação; 2) os animais clonados têm defeitos e anormalidades semelhantes independentemente da célula doadora ou da espécie; 3) essas anormalidades provavelmente ocorrem por falhas na reprogramação do genoma; 4) a eficiência da clonagem depende do estágio de diferenciação da célula doadora. De fato, a clonagem reprodutiva a partir de células embrionárias tem mostrado uma eficiência de 10 a 20 vezes maior provavelmente porque os genes que são fundamentais no início da embriogênese estão ainda ativos no genoma da célula doadora. (Hochedlinger e Jaenisch, 2003)

É interessante que, dentre todos os mamíferos que já foram clonados, a eficiência é um pouco maior em bezerros (cerca de 10% a 15%). Por outro lado, um fato intrigante é que ainda não se tem notícia de macaco ou cachorro que tenha sido clonado. Talvez seja por isso que a cientista inglesa Ann McLaren afirme que as falhas na reprogramação do núcleo somático possam constituir uma barreira intransponível para a clonagem humana.
Mesmo assim, pessoas como o médico italiano Antinori ou a seita dos raelianos defendem a clonagem humana, procedimento que tem sido proibido em todos os países. Na realidade, em documento assinado em 2003, as academias de ciências de 63 países, inclusive do Brasil, pedem o banimento da clonagem reprodutiva humana. O fato é que a simples possibilidade de clonar humanos tem suscitado discussões éticas em todos os segmentos da sociedade. Por que clonar? Quem deveria ser clonado ? Quem iria decidir? Quem será o pai ou a mãe do clone? O que fazer com os clones que nascerem defeituosos?, são questões sempre em pauta.

Na verdade, o maior problema ético atual é o enorme risco biológico associado à clonagem reprodutiva. No meu entender, seria a mesma coisa que discutir os prós e os contras da liberação de uma medicação nova, cujos efeitos são devastadores e ainda totalmente incontroláveis.

Apesar de todos os argumentos contra a clonagem humana reprodutiva, experiências com animais clonados têm-nos ensinado muito acerca do funcionamento celular. Por outro lado, a tecnologia de transferência de núcleo para fins terapêuticos, a chamada clonagem terapêutica, poderá ser extremamente útil para obtenção de células-tronco.

A TÉCNICA DE CLONAGEM TERAPÊUTICA PARA OBTENÇÃO DE CÉLULAS-TRONCO

Se pegarmos o óvulo cujo núcleo foi substituído pelo núcleo de uma célula somática e, em vez de inseri-lo em um útero, deixarmos que ele se divida no laboratório, teremos a possibilidade de usar essas células que, na fase de blastocisto, são pluripotentes, para fabricar diferentes tecidos. Isso abrirá perspectivas fantásticas para futuros tratamentos, porque hoje só se consegue cultivar em laboratório células com as mesmas características do tecido de onde foram retiradas. É importante que as pessoas entendam que, na clonagem para fins terapêuticos, serão gerados apenas tecidos, em laboratório, sem implantação do óvulo no útero. Não se trata de clonar um feto até alguns meses dentro do útero para depois retirar-lhe os órgãos, como alguns acreditam. Também não há por que chamar esse óvulo, após a transferência de núcleo, de embrião porque ele nunca terá esse destino.

Pesquisa publicada na revista Science, por um grupo de cientistas coreanos (Hwang e col, 2004) confirmou a possibilidade de obter células-tronco pluripotentes a partir da técnica de clonagem terapêutica ou transferência de núcleos (TN). O trabalho foi feito graças a participação de 16 mulheres voluntárias que doaram ao todo 242 óvulos e células cumulus (células que ficam ao redor dos óvulos) para contribuir com pesquisas visando à clonagem terapêutica. As células cumulus, que já são diferenciadas, foram transferidas para os óvulos dos quais haviam sido retirados os núcleos. De todos eles, 25% conseguiram dividir-se e chegar ao estágio de blastocisto, portanto capazes de produzir linhagens de células-tronco pluripotentes.

A clonagem terapêutica teria a vantagem de evitar rejeição se o doador fosse a própria pessoa. Seria o caso, por exemplo, de reconstituir a medula em alguém que se tornou paraplégico após um acidente ou para substituir o tecido cardíaco comprometido por um infarto. Entretanto, essa técnica tem limitações. No caso dos afetados por doenças genéticas, o doador não poderia ser a própria pessoa, pois a mutação patogênica causadora da doença está presente em todas as células. Usar linhagens de células-tronco embrionárias de outra pessoa pode provocar o problema da compatibilidade entre o doador e o receptor. Seria o caso, por exemplo, de um indivíduo afetado por distrofia muscular progressiva que necessita substituir tecido muscular.

Ele não poderia utilizar-se de suas próprias células-tronco, mas teria de recorrer a um doador compatível, eventualmente, um parente próximo. Além disso, não sabemos se as células obtidas de uma pessoa idosa com doença de Alzheimer, por exemplo, uma vez clonadas, teriam a mesma idade do doador ou seriam células jovens. Outra questão em aberto seria a reprogramação dos genes que poderiam inviabilizar o processo, dependendo do tecido ou do órgão a ser substituído.

Em resumo, por mais que sejamos favoráveis à clonagem terapêutica, trata-se de uma tecnologia que necessita de muita pesquisa antes de ser aplicada no tratamento clínico. Por esse motivo, a curto prazo, a grande esperança para terapia celular vem da utilização de células-tronco de outras fontes.

TERAPIA CELULAR COM OUTRAS FONTES DE CÉLULAS-TRONCO

a) Indivíduos adultos

Existem células-tronco em vários tecidos (medula óssea, sangue, fígado) de crianças e adultos. Entretanto, a quantidade é pequena e não sabemos ainda em que tecidos são capazes de diferenciar-se. Pesquisas recentes mostraram que células-tronco retiradas da medula de indivíduos com problemas cardíacos foram capazes de reconstituir o músculo do seu coração, o que abre perspectivas fantásticas para o tratamento de problemas cardíacos. A maior limitação dessa técnica – autotransplante -, porém, é não servir para portadores de doenças genéticas.
É importante lembrar que as doenças genéticas afetam entre 3% e 4% das crianças que nascem, ou seja, mais de cinco milhões de brasileiros, se considerarmos uma população de 170 milhões de habitantes. É verdade que nem todas as doenças genéticas poderiam ser tratadas com células-tronco, mas, se pensarmos somente nas doenças neuromusculares degenerativas que afetam uma em cada mil pessoas, estaremos falando em quase 200.000 pacientes.

b) Cordão umbilical e placenta

Pesquisas recentes vêm mostrando que o sangue do cordão umbilical e da placenta são ricos em células-tronco. Entretanto, também não sabemos ainda qual é o potencial de diferenciação dessas células em diferentes tecidos. Se as pesquisas com células-tronco de cordão umbilical derem os resultados esperados, isto é, se as células-tronco forem realmente capazes de regenerar tecidos ou órgãos, essa será certamente uma notícia fantástica, porque não envolve questões éticas. Ainda assim, porém, teremos de resolver o problema de compatibilidade entre as células-tronco do cordão doador e o receptor. Para tanto, será necessário criar, com a maior urgência, bancos de cordão públicos à semelhança dos bancos de sangue, porque se sabe que quanto maior o número de amostras de cordão em um banco, maior a chance de achar um doador compatível.

Experiências recentes já demonstraram que o sangue do cordão umbilical é o melhor material para substituir a medula em casos de leucemia. Por isso, a criação dos bancos de cordão é prioridade que se justificaria somente pelo fato de servirem de base para o tratamento de doenças sanguíneas, mesmo antes de serem confirmados os resultados de outras pesquisas.

c) Células embrionárias

Se as células-tronco de cordão tiverem a potencialidade desejada, a alternativa será o uso de células-tronco embrionárias obtidas de embriões não utilizados e que são descartados em clínicas de fertilização. Opositores ao uso de células embrionárias para fins terapêuticos argumentam que isso poderia gerar um comércio de óvulos ou que “embriões humanos” seriam destruídos e não é ético destruir uma vida para salvar outra.

ASPECTOS ÉTICOS
Apesar desses argumentos, o uso de células-tronco embrionárias para fins terapêuticos, obtidas tanto pela transferência de núcleo como de embriões descartados em clínicas de fertilização, é defendido por todos aqueles, e são muitos, que poderão beneficiar-se com a aplicação dessa técnica e pela maioria dos cientistas.
As 63 academias de ciência do mundo, que se posicionaram contra a clonagem reprodutiva, defendem as pesquisas com células embrionárias para fins terapêuticos. Em relação aos que acham que a clonagem terapêutica pode abrir caminho para clonagem reprodutiva, devemos lembrar que existe uma diferença intransponível entre os dois procedimentos: a implantação e a não implantação em um útero humano. Basta proibir a implantação no útero!

Se pensarmos que qualquer célula humana pode ser teoricamente clonada e gerar um novo ser, poderemos chegar ao exagero de achar que toda vez que tiramos a cutícula ou arrancamos um fio de cabelo, estamos destruindo uma vida humana em potencial. Afinal, o núcleo de uma célula da cutícula poderia ser colocado em um óvulo enucleado, inserido em um útero e gerar uma nova vida!
Por outro lado, a cultura de tecidos é prática comum em laboratório, apoiada por todos. A única diferença, no caso, seria o uso de óvulos (quando não fecundados são apenas células) que permitiriam a produção de qualquer tecido no laboratório. Ou seja, em vez de poder produzir apenas um tipo de tecido, já especializado, o uso de óvulos permitiria fabricar qualquer tipo de tecido. O que há de antiético nisso?
Quanto ao comércio de óvulos, não seria a mesma coisa do que já ocorre com o transplante de órgãos? Não é mais fácil doar um óvulo do que um rim? Cada um de nós pode fazer a si próprio esta pergunta: “Eu doaria um óvulo para ajudar alguém? Para salvar uma vida?”.
No que se refere à destruição de “embriões humanos”, novamente devemos lembrar que estamos falando de cultivar tecidos ou, futuramente, órgãos a partir de embriões que são normalmente descartados e que nunca serão inseridos em um útero. Sabemos que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e inseridos num útero nas melhores condições possíveis não geram vida. Além disso, um trabalho recente (Mitalipova et al., 2003) mostrou que células obtidas de embriões de má qualidade, que não teriam potencial para gerar uma vida, mantêm a capacidade de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e, portanto, de gerar tecidos.
Em resumo, é justo deixar morrer uma criança ou um jovem afetado por uma doença neuromuscular letal para preservar um embrião cujo destino é o lixo? Um embrião que, mesmo implantado em um útero, teria potencial baixíssimo de gerar um indivíduo? Ao usar células-tronco embrionárias para regenerar tecidos em uma pessoa condenada por uma doença letal, na realidade não estamos criando vida? Isso não é comparável ao que se faz hoje nos transplantes, quando se retira os órgãos de uma pessoa com morte cerebral (mas que poderia permanecer em vida vegetativa indefinidamente)?
É extremamente importante que as pessoas entendam a diferença entre clonagem humana, clonagem terapêutica e terapia celular com células-tronco embrionárias antes de assumir uma posição contrária. Por outro lado, também não podemos acreditar que as células-tronco sejam capazes de curar todas as doenças humanas. As pesquisas que estão se iniciando agora serão fundamentais para responder inúmeras questões sobre o potencial das células-tronco adultas em comparação com o das embrionárias, sobre as doenças que poderão ser tratadas e quais serão os benefícios e riscos da terapia celular.

9643 – Planeta Gelado – O Oceano Antártico


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Também conhecido como Oceano Glacial Antártico é o conjunto das águas que banham o Continente Antártico, mas que em realidade constituem o prolongamento meridional do oceano Atlântico, oceano Pacífico e oceano Índico. Muitos cientistas, oceanógrafos e geógrafos, não reconhecem a existência do oceano Antártico, considerando-o como uma junção de partes dos outros oceanos.
O oceano Antártico se estende desde a costa antártica até à latitude de os 60° S; limite convencional com o Oceano Atlântico, o Oceano Pacífico e o Oceano Índico. É o penúltimo oceano em extensão (só o oceano Ártico é menor). Formalmente, sua extensão foi definida pela Organização Hidrográfica Internacional no ano 2000 e coincide com os limites fixados pelo tratado Antártico.
O Oceano Antártico é o único a rodear o globo de forma completa, e circula completamente a Antártida. Tem uma superfície de 20.327.000 km², uma cifra que compreende aos mares periféricos: o mar de Amundsen, o mar de Bellingshausen, parte da passagem de Drake, o mar de Ross e o mar de Weddell. A terra firme que borda o oceano tem 17.968 km de costa.
Juridicamente, pelo tratado da Antártica, assinado dia 1 de janeiro de 1956, o oceano Antártico e o continente Antártico seriam de responsabilidade dos seguintes países, para usos pacíficos e científicos; Chile, Argentina, Austrália, Bélgica, Estados Unidos, Brasil, França, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido, África do Sul e Rússia (como herdeira da União Soviética).
No projeto da 4.ª edição foram consultados em 1972 os países membros da OHI. Até 1976 haviam respondido 32 países expressando a maioria sua preferência pelo nome Antarctic Ocean. Somente Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido se pronunciaram a favor do nome Southern Ocean e o Chile preferiu Antarctic Glacial Ocean. O Brasil e os Estados Unidos se opuseram à definição de um novo oceano. Sobre o limite norte existiram divergências com projetos apresentados pelo Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Noruega e por vários países que propuseram a linha da convergência antártica. Em 1986 foi decidido não incluir o oceano Antártico no projeto da 4° edição, que foi reprovado em 1998.4
Um novo projeto foi posto em consideração aos 68 países membros da OHI, sendo que até 1999 28 responderam favoravelmente à definição de um novo oceano rodeando a Antártida e a Argentina respondeu negativamente.5 18 países aceitaram que o nome em inglês do novo oceano fosse Southern Ocean, enquanto que o restante preferiu Antarctic Ocean. Com relação ao limite norte, 14 votos foram para que fosse o paralelo 60° Sul, 7 para que fosse o paralelo 50° Sul, 5 aceitaram a proposta australiana e 3 prefeririam o paralelo 35° Sul.
A temperatura do mar varia de +10 °C a -2 °C. Tempestades ciclônicas se movem do leste girando ao redor do continente antártico e são frequentemente de forte intensidade, e são a causa da diferença de temperatura entre os gelos e o oceano aberto.
A superfície oceânica está entre os 40° de latitude sul e a Corrente Circumpolar Antártica que tem os ventos mais fortes do planeta. No inverno o oceano se estende até os 65° S em direção ao Pacífico e até os 55° S em direção ao Atlântico, deixando a temperatura superficial abaixo de zero. Em algumas costas, os fortes e constantes ventos provenientes do interior mantém a costa livre de gelo também no inverno.
A camada que se forma ao redor do continente antártico, é de aproximadamente 1 m de profundidade, possui pelo menos 2,6 milhões de km² em março e chega ao máximo de 18,8 milhões de km² em setembro, um aumento de mais de sete vezes. A Corrente Circumpolar Antártica, de 21.000 km de largura, se move eternamente para leste. É a maior corrente do mundo, e transporta 130 milhões de m³/s, 100 vezes mais que todos os rios da Terra juntos. As ondas podem ser muito altas. Os icebergs antárticos podem possuir dimensões imponentes, estendendo-se por quilômetros e constituem um perigo para a navegação.
O ponto mais profundo do oceano se encontra no extremo meridional da Fossa Sandwich do Sul e alcança 7.235 m de profundidade.
Os glaciares e mantos de gelo antárticos que se estenderam e flutuam sobre a superfície do oceano formam um amplo sistema de plataformas de gelo. Pedaços dessas plataformas que estão ligadas aos glaciares em terra firme se rompem e formam campos de gelo e icebergues (ou iceberg). Devido ao aquecimento global algumas dessas grandes plataformas estão derretendo, contribuindo para o aumento do nível do mar.

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O Oceano Antártico, com uma profundidade geralmente compreendida entre os 4.000 e 5.000 metros, é um oceano profundo com poucas zonas estreitas de águas pouco profundas. A plataforma continental antártica é estreita e relativamente profunda em relação às outras: dos 400 aos 800 metros, contra uma média mundial de 133 metros.
Os recursos naturais do Oceano Antártico ainda não têm sido explorados, mas existem grandes jazidas de petróleo e gás natural nas proximidades do continente antártico.
O Oceano Antártico tem uma biodiversidade imensa e ainda muito pouco explorada. Sua fauna varia de pinguins, pinípedes e cetáceos, até cianobactérias, fitoplâncton e krill, que apesar de pequenos servem de alimento para os animais maiores. A Antártida não tem flora terrestre, sendo a sua única composição vegetal feita por algas marinhas e outros organismos autótrofos.
Dentre os principais portos operacionais estão a Base Rothera, a Base Palmer, a Villa Las Estrellas, a Base Esperanza, a Base Mawson, a Estação McMurdo, e os ancoradouros no mar na Antártida.
Poucos portos existem na costa sul (Antártida) do Oceano Antártico, uma vez que as condições do gelo restringem o uso da maioria das praias para curtos períodos, em pleno verão. E mesmo no verão alguns requerem escolta de navios quebra-gelo para o acesso. A maioria dos portos da Antártida são operados por estações de pesquisa governamentais e, exceto em caso de emergência, permanecem fechados aos navios comerciais ou particulares; navios em qualquer porto ao sul de 60 graus de latitude sul estão sujeitas a inspeção por observadores do Tratado da Antártida.

9642 – Cães – O Rotweiller


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É uma raça canina desenvolvida na Alemanha. Cão criado por açogueiros da região de Rottweil para o trabalho, logo tornou-se um eficiente animal de guarda e pastoreio, além de útil na tração. É reconhecidamente uma das raças mais antigas, já vista no século I em campanhas das legiões romanas pelos Alpes, tanto pastoreando quanto guardando prisioneiros. É dito que Nero mantinha exemplares em seu palácio para desencorajar intrusos. Os rottweilers eram ainda usados para guardar dinheiro em longas jornadas. Devido à sua utilidade, tornou-se popular em todo o mundo. É uma raça descrita como de exemplares inteligentes, bravos e devotados. Fisicamente é um animal forte, de pelagem preta e curta, com marcações em mogno; é robusto e de estrutura compacta, que transparece força, agilidade e resistência.
O Rottweiler é um cão de linhagem muito antiga que se pensa ter surgido numa cidade chamada Arae Flaviae fundada pelos Romanos, aquando das suas incursões no território alemão. Neste contexto, pensa-se que descende de um Mastim, não só pela sua notável inteligência, mas também pela vincada capacidade de trabalho.
A Arae Flaviae corresponde hoje a Rottweill, localizada perto da Floresta Negra. Este cão acompanhou o desenvolvimento da cidade que lhe deu o nome e nela evoluiu, desempenhando diferentes tarefas. Conta-se que inicialmente trabalhou como cão de carga entregando carne, daí que também seja conhecido por Metzgerhund (Cão do Carniceiro). Revelou-se igualmente útil na condução do gado e a puxar pequenos veículos com cargas de leite. Diz-se que alguns comerciantes tinham por hábito guardar, nas coleiras destes cães, o dinheiro que faziam nas feiras, por segurança.
A prosperidade desta raça foi no entanto ameaçada quando, no séc. XVIII, o Governo estabeleceu que o transporte de gado fosse feito por comboio. Tal afectou o “stock” da estirpe naquele país, já que o Rottweiler ao perder uma das suas mais importantes tarefas, deixou de ser tão cobiçado e consequentemente tão largamente criado. Ainda assim, o primeiro registo de um exemplar teve lugar numa exposição canina em Heilbronn, no ano de 1882.
Em 1901, surge um clube que agrupa duas raças: o Rottweiler e o Leonberger. Apesar do seu curto tempo de existência, esta entidade ofereceu-nos o primeiro standard da raça. A partir de então, a história desta raça toma um rumo diferente. Em 1907, surge o Deustcher Rottweiler Klub, em Heiderberg, filiado na Associação Alemã de Cães Polícia e o Internacional Rottweiler Klub, cuja linha de acção privilegiava a beleza da estirpe. A fusão destes dois clubes origina, em 1921, o aparecimento do Allegmeiner Deutscher Rottweiler Klub (ADRK), que publica, em 1924, o primeiro Livro de Origens da raça.
Por volta da I Guerra Mundial, a sua popularidade já há muito que havia sido estabelecida no meio policial, que a nomeara “cão-polícia”, em 1910. Os dois conflitos mundiais foram (tal como nas demais raças) momentos particularmente difíceis para o seu desenvolvimento, mas os esforços que foram sendo realizados pelos seus admiradores revelaram-se bastante positivos.
Em 1935, a raça foi oficialmente reconhecida pelo Kennel Club americano e, no ano seguinte chega á Grã-Bretanha. Em 1966, recebe um registo separado da parte do Kennel Club britânico.

Temperamento
O Rottweiler é uma companhia calma, silenciosa e obediente. Existem porem linhas de cães com temperamentos totalmente opostos. O seu nível de agressividade está muito dependente do tipo de treino que recebe, e é altamente desaconselhável estimulá-lo para o ataque.
Deve ser educado desde pequeno de uma forma sistemática e positiva, para que se torne num companheiro seguro. É aconselhável que o seu o dono possua alguma experiência em lidar com este tipo de perfil, já que estes cães são bastante inteligentes e têm uma personalidade forte. Como cães de guarda são extremamente atentos e são hostis para com os intrusos.
Na sua relação com a família, são animais alegres que gostam de receber atenção do seu dono. Lidam bem com as crianças e com outros animais de estimação, se forem devidamente habituados a conviver com estes.

Descrição
Rottweiler é um cão de porte musculoso e robusto, mas com linhas elegantes e bonitas. Os machos medem nas espáduas cerca de 60 cm e as fêmeas cerca de 56 cm. O seu peso atinge os 50 kg nos primeiros, e os 40 Kg nos segundos.
A pelagem é de tamanho médio e apresenta-se rija. O subpêlo é abundante, curto e denso. As cores permitidas são o vermelho, cinzento lobeiro e o preto (que pode ou não ter marcas mais claras).
A cabeça de raposa é grande e larga entre as orelhas e possui um chanfro acentuado. Os olhos amendoados são castanhos, de expressão calma e segura e as orelhas são pequenas e triangulares, pendendo dobradas para a frente, ligeiramente afastadas da cabeça. O pescoço é vigoroso, terminando num peito largo e forte de costelas bem arqueadas. Os membros anteriores têm os jarretes levemente descaídos. Os posteriores são largos e musculosos e têm os pés ligeiramente maiores que os anteriores. A cauda é amputada curta.

Observações
A esperança média destes cães ronda, aproximadamente, os 10 anos de idade. A sua saúde requer toda a atenção já que são susceptíveis de desenvolver displasia da anca, problemas de visão, epilepsia, hipotireoidismo e cancro.
A manutenção do seu pêlo deve ser efectuado semanalmente com uma escova de arame ou de borracha.
Não são animais exigentes em termos de exercício físico. Apreciam nadar, passeios moderados ou simplesmente brincar. É aconselhável que possam sair pelos menos durante 2 horas por dia.
Estes cães normalmente adaptam-se a viver em espaços menos amplos, mas o ideal é que tenham sempre acesso a uma área devidamente cercada.

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A personalidade do Rottweiler engloba o conjunto de qualidades, habilidades e os atributos físicos e mentais inatos e adquiridos, que determinam o seu comportamento no meio ambiente. Psicologicamente, sua atitude é amistosa e pacífica. Ante um estímulo desagradável, ele age com dureza. Diante de uma real ameaça, porém, seu instindo de defesa é acionado, em virtude do alto desenvolvimento de seu espírito de luta e proteção, resistindo sem medo ou hesitação a experiências dolorosas. Uma vez cessada a ameaça, o instinto de luta se extingue relativamente rápido e retorna normalmente à sua atitude pacífica.
Um temperamento tão forte exige do dono uma atitude de líder perante o Rottweiler. Essa condição está ao alcance da maioria das pessoas, de forma bastante simples, desde que se saiba fazê-lo. Basta disciplinar o comportamento do Rottweiler desde pequeno e ele aceitará os donos como líderes naturalmente e então terão um companheiro fiel e carinhoso para com a família. Esta troca de afeto e contato é de extrema importância para um Rottweiler, pois ele é extremamente apegado à sua família, tornando-o também mais equilibrado para desempenhar sua principal vocação: a guarda. Este convívio entre o dono (líder) e o Rottweiler (liderado) é o fator fundamental para a educação e socialização dele. Um Rottweiler mal-educado e/ou anti-social pode trazer uma série de problemas, desde destruir objetos do quintal, por causa da solidão, até tornar inviável um passeio pela rua, pois, desabituado com outros animais e pessoas, pode tornar-se agressivo com eles. Este problema não é exclusivo da raça, mas torna-a uma vítima comum se for criado isolado da família e do convívio com outros animais.
Uma característica importante que ajuda na educação do Rottweiler é sua elevada inteligência e impressionante memória. Considerada a nona raça mais inteligente, dentre 133 analisadas, no livro A Inteligência dos Cães, de Stanley Coren, um Rottweiler raramente é culpado por ser desobediente. Por isso reforça-se tanto a necessidade de um adestramento básico para o cão. São séculos de aprimoramento da raça para trabalhar junto com seu dono, seja como guarda, boiadeiro e até, em alguns casos, resgate de pessoas. Essa avidez por trabalho do Rottweiler não pode ser negligenciada. Um adestramento básico necessita apenas de uma guia, coleira e boa vontade do próprio dono e o Rottweiler adora ser adestrado. Existe uma bibliografia extensa de livros que ensinam a educar seu cão.
Rottweilers podem (e devem) ser controlados utilizando apenas reprimendas verbais. Além disso, trancos e machucaduras nem sempre funcionam para se obter obediência, porque a resistência à dor é elevada na raça. Evite adestradores demasiadamente ríspidos. Deve-se evitar o confronto físico com seu Rottweiler, pois bem sabemos que não podemos com a força de um adulto, mas ele nunca deve saber disso. Por isso, é de extrema importância que ele nos obedeça prontamente a um comando de voz.
Um Rottweiler obediente vem quando é chamado, segue as normas, senta, deita, aceita ordens e uma bronca moderada, acompanha (e não reboca) o dono nos passeios, tem hábitos de higiêne absolutamente sob controle, deixa o dono dar banho, remédio e fazer curativos e não late desnecessariamente.
Os machos medem aproximadamente entre 60 e 68 cm e pesam entre 45 e 60kg. As fêmeas são um pouco menores, medindo aproximadamente entre 55 e 63cm, pesando algo entre 35 e 45 kg. A altura é relativa à cernelha (nuca) do cão, não levando em conta o pescoço e a cabeça. O Rottweiler é muito forte para o seu tamanho, pois era originalmente um cão de tração também. Por isso um cão adulto pode facilmente derrubar uma pessoa, mesmo durante uma brincadeira. Por isso, não de deve deixá-lo sozinho com crianças muito pequenas (aliás, nenhum cão médio ou grande deve ser deixado só com uma criança pequena) e ter um cuidado maior quando em contato com pessoas muito idosas.

9641 – Geologia – Como se formou o Himalaia?


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A viagem de mais de 6.000 km do continente indiano antes de sua colisão com a Ásia (Eurásia) entre cerca de 40 e 50 milhões de anos atrás.
O Himalaia está entre as formações montanhosas mais jovens do planeta. De acordo com a moderna teoria das placas tectônicas, sua formação é resultado de uma colisão continental, ou então, pelo processo de orogenia (isto é, processo de formação de montanhas) entre os limites convergentes entre as placas Indo-australiana e da Eurásia. A colisão iniciou-se no Cretáceo Superior há cerca de 70 milhões de anos, quando a placa Indo-australiana se moveu rumo ao norte e colidiu com a placa da Eurásia. Há cerca de 50 milhões de anos, com a movimentação rápida da placa Indo-australiana, a junção já havia se estabelecido. Entretanto, a placa, continua a movimentar-se horizontalmente para baixo do planalto do Tibete, forçado a ascendência do planalto. As montanhas de Arakan-Yoma em Mianmar e as ilhas Andamão e Nicobar na Baía de Bengala também se formaram em decorrência dessa colisão.
A placa Indo-australiana ainda se move numa proporção de 67 mm/ano, e nos próximos 10 milhões de anos avançará cerca de 1500 km para o interior da Ásia. Cerca de 20 mm/ano da convergência da Índia com a Ásia é absorvida pelo empuxo ao longo da frente sul do Himalaia. Isto, leva os Himalaias a elevar-se cerca de 5 mm/ano; fazendo com que eles sejam geologicamente ativos. O movimento da placa indiana em direção à placa asiática, também faz esta região ser sismicamente ativa, induzindo terremotos periodicamente.

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9640 – Bioquímica – Aminoácidos como formadores de peptídeos a proteínas


Aminoácidos, ou simplesmente aa, são moléculas orgânicas que apresentam um carbono saturado, denominado de carbono alfa, que realiza uma ligação com um átomo de hidrogênio, com um grupamento amino, com um grupamento ácido e com um radical orgânico qualquer, sendo esta última ligação a que distingue um aminoácido de outro. Com relação à sua denominação, estão presentes as funções amina e ácido carboxílico, obrigatoriamente, em toda molécula de aa. A estrutura elementar de um aa é representada na Figura 1.

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Aminoácidos são geralmente compostos de alta polaridade, uma vez que há somente três possibilidades de apresentarem um átomo de carbono alfa que também não seja quiral. Ou seja, um carbono quiral é aquele que se liga quimicamente a quatro grupos distintos. No caso do carbono alfa, apenas quando o radical diferenciador for um átomo de hidrogênio, um grupo amina ou um grupo ácido é que esse carbono alfa não será também quiral.
No momento em que se tem muitos aa ligados entre si (o número difere dependendo da fonte adotada, mas gira em torno de 100), deixamos de classificar a molécula formada de peptídeo para então a classificarmos como uma proteína.

Proteínas são polímeros biológicos com elevadas massas molares formadas por unidades fundamentais (monômeros) denominadas aminoácidos. As proteínas são os componentes químicos mais importantes do ponto de vista estrutural, pois estão presente em todas as partes da célula. São também fundamentais no funcionamento do organismo, uma vez que o controle das reações químicas depende das enzimas, que são moléculas de proteínas. “São as moléculas orgânicas mais abundantes e importantes nas células e perfazem 50% ou mais de seu peso seco. São encontradas em todas as partes de todas as células, uma vez que são fundamentais sob todos os aspectos da estrutura e função celulares. Existem muitas espécies diferentes de proteínas, cada uma especializada para uma função biológica diversa. Além disso, a maior parte da informação genética é expressa pelas proteínas. Pertencem à classe dos peptídeos, pois são formadas por aminoácidos ligados entre si por ligações peptídicas. Uma ligação peptídica é a união do grupo amino (-NH2 ) de um aminoácido com o grupo carboxila (-COOH) de outro aminoácido, através da formação de uma amida”.

A lista abaixo apresenta itens que visam a resumir e a elucidar o exposto:

1. A principal diferença entre peptídeos e proteínas.
Um peptídeo pode ser formado pela união de dois aminoácidos e uma proteína só será formada por filamentos de polipeptídios, ou seja, as proteínas são polímeros e os peptídeos são os monômeros.

2. A caracterização de uma reação peptídica.
União do grupo ácido do aminoácido com o grupo amina de outro aminoácido, com liberação de uma molécula de água.

3. Alimentos considerados como fonte de proteína completa.
Um alimento que apresenta todos os 20 aminoácidos necessários para formar as proteínas necessárias para o organismo humano. Alimentos de origem animal, como carne, leite, queijo, peixe e ovos, possuem proteínas de alta qualidade.

4. O que se entende por carbono alfa e quando um carbono alfa será quiral?
Carbono alfa é o carbono em que está ligado a um grupo amina, a um grupo ácido, a um átomo de hidrogênio e a um radical R qualquer. Quando o átomo de carbono está ligado a quatro radicais diferentes, como N2H, COOH, H, R, por exemplo. O único aminoácido que não apresenta composto quiral é a GLICINA, pois apresenta três radicais diferentes (N2H, COOH, H, H), havendo dois radicais hidrogênio.