6922 – As Maiores Descobertas da Medicina


Anatomia Moderna – DATA – 1543

Andreas Vesalius (1514-1564)

Antes do belga Vesalius, médicos não dissecavam cadáveres. Disputando ossos humanos com cães em cemitérios, ele abria cadáveres à faca e se empapava de sangue em nome da ciência. Arriscava a vida ao mexer em órgãos infectados e podres. O resultado dessas aventuras está em De Humani Corporis Fabrica, Libri Septem, um livro de anatomia com desenhos hiper-realistas considerado uma das obras-primas da medicina.

CONSEQÜÊNCIA – Avanços no estudo de doenças e tratamentos

Bactérias – 1675

Antony van Leeuwenhoek (1632-1723)

Ele não era professor nem médico, apenas um comerciante letrado com um “hobby” curioso: fabricar e usar microscópios. O holandês Leeuwenhoek saiu do anonimato quando descobriu, com suas poderosas lentes, criaturas minúsculas agitando-se em uma pequena amostra da água de chuva que havia se acumulado em uma tina. Por acaso, ele acabara de descobrir as bactérias. Daí em diante, passou a examinar ao microscópio tudo o que via, de cocô de pombo ao próprio esperma.

CONSEQÜÊNCIA – Descoberta de uma das maiores causas de doenças e mortes

Circulação do Sangue – 1628

William Harvey (1578-1647)

Para mostrar o caminho do sangue aos incrédulos, Harvey abria um porco vivo durante suas palestras. Esse médico britânico dedicou a vida a estudar o funcionamento e a anatomia do coração, veias e artérias. O resultado está em Exercitatio Anatomica de Motu Cordis et Sanguinis in Animalibus, obra fundamental sobre a circulação sanguínea, que pôs por terra conceitos errados que sobreviviam havia 14 séculos.

CONSEQÜÊNCIA – Avanços no estudo de doenças e técnicas cirúrgicas

Vacina – 1796

Edward Jenner (1749-1823)

Durante muito tempo se lutou contra a varíola. A doença matava até 40% dos doentes e, entre aqueles que sobreviviam, muitos ficavam cegos e desfigurados. O mal também atacava o gado, cavalos e porcos. O britânico Jenner descobriu que, se uma pessoa fosse contaminada pela ferida da varíola bovina, uma forma muito mais branda da doença, ficaria livre de pegar a varíola humana. Estava descoberto o princípio da vacina.

CONSEQÜÊNCIA – Prevenção contra varíola e outras doenças graves

Anestesia – 1842

Crawford Long (1815-1878)

Até o século 19, os pacientes costumavam desmaiar de dor e desespero durante as operações. Foi quando se descobriu o poder anestésico do éter. O primeiro a testar a teoria na mesa de cirurgia foi o americano Long, que convenceu um paciente a cheirar uma toalha embebida em éter até ficar inconsciente. Quando acordou, o sujeito estava sem um cisto no pescoço, sem memória das últimas horas e, melhor, não precisou sentir as dores atrozes da cirurgia.

CONSEQÜÊNCIA – Cirurgias indolores e mais bem-sucedidas

Raios X – 1895

Wilhelm Röntgen (1845-1923)

O alemão Röntgen investigava uma estranha luz amarelo-esverdeada emitida por um aparelho em seu laboratório. Fez vários testes e, desconfiado, chamou a esposa, Bertha, para comprovar seu palpite. Pediu a ela que colocasse a mão esquerda sobre uma chapa fotográfica e ligou o tal aparelho por seis minutos. Quando revelou a chapa, encontrou o desenho dos ossos dos dedos de Bertha e a silhueta de sua aliança. Eram os raios X.

CONSEQÜÊNCIA – Método para diagnósticos mais rápidos e precisos

Cultura de Tecidos – 1906

Ross Harrison (1870-1959)

O zoologista americano Harrison descobriu como cultivar células vivas em laboratório, independentemente das plantas ou animais de onde vieram. A descoberta permitiu estudar moléculas e células de organismos vivos, desenvolver vacinas contra poliomielite, sarampo, caxumba e raiva, auxiliar na busca de indícios que ajudem a descobrir a causa do câncer e da aids.

CONSEQÜÊNCIA – Revolução no estudo das doenças

Colesterol – 1912

Nikolai Anichkov (1885-1964)

O russo Anichkov alimentou coelhos com gemas de ovos e descobriu que o animal que mais mata seres humanos no mundo é… a galinha. Durante a autópsia, Anichkov notou a presença de placas nas artérias dos coelhinhos, iguais às encontradas nas aortas de corações humanos. Com essa observação, apontou para a medicina o perigo do consumo de colesterol e as doenças provocadas por esse tipo de gordura, como a arteriosclerose.

CONSEQÜÊNCIA – Novos rumos para o estudo das doenças cardíacas

Antibióticos – 1929

Alexander Fleming (1881-1955)

O médico e bacteriologista escocês Fleming descobriu, em 1929, a fórmula da penicilina, o primeiro antibiótico do mundo. Mas foram necessários mais de 12 anos para que se chegasse à etapa de ministrar a nova fórmula em humanos, o que ocorreu somente durante a Segunda Guerra Mundial. Base dos antibióticos, a penicilina revolucionou a medicina e deu impulso decisivo à moderna indústria farmacêutica.

CONSEQÜÊNCIA – A melhor arma contra bactérias

DNA – 1953

Maurice Wilkins (1916-2004)

A maior parte dos méritos pela descoberta do DNA coube a James Watson e Francis Crick. A dupla de cientistas publicou, em 1953, um artigo em que desvendavam o mistério da estrutura de espiral dupla que caracteriza a “chave da vida”. No entanto, a façanha não seria possível sem os estudos do físico neozelandês Wilkins, o primeiro a isolar uma molécula de DNA e fotografá-la com raios X, revelando a forma helicoidal.

CONSEQÜÊNCIA – Revolução na biologia molecular

6921 – O Disco Voador Ekip L3


Este protótipo de disco voador foi lançado na Rússia,mas sem sucesso.
O disco-voador não saiu de nenhum filme “B” de ficção científica, mas de uma fábrica russa em Saratov, a 260 quilômetros de Moscou. O projeto começou a ser desenvolvido em 1978 para uso militar. Com o fim da guerra fria, os fabricantes querem utilizá-lo para fins comerciais. O disco, batizado de Ekip L3 (ou Tarielka, “disco” em russo), pode se locomover na terra e na água. Como i5 os barcos aircraft, usados na travessia do Canal da Mancha, entre a França e a Inglaterra, ele e sustentado por colchões de ar. Lev Shukin diretor do projeto, que em 1975 coordenou a Soyuz Apollo, primeira missão espacial feita em conjunto por americanos e soviéticos, sonha com discos luxuosos: hotéis voadores, com restaurantes e cabines privadas, que possam acomodar confortavelmente 2 000 pessoas, voando a 750 quilômetros por hora, pouco menos que um jato da Boeing.
O projeto, financiado pelo governo russo, precisa de investimentos de um bilhão de dólares, para entrar em produção industrial. Um protótipo operado por controle remoto foi testado com sucesso em Moscou, no ano passado. Um outro modelo, capaz de carregar 18 passageiros, será testado ainda este ano.

6920 – Acústica – O Eco


No âmbito da acústica e de processamento de sinal de áudio, um eco é uma reflexão de som que chega ao ouvinte pouco tempo depois do som direto. Exemplo típico é o eco produzido no fundo de uma escadaria, por um edifício, ou em uma sala, pelas paredes. Um eco verdadeiro é uma única reflexão da fonte de som. O intervalo de tempo é a distância extra dividida pela velocidade do som.
Chama-se reverberação o fato de tantas reflexões chegarem ao ouvinte que ele não as pode distinguir umas das outras.
A intensidade de um eco é frequentemente medida em dB com relação à onda transmitida diretamente.
Ecos podem ser desejáveis (como no radar ou sonar) ou indesejáveis (como nos sistemas telefônicos).
Em computação, um eco é a impressão ou visualização de caracteres à medida que:
são introduzidos via um dispositivo de entrada,
instruções são executadas, ou
estes são retransmitidos e recebidos de um terminal distante.
É necessário existir um obstáculo que esteja a mais do que 17 metros de distância da pessoa que emite o som; o obstáculo tem que ser feito de um material polido e denso que não absorva o som, por exemplo, metais, rochas, betão e carnes magras.
O ser humano detecta dois sons que estejam separados por 0,1 segundos, ou seja, para a velocidade do som no ar (340 m/s), esse tempo representa 34 metros. Assim, se o obstáculo estiver a menos de 17 metros não detectamos a diferença entre o som que emitimos e o som que recebemos, e desse modo, o eco não acontece apesar da onda ter sido reflectida. É um som repetido várias vezes de forma decrescente.
Reverberação é um efeito físico gerado pelo som, é a reflexão múltipla de uma frequência.
Ao acionar uma fonte sonora em um recinto fechado, as primeiras ondas geradas propagam-se até às paredes, sendo refletidas. Percorrem um caminho em zigue-zague por todas as direções. Nesse intervalo de tempo, a fonte emitiu novas ondas que se combinam com as anteriores. As vibrações sonoras aumentam, portanto, progressivamente de intensidade até alcançar um valor estacionário.
A reverberação ocorre quando a diferença entre os instantes de recebimento dos dois sons é inferior a 0,1 s. Não se percebe um novo som, mas há uma continuação do som inicial. A reverberação pode ajudar a compreender o que é dito por um orador num auditório, pois as ondas percorrerão o ambiente de forma a chegar no ouvinte, compensando o atraso que teria se não existisse a reverberação. No entanto, o excesso de reverberação pode atrapalhar o entendimento.

Reverberação Digital
A reverberação natural é um processo acústico complexo que, apesar de toda a tecnologia eletrónica à nossa disposição, ainda não foi recriado com absoluta precisão por meios digitais. Existem unidades de reverberação que se aproximam mais do que nunca. Grandes avanços, tanto de hardware como de software, tornaram possível proporcionar uma reverberação artificial com densidade e resolução que se aproxima ao efeito natural, tentando aproximar do tipo de som limpo, para várias aplicações profissionais. Com intenção de proporcionar uma qualidade e flexibilidade de reverberação e efeitos num formato simples de usar, por exemplo, nos estúdios avançados de gravação profissional e reforço de som. A reverberação é um efeito essencial para os instrumentos musicais, gravações e reforço de som. De facto, a qualidade dos efeitos utilizados tem uma influência importante sobre a qualidade geral do som. Ela é o efeito principal na constituição de uma.

6919 – Diagnóstico – Parece mas não é!


Pesquisa da OMS mostrou que muitas doenças não possuem origem orgânica e sim psicológica, mas o agravante é que a crise do paciente começa com os diagnósticos errados.

A partir da descrição que o paciente faz de seus problemas, o médico formula várias hipóteses diagnósticas. O exame físico permite fixar as mais prováveis e, às vezes, afastar a possibilidade de certas doenças.
Em seguida, o médico vai estabelecer o diagnóstico diferencial. Isto é, vai excluir uma a uma as várias alternativas até chegar a um único diagnóstico. Evidentemente, a primeira preocupação é afastar as hipóteses piores para a saúde do paciente. No processo de acerto diagnóstico é fundamental a realização de exames laboratoriais e radiológicos. Às vezes, porém, o tipo de moléstia não pode ser diagnosticado com precisão por esses métodos e o médico terá de decidir baseado no conhecimento do que chamamos história natural da doença – o seu comportamento.
Às vezes, nesses casos, não há certeza absoluta do diagnóstico, mas existe grande certeza de não existência de lesões mais graves. O médico, satisfeito porque não há perigo, dirá “isso não é nada”. Na relação médico – paciente, o médico deve sentir quando é apropriado dizer “ isso não é nada”. Deverá avaliar o significado do sintoma para o paciente, o contexto psíquico em que ocorre, antes de rotular a queixa como não sendo uma doença. Um paciente que sofra de disparos do coração não precisa ter, necessariamente, uma causa cardíaca que os explique. Eles podem decorrer, por exemplo, de crises de pânico (uma doença recentemente reconhecida), que provocam muito mal-estar. Em casos assim, certamente não haverá lugar para o “isso não é nada”.

6918 – Bioquímica – A Serotonina


serotanina

hidroxitriptamina (5-HT) é uma monoamina, isto é, uma molécula envolvida na comunicação entre neurônios.
Esta comunicação é fundamental para a percepção e avaliação do meio e para a capacidade de resposta aos estímulos ambientais. Diferentes receptores detectam este neurotransmissor, envolvido em várias patologias.
A serotonina parece ter funções diversas, como o controle da liberação de alguns hormônios e a regulação do ritmo circadiano, do sono e do apetite. Diversos fármacos que controlam a ação da serotonina como neurotransmissor são atualmente utilizados, ou estão sendo testados, em patologias como a ansiedade, depressão, obesidade, enxaqueca e esquizofrenia, entre outras. Drogas como o “ecstasy” e o LSD “mimetizam” alguns dos efeitos da serotonina em algumas células alvo. O ecstasy promove libertação maciça de serotonina e posterior depleção delas.
Em geral, os indivíduos deprimidos têm níveis baixos de serotonina no sistema nervoso central. Neste caso, deve se administrar inibidores da recaptação de serotonina pelos neurônios, como a fluoxetina, resultando em maior disponibilidade deste neurotransmissor na fenda sináptica. Alimentos como banana, tomate, chocolate e vinho são ricos no precursor da serotonina, o triptofano.
O triptofano é o aminoácido sintetizado para criar a serotonina através de sucessivas hidroxilações no anel aromático e descarboxilações. Sem este precursor não é possível sintetizar serotonina suficiente.

6917 – Medicina – O Câncer de Reto


Trata-se de uma neoplasia maligna que afeta o intestino grosso e/ou o reto, acometendo a parede intestinal, e que dependendo do grau de invasão desta, pode comprometer outros órgãos, quer diretamente, quer através de metástases. Este tipo de câncer é um dos mais freqüentes, e em geral está relacionado ao sedentarismo, obesidade, tabagismo, história familiar de câncer colorretal, predisposição genética, à dieta rica em carnes vermelhas, e possivelmente, à dieta pobre em fibras.
Este tipo de câncer abrange tumores em todo o cólon, reto, e apêndice. Aproximadamente 655 mil pessoas por ano morrem por causa deste tipo de câncer, sendo a terceira forma de câncer mais comum e a segunda maior causa de morte no mundo ocidental.
Acredita-se que muitos tumores originam-se de pólipos no cólon adenomatosos. Tais pólipos são geralmente benignos, mas podem desenvolver-se em tumores malignos com o tempo. Na maioria das vezes, o diagnóstico de câncer colorretal é feito através de colonoscopia.
O tratamento consiste na retirada do tumor, que pode ser endoscópica (colonoscopia) ou cirúrgica. A ressecção endoscópica é realizada nos casos iniciais do câncer, ou seja, naqueles em que não houve o comprometimento mais profundo da parede do intestino. Nos casos cirúrgicos, o segmento intestinal comprometido é ressecado, e o trânsito intestinal reconstruído, sempre que possível. Além disso, pode haver a necessidade de tratamento complementar com quimioterapia e radioterapia, que são indicados antes ou após a cirurgia, e nos casos mais avançados, para que se evitem ou se tratem as lesões metastáticas.
No Brasil, estima-se que cerca de 27 mil pessoas foram diagnosticadas com câncer colorretal em 2008, com mulheres sendo mais afetadas do que homens (12,5 mil homens e 14,5 mil mulheres).
O câncer colorretal é o terceiro câncer mais comum no mundo ocidental, atrás apenas do câncer de pulmão e do câncer de mama (não incluindo carcinomas basocelulares e espinocelulares), e o segundo em número de mortes (atrás do câncer de pulmão). Nos países desenvolvidos, a mortalidade cinco anos após diagnóstico varia entre 30% a 40%.

Fatores de Risco
Idade: O risco de uma pessoa ter câncer colorretal aumenta com a idade. Ter 50 anos ou mais de idade é um fator em risco em si. Casos antes dos 50 anos são raros, mas podem ocorrer, especialmente se um histórico familiar de desenvolvimento do câncer antes dos 50 existe.

Histórico familiar de câncer colorretal: presença de um ou mais parentes de sangue com câncer colorretal, especialmente se o parente é próximo e desenvolveu a doença antes dos 55 anos de idade, ou se múltiplos parentes adquiriram a doença. Cerca de 6% dos cancros colorretais são causados especificamente por problemas genéticos.
Polipose adenomatosa familiar (FAP): se uma pessoa possui FAP, a chance dele possuir câncer colorretal antes dos 40 anos de idade (se não tratada através de cirurgia) é de quase 100%. Responsável por cerca de 1% dos casos do câncer colorretal.
Câncer colorretal hereditário sem polipose: forma de câncer hereditário, causada por mutações em genes de reparo de DNA. Cerca de 5% dos casos de câncer colorretal podem ser atribuídos a tais mutações.
A presença de pólipos no intestino grosso é um fator de risco, especialmente se são de natureza adenomatosa. Remover os pólipos presentes no intestino grosso diminui subsequentemente o risco de câncer colorretal.
Histórico de câncer: indivíduos que já tiveram câncer colorrectal anteriormente estão com risco de desenvolver a doença novamente no futuro. Mulheres que tiveram câncer de ovário, útero ou mama também possuem uma chance maior de ter câncer colorretal.
Dieta: presentemente, o impacto que a dieta alimentar possui como um fator de risco do câncer colorretal é controverso. Estudos mostram que uma dieta rica em carne vermelha e baixo em frutas frescas, vegetais e legumes, peixes e aves de capoeira aumentam as chances de câncer colorretal. Um estudo da European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition, de junho de 2005, sugeriu que dietas ricas em carne vermelha e carnes processadas e baixo em fibra alimentar são associados com maior chance de câncer colorretal. Indivíduos qu comem frequentemente carne de peixe possuem um risco mais baixo. Porém, outros estudos colocam em dúvida sobre o fato que uma dieta baixa em fibras aumente o risco de câncer colorretal, argumentando que tais dietas estão associadas a outros fatores de risco, resultando em erros no estudo.
Sedentarismo: indivíduos que são fisicamente inativos possuem um risco maior de ter câncer colorretal do que pessoas fisicamente ativas.
Vírus: algums vírus (tal como certos tipos do vírus do papiloma humano podem estar associados ao câncer colorretal.
Colite ulcerosa e Colangite esclerosante primária aumentam o risco de câncer colorretal; o risco do último é independente do primeiro (visto que ambas possuem uma associação significativa).

Os sintomas do câncer colorretal dependem da localização do tumor no intestino grosso, do tamanho do tumor em si, e se o tumor tem se espalhado para outras partes do corpo. Os sintomas mais comuns do câncer colorretal são o sangramento intestinal, a mudança do hábito intestinal e da forma das fezes, a dor e distensão abdominais, emagrecimento e anemia. Como estes sintomas, bem como a maioria dos outros sintomas que podem estar presentes com o câncer, são sintomas de outras doenças (como no caso da hemorróida e da doença diverticular), nenhum dos sintomas presentados a seguir são específicos de câncer colorretal, e todos devem procurar auxílio médico para fazer um diagnóstico correto dos sintomas.
O órgão mais afetado por metástases do câncer colorretal é o fígado. Este é geralmente afetado em estágio avançado do cancro pelo fato de que a circulação venosa do intestino grosso é feita pela veia porta hepática, e passa pelo fígado. Sintomas de metástases no fígado muitas vezes não causam sintomas notáveis. Grandes depósitos metastáticos no fígado podem causar icterícia, dor abdominal (devido ao esticamento das cápsulas fibrosas de Glisson. Se a metástase bloqueia o ducto biliar, a icterícia pode ser acompanhada por outros sintomas de obstrução biliar, tal como esteatorreia (fezes de cor clara).

Diagnóstico
O câncer colorretal pode tomar muitos anos para desenvolver-se, e detecção do câncer nos estágios iniciais aumenta significantemente as chances de cura. O National Cancer Policy Board do Instituto de Medicina americano, estimou em 2003 que até modestos esforços para implementar métodos de detecção do câncer colorretal causaria uma queda de 29% em mortes de câncer em 20 anos. Porém, a taxa de indivíduos utilizando métodos de detecção precoce permanecem baixas.
Exame de sangue oculto nas fezes: teste que verifica a presença de sangue nas fezes. Dois tipos de testes podem ser utilizados para detectar sangue oculto nas fezes: químico ou imunoquímico. A sensitividade do teste imunoquímico é superior ao teste químico, sem causar uma redução inaceitável em especificidade.
Endoscopia:
Sigmoidoscopia: uma sonda iluminada (o sigmoidoscópio) é inserida no reto e no cólon inferior, para detectar pólipos e outras abnormalidades.
Colonoscopia: Uma sonda iluminada (o colonoscópio) é inserida no reto e em todo o cólon, para detectar pólipos e outras abnormalidades. Vantagens em relação à sigmoidoscopia é que se pólipos são encontrados, eles podem ser removidos, tecido pode ser removido (biópsia), além de abranger todo o cólon, e não somente a parte inferior.
Tomografia computadorizada axial é um método que utiliza raios-X que pode ser utilizado para determinar o grau de espalhamento do câncer, mas não é sensitivo o suficiente para ser utilizado como método de detecção precoce. Certos tipos de cancro são encontrados em exames tomográficos realizados por outras razões.
Exames de sangue: o nível de certas proteínas no sangue pode ser um indicativo da severidade do tumor – em especial, antígene carcinoembriônico. Porém, um resultado negativo não significa necessariamente ausência de malignidade, e um resultado positivo (sujeitos, portanto a falsos positivos e falsos negativos), câncer colorretal especificamente, e portanto, não devem ser utilizados como método de detecção precoce. Altos níveis do antígene carcinoembriônico podem significar metástases ou outros tipos de câncer. Porém, tais exames podem ser ser usados para monitorar o paciente após cirurgia ou outro tratamento.
Aconselhamento genético e exame genético podem ser utilizados em famílias que possuem uma forma hereditária do câncer colorretal, tal como câncer colorretal hereditário sem polipose, ou polipose familiar adenomatoso.
Tomografia por emissão de positrões (PET) é uma técnica no qual um açúcar radioativo é injetado no paciente; tal açúcar acumula-se em tecidos com alta atividade metabólica (incluindo células cancerosas), a radiação emitida pelo açúcar permite a formação de uma imagem. Por causa do fato que células cancerígenas possuem um alto metabolismo, esta técnica pode ser utilizada para diferenciar tumores benignos e malignos. Porém, esta técnica não é utilizada como método de detecção precoce. Um exame de PET do corpo inteiro é considerado o método mais preciso de câncer colorretal recorrente, e é uma maneira custo-efetiva de diferenciar tumores que podem ser cirurgicamente removidos dos que não podem. Este exame é indicado quando uma decisão depende de um preciso estudo da presença do tumor e da sua extensão.
Exame de DNA nas fezes é uma tecnologia emergente utilizado para detectar câncer colorretal. Adenomas pré-malignos e células cancerígenas liberam marcadores de DNA que não são decompostos no processo digestivo, e permanecem intactos nas fezes. PCR aumenta a concentração de DNA para níveis detectáveis. Ensaios clínicos têm mostrado uma sensitividade de detecção de câncer de 71% a 91%.

O tipo do tumor é geralmente diagnosticado através da análise de tecido removido através de uma biópsia ou cirurgia. O diagnóstico patológico geralmente contém a descrição histológica do câncer, e o grau. O tipo mais comum de câncer colorretal é adenocarcinoma, que compõe 95% dos casos – acredita-se que a maioria dos casos de câncer colorretal envolvam tumores originários de pólipos adematosos. Outros tipos, mais raros, de câncer colorretal, incluem linfoma e carcinoma espinocelular. As causas do câncer colorretal não são conhecidas com exatidão no presente.
Acredita-se que a maioria dos tumores do câncer colorretal sejam positivos a COX-2. Esta enzima geralmente não é encontrada em tecido saudável do cólon.
Em 85% dos casos, o câncer colorretal é precedido por uma lesão benigna conhecida por pólipo. Dependendo da característica deste pólipo, ele pode se tornar maligno e iniciar o câncer. Devido a este processo é que se faz a prevenção deste tipo de tumor com a colonoscopia, já que este exame permite o diagnóstico e a retirada do pólipo. Nos outros 15% dos casos, o tumor ocorre devido a uma doença genética, e se caracteriza por acometer pacientes mais jovens e por não apresentar o pólipo como lesão pré-maligna, ou seja, surge diretamente na parede do intestino.
Em aproximadamente 25% dos casos de câncer colorretal, o tumor está presente no reto, e 24%, no cólon sigmóide, ou seja, em metade dos casos, o tumor está localizado na região retosigmóide do intestino grosso, e pode ser visualizado por um sigmoidoscópio. Em outros 20% dos casos, o tumor pode ser detectado através de um exame retal. Em outras partes do cólon, as taxas são cerca de 6% no cólon descendente, 11% no cólon transverso, 24% no cólon ascendente, e 10% no cecum.
Estágios são geralmente descritos em numerais romanos (I, II, III, IV). Um número maior indica câncer mais avançado, e pior prognóstico.
O tratamento depende do estagiamento do câncer. O índice de cura de câncer diagnosticado nos estágios iniciais é significantemente maior do que quando detectado em estágio avançado (quando metástases distantes estão presentes).
Cirurgia é atualmente o principal método de tratamento curativo do câncer colorretal, enquanto que quimioterapia e/ou radioterapia podem ser recomendados, dependendo do estagiamento do câncer e de outros fatores médicos.
Tratamento agressivo de câncer colorretal é muitas vezes um desafio (especialmente após cirurgia), uma vez que a maioria dos pacientes afetados são pessoas mais velhas. Estudos sugerem que tratamento em idosos em boas condições físicas é mais bem-sucedido se quimioterapia adjuvante é utilizado após cirurgia. Por causa disso, idade cronológica não deve ser uma contraindicação para tratamento agressivo, por si só.
Antígeno carcinoembriônico é uma proteína presente no sangue em virtualmente todos os tumores colorretais (bem como outros tipos de cancros). A análise dos níveis desta proteína com o tempo, pré e pós-cirurgia, permite monitorar o tratamento do câncer. Altos níveis desta proteína, ou a ausência de uma queda notável no nível desta proteína, pós-cirurgia, são um indicativo de tumor residual ou metástases. Diminuição do nível do antígeno é um indicativo de que o tumor foi removido com relativo sucesso. Um aumento nos níveis do antígeno pós-cirurgia é indicativo de recorrência.

Prognóstico
As chances do tratamento ser eficiente dependem do estágio do câncer. No geral, 90% dos pacientes que são diagnosticados com câncer em estágios iniciais sobrevivem cinco anos, caindo para 64% se o tumor invadiu nódulos linfáticos e/ou órgãos próximos. Quando o câncer é diagnosticado em estágio avançado, com metástases distantes, a taxa de sobrevivência de cinco anos é de 20%.

Cirurgia
Presentemente, cirurgia é o único tratamento curativo usado no tratamento do câncer colorretal.
Cirurgias podem ser categorizadas em curativo, paliativo, ou de bypass.
Em cirurgias de caráter curativo, a parte afetada do órgão é removida. Anastomose pode ou não ser possível, dependendo da severidade e da localização do tumor. Se anastomose não é possível, a porção distal do aparelho colorretal é removida.
Cirurgias de caráter curativo são oferecidas quando:
Câncer em estágios bem iniciais que se desenvolvem dentro de um pólipo podem ser tratados com a remoção do pólipo (através de uma polictemia) em uma colonoscopia.
Um tumor mais avançado tipicamente requer a remoção cirúrgica da secção afetada pelo tumor, bem como tecido aparentemente saudável em torno do tumor (margem de segurança), além da amputação radical do mesentério e nódulos linfáticos locais, para reduzir recorrência local. Se possível, as partes restantes do cólon são ligadas através de uma anastomose, para criar um cólon funcional. Se anamostose não é possível, toda a parte afetada do cólon, bem como a região distal do aparelho colorretal, é removida, e uma ostomia (um orifício artificial) é criada, via colostomia. Ou seja, mais cólon é removido à medida que a região afetada é mais próxima ao intestino delgado. Por vezes, a região saudável distal do cólon é mantida e suturada (Cirurgia de Hartmann), quando a parte afetada está localizada na região reto-sigmóide do cólon; neste caso, futura anastomose por emissão de positrões é possível.

Cirurgia de caráter curativo no câncer retal inclui ou amputação parcial da parte anterior inferior do reto, ou uma amputação abdominoperineal. Dependendo da severidade do cancro, os médicos podem optar por remover apenas a parte afetada, em uma amputação parcial. o restante do reto pode ser conectado com o restante do cólon via anastomose. Se o restante saudável do reto não é suficiente para garantir uma anastomose segura e/ou funcionamento do esfincter anal, ou se o tumor está próximo ao ânus (dois a cinco centímetros), amputação parcial do reto não é possível, e todo o reto mais a região proximal do cólon sigmóide é amputado via amputação abdominoperineal, e uma colostomia de caráter permanente é realizada.
Se metástases existem, cirurgia de caráter curativo não é uma opção (por ser considerado fútil), no geral. Porém, cirurgia de caráter paliativo pode ser realizada, com o intuito de deixar o paciente mais confortável: a remoção de parte ou todo tumor primário tem o intuito de reduzir a morbidade causada por hemorragia (causado pelo tumor), invasão, e seu efeito catabólico. Porém, no caso de metástases isoladas no fígado, cirurgias de caráter curativo pode ainda ser realizadas, sendo relativamente comuns. Avanços na quimioterapia têm aumentado o número de pacientes que recebem a opção de remover cirurgicamente metástases isoladas no fígado.

Se o tumor invadiu estruturas vitais (tornando excisão cirúrgica tecnicamente difícil), cirurgiões podem optar por não remover o tumor, e ao invés disso, criar uma nova passagem para a passagem de fezes, e removendo a parte afetada da parte do restante do sistema digestivo do paciente (mas não removendo tal parte), em uma cirurgia de bypass; ou através de uma diversão fecal (colostomia). O intuito de ambos os tipos de cirurgia é comumente paliativo, embora cirurgia de caráter curativo possa ser realizada caso o tumor responda a quimioterapia.
Um último tipo de cirurgia é o “abre-e-fecha”, de caráter não-intencional: tal cirurgia acontece quando os cirurgiões descobrem que o tumor não pode ser removido, e quando o intestino delgado foi invadido pelo tumor; neste caso, a continuação da cirurgia causará mais problemas do que benefícios para o paciente. Este tipo de cirurgia é cada vez mais incomum devido à laparoscopia e avanços radiológicos. Casos anteriormente vulneráveis ao “abre-e-fecha” atualmente são frequentemente diagnosticados em avanço, e cirurgia é evitada.

Quimioterapia
Utilizada para reduzir o risco de metástases, para reduzir o tamanho do tumor, e/ou reduzir o crescimento do tumor. Quimioterapia é comumente utilizada após cirurgia, como método de tratamento adjuvante, antes de cirurgia, como método de tratamento neo-adjuvante, ou como o principal método de tratamento, em paliação. O uso de tratamentos mostrados aqui tem resultado, em ensaios clínicos, em uma diminuição da taxa de mortalidade, e como resultado, esses tratamentos foram aprovados para uso pela FDA (nos Estados Unidos). Em geral, quimioterapia é somente utilizada após cirurgia se o tumor espalhou-se para nódulos linfáticos (estágio III).

Radioterapia não é utilizada frequentemente no tratamento do câncer colorretal, porque pode causar enterite radioativa, bem pelo fato de que mirar partes específicas do cólon é difícil (por causa de peristalse). Radioterapia é mais utilizada em câncer do reto, já que o reto não se movimenta tanto como o cólon, e por isso, é mais fácil de mirar. Às vezes, agentes quimioterapêuticos são utilizados para aumentar a eficiência da radiação, através do aumento da sensitividade em células do tumor, se presentes. Indicações para o uso de radioterapia incluem:
Paliação e redução de dor em câncer do cólon avançado. Neste caso, não utilizado no tumor primário, mas sim em depósitos de metástases, se eles comprimem estruturas vitais e/ou causam dor.
Em câncer do reto:
Neo-adjuvante: utilizado antes de cirurgia em pacientes com tumores que se estendem além do reto ou invadiram nódulos linfáticos regionais, para diminuir o risco de recorrência após cirurgia ou para permitir uma cirurgia de caráter menos invasivo.
Adjuvante: quando o tumor perfura o reto ou invade nódulos linfáticos regionais (T3 ou T4, classificação AJCC, ou B ou C na classificação Duke).
Paliativo: para diminuir ou prevenir sintomas.

Vacina
Em novembro de 2006, pesquisadores anunciaram que uma vacina para o tratamento do câncer colorretal foi desenvolvida e testada em ensaios clínicos com resultados bastante promissores. A nova vacina, chamada de TroVax, estimula o sistema imunológico do indivíduo a enfrentar as células cancerígenas. Especialistas acreditam que vacinas baseadas em terapia genética poderão provar ser um eficiente método de tratamento no futuro, para vários tipos de cancros. Ensaios clínicos fase III estão sendo realizados para pacientes com câncer renal, e planejado para pacientes com câncer do cólon.
Um estudo em 2009 mostrou que aspirina reduz o risco de neoplasia colorretal em provas aleatórias, e inibe crescimento do tumor e metástases em animais. Porém, a influência da aspirina nas taxas de sobrevivência pós-diagnóstico do câncer colorretal é desconhecida.

Prevenção
A maioria dos tumores colorretais surgem de pólipos adenomatosos. Tais pólipos podem ser detectados e removidos através de colonospia. Este método é considerado presentamente o padrão-ouro de detecção do câncer colorretal.
Estudos mostram que o uso frequente deste procedimento médico poderia diminuir em 80% o número de mortes causados pelo cancro, desde que tais testes comecem na idade de 50 anos, e repetidos a cada cinco a dez anos.
Para indivíduos sem sintomas, sem fatores de risco, mas com 50 anos de idade ou mais, um exame de sangue oculto nas fezes ou contraste duplo de enema de bário anual, e sigmoidoscopia cada cinco anos, a partir dos 50 anos, podem ser utilizados em conjunto ao invés de colonoscopia, como método de detecção. Sigmoidoscopia mais contraste duplo em conjunto é utilizado também quando acredita-se que um indivídui possa ter câncer colorretal, e abnormalidades embora o padrão-ouro de detecção seja colonoscopia, que, se não utilizado como o principal método de detecção do câncer colorretal, é utilizado se abnormalidades são encontradas nos exames acima.
Acredita-se que cerca de 200 agentes, incluindo aspirina e componentes nutricionais tais como cálcio e ácido fólico, podem diminuir carcninogênese, segundo modelos de desenvolvimento pré-clínico. Alguns estudos mostram inibição de tumores induzidos por carcinógenos no cólon de ratos. Outros estudos mostram uma forte inibição no pólipos intestinais de ratos (geneticamente criados para terem tais pólipos). Ensaios clínicos em humanos mostram um efeito reduzido, mas poucos estudos de intervenção envolvendo tais agentes foram realizados presentemente.
Contudo, aspirina não deve ser tomada rotineiramente com o intuito de prevenir câncer colorretal, mesmo em pessoas com histórico familiar, por causa do risco de hemorragia e insuficiência renal se uma alta dose de aspirina é ingerida constantemente (300 mg ou mais, com maior risco de hemorragia se mais de 81 mg o dia de aspirina é ingerido, com potenciais problemas à saúde de maior peso do que o possível benefício.

6916 – Genética – Os Males da Evolução


Os primos do homem, os chimpanzés, gorilas, orangotangos e babuínos – tem os genes mais bem arrumados do que nós. E por isso não correm tanto risco de ter doenças genéticas. Tal idéia de um médico americano do Hospital de Cambridge. Ele descobriu que há muito lixo nos genes humanos. São substâncias químicas comuns dos genes mas que começam a se repetir sem necessidade. Um gene pode ter até 250 pedaços iguais, quando devia ter apenas um ou, no máximo 30. É um tipo de mutação causada pela evolução. A quantidade vai crescendo de avô para pai, depois para filho, para o neto e assim por diante. Chega uma hora que o gene funciona mal e leva uma doença. Algumas crianças nascem com retardamento mental por causa disso. Tal repetição seria muito mais forte em homens do que em macacos e aumenta aos poucos, o significa mais doenças. Mas o rítmo é lento, só pode ser percebido na escala de centenas de milhares de anos. Por enquanto, não há motivos para preocupação.

6915 – O que são as mutações?


Em Biologia, mutações são mudanças na sequência dos nucleotídeos do material genético de um organismo. Mutações podem ser causadas por erros de copia do material durante a divisão celular, por exposição a radiação ultravioleta ou ionizante, mutagênicos químicos, ou vírus. A célula pode também causar mutações deliberadamente durante processos conhecidos como hipermutação. Em organismos multicelulares, as mutações podem ser divididas entre mutação de linhagem germinativa, que pode ser passada aos descendentes, e mutações somáticas, que não são transmitidas aos descendentes em animais. Em alguns casos, plantas podem transmitir mutações somáticas aos seus descendentes, de forma assexuada ou sexuada (em casos em que as gemas de flores se desenvolvam numa parte que sofreu mutação somática). Assim, essa classificação é pouco eficiente para plantas, se ajustando melhor a animais. Uma nova mutação que não foi herdada de nenhum dos pais é chamada de mutação de novo. A fonte da mutação não se relaciona com seus efeitos, apesar de seus efeitos estarem relacionados com quais células são afetadas pela mutação.
Mutações geram variações no conjunto de genes da população. Mutações desfavoráveis (ou deletérias) podem ter sua frequência reduzida na população por meio da seleção natural, enquanto mutações favoráveis (benéficas ou vantajosas) podem se acumular, resultando em mudanças evolutivas adaptativas. Por exemplo, uma borboleta pode produzir uma prole com novas mutações. A maioria dessas mutações não terá efeito. No entanto, uma delas pode mudar a cor dos descendentes desse indivíduo, tornando-os mais difíceis (ou fáceis) de serem vistos por predadores. Se essa mudança de cor for vantajosa, a chance dessa borboleta sobreviver e produzir sua própria prole será um pouco maior, e com o tempo o número de borboletas com essa mutação constituir formar uma maior proporção da população.
Mutações neutras são definidas como mutações cujos efeitos não influenciam a aptidão dos indivíduos. Essas mutações podem se acumular ao longo do tempo devido à deriva genética. Acredita-se que a imensa maioria das mutações não tem efeito significativo na aptidão dos organismos. Essa teoria neutralista foi desenvolvida por Motoo Kimura em seu livro “The Neutral Theory of Molecular Evolution”. Além disso, mecanismos de reparo de DNA são capazes de corrigir a maior parte das mudanças antes que elas se tornem mutações permanentes, e muitos organismos têm mecanismos para eliminar células somáticas que sofreram mutações.
As mutações são consideradas o mecanismo que permite a ação da seleção natural, já que insere a variação genética sobre a qual ela irá agir, fornecendo as novas características vantajosas que sobrevivem e se multiplicam nas gerações subsequentes ou as características deletérias que desaparecem em organismos mais fracos.
A sequência de um gene pode ser alterada de diversas maneiras. Mutações genéticas têm diferentes efeitos na saúde, dependendo de onde ocorrem e se alteram a função de proteínas essenciais.

Mutações espontâneas a nível molecular incluem:
Tautomerismo – Uma base é modificada pelo reposicionamento de um átomo de hidrogênio.
Depurinação – Perda de uma base puríca (A ou G).
Desaminação – Mudança de uma base normal para uma atípica; C → U, (que pode ser corrigida por mecanismos de reparo do DNA), ou desaminação espontênea da 5-methilcitosina (irreparável), ou ainda A → HX (hipoxantina).
Transição- Uma purina se transforma em outra purina (A ↔ G), ou uma pirimidina se transforma em outra pirimidina(C ↔ T).
Transversão – Uma purina é trocada por uma pirimidina, e vice-versa(C/T ↔ A/G).
Mutações induzidas a nível molecular podem ser causadas por:
Mutagênicos químicos
Guanidina nitrosa (NTG)
Hidroxilamina NH2OH
Bases análogas (por exemplo, BrdU)
Substâncias simples (por exemplo, ácidos)
Agentes alquilantes (por exemplo N-etil-N-nitrosoureia (ENU)) Estes agentes podem causar a mutação tanto de DNA em replicação como em DNA não-replicante. Entretanto, um análogo de base nitrogenada pode somente mutar o DNA quando este análogo é incorporado durante a replicação do DNA. Cada uma das classes de mutagênicos químicos têm efeitos que podem levar a transições, transversões ou deleções.
Agentes metilantes (por exemplo, etil-metanossulfonato (EMS))
Hidrocarbonetos policíclicos (por exemplo, benzopirenos encontrados na fumaça de motores de combustão)
Agentes intercalantes de DNA (por exemplo, Brometo de etídio)
DNA crosslinker (e.g. platina)
Dano oxidativo causado por espécies reativas de oxigênio
Radiação
Radiação Ultravioleta (não ionizante) excita eletróns a um nível de energia mais elevado. As moléculas de DNA são bons absorvedores de luz ultravioleta, especialmente aquela com comprimento de onda entre 260 e 280 nm. As bases nitrogenadas citosina e timina (A e T), são mais vulneráveis a essas excitações, que podem modificar as propriedades de pareamento de bases. A luz UV pode induzir que bases timinas adjacentes numa sequência de DNA pareiem-se entre si, formando um dímero pesado.
Radiação ionizante

O DNA possui os chamados “hotspots”, locais em que as mutações ocorrem a uma taxa até 100 vezes superior ao normal. Um “hotspot” pode ocorrer em uma base não usual, como por exemplo numa 5-metilcitosina.
As taxas de mutação também dependem da espécie do organismo. Os biólogos evolucionistas propõem teorias em que taxas de mutação aumentadas seriam benéficas em algumas situações, por permitirem uma evolução mais rápida e, consequentemente, uma adaptação acelerada a novos ambientes. Por exemplo, a exposição repetida de bactérias a antibióticos, e a seleção dos mutantes resistentes, pode resultar na seleção de bactérias que possuam um grande aumento das taxas de mutação, em comparação com a população original.

6913 – Medicina – O Tumor Facial


Obs: Não iremos ilustrar esta matéria porque as imagens de tumores faciais são chocantes

NEOPLASIAs DAs GLÂNDULAs SALIVAREs
As neoplasias das glândulas salivares representam cerca de 3% de todos os tumores de cabeça e pescoço, sendo que cerca de 8% destes são tumores benignos . Já nas glândulas submandibulares cerca de 50% são benignos e nas glândulas salivares menores , apenas 25%. Os tumores das glândulas sublinguais são quase todos malignos .
Existem afecções que simulam tumores benignos . Entre as principais temos a sialometaplasia necrotizante, a s índrome de Mikulicz, a s índrome de Sjogren, a sialoadenite crônica, a sialolitíase, a hiperplasia glandular, os cistos glandulares , as malformações vasculares , as doenças granulomatosas , a hipertrofia de linfonodos , lipomas , hipertrofia do masseter, etc.
As neoplasias benignas das glândulas salivares têm crescimento lento e indolor, dificilmente levam a paralisia facial (a não ser por compress ão), não fixam a pele e são móveis à palpação. são mais freqüentes no lobo superficial da glândula parótida, podendo acometer a submandibular. Quando acometem as glândulas menores , em geral se localizam no palato.
A anamnese e o exame físico constituem o primeiro passo para diferenciarmos um tumor benigno de um maligno. É importante perguntarmos ao paciente se foi submetido a alguma ressecção de tumor de pele, principalmente na região frontal, orelha e olhos , para avaliarmos a possibilidade de uma metástase linfonondal. A orofaringe deve ser examinada cuidadosamente para afastarmos um tumor do lobo profundo da glândula parótida.
Em crianças o tumor benigno mais freqüente da parótida é o hemangioma que aparece usualmente ao nascimento, tem um crescimento ao redor de um seis meses e regridem, gradualmente, após o primeiro ano de vida, podendo chegar ate os 12 anos . Normalmente, observamos outros hemangiomas na pele dessas crianças (50%). Diferem de outras malformações arteriovenosas , que não regridem espontaneamente.
Dentre os exames para a confirmação diagnóstica desses tumores , podemos utilizar as radiografias simples , que não nos fornecem dados relativos ao tumor, mas que nos auxiliam quando há suspeita de infiltração ósseas . O ultra-som de alta resolução é um bom exame para detectar cálculos , abscessos , cistos e diferenciar, em aproximadamente 90% dos casos , tumor benigno de maligno. A punção biópsia com agulha fina com um citologista experiente oferece ótimos resultados , com uma acurácia de 90% na diferenciação de tumores benignos e malignos . As biópsias incisionais são pouco realizadas , sendo reservadas para os casos de tumores inoperáveis .

A tomografia computadorizada e a ressonância magnética são muito úteis para determinar a extens ão da les ão, mas não para diferenciar tumores benignos de malignos . O mapeamento nuclear com Tecnésio 99 é pouco utilizado, é útil apenas nos casos de tumor de Whartin. A sialografia é útil nos casos de sialoadenite crônica e nas sialolitíase, mas pouco nos oferece nos casos de tumores , onde vemos apenas uma compress ão ou deslocamento dos canais de drenagem.

Tumores Benignos
Adenoma pleomórfico – Também conhecido como tumor misto benigno, é o mais comum dos tumores das glândulas salivares e da parótida. Como o próprio nome diz, apresenta componentes de tecido epitelial e conectivo. Há uma discreta predileção pelo sexo feminino, entre a quarta e quinta décadas da vida, mas também aparece em pacientes mais jovens . Na grande maioria dos casos (90%) atinge o lobo superficial da parótida, mas pode aparecer nas glândulas submandibulares e salivares menores , como nos lábios e no palato.
O tratamento de eleição é o cirúrgico, removendo-se todo o tumor com uma margem de segurança adequada em virtude dos pseudópodos tumorais . Nas parotidectomias o lobo superficial pode ser inteiramente removido sem comprometer os ramos do nervo facial. Também nas submandibulares obtém-se a remoção completa do tumor, com margens de segurança. A recorrência é rara, quando respeitadas as margens de segurança, podendo ocorrer nos tumores multifocais . A malignização desses tumores é muito rara (3%) e está associada á longa evolução do tumor. A quimioterapia e a radioterapia não são indicadas no tratamento do adenoma pleomórfico.

Adenoma monomórfico – É um tumor que ocorre ao redor do epitélio do ducto. Representa cerca de 1% a 3% dos neoplasmas das glândulas salivares , sendo mais comum na parótida e nas glândulas salivares menores do lábio superior, palato e mucosa jugal. Não há predileção pelo sexo e aparece em indivíduos idosos (>60 anos ). Há predomínio do adenoma de células basais , que pode ser confundido com adenoma pleomórfico, lipoma, mucocele, cisto nasolabial e aumento de linfonodos . Apresenta um estroma bastante vascularizado. Seu tratamento é cirúrgico, com remoção do tumor com margens de seguranças .
O adenoma monomórfico de células claras também ocorre de preferência na parótida. Histologicamente deve ser diferenciado do carcinoma de células acinares e do carcinoma mucoepidermóide. Devido ao seu comportamento infiltrativo, recorrência e possibilidade de metástase, alguns autores classificam-no como carcinoma de baixo grau de malignidade. Seu tratamento é cirúrgico.
Tumor de Whartin (cistoadenolinfoma ou cistoadenoma papilífero linfomatoso) – Ocorre quase exclusivamente na glândula parótida, representando entre 2 a 10% de seus tumores , ou seja, é o segundo em maior freqüência podendo ser bilateral (7,5%) ou múltiplo (4%). Ocorre principalmente em homens , entre a sexta e s étima décadas de vida. O aparecimento de um carcinoma em um tumor de Whartin preexistente é bastante raro, mas podem surgir adenocarcinoma, carcinoma epidermóide e carcinoma indiferenciado, sendo que alguns podem ser radioinduzidos . Ao corte do tumor podemos observar cistos papilíferos , com líquido marrom e mucoso no seu interior. O tratamento é a parotidectomia superficial com conservação do nervo facial.
Outros tumores benignos – são muito raros : oncocitoma, cistoadenoma papilífero oncocítico, mioepitelioma, sialadenoma papilífero, papiloma invertido de ducto, hemangioma (comum apenas em crianças , como vimos acima), linfangioma.

Tumores Malignos
As neoplasias malignas das glândulas salivares são relativamente raras , representado cerca de 1% de todas as neoplasias da cabeça e do pescoço. Dessa forma os estudos epidemiológicos se tornam difíceis , sendo que alguns tumores podem evoluir por mais de vinte anos . são mais freqüentes nas glândulas parótidas (75%), mas também são encontrados na glândula submandibular (15%) e nas salivares menores (10%). A probabilidade de um tumor de glândula salivar menor ser maligno é de 90%, na submandibular de 50%, na parótida de 17%.
Alguns fatores têm sido considerados importantes em termos prognósticos , tais como o tipo histológico, a presença de metástase linfonodal, a ocorrência de dor e paralisia facial, a localização, as recorrências , o estádio da doença, a presença de metástase a distância, a sensibilidade à radioterapia e à quimioterapia. Acredita-se ser também importante o conteúdo plóide do DNA, ou seja, os tumores com conteúdo aneuplóide teriam um pior prognóstico que os de conteúdo diplóide. Os tumores da parótida tem melhor prognóstico que os da submandibular e os destas melhor que os das glândulas salivares menores .
A dor parece traduzir a infiltração de estruturas nervosas pelo tumor. Sua presença está associada a uma diminuição do tempo de sobrevida de quase 50%. A paralisia facial, quase nunca observada nos tumores benignos , pode estar presente nos malignos em cerca de 14% dos casos , levando também a um pior prognóstico. Está presente freqüentemente nos casos de carcinoma adenóide cístico e nos indiferenciados .
A invas ão da pele também está relacionada com pior prognóstico, mas não como fator isolado. O mesmo acontece com a localização, no lobo superficial ou profundo, onde parece não haver mudança no prognóstico. Devemos lembrar que, como os tumores benignos , os malignos também são mais freqüentes no lobo superficial.
O índice de recorrência é maior nos tumores de alto grau de malignidade, estando relacionado a um pior prognóstico. De uma maneira ampla, a recorrência pode variar entre 27% a 38%.
A presença de metástase à distância, que pode estar presente entre 9% e 13% dos pacientes com tumores de baixo grau de malignidade e em 21% daqueles com tumores de alto grau de malignidade, chega a 50% nos casos de carcinoma adenóide cístico.

Carcinoma mucoepidermóide – Representa cerca de 5% de todos os tumores das glândulas salivares , incidindo preferentemente nas glândulas salivares menores , principalmente do palato e do soalho da boca, em geral na quinta década da vida, e com discreto predomínio no sexo feminino. É o terceiro tumor, mais freqüente das glândulas salivares , seguindo-se ao adenoma pleomórfico e ao carcinoma adenóide cístico. Geralmente, nos casos de baixo grau de malignidade, aparecem como nódulo de crescimento lento, sem paralisia facial. Quando associado à dor, devemos suspeitar da variante de alto grau de malignidade. Seu prognóstico depende muito do grau de diferenciação celular. Histologicamente pode ser confundido com tumor sebáceo, carcinoma epidermóide, cistoadenolinfoma metaplásico e sialometaplasia necrotizante.
O tratamento é determinado pela extens ão do tumor e pelo grau de diferenciação celular, sendo que podemos ser mais conservadores nos de baixo grau de malignidade, realizando uma parotidectomia superficial ou total, com preservação (ou ressecção mais reconstrução) do nervo facial. Os de alto grau requerem uma parotidectomia total, havendo, às vezes , necessidade de se sacrificar o nervo facial. Nesses casos faz-se, também, o esvaziamento cervical quando optarmos pela reconstrução do nervo facial, em todos os casos , devemos realizar exame de congelação dos cotos , para certificarmos que não há envolvimento dos mesmos . A indicação de radioterapia é preferencial nos tumores de alto grau de malignidade.
Carcinoma adenóide cístico (cilindroma) – Representa cerca de 23% de todos os tumores malignos das glândulas salivares , sendo que em 30% dos casos aparecem na parótida e em 70% nas glândulas salivares menores . O primeiro a chamá-lo de cilindroma foi Bilroth, em 1859.
A infiltração é a característica desse tumor, causando dor precocemente. Ele se espalha através das bainhas nervosas , principalmente através dos nervos grande auricular e facial, levando a uma paralisia facial antes mesmo de o tumor ser palpável. A recidiva tardia também é uma de suas característica, havendo relato de casos ate 16 anos após a primeira cirurgia, tendo um comportamento mais agressivo nesses casos . As metástases hematogênicas podem se dar mais comumente para os pulmões (podendo ficar latente durante anos ), ossos , fígado, pele e cérebro. O prognóstico depende do s ítio da les ão (melhor nas glândulas menores ), do tipo histológico (s ódio, cribiforme ou tubular), do tamanho do tumor e da presença ou não de metástases .
A decis ão sobre qual o melhor tratamento é difícil, pois a possibilidade maior de cura é na primeira cirurgia, sugerindo a necessidade de cirurgia radical. Mas devemos levar em conta cada caso em particular. Se submetermos um paciente jovem, sem paralisia facial, a uma parotidectomia total com sacrifício do nervo facial, sem reconstrução, que é a cirurgia preconizada para esse tipo de tumor, levaríamos esse indivíduo a uma mutilação com piora da qualidade de vida. E muitas vezes, mesmo com esse tratamento, não estaríamos curando do tumor.
Assim, em casos selecionados , como tumor menor que 2,5cm, no lobo superficial, em paciente jovem, com atividade social normal, podemos realizar a parotidectomia total, com preservação dos ramos do facial. Também em pacientes idosos podemos fazer cirurgias mais conservadoras . Já em outros casos se faz necess ária a parotidectomia total, com sacrifício do facial e com remoção de pele, mandíbula, meato acústico externo, musculatura, etc. A quimioterapia e a radioterapia não têm utilidade no tratamento desse tumor.
Carcinoma de células acinares – É mais comum na glândula parótida, em mulheres e na quinta e sexta década da vida. Clinicamente se apresenta como um nódulo único, bem encapsulado, apresentado metástase, linfonodais em cerca de 10% dos casos , um índice de recorrência em torno de 20% e metástase à distância em torno de 6% dos casos . Em casos raros , a metástase em pulmão ou fígado pode produzir ACTH. No diagnóstico histológico pode haver dificuldade para diferenciá-lo de um adenocarcinoma, ou de um carcinoma de células claras , ou de um cistoadenolinfoma, quando há riqueza de linfócitos .
O tratamento consiste na parotidectomia superficial, com conservação do nervo facial nos casos de baixo grau de malignidade e sem paralisia facial; e parotidectomia total com sacrifício do tumor, nos casos de carcinoma de alto grau de malignidade. A radioterapia pós -operatória é recomendada para aqueles tumores pouco diferenciados .
Adenocarcinoma – Representa 14% dos carcinomas das glândulas salivares . É mais freqüente na quinta década de vida e na glândula parótida. Quando surge nas glândulas menores , o palato é o s ítio mais freqüente, seguido pela mucosa jugal, língua e soalho da boca. Caracteriza-se por infiltração precoce dos tecidos do nervo facial, levando a um quadro doloroso, com paralisia facial em 40% dos casos . Há um alto índice de metástase linfonodais (60%) e pulmonares (30%).
O prognóstico depende do seu tamanho e do local da les ão, sendo melhor quando ocorre nas glândulas salivares menores . O diagnóstico diferencial é com o carcinoma adenóide cístico, mucoepidermóide bem diferenciado e carcinoma de células ductais .
O tratamento preconizado é a parotidectomia total, com sacrifício da facial em alguns casos , seguido de radioterapia no pós -operatório, mesmo sendo de baixa radiossensibilidade.

Carcinoma ex-adenoma pleomórfico – Assim chamado por se desenvolver em um adenoma pleomórfico de longa evolução. Os patologistas discutem se é realmente uma malignização de um tumor benigno ou se é um tumor maligno primário que se inicia no interior de um adenoma pleomórfico. Representa cerca de 3% a 4% dos tumores das glândulas salivares . Afeta igualmente homens e mulheres , na s étima e oitava décadas da vida, duas décadas após o pico do adenoma pleomórfico. É clássica a história de crescimento abrupto de um ou de uma recorrência de adenoma pleomórfico previamente extirpado. Geralmente são grandes com mobilidade reduzida e uma boa parte dos pacientes desenvolvem paralisia facial e metástase cervical linfonodal e, mais raramente, metástase pulmonar.
O tratamento consiste na parotidectomia total, às vezes combinada ao esvaziamento cervical radical e, mais raramente, à ressecção do ramo da mandíbula, seguida de radioterapia pós -operatória. o sacrifício ou não do facial dependerá da análise de cada caso individualmente.
Carcinoma epidermóide – Geralmente se origina da pele ou das mucosas , e invade a glândula salivar, ou pode ocorrer como metástase linfonodal intraglandular. são mais comuns em homens acima da sexta década da vida. Clinicamente aparecem como tumores duros , fixos , com limites imprecisos e com metástase cervical. Metade dos casos apresenta paralisia facial por infiltração do nervo. Têm péssimo prognóstico, com a sobrevida menor que 40% em 5 anos . Histologicamente devem ser diferenciados do carcinoma mucoepidermóide pouco diferenciado, do carcinoma ex-adenoma pleomófico e principalmente de metástase de outro órgão.
O tratamento consiste na parotidectomia total, podendo-se ou não preservar o facial (avaliar cada caso individualmente) e esvaziamento cervical radical, seguido de radioterapia pós -operatória.
Carcinoma indiferenciado – É difícil de se diferenciar de um adenocarcinoma pouco diferenciado. Chegam a representar 30% de todos os tumores das glândulas salivares , afetando principalmente a parótida, tanto em homens quanto em mulheres , com pico de incidência na sexta década da vida. A paralisia facial é freqüente, assim como as metástases linfonodais . O tumor origina-se do sistema ductal primitivo.
O prognóstico é muito mau, com sobrevida de 25% em 5 anos . O tratamento, quando poss ível é a parotidectomia total com sacrifício do nervo facial, acrescido do esvaziamento cervical e seguido de radioterapia pós -operatória. Na maioria das vezes , citamos apenas a parotidectomia como tratamento dos tumores das glândulas salivares , devido à maior ocorrência dos tumores nessas glândulas . No caso dos tumores que atingem a glândula submandibular, deve-se realizar a ressecção da glândula e associar o esvaziamento cervical de necessidade ou de princípio, dependo de cada caso. No caso das glândulas salivares menores , deve-se ressecar o tumor com margem de segurança adequada.

Escola Paulista de Medicina

6912 – Mega Byte – O que são os ultrabooks?


É um tipo de subnotebook (laptop ultrafino) definido pela Intel. Criado no ano de 2011, é uma iniciativa da Intel para criar um mercado PC para concorrer com o Apple Inc. MacBook Air. A empresa decidiu investir a quantia de 300 milhões de dólares em empresas que desenvolvam produtos e serviços para expandir o mercado de ultrabooks. Segundo Mooly Eden, diretor da área de computadores da Intel, os ultrabooks possuirão telas sensíveis ao toque, comandos por reconhecimentos de voz, maior autonomia de bateria e menor preço.
A Intel tem planejado uma estratégia para o Ultrabook, dividida em três fases. Em cada fase será utilizado o processador do momento.
Além da facilidade portátil, o uso de ultrabooks se fundamenta em alguns princípios: a) usar e-mail e navegar na internet; b) trabalhar com softwares de edição de documentos básicos; c) assistir a filmes; e, de repente, d) jogar um game cuja interface gráfica não seja tão sofisticada (sobretudo porque os processadores voltados para isso ainda não chegaram ao Brasil).
A orientação deste guia é mais norteada para coisas que você deve observar, enquanto usuário desses itens.
Nesta etapa os ultrabooks se ajustam à descrição básica idealizada pela Intel, utilizando processadores baseados em Sandy Bridge (segunda geração Intel Core i) e propiciando a entrada no mercado dos ultraportáteis ultrafinos e a introdução das versões ULV (Ultra-low Voltage, tensão ultra-baixa) de seus processadores.
A terceira geração de ultrabooks utilizará a arquitetura Intel Haswell. Planejada para 2013, traría aos ultrabooks processadores com um TDP de 15W e NFC integrado. Também, específicamente para os ultrabooks, Haswell significaría a integração da Southbridge no mesmo pacote que a CPU, de forma similar a que a Intel integrou o northbridge em seus processadores, convertendo portanto a Haswell no primeiro SoC baseado em arquitetura x86. Os 15W de TDP são para o pacote completo de CPU e o resto dos componentes integrados.

6911 – Como se escreve zero em números romanos?


Não se escreve. Os romanos não tinham um sinal para representar o zero porque simplesmente não precisavam representar o nada. Essa necessidade só surgiu quando se criou um sistema numérico posicional, ou seja, um sistema no qual a posição dos algarismos dá a eles valores diferentes. Para entender direitinho, pense nos números 35 (numeral arábico) e XI (11, em romanos). Agora inverta a posição dos algarismos e terá 53 e IX (9). No número arábico, “3” representa três dezenas, no primeiro caso, e três unidades, no segundo. Já no exemplo romano, “X” representa uma dezena nos dois casos. Portanto, o sistema romano não é posicional. Daí que, em um sistema posicional, o zero faz toda a diferença. E ao perceber isso, os hindus revolucionaram a matemática, criando uma representação numérica que possibilitou o desenvolvimento de cálculos no papel – os romanos só faziam contas no ábaco (aquele quadro cheio de bolinhas que correm de um lado para o outro). “Há quem diga que o zero é uma das maiores invenções da humanidade, por ter aberto espaço para a criação de todas as operações matemáticas que conhecemos hoje”, diz o matemático Luiz Imenes, autor do livro Os Números na História da Civilização, entre outros. Na verdade, embora os hindus sejam geniais, eles se aproveitaram de outra sacada de gênio vinda dos babilônios. Foram eles que criaram o sistema posicional e, como conseqüência, a noção de zero também. Para contar 301 ovelhas, por exemplo, um pastor botava uma bolinha em um cesto que representava as unidades, nenhuma no das dezenas e três no das centenas. Os babilônios passaram isso para o papel (na época, uma tábua de barro) e no lugar do “nenhuma bolinha” puseram um espaço vazio (3_1). Os hindus aperfeiçoaram a idéia, criando um sinal para o zero (chamado shúnya). Aí passaram a criação para os árabes, que inventaram o sistema que usamos hoje.

6910 – Medicina – O Linfoma de Hodgkin


A Doença, ou Linfoma de Hodgkin, é uma forma de câncer que se origina nos linfonodos (gânglios) do sistema linfático, um conjunto composto por órgãos, tecidos que produzem células responsáveis pela imunidade e vasos que conduzem estas células através do corpo.
Esta doença pode ocorrer em qualquer faixa etária; no entanto, é mais comum na idade adulta jovem, dos 15 aos 40 anos, atingindo maior freqüência entre 25 a 30 anos. A incidência de novos casos permaneceu estável nas últimas cinco décadas, enquanto a mortalidade foi reduzida em mais de 60% desde o início dos anos 70 devido aos avanços no tratamento. A maioria dos pacientes com Doença de Hodgkin pode ser curada com tratamento atual.
De acordo com a média das taxas brutas encontradas nos 17 Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP) do Brasil que possuem mais de 3 anos de informações consolidadas, estima-se que o número de casos novos (incidência) de Linfomas de Hodgkin para o Brasil em 2009 será de aproximadamente 1.600 para o sexo masculino e 1.270 para o sexo feminino em 2009.
Os órgãos e tecidos que compõem o sistema linfático incluem linfonodos, timo, baço, amígdalas, medula óssea e tecidos linfáticos no intestino. A linfa, um líquido claro que banha estes tecidos, contém proteínas e células linfóides. Já os linfonodos (gânglios) são encontrados em todos as partes do corpo, principalmente no pescoço, virilha, axilas, pelve, abdome e tórax; produzem e armazenam leucócitos denominados linfócitos. Existem três tipos de linfócitos: os linfócitos B (ou células B), os linfócitos T (ou células T), e as células “natural killer” (células NK).
Cada um destes três tipos de células realiza uma função específica no combate a infecções, e também têm importância no combate ao câncer.
• As células B produzem anticorpos, que se ligam na superfície de certos tipos de bactérias e atraem células específicas do sistema imune e proteínas do sangue, digerindo as bactérias e células estranhas ao normal.

• As células T ajudam a proteger o organismo contra vírus, fungos e algumas bactérias. Também desempenham importante papel nas funções das células B.

• As células NK têm como alvo as células tumorais e protegem contra uma larga variedade de agentes infecciosos.

Pode-se distinguir a Doença de Hodgkin de outros tipos de linfoma em parte através do exame de amostras sob microscopia. O tecido obtido por biópsia de pacientes com Doença de Hodgkin apresenta células denominadas células de Reed-Sternberg, uma homenagem aos médicos que descreveram primeiramente estas alterações.

A Doença de Hodgkin surge quando um linfócito (mais freqüentemente um linfócito B) se transforma de uma célula normal em uma célula maligna, capaz de crescer descontroladamente e disseminar-se. A célula maligna começa a produzir, nos linfonodos, cópias idênticas (também chamadas de clones). Com o passar do tempo, estas células malignas podem se disseminar para tecidos adjacentes, e, se não tratadas, podem atingir outras partes do corpo. Na Doença de Hodgkin, os tumores disseminam-se de um grupo de linfonodos para outros grupos de linfonodos através dos vasos linfáticos. O local mais comum de envolvimento é o tórax, região também denominada mediastino.
Fatores de risco
Pessoas com sistema imune comprometido, como conseqüência de doenças genéticas hereditárias, infecção pelo HIV, uso de drogas imunossupressoras, têm risco um pouco maior de desenvolver Doença de Hodgkin. Membros de famílias nas quais uma ou mais pessoas tiveram diagnóstico da doença também têm risco aumentado de desenvolvê-la, mas não se deve pensar que é certo de acontecer.

Sintomas
A Doença de Hodgkin pode surgir em qualquer parte do corpo, e os sintomas da doença dependem da sua localização. Caso desenvolva-se em linfonodos que estão próximos à pele, no pescoço, axilas e virilhas, os sintomas provavelmente incluirão a apresentação de linfonodos aumentados e indolores nestes locais. Se a doença ocorre na região do tórax, os sintomas podem ser de tosse, “falta de ar” (dispnéia) e dor torácica. E quando se apresenta na pelve e no abdome, os sintomas podem ser de plenitude e distensão abdominal.
Outros sintomas da Doença de Hodgkin incluem febre, fadiga, sudorese noturna, perda de peso, e prurido (“coceira na pele”).

Diagnóstico
Utilizam-se vários tipos de exames para diagnosticar Doença de Hodgkin. Estes procedimentos permitem determinar seu tipo específico, e esclarecer outras informações úteis para decidir sobre a forma mais adequada de tratamento.

A biópsia é considerada obrigatória para o diagnóstico de Doença de Hodgkin. Durante o procedimento, remove-se uma pequena amostra de tecido para análise, em geral um gânglio linfático aumentado. Há vários tipos de biópsia:

• Biópsia excisional ou incisional – o médico, através de uma incisão na pele, remove um gânglio inteiro (excisional), ou uma pequena parte (incisional);

• Biópsia de medula óssea – retira-se um pequeno fragmento da medula óssea através de agulha. Esse procedimento não fornece diagnóstico da Doença de Hodgkin, mas é fundamental para determinar a extensão da disseminação da doença;

Também são necessários exames de imagem para determinar a localização das tumorações no corpo. Radiografias são empregadas para detectar tumores no tórax; usando-se Tomografia Computadorizada, são obtidas imagens detalhadas do corpo sob diversos ângulos. Já a Ressonância Magnética utiliza ondas magnéticas e de rádio para produzir imagens de partes moles e órgãos; e na Cintigrafia com Gálio, uma substância radioativa, ao ser injetada no corpo do paciente é atraída para locais acometidos pela doença.

Além disso, são utilizados outros tipos de exames que ajudam a determinar características específicas das células tumorais nos tecidos biopsiados. Estes testes incluem:

• Estudos de citogenética para determinar alterações cromossômicas nas células;

• Imunohistoquímica, na qual anticorpos são usados para distinguir entre vários tipos de células cancerosas;

• Estudos de genética molecular, que são testes de DNA e RNA altamente sensíveis para determinar traços genéticos específicos das células cancerosas.
Classificação
Atualmente, para classificação da Doença de Hodgkin é mais utilizado o sistema de desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde em conjunto com um painel de especialistas norte americanos e europeus, denominado REAL ( Revised European American Lymphoma Classification ). Sob este sistema estas doenças são divididas de acordo com um número de características que, junto a outras informações, permitem ao médico estimar o prognóstico do paciente.

Estadiamento
Após reunir todas as informações disponíveis nos testes diagnósticos, procede-se o estadiamento da doença, ou seja, determinar o quanto se disseminou. Existem quatro estágios, correspondendo o estágio I à doença mais limitada, e o estágio IV, à mais avançada. Também é agregada uma subdivisão destes estágios aos pacientes com certos sintomas relacionados à doença, chamados sintomas B, tais como febre, sudorese noturna, perda de peso significativa. Exemplo: se um paciente tem doença avançada (estágios III ou IV), e tem sintomas B, determina-se o estadiamento como IIIB ou IVB)

Tratamento
O tratamento clássico da Doença de Hodgkin, em geral, consiste de poliquimioterapia, com ou sem radioterapia. Dependendo do estágio da doença no momento do diagnóstico, pode-se estimar o prognóstico do paciente com o tratamento. O esquema de quimioterapia utilizado de rotina no INCA é denominado ABVD.

Para os pacientes que sofrem recaídas (retorno) da doença, são disponíveis alternativas, dependendo da forma do tratamento inicial empregado. As formas empregadas usualmente, e com indicações relativamente precisas, são o emprego de poliquimioterapia e do transplante de medula.

Após o tratamento
A radioterapia e os esquemas de quimioterapia empregados regularmente trazem riscos para os pacientes após o tratamento. Entre os mais importantes estão o desenvolvimento de outros tipos de câncer (mama, pulmão, tireóide, linfomas e leucemias) e possível infertilidade. No entanto, estes riscos não são suficientemente grandes a ponto de se questionar o uso dessas formas de tratamento, visto que a Doença de Hodgkin é curável se tratada adequadamente. Os pacientes devem ser seguidos continuamente após o tratamento, com consultas periódicas cujos intervalos podem ir aumentando progressivamente.

6909 – Medicina – O que é o Derrame Pleural?


A pleura é uma membrana delicada que recobre o pulmão pelo lado de fora (pleura visceral) e a superfície interna da parede torácica (pleura parietal). Entre as duas pleuras, existe uma camada muito fina de líquido, que facilita o deslizamento suave dos pulmões dentro da caixa torácica, quando se enchem e esvaziam de ar.
O derrame pleural, ou água na pleura, é caracterizado pelo acúmulo excessivo de líquido no espaço entre a pleura visceral e a pleura parietal. De acordo com a composição química, ele pode ser classificado em transudato, quando não há lesão no espaço pleural nem sinal de células inflamatórias, e em exsudato, causado pelo aumento da permeabilidade dos vasos da microcirculação e com presença de células em decomposição.

Causas
As causas mais comuns dos derrames pleurais são a falta de algumas proteínas que ajudam a manter a água dentro dos vasos sanguíneos e a obstrução de canais responsáveis pelo escoamento do líquido pleural. Tumores, infecções, sangramentos e doenças cardíacas, renais ou hepáticas são também causas possíveis da enfermidade.

Sintomas
Os sintomas do derrame pleural podem variar bastante. Os mais característicos são falta de ar (dispneia), mesmo em repouso; cansaço na realização de esforços; dor para respirar, especialmente nas inspirações profundas (a chamada dor pleurítica). Em casos mais graves, pode ocorrer uma elevação entre as costelas, como se a pele estivesse sendo empurrada para longe do tórax.

Diagnóstico
O diagnóstico do derrame pleural tem como base o exame físico do paciente e os resultados dos exames de sangue, do líquido pleural, da radiografia de tórax e, se necessário, da toraconcentese acompanhada de biópsia. A vídeopleuroscopia é outro exame que pode ser realizado, se os anteriores não forem conclusivos para o diagnóstico da causa do derrame.

Tratamento
A maioria dos derrames pleurais se resolve em pouco tempo, com o tratamento da doença que os provocou (pneumonia ou doença cardíaca, por exemplo). Entretanto, alguns casos requerem cirurgia ou a colocação de drenos no tórax.
Exercícios de fisioterapia respiratória são fundamentais e devem ser introduzidos desde o início do tratamento. Entre outros benefícios, eles ajudam a acalmar os sintomas dolorosos e a aumentar a amplitude respiratória.

Recomendações

* Procure assistência médica se sentir dor no peito ou dificuldade para respirar;

* Fique longe do cigarro. Ele é um veneno também para as duas pleuras.

Escola Paulista de Medicina

6908 – De ☻lho no Mapa – Ilha de Açores


Os Açores, oficialmente designados por Região Autónoma dos Açores, são um arquipélago transcontinental e um território autónomo da República Portuguesa, situado no Atlântico nordeste, dotado de autonomia política e administrativa consubstanciada no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores. Os Açores integram a União Europeia com o estatuto de região ultraperiférica do território da União, conforme estabelecido nos artigos 349.º e 355.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia.
Com quase seis séculos de presença humana continuada, os Açores granjearam um lugar importante na História de Portugal e na história do Atlântico: constituíram-se em escala para as expedições dos Descobrimentos e para naus da chamada Carreira da Índia, das frotas da prata, e do Brasil; contribuíram para a conquista e manutenção das praças portuguesas do Norte de África; quando da crise de sucessão de 1580 e das Guerras Liberais (1828-1834) constituíram-se em baluartes da resistência; durante as duas Guerras Mundiais, em apoio estratégico vital para as forças Aliadas, mantendo-se, até aos nossos dias, num centro de comunicações e apoio à aviação militar e comercial.
O descobrimento do arquipélago dos Açores, tal como o da Madeira, é uma das questões mais controversas da história dos Descobrimentos. Entre as várias teorias sobre este facto, algumas assentam na apreciação de vários mapas genoveses produzidos desde 1351, os quais levam os historiadores a afirmar que já se conheceriam aquelas ilhas aquando do regresso das expedições às ilhas Canárias realizadas cerca de 1340-1345, no reinado de Afonso IV de Portugal.
Algumas teses mais arrojadas consideram, no entanto, que a descoberta das primeiras ilhas ocorreu já ao tempo de Afonso IV de Portugal e que as viagens feitas no tempo do Infante D. Henrique não passaram de meros reconhecimentos. Adicionalmente, foram recentemente descobertos templos escavados nas rochas datados do século IV a.C., de provável autoria cartagines.
Os portugueses começaram a povoar as ilhas por volta 1432, oriundos principalmente do Algarve, do Alentejo, da Estremadura e do Minho, tendo-se registado, em seguida, o ingresso de flamengos, bretões e outros europeus e norte-africanos.
Desde logo e dada a necessidade de defesa das pessoas, da manutenção de uma posição estratégica portuguesa no meio do Atlântico e da imensa riqueza que por esta terra passava vinda do Império Português e mais tarde também do Império Espanhol, as ilhas açorianas foram fortemente fortificadas praticamente desde o início do povoamento. Assim encontra-se nas ilhas 161 infra-estruturas militares entre castelos, fortalezas, fortes, redutos e trincheiras, distribuídas da seguinte forma: 78 na Terceira, 26 na ilha de São Miguel, 15 na ilha de São Jorge, 12 na ilha das Flores, 12 na ilha de Santa Maria, 7 na ilha Graciosa, 7 na ilha do Faial e 4 na ilha do Pico.
Tal como no arquipélago da Madeira, a administração das ilhas açorianas foi feita através do sistema de capitanias, à frente das quais estava um capitão do donatário. As primeiras capitanias constituíram-se nas ilhas de São Miguel e de Santa Maria. Em 1450, na sequência da progressão ocidental do descobrimento das ilhas, foi criada uma outra capitania na ilha Terceira: a administração desta ilha foi atribuída também a um flamengo, de seu nome Jácome de Bruges.
O clima do arquipélago açoriano é menos quente quando comparado com o do arquipélago da Madeira. Para que os colonos pudessem cultivar as terras foi necessário desbastar densos arvoredos que proporcionavam matéria-prima para exportação, para produção escultórica (cedro) e para a construção naval.

Ilha de S.Jorge

Os Açores são um arquipélago que, embora situado precisamente sobre a Dorsal Média Atlântica, devido à sua proximidade com o continente europeu e à sua integração política na República Portuguesa e na União Europeia é geralmente englobado na Europa.
O arquipélago situa-se no nordeste do Oceano Atlântico entre os 36º e os 43º de latitude Norte e os 25º e os 31º de longitude Oeste. Os territórios mais próximos são a Península Ibérica, a cerca de 2000 km a leste, a Madeira a 1200 km a sueste, a Nova Escócia a 2300 km a noroeste e a Bermuda a 3500 km a sudoeste. Integra a região biogeográfica da Macaronésia.
O ponto mais alto do arquipélago situa-se na ilha do Pico – e daí o seu nome, a Montanha do Pico – com uma altitude de 2 352 m. A orografia açoriana apresenta-se muito acidentada, com linhas de relevo orientadas na direcção leste-oeste, coincidentes com as linhas de fractura que estão na génese das ilhas. Este arquipélago faz parte da cordilheira submarina que se estende desde a Islândia para Sul e Sudoeste, com orientação sensivelmente paralela à inflexão das costas continentais.
As ilhas são visitadas com relativa frequência por tempestades tropicais, incluindo algumas com intensidade suficiente para serem consideradas como furacões. Para mais informação consulte o artigo Clima dos Açores.
A origem vulcânica dos Açores tem a sua expressão máxima na ilha de São Miguel, no famoso Vale das Furnas e teve a sua mais recente actividade terrestre no Vulcão dos Capelinhos, na Ilha do Faial, em 1957-1958. No mar, a última erupção verificou-se ao largo da Serreta (ilha Terceira) em 1998-2000.
O arquipélago dos Açores foi formado por actividade vulcânica durante o final do Terciário. A primeira ilha a surgir acima da linha média da água do mar foi Santa Maria, há cerca de 8.1 milhões de anos (Ma), durante o Mioceno.
A sua localização na zona central do Atlântico Norte, fez com que as ilhas açorianas constituíssem durante séculos uma autêntica encruzilhada nas rotas transatlânticas.
Na fase da navegação à vela, devido ao regime de ventos e correntes que obrigava à “volta do largo”, as embarcações provenientes do Atlântico Sul (da Índia, Extremo Oriente e outras partes da Ásia, de África, do Brasil e outras partes da América do Sul) e das Caraíbas (das chamadas “Índias de Castela”) faziam uma larga rotação no sentido dos ponteiros do relógio que as trazia até às proximidades do Grupo Ocidental, cruzando depois o arquipélago em direcção à Europa.
Com o advento da aviação, os Açores cedo ganharam importância como ponto de apoio. As primeiras travessias aéreas do Atlântico escalaram os Açores, e a Horta, com a sua baía abrigada e ligações telegráficas intercontinentais via cabo submarino, foi uma importante escala nas ligações entre a Europa e a América por hidroavião (os clippers) no período imediatamente anterior à Segunda Guerra Mundial.

Terminada a guerra, a base norte-americana da ilha de Santa Maria rapidamente se transformou num aeroporto internacional e centro de escalas técnicas para as aeronaves que cruzavam o Atlântico entre as Américas, o sul da Europa, o norte de África e o Médio Oriente. Igual papel, mas para a aviação militar, teve (e continua a ter) a Base das Lajes, na ilha Terceira, onde, após a saída do contingente britânico chegado em 1943, se instalou um destacamento militar dos Estados Unidos naquela que é a Base Área n.º 4 da Força Aérea Portuguesa (ainda em pleno funcionamento).
Em termos finais, as projecções demográficas apontam para uma estabilização ou decréscimo populacional, associados a um continuado envelhecimento das estruturas demográficas, resultante da diminuição das taxas de fecundidade/natalidade e do aumento da esperança de vida. Esta tendência tem vindo a ser atenuada pela inversão do comportamento migratório, que, desde meados dos anos noventa, tem registado valores positivos associado, sobretudo, a um aumento da imigração.
O Produto Interno Bruto dos Açores atingiu, em 2002, os 2,4 mil milhões de euros, segundo os dados mais recentes das contas regionais. Atendendo a que, em relação ao ano anterior, registou um crescimento nominal (8,2%) superior à média nacional (4,8%), a Região reforçou notoriamente a sua importância relativa no todo nacional. Em resultado deste comportamento da economia regional, a partir de 2002, os Açores deixam de ser a última região NUTS II do país em termos do PIB per capita. Constata-se uma convergência real do PIB per capita com a média nacional e europeia, representando agora 82% do valor médio nacional.
A evolução do mercado de trabalho nos Açores tem-se caracterizado por um aumento continuado da população activa, maior actividade do segmento feminino da população e a manutenção de taxas de desemprego relativamente reduzidas, indiciadoras de uma situação de quase pleno emprego.
Tomando o último ano completo em que se dispõe de informação, observa-se que, em 2003, a taxa de desemprego rondou os 2,9%. Os Açores são a segunda região da União Europeia (depois do Tirol, Áustria) que naquele período temporal apresentou a taxa de desemprego mais baixa.
O conjunto da hotelaria tradicional, mais o turismo em espaço rural somaram, no ano de 2004, a capacidade de alojamento de cerca de oito mil camas, em resultado de um crescimento assinalável da oferta de alojamento turístico, que se fez sentir essencialmente nos últimos quatro anos.
A procura tem vindo a aumentar sistematicamente todos os anos, tanto em termos de dormidas, como em termos de receitas. De 1996 a 2004, o número de dormidas cresceu 124% e as receitas totais 148%.
As fontes de energia primária utilizadas continuam a basear-se nos combustíveis fósseis importados (fuel, gasóleo, gasolina). Todavia, as fontes de energia renováveis como a energia hídrica, a geotérmica e a eólica têm registado evoluções positivas, aproximando-se nos anos mais recentes de cerca de um décimo do total de energia consumida.
A produção de energia eléctrica tem crescido a ritmos significativos, situando-se as respectivas taxas médias anuais à volta de 7%.
A produção de origem térmica continua a ser dominante, porém as energias renováveis representam já uma quota próxima de um quinto do total.
No que diz respeito à utilização de eletricidade, o consumo doméstico representa a componente mais significativa, mas os consumos comerciais e de serviços têm-se revelado mais dinâmicos nos últimos anos. Os consumos industriais têm-se caracterizado por uma certa estabilidade, apenas acompanhando a evolução média geral dos últimos anos.
Os museus e as bibliotecas públicas representam meios privilegiados de desenvolvimento de ações culturais, seja pelas capacidades patrimoniais e funcionais existentes, seja pelos diversos públicos que podem atrair.
Observando as evoluções das procuras sobre aqueles equipamentos culturais, por parte de visitantes nos museus e de utilizadores nas bibliotecas, verifica-se que existe actualmente uma tendência de crescimento em qualquer uma delas. Todavia, se a tendência da procura de visitantes aos museus prossegue a um ritmo mais regular e dentro de um mesmo padrão das estruturas existentes, já a procura de utilizadores nas bibliotecas revela, depois de uma ligeira quebra nos finais da década de noventa, uma intensificação do crescimento nos anos mais recentes, refletindo, pelo menos em parte, a transição do funcionamento da biblioteca pública de Ponta Delgada das antigas para as novas instalações, no histórico Colégio dos Jesuítas.
O arquipélago dos Açores tem um rico e diversificado património edificado, os elementos mais representativos do qual se encontram classificados e constam da lista de património edificado nos Açores.
Nos Açores, as necessidades de água para uso urbanos são as mais significativas, representando cerca de 56% das necessidades totais, seguindo-se a indústria e a agropecuária, com um peso de cerca de 20%. O turismo, a energia e os restantes usos representam ainda um valor pouco significativo, cerca de 3%. As águas subterrâneas constituem a principal origem de água, satisfazendo, mais de 97% das diferentes utilizações.
No que diz respeito ao abastecimento de água às populações, o nível de atendimento é próximo dos 100%, em termos de infra-estruturas de abastecimento.
Em termos da biodiversidade, estão identificadas 702 espécies exóticas de flora, das quais 36 com carácter invasor. Em termos de fauna, estão inventariadas 47 espécies exóticas, distinguindo-se 5 espécies invasoras, destacando-se nestas últimas o designado escaravelho japonês. No conjunto do arquipélago estão protegidas 115 espécies, verificando-se, no entanto, 215 espécies ameaçadas.

Lagoa das patas

6907 – A Lenda da Atlântida


Tal lenda tenta dar uma explicação para a existência do arquipélago. Muito antiga e de origem desconhecida, foi narrada por Platão, sendo já mencionada por este como uma história que lhe contaram.
Na antiguidade teria havido um imenso continente (a Atlântida) no meio do Oceano Atlântico, em frente às Portas de Hércules. Essas portas, segundo mitos antigos, fechavam o mar Mediterrâneo onde atualmente se localiza o Estreito de Gibraltar.
A Atlântida seria um lugar magnífico, com extraordinárias paisagens, um clima suave, grandes florestas de frondosas e gigantescas árvores, extensas planícies férteis, chegando a dar duas ou mais colheitas por ano, e animais mansos, saudáveis e fortes.
Os habitantes desta terra paradisíaca chamavam-se atlantes e eram senhores de uma invejável civilização, considerada perfeita e rica. Tinha palácios e templos cobertos a ouro e outros metais preciosos como a prata e o estanho, e abundava o marfim. Produzia todo o tipo de madeiras tidas como preciosas, tinha minas de todos os metais.
Dispunha de jardins, ginásios, estádios, boas estradas e pontes, e outras infraestruturas importantes para o bem estar dos seus cidadãos. A joalharia usada pelos atlantes seria feita com um material exótico e mais valioso que o ouro, apenas do conhecimento dos povos atlantes, que se chamava oricalco. A economia florescente proporcionava as artes, permitindo a existência de artistas, músicos e grandes sábios.
O império dos atlantes era formado por uma federação de 10 reinos que se encontravam debaixo da protecção de Poséidon. Os seus povos eram tidos como exemplares no seu comportamento, e não se deixavam corromper pelo vício ou pelo luxo mas viviam num pleno e magnifico bem estar que o seu país perfeito lhe permitia.
No entanto, não deixavam de praticar e de se ensaiar nas artes da guerra, visto que vários povos, movidos pela inveja e pela abundância dos atlantes, tentavam invadir a sua terra. Os combates de defesa foram tão bem sucedidos que surgiu o orgulho e a ambição de alargar os domínios do reino.
Assim o poderoso exército atlante preparou-se para a guerra e aos poucos foi conquistando grande parte do mundo conhecido de então, dominando vários povos e várias ilhas em seu redor, uma grande parte da Europa Atlântica e parte do Norte de África. E só não teriam conquistado mais territórios porque os gregos de Atenas teriam resistido. Os seus corações até ali puros foram endurecendo com as suas armas. Nasceu o orgulho, a vaidade, o luxo desnecessário, a corrupção e o desrespeito para com os deuses.
Poséidon convocou então um concílio dos deuses para travar os atlantes. Nele foi decidido aplicar-lhes um castigo exemplar. Como consequência das decisões divinas começaram grandes movimentos tectônicos, acompanhados de enormes tremores de terra. As terras da Atlântida tremeram violentamente, o céu escureceu como se fosse noite, apareceu o fogo que queimou florestas e campos de cultivo. O mar galgou a terra com ondas gigantes e engoliu aldeias e cidades.
Em pouco tempo Atlântida tinha desaparecido para sempre na imensidão do mar. No entanto, como fora possuidora de grandes montanhas, estas não teriam afundado completamente. Os altos cumes teriam ficado acima da superfície das águas e originado as nove ilhas dos Açores.
Alguns dos habitantes da Atlântida teriam, segundo a lenda, sobrevivido à catástrofe e fugido para vários locais do mundo, onde deixaram descendentes.

6906 – Mídia – O Mega Canal Discovery


É um conglomerado de empresas de mídia norte-americano. A empresa começou com apenas um canal em 1985, The Discovery Channel. Hoje, a DCI possui operações globais oferecendo 28 marcas de canais de enteterimento e operando mais de 100 canais em 180 países e em 39 línguas para uma população de quase 1.5 bilhão de pessoas em todo o mundo. Discovery Communications está localizada em is based in Silver Spring, Maryland. O slogan da empresa é: “The number-one nonfiction media company.”
DCI produz programação original e adquire conteudos de demais produtoras mundo afora. Essa sua programmação sem ser de ficção é ofercida em seus 28 canais, incluindo Discovery Channel, Military Channel, TLC, Animal Planet, Discovery Home & Health, Discovery Turbo, Discovery Kids e uma familia de canais digitais. A DCI também distribui a BBC America e a BBC World News as operadoras norte-americanas de cabo e de satélite.
Em 13 de Dezembro de 2007, a Discovery Holding Company anunciou um plano de restruturação. Com esse plano, Discovery Holding’s Ascent Media business seria desmembrada, e os demais proprietários, Discovery Communications, LLC and Advance/Newhouse Communications, seriam combinados para iniciar uma nova empresa. A reorganização foi completada em 17 de Setembro de 2008. A nova empresa Discovery Communications, Inc. é agora pública e possui negócios na bolsa de valores NASDAQ.

6905 – Biodiversidade – Dos animais mais ameaçados de extinção, cinco são brasileiros


Pela primeira vez, uma rede de 8000 pesquisadores ligados à União Internacional de Conservação da Natureza, compilou uma lista das 100 espécies de animais, plantas e fungos mais ameaçados de extinção no mundo.
Nesta lista constam cinco espécies de animais brasileiros:
O soldadinho-do-Araripe, ave cuja população é estimada em 779 espécimes. É encontrado apenas numa área de 28 km2, na Chapada do Araripe, no Ceará.
A Preá “Cavia intermedia”, considerada a espécie de mamífero mais rara do mundo, com uma população de cerca de 60 espécimes. Só existe nas Ilhas Moleques do Sul, arquipélago próximo a Florianópolis, em Santa Catarina.
O Muriqui-do-Norte, o maior primata das Américas, só existe na Mata Atlântica. Estima-se que existem menos de 1000 deles.
A borboleta “Actinote zikani”, espécie que habita áreas próximas à serra do mar, na Mata Atlântica.
A borboleta “Parides burchellanus”, espécie encontrada no Cerrado. População estimada de menos de 100.

6904 – Cidades Brasileiras – Juíz de Fora – MG


É um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais. Pertencente à mesorregião da Zona da Mata e microrregião de mesmo nome, localiza-se a sudeste da capital do estado, distando desta cerca de 283 km. Sua população foi contada, no ano de 2010, em 517 872 habitantes, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sendo então o quarto mais populoso de Minas Gerais e o 36º do Brasil. Ocupa uma área de 1 429,875 km², sendo que apenas 317,740 km² estão em perímetro urbano.
A cidade de Juiz de Fora foi emancipada de Barbacena na década de 1850. A versão mais conhecida de sua etimologia é que o nome seja uma referência a um juiz de fora, magistrado nomeado pela Coroa Portuguesa para atuar onde não havia juiz de direito, que hospedou-se por pouco tempo em uma fazenda da região, passando esta a ser conhecida como a Sesmaria do Juiz de Fora.
Passou a ser conhecida como “Manchester Mineira” à época em que seu pioneirismo na industrialização a fez o município mais importante do estado. Com a grande crise econômica de 1929, a economia dos municípios mineiros ligados à cafeicultura sofreu grande abalo e Juiz de Fora só conheceu novo período de desenvolvimento a partir da década de 1960. Sua área de influência estende-se por toda a Zona da Mata, uma pequena parte do Sul de Minas e também do Centro Fluminense.
O município conta ainda com uma importante tradição cultural, que vai desde o seu artesanato até o teatro, a música e o esporte. Seu principal e mais tradicional clube de futebol é o Tupi Football Club, fundado em maio de 1912. Juiz de Fora também é destaque no turismo, com seus diversos atrativos culturais, naturais e arquitetônicos. Alguns dos principais são o Museu Mariano Procópio, o Cine-Theatro Central e o Parque da Lajinha.
As origens de Juiz de Fora remontam a época do Ciclo do Ouro, portanto confundem-se com a história de Minas Gerais. Devido à dificuldade de acesso à região do atual município, o lugar permaneceu praticamente intocado até o século XIX. A Zona da Mata, então habitada apenas pelos índios puris e coroados, foi desbravada com a abertura do Caminho Novo, estrada construída em 1707 para o transporte do ouro da região de Vila Rica (Ouro Preto) até o porto do Rio de Janeiro. Diversos povoados surgiram às margens do Caminho Novo estimulados pelo movimento das tropas que ali transitavam, entre eles, o arraial de Santo Antônio do Paraibuna povoado por volta de 1713.
Na década de 1840, começa a crescer a plantação de café, devido ao aumento do consumo de café na Europa e Estados Unidos e ao esgotamento dos solos do Vale do Paraíba contrastante com as terras disponíveis na Zona da Mata.
Companhia União e Indústria
Na década de 1850 é fundada por Mariano Procópio Ferreira Lage a Companhia União e Indústria, que iniciou a construção da Estrada União e Indústria, com o intuito de reduzir o tempo de viagem entre a Corte a província de Minas Gerais, acelerando o escoamento da produção cafeeira. Em 1858, a cidade recebeu a primeira leva de imigrantes europeus: 1162 colonos alemães foram contratados para trabalhar na Companhia, entre arquitetos, engenheiros, artífices, agricultores e outros.
Urbanização e comércio urbano
O povoado iniciou o desenvolvimento de atividades urbanas na década de 1840, quando surgem investimentos no setor de construção e planos de cafeicultores para a construção da Igreja Matriz e da Santa Casa de Misericórdia.
A economia de Juiz de Fora estava decadente até que a construção na cidade da primeira unidade da Mercedes-Benz fora da Alemanha, a Mercedes-Benz Juiz de Fora, com um grande investimento de US$ 850 milhões, iniciou um processo de transformação econômica do município. Sendo uma das mais importantes do mercado automotivo mundial, a empresa acarreta uma melhoria da qualidade dos produtos e serviços de seus fornecedores, que acabam gerando uma melhoria em cadeia na cidade. Os benefícios para a cidade com a instalação da Mercedes-Benz são enormes, pois isto atrai novas indústrias, aumenta o recolhimento do ICMS, gera empregos e amplia a renda.

O município de Juiz de Fora está localizado na bacia do Médio Paraibuna, pertencente à bacia do rio Paraíba do Sul, e seu perímetro urbano é drenado por 156 sub-bacias de diversas dimensões.
O clima de Juiz de Fora é caracterizado tropical de altitude (tipo Cwa segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual de 19,25°C, tendo invernos secos e frios, com ocorrências de geadas em pontos isolados, e verões chuvosos com temperaturas moderadamente altas. O mês mais quente, fevereiro, têm temperatura média de 23°C e o mês mais frio, julho, de 17°C. outono e primavera são estações de transição.
A vegetação nativa do município pertence ao domínio florestal Atlântico (Mata Atlântica), onde destacam-se diversas espécies da fauna e flora. Em Juiz de Fora existem unidades de conservação ambiental. As principais são a Reserva Biológica Municipal do Poço D’Anta (com 277 hectares, entre os bairros São Benedito, Bom Retiro e Linhares); Reserva Biológica Municipal Santa Cândida (133 hectares, bairros Monte Castelo, São Pedro e Carlos Chagas); Parque da Lajinha (45,5 hectares, bairros Aeroporto e Teixeiras); Área de Proteção Ambiental do Krambeck (291 hectares, bairros Eldorado e Remontas) e Área de Preservação.

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Juiz de Fora é considerado elevado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Seu valor é de 0,828, sendo o nono maior de todo estado de Minas Gerais (em 853), o quadragésimo nono de toda a Região Sudeste do Brasil (em 1666 municípios) e o 145° de todo o Brasil (entre 5 507 municípios). Considerando apenas a educação o valor do índice é de 0,920, enquanto o do Brasil é 0,849. O índice da longevidade é de 0,784 (o brasileiro é 0,638) e o de renda é de 0,781 (o do Brasil é 0,723).
Na cidade existem doze hospitais gerais, sendo três públicos, três filantrópicos e seis privados. Um destes públicos é um hospital militar, o Hospital Geral de Juiz de Fora (HGeJF), vinculado ao Ministério da Defesa.
Localiza-se na cidade a Universidade Federal de Juiz de Fora, fundada em 1960. A cidade também é atendida por outras instituições de ensino superiores tais como o Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF, Faculdade Católica), Universidade Estácio de Sá, Instituto Vianna Júnior, Faculdade Doctum, Faculdade Machado Sobrinho, Universidade Presidente Antônio Carlos, Faculdade do Sudeste Mineiro (FACSUM), Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), entre outras.
A primeira instituição de ensino da cidade foi o colégio do Cônego Roussin, fundado em 1860. Entretanto, houve uma escola criada antes do estabelecimento do município, a escola do Prof. Sampaio, dirigida pelo Prof. José Anacleto Sampaio, pessoa importante na sociedade e que foi vereador municipal.

6903 – Biologia – Uma super-rã africana de 3 quilos


A rã do gênero Conraua goliath, que vive na costa ocidental da África, pesa mais de três quilos e mede, em posição normal, 40 centímetros. Com as patas traseiras esticadas, pode passar de um metro de comprimento. Não há uma boa explicação para esse exagero. Supõe-se, apenas, que a super-rã pode ter crescido, ao longo de milhões de anos, como resposta à necessidade de enfrentar seus predadores, as cobras. Segundo o zoólogo Jaime Bertoluci, da Universidade de São Paulo, a goliath é uma excelente nadadora e se alimenta de rãs menores, lagartos e pequenos roedores. Outra curiosidade: o imenso anfíbio é mudo, incapaz de coaxar como seus parentes menores.
Conraua goliath é uma espécie africana de anfíbio anuro. Pode medir até 40 cm e pesar 3 kg. É o maior anuro existente. Tem uma capacidade de salto notória, podendo saltar cerca de 3 metros de uma só vez, embora se canse rapidamente após dois ou três saltos. A sua área de distribuição é restrita, compreendendo regiões dos Camarões e Guiné Equatorial. O seu efectivo populacional tem vindo a diminuir devido a destruição do seu habitat e recolecção com vista a ser comercializada como animal de estimação.

Pagando Sapo:
É uma terapia que pode causar enjôos, vômitos e diarréia, mas que tem feito sucesso. Uma secreção venenosa da rã kambô (Phyllomedusa bicolor), usada por índios amazônicos como os katukina, os kaxinawá e os yawanawá, para melhorar a caça e combater a preguiça, está se espalhando na indústria farmacêutica e nos circuitos de medicina alternativa das capitais. E causando polêmica. “Nas cidades, o kambô tem sido receitado para combater todos os tipos de males, de tendinite a TPM, se afastando do contexto original da caça”, diz uma da Universidade Federal do Paraná, que conhece os katukina há 15 anos. Só que não há nenhuma pesquisa científica que comprove a eficácia da terapia. Por esse motivo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibiu no ano passado qualquer propaganda do kambô. Várias empresas, no entanto, têm mostrado interesse em explorá-lo. “Já existem cerca de 70 patentes sobre usos de substâncias isoladas na secreção da rã. Os índios estão preocupados com direitos intelectuais”, diz a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, da Universidade de Chicago, Estados Unidos, que faz parte de um grupo do Ministério do Meio Ambiente que discute o problema. Ninguém tem idéia de como administrar o problema, só se sabe que ele não vai se resolver tão cedo. “Conhecemos o remédio há muito tempo, mas agora o homem branco se interessou por ele.

6902 – Quando encostamos o ouvido numa concha, por que temos a impressão de ouvir o barulho do mar?


Com o seu interior semelhante a um labirinto em espiral, a concha funciona como uma caixa de ressonância, que concentra e amplifica os sons, produzindo um efeito parecido com o barulho do mar. Esse fenômeno, conhecido como reverberação, é a soma dos várias “ecos” produzidos dentro da concha. “A concha capta os sons residuais do ambiente, aqueles que não são registrados normalmente porque se propagam em todas as direções, isto é, passam direto pelo ouvido”, explica o otorrino Perboyre Sampaio, do Hospital das Clínicas, de São Paulo. Dentro da concha, as ondas sonoras repercutem, refletindo-se em cada uma das paredes, assim como a fala de alguém numa caverna. Vale ressaltar que a reverberação não surge do nada; se estivermos num compartimento fechado, em silêncio absoluto, não adiantará levar a concha ao ouvido.

Você nunca brincou de colocar uma concha no ouvido e ficar curtindo o barulho do mar, as ondas, a calmaria? Hoje seria bem mais realista colocar seu iPod no ouvido – e no volume máximo. Isso, sim, se aproxima do som que o oceano produz para boa parte das criaturas que vivem dentro dele. Um navio de carga emite, pelo estouro das bolhas que seus propulsores criam na água, ruídos de 150 a 195 decibéis. É mais do que uma britadeira (120 decibéis) ou um iPod no talo (114 decibéis). Imagine então o barulho produzido por 100 mil cargueiros que cruzam os mares durante o ano inteiro!
Qual o problema disso? É que os animais marinhos usam a audição para quase tudo – para encontrar o lugar de procriação, o parceiro sexual, a comida. E o mar virou uma linha cruzada dos diabos. Cientistas concluíram que a baleia-azul está ficando surda – escuta a distâncias até 90% menores do que antes. Já a orca está precisando gritar – produzir cantos mais longos para se fazer ouvir. Outras baleias aparecem mortas nas praias após testes militares com sonares caça-submarinos – seus 235 decibéis causam hemorragia nos ouvidos e nos olhos dos animais.
Os oceanos são 70% da superfície do planeta. Em volume, representam muito mais que isso. E sempre o vimos como uma vastidão infinita e onipotente. Mas não poderíamos estar mais enganados. Segundo a ONU, os mares estão em ruínas porque pescamos demais, produzimos lixo, gases do efeito estufa e esgoto demais e bagunçamos os ecossistemas. Pior: nem fazemos idéia do que está acontecendo lá embaixo em conseqüência disso. Ultimamente, aprendemos a pensar que o oceano está trasbordando de tanta água. Mas está acontecendo o contrário: ele está esvaziando, perdendo vida.

Um mar que não está para peixe
A pesca indiscriminada fez sumir 90% dos peixes grandes e mudou a dieta humana.
O atum-azul não é um peixe qualquer. É o peixe. Primeiro, porque ele tem sangue quente, o que lhe permite cruzar os mares do Ártico aos trópicos. Sua arrancada ao caçar ou fugir é mais potente que a de um Porsche. Um atum-azul pode pesar o mesmo que um cavalo (500 quilos) e render 10 mil cortes do sashimi mais suculento e caro do mundo. É por isso que, enquanto cardumes deles nadam pelo Mediterrâneo, superpesqueiros rondam à sua caça, com a ajuda de sonares e de aviões localizadores. O navio que chegar primeiro e fechar a rede de cerco em volta dos bichos leva o prêmio. E leva para o Japão, país que captura 25% dos atuns-azuis dos oceanos. No maior mercadão de peixes do planeta, o Tsukiji, em Tóquio, um desses peixes é leiloado por até US$ 25 mil. Os que são pescados pequenos ficam enjaulados em fazendas de engorda nas costas de países como Espanha, Itália e Turquia. Passam meses sendo alimentados com peixes gordurosos e depois são abatidos a tiros – isso mesmo, a tiros. Então seguem seu caminho rumo ao desaparecimento e às mesas dos aficionados por sushis. (Um detalhe para você se tranqüilizar um pouco: o atum que comemos no Brasil não é dessa espécie.)
A saga do atum-azul começou na década de 1990, depois que a flotilha japonesa reduziu os estoques do Pacífico a 6% da população original. Em 10 anos de pesca no Mediterrâneo, já o levamos ao risco de extinção. Como pudemos ser tão eficientes em dizimá-lo? Basicamente, lançamos mais de 1 500 navios pesqueiros high tech ao mar, sacamos dali 3 vezes mais atuns do que o limite para que a espécie se recomponha e turbinamos tudo isso com subsídios da União Européia. Empresas gigantes do setor, da Espanha, da França e do Japão, dividem um mercado que movimenta US$ 400 milhões ao ano. Na Itália, até a máfia se meteu na caça ao atum. Ela ajuda a colocar aviões localizadores clandestinos nos ares da Líbia e da Argélia em junho, quando a pesca está proibida para dar alguma chance às fêmeas em período reprodutivo.