6548 – ☻Mega Cientistas – ALFRED RUSSEL WALLACE



O naturalista Alfred Russel Wallace tornou-se célebre pela formulação de uma teoria da origem das espécies pela seleção natural, em estudos realizados independentemente de Charles Darwin.
Alfred Russel Wallace nasceu em 8 de janeiro de 1823, em Usk, Monmouthshire, Inglaterra. De seu interesse inicial pela botânica passou ao estudo dos insetos por influência do naturalista britânico Henry Walter Bates, que conheceu por volta de 1844. Ambos empreenderam uma expedição pela Amazônia em 1848, onde permaneceram por dois anos. Com exceção do material que Wallace enviou para a Inglaterra, a valiosa coleção acumulada na expedição foi consumida pelo fogo na viagem de volta. O naturalista conservou também anotações que lhe permitiram escrever Narrative of Travels on the Amazon and Rio Negro (1853; Narrativa de viagens pela Amazônia e pelo rio Negro). De 1854 a 1862, Wallace viajou pelo arquipélago malaio. Fixou-se depois em seu país e se dedicou a pesquisas científicas.
Em 1858, apresentou o trabalho On the Tendency of Varieties to Depart Indefinitely from the Original Type (Sobre a tendência das variedades de se afastar indefinidamente do tipo original) ao mesmo tempo em que Darwin apresentava sua teoria da evolução das espécies. Wallace divergiu de Darwin, que defendia a tese da seleção sexual, por preferir a da sobrevivência do mais forte e aceitar, coerente com sua tendência para o espiritualismo, a intervenção de forças superiores na evolução das espécies.
A obra The Malay Archipelago (1869; O arquipélago malaio) foi resultado da pesquisa feita no arquipélago malaio, onde Wallace investigou a distribuição geográfica dos animais. Sua Geographical Distribution of Animals (1876; Distribuição geográfica dos animais) deu-lhe papel relevante na história da zoogeografia e divulgou estudos precursores sobre a influência da divisão de terras emersas e dos mares sobre a genealogia das espécies.
Wallace interessou-se ainda por questões tão diferentes quanto a da nacionalização da terra, do sufrágio feminino, que defendia, e da vacinação, que combatia. Deixou obra extensa que inclui um livro sobre espiritualismo, Miracles and Modern Spiritualism (1875; Os milagres e o espiritualismo moderno) e a autobiografia, My Life (1905; Minha vida). Alfred Russel Wallace morreu em Broadstone, Dorset, Inglaterra, em 7 de novembro de 1913.

6547 – O Magnetismo


William Gilbert, médico particular da rainha Elizabeth I da Inglaterra, interessou-se pela natureza dos fenômenos magnéticos da matéria e descreveu corretamente a Terra como um gigantesco ímã, cujos pólos magnéticos coincidem de modo aproximado com os de seu eixo de rotação. No entanto, suas tentativas de explicar os movimentos planetários como resultantes de forças magnéticas fracassaram e só mais de meio século depois Isaac Newton os atribuiria à força de gravitação.
Magnetismo é o fenômeno físico que consiste nas forças de atração e repulsão exercidas por certos metais, como o ferro-doce, o cobalto e o níquel, devido à presença de cargas elétricas em movimento. Dá-se também esse nome à disciplina da física que estuda a origem e as manifestações de tais fenômenos magnéticos.

História do Magnetismo
As civilizações antigas conheciam a magnetita, mineral que atrai o ferro. Até o início do século XVII tais fenômenos não haviam sido estudados de forma sistemática, o que foi feito pela primeira vez por William Gilbert, autor de De magnete (1600; Sobre os ímãs), que enunciou suas propriedades fundamentais e descobriu o campo magnético terrestre utilizando bússolas rudimentares.
No final do século XVIII, Charles-Augustin de Coulomb elaborou para a magnetostática leis semelhantes às que regiam os movimentos de atração e repulsão entre cargas elétricas em repouso. Assim, postulou que uma força magnética era diretamente proporcional a grandezas que denominou unidades de magnetização, ou intensidades de pólo magnético, e inversamente proporcional ao quadrado da distância que separa os objetos imantados.
No século XIX, em decorrência dos experimentos realizados pelo dinamarquês Hans Christian Ørsted e pelo britânico Michael Faraday, e das expressões matemáticas do britânico James Clerk Maxwell, unificaram-se as leis da eletricidade e do magnetismo e este passou a ser considerado uma manifestação das cargas elétricas em movimento.
Tradicionalmente, em física estudam-se dois tipos de fontes de fenômenos magnéticos: os ímãs e as cargas livres nos condutores, que transmitem uma corrente elétrica. Denomina-se campo magnético à perturbação sofrida pelo espaço próximo a uma dessas fontes magnéticas. A magnitude fundamental do campo magnético é a indução de campo, representada habitualmente pelo símbolo B e dotada de caráter vetorial, já que depende tanto de seu valor numérico como da direção e sentido de máxima variação do campo. O vetor intensidade de campo magnético B é definido como uma derivação da indução magnética, e a razão pela qual possui a denominação reservada normalmente aos vetores básicos de campo é puramente histórica.
A detecção de um campo magnético em um meio é feita pela influência que exerce sobre uma bússola ou carga elétrica em movimento. Assim, pode-se definir a indução de campo magnético como a força que este exerce perpendicularmente sobre uma carga unitária de velocidade, também igual a um. A expressão matemática desta relação, chamada de Lorentz, é
F = q v x B
em que a força F, a velocidade v e a indução B possuem caráter vetorial, a carga q é um número positivo ou negativo, e o símbolo x representa um produto vetorial que significa que a força resultante é perpendicular tanto à velocidade da partícula carregada como ao campo magnético visto como um conjunto de linhas na direção do vetor B em cada ponto do espaço.
A unidade fundamental de indução magnética no sistema internacional é o tesla, equivalente à unidade de força definida por unidade de carga e de velocidade. O gauss representa um dez mil avos do tesla e constitui a unidade básica no sistema CGS (centímetro, grama, segundo).
Também relevante no estudo do magnetismo é o chamado fluxo magnético, representado graficamente por linhas de indução através das quais se define a unidade de fluxo. Assim, um campo magnético de indução B de um tesla é representado como uma linha de indução por metro quadrado, denominada weber. A indução corresponde ao fluxo por unidade de superfície perpendicular ao campo e é também chamada densidade de fluxo. Além do weber, unidade internacional, emprega-se também como unidade de fluxo do sistema eletromagnético o maxwell, segundo a relação 1 weber = 108 maxwells.
A estrutura elétrica mais simples que se pode conceber é uma carga isolada, de modo que duas cargas de sinais contrários formam um dipolo elétrico, caracterizado por um momento de força ou magnitude física equivalente à que provoca o giro de uma barra rígida apoiada em um ponto fixo. Por analogia, definem-se os dipolos magnéticos, formados por dois pólos (norte e sul) que geram perturbações específicas acentuadas a seu redor, as quais se transmitem ininterruptamente entre ambos. A inexistência, porém, desses pólos magnéticos isolados constitui um dos aspectos fundamentais da ciência do magnetismo.
Em escala microscópica, o campo magnético mais simples é o produzido pelo movimento de rotação dos elétrons em torno de si mesmos. Esse fenômeno, conhecido como spin, é representado na física quântica pelos números +1/2 e -1/2, de acordo com o sentido do giro do elétron.
Tipos de magnetismo. A física considera a existência de três tipos de material, segundo seu comportamento em presença de campos magnéticos: substâncias ferromagnéticas, como o ferro, o cobalto, o níquel, o gadolínio, o disprósio e as ligas, minerais e derivados desses elementos, que ficam permanentemente imantadas ainda que se retire o agente do campo; substâncias paramagnéticas, que apresentam uma imantação temporária e tênue, que desaparece ao eliminar-se o campo; substâncias diamagnéticas, que são repelidas pelos ímãs de forma indiscriminada.
A explicação desses comportamentos é dada pela física microscópica, segundo a qual a maioria das substâncias apresenta diamagnetismo ou atividade magnética nula na ausência de perturbações externas. O ferromagnetismo e o paramagnetismo são fenômenos determinados pela existência prévia de uma orientação generalizada dos campos magnéticos eletrônicos ou spins, que se reforça temporária ou permanentemente sob a influência dos ímãs.

O Magnetismo Terrestre
O campo magnético terrestre, detectável por uma simples bússola, possui duas peculiaridades: sua irregularidade, dependente da latitude; e sua mudança gradual no tempo, conseqüência da variação contínua do eixo magnético. Segundo a teoria dinâmico-magnética, a origem do magnetismo terrestre está nas correntes elétricas do núcleo metálico do planeta, e sua variabilidade indica que esse núcleo encontra-se em movimento, de modo que os rios de metal fundido assumem o papel de espirais condutoras que criam campos magnéticos.

6546 – Biologia – A Calefação


O corpo humano sadio mantém a temperatura interna em aproximadamente 37o C, sob quaisquer condições ambientais. O equilíbrio térmico é controlado pelos centros nervosos. O corpo esfria quando transmite seu calor ao meio pela radiação (através das roupas e da pele), ou pela evaporação da umidade da pele (o suor). Sob baixas temperaturas, experimenta-se uma sensação de frio, que provoca arrepios e estremecimentos. Seguindo os mesmos princípios de radiação, convecção e condução do calor, a calefação permite que o ambiente se mantenha aquecido a temperaturas agradáveis.
Chama-se calefação o conjunto de procedimentos destinados a aquecer espaços internos de casas ou edifícios, com a aplicação de diferentes princípios físicos, que devem ser levados em conta desde que se projeta a obra.
Há vários processos de calefação. Os mais simples são os sistemas individuais, ou locais, que operam pela queima de combustível no próprio lugar que se deseja aquecer. É o caso das lareiras com chaminé e das estufas a carvão. As estufas são câmaras fechadas, onde o calor do combustível queimado se propaga por radiação. A lareira é um dispositivo aberto que irradia diretamente o calor produzido pela combustão de material sólido (em geral, madeira). Seu rendimento costuma ser pobre, pois oitenta por cento do calor gerado escapa através da chaminé, o que pode ser compensado regulando-se a entrada do ar frio com uma tela ou aparador.
Os radiadores a gás fornecem outro tipo de calefação. Podem ser de dois tipos: de convecção ou de radiação. Neste último caso, um queimador ajuda a levar à incandescência certos elementos refratários, cujas temperaturas de fusão são elevadas, enquanto os sistemas de convecção fazem com que o gás quente, depois de queimado, circule por uma serpentina metálica.
Na calefação central, diversos ambientes são aquecidos a partir de um mesmo foco de calor, instalado em local à parte. O mais conhecido desses sistemas é o de água quente, formado por uma caldeira, uma bomba de impulsão e um conjunto de tubulações que, por convecção remetem a água aquecida para os diferentes ambientes. Ali, radiadores adequados, feitos em aço ou outra liga metálica, elevam a temperatura do ar ambiental até os níveis desejados. Depois de liberar calor, a água retorna à caldeira, para que a operação se repita de modo contínuo. As caldeiras podem utilizar combustíveis sólidos, líquidos ou gasosos e trabalhar com elementos líquidos (caldeiras de água) ou gasosos (caldeiras de vapor).
Além dos sistemas baseados na combustão e difusão de energia térmica, existem instalações de calefação que utilizam a eletricidade como fonte alimentadora de radiadores e painéis. Utilizando o efeito Joule, transformam energia elétrica em calor. Na segunda metade do século XX, começaram a surgir também os sistemas de calefação solar, pelos quais a luz do sol é convertida em energia térmica. Tais instalações apresentam rendimento proporcionalmente pequeno, mas têm a seu favor o fato de não produzirem elementos tóxicos ou poluentes.

6545 – Engenharia Elétrica – Os Transformadores


Entre as múltiplas aplicações dos transformadores de corrente elétrica, destaca-se a função dos modelos com núcleo de ar, projetados para transferir as correntes de transmissão de freqüências de rádio e tornar possível a escuta nos receptores.
Transformador é todo dispositivo capaz de transferir a energia elétrica proveniente de uma fonte de corrente alternada para um ou mais circuitos elétricos com tensão (diferença de potencial elétrico) superior ou inferior à inicial. Sua aplicação se estende a múltiplas finalidades. Entre elas mencionam-se: a redução da tensão de linhas domésticas para uso em aparelhos de baixa tensão, como brinquedos elétricos e eletrodomésticos; a elevação da tensão de geradores elétricos para transmissão da eletricidade a longas distâncias, a fim de facilitar seu transporte e diminuir as perdas; e a posterior transformação dessa eletricidade para voltagens inferiores para utilização prática.
Os transformadores desempenham sua função de variação da tensão por meio do fenômeno conhecido como indução eletromagnética, pelo qual toda corrente elétrica nele aplicada produz ao redor de seu condutor um campo magnético de intensidade proporcional à intensidade da corrente elétrica. Reciprocamente, os campos magnéticos variáveis existentes nas vizinhanças do material condutor induzem nele uma corrente elétrica de intensidade proporcional à magnitude da variação do campo elétrico.
Em sua forma mais simples, um transformador consiste de duas bobinas, isoladas entre si e enroladas num núcleo de aço-silício laminado, comum às duas. Formam-se, assim, três circuitos distintos: dois elétricos, que correspondem a cada uma das bobinas, e um magnético, formado pelas linhas de força que percorrem o núcleo metálico do transformador. Chama-se comumente de primário o circuito ao qual se aplica a corrente que se quer transferir, ou cuja tensão se deseja alterar, e de secundário aquele onde se forma a nova corrente.
As bobinas primária e secundária têm número distinto de espiras. A corrente procedente do exterior atravessa a bobina primária, na qual induz um campo magnético que afeta a bobina secundária e nela cria uma corrente induzida que se comunica com o circuito de saída. Para se determinar o valor da tensão de saída, multiplica-se a tensão de entrada pelo número de espiras da bobina secundária e divide-se o número obtido pelo número de espiras da primária. A relação entre os números de espiras das bobinas se denomina razão do transformador.

6544 – Engenharia Elétrica – O Reostato


É grande o campo de aplicação dos reostatos, que podem ser usados para ajustar as características de geradores elétricos, para reduzir a intensidade de iluminação e até para controlar a velocidade de motores elétricos. É o que acontece nos bondes, nos quais se usa um reostato para aumentar ou diminuir a velocidade do veículo.
Reostato é um resistor de resistência variável, geralmente utilizado para limitar a corrente elétrica em circuitos ou dissipar energia. A resistência pode ser um fio metálico, carvão ou um líquido condutor, dependendo da aplicação. O tipo metálico é o mais usado para correntes de intensidade média. Para correntes muito pequenas se usa o reostato de carvão, enquanto o reostato líquido se emprega em correntes de alta intensidade.
Um dos modelos de reostato mais usados consiste numa série de contatos sobre os quais corre um outro contato, móvel, manobrado por uma manípula. Conforme o ponto sobre o qual estiver encostado o contato da manípula, tem-se um valor diferente de resistência no circuito e, portanto, uma corrente diferente, o que permite regular a velocidade do motor.
O potenciômetro é um tipo especial de reostato que se usa para medir uma voltagem desconhecida ou a diferença de potencial. O modelo mais comum consiste simplesmente num resistor com dois terminais fixos e um terceiro terminal ligado a um braço de contato variável. Esse potenciômetro se usa, por exemplo, para controlar o volume em equipamentos de som, entre outras aplicações.

6543 – Engenharia Elétrica – Os Raios Catódicos


A propriedade de produzir fluorescência a partir de certos materiais tornou os tubos de raios catódicos a base técnica de televisores e outros aparelhos, como osciloscópios e telas de radar.
Raios catódicos são radiações compostas de elétrons que se originam no interior de tubos cheios de gás rarefeito (tubos de Crookes) e submetidos a uma diferença de potencial elétrico entre suas extremidades metálicas, ou pólos. Os elétrons emergem do pólo positivo do eletrodo, chamado catodo, e se propagam na forma de um feixe de partículas negativas.
A pesquisa dos raios catódicos teve início em 1838, quando Michael Faraday começou a estudar as descargas elétricas em gases submetidos a baixas pressões. A pesquisa alcançou maior desenvolvimento depois que o alemão Heinrich Geissler conseguiu construir tubos de vidro selados que continham eletrodos de metal. Com esses tubos, o matemático e físico alemão Julius Plücker realizou, em 1858, uma série de experiências. Plücker notou que, próximo ao catodo, formava-se uma luminescência de cor verde e, mais ainda, que sua posição variava com a proximidade de campos magnéticos.
Estudos posteriores realizados pelo físico alemão Eugen Goldstein mostraram que a luminosidade era provocada por raios que partiam do catodo e atravessavam o tubo em linha reta, em direção perpendicular à superfície do catodo. Por essa razão, Goldstein chamou essas radiações de raios catódicos. Com base na descoberta de Goldstein foram construídos, mais tarde, catodos côncavos com a finalidade de produzir raios dirigidos e concentrados, fundamentais na realização de numerosas experiências.
Por volta de 1878, William Crookes concluiu que os raios catódicos são formados de feixes de partículas com carga negativa, emitidas do catodo com velocidade muito alta. O fato foi comprovado em 1879 pelo físico Joseph John Thomson, que demonstrou serem as radiações desviadas pela ação de campos elétricos.
Os raios catódicos produzem ionização nos gases que atravessam, causam fluorescência nas paredes de vidro dos tubos de Crookes e em algumas substâncias como o sulfato de zinco. Além disso, têm baixo poder de penetração, aquecem as superfícies sobre as quais incidem e são independentes da natureza do gás existente no tubo.

6541 – Física – O calor


Quando dois corpos em temperaturas diferentes de põem em contato, produz-se uma transferência de energia do corpo que apresenta temperatura mais elevada ao de temperatura mais baixa, o que faz com que ambas se igualem.
Pode-se definir calor como a energia transferida entre dois sistemas, que é proporcional à diferença de temperatura existente entre eles. Uma superfície através da qual pode haver transferências de calor chama-se diatérmica. Em caso contrário, denomina-se adiabática.
Durante muito tempo discutiu-se a natureza do fluxo de calor entre dois corpos. Até o século XVIII, acreditava-se na existência de um fluido material, denominado fluido calórico. Em fins do século XVIII e durante a primeira metade do século XIX, os trabalhos de Benjamin Thompson e James Prescott Joule levaram à convicção de que o calor é um fluxo de energia. Thompson comparou o peso de um corpo aquecido com o que ele apresenta quando esfria e não observou diferença. Concluiu então que o calor não podia ser uma substância material, mas fruto de algum tipo de movimento, ou seja, energia.
Joule demonstrou que o mesmo efeito de elevação da temperatura de um corpo produzido pelo fluxo de calor pode ser obtido mediante a dissipação de energia mecânica sobre ele (a energia mecânica perde-se ou dissipa-se por ação de forças de resistência ao movimento, como, por exemplo, o atrito). Chegou experimentalmente à conclusão de que, com quantidades iguais de trabalho mecânico sobre um corpo, obtém-se o mesmo aumento de temperatura. Além disso, dado que o fluxo de calor pode se transformar parcialmente em energia mecânica por meio de uma máquina térmica (por exemplo, uma máquina de vapor), ficava demonstrado de modo inequívoco que o calor é uma forma de energia. O mesmo pesquisador estabeleceu a relação entre as unidades de calor e de energia: uma caloria é igual a 4,18 joules (equivalente mecânico de calor).
Fluxo. Para compreender em que consiste o fluxo de calor é necessário distingui-lo, por um lado, da temperatura e, por outro, da energia interna de um sistema. Este aspecto é particularmente importante porque às vezes, na linguagem comum, confunde-se calor com temperatura alta. Diz-se, por exemplo, que “faz calor” para indicar que a temperatura atmosférica está elevada. A temperatura é a manifestação, no plano macroscópico, das propriedades microscópicas de um sistema. Trata-se de uma medida da energia cinética produzida pelo movimento das partículas que formam o corpo como, por exemplo, átomos ou moléculas. A energia interna decorre do movimento desordenado dessas partículas, ou seja, da energia de seu movimento interno. Por meio das colisões que se produzem entre as partículas, as que têm uma energia cinética maior (as do sistema em temperatura mais alta) perdem uma energia que é ganha pelas partículas cuja energia cinética é inicialmente menor (as do sistema em temperatura mais baixa). Registra-se, por conseguinte, um fluxo de energia de um sistema ao outro e, se no processo não se produz trabalho mecânico nem alteração química, essa energia é exatamente igual ao calor intercambiado entre os dois sistemas.

Pode-se observar uma relação entre as grandezas de calor, trabalho e energia. As três podem inclusive ser medidas com a mesma unidade (joule, por exemplo). De outro ponto de vista, existe uma diferença conceitual entre temperatura e medida de calor: a temperatura e a energia interna definem o estado de um sistema e, portanto, são variáveis de estado, enquanto o calor não o é. De um sistema pode-se dizer que apresenta um valor de temperatura, mas não que contém uma quantidade determinada de calor. O calor é uma energia em trânsito e não uma grandeza que caracterize o estado térmico de um sistema; determina mais propriamente a influência energética entre sistemas com temperaturas diferentes.
O calor transferido a um sistema e conseqüente aumento de temperatura relacionam-se por meio de capacidade calorífica específica, ou calor específico do corpo, que se define com a quantidade de calor c que é preciso transferir por unidade de massa de uma substância para que sua temperatura se eleve um grau.
Q é o calor transmitido a uma massa m de forma que sua temperatura aumente em . Define-se também calor específico molar, que é o calor necessário para que um mol da substância eleve sua temperatura um grau. Como o peso de um mol de substância é igual ao peso molecular, em gramas, chamando-se C o calor específico molar obtém-se a seguinte relação:
C = Mc
Em geral, o calor específico das substâncias varia com a temperatura. Por exemplo, a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de um grama de água de 5 a 6oC é diferente da requerida para fazê-lo de 21 a 22oC.
Para medir a capacidade calorífica de uma substância utilizam-se dispositivos chamados calorímetros. A quantidade de calor que se transmite a um sistema depende das condições a que este se encontre submetido durante o processo. Por isso se define o calor específico sob pressão constante Cp (ou Cp) e a volume constante Cv (ou Cv). Devido à dilatação, torna-se difícil manter constante o volume enquanto se transfere calor, pelo que geralmente se avalia o calor específico sob pressão constante.
A transferência de calor pode produzir, além de uma alteração na temperatura do sistema, uma alteração de fase, por exemplo, de sólido a líquido ou de líquido a gás. A quantidade de calor necessária para que uma unidade de massa mude de fase se chama calor latente, que pode ser de fusão, vaporização etc. Para a água em condições normais de pressão, o calor latente de fusão equivale a 80 cal/g e o de vaporização a 539 cal/g.
Propagação. O intercâmbio de energia calorífica entre dois sistemas pode efetuar-se fundamentalmente de três formas, conhecidas como condução, convecção e radiação.
Quando o calor se propaga sem transporte da substância que forma o sistema, mas por meio de intercâmbios energéticos (choques) entre suas partículas integrantes (átomos, moléculas, elétrons etc.), diz-se que se transmitiu por condução. A quantidade de calor conduzida por unidade de tempo depende da diferença de temperatura no condutor, ou, mais exatamente, da variação relativa da temperatura com a longitude (dT / dx, sendo T a temperatura e x a coordenada que dá a posição dos distintos pontos do condutor considerado longitudinal). Tal quantidade de calor depende também das propriedades do material, medidas pela grandeza física conhecida como condutividade térmica. Alguns materiais (por exemplo, os metais) apresentam elevada condutividade térmica. Outros, como os gases e alguns sólidos, apresentam baixa condutividade.
A quantidade de calor H que se transmite por unidade de tempo, através de um condutor de longitude L a seção A é, aproximadamente.
Em que k é a condutividade térmica e t1 e t2 são as temperaturas máxima e mínima do processo.
Quando o calor se transmite por meio de um movimento real da matéria que forma o sistema, diz-se que se propaga por convecção. São exemplos desse procedimentos os radiadores de água quente e os aquecedores de ar. Se o movimento se produz por diferenças de densidade, fala-se de convecção natural ou livre; se é provocado por um ventilador ou bomba, o processo chama-se convecção forçada. A dilatação anômala da água (em estado líquido, tem densidade mínima a 4oC e, em estado sólido, é menos densa que em estado líquido), sua pequena condutividade térmica e as correntes de convecção explicam por que no inverno os lagos e tanques congelam na superfície.
Além dos processos descritos, condução e convecção, um sistema pode transmitir energia mediante emissão de ondas eletromagnéticas. Um segundo corpo pode absorver essas ondas e, com isso, aumentar sua temperatura. Entre os dois corpos registra-se um intercâmbio de energia e diz-se que o calor se propagou de um ao outro por radiação. Constata-se na experiência cotidiana que, ao se aquecer um material, ele emite radiação. Por exemplo, o aquecimento do filamento de uma lâmpada pela passagem de corrente elétrica provoca emissão de luz. Quando se aquece uma barra metálica até certa temperatura, ela torna-se incandescente e também emite luz. A freqüência da radiação depende também da temperatura: a barra de ferro, aquecida a uma temperatura superior, torna-se branca. Em geral, a energia total emitida por radiação é proporcional à quarta potência da temperatura absoluta do emissor. Essa relação é estabelecida pela lei de Stefan-Boltzmann.
Em que w é a energia por unidade de superfície, T a temperatura absoluta e a constante de Stefan-Boltzmann, cujo valor é 5,672 . 108 watts m-2. K-4.
A energia é emitida num determinado intervalo de freqüências, especialmente nos valores próximos à freqüência fm, diretamente proporcional à temperatura absoluta do corpo, conforme estabelecer a lei do deslocamento de Wien.
As leis empíricas de Stefan-Boltzmann e de Wien tiveram importância decisiva na história da física, pois no começo do século XX Mas Planck descobriu que as trocas de energia não se efetuavam em forma contínua, como se pensava até então, mas em múltiplos de uma energia elementar dependente de freqüência. Essa hipótese revolucionária lançou as bases da teoria quântica, que viria a desempenhar um papel decisivo no conhecimento da estrutura do átomo.
Calorímetro. Aparelho destinado a medir a quantidade de calor de um corpo, é importante distinguir o calorímetro do termômetro, que se destina a determinar a temperatura, ou seja, o nível térmico (mais quente ou menos quente). Importante aplicação prática dos calorímetros consiste na determinação dos calores específicos das diferentes substâncias.
Existem dois tipos de calorímetros. O primeiro baseia-se na variação de temperatura de determinada massa de água. É por isso conhecido como calorímetro de água. O segundo baseia-se na fusão de uma certa quantidade de gelo, sendo denominado calorímetro de fusão ou de gelo. Para compreender o funcionamento do aparelho é preciso considerar os princípios básicos das trocas de calor. Quando dois corpos, em temperaturas diferentes, são colocados em contato, o corpo de temperatura mais elevada cede um pouco de calor ao outro. Por esse motivo o primeiro baixa de temperatura e o segundo aumenta. O processo só termina quando os dois passam a ter a mesma temperatura. É importante fixar que: “o calor perdido por um corpo é igual ao calor recebido pelo outro”. Claro que sempre haverá uma parcela de calor que se perde, porém, que poderá ser desprezada se a experiência for realizada com os necessários cuidados.
O calorímetro de água consta de um recipiente metálico que contém certa massa d”água. A tampa que fecha o recipiente tem dois furos por onde passam um termômetro e um agitador que se destina a favorecer o equilíbrio térmico mais rapidamente. O conjunto é colocado no interior de outro vaso maior onde pode existir feltro ou lã de vidro, para evitar as perdas por propagação de calor na atmosfera. O termômetro fornece a temperatura do conjunto, por exemplo t. Para determinar o calor específico de um corpo cuja massa m é conhecida, leva-se o corpo a um vaso que contém água em ebulição e espera-se algum tempo para que o mesmo adquira a temperatura da água (100oC). Colocando-se, em seguida, o corpo no interior do calorímetro, haverá troca de calor até que o corpo e o calorímetro fiquem na mesma temperatura t”. Geralmente o corpo cede calor e sua temperatura baixa de 100oC a t”oC, enquanto o calorímetro recebe calor e sua temperatura se eleva de toC a t”oC. Chamando de c o calor específico do corpo e de m a massa, o calor perdido será calculado por: Q = mc(100-t”). Chamando de u a soma das capacidades caloríficas do vaso, do termômetro e do agitador e de ma, a massa d”água contida, o calor recebido pelo conjunto será calculado por Q”= (ma + u) (t” – t). Observe-se que a capacidade calorífica da água é calculada por C = ma.Ca; como o calor específico da água é Ca = 1, temos que C = ma. Como Q = Q”, tem-se: mc(100-t”) = (ma + u) (t” – t), que permite explicitar o valor do calor específico procurado.
No calorímetro de gelo, o corpo aquecido a 100oC é colocado dentro de um vaso situado no interior de outro vaso que possui gelo a 0oC. O corpo perde calor até que sua temperatura seja 0oC e o calor é gasto para fundir certa massa M de gelo que pode ser recolhida e pesada. Sabe-se que para fundir um grama de gelo são necessárias oitenta calorias, logo, para fundir M gramas foram empregadas 80.M calorias.

6541 – Como funciona o carbono 14?


Na verdade, a datação é feita através do carbono 14, ou C14. Os cientistas conseguem medir a presença do C14 nos animais e plantas depois de mortos porque essa substância tem uma característica essencial para tal função. Ela diminui ao longo do tempo.
Durante a vida, os animais e vegetais absorvem o carbono 14, que está presente na atmosfera. Depois da morte, a quantidade de C14 cai pela metade a cada 5 730 anos.
Com base no comportamento do C14, é feito um cálculo. “Por meio da comparação entre o C14 encontrado em um determinado material e o C14 atmosférico, é possível obter uma idade aproximada da amostra. Os físicos estabeleceram uma fórmula da diminuição anual de radioatividade.
Assim, a datação por carbono 14 é especialmente importante em materiais que tenham até 40 mil anos porque a partir daí a quantidade de C14 é muito pequena e os resultados, imprecisos.

6540 – Games – Rovio faz parceria com a NASA e anuncia Angry Birds no espaço


Feito em parceria com a NASA, o game apresenta um cenário novo para a eterna disputa entre porcos e pássaros: o espaço. Nessa edição do jogo, os personagens se movimentam como se estivessem em uma estação espacial localizada a cerca de 390 quilômetros da superfície da Terra. Dê uma olhada no vídeo de divulgação do jogo (em inglês):

☻ Mega Opinião
Tenho o jogo no meu Tablet, a simulação com o efeito da gravidade é bastante interressante.

6539 – Radiação causa deformidades em borboletas que vivem em Fukushima


Borboletas de Fukushima

Ainda não se conhecem os efeitos sobre a saúde humana do acidente nuclear que afetou Fukushima, no Japão, no ano passado. Mas cientistas japoneses já flagraram deformidades ligadas à radiação em borboletas que vivem na área do desastre.
Os efeitos, que incluem asas de tamanho desigual ou amarfalhadas, antenas com pontas duplas e olhos malformados, estão descritos em artigo na revista especializada “Scientific Reports”.
A equipe liderada por Atsuki Hiyama, da Universidade das Ilhas Ryukyu, coletou borboletas da espécie Zizeeria maha. Elas são consideradas bons indicadores do estado do ambiente porque seu organismo é sensível a alterações ambientais.
Insetos que viviam nas vizinhanças do acidente foram coletados em maio e setembro de 2011 (o acidente ocorreu em março, quando os bichos estavam na forma de larva). Nas borboletas capturadas em março, já havia aberrações morfológicas leves, em 12% dos casos.
Alguns dos animais coletados foram então cruzados em laboratório, tanto entre si quanto com borboletas de outros locais. O que os cientistas viram foi um aumento gradativo das anormalidades ao longo das gerações –aumento que também se verificou com as borboletas coletadas mais tarde na natureza.
Para os cientistas, os dados servem como sinal de alerta.

6538 – Vírus fatal faz cobras darem nós em si mesmas


Um estudo recém-publicado nos EUA identificou o vírus que parece ser o causador de uma doença fatal que afeta cobras em cativeiro, fazendo com que elas deem nós em si mesmas e percam seu controle motor.
O mal, chamado Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral (IBD, na sigla em inglês), existe há décadas, mas não tem cura e atinge cobras constritoras como jiboias e sucuris.
Quando doentes, essas cobras passam a adotar um comportamento estranho, como ficar olhando fixamente para o céu, girar e até enrolar-se em nós. E, uma vez que estejam presas em si mesmas, elas não conseguem se desatar. A doença causa problemas respiratórios e uma paralisia muscular generalizada.
Há tempos suspeitava-se que o mal era causado por um vírus, mas até recentemente a natureza da doença era desconhecida. Agora, uma pesquisa feita por cientistas da Universidade da Califórnia em São Francisco, publicada no periódico mBio, acredita ter identificado o vírus, ao analisar amostras tiradas de cobras diagnosticadas com o IBD, usando técnicas de sequenciamento de DNA.
Em algumas das cobras identificou-se material genético estranho –como ácido nucleico–, parecido com o encontrado em vírus da família arenavírus. Essa família inclui vírus associados à febre hemorrágica em humanos. Mas não há nenhum indício de que esse vírus recém-descoberto possa passar de cobras a humanos.
Os cientistas também conseguiram cultivar o vírus, a partir de amostras tiradas de uma das cobras.
O pesquisador Mark Stenglein, coautor do estudo, disse que “ainda não há evidência formal de que o vírus cause a doença, mas há uma boa correlação (entre o mal e a presença do vírus). Também é possível que outros vírus ou patógenos causem sintomas parecidos”.
Os arenavírus podem ser divididos em dois grupos principais, com base na localização das espécies que eles afetam –vírus Novo Mundo vêm das Américas, e vírus Velho Mundo são encontrados na África e na Ásia. Geneticamente, porém, o vírus recém-descoberto é diferente desses dois grupos.
O editor do periódico, Michael Buchmeier, professor de doenças infecciosas na Universidade da Califórnia em Irvine, acredita que os vírus das cobras podem vir de vírus que precederam as ramificações Novo e Velho Mundo.
A nova descoberta segue-se a uma pesquisa semelhante, publicada online em abril de 2012 no periódico Infection, Genetics and Evolution, descrevendo o isolamento de um novo vírus que afeta cobras –este na Austrália–, mostrando sintomas bem parecidos aos do IBD. No entanto, o vírus isolado nesse estudo pertencia a uma família diferente, conhecida como paramixovírus.
Não está claro como o vírus do IBD se espalha, mas ele é altamente contagioso entre cobras. Uma possível forma de transmissão é pela inalação – seja diretamente de outra cobra contaminada ou indiretamente, de solo contaminado ou pelo manuseio dos animais.
Por enquanto, a doença parece ser restrita a cobras em cativeiro. Mas alguns cientistas temem que a soltura de cobras criadas cativas possa, inadvertidamente, levar essa doença à natureza selvagem.
Já Wellehan opina que “esses vírus vêm infectando cobras atuais e seus ancestrais por pelo menos 35 milhões de anos. É possível deduzir que cobras selvagens também estão contaminadas”.

6537 – Cadáveres também apodrecem no espaço?


As condições no espaço, como a ausência de oxigênio e as temperaturas negativas, de fato, conservam melhor. Mas, mesmo assim, ele vai se deteriorar por causa das bactérias anaeróbias, que não precisam de oxigênio e estão dentro do nosso próprio corpo.
Segundo o médico-legista Luiz Prestes Jr., a putrefação se iniciaria logo após a morte. Por isso, é recomendável técnicas mais eficientes para você conservar seu cadáver, tais como a criogenia, que congela o corpo com nitrogênio líquido e custa apenas US$ 29 mil, ou a tanatopraxia, na qual se injetam substâncias conservantes que retardam a ação das bactérias.

Um Pouco +

Em biologia e ecologia, decomposição, mineralização e em alguns casos, apodrecimento, é o processo de transformação da matéria orgânica em minerais, que podem ser assimilados pelas plantas para a produção de matéria viva, fechando assim os ciclos biogeoquímicos.
Este processo, não só fornece aos ecossistemas os compostos necessários ao desenvolvimento dos produtores primários, mas liberta-o igualmente de material que, se acumulado, poderia prejudicá-lo.
A decomposição dos animais e plantas mortos, ou suas partes, dos dejetos ou outras excreções dos animais e de restos de comida é um processo complexo. Nos tecidos dos organismos mortos inicia-se a autólise das células pelas enzimas contidas nos lisossomas. Esses tecidos são ainda triturados e parcialmente consumidos pelos detritívoros. A parte não consumida ou que não faz parte da alimentação desses animais é então atacada por vários tipos de bactérias; as partes interiores, onde não existe oxigénio livre, são consumidas por bactérias anaeróbicas, causando a putrefação, que resulta em aminas como a putrescina e a cadaverina, que têm um odor “pútrido”; este é o processo conhecido vulgarmente como apodrecimento. Finalmente, intervêm as bactérias mineralizantes – os decompositores –, que transformam as moléculas orgânicas libertadas pelos processos anteriores em água, dióxido de carbono e sais minerais.
Estes processos dependem de muitos fatores bióticos e abióticos, como a abundância e tipos de decompositores no biótopo, a umidade, a temperatura e outros.

6536 – A Microbiologia


A vida humana está intimamente relacionada com os microrganismos, abundantes no solo, no mar e no ar. Invisíveis a olho nu, esses seres oferecem fartas evidências de sua existência — muitas vezes de forma desfavorável, quando deterioram objetos valorizados pelo homem e provocam doenças, ou benéfica, quando fermentam álcool para a fabricação de vinho e cerveja, levedam o pão e produzem os derivados do leite. De incalculável valor na natureza, os microrganismos também decompõem restos vegetais e animais para transformá-los em gases e elementos minerais recicláveis por outros organismos.
Microbiologia é a ciência que estuda os microrganismos, seres vivos de tamanho microscópico que pertencem a classes e reinos diversos e entre os quais estão os protozoários, as algas microscópicas, os vírus, as bactérias e os fungos. Pela dificuldade em classificá-los como plantas ou animais, os microrganismos são às vezes agrupados separadamente como protistas, seres de vida primitiva. A microbiologia pode ser dividida em disciplinas específicas: a bacteriologia, que se ocupa do estudo das bactérias; a virologia, que pesquisa os vírus e rickéttsias; e a protozoologia, que estuda os protozoários, as algas e os fungos. De outro ponto de vista, pode ser classificada em teórica, ou pura, e prática, ou aplicada. A microbiologia aplicada divide-se ainda, de acordo com as especialidades, em médica, industrial, agrícola e alimentar.

Muitas bactérias e vírus produzem graves doenças nos animais, em especial nos seres humanos, como cólera, peste, difteria, tifo, sífilis, tuberculose etc. Os vírus causam poliomielite, herpes e hidrofobia (raiva), entre outras doenças. Mas há bactérias que interferem de forma positiva em sistemas essenciais à sobrevivência humana. Elas estão envolvidas, por exemplo, em processos industriais como a fermentação alcoólica e a do leite, além da produção de antibióticos e diversos compostos químicos. Intervêm ainda nos ciclos naturais do carbono e do nitrogênio.
Um dos estudos mais recentes sobre os microrganismos é a investigação de sua possível ocorrência no espaço sideral e em outros planetas além da Terra. Ramo da exobiologia, a microbiologia espacial pesquisa os microrganismos como fornecedores de alimento e oxigênio no ambiente fechado das naves espaciais.

História da Microbiologia
A partir do século XIII, atribuiu-se a organismos invisíveis a responsabilidade pelo surgimento de algumas doenças. Em 1546, Girolamo Fracastoro defendeu, em seu livro De contagione et contagiosis morbis (Sobre os contágios, as doenças contagiosas) a idéia segundo a qual o contágio se deve a agentes vivos. A microbiologia como ciência só começou, porém, com a invenção e o aprimoramento do microscópio. Embora não tenha sido o primeiro a observar o mundo microscópico, o holandês Antonie van Leeuwenhoek, comerciante e hábil construtor de lentes, foi, no final do século XVII, o primeiro a registrar descrições adequadas de suas observações, excelentes pela qualidade excepcional de suas lentes. Leeuwenhoek comunicou suas descobertas sobre os “animálculos” numa série de cartas enviadas à Royal Society de Londres, em meados de 1670.
No século XVII, ainda exercia grande influência sobre os cientistas o conceito de geração espontânea de vida — idéia defendida inicialmente pelos gregos, segundo a qual os seres vivos podem surgir da matéria inanimada. No final do século, uma série de observações e experiências desferiu um golpe mortal sobre a teoria da geração espontânea. Coube a Louis Pasteur demonstrar que os microrganismos só podem se originar de outros seres vivos.
Cientista de importância fundamental para a história da microbiologia, Pasteur constatou também que os processos fermentativos resultam da atividade de microrganismos e estudou o problema da deterioração do vinho, do vinagre e da cerveja, além de doenças que afetavam o bicho-da-seda e ameaçavam arruinar a indústria têxtil francesa. Pasteur descobriu que o vinho se transforma em vinagre por ação da bactéria Acetobacter aceti e utilizou o calor para destruir os agentes patogênicos contidos em alimentos líquidos, que mantinham assim suas propriedades nutritivas praticamente inalteradas. Esse método ficou conhecido como pasteurização e veio a ter enorme importância na indústria alimentícia.
Graças aos trabalhos de Pasteur, desenvolveu-se a cirurgia anti-séptica, cuja aplicação, em 1867, se deve ao cirurgião britânico Joseph Lister, que empregou como desinfetante o ácido fênico. Esse procedimento reduziu de forma significativa os casos de mortalidade por infecção pós-operatória.
Outra grande figura da microbiologia no século XIX foi o alemão Robert Koch, que em 1876 isolou a bactéria causadora do carbúnculo. As bases da microbiologia foram solidamente fundadas entre 1880 e 1990. Discípulos de Pasteur e Koch, entre outros, descobriram inúmeras bactérias capazes de causar doenças específicas e elaboraram um conjunto de técnicas e procedimentos laboratoriais para revelar a ubiqüidade, diversidade e o poder dos micróbios.
Em 1882, Koch descobriu o bacilo da tuberculose e, um ano depois, o microrganismo responsável pela cólera asiática. Também em 1883 foi identificada a bactéria causadora da difteria. Nesse mesmo período, Pasteur e seus assistentes comprovaram que animais vacinados com um bacilo de antraz especialmente cultivado se mostravam imunes à doença. Essa descoberta deu início ao estudo da imunidade e dos princípios que fundamentaram a prevenção e o tratamento de doenças por meio de vacinas e soros.
Pasteur, em 1885, produziu uma vacina contra a raiva, e um assistente seu, Charles Chamberland, descobriu que, enquanto as bactérias não eram capazes de atravessar filtros de porcelana, outros organismos o eram. Em 1892, o pesquisador russo Dimitri Ivanovski constatou que o agente causador do mosaico do tabaco era do tipo filtrável. Dez anos depois, outro organismo filtrável foi identificado como causador da febre aftosa do gado. Aos poucos foram sendo aprimoradas técnicas muito precisas para investigar esses organismos, que passaram a ser conhecidos como vírus. As rickéttsias, que se assemelham às bactérias muito pequenas, foram descritas pela primeira vez pelo patologista americano Howard Taylor Ricketts, em 1908, quando ele estudava a febre das montanhas Rochosas, doença provocada por esses microrganismos.
A partir da década de 1940, a microbiologia experimentou uma fase extremamente produtiva, durante a qual foram identificados vários microrganismos causadores de doenças e desenvolveram-se métodos para controlá-los. Esses organismos também foram utilizados na indústria, canalizando-se sua atividade para a produção de artigos para o comércio e a agricultura. A pesquisa sobre os microrganismos também fez progredir o conhecimento do homem a respeito dos seres vivos, ao fornecer material adequado para o estudo de complexos processos vitais, como o metabolismo.

Os microrganismos podem ser isolados em condições especiais, mediante semeadura em meios de cultura ou por inoculação em ovos embrionados de galinha, em células cultivadas no laboratório, ou inoculação em animais sensíveis. O microrganismo pode ser cultivado e isolado de acordo com suas exigências biológicas, em meios de cultura mantidos a 37o C ou à temperatura ambiente e enriquecidos ou não com determinados nutrientes. Alguns desses seres são anaeróbios (crescem somente na ausência de oxigênio livre), como as bactérias do gênero Clostridium, que inclui a espécie tetani, causadora do tétano. Outros, como o gonococo e o meningococo, exigem ambiente com dez por cento de gás carbônico. Os pequenos vírus, os agentes basófilos e as rickéttsias só crescem em ovos embrionados, em cultivo de células e em animais de laboratório.
Uma vez obtidas, as culturas são analisadas quanto à forma, cor, tamanho, rugosidade, produção de pigmentos, temperatura ideal de crescimento etc. Com tais culturas pode-se realizar o antibiograma para verificar a sensibilidade ou a resistência aos mais diversos agentes antimicrobianos.
O microbiologista procura conhecer o equipamento enzimático de uma bactéria, por meio da pesquisa e da identificação dos metabólitos que o organismo produz. Esses atributos são geralmente fixos e servem, portanto, para sua identificação. Pesquisa-se assim a produção de gás sulfídrico, amônia e urease, assim como a fermentação de diferentes hidratos de carbono e as necessidades de crescimento de determinados microrganismos.

É a custa de enzimas que os microrganismos obtêm a energia necessária para seu crescimento. Para que as bactérias, por exemplo, possam multiplicar-se nos meios de cultura, ou seja, fazer a síntese de sua própria matéria orgânica, precisam dispor de uma fonte de carbono, de nitrogênio e de energia. Geralmente desprovidas de clorofila, as bactérias não conseguem transformar a energia solar em química. Precisam, portanto, oxidar um substrato orgânico ou inorgânico para utilizar as calorias desprendidas de tais oxidações.
A virulência dos microrganismos se verifica por meio da inoculação em animais, nos quais se analisam as mudanças de temperatura e as lesões provocadas. Quando um microrganismo é virulento para o homem, pode-se provocar uma lesão experimental para descobrir o agente infectante e depois voltar a isolá-lo em meios seletivos. Os animais, protegidos com soros específicos, também podem ser inoculados com os produtos tóxicos de determinadas bactérias.
A observação da forma, cor e aspecto das colônias pode ser feita a olho nu ou ao microscópio. O estudo das bactérias ao microscópio óptico é facilitado pela técnica de coloração da amostra com violeta de genciana, ou método de Gram, assim chamado em homenagem ao médico que descobriu o processo, Hans Christian Gram, em 1884. Os organismos que tomam a coloração são chamados de Gram-positivos, e os outros, de Gram-negativos.

As doenças infecciosas
Todos os órgãos e sistemas fisiológicos podem sofrer doenças infecciosas, decorrentes da implantação no organismo de seres vivos patogênicos de dimensões microscópicas. Distingue-se, porém, uma série de quadros clínicos que integram o núcleo básico da pesquisa médica microbiológica e se caracterizam, em geral, pelo elevado risco de contágio e, em muitos casos, pela natureza epidêmica.
De acordo com o tamanho, as características bioquímicas ou a maneira como interagem com o homem, os agentes infecciosos se classificam em bactérias, vírus, rickéttsias, micoplasmas e ureaplasmas, fungos, parasitos e clamídias (parasitos intracelulares que provocam conjuntivite em recém-nascidos, pneumonia e infecções genitais, contêm ADN e ARN e podem ser combatidas com antibióticos).
As barreiras mais importantes à invasão do corpo humano por microrganismos são a pele e as mucosas, tecidos que revestem internamente o nariz, a boca e o trato respiratório superior. Quando esses tecidos se rompem ou são afetados por doenças, pode ocorrer invasão por microrganismos, capazes de produzir doenças infecciosas, como furúnculos, ou invadir a corrente sangüínea e se disseminarem por todo o corpo, produzindo infecção generalizada (septicemia) ou localizada em outra parte do corpo, como a meningite, infecção da membrana que recobre o cérebro e a medula espinhal.
Ingeridos nos alimentos e bebidas, os agentes infecciosos podem atacar a parede dos intestinos e provocar doenças locais ou generalizadas. A conjuntiva, membrana que recobre o olho, pode ser penetrada por vírus que causam inflamação local do olho ou caem na corrente sangüínea para provocar graves doenças, como sarampo ou varíola. Ao invadir o organismo pela mucosa genital, os agentes infecciosos podem desencadear as reações inflamatórias agudas da gonorréia ou se espalhar para atacar praticamente todos os órgãos do organismo, com as lesões crônicas e mais destrutivas da sífilis ou como reação à redução da imunidade provocada pela AIDS.
Para combater essas ameaças, o corpo humano está equipado com dispositivos sensíveis que integram o sistema imunológico, responsável pela reação imediata aos agentes causadores de doenças. Em sentido biológico, o meio ambiente é hostil ao homem, que aprendeu a controlá-lo parcialmente, mas convive com o risco permanente de que uma mínima alteração ambiental possa levar a desequilíbrios imprevistos entre a espécie humana e seus concorrentes biológicos.

6535 – Ciência na TV – Superprodução brasileira tenta mostrar ciência do cotidiano


Qual é a melhor maneira de explicar por que as pessoas dentro de um carro estão protegidas caso sejam atingidas por um raio? Levando você mesmo uma descarga dessas e sobrevivendo para contar a história.
É esse o raciocínio do programa “Ciência em Casa”, que estreia nesta quinta no canal pago NatGeo.
Há 12 anos apresentando shows que mesclam entretenimento e ciência, com várias participações e quadros em programas de variedades, o time do “Ciência em Casa” agora se lança em voo solo.

Em um laboratório da USP, mais de uma dezena de profissionais, entre cientistas e produção, esforçavam-se na regulagem de uma complexa geringonça de mais de três metros de altura que permitiu simular um raio na frente das câmeras.
Depois de algumas horas de testes, a equipe finalmente deu sinal verde para que o físico Gerson Santos fosse “atingido” pelo raio.
Nas filmagens anteriores, ele já havia ficado suspenso por um guindaste amarrado a uma calça jeans e enfrentado uma jornada disfarçado de embalagem dentro de um caminhão. Dois dias depois, seria a vez de voar amarrado a balões de hélio.
De uma maneira geral, a proposta do programa é uma espécie de mistura de dois conhecidos programas de ciência: “O Fantástico Mundo de Beakman” com “Myth Busters”. Além de tiradas divertidas, experiências e muita ciência do dia-a-dia, o grupo também aproveita para acabar com alguns mitos consagrados.
“É o caso do raio e do carro. Muita gente acha que é por causa da borracha do pneu, quando na verdade isso não tem nada a ver. É um efeito chamado gaiola de Faraday”, diz Daniel Ângelo, em referência à célebre descoberta de Michael Faraday. Veja com detalhes no capítulo específico do Mega.
O físico descobriu, há mais de um século, que é possível haver uma blindagem elétrica formada por superfície condutora, que “protege” o que está dentro dela das descargas. No caso do carro, as descargas elétricas se espalham pela superfície metálica, deixando a salvo os passageiros.
“Todo mundo sabe que nós fazemos um trabalho sério de divulgação da ciência. Não fosse assim, nós não teríamos apoio da USP e de outras instituições de respeito” afirma Gerson, que em 2004 defendeu uma dissertação de mestrado sobre o tema.

6534 – Museu do Automóvel – A Variant


Moderna para a época, comparada com os carros de hoje seria uma carroça.

A linha Volkswagen 1600/TL/Variant foi, juntamente com o Fusca e a Kombi, a base da presença da Volkswagen no mercado brasileiro até a chegada do Passat, em 1974. Todos eram equipados com motores traseiros refrigerados a ar e mesma plataforma mecânica do Fusca.
Derivado dos Typ 3 alemães (mais especificamente de um protótipo da matriz que não entrou em produção), o Brasil viu em dezembro de 1968 a estreia do VW 1600, popularmente conhecido aqui como “Zé do Caixão”; um carro de três volumes e quatro portas, com um motor a ar de 1600 cc, instalado na traseira.
Acomodava quatro passageiros e os levava até cerca de 135 km/h. A dianteira, única no mundo, possuía faróis retangulares até 1970, quando foram substituídos por dois faróis redondos de cada lado.
A fábrica sustentava o marketing na beleza do carro que aparentemente só ela via, e o carro teve sucesso limitado, sendo popular apenas entre os taxistas. Suas formas retangulares lhe renderam o curioso apelido de “Zé do Caixão”, talvez por sua semelhança com um esquife, ou talvez por parecer uma criação do famoso cineasta. Outro curioso apelido, este mais conhecido no sul do país, era “saboneteira”. Embora sendo um apelido menos agressivo que o de “Zé do Caixão”, também não contribuiu para que o pequeno carrinho caísse nas graças do povo. Ele saiu de linha em 1971.

O lendário Zé do Caixão

A Variant e o TL
Entretanto os frutos da linha iniciada pelo 1600 foram positivos para a Volks. Derivado dele, a fábrica seguiu a tendência natural da linha europeia, lançando primeiro a caminhonete (perua) Variant, em 1969. Com a iminente saída de linha do 1600 original, a fábrica lançou o dois volumes e meio (fastback) TL em 1970, com o motor horizontal da Variant – e já no ano seguinte seria eleito pela Revista Autoesporte o Carro do Ano de 1971.
Ambos possuíam a mesma motorização do 1600, porém o estilo de carroceria fez toda a diferença. Além da pequena área de carga na dianteira, agora havia um amplo espaço na traseira, ampliado pelo motor horizontal, que ocupava bem menos espaço (a ventoinha ficava agora montada no virabrequim). No caso da Variant, o espaço total para carga chegava a 640 litros. O interior era pouco mais que espartano. O problema da rejeição ao design foi solucionado em 1971, através de uma reestilização da dianteira. Ambos os carros ganharam uma dianteira mais baixa e inclinada para dentro. Apesar do apelido “cabeça de bagre”, o novo desenho encontrou grande aceitação. A VW também lançou uma versão de 4 portas do TL, para atrair os motoristas de táxi (que utilizaram muito o VW 1600 quatro portas).

Este carro inspiraria o projeto do Passat

Os modelos acumularam boas vendas no decorrer da década de 70, e a Variant inclusive superava no mercado interno a Ford Belina, muito mais avançada tecnologicamente (em grande parte devido as péssimas condições das estradas brasileiras).
Entretanto, apesar do sucesso no mercado brasileiro e da ausência de competidores (a Volks dominava cerca de 70% do mercado brasileiro), a idade do projeto começava a pesar (o similar europeu era de 1961), e a Volks, que já experimentava dificuldades no exterior com a linha “a ar”, decidiu introduzir também aqui a linha Passat, já em 1974, ocupando o mesmo nicho de mercado do TL. Esta concorrência interna, somado ao lançamento do VW Brasília, decretou o fim da linha TL em 1975, podendo-se encontrar algumas unidades residuais do ano de 1976.

A Variant II
Não seria essa a última tentativa da Volks de viabilizar um projeto com motor a ar. Logo, ao invés de trazer a versão perua do Passat (também chamada Variant, nome que persiste até hoje), a Volks do Brasil investiu em um projeto próprio, a Variant II, basicamente uma versão maior do Brasília. Com vários avanços técnicos, notadamente a suspensão MacPherson na dianteira e braços semi-arrastados na traseira, o modelo impressionava quando comparado a sua “irmã mais velha”. Inclusive, o uso desse tipo de suspensão na dianteira preconizava o uso de um motor dianteiro, o que jamais ocorreu. Porém problemas mecânicos inerentes ao modelo (e o futuro lançamento da Parati planejado pela fábrica, para ocupar a mesma posição de mercado) trouxeram o fim do modelo já em 1981.
Não se pode dizer que a família de automóveis terminou sem deixar remanescentes, uma vez que o VW Gol foi uma espécie de convergência entre o Brasília (este por si só um grande sucesso) e o Passat/Golf. Embora não tenham atingido o status cult de carros como o SP2 ou o Karmann Ghia, a linha ainda está em circulação no Brasil, e modelos bem conservados e originais já despertam a atenção dos colecionadores.

6533 – Mega Curiosidades – Portugal sem Feriados


O governo português decidiu suspender 4 dos 14 feriados nacionais, para fazer as pessoas trabalharem mais e tentar superar a crise econômica que afeta o país. Os feriados suspensos incluem datas importantes, como Corpus Christi e dia da Independência de Portugal. A medida valerá até 2018. Se a moda pega…

Remédio contra o vício do consumismo
A memantina, droga hoje usada para tratar pacientes de Alzheimer, também pode ser eficaz nos casos de transtorno consumista – em que a pessoa fica literalmente viciada em compras. Após receber a droga por 8 semanas, num estudo da Universidade de Minnesota, os voluntários passaram a fazer 50% menos compras. Os Shoppings não vão gostar muito da idéia.

Idade pode ser detectada pelo cheiro
Pelo menos é essa a conclusão de um estudo feito na Suécia, que comparou o odor corporal de pessoas jovens, de meia-idade e idosas. Os cientistas ainda não sabem por que o cheiro das pessoas muda durante a vida.

6532 – Candidatos ao IgNobel – Publicidade funciona melhor com violência


Uma pesquisa da Universidade de Rochester, nos EUA, selecionou voluntários para ver dois filmes, intercalados por comerciais. Um dos filmes continha cenas violentas. Quem assistiu a ele sentiu mais vontade de comprar os produtos anunciados na publicidade. Isso supostamente ocorre porque o consumismo ajuda a aliviar a angústia gerada pelas cenas de violência.

Iogurte aumenta testículos de ratos
A ideia era testar a eficácia do alimento no controle de peso ao longo dos anos. Mas os cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts descobriram algo curioso: a dieta com iogurte deixou os testículos dos ratos até 15% maiores. Os pesquisadores não sabem explicar o motivo.

6531 – Se Beber, Não Case – Conheça um ônibus que cura a ressaca


Uma noite de bebedeira pode render surpresas desagradáveis no dia seguinte. Em Las Vegas, mais ainda: a pessoa pode descobrir que perdeu dinheiro jogando ou se casou com alguém que mal conhecia. Mas a cidade já oferece um serviço que promete acabar com um dos problemas: a ressaca. É o Hangover Heaven (paraíso da ressaca), ônibus que circula por Vegas e funciona como uma clínica itinerante. “Nosso tratamento reduz em até 75% os sintomas da ressaca”, alega o médico Jason Burke, criador do serviço. Para ser atendido, basta chamar o ônibus por telefone. Dentro do veículo, Burke analisa o estado do paciente e administra uma solução intravenosa que pode conter soro fisiológico, vitaminas B1 e B12, remédios anti-inflamatórios e antináuseas e substâncias como cloreto de sódio, cloreto de potássio, cloreto de cálcio e lactato de sódio, que supostamente ajudam a remover toxinas do organismo. O tratamento dura 45 minutos e custa de US$ 90 a US$ 150.
A comunidade científica encara a ideia com ressalvas. “A reidratação com soro e vitamina B é um bom remédio. Já a solução de sódio não faz sentido. E os anti-inflamatórios podem causar danos ao estômago”, avalia um médico professor da Universidade de Washington. Burke diz que criou a mistura baseado em sua experiência como anestesiologista (pois o período pós-anestesia causa no paciente um mal-estar parecido com ressaca) e antes de lançar a fórmula a testou em amigos e em si mesmo – pois costuma sofrer com ressacas. “Três taças de vinho já me deixam mal”.

6530 – Mega Mitos da Medicina – Pegar friagem provoca resfriado?


Não há evidências de que exista associação entre a friagem (termo mais maternal para o choque térmico) e o resfriado. Em um dos mais famosos estudos a respeito, feito pela Escola de Medicina da Universidade Baylor, nos Estados Unidos, em 1968, os voluntários foram expostos ao vírus do resfriado comum e depois entraram em ambientes gelados ou quentes. Todos ficaram doentes, mas a temperatura não interferiu.
As pessoas ficam mais resfriadas no inverno. Mas é porque os vírus que causam problemas respiratórios estão mais ativos nessa época do ano. É a mesma coisa que o vírus da dengue. Ele está à toda no verão, porém ninguém fala que é o calor que provoca a doença.
Certo, o frio não causa resfriado, mas pode provocar alergias e facilitar infecções. Quando a temperatura cai, geralmente o ar fica mais seco, o que afeta as mucosas do aparelho respiratório. E esse ressecamento compromete a produção de secreções com anticorpos para a defesa do organismo.

E sorvete, causa resfriado?
Assim como a chuva, ele é só um bode expiatório: se você ficou doente é porque já estava com o vírus. O gelado intenso pode irritar a garganta, mas isso só acontece quando a pessoa já tem alguma infecção. E, se a inflamação for intensa, o sorvete pode diminuir a dor, como nas cirurgias de sisos ou amídalas.

Tomar vacina contra a gripe pode provocar a doença?
Eis outra besteira. A vacina contra a gripe é feita de vírus inativados e sua característica é justamente não simular uma doença, como outros tipos de vacina. Se a pessoa ficou doente depois disso, é porque se contaminou com outro vírus que não estava na vacina (gripes e resfriados podem ser causados por vários deles).

Aliás, gripe e resfriado são a mesma coisa?
Não. Os dois provocam coriza e indisposição, mas a gripe tem sintomas muito mais agressivos, como febre alta, falta de ar, cansaço e dores intensas no corpo. Em alguns casos, pode levar à pneumonia e até à morte. Ou seja, gripe põe a pessoa na cama para valer. Resfriado é o que a faz ficar deitada só para enrolar.

6529 – Obesidade – Gordo é o novo fumante


Faz sentido tratar refrigerante como droga? Do ponto de vista da saúde pública, a resposta é um sonoro sim. Segundo o especialista em obesidade Robert Lustig, da Universidade da Califórnia, o açúcar que adoça refrigerantes deveria estar na mesma categoria que o álcool, nicotina, cocaína e heroína: “Ele também é uma substância tóxica com alto potencial de abuso. Por essa lógica, também deveria ser controlado”. Exagero? O efeito das taxas de obesidade na economia dos EUA indica que não: US$ 190 bilhões anuais em gastos diretos e US$ 4,3 bilhões de prejuízo anual por danos à produtividade. Um quinto desse prejuízo é causado apenas pelo açúcar presente em bebidas. Ao levar em conta o estrago que os refrigerantes fazem na saúde americana, o cenário é ainda mais sombrio. Mais de 130 mil casos de diabetes, 14 mil casos de doenças coronárias, 6 mil mortes diretas e 50 mil anos de trabalho perdidos por invalidez. Tudo isso só na década de 1990.
Praticamente toda a indústria alimentícia explora o poder viciante do açúcar. “Quanto mais açúcar tem um produto, mais ele vende”, diz Lustig. O cientista ainda aponta o uso do açúcar para disfarçar sabores desagradáveis.
Porém, boa parte dos gordos não apresenta nenhum problema de saúde relacionado à obesidade. Mesmo assim, ela muitas vezes é vista como fraqueza moral. O empresário Roberto Justus, por exemplo, já afirmou que não contrataria pessoas obesas pela falta de empenho que teriam em emagrecer. E Justus não está sozinho: num estudo da Faculdade Notre Dame, na Califórnia, pesquisadores distribuíram currículos falsos entre alunos “para que eles escolhessem um novo professor”. Os currículos não tinham foto, mas traziam o peso de cada “candidato”. Resultado: os de 200 quilos eram preteridos em favor de concorrentes com qualificação idêntica, mas 120 quilos a menos.
Não é improvável que, num futuro próximo, o mesmo tipo de exagero cometido em leis antitabagistas radicais se estenda ao controle da obesidade. Aí, o “novo fumante” será o obeso. Para algumas companhias aéreas, aliás, eles já são: só entram no avião se comprarem dois bilhetes.