Arquivo da categoria: Enciclopédia

5738 – Quem sente mais calor, o homem ou a mulher?


A sensação de calor é determinada geneticamente e depende da quantidade de receptores de calor sob a pele. A noção de temperatura varia de pessoa para pessoa, independentemente de sexo. Acontecimentos comuns na vida de casais, como discutir para ligar ou o aquecedor ou o ar-condicionado, são coincidências, ás vezes acentuadas por fatores como obesidade – os mais gordos produzem mais calorias e, por outro lado, a gordura ajuda a mantê-los aquecidos.

5737 – Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?


A galinha. Todos os organismos descendem de outros, mais primitivos. Por isso, a galinha, tal como conhecemos, teve de surgir antes de pôr o primeiro ovo. Ela deriva de um outro animal menos evoluído. “O ovo é apenas uma questão de nomenclatura”, analisa um professor de genética da Santa Casa de São Paulo. “Uma célula pode ser considerada um ovo, no sentido de unidade básica, a partir da qual, por exemplo, o ser humano é concebido. Ademais, somente depois de se desenvolver é que um organismo pode se reproduzir”.

5736 – Quando e como surgiu a fala?


Não teve um início único, bem demarcado no tempo. Mas foi produto de uma série de processos, separados uns dos outros às vezes por muitos milhões de anos e que vieram a se combinar no ser humano. Os organizadores do simpósio de Cortona, os antropólogos italianos Brunetto Chiarelli e Andréa Campero Ciani, fizeram uma síntese das discussões ali travadas, que vale como uma síntese das hipóteses mais aceitas até agora sobre as origens da linguagem. É claro que muitas incertezas e controvérsias permanecem — como, de resto, em praticamente tudo o que diz respeito à vida dos antepassados do homem. Mesmo quando os especialistas (paleontólogos, antropólogos, biólogos, entre outros) concordam em relação a um evento, por exemplo, podem divergir quanto ao período aproximado em que ele se deu. O capítulo da linguagem não é exceção.
A visão colorida multiplica as chances de sobrevivência no ambiente multiforme da floresta, onde perceber detalhes (um animal predador escondido na folhagem) pode fazer a diferença entre a vida e a morte.
Outra adaptação anatômica de importantíssimas conseqüências foi o surgimento do polegar, oponível aos outros dedos da mão, o que facilita agarrar-se aos galhos das árvores, permitindo ao animal caminhar entre elas sem o risco de andar no chão exposto às feras. Sem esses dois processos, o ser humano — descendente daquele insetívoro parecido com o musaranho — não poderia ter desenvolvido, dezenas de milhões de anos depois, a capacidade de falar e entender o que os outros falam. Isso porque, sem a visão tridimensional e colorida, o ser humano não teria conseguido traçar um mapa mental de seu ambiente — e assim não poderia comunicar a outro ser humano onde achar comida. E sem o polegar oponível aos outros dedos — uma característica que o homem partilha com os demais primatas seus parentes, o chimpanzé, o gorila e o orangotango — a mão não se teria libertado da necessidade de ajudar o andar sobre o chão, como fazem os quadrúpedes.
O difícil é precisar quando todas essas mudanças ocorreram . Fala-se em algo como 15 milhões de anos atrás, quando viviam os Dryopithecus, dos quais teriam descendido tanto o homem como os primatas modernos. É certo, em todo caso, que os indivíduos da mais antiga espécie hominídea conhecida, o Australopithecus afarensis, que viveu há pelo menos 3 milhões de anos, já exibiam a postura ereta — um efeito a longo prazo do polegar oponível. Livre da tarefa de andar, a mão libertou também a boca da tarefa de segurar a comida, que passou a ser agarrada com o polegar preênsil. Libertada da tarefa de pegar os alimentos, a boca, por sua vez, depois de passar também ela por transformações anatômicas relacionadas à postura ereta, estaria bem depois disponível para outras ocupações, como falar.
Mas não pára aí a influência, na origem da linguagem, da mão dotada do polegar oponível. Pois isso permitiu que uma das mãos, a direita, se especializasse na manipulação de objetos — alimentos, paus, pedras –, enquanto a outra se especializava na localização espacial. Essa divisão de funções levou à chamada lateralização do cérebro dos primatas: o hemisfério esquerdo do córtex cerebral passou a coordenar os movimentos do lado direito do corpo, enquanto o hemisfério direito passou a lidar com o lado esquerdo. Isso tem muito a ver com a linguagem, pois, quando falamos, acionamos áreas especializadas do lado esquerdo do córtex cerebral, que movimentam o aparelho fonador e tornam possível dizer frases inteligíveis.
De qualquer forma, todas aquelas mudanças anatômicas fizeram diminuir a boca dos ancestrais do homem. Mas esse, já ereto, pôde usar as mãos para preparar os alimentos antes de enfiá-los na boca — inicialmente cortando-os em pedaços, depois moendo-os e por fim cozinhando-os. Assim, foi-se desenvolvendo o modo de vida especificamente humano. Ocorre ainda que, para sobreviver na savana ,onde havia menos alimentos vegetais disponíveis, os hominídeos dependiam de alimentos animais, particularmente de animais de grande porte. Para caçá-los, aprenderam, de um lado, a agir em grupo; e, de outro, a usar instrumentos (primeiro, pedras e paus disponíveis naturalmente; depois, objetos já adaptados a suas necessidades).
Isso estimulou a comunicação entre os hominídeos em escala maior que em outras espécies, nas quais, salvo exceções, cada indivíduo tende a obter o seu alimento basicamente sozinho e sempre sem o uso de instrumentos. Para a origem da linguagem, o uso de artefatos foi ainda mais importante do que a associação dos caçadores, mesmo porque há animais que organizam caças coletivas sem se comunicarem, como o cão caçador da África. Pois havia a imperiosa necessidade de ensinar aos outros como produzir e usar os instrumentos. Supõe-se que a primeira linguagem humana tenha sido mais gestual do que oral. A fala, como os gritos de outros primatas, devia tão somente acompanhar os gestos. Mas, à medida que as mãos passavam a ficar cada vez mais ocupadas com os instrumentos, havia menos disponibilidade para os gestos.
É muito possível que a linguagem seja qual for a origem, se tenha basicamente desenvolvido a partir das necessidades da divisão do trabalho. Os primeiros agrupamentos humanos organizados já contavam com divisão de tarefas entre caçadores, coletores de vegetais, preparadores de alimentos, responsáveis pelas crianças. Essa primitiva, porém já complexa, rede social exigia uma forma de comunicação mais sofisticada que o gesto ou o grito — a linguagem. Ela permitiu que fosse criado o universo específico do ser humano. Com efeito, o animal ou tem comportamentos inatos, instintivos, ou tem comportamentos que aprendeu individualmente, mas — na grande maioria das espécies — é capaz de transmiti-los a seus semelhantes.
O homem sabe que na linguagem está a liberdade e tudo que o torna humano: o raciocínio, a inteligência, a criatividade; e a possibilidade de comunicar a conquista do raciocínio de cada indivíduo, da inteligência de cada grupo, da criatividade de cada sociedade.

5735 – Enciclopédia


É uma palavra que deriva do grego : en, em , kuklus, círculo, e paideia, instrução. Primitivamente, empregou-se esta palavra para designar a obra que reunia o conjunto dos vários ramos do saber humano e, portanto, vinha a ser uma espécie de repositório de tudo quanto se sabia. O presente artigo pretende retomar a história da enciclopédia a partir do século XVIII ( já que existem obras de caráter enciclopédico desde o século V a.C.) para mostrar sua importância não só enquanto fonte de pesquisa ou de esclarecimentos a respeito de vários assuntos, mas principalmente como símbolo de uma época de avanço intelectual que até então o ser humano não havia experimentado.
Na Antigüidade e na Idade Média, praticamente tudo era concebido e explicado através da fé. Na Idade Média, em que Deus era a medida de todas as coisas, a Ciência esbarrava em lendas e crendices que a impossibilitavam de progredir. Até o poder absoluto dos reis era endossado pela idéia de que tal autoridade vinha de Deus (era de origem divina ) e que, por isso, os reis não deveriam prestar contas ou satisfações de seus atos aos seus súditos, que, por sua vez, teriam de obedecer ao seu rei sem restrições. Toda sorte de arbitrariedades eram cometidas e os opositores desse sistema em que o Estado era o rei – o Absolutismo – eram encarcerados, torturados e até mortos, já que representavam um perigo para a paz e para a ordem social.
No século XVII, Descartes, filósofo francês, desenvolveu o RACIONALISMO, posição metodológica que partia do princípio de que tudo deveria ser compreendido pela razão: o que não poderia ser reconhecido pela racionalidade humana deveria ser desprezado. “Penso, logo existo”, concluiu Descartes, estabelecendo a primazia da razão, o privilégio do ser humano por ser dotado de uma inteligência que precisava ser usada de maneira sistemática, lógica. O racionalismo cartesiano constituiu-se num novo método utilizado pelos filósofos tanto na produção de novos saberes, quanto na reformulação de saberes que até então tinham a fé como alicerce. Além disso, esses filósofos pretendiam dar um novo enfoque ao estudo da sociedade: se os homens, na vida em sociedade, precisavam ser governados por alguém, o racional seria que fosse alguém da sua escolha, um grupo que representasse, no exercício do poder político, os interesses de todas as classes sociais e não alguém com poder absoluto, que fazia e desfazia as leis de acordo com sua vontade, privilegiando apenas a si e aos seus. O racional, assim, era acabar com o Absolutismo (sistema também alicerçado pela fé) e dar aos indivíduos a liberdade de escolha de seus representantes no poder: era implantar o Liberalismo.
O movimento filosófico contrário ao Absolutismo ficou conhecido como ILUMINISMO, reunindo os mais significativos pensadores da época, que sob o paradigma da racionalidade, promoveram muitas revoluções (dentre elas a Revolução Francesa), principalmente uma REVOLUÇÃO INTELECTUAL que culminou com a produção de grande quantidade e qualidade de saberes, de tal forma que foi preciso reuni-los numa grande obra (a ENCICLOPÉDIA) e de tal forma que o século XVIII ficou conhecido na História como o SÉCULO DAS LUZES.
Em 1746, inspirados na Enciclopédia ou Dicionário de Artes e Ciências do inglês Ephraim Chambers, o filósofo, romancista e crítico literário Denis Diderot e o matemático Jean le Rond d’Alembert resolveram elaborar essa grandiosa obra que reuniria todo o saber acumulado até e a partir de então, que contaria com a colaboração de diversos filósofos, escritores e cientistas. Assim nasceu a Enciclopédia ou Dicionário Racional das Ciências, das Artes e dos Ofícios, que reuniu mais de 160 intelectuais (por exemplo: Condillac, Condorcet, Holbach, Buffon, Turgot, Quesnay, Voltaire, Montesquieu, Rousseau, etc) para sua elaboração e alcançou um total de 28 volumes publicados no decorrer de 21 anos (1751-1772). Sintetizar criticamente as informações foi a diretriz básica dessa obra iluminista que se tornou um marco na história do pensamento, já que substituiu a alienação e a ignorância pelo pensamento crítico.

5734 – Mega Cronologia – Principais inventos e descobertas da era moderna


1054 – Explosão estelar
Povos antigos já notavam, no céu, o surgimento de estrelas muito brilhantes. Mas a ciência considera que é de astrônomos chineses o primeiro registro sério de uma supernova — explosão de uma estrela —, em 1054. Tudo o que resta no local do desastre é a Nebulosa do Caranguejo.
1150 – Universidade
É fundada a primeira universidade do mundo, em Bolonha, na Itália. A criação da instituição dá à Europa o impulso intelectual que desembocaria no Renascimento, no século XIV, e na Revolução Científica, entre os séculos XVI e XVII.
1202 – Algarismos arábicos
O matemático italiano Leonardo Fibonacci (c.1170-1240) troca os incômodos algarismos romanos pelos arábicos. A facilidade que isso trouxe para os cálculos resultaria no avanço da álgebra e, por conseqüência, da tecnologia.
1268 – Óculos
O inglês Roger Bacon (c.1220-c.1292) constrói as primeiras lentes de cristal para corrigir distorções da visão. A invenção de Bacon demoraria mais de 100 anos para se tornar prática. Em 1784, o americano Benjamin Franklin inventaria os óculos bifocais.
1269 – Bússola magnética
O engenheiro francês Petrus Peregrinus de Maricourt descreve pela primeira vez uma bússola em que uma agulha imantada bóia sobre um líquido. Apesar de já ser conhecida dos chineses há séculos, a bússola só passa a ser construída a partir dessa descrição.
1288 – Relógio
Desde o início da civilização, o homem usou a água, a areia ou o sol para marcar as horas. Até a criação do relógio mecânico, que marca as horas mesmo à noite. A instalação do relógio mecânico na Abadia de Westminster, em Londres, Inglaterra, marca uma nova era na contagem do tempo.
1440 – Leis da perspectiva
O arquiteto italiano Leon Battista Alberti (1404-1472) cria a teoria que dá profundidade e proporções reais a desenhos e pinturas. Sua obra Dez Livros sobre Arquitetura tem profundo impacto no traçado das cidades a partir do século XVI.
1450 – Caravela
A exploração do mundo deve muito a essa invenção portuguesa. Comparadas com as demais embarcações da época, as caravelas são rápidas, seguras e resistentes. Elas abrem os caminhos para as Índias e trazem os europeus à América.
1454 – Imprensa
A impressão com tipos móveis se originou na China, entre 1041 e 1048. Mas foi o alemão Johannes Gutenberg (1400-1468) quem criou os tipos fundidos em metal e a tinta que aderia ao papel. Naquele ano, ele imprimiu a Bíblia, em latim, em Mainz, na Alemanha.
1492 – Globo terrestre
O alemão Martim Behaim (1459-1507) cria a primeira representação do planeta respeitando sua forma real. Como a América só seria descoberta naquele ano, falta ali o novo continente.
1543 – Atlas de anatomia
O médico italiano Andreas Vesalius (1514-1564) publica seus Sete livros sobre a Estrutura do Corpo Humano. Até então, a anatomia — fudamental para a medicina — dependia da curiosidade de amadores.
1543 – A Terra ao redor do Sol
O teólogo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) publica Sobre as Revoluções dos Orbes Celestes, explicando que a Terra gira em torno do Sol. A idéia dá novo rumo às ciências naturais.
1556 – Mineralogia
Os metais são usados desde a pré-história. Mas é a publicação póstuma do tratado Sobre os Metais que marca o surgimento da mineralogia. Nele, o alemão Georgius Agricola (1494-1555), discorre sobre os diferentes metais e suas propriedades.
1572 – Medidas do céu
O astrônomo dinamarquês Ticho Brahe (1546-1601) observa uma supernova. Também mostra que os cometas não são fenômenos atmosféricos, comose pensava. Suas observações serviriam para que Kepler descobrisse as leis do movimento dos corpos celestes.
1580 – Ciência no Novo Mundo
O matemático inglês Thomas Harriot (1560-1621) e o metalurgista Joachim Ganz montam o primeiro laboratório científico na América. Eles queriam detectar a presença de prata e ouro nos minérios.
1582 – Revisão do calendário
O papa Gregório XIII (1502-1585) e um conselho presidido pelo matemático alemão Christovam Clavius (1538-1612) criam um novo calendário para corrigir uma distorção na contagem do tempo. Naquele ano, do dia 4 de outubro pulou-se para 15 de outubro.
1589 – Moinho de vento
O moinho já é usado pelos agricultores quando o italiano Agostino Ramelli (1531-c.1600) faz o primeiro projeto completo do artefato, na obra Livro de Diversas e Artificiosas Máquinas. A obra levou mais gente a construir moinhos.
1591 – Símbolos em matemática
Até que o francês François Viète (1540-1603) começasse a representar quantidades por letras nas equações, como a + b = c, a matemática européia era escrita com palavras. Imagine a confusão que seria fazer cálculos complicados se não fosse essa substituição.
1610 – Telescópio
O italiano Galileu Galilei (1564-1642) aponta para o céu sua recém-inventada luneta e descobre os quatro maiores satélites de Júpiter.
1610 – Órbitas dos planetas
O alemão Johannes Kepler (1571-1630) prova que as órbitas dos planetas em torno do Sol não são circulares, mas elípticas, e que têm velocidade variável. Meio século depois, Newton mostraria que tais órbitas são conseqüência das leis fundamentais da física.
1623 – Máquina de calcular
O alemão Wilhelm Schickard (1592-1635) constrói uma calculadora mecânica capaz de somar, subtrair, multiplicar e dividir. Só em 1820 o francês Charles Xavier Thomas de Colmar criaria a primeira máquina de calcular comercial.
1623 – Máquina de calcular
O alemão Wilhelm Schickard (1592-1635) constrói uma calculadora mecânica capaz de somar, subtrair, multiplicar e dividir. Só em 1820 o francês Charles Xavier Thomas de Colmar criaria a primeira máquina de calcular comercial.
1637 – Geometria analítica
O francês René Descartes (1596-1650), mais conhecido como fundador da filosofia moderna, faz o casamento entre a geometria e a álgebra, descobrindo como construir gráficos a partir de equações matemáticas.
1652 – Cálculo de probabilidades
Muito interessado em jogos de azar, o filósofo e matemático francês Blaise Pascal (1623-1662) cria fórmulas para avaliar as chances de um evento ocorrer. O cálculo das probabilidades é usado em vários ramos do conhecimento hoje.
1652 – Cálculo de probabilidades
Muito interessado em jogos de azar, o filósofo e matemático francês Blaise Pascal (1623-1662) cria fórmulas para avaliar as chances de um evento ocorrer. O cálculo das probabilidades é usado em vários ramos do conhecimento hoje.
1665 – Células
O físico inglês Robert Hooke (1635-1702) publica os primeiros desenhos de células observadas ao microscópio, disparando as pesquisas sobre as unidades fundamentais da vida.
A partir da segunda metade do século XVII, a ciência se aproxima cada vez mais da tecnologia e olha para além daquilo que a vista enxerga.
1683 – Microscópio
O holandês Antoine van Leeuwenhoek (1632-1723) aperfeiçoa o instrumento e passa a empregá-lo sistematicamente no estudo da biologia. Naquele ano, ele publica a primeira descrição de uma bactéria.
1687 – Lei da gravidade
O físico inglês Isaac Newton (1642-1727) publica sua grande obra, Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, reunindo conhecimento físico e rigor matemático. Ali, Newton descreve a lei da gravidade.
1705 – Órbita dos cometas
O inglês Edmund Halley (1656-1742) compara a trajetória de 24 bólidos que surgiram no céu entre 1337 e 1698 e demonstra que algumas aparições eram de um único corpo que voltava periodicamente. O cometa Halley, descoberto por ele, passou por aqui, da última vez, em 1986.
1712 – Máquina a vapor
O inventor da máquina a vapor não é o escocês James Watt (1736-1819). Mas é ele que aperfeiçoa a engenhoca criada por Thomas Newcomen. Seja como for, a máquina traz a Revolução Industrial.
1714 – Cálculo da longitude
Os navegadores guiavam-se pelas estrelas para saber se estavam rumando para o norte ou para o sul. Mas não tinham como conhecer sua posição em relação ao leste ou oeste. O inglês John Harrison (1693-1776) cria um relógio preciso que resiste ao balanço dos navios. Assim, os navegantes determinam seu fuso horário e sua posição.
1735 – Classificação dos seres vivos
O botânico sueco Carl von Linneé, ou Lineu (1707-1778), publica sua obra Sistema da Natureza, com a classificação dos vegetais. Mais tarde, Lineu classifica também os reinos animal e vegetal.
1751 – Eletricidade
Ao estudar os raios, o político e cientista americano Benjamin Frankin (1706-1790) propõe a existência de dois tipos de eletricidade, a positiva e a negativa — o que hoje se chama carga. A descoberta resulta no pára-raio.
1751 – Enciclopédia
O primeiro volume da Enciclopédia ou Dicionário Racional da Ciência, publicado em 28 de junho pelos franceses Denis Diderot (1713-1784) e Jean d’Alembert (1717-1783), é a primeira tentativa de se reunir todo o conhecimento num só lugar.
1776 – Oferta e procura
Surge a teoria de que o mercado se regula por duas forças antagônicas — a de quem oferece e a de quem busca —, apresentada pelo economista escocês Adam Smith (1723-1790) no livro A Riqueza das Nações.
1777 – Oxigênio
O francês Antoine-Laurent Lavoisier (1743-1794) lança os fundamentos da química orgânica ao estudar como os átomos de oxigênio se combinam com outros para formar moléculas importantes para a vida terrestre. É dele a frase “Na natureza, nada se cria, nada se destrói; tudo se transforma”.
1781 – Leis do pensamento
O filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) publica o livro Crítica da Razão Pura, propondo que existe uma classe de conhecimentos que constituem verdades que não dependem de comprovação e que são necessárias para a compreensão do mundo.
1797 – Torno
O engenheiro Henry Maudslay (1771-1831) aperfeiçoa o torno mecânico, utilizado na Europa desde o século XVI. Ele cria um mecanismo que mantém a ferramenta firme durante o trabalho, aumentando enormemente sua precisão.
1800 – Bateria elétrica
O físico italiano Alessandro Volta (1745-1827) faz uma corrente elétrica passar por um fio entre uma barra de zinco e outra de cobre, mergulhadas em dois recipientes com água salgada. Está criada a bateria elétrica.
1809 – Hereditariedade
O naturalista francês Jean-Baptiste de Monet (1744-1829), Cavaleiro de Lamarck, sugere que os animais transmitem a seus descendentes características adquiridas pelo uso. Darwin derrubou essa idéia, mas ela é usada ainda para explicar a transmissão de cultura.
1821 – Informática
O primeiro a sonhar com o computador foi o matemático inglês Charles Babbage (1791-1871). Ele projeta um equipamento que receberia instruções por meio de cartões perfurados e guardaria os resultados das operações numa memória. A máquina jamais foi construída.
1826 – Sociologia
O francês Auguste Comte (1798-1857) se convence de que era possível estudar as sociedades como se estudam física e biologia. Cria a sociologia a partir de seu sistema de filosofia positiva.
1829 – Geometria não-euclidiana
O matemático russo Nikolai Lobachevsky (1792-1856) desafia a geometria do grego Euclides, em 300 a.C., e funda uma nova disciplina em que é possível fazer passar infinitas retas paralelas por um único ponto. Essa geometria estranha está por trás de teorias físicas modernas, como a da relatividade.
1835 – Telégrafo
Os americanos Joseph Henry (1797-1878) e Samuel Morse (1791-1872) desenvolvem o primeiro telégrafo.
1839 – Fotografia
O francês Loius-Jacques-Mandé Daguerre (1787-1851) é o pai dessa invenção, que modificou a compreensão da história, a ciência e os costumes de toda a humanidade. Em 1888, o americano George Eastman criaria a câmera de filme em rolo, a primeira Kodak.
1839 – Leis do eletromagnetismo
O inglês Michael Faraday (1791-1867) elabora a teoria de que a eletricidade e o magnetismo criam os chamados campos magnéticos em torno de ímãs e correntes elétricas.
1842 – Anestesia
Nesse ano, o médico americano Crawford Long (1815-1878) usa pela primeira vez o éter como anestésico geral durante uma cirurgia.
1843 – Termodinâmica
O alemão Hermann von Helmholtz (1821-1894) unifica os estudos anteriores sobre o calor e elabora a primeira lei da termodinâmica, segundo a qual a energia não pode ser criada nem destruída.
1848 – Zero absoluto
O irlandês William Thomson, Lorde Kelvin (1824-1907), determina até que ponto um corpo pode se resfriar. O zero absoluto — a temperatura na qual todas as partículas param de vibrar — é de 273,15 graus Celsius negativos.
1854 – Sistema binário
Ao criar um sistema de numeração usando apenas os algarismos zero e um, o inglês Geoge Boole (1815-1864) não imaginou que isso seria a chave da computação. Para os computadores atuais, números e caracteres são escritos assim: o dois é 10, o três, 11 e o quatro, 100.

5733 – Uma esponja a gás


Imagine um material transparente, cem vezes mais isolante do que o vidro e quase tão leve quanto o ar. Pois esse material existe, chama-se aerogel e começa a ser fabricado por uma empresa sueca. Ao microscópio, parece uma esponja, por causa dos espaços existentes entre suas moléculas. A olho nu, é pastoso como gelatina. O que os fabricantes suecos fizeram foi simplesmente substituir por gás carbônico o líquido do gel, que representa 99 por cento do seu volume. O aerogel já está sendo testado para ocupar o lugar dos plásticos que envolvem as células fotovoltaicas em painéis solares e no aquecimento de água de turbinas. Mas esperam-se aplicações ainda mais sofisticadas. O Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), em Genebra, por exemplo, pretende usar o aerogel num de seus laboratórios de radiação.

5732 – Vacina contra gravidez para ambos os sexos


O anticoncepcional do futuro será uma vacina contra o espermatozóide, que poderá ser tomada por homens e mulheres, Essa idéia de pesquisadores escoceses surgiu da observação de que há pessoas estéreis porque produzem anticorpos contra o espermatozóide. Ao menos com porquinhos-da-índia já se conseguiram resultados positivos. Os pesquisadores isolaram uma pro teína no espermatozóide dos animais, a qual, durante a fecundação, tem o papel fundamental de perfurar a membrana que envolve o óvulo.
Machos e fêmeas receberam uma injeção dessa proteína, chamada PH-20, passando a produzir anticorpos que se encaixam no espermatozóide como peças de um quebra-cabeça. Resultado: os espermatozóides não conseguem penetrar no óvulo. Portanto, os machos vacinados passaram a produzir espermatozóides incapazes de fecundar; as fêmeas vacinadas, por sua vez, têm anticorpos que bloqueiam os espermatozóides, unindo-se à PH-20. A vacina anticoncepcional parece reversível, pois os bichos voltaram a ser férteis num prazo de seis a quinze meses. Os pesquisadores procuram, agora, o equivalente da proteína PH-20 no espermatozóide humano.

5731 – Poluição nas águas subterrâneas


Teoricamente, os lençóis freáticos devem ser correntes subterrâneas de água pura. Na prática, até a água que vem da terra pode estar contaminada pela poluição, adverte um estudo da Universidade de São Paulo. “A situação ainda não é catastrófica, mas precisamos prevenir”, avisa um geólogo que dirige uma dúzia de pesquisadores de diversas áreas, igualmente preocupados com a qualidade das águas que ficam entre 5 e 10 metros de profundidade. Não é para menos: os lençóis, que alimentam as nascentes dos rios, demoram anos para se renovar. “Qualquer coisa jogada na terra, como lixo, pode contaminar a água”.
Por exemplo, um estudo recente nas regiões produtoras de álcool do interior paulista, onde um subproduto da cana chamado vinhaça é usado para irrigar o solo, mostra que, por causa disso, a quantidade de ferro na água dos lençóis alcança limites perigosos. Por lei, a vinhaça não pode ser jogada nos rios. Mas quem a joga na terra acha que não está poluindo nada.

5730 – Como o mercúrio é obtido, se é líquido no estado natural?


O mercúrio é o único metal líquido á temperatura ambiente porque seu ponto de fusão é muito baixo: menos 38 graus centígrados. Isso quer dizer que somente abaixo dessa temperatura ele é sólido, se não estiver combinado com outros elementos. Encontra-se, na maioria das vezes, na forma de sulfeto de mercúrio (HgS), um minério avermelhado ou preto, conhecido como cinábrio – geralmente associado a traços de ouro, prata, ferro, zinco, antimônio ou platina. A purificação desse minério é feita por um dos métodos mais simples de extração metalúrgica: o cinábrio é aquecido numa fornalha a aproximadamente 600 graus, temperatura a qual o minério sublima, isto é, passa diretamente do estado sólido para o gasoso. O vapor de mercúrio é então coletado em uma série de tubos densadores, passando para o estado líquido conhecido.

5729 – Relógio Biológico


Dois cientistas da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, conseguiram criar famílias de hamsters com relógios biológicos diferentes, ou seja, ciclos de sono e vigília modificados. Em vez de recomeçar suas atividades a cada 24 horas, os hamsters mutantes têm ciclos de 20 horas. Os pesquisadores descobriram que do cruzamento desses animais nascem ninhadas que também obedecem a dias e noites de 20 horas. Já cruzamentos híbridos, de um hamster modificado com outro nor mal, apresentaram ninhadas com ciclos intermediários de 22 horas.
O experimento confirma que o organismo dos animais funciona de acordo com um ritmo – e, mais importante ainda, que esse ritmo tem uma base genética. Outra equipe de pesquisadores americanos até já conseguiu localizar, na pequena mosca-das-frutas, um gene que parece controlar não só a duração dos ciclos circadianos, como são chamados os ciclos biológicos, mas também a proporção de atividade e repouso existente neles. Presume-se que esse gene, na verdade, controlaria a síntese de proteínas nas moscas e que a síntese, por sua vez, governaria o relógio biológico. Se isso valer também para os humanos, os dorminhocos poderão culpar os genes por seus atrasos.

5728 – Astronomia – Nicolau Copérnico


Copérnico foi o mais novo dos quatro filhos de um comerciante polonês da cidade de Torun, na conturbada fronteira com a Alemanha. Nasceu em 19 de fevereiro de 1473 e aos 10 anos ficou órfão, o que o colocou sob a proteção do tio, Lucas Waczenrode, que logo depois se tornaria bispo de Ermland. São duas informações importantíssimas: mostram que Copérnico viveu em pleno Renascimento, luminoso período da história da humanidade em que a cultura e o saber fizeram avanços revolucionários; e viveu como servidor da Igreja Católica, condição que lhe dava acesso a todo o saber avaramente entesourado pela milenar instituição.
Em 1491, aos 18 anos portanto, Copérnico entrou para a Universidade de Cracóvia, ainda na Polônia. Ali ele se interessou pela Matemática e pela Astronomia — mas sobretudo embebeu–se do humanismo pregado com liberdade por alguns mestres. Era um vigoroso movimento que se alastrava pela Europa, depois de ter tomado conta da Itália sob inspiração do renascer do interesse pelo conhecimento das coisas do homem e do mundo onde vive.
O movimento dos astros — esta era a verdadeira questão para ele. Tudo o que se sabia a respeito vinha ainda das observações daqueles antepassados que supunham que a Terra estava imóvel, no centro do Universo, e todos os outros astros giravam em torno dela. Muitos pensadores ilustres ocuparam–se dessa questão. Mas foi um astrônomo nascido em Alexandria, no Egito, chamado Cláudio Ptolomeu, quem compilou tudo o que se havia observado e pensado antes, para formar um vasto sistema que pretendia explicar o funcionamento do Universo. Este tem sido, ao longo dos séculos, o grande sonho da humanidade — e continua sendo até hoje.
De Ptolomeu sabe–se pouco. Nasceu na segunda metade do primeiro século da era cristã. Quis o acaso, assim, que estivesse no local certo, no tempo certo, para desfrutar de outro glorioso momento da história da cultura. Pois havia em Alexandria uma biblioteca notável, cuja construção começara pelo menos trezentos anos antes. Ali trabalharam e estudaram sábios de renome: Filon, Eratóstenes, Euclides, Estrabão, Aristarco, Hiparco e muitos, muitos outros. Entre tantos houve alguns que acharam que um Universo com o Sol ao centro seria mais lógico. Mas a idéia da Terra no centro tinha a seu favor as preferências de Aristóteles e Platão, dois pesos pesados da cultura ocidental.
Sua teoria do Heliocentrismo, que colocou o Sol como o centro do Sistema Solar, contrariando a então vigente teoria geocêntrica (que considerava, a Terra como o centro), é tida como uma das mais importantes hipóteses científicas de todos os tempos, tendo constituído o ponto de partida da astronomia moderna.
Na teoria de Copérnico, a Terra move-se em torno do Sol. Mas, seus dados foram corrigidos pelas observações de Tycho Brahe. Com base nelas e em seus próprios cálculos, Johannes Kepler reformou radicalmente o modelo copernicano e chegou a uma descrição realista do sistema solar. Esse fenômeno já havia sido estudado e defendido pelo bispo de Lisieux, Nicole d’Oresme, no século XIV. O movimento da Terra era negado pelos partidários de Aristóteles e Ptolomeu. Eles tinham que, caso a Terra se movesse, as nuvens, os pássaros no ar ou os objetos em queda livre seriam deixados para trás. Galileu combateu essa ideia, afirmando que, se uma pedra fosse abandonada do alto do mastro de um navio, um observador a bordo sempre a veria cair em linha reta, na vertical. E, baseado nisso, nunca poderia dizer se a embarcação estava em movimento ou não.
A teoria do modelo heliocêntrico, a maior teoria de Copérnico, foi publicada em seu livro, De revolutionibus orbium coelestium (“Da revolução de esferas celestes”), durante o ano de sua morte, 1543. Apesar disso, ele já havia desenvolvido sua teoria algumas décadas antes.
O livro marcou o começo de uma mudança de um universo geocêntrico, ou antropocêntrico, com a Terra em seu centro. Copérnico acreditava que a Terra era apenas mais um planeta que concluía uma órbita em torno de um sol fixo todo ano e que girava em torno de seu eixo todo dia. Ele chegou a essa correta explicação do conhecimento de outros planetas e explicou a origem dos equinócios corretamente, através da vagarosa mudança da posição do eixo rotacional da Terra. Ele também deu uma clara explicação da causa das estações: O eixo de rotação da terra não é perpendicular ao plano de sua órbita.
Da sua publicação, até aproximadamente 1700, poucos astrônomos foram convencidos pelo sistema de Copérnico, apesar da grande circulação de seu livro (aproximadamente 500 cópias da primeira e segunda edições, o que é uma quantidade grande para os padrões científicos da época). Entretanto, muitos astrônomos aceitaram partes de sua teoria, e seu modelo influenciou muitos cientistas renomados que viriam a fazer parte da história, como Galileu e Kepler, que conseguiram assimilar a teoria de Copérnico e melhorá-la. As observações de Galileu das fases de Vênus produziram a primeira evidência observacional da teoria de Copérnico. Além disso, as observações de Galileu das luas de Júpiter provaram que o sistema solar contém corpos que não orbitavam a Terra.

5727 – Satélite brasileiro estudará buracos negros


Folha Ciência

O primeiro satélite astronômico brasileiro já teve sua configuração definida. A informação é do cientista responsável pela missão, que está sendo planejada para voar em janeiro de 2017.
“Os instrumentos já estão completamente definidos”, diz João Braga, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Ciências Espaciais), em São José dos Campos.
Batizada em homenagem ao físico brasileiro Cesar Lattes (1924-2005), a espaçonave é o ponto culminante do primeiro esforço de desenvolvimento de satélites científicos conduzido pelo Brasil.
Originalmente, o que veio a se tornar a configuração original do Lattes consistia em dois satélites diferentes, um voltado para astrofísica (Mirax) e outro para observação da Terra (Equars).
O planejamento das duas missões, separadas, havia começado em 2000. Contudo, uma mudança estratégica do programa sugeriu a combinação das duas numa só, o que gera uma configuração curiosa: a parte de cima do satélite passará o tempo todo olhando para o céu, enquanto a de baixo estará sempre mirando a Terra.
Não será a primeira missão da PMM (que deve ser usada inicialmente pelo satélite de monitoramento Amazônia-1), mas a ideia é que se torne a primeira a ter o sistema de controle de atitude (que determina a orientação da nave no espaço) desenvolvido totalmente no Brasil.
O Lattes fará uma varredura do céu em busca de sinais de fontes de raios X. Essa radiação altamente energética costuma vir de objetos astrofísicos interessantes e misteriosos, como os buracos negros, e seu estudo pode ajudar a identificar a natureza de diversos fenômenos ainda pouco compreendidos.

Um dos aspectos interessantes da missão é que ela fará um monitoramento constante de grande parte do céu em busca dessas fontes. “O fato é que o céu em raios X é supervariável e até hoje nenhuma missão fez um acompanhamento sistemático”, diz Braga. “Vamos monitorar o comportamento transiente, em todas as escalas de tempo, de segundos a meses.”
Com isso, espera-se fazer descobertas na dinâmica de objetos como buracos negros, identificando, por exemplo, o processo de acreção.
Buracos negros são objetos tão densos que nada consegue escapar de sua gravidade, nem mesmo a luz. Os raios X são emanados de suas imediações, onde costumam se formar discos de acreção –material prestes a ser engolido pelo objeto. Com o Lattes, será possível investigar a fundo esse processo.
Enquanto os detectores de raios X –desenvolvidos pelo Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, nos Estados Unidos– ficam apontados para o céu, outros instrumentos, destinados a monitorar a atmosfera terrestre, ficam apontados para baixo.
O Lattes deve ficar a cerca de 650 km de altitude, numa órbita com 15 graus de inclinação, com relação ao equador terrestre. O satélite, com seus 500 kg, deve ser lançado por um foguete estrangeiro, contratado comercialmente.
Nenhum dos lançadores que poderiam partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, tem a configuração certa para fazer o serviço. Para o brasileiro VLS, o Lattes é pesado demais. Para o ucraniano Cyclone-4, é leve demais.

5726 – Planeta Terra – Dias tórridos pela frente


Se a partir de agora o mundo inteiro adotasse medidas drásticas para conter o uso de combustíveis fósseis (carvão, petróleo) e reduzir a concentração de poluentes no ar, ainda assim o planeta sofreria um aquecimento significativo de até 4 graus centígrados no próximo século – o tão falado efeito estufa. Essa é a conclusão de meteorologistas americanos, para quem já é tempo de se planejar a vida com um clima mais quente, aumento do nível do mar e temporadas inesperadas de chuva e seca.
Atualmente, quando a temperatura global média é de 15 graus, o homem despeja 5,5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Calcula-se que até o ano 2075 esse valor será duas vezes e meia maior e a temperatura global aumentará de 5 a 16 graus centígrados. Para atenuar essa catástrofe, uma conferência realizada recentemente em Toronto, no Canadá, propôs que até o ano 2005 se reduza em 20 por cento a emissão de dióxido de carbono. Como isso será feito, no entanto, ninguém parece ter a mais remota idéia.

5725 – Como se avalia a intensidade de um abalo sísmico através da Escala Richter?


Os abalos sísmicos são classificados de acordo com a energia mecânica, ou onda de choque, que liberam. A escala Richter começou a ser usada em 1935, introduzida pelo sismólogo americano Charles Francis Richter (1900-1985). Ele pretendia empregá-la apenas para medir a intensidade de terremotos no sul da Califórnia, detectados por um sismógrafo. Na forma mais simples, trata-se de um pêndulo com oscilação controlada, fixo numa sólida base de concreto, que registra tremores em três direções, duas horizontais e uma vertical. Assim, os mais fracos terremotos receberam valores próximos de zero. A escala foi construída de tal forma que cada acréscimo de uma unidade representasse um aumento de dez vezes na magnitude do terremoto. O zero dessa escala equivale aproximadamente ao choque produzido por um homem ao saltar de uma cadeira. A escala Richter foi adotada em todo o mundo devido ao seu método objetivo de avaliação. A escala atual contém também números negativos, para abalos praticamente imperceptíveis.

5724 – Como a ostra produz a pérola?


A pérola é o resultado de uma reação natural da ostra contra invasores externos, como certos parasitas que procuram reproduzir-se hospedados nela. Para isso, se alojam no manto, uma fina camada de tecido que protege as vísceras da ostra. Ao defender-se do intruso, a ostra ataca-o com uma substância segregada no manto, chamada nácar ou madrepérola., composta de 90 por cento de um material calcário chamado aragonita (CaCO3), 6 por cento de material orgânico (conqueolina, o principal componente da concha externa) e 4 por cento de água. O nácar é depositado sobre o invasor em camadas concêntricas, cristalizando-se rapidamente. O tempo médio de maturação de uma pérola é de três anos. O processo pode ser induzido artificialmente – introduzindo-se um grão de areia, por exemplo.

5723 – Como a luneta infravermelha possibilita a visão no escuro?


A radiação infravermelha foi descoberta em 1800, pelo astrônomo alemão naturalizado inglês William Herschel (1738-1822). Todo corpo sólido a uma temperatura acima do zero absoluto (menos 273 graus centígrados) emite radiação infravermelha, invisível ao olho humano. Durante a Segunda Guerra Mundial foi desenvolvido o tubo conversor de imagens infravermelhas, usado em binóculos e lunetas infravermelhos. Esse conversor é composto de um tubo à vácuo que tem um fotocátodo (eletrodo sensível à luz) sensível à radiação infravermelha. O objeto a ser visualizado é aí focalizado. Conforme a radiação recebida, o fotocátodo emite elétrons, que são projetados numa tela, gerando assim uma imagem na outra ponto do tubo. Com o tudo só tem sensibilidade para visualizar objetos incandescentes, é necessária uma lâmpada infravermelha para iluminar a cena. Assim, uma luneta infravermelha permite enxergar, à noite, tudo que esteja num raio de 100 metros.

5722 – Como surgiu o baralho?


Não se sabe ao certo nem quando nem onde os jogos de cartas apareceram pela primeira vez. Provavelmente, as cartas surgiram na China, derivadas de papel-moeda, no século X. No início eram simples tiras de papel, marcadas com conchas, pedras, flechas e ossos, usadas em rituais de adivinhação. Por volta de 1300, as cartas chegaram à Europa, levadas pelos árabes. Eram conhecidas como tarots, em baralhos de 22 cartas, que foram combinadas, no final do século XIV, com o baralho oriental, de 56 cartas. Foram os franceses, no século XVI, que introduziram o baralho moderno, de 52 cartas, deixando o tarô apenas para previsões. Os naipes mais comuns era taças, moedas, espadas e bastões. Da França, o baralho ganhou o mundo, e os naipes evoluíram até os atuais copas, ouros, espadas e paus. Hoje em dia se conhece mais de uma centena de jogos de cartas, envolvendo raciocínio e, principalmente, sorte.

5721 – AIDs ataca gatos no Japão


Três em cada dez gatos internados em clínicas veterinárias de Tóquio estão com AIDS. Até o início do ano, os sintomas da doença eram associados à leucemia. A confusão cessou quando cientistas americanos isolaram o vírus da imunodeficiência felina (FIV). Assim como nos seres humanos, a AIDS de gatos pode demorar anos até se manifestar. Mas a semelhança entre o FIV e o HIV – o vírus da imunodeficiência humana – termina aí. Tanto que os anticorpos de um não reconhecem a presença do outro. E a AIDS felina não contagia seres humanos.
A forma de transmissão também não é a mesma. Experiências de laboratório mostraram que o vírus da AIDS felina não se transmite sexualmente, mas pela sdliva. Isso talvez explique o fato de que, em Tóquio, para cada gato doméstico doente existam dezenove gatos de rua com AIDS: soltos, os gatos convivem mais com outros gatos, o que inclui sempre dentadas e arranhões. Não se conhece, por enquanto, a incidência da AIDS felina em outros países. A única pesquisa a respeito é do Japão.

5720 – Por que sempre se vê a mesma face da lua?


A rotação da Lua sobre seu próprio eixo e sua translação ao redor da Terra têm a mesma duração: 27 dias e oito horas. Essa composição de movimento, conhecida como rotação combinada, faz com que um observador terrestre – independentemente da rotação e translação da Terra – veja a Lua como se ela estivesse parada. É como girar um balde, amarrado a uma corda, à nossa volta: quem estiver segurando a corda verá somente a boca do balde, parecendo que este não gira em torno de si próprio, como observa alguém do lado de fora, que vê o balde inteiro. A face oculta da Lua foi fotografada pela primeira vez em 1958, pela nave espacial soviética Lunik 3.

5719 – Mega Byte – Vírus: Programados para destruir


Para isso, aloja-se entre os milhares de linhas algorítmicas que instruem a ação da computador. Quando ninguém espera, ele toma conta do cérebro eletrônico e destrói toda a inteligência que está armazenada. Numa fração de segundo, uma poderosa máquina de processamento de dados se apaga. Sua memória se esvazia.
Por incrível que pareça, tal poder de destruição está contido em umas poucas linhas de instrução de um programa de computador — ou software. Todos os computadores estão sujeitos à infecção, mesmo os maiores, mais sofisticados e modernos. Isso justifica o alarme dos cientistas e técnicos de grandes empresas, como a IBM, e órgãos de defesa estratégica das grandes potências.
Uma guerra silenciosa e rápida, mas que pode pôr o mundo num verdadeiro caos. É a softwar. Se algum dia for desencadeada, pode parar todo o sistema de telecomunicações de um país, levar à falência grandes conglomerados financeiros, interromper os meios de transporte de massa e até mesmo apagar todo o conhecimento científico armazenado em bancos de memória eletrônica. Enfim, parar tudo, como se desligasse uma chave de força.
Os computadores são, a rigor, máquinas de cálculo que utilizam falsas chaves de liga (on) e desliga (off) como meio de linguagem para entender e processar dados. On é representado pelo número 1 e off pelo número 0. É o que se chama linguagem binária. Uma seqüência de oito zeros e uns é utilizada para expressar cada letra, número ou pontuação existente no teclado do computador. Cada um desses zeros e uns é chamado bit. Cada seqüência de oito bits é chamada byte. Uma das razões de os primeiros computadores terem sido tão grandes a ponto de ocupar o espaço de grandes salas é que era preciso uma válvula eletrônica para cada bit.
Certa vez, uma mariposa voou para dentro de um daqueles velhos gigantescos computadores — e o colocou fora do ar. Daí se originou o termo bug, que em inglês também significa inseto pequeno. “Bug” hoje em dia é o termo utilizado para indicar que há um problema em um programa. E “debugging” é a arte de limpar um programa.
Um computador é uma máquina ignorante e sem qualquer utilidade, a menos que seja minuciosamente instruído. Só assim ele mostrará suas extraordinárias qualidades: a capacidade de armazenar informações (memória) e uma grande velocidade para trabalhar com elas. A inteligência dessa máquina está apenas no programa (ou software) que lhe damos, isto é, nas instruções que “ensinam” a máquina a fazer um trabalho. Os termos software e hardware já se confundem nos modelos mais modernos, que saem da fábrica com um programa armazenado em seu interior. São chamados firmware.
Cada novo avanço obtido na técnica da computação aumenta sua utilidade para a sociedade. Computadores controlam o tráfego nas grandes cidades, os metrôs, os bancos, as redes telefônicas, as grandes lojas e os supermercados. Hoje nossa vida depende mais de um computador do que ontem e certamente dependerá ainda mais no futuro. Não existe volta. A sociedade de hoje não seria o que é sem a ajuda de centenas de milhares de computadores espalhados pelo mundo. Todos eles, independentemente de quem os fabricou e que configuração tenham, trabalham da mesma forma. São máquinas que executam tarefas numa velocidade cada vez maior, alimentadas por programas que qualquer pessoa pode criar.
Certo dia se descobriu que o sistema computadorizado de comunicações do Departamento de Defesa dos Estados Unidos estava infiltrado por um pequeno programa-vírus, apelidado de “creeper” (aquele que se move furtivamente). Para acabar com o creeper foi escrito um programa destinado a procurar e destruir, apelidado de “reaper” (ceifador). Mais tarde surgiram os “cavalos de Tróia”, programas que, quando introduzidos num grande sistema de computação, funcionam como uma bomba-relógio, esperando que alguém digite determinada palavra-chave que detona uma instrução maligna para o computador.
A Sophco desenvolveu três vacinas: Syringe.EXE, Canary e Infect. A primeira é uma vacina propriamente dita, que impede qualquer alteração na estrutura de um programa sem prévia autorização. A segunda é um programa que põe de quarentena um disco suspeito de infecção. A terceira é um vírus benigno usado para testar outros programas. A rigor, este último é que faz o trabalho mais curioso, utilizando a técnica do “debugging”, isto é, percorre linha por linha do programa procurando um “corpo estranho”. É um trabalho semelhante ao de um contador, que refaz todas as contas de um livro-caixa para saber se o resultado final está certo.
Mas a cada dia, novos vírus são desenvolvidos e a ameaça deve continuar.