12.660 – Toxicologia – Anti-inflamatórios barram efeitos do veneno de escorpião


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Escorpião é puro veneno

Os efeitos mais sérios do veneno do escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), o mais perigoso do Brasil, talvez possam ser barrados com o uso de anti-inflamatórios comuns, sugere uma pesquisa da USP de Ribeirão Preto.
Em experimentos com camundongos, esses remédios conseguiram evitar problemas severos nos pulmões e a morte dos animais, mesmo quando recebiam doses teoricamente letais da peçonha.
A equipe da USP (Universidade de São Paulo) está se preparando para testar a abordagem com amostras de sangue humano. Se os resultados forem promissores, pessoas picadas pelo animal poderão receber os anti-inflamatórios logo de cara, antes do soro que funciona como antídoto do veneno.
O estudo, que saiu na revista científica “Nature Communications”, ajudou a elucidar detalhes do mecanismo de ação do veneno que ainda eram misteriosos. O que os cientistas verificaram é que a peçonha do escorpião atua sobre o chamado inflamassoma, um conjunto de moléculas do interior das células que desencadeia reações inflamatórias –em geral quando o organismo é invadido por micróbios, por exemplo.
“Venenos como o do escorpião exploram o sistema imune do organismo. O veneno induz uma superativação do sistema imune e pode até matar. Isso ficou claro recentemente com pesquisas sobre o veneno de abelhas”, explica outro coautor do estudo, o biólogo Dario Zamboni.
O processo desencadeado pela picada do T. serrulatus é complexo, mas duas moléculas-chave na reação inflamatória são a PGE2 (prostaglandina E2, um tipo de lipídio ou gordura) e a IL-1beta (interleucina-1 beta). Ao que tudo indica, a primeira molécula a ser produzida nas células da defesa do organismo por conta da presença do veneno é a PGE2. Ela, por sua vez, ativa o inflamassoma, levando à produção de IL-1beta, um importante sinalizador do sistema imune –cuja presença desencadeia ainda uma nova e mais potente rodada de produção de PGE2.
Dependendo de fatores que podem estar ligados às características genéticas do indivíduo, esse processo pode sair do controle. O normal é que a picada provoque dor e inflamação apenas no local penetrado pelo ferrão, mas nos piores casos a inflamação desencadeia um edema nos pulmões, o que pode levar à morte. E nem sempre o soro pode reverter esse quadro.
A ideia é analisar o sangue de pessoas que acabaram de ser picadas por escorpiões e verificar se as mesmas moléculas mediadoras do processo inflamatório achadas em camundongos também estarão presentes. O teste definitivo envolveria fornecer aos pacientes os anti-inflamatórios logo após os ataques de escorpiões.

12.506 – Cogumelos alucinógenos podem curar depressão


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A psilocibina, que é a substância ativa do cogumelo alucinógeno, acaba de ser testada pela primeira vez como tratamento para depressão, com resultados impressionantes. Foi num estudo feito em Londres com 12 pacientes, todos eles deprimidos há muitos anos. Os 12 já haviam tentado tomar antidepressivos convencionais, sem resultados. Após uma única seção com a droga, acompanhada de perto por terapeutas para garantir a segurança e evitar surtos, todos os pacientes melhoraram significativamente seus sintomas. Três meses depois, os 12 foram analisados novamente – e, surpreendentemente, 5 deles não tinham mais nenhum sinal de depressão. “Remissão completa”, declararam os cientistas (que, assim como os oncologistas, não gostam da palavra “cura”, já que depressão sempre pode voltar). É um resultado muito melhor do que o que costuma aparecer com os anti-depressivos que estão no mercado, que têm uma “taxa de remissão” de apenas 20%.
A pesquisa, publicada numa das principais publicações médicas do mundo, o Lancet, é preliminar – servia para determinar se a terapia era segura e se merecia mais investigações (a resposta foi “sim” para as duas perguntas). O próximo passo agora é realizar um estudo maior, com centenas de pacientes, para checar se os bons resultados se confirmam.
O novo estudo aparece em meio a vários outros que têm sido publicados nos últimos meses envolvendo drogas ilegais psicodélicas, como a próprio psilocibina, o LSD e o MDMA (princípio ativo do ecstasy). Boa parte desses estudos – inclusive o da psilocibina – estão acontecendo no laboratório de David Nutt, no Imperial College de Londres. Numa entrevista à revista Scientific American, Nutt reclama da dificuldade de realizar pesquisas com substâncias tão carregadas de tabus. “Cada passo do processo – pedir licenças, esperar pelas licenças, recebê-las, fazer contratos para a produção da droga etc – envolveu um atraso de até dois meses. Foi imensamente frustrante e a maior parte dessas demoras era desnecessária”, disse. Por conta disso, a pesquisa levou quase três anos para ser feita.
A notícia da publicação foi recebida com expectativa pelo meio científico, e com preocupação pela indústria farmacêutica. Afinal, depressão é um dos males do nosso tempo – um mercado gigantesco para quem vende medicamentos. Se a psilocibina funcionar, esse mercado pode mudar radicalmente. O tratamento convencional para depressão envolve tomar um comprimido todos os dias, às vezes pelo resto da vida, com um custo de milhares de reais por ano. Já esse novo tratamento pode custar muito mais barato: o paciente faria apenas uma seção – talvez duas ou três -, acompanhada por terapeutas. A seção é intensa, geralmente caracterizada por uma experiência mística profunda – depois disso, os cientistas esperam que a depressão simplesmente vá embora.
O autor principal desse estudo é Robin Carhart-Harris, que trabalha no laboratório de Nutt e concebeu a teoria de que os psicodélicos teriam a capacidade de enfraquecer a chamada “rede de controle padrão”, uma área do cérebro que se desenvolve quando nos tornamos adultos e tem o papel de tornar nossa mente mais rígida. Por causa dela, adultos são menos criativos e menos capazes de aprender do que crianças. Segundo essa teoria, o papel dos psicodélicos nesses tratamentos equivaleria a “regredir” um paciente com distúrbios psiquiátricos à infância, de maneira a tornar seu cérebro mais “moldável” e aproveitar para eliminar conexões indesejadas. A droga não funciona sozinha – ela abre o caminho para o terapeuta trabalhar.

12.350 – Medicina – Intoxicação por monóxido de carbono


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Ocorre após uma inalação suficiente de monóxido de carbono (CO). Este gás tóxico é incolor, inodoro, insípido e de início não irritante, sendo por isso muito difícil às pessoas detectarem a sua presença.
O monóxido de carbono é um produto da combustão incompleta de matéria orgânica devido à falta de fornecimento de oxigénio para permitir uma completa oxidação para dióxido de carbono (CO2). Ocorre tanto em ambiente doméstico como industrial devido a motores antigos e outros mecanismos de combustão, aquecedores e equipamento de cozinha. A exposição a valores de 100 ppm ou superiores pode colocar em risco a vida humana.
Os sintomas de uma ligeira intoxicação por monóxido de carbono incluem desmaio, sensação de confusão, cefaleia, vertigens e outros similares aos da gripe. Exposições longas podem conduzir a uma toxicidade grave no sistema nervoso central e no coração, e mesmo à morte. Na sequência de uma intoxicação aguda, as sequelas são quase sempre permanentes. O monóxido de carbono pode ter efeitos graves no feto quando inalado pelas grávidas. A exposição crónica a baixos níveis de monóxido de carbono pode conduzir à depressão nervosa, confusão e perda da memória. O monóxido de carbono tem sobretudo efeitos negativos nas pessoas ao combinar-se com a hemoglobina para formar carboxihemoglobina (HbCO) no sangue, o que evita a ligação do oxigénio à hemoglobina pela redução da capacidade de transporte de oxigénio pelo sangue. O efeito grave que tal provoca é a hipóxia, e, além disso, supõe-se que a mioglobina e o citocromo c oxidase mitocondrial sejam fortemente afetados. A carboxihemoglobina pode tornar-se de novo em hemoglobina, mas tal processo demora porque o complexo HbCO é bastante estável.
O tratamento de intoxicações por monóxido de carbono consiste sobretudo na administração terapêutica de oxigénio puro ou oxigénio hiperbárico, embora o tratamento ideal não seja consensual.
O oxigénio age como um antídoto já que aumenta a remoção de monóxido de carbono na hemoglobina, mas também fornece ao corpo níveis normais de oxigénio. A intoxicação por monóxido de carbono pode ser evitada pela adequada ventilação do ambiente e recorrendo-se a um detetor de monóxido de carbono para verificar se os níveis estão abaixo do nível de risco.
As intoxicações por monóxido de carbono constituem um dos mais comuns tipos de envenenamento fatal em vários países.
Têm sido usadas como método de suicídio, normalmente pela inalação propositada dos fumos de queima de lareiras ou fogões, ou fumos de escape de gases da combustão em motores de veículos automóveis.
Os automóveis recentes, mesmo com combustão controlada eletronicamente e dispondo de conversores catalíticos, podem ainda assim produzir níveis de monóxido de carbono potencialmente fatais se a vítima estiver numa garagem ou se a saída de fumos de uma lareira ou fogão estiver obstruída (por exemplo, pela neve) e o gás de escape não possa sair normalmente do espaço em causa.
A intoxicação por monóxido de carbono poderá ainda apresentar-se como provável causa das casas assombradas: sintomas como delírios e alucinações poderão ter levado a que vítimas da intoxicação tenham sido levadas a pensar que tinham visto fantasmas ou a afirmar que a casa se encontra assombrada.

12.314 – Toxicologia – Qual a droga mais viciante?


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A pergunta parece simples, mas a reposta para ela depende do ponto de vista. A mais viciante é a que tem mais potencial de danos à saúde do usuário, a que tem preços mais baixos (e, consequentemente, mais facilidade de ser comprada), a que mais age no sistema de dopamina do cérebro, a que mais deixa o usuário fora de si ou a que causa mais sintomas?
O pesquisador David Nutt juntou uma equipe de estudiosos com o objetivo de perguntar a diversos especialistas quais eram as drogas mais viciantes, independentemente de qual critério usaram para construir seus próprios rankings. Com isso, o grupo conseguiu determinar as cinco drogas mais viciantes e por que são tão perigosas:
A nicotina é o ingrediente mais viciante do tabaco. Quando alguém fuma um cigarro, a nicotina é rapidamente absorvida pelos pulmões e entregue ao cérebro. Embora não pareça tão perigosa quanto outras drogas mais pesadas, a nicotina tem altos índices de desenvolvimento de vício.
Um estudo oficial do governo dos Estados Unidos concluiu que mais de dois terços dos norte-americano que fumaram mais de duas vezes na vida se tornaram dependentes. Em 2002, a Organização Mundial da Saúde estimou que o mundo tinha mais de um bilhão de fumantes e que cerca de oito milhões de pessoas morreriam anualmente por causa dos efeitos do tabaco. Testes feitos para testar os efeitos da nicotina no cérebro estimam que os níveis de dopamina crescem entre 25% e 40% quando a substância entra na corrente sanguínea.

Barbitúricos (calmantes)
A função primário dos barbitúricos é combater males como a ansiedade e a insônia. Estas drogas têm o efeito de “desligar” diversas regiões do cérebro. Em pequenas quantidades, causam euforia, mas, em grandes quantidades, podem até ser letais, porque travam o sistema respiratório. O vício em barbitúricos é preocupante porque estas são drogas facilmente adquiridas, visto que o dependente precisa apenas de uma prescrição.

A cocaína interfere diretamente no modo como o cérebro usa a dopamina para enviar mensagens entre um neurônio e outro. Basicamente, a cocaína evita que os neurônios “desliguem” o sinal receptivo de dopamina, resultando numa ativação anormal dos caminhos de recompensa. Em experimentos com animais, a cocaína eleva em três vezes os níveis de cocaína. Estima-se que entre 14 e 20 milhões de pessoas sejam dependentes de cocaína, droga que movimenta cerca de 75 bilhões de dólares anualmente. O entorpecente é tão perigoso que cerca de 21% das pessoas que o experimentam uma única vez tornam-se dependentes.

Álcool
Alguns especialistas colocam o álcool na primeira posição do ranking de drogas mais viciantes, não só por seus efeitos, mas também pelo acesso fácil à droga. Legalizado em boa parte dos países ocidentais, o álcool pode aumentar os níveis de dopamina do dependente em até 360%. A Organização Mundial da Saúde estima que 22% das pessoas que consumirem álcool se tornarão dependentes. Além disso, OMS concluiu que cerca de três milhões de pessoas morrem anualmente devido aos efeitos causados pela droga no corpo.

Heroína
Numa escala que varia de 0 a 3, a heroína recebeu 2,5 pontos, de acordo com os especialistas consultados na pesquisa. A droga é altamente viciante porque uma pequena dose aumenta os níveis de dopamina do usuário em cerca de 200%. Além de causar vício, a heroína é perigosa porque uma quantidade considerada alta aumenta em até cinco vezes as chances do dependente de ter uma overdose. Dados da OMS estimam que esta droga movimenta um mercado de cerca de 68 bilhões de dólares, anualmente.

12.218 – Drogas – DMT (dimetiltriptamina)


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É uma droga alucinógena e ilícita, classificada como tipo A, como a heroína e a cocaína. Porém este tipo de droga é natural e pode ser até produzido até pelo próprio organismo humano na Glândula Pineal e pesquisas recentes indicam que o DMT será produzido ao menos duas vezes, no nascimento e na morte. Esta droga é encontrada também em folhas de plantas da América do Sul como: Anadenanthera peregina, em folhas de Banisteriopsis rusbyana, Diplopterys cabrerana e principalmente na da planta brasileira epená (Virola calophylla). Além de ser encontrada em rapé, hoje já pode ser encontrada em pó e em cristais.
O DMT pode ser fumado através de um cachimbo ou então injetado no músculo. Seu uso não causa dependência física ou psicológica. Para usar o DMT via oral, deve-se misturá-lo com inibidores da monoamina oxidase, mas ainda causa alucinações. No caso de via oral, a forma mais conhecida é a do “chá ayahuaska” que é usado nos ritos do Santo Daime (uma religião), no seu preparo a uma reunião para a consagração do chá, para seus usuários neste ritual ele é um gerador da divindade interna. A ayahuaska causa alterações da consciência mesmo misturado com inibidores.

Os efeitos que a droga causa quando é injetada ou fumada são:

Primeiros instantes:

Visões e pensamentos muito rápidos;
Objetos perderem as formas;
Objetos se dissolverem;
Após os primeiros 5 minutos:

Pupilas dilatadas;
Batimento cardíaco acelerado;
Tensão arterial aumenta;
Dentro de 10 minutos:

Alucinações de olhos fechados e abertos;
Grande movimentação na visão
Dificuldade nas expressões e pensamentos;
Pressentimentos que podem levar ao medo.
Devido aos efeitos serem muito fortes, algumas pessoas podem até relatar contatos com pessoas já mortas e também extraterrestres, saindo da realidade. Após 60 minutos os efeitos já não existem mais, apenas em raros casos pessoas tiveram alguns sintomas na segunda hora do uso.
O DMT também pode causar depois do uso, irritações na garganta, distúrbios no sono e dificuldade de concentração para se fazer tarefas. Assim como ocorre com outras drogas alucinógenas, as pessoas que usam o DMT podem aumentar sua dose frequentemente, pois o efeito começa a ter menos intensidade e o período que os efeitos são percebidos se tornam mais curtos. Não é recomendada a mistura do DMT com outras drogas, e é muito perigoso o uso por pessoas que tem a pressão alta.

11.983 – Lei e Direito Justiça brasileira legaliza maconha para uso medicinal


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Justiça Federal do DF deu prazo de dez dias para a Agência de Vigilância Sanitária, que regula os medicamentos no país, retirar o THC da lista negra das substâncias proibidas. Isso já foi feito com o Canabidiol (CBD), em janeiro de 2015, por iniciativa da própria Anvisa. Mas o THC, princípio ativo responsável pelo barato da maconha, continua banido.
A outra novidade é que, segundo a sentença, estão autorizadas a prescrição e a importação de Cannabis sativa L. “Agora, um médico pode prescrever a planta in natura“, diz Emílio Figueiredo, consultor jurídico do Growroom, associação que defende o cultivo para uso pessoal.
A decisão é uma tutela antecipada: ou seja, o juiz ainda não proferiu sua decisão final sobre todos os pontos da ação. Mas antecipou a decisão sobre pontos que considera urgentes. Que são:
Reclassificar o THC. “Transferir, em dez dias, o THC da lista F2 do anexo da lei de drogas, que contém as substâncias psicoativas banidas, para uma lista de substâncias sujeitas à notificação de receita” – ou seja, ele passa a ser autorizado mediante prescrição médica.
Mudar, em dez dias, a portaria 344/98 para “permitir, por ora, a importação, exclusivamente para fins medicinais, de medicamentos e produtos que possuam como princípios ativos os componentes THC (TETRAHIDROCANNABINOL) e CDB (CANNABIDIOL), mediante apresentação de prescrição médica e assinatura de termo de esclarecimento e responsabilidade pelo paciente”.
Permitir a pesquisa e a prescrição “da Cannabis sativa L. e de quaisquer outras espécies ou variedades de cannabis, bem como dos produtos obtidos a partir destas plantas, desde que haja prévia notificação à ANVISA e ao Ministério da Saúde”.
A ação do MPF também pediu a autorização de importação de sementes e do cultivo pessoal para uso medicinal. Essas demandas estão entre as que ainda não foram julgadas pelo juiz Marcelo Rebello, da 16a Vara de Justiça Federal do DF.
Consultada, a Anvisa disse por meio de sua assessoria de imprensa que ainda não sabe se vai recorrer. “Não sabemos ainda. A Diretoria vai avaliar os efeitos da decisão e possíveis ações da Anvisa. Não temos uma resposta, até porque na verdade ainda não fomos sequer notificados, embora tenhamos acesso à decisão na internet.”
Em janeiro de 2015, quando a Anvisa reclassificou o CBD, o então presidente da Anvisa Jaime Oliveira disse a este blog que “Sem dúvida nenhuma, a situação do THC tem que ser explorada e analisada“.

10.813 – Nova enzima elimina a nicotina do sangue e pode ajudar os fumantes que desejam parar de fumar


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Ela poder ser uma ferramenta útil para ajudar os viciados a largarem o vício. O objetivo é transformar a enzima em uma droga terapêutica, capaz de ‘comer’ a nicotina no corpo de um fumante antes que o produto químico tenha a chance de causar o efeito viciante no cérebro. Sem a nicotina, nenhum impulso biológico será incisivo para a continuidade do vício.
“A bactéria é como o Pac-Man”, comparou o pesquisador-chefe Kim Janda, um biólogo químico do Instituto de Pesquisa Scripps, em um comunicado à imprensa. “Ele irá encontrar e comer a nicotina”.
Até agora, a enzima, que é chamada NicA2, só foi testada no sangue de ratos, mas os pesquisadores já estão testando o seu potencial como uma droga humana. “Nossa pesquisa está na fase inicial do processo de desenvolvimento de drogas, mas o estudo nos diz que a enzima tem as propriedades certas para eventualmente tornar-se uma terapia de sucesso”, disse Janda.
A descoberta de NicA2 aconteceu após Janda e sua equipe passarem os últimos 30 anos tentando criar uma enzima artificial capaz de procurar e destruir a nicotina no organismo. A ideia era eliminar a nicotina antes que ela pudesse estimular o sistema de recompensa do cérebro, que é o que mantém as pessoas viciadas em cigarros. No entanto, produzir esse tipo de enzima no laboratório provou ser muito mais difícil do que eles haviam pensado.
Mas acontece que tal enzima já existe na natureza, mais especificamente em bactérias que vivem no interior do solo de campos de tabaco. Uma dessas bactérias, Pseudomonas putida, utiliza nicotina como sua única fonte de carbono e azoto, e NicA2 é a enzima que ajuda a fazer isso.
Após alguns testes de compatibilidade no sistema sanguíneo de ratos, descobriu-se que em um coquetel de NicA2 a meia-vida da nicotina foi reduzida drasticamente, de 2 a 3 horas para 9 a 15 minutos. A equipe, então, submeteu a NicA2 a temperaturas de 36,7 °C durante três semanas e confirmou que ela devorou toda a nicotina.
Os resultados foram muito encorajadores, e os investigadores comentaram que, aumentando a dose de NicA2, a meia-vida da nicotina na corrente sanguínea pode diminuir ainda mais. “Espero que possamos melhorar a sua estabilidade com nossos estudos futuros, de modo que uma única injeção possa durar até um mês”, disse Song Xue, estudante graduado que trabalhou na pesquisa.
Os resultados foram publicados no The Journal of American Chemical Society e, embora ainda seja cedo transformar a enzima em um tratamento, a pesquisa é revolucionária. Atualmente, cerca de 80 a 90% dos fumantes que tentam largar o vício, usando cigarros elétricos e goma de mascar especial, acabam voltando. Se os cientistas puderem descobrir uma maneira de remover o vício compulsivo, essas estatísticas mudarão drasticamente.

10.811- Alerta: antídoto para picadas de cobra pode acabar


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Segundo um comunicado alarmante do Médicos Sem Fronteira (MSF), o mundo não terá mais reservas de um importante soro antiofídico a partir do ano que vem, por causa do fim de sua produção, colocando em risco a vida de dezenas de milhares de pessoas.
As reservas do soro Fav-Afrique, que era produzido pelo laboratório Sanofi Pasteur, acabarão em junho, quando vence o último lote produzido. Desde o ano passado, a empresa interrompeu sua produção para se dedicar à fabricação de um tratamento antirrábico. “Estamos enfrentando uma verdadeira crise”, afirmou o Dr. Gabriel Alcoba. O medicamento é capaz de neutralizar a ação de até dez diferentes tipos de veneno de cobras africanas, o que é muito importante, já que nem sempre as vítimas conseguem identificar qual cobra as picou.
De acordo com o MSF, não existirá substituto para o tratamento pelo menos nos próximos dois anos. Enquanto isso, um porta-voz do laboratório afirmou que o produto foi tirado do mercado por causa da concorrência, que estava vendendo produtos similares a preços muito mais baixos. Em 2010, o laboratório anunciou o fim da fabricação do soro antiofídico. “É estranho que as autoridades da saúde só tenham se dado conta desse problema cinco anos depois”, disse Alain Bernal, porta-voz da Sanofi Pasteur. O laboratório havia oferecido transferir a tecnologia de seu soro antiofídico a outros fabricantes, apesar de “nada ter se concretizado até o momento”.
Segundo as estatísticas, 5 milhões de pessoas são mordidas todos os anos por cobras venenosas, das quais, aproximadamente, 100 mil acabam morrendo, enquanto outras são amputadas ou se tornam deficientes.

11.809 – Nova droga sintética faz as pessoas correrem peladas e tentarem transar com árvores


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Flakka é, na verdade, o nome popular dado para a catinona alpha-PVP. Segundo Don Maines, conselheiro do tratamento de drogas no Escritório do Xerife Broward em Fort Lauderdale, na Flórida, a droga mexe com a química do cérebro dos usuários, fazendo com que eles não tenham controle de seus pensamentos ou ações. “Todos parecem achar que há algo ou alguém os seguindo. É uma droga muito perigosa”, afirma.

Não é de hoje que as autoridades estão de olho na flakka. Em 2014, o DEA, órgão do Departamento de Justiça do Estados Unidos responsável pela repressão às drogas, já havia proibido a substância. Ainda assim, por ser barata e acessível e, segundo relatos da Associated Press, a droga continua circulando tranquilamente pelo país, principalmente no estado da Flórida.

A flakka divide opiniões. Como os casos que chegam ao público ainda são escassos, não há informações o suficiente sobre os efeitos da droga — além dos relatos, no mínimo, embaraçosos como o contado acima — para tirar conclusões. O que há é espaço para especulações tomando outras drogas sintéticas como ponto de partida. A maconha sintética, por exemplo, tem efeitos como náusea, vômitos, alteração nos batimentos cardíacos e danos cerebrais. “Essas drogas sintéticas são como todos os estimulantes. Doses muito altas por períodos prolongados certamente causarão problemas”, diz Morris.
Outro argumento utilizado é o de que a durabilidade de muitas drogas no mercado é curta. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa sobre Vício de Amsterdã, na Holanda, mostra que 98% das drogas saem de circulação antes mesmo de serem introduzidas ao público. “O mercado se autorregula. Essas drogas ficam mal faladas e não muito depois a demanda por elas acaba”, diz Peter Reuter, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.
A dificuldade das autoridades é saber como lidar com essas drogas que, mesmo entrando e saindo rapidamente do mercado, podem ter consequências séries na saúde dos usuários e na segurança pública dos locais por onde circulam. A maior contradição até o momento é se a proibição tem algum efeito — neste sentido, o caso da flakka já pode servir para algumas conclusões.

11.672 – Leslie Keeley teria encontrado a cura para o alcoolismo no século 19, mas sua fórmula misteriosa nunca foi revelada


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A tradução literal seria “A Cura de Ouro de Keeley”. O objetivo era se livrar do vício do álcool. Quando os pacientes buscavam tratamento, recebiam um quarto agradável, encorajamento e quatro injeções de bicloreto de ouro por dia.
A substância era, obviamente, um segredo. A questão é que essa substância não existia, mas funcionava. O resto da comunidade médica estava curiosa para descobrir qual era o medicamento dado aos seus paciente. Eles arrancariam o “ouro” de Keeley a qualquer custo. Algumas amostras não eram difíceis de serem obtidas. Keeley vendia frascos de uma versão da cura para serem tomados por via oral, assim que o paciente chegasse em casa.
Mas eram as injeções que fascinaram as pessoas, que, muitas vezes, entravam no instituto disfarçados de alcoólatras ou de trabalhadores do instituto para tentar obter amostras. Muitos deles conseguiam o material para investigação da substância, mas cada análise produzia resultados diferentes. Alguns cientistas encontraram traços de álcool na composição. Alguns encontraram vestígios de extrato de coca. Outros encontraram estricnina, casca de salgueiro, amônia e aloe vera (popularmente chamada de babosa). Muitos encontraram vestígios de sais de ouro, mas ninguém poderia explicar por que aquilo realmente funcionava.
Alguns cientistas acreditavam que tudo não passava de um placebo, que incentivava os pacientes por conta do ouro, dando a impressão de que eles estavam recebendo um tratamento de alta classe e caro. Um químico afirmou que as injeções eram apenas sedativos.
Keeley nunca revelou o segredo de sua “substância de cura”. Independentemente disso, centros de Keeley ficaram populares durante todo o final de 1800 e início de 1900, e a última existiu até 1965.
Alguns teóricos da conspiração acreditam que Keeley realmente tinha encontrado um tratamento eficaz, mas foi suprimido. A maioria dos médicos, agora, acreditam que Keeley tinha uma alta taxa de sucesso, porque seus centros davam a cada pessoa uma atenção individual e incentivo. Visto dessa forma, ele fez uma descoberta médica até hoje desconhecida.
Não se tem notícia de clínicas que pratiquem o mesmo método ao redor do mundo. Também não se sabe se de fato existia algum fármaco descoberto por ele que conseguia ajudar os alcoólatras a saírem do vício. O fato é que, sendo ou não placebo, o número de pessoas que conseguiam abandonar completamente o álcool era bastante grande.

11.671 – Uma ajudinha contra a ressaca


Diversas equipes científicas têm se dedicado ao estudo de algo relativamente comum em nossa sociedade: o mal-estar causado pelo consumo excessivo de álcool. Mas, até hoje, ainda não haviam chegado a nenhuma conclusão definitiva. Desta vez, entretanto, a história pode ser diferente, pois um grupo de pesquisadores australianos anunciou a descoberta de um antídoto simples e muito eficaz para evitar a ressaca: a pera. Eles afirmam que o consumo de pera ou do suco dessa fruta antes da ingestão de bebidas alcoólicas evita os efeitos nocivos do álcool, como a perda de memória e a dificuldade de concentração.
Os cientistas da Australian Broadcasting Corporation constataram que o suco de pera ajuda a metabolizar o álcool no sangue, o que reduz os sintomas da ressaca, embora ainda não tenha sido provado que ele também possa ter o mesmo resultado com a embriaguez. Vale destacar que a descoberta evita a ressaca, mas não traz sua cura: ou seja, a pera deve ser ingerida antes do álcool, e não depois. “Uma vez com ressaca, não há provas que [a pera] vá lhe fazer algum bem”, explica Manny Noakes, chefe da pesquisa.
Depois de milhares de anos de bebedeira, a humanidade, finalmente, encontrou a solução para a ressaca de maneira mais simples. Nossos ídolos da história que o digam. Eles sim devem ter passado por maus bocados em épocas quando a ciência ainda não era tão avançada como hoje. Dá para imaginar se estes ícones históricos se encontrassem para um drink? Como seria a ressaca?

11.666 – Psiquiatria – Injeção poderia curar viciados instantaneamente, apagando memórias do uso de drogas


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A ideia surgiu embasada no problema que os viciados em recuperação, muitas vezes, lidam com as memórias que acabam acendendo a vontade de ter uma recaída, mesmo após meses de reabilitação, ou até mesmo anos, de uma vida livre de drogas.
O Instituto de Pesquisa Scripps, nos EUA, afirma que sua descoberta se aproximam de uma nova terapia baseada em apagar seletivamente essas lembranças associadas a drogas perigosas e tenazes. “Nós agora temos um alvo viável. Bloqueando essa meta, podemos interromper, e potencialmente apagar memórias de drogas, deixando outras memórias intactas”, disse Courtney Miller, professor associado do Instituto. “A esperança é que, quando a abstinência da reabilitação e terapias tradicionais forem associadas, podemos reduzir ou eliminar a recaída de usuários de metanfetamina após um único tratamento, tirando os desejos de um indivíduo”, acrescentou.
O novo estudo, publicado pela revista Molecular Psychiatry, demonstra a eficácia de uma única injeção de uma substância teste chamada ‘blebbistatin’, usada na prevenção da recaída em modelos animais de dependência de metanfetamina.
O novo estudo baseia-se em trabalho anterior feito no laboratório de Miller. Em 2013, a equipe fez a descoberta surpreendente de que as memórias associadas à droga poderiam ser apagados seletivamente, alvejando uma proteína específica que proporciona o suporte estrutural de memórias no cérebro. Contudo, o potencial terapêutico da descoberta parecia limitado pelo problema por esta proteína ser criticamente importante para o corpo. Um comprimido poderia inibi-la, sendo até mesmo, fatal.
No novo estudo, Miller e seus colegas relatam um avanço, com a descoberta de uma rota segura para a segmentação seletiva da proteína chamada actina no cérebro, através da miosina não muscular tipo II (NMII), um motor molecular que suporta a formação da memória. Para conseguir isso, a pesquisa utilizou o composto de blebbistatin, que atua sobre essa proteína. Os resultados mostraram que uma única injeção de blebbistatin interrompeu com sucesso, a longo prazo, o armazenamento de memória relacionada com a droga, bloqueando a reativação durante pelo menos um mês, em animais dependentes de metanfetamina.
“O que torna a NMII um composto terapêutico emocionante é que uma única injeção de blebbistatin faz as memórias associadas a metanfetamina irem embora, junto com espinhas dendríticas, as estruturas no cérebro que armazenam memória”, disse Erica Young, pesquisadora associada e membro do laboratório de Miller. Ela é uma autora fundamental no novo estudo, juntamente com Ashley M. Blouin e Sherri B. Briggs. O efeito dessa abordagem de tratamento era específico para as memórias associadas a drogas, não afetando outras lembranças. Os animais ainda eram capazes de formar novas lembranças.

11.664 – Toxicologia – Venenos que curam


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Os venenos de animais, que são tão perigosos aos humanos, são ricos em proteínas e frações de peptídeos, e quando entram no organismo tentam achar as células-alvo impedindo a coagulação sanguínea ou bloqueando as funções das células nervosas. Esse vilão, entretanto, com a intervenção da ciência, pode ser usado em favor de nossa saúde.
A Food and Drug Administration dos EUA (FDA) é um órgão do governo americano responsável pelo controle dos alimentos, tanto de consumo humano quanto de animal, suplementos alimentares, cosméticos, equipamentos médicos e medicamentos (humano e animal). A FDA também fiscaliza todas as substâncias que pretendem entrar para o mercado, e testam e estudam o material antes de liberar a sua comercialização.
Há 30 anos, a FDA aprovou uma droga, que é um veneno derivado de uma cobra, chamado Capoten, destinado à terapia de pessoas hipertensivas. Muitas drogas derivadas de veneno já foram aprovadas e comercializadas para o tratamento de doenças cardiovasculares.

Toxinas que auxiliam no tratamento de doenças autoimunes
O desafio da Ciência neste momento é criar, a partir de venenos, uma droga que trate a dor crônica, e doenças autoimunes tais como esclerose múltipla e artrite reumatoide.
Glenn King, biólogo molecular e pesquisador de venenos de aranhas da Universidade de Queensland, em Brisbane, na Austrália, mostrou-se muito otimista em relação à nova pesquisa: “Nós estamos realmente no início de algo emocionante, e vai ficar melhor ao longo da próxima década”, prevê King em uma entrevista à The Scientist.
A Anêmona-Sol (Stichodactyla helianthus) possui um tipo de veneno muito interessante aos olhos dos cientistas. Essa espécie de anêmona marinha vive nos recifes do Caribe e usa seus tentáculos verdes (também podem ser amarelados) e tóxicos para atrair suas presas.
Segundo uma pesquisa realizada na década de 90, uma dessas toxinas, presentes em seus tentáculos, um peptídeo chamado SHK, é um potente inibidor de um canal de potássio de linfócitos T chamado Kv1.3. A regulação desse linfócito implica diretamente no desenvolvimento de doenças auto-imunes, isto é, o SHK poderia evitar o aparecimento dessas doenças.
Sendo assim, os cientistas tentam de alguma forma desenvolver uma substância terapêutica com base no SHK. Christine Beenton, bióloga molecular do Baylor College of Medicine, argumenta que o SHK é muito potente como um inibidor do linfócito Kv1.3, mas ao mesmo tempo ele bloqueia canais importantes encontrados nos neurônios. “Você não vai querer injetar [o SHK] em seres humanos, sabendo que isso poderia bloquear os neurônios, e não saber o que se poderia fazer para reverter”, diz Beenton.
A bióloga estudou toda a estrutura do SHK e testou cerca de 400 tipos diferentes de derivados sintéticos deste composto. Ela e a equipe incluíram elementos que tivessem a função de não bloquear os canais de células ligadas aos neurônios. Elaborou-se assim, o SHK-186, o número 186 indica a sua versão, um composto que elimina qualquer efeito colateral previsto.
Em roedores diagnosticados com esclerose múltipla, o SHK-186 foi utilizado como terapia, e comprovou-se que a droga consegue reverter à paralisia gerada pela doença. “Nós vimos à doença ir embora quase que completamente. E o importante é que a droga não bloqueia o sistema imunológico, já que os animais tratados ainda conseguiram combater a clamídia e a gripe”, diz a bióloga.
A equipe se animou ainda mais quando o primeiro teste em humanos saudáveis foi feito com o SHK-186. Embora os resultados ainda não tenham sido divulgados oficialmente, Beenton contou que todos estavam “muito felizes com os resultados”. A SHK-186 tem tudo para ser uma grande promessa no tratamento de doenças-autoimunes. É o que afirma o biólogo Glenn King: “O SHK é um dos exemplos mais interessantes [de drogas derivadas de venenos] no momento. Se for aprovado, as implicações serão profundas”.

Toxinas que auxiliam no tratamento da dor crônica
O analgésico Prialt (clique aqui e leia mais sobre este medicamento) é o único aprovado em 2004, até o momento, com base em um veneno do Caracol Cone (Conus magus) (o Jornal Ciência já publicou um especial sobre esse caracol) que atua no sistema nervoso humano bloqueando um canal de íons de cálcio nos neurônios e, inibindo assim, a capacidade das células de transmitirem sinais de dor para o cérebro.
Tudo indica que um novo veneno derivado possa virar analgésico também. Os pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CRNs), de Paris, anunciaram a descoberta de dois peptídeos isolados da Mamba-Negra (Dendroaspis polylepis), umas das cobras mais venenosas do mundo.
Essa espécie de cobra, encontrada geralmente no continente africano, mede aproximadamente entre 2,5 metros a 4,5 metros, e recebe esse nome não devido a coloração de seu corpo, já que ela aparenta ser cinza, e sim porque o interior de sua boca é visivelmente negra, quando ela escancara a boca em sinal de ameaça. Seu veneno, considerado neurotóxico, causa paralisia, podendo levar a vítima ao óbito em apenas 20 minutos se não for tratada rapidamente. Sem tratamento, 100% dos casos das pessoas picadas morrem.
Os peptídeos encontrados no veneno da Mamba-Negra podem bloquear os canais de neurônios onde há íons que desempenham a função de enviar os sinais de dor ao cérebro. Em camundongos, seus efeitos são tão poderosos quanto à morfina.
No momento, os pesquisadores trabalham na elaboração de um analgésico com base no veneno desta cobra para tratar as dores crônicas que acometem muitas pessoas todos os dias.
O veneno de outra espécie de cobra está sendo estudado, e um peptídeo analgésico está sendo desenvolvido a partir do veneno da Cobra-Real (Ophiophagus hannah). O trabalho está sendo feito pela empresa Theralpha.
A Cobra-Real é outra espécie que entra para a lista das mais perigosas do mundo. Esta, no entanto, é considerada a top de todas, é a mais venenosa que existe. Este animal pode chegar a medir 6 metros de comprimento, e em apenas uma mordida ele libera até sete mililitros de neurotoxina, que são suficientes para matar um elefante.
O que se sabe até agora em relação ao peptídeo desenvolvido a partir do veneno da Cobra-Real, é que ele tem demonstrado efeitos muito potentes, mais até do que a morfina, e poderia ser tomado via oral, e não necessariamente necessitaria ser injetado na corrente sanguínea.
Manjunatha Kini, da Universidade Nacional de Cingapura, que estudou o peptídeo, diz que a substância é tão potente que em poucos minutos ela já está na corrente sanguínea: “Nós deixamos cair uma solução [do peptídeo] sob a língua do animal e em poucos minutos ela está no sangue”.
Diversas equipes de cientistas pelo mundo estão engajadas em descobrir uma terapia eficaz, e por que não definitiva, para a dor crônica. Enquanto uns pesquisam venenos de cobras, e anêmonas, outros desenvolvem terapêuticos baseados em moluscos e aranhas.
“Há milhares de venenos que sequer olhamos ainda. Dessa forma, temos milhões de moléculas que são drogas potenciais ainda a serem exploradas”.

11.533 – Dia Internacional Contra o Uso de Drogas Ilícitas 26-06-1987


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No dia 26 de junho de 1987, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu firmar o Dia Internacional Contra o Uso de Drogas Ilícitas, o Uso Indevido e o Tráfico Ilícito de Drogas como forma de consolidar a ação e a cooperação por uma sociedade livre do uso indevido de drogas. Cada um dos países membros se comprometeu a centrar atenções no fenômeno das drogas com o objetivo de coordenar as estratégias para sua prevenção e controle. A comemoração deste dia é uma oportunidade para unir esforços com os governos, organizações não-governamentais e o setor privado para um maior conhecimento sobre o tema e fiscalização das drogas.

11.381- Drogas – Cogumelos Alucinógenos


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As drogas alucinógenas são aquelas que afetam diretamente no cérebro e os sentidos, o que causa alucinações e delírios, fazendo com que a pessoa veja, escute, cheire ou até mesmo tente tocar coisas que não existem. Grande parte das drogas alucinógenas vem da natureza, principalmente das plantas e cogumelos. Essas plantas já foram descobertas a muito tempo, na antiguidade e os usuários as consideravam plantas divinas devido aos efeitos causados. E, até hoje algumas culturas indígenas de vários países usam essas plantas de modo religioso, ainda levando em consideração seus efeitos.
Existem quatro gêneros de cogumelos alucinógenos: Psilocibe, Panaeolus, Capelandia e Amanita. No Brasil são encontrados dois gêneros que são o Psilocibe e também o Panaeolus, porém o tipo mais conhecido é o do gênero da Amanita e em especial a Amanita muscaria. Eles são coloridos e tem efeito semelhante a droga LSD, porém mais brando e de duração mais curta.
As drogas alucinógenas causam muitos efeitos, no entanto não são fáceis de prever, pois os efeitos diferem de pessoa pra pessoa . Os efeitos começam em cerca de uma hora após ter usado a droga e acaba ficando mais forte após três ou quatro horas e pode durar até 12 horas após o uso. Entre os efeitos estão no som e na visão, como ver cores muito brilhantes e também ouvir sons bastante agudos, algumas pessoas até se confundem vendo sons e ouvindo cores, pois os sentidos se atrapalham, o tempo também passa bem devagar, mudanças emocionais, cansaço, náuseas ou vômitos, problemas de coordenação, o humor também varia com altos e baixos.
Existem também as viagens más, mais conhecidas como “bad trips”. Algumas vezes os efeitos dos alucinógenos são negativos como: medo, angustia, pânico, alucinações que causam desespero na pessoa e também o medo de perder o controle e ficar louco.
Não existe ainda nenhuma evidência que alucinógenos causam dependência. Isso talvez se deve ao fato de que se uma pessoa vier a usar todo dia um alucinógeno não se terá mais o mesmo efeito, mas sim depois de no mínimo uma semana de intervalo. Existe grande risco de acidentes com pessoas que usam alucinógenos pelo fato dos sentidos se atrapalharem. Há também um grande risco com quem mistura alucinógenos com álcool ou anfetaminas, pois o efeito pode aumentar muito.
A ingestão de cogumelos errados pode causar intoxicações e até serem fatais.

11.376 – Terrível caracol é considerado o animal mais venenoso do mundo


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Vamos admitir, as conchas dos caracóis marinhos são verdadeiras obras de arte, possuindo uma combinação de cores que hipnotiza qualquer pessoa, mas, quando estivermos falando do caracol-do-cone é melhor você correr. Pegar nele? Nem pense nisso!
Essa espécie de caracol, cujo nome científico é Connus pannaeus possui um veneno poderosíssimo formado por centenas de compostos, muitos deles encontrados até em venenos de cobra. Possui um substância que é particularmente centenas de vezes mais potente que a morfina. Pesquisas revelam que apenas uma gota do veneno desse “dócil” animal é suficiente para matar 20 pessoas adultas.
Apesar de terrível ele não é uma descoberta científica recente, a cerca de 25 anos os cientistas da Universidade de Utah isolaram a molécula do veneno desse caracol e constataram que possuía um poder analgésico nos humanos. Os estudos não pararam por aí, esse só foi o ponta pé inicial de uma série de estudos que duraram mais de 20 anos para conseguirem sintetizar em laboratório o mesmo composto que atualmente é utilizado em um novo fármaco, chamado de Prialt (princípio ativo é a ziconotida).
Umas das grandes vantagens desse novo medicamento é seu absurdo poder analgésico, sendo classificado como mil vezes mais potente que a morfina. O grande problema da morfina é o seu poder de viciamento por ser uma molécula opioide, derivado de ópio. Já a ziconotida não possui efeito viciante.
Muitas das moléculas que compõem o seu veneno ainda não possuem estudos que provem ou indiquem suas respectivas ações, porém, existem cerca de 6 tipos de toxinas que são bastante estudadas e suas ações no corpo humano são completamente elucidadas.
É importante salientar que esse veneno pode ser retirado de todos os caracóis do gênero Conus. O gene responsável pela fabricação do veneno parece ter sofrido uma mutação ao longo das gerações o que proporciona ao animal produzir suas toxinas rapidamente e com uma variedade espantosa de moléculas.

11.315 – Mega Personalidades – Anna Nicole Smith


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Nome artístico de Vickie Lynn Hogan, (Houston, 28 de novembro de 1967 — Hollywood, 8 de fevereiro de 20071 ) foi uma atriz e modelo erótica norte americana, que ganhou popularidade em ensaio da revista Playboy em 1993.
Primeiro ganhou popularidade na Playboy, tornando-se a Playmate do Ano 1993. Posou para as empresas de vestuário, incluindo jeans Guess e Lane Bryant. Ela também estrelou seu próprio reality show, The Anna Nicole Show.
Nascida e criada no Texas, Smith abandonou a escola e era casada com 19 anos de idade.Casou primeiro com um cozinheiro, logo depois teve seu 2° casamento, amplamente divulgado, com o executivo de negócios de petróleo e magnata dos negócios J. Howard Marshall II, com 89 anos, que morreu menos de um ano depois do casamento. Resultou em especulações de que ela se casou com o octogenário pelo seu dinheiro, o que ela sempre negou. Depois de sua morte, ela começou uma longa batalha legal sobre uma parcela de sua propriedade; seu caso, Marshall v. Marshall, atingiu o Supremo Tribunal norte americano sobre uma questão de competência federal.
Ela morreu aos 39 anos, aparentemente em consequência de uma overdose de medicamentos prescritos(Sedativos). Nos meses que antecederam sua morte, ela foi o foco da cobertura da imprensa renovada em torno da morte de seu filho, Daniel Smith, e da paternidade e a batalha pela custódia de sua filha Dannielynn.

Um importante ponto de virada na carreira de Smith foi em 1992. Foi então que sua carreira decolou depois que foi escolhida por Hugh Hefner a aparecer na capa da edição de março de 1992 da revista Playboy, onde ela aparecia como Vickie Smith, usando um decote vestido de noite. Anna Nicole Smith disse que pretendia ser “A próxima Marilyn Monroe”. Tornando-se uma das modelos da Playboy mais populares, Smith ficou mais conhecida e maior que as modelos típicas da revista. Foi escolhida para ser a Playmate do Ano em 1993. Na época, resolveu mudar seu nome para Anna Nicole Smith. Obteve um contrato para substituir a supermodelo Claudia Schiffer na campanha publicitária da Guess? Jeans, em uma série de fotografias sensuais em preto e branco. A Guess? capitalizados em forte semelhança convidou Smith para ser sex symbol e colocá-la em sessões de fotos. Em 1993, antes do Natal, ela desfilou para a marca de roupas sueca Hennes & Mauritz (H & M). Ela apareceu em cartazes grandes na Suécia e na Noruega. Uma fotografia de Smith foi utilizado na capa de uma revista de New York em 22 de agosto de 1994 com o tema White Trash Nation. Na foto, ela aparece agachada com uma saia curta e botas de cowboy, comendo batatas fritas. Em Outubro de 1994, o advogado de Smith deu início a um processo legal $ 5000000 contra a revista alegando utilização não autorizada de sua foto e que o artigo tinha danificado sua reputação. O advogado dela disse que Smith foi dito que ela estava sendo fotografada para encarnar a olhar “all-american-woman”, e que eles queriam fotos com glamour. Ele afirmou ainda que a imagem usada foi tomada para se divertir durante uma pausa.

Morte do Filho
Daniel Smith, morreu de repente enquanto visitava a mãe e a irmã recém-nascida no hospital, durante a semana, em 10 de setembro de 2006. Ele tinha voado para as Bahamas no sábado para visitar sua mãe e estava em seu quarto de hospital, no domingo, quando entrou em colapso. Alguns dias antes, em 7 de setembro de 2006, ela deu à luz uma menina chamada Dannielynn Hope. O nome dela foi dado em memória do irmão, Daniel Smith.

Momentos Finais
Em 8 de fevereiro de 2007, Anna Nicole Smith foi encontrada inconsciente na sala 607 no Seminole Hard Rock Hotel and Casino em Hollywood, Califórnia. Segundo o chefe de polícia de Seminole Charlie Tiger, as 1:38 pm, Maurice Brighthaupt, que era um paramédico treinado, ligou para a recepção do hotel de sua sala no sexto andar.
Após uma investigação de sete semanas anunciou-se que Smith morreu de “intoxicação por drogas combinadas” com a medicação que usava para dormir. Nenhuma droga ilegal foi encontrada em seu organismo. O relatório oficial afirma que sua morte não foi considerada por homicídio, suicídio, ou de causas naturais. O relatório completo de investigação tenha sido tornada pública e pode ser encontrado em linha. Além disso, uma cópia oficial do relatório da autópsia foi lançado publicamente em 26 de março de 2007 e pode ser encontrado.
Em última análise, sua morte foi determinada como overdose acidental de drogas dos sedativos hidrato de cloral que se tornou cada vez mais letal quando combinada com outros medicamentos prescritos em seu sistema, especificamente 4 benzodiazepinas: Klonopin (Clonazepam), Ativan (Lorazepam), Serax (Oxazepam), e Valium (Diazepam). Benadryl Além disso, ela tinha tomado (Difenidramina) E Topamax (Toprimate), um anticonvulsivo GABA agonista, o que provavelmente contribuiu para o efeito sedativo do hidrato de cloral e os benzodiazepínicos. Ela morreu sem nunca ter conseguido receber qualquer parte da herança de 14 Bilhões de seu ex-marido.

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11.256 – Desculpa de Bêbado – Existe amnésia alcoólica?


Vodca não é água, não!!!
Vodca não é água, não!!!

“Amnésia alcoólica existe, sim. E é inclusive bem comum após a ingestão excessiva de álcool”, afirma o psiquiatra Arthur Guerra, supervisor do Grupo de Estudos sobre Álcool e Drogas da USP.
Se você beber pouco, vai ficar animado, falante e lembrar de tudo. Mas, com o acúmulo de doses, o álcool passa de estimulante a sedativo. “É como passar por uma endoscopia: você não recorda o que houve um pouco antes, durante e logo após o exame”, diz Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas.
O que não significa que memória de bêbado não tem dono. “É como se elas tivessem uma senha e, para destravá-las, fosse preciso reproduzir as condições em que foram adquiridas”, diz o neurocientista da USP Gilberto Xavier. Ou seja, para relembrar o que aconteceu durante uma bebedeira, o jeito é beber de novo.

11.255 – Energético que virou caso de polícia nos EUA


energetico

“O gosto era péssimo, mais doce que xarope pra tosse. Mas o efeito era ótimo. Era a melhor bebida para curtir as festas da faculdade sem ficar dormindo por aí”, conta a estudante Christine Chiang, 23, da Universidade de Nova York. Ela está se referindo ao Four Loko – um superenergético que combina 156 miligramas de cafeína (o dobro de uma lata de Red Bull) e 12% de álcool, quase o triplo da graduação alcoólica da cerveja. Além de forte, era barato: custando menos de US$ 1 a lata, logo virou a principal escolha de quem queria ficar “bem louco” gastando pouco. Mas isso logo deu margem a excessos. “A pessoa continuava alerta, mesmo depois de ingerir o que seria equivalente a várias doses de bebida destilada. E por isso acabava bebendo mais, até desmaiar”, conta Christine. Criado e fabricado por uma empresa até então desconhecida, a Four Energy Drinks, o Four Loko ganhou o apelido de “apagão em lata” e começou a criar polêmica nos EUA. Em Washington, 7 jovens foram hospitalizados com sintomas de coma alcoólico depois de consumir o produto em uma festa, e a polêmica chegou ao auge no final do ano passado, quando um rapaz de 19 anos sofreu um ataque cardíaco na Filadélfia, supostamente provocado pelo consumo da bebida. Tudo isso fez com que o governo dos EUA proibisse a comercialização do Four Loko. As latinhas que já estavam no mercado foram recolhidas e enviadas para uma refinaria na Virgínia – onde a bebida está sendo destilada e transformada em álcool para carros.

11.212 – Bioquímica – Usos potencialmente medicinais para o veneno de cobras e aranhas


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Combate ao câncer
O veneno das cascavéis — Crotalus durissus — contém uma substância chamada crotoxina, e alguns estudos apontaram que ela poderia ser utilizada no combate ao câncer. Segundo descobriram os cientistas, além de atuar diretamente sobre as células cancerígenas, induzindo a regressão de tumores, essa toxina ainda é capaz de estimular o sistema imunológico e tem ação contra inflamações agudas e crônicas.
Pressão alta
Além das cascavéis, estudos apontaram que o veneno das jararacas (Bothrops) possui uma substância que atua sobre o sistema nervoso central induzindo a redução da frequência cardíaca e pressão arterial. Assim, alguns cientistas vêm trabalhando no desenvolvimento de um novo medicamento à base da toxina para o tratamento da hipertensão.
Outro veneno que poderia ser utilizado no combate à pressão alta é o das cobras da família Crotalidae. Segundo alguns estudos, ele inibe a ação da ECA — de enzima conversora da angiotensina —, responsável por aumentar a pressão sanguínea de mamíferos. Desta forma, os pesquisadores sugerem que a toxina seja usada não só no tratamento da hipertensão, mas também na prevenção de doenças renais, diabetes e derrames.
Doenças degenerativas
A distrofia muscular se refere a um grupo de doenças sem cura que provocam o enfraquecimento gradual e a perda de massa muscular. Eventualmente, as pessoas afetadas acabam perdendo os movimentos e, em alguns casos, os doentes também sofrem com dores e dificuldade para se alimentar e respirar.
Pois estudos revelaram que uma substância — chamada AT-300 — presente no veneno das tarântulas, mais precisamente, as da espécie Grammostola rosea, nativa do Chile, tem o potencial de frear o progresso da distrofia muscular. De momento, pesquisadores estão trabalhando no desenvolvimento de um medicamento produzido à base dessa substância, e esperam que os testes clínicos em humanos possam ser iniciados ainda este ano.

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Tratamento da dor

A dor é uma sensação desencadeada pelo sistema nervoso, e é iniciada quando as células nervosas recebem os estímulos dolorosos através de caminhos presentes em suas membranas conhecidos como canais de sódio. Quando bloqueamos muitos desses canais, a atividade celular é dramaticamente afetada, e algumas funções básicas do organismo podem ser paralisadas.
Por outro lado, se bloquearmos apenas alguns canais de sódio, o resultado disso é uma redução na transmissão dos estímulos de dor. Estudos apontaram que substâncias presentes no veneno de aranhas — especialmente de tarântulas — são capazes de agir em canais específicos, e poderiam ser usadas no desenvolvimento de novos medicamentos com menos efeitos colaterais do que os que existem atualmente para o tratamento da dor crônica.