7013 – Recife inaugura primeiro museu de oceanografia do Norte e Nordeste


A Universidade Federal de Pernambuco acaba de inaugurar o Museu de Oceanografia Professor Petrônio Alves Coelho, que abriga mais de 33 mil amostras de espécies marinhas e é o primeiro do tipo nas regiões Norte e Nordeste.
No Brasil, há apenas mais três do gênero – em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. O espaço da capital pernambucana possui uma das mais importantes coleções de crustáceos da América Latina, com 13 mil amostras.
O acervo do projeto, que recebeu financiamento de mais de 1 milhão de reais, é resultado de anos de estudos do departamento de Oceanografia da UFPE. São exemplares de espécies de plânctons, moluscos, esponjas, estrelas do mar e ouriços guardados ao longo de 60 anos e que servirão como base de pesquisa e ensino.
O espaço é aberto ao público e tem como principal foco atender instituições de ensino. A visita deve ser agendada.

7012 – Designer cria aparelho que carrega celular com calor da panela


O designer iraniano Ardavan Mirhosseini criou um sistema portátil que permite carregar o celular e outros eletrônicos com o calor de uma panela. A ideia é utilizar energia térmica (e aproveitar o calor que é desperdiçado em tarefas domésticas) para carregar dispositivos movidos a bateria.
O Ecocharge, como foi apelidado, tem uma face magnética flexível para fixá-lo a uma superfície de metal. Com módulos de gerador termoelétrico, converte o calor produzido por panelas ou aquecedores em energia elétrica – e a transmite por condução.
O aparelho tem uma tela que permite que o usuário acompanhe a recarga.

7011 – Carregador público de celular movido a energia solar


Estudantes Universidade de Belgrado, na Sérvia, pensaram numa solução: com aparência moderninha e simpáticos banquinhos à sombra, eles criaram o primeiro carregador de telefone celular público movido a energia solar do mundo. Chamado de Strawberry Tree (árvore de morango), o primeiro modelo foi instalado em Obrenovac em 2010 e, nos primeiros 40 dias, foi utilizado cerca de 10 mil vezes.
Até o projeto ser colocado em prática, foram três anos de estudos. O equipamento tem capacidade de armazenar energia suficiente para um mês de uso (o que é bom para quando o sol está escondido) e o tempo médio para carregar um aparelho varia de 10 a 15 minutos.
A equipe de pesquisadores é formada por nove estudantes dos mais variados cursos da Universidade de Belgrado, como engenharia, arquitetura, ciências e artes. No site, eles explicam que o “projeto é multidisciplinar, por isso é indispensável o uso do conhecimento e experiências das mais diversas áreas.”
Este ano, o time foi premiado na Bélgica no Sustainable Energy Europe Awards, na categoria Consumo, e se tornou a equipe mais jovem (e única representante de um país que não faz parte da União Europeia) a receber um dos principais prêmios destinados a inventores europeus.

7010 – Supercargueiros no ar


Um grande hidroavião, de estranha aparência, decolou das águas de uma baia irlandesa no dia 21 de julho de 1938. Dois aviões, na verdade, ambos quadrimotores, compunham um só. O menor, batizado como Short S.20 Mercury, estava instalado nas costas do avião-mãe, Short S.21 Maia, que percorreu um bom trecho brincando sobre as ondas, inclinado pelo peso de sua carga alada e do combustível necessário para elevar a dupla à altura de 6 000 metros O engenho completo tinha o nome de Short-Mayo Composite, uma combinação idealizada pelo major Robert Mayo, engenheiro da companhia aérea britânica Imperial Airways.
Com essa experiência tentava-se proporcionar a um hidroavião autonomia suficiente para tarefas de porte naquela época, como cruzar o Atlântico. Também se pretendia encurtar o tempo gasto nas numerosas escalas que os aviões da companhia eram obrigados a fazer quando precisavam cumprir longas rotas para chegar aos distantes pontos do então extenso Império Britânico. O objetivo principal era levar mais carga, cada vez mais longe, num mesmo aparelho. Usando o avião-mãe como propulsor na decolagem, o pequeno só começava a gastar combustível quando chegava à velocidade de cruzeiro, ganhando assim mais autonomia e potencial de carga útil.
Boa idéia na época, os aviões combinados acabaram atravessando décadas sem encontrar espaço no transporte de carga da aviação civil — ao governo britânico não pareceu grande vantagem transportar separadamente passageiros e cartas, as únicas cargas de então. Restritos a experiências no campo militar por muitos anos, as duplas voadoras ressurgem na virada deste século como um novo salto na aviação, quando os combinados poderão se tornar lançadores de ônibus espaciais ou de aviões em vôo semi-orbital, capazes de cumprir o trajeto Europa — Austrália em pouco mais de uma hora.
Para que um avião sozinho atravesse a atmosfera e continue acelerando até entrar em órbita, é preciso um motor misto de turbina, que só funciona na presença de ar, e propulsores de foguetes, movidos a hidrogênio e oxigênio líquidos.Mais simples seria, segundo a também inglesa Teledyne Brown Engineering, acelerar a primeira fase do vôo do Hotol com um Airbus 310, um Boeing 747 ou mesmo com o gigantesco soviético Antonov An-225, o maior cargueiro do mundo em atividade. Apresentado publicamente em junho de 1989, em Paris, carregando nas costas o ônibus espacial soviético Buran, o Antonov causou impacto tão grande que passou a fazer parte de projetos ocidentais. Foi a partir desse vôo que a Teledyne começou a pensar no avião soviético como lançador do Hotol.
Os soviéticos têm algumas propostas de utilizar o Antonov An-225 como avião-mãe para cargueiros com destino ao espaço. Sobre ele poderia ser colocado o Buram ou outro lançador mais simples, além de um grande tanque de combustível, o que resultaria num combinado de três etapas. Outra tripla sugestão é colocar sobre ele o Sänger inteiro (o avião-mãe e o pequeno). Por fim, o Antonov poderia carregar também o Hotol, neste caso um vôo de apenas duas etapas. Contudo, nem só para entregar encomendas no espaço serviriam os combinados voadores supersônicos.

7009 – Lombadas no meio do oceano (?)


A rigor, a expressão “ao nível do mar” não significa muita coisa, pois os oceanos estão tortos. Essa é a constatação das medidas feitas pelo satélite oceanográfico Topex-Poseidon nos últimos nove meses. Cientistas franceses e americanos descobriram, na França, para Nova York, um sobe em media 70 centímetros. De pendendo da região ao Oceano Atlântico pela qual estiver passando, a embarcação pode ficar alguns metros acima da altura inicial do porto francês.
As Causas são duas. A primeira é que o campo gravitacional do planeta e as correntes marinhas “Roubam” grandes massas de água de algumas partes do oceano e transferem pra outras, formando um desnível como o existente entre as águas que banham a Europa e a América atribuída à Corrente do Golfo. A segunda é o relevo do fundo do mar. Uma cadeia de montanhas submarina causa reflexos na superfície, enquanto as fossas abissais achatam-na.

7008 – Rádio – A Rádio Mundial do RJ


A Rádio Mundial é uma emissora de rádio brasileira da cidade do Rio de Janeiro. Opera nos 1180 kHz e pertence ao Sistema Globo de Rádio e atualmente está arrendada à Igreja Mundial do Poder de Deus.
Foi a sucessora da PRA-3 Rádio Clube do Brasil, a segunda emissora de rádio do país, fundada em 1924, passando em 1927 a operar nos 860 kHz. Em 1937 altera seu nome para Rádio Cajuti (Tijuca ao contrário) pois fora vendida ao Tijuca Tênis Clube, que transfere os estúdios para a sede do clube. O clube a vendeu ao Diário da Noite do Rio de Janeiro em 1948, que tinha interesse na concessão de canal de televisão que a emissora detinha no Rio,alterando novamente seu nome para Rádio Mundial. Comprada pelas Organizações Victor Costa em 1954, em 1959 é alugada para o radialista Alziro Zarur, fundador da Legião da Boa Vontade. Em 1966 foi vendida ao Sistema Globo de Rádio junto com o restante da OVC.
A partir de 1966 o radialista e disc jockey Big Boy assumiu a direção da emissora e a Mundial passou a ter um fase musical, competindo com a Rádio Tamoio das Emissoras Associadas, que também apresenta uma programação musical, dedicada ao público jovem. Na década de 1970 a emissora investia na black music e no rock.
Em março de 1977 Big Boy morria. A partir da década de 1980, devido ao aumento da audiência das emissoras FM, a rádio foi decaindo aos poucos e em 1991, a frequência 860 kHz se transformou na CBN Rio de Janeiro, uma rádio de notícias.
Fase 1180 kHz
O Sistema Globo de Rádio tinha frequência 1180 kHz da antiga Eldorado AM (que até a década de 1970 já havia sido ocupada pela Rádio Globo), que passou a transmitir a CBN Rio de Janeiro em 1991. A CBN passou a operar em definitivo em 860 kHz em 1996 e , nesse mesmo ano, a Mundial voltava ao ar nessa frequência tocando samba e pagode. A Mundial transmitia as corridas de cavalo do Jockey Club do Brasil.
Em 2002 a frequência foi revertida à ONG Viva Rio que se virou Viva Rio AM. Somente as corridas do Jockey Club eram transmitidas por razões contratuais. A partir de 2005 o contrato com a Viva Rio se encerrou e a Mundial voltava novamente ao ar tocando músicas sem parar.
Em de 2008, o Sistema Globo de Rádio encerrou o contrato que tinha com o Jockey Club e começou um processo de arrendamento da rádio. No dia 27 de maio de 2008 entrou no ar a nova Rádio Mundial. A emissora ganhou um ar mais jornalístico com notas intercaladas com execuções musicais.
No dia 30 de janeiro de 2009, a emissora encerrou suas atividades, passou a apenas ter execuções musicais. Em fevereiro foi arrendada a Igreja Mundial do Poder de Deus.

Programa Ritmos de Boate

No final da década de 60, O Sistema Globo passou a investir pesado na Mundial AM. A virada veio com a chegada do radialista e DJ Big Boy, que assumiu a direção geral da rádio. Big Boy implantou uma programação pop extremamente inteligente e ágil. Uma programação que não deixava de tocar bons nomes da música popular. Por isso, é impossível falar da Mundial AM e do rádio do Rio dos anos 70 sem falar de Big Boy, um dos melhores radialistas da história.
O próprio Big Boy apresentou alguns dos melhores e bem-sucedidos programas da Mundial. Neles, ele aproveitava sua experiência como DJ no Rio de Janeiro.
Nos bailes “da pesada” promovidos em diversos lugares da cidade, como o Canecão e clubes do subúrbio, Big Boy apresentava as principais novidades da música pop. Nos anos 70, ele ajudou na explosão da black music e do funk original, muito superior ao insosso funk carioca surgido nos anos 80 e 90.
Nos seus programas na Mundial, Big Boy apresentava as mesmas músicas que ele mostrava nos bailes, e ainda fazia mixagens ao vivo, no ar. Sua locução era extremamente original. Um pequeno trecho da locução de Big Boy pode ser conferido na música “Mister DJ”, da artista Fernanda Abreu.
Como a Mundial tinha ouvintes em vários estados, a programação da Mundial AM virou referência para diversas AMs e FMs de todo o Brasil. No Rio, todas as boas FMs de qualidade que surgiram, desde os anos 70 até hoje, devem ao pioneirismo da equipe da Mundial AM. Até outras rádios AM copiavam o modelo da Mundial, a começar pela Excelsior AM 780 de São Paulo, que também era do Sistema Globo.
Alguns programas desta fase da Mundial: Agente Oito Meia Zero, Ritmos de Boate, Show dos Bairros, Toca Toca Mundial, Good Night Mundial e Som dos Bailes.
A morte prematura de Big Boy, entre 1976 e 1977, foi uma das maiores tragédias da história do rádio. Até hoje, há quem diga que, se Big Boy estivesse vivo, seria hoje o diretor geral de todo o Sistema Globo de Rádio. Ou, se tivesse ido para a TV Globo, seria o gerente artístico daquela emissora, tendo poder de decisão sobre tudo o que dissesse respeito a música lá. Desde a escalação dos artistas para os programas até as trilhas sonoras. Em conseqüência, influiria também nos CDs de trilha sonora da Som Livre. A história do rádio e da TV brasileira teria sido melhor.
A partir da morte de Big Boy, a Mundial começou sua lenta agonia, também por conta do surgimento das FMs. Logo de cara, em 1977, teve que encarar a concorrência da recém-criada Cidade FM.

Curiosidades sobre o programa:
Um programa que tocava os singles mais bem cotados nos night clubs dos EUA e que ficou décadas no ar, da meia noite a 1 da manhã.
O sinal da rádio ia longe, podendo ser ouvido em muitas outras cidades vizinhas, o programa podia ser ouvido daqui de São Paulo e de outros estados.

RÁDIO CIDADE: FEZ ESCOLA EM FM
A Cidade FM do Rio de Janeiro entrou no ar exatamente às 6 horas da manhã do dia 1º de maio de 1977, inaugurando a sua programação com a música “I Go To Rio”, gravada por Peter Allen. Começava aí uma revolução no rádio FM brasileiro.
No dia 5 de março de 2006, exatamente às 23h57, a Rádio Cidade tocou a última música de sua existência, expressando exatamente o clima daquele momento: George Harrison – “All Those Years Ago”.
Certamente essas músicas jamais serão esquecidas pelas suas várias gerações de ouvintes.
Fim melancólico para uma rádio tão importante.

7007 – Projeções – Como serão as cidades do futuro?


O arquiteto e designer americano Mitchell Joachim, 36 anos é professor da Universidade Colúmbia, de Nova York, ele afirma que as cidades têm de ser feitas para pessoas, e não para carros, como ocorre hoje. Daí seus projetos conceituais e futurísticos.

Áreas públicas
Lagos artificiais e parques têm objetivos estéticos e funcionais na cidade do futuro. As grandes áreas verdes entre prédios são utilizadas também para plantio. Lagos são criados para resfriamento da cidade, tratamento de água e de dejetos. O maquinário é movido por turbinas, como uma hidrelétrica, ou por energia eólica.

Malhação social
A energia gasta por uma pessoa para ficar em forma hoje é desperdiçada. No futuro, o movimento dos exercícios carrega baterias de toda a academia, que tem também função social: é uma balsa para travessia de rios e lagos e auxilia na despoluição das águas por meio de dispositivos de tratamento. E tudo apenas suando a camisa.
Para evitar o trânsito e ainda proporcionar uma experiência turística agradável, o ideal é se locomover pelo topo dos edifícios. Misto de balão e teleférico, ônibus-dirigíveis interligam os pontos altos da cidade. Seus motores são alimentados por energia solar, já que toda a área superior dos balões é coberta por células de captação.
Derrubar e industrializar árvores para construir casas de madeira produz muito carbono. É mais fácil e ecológico plantar uma árvore e morar nela. A técnica milenar de direcionar o tronco da planta durante seu crescimento permite, com nova tecnologia, criar a estrutura. Materiais reciclados e argila compõem o resto da casa.
Arranha-sóis
Viver a um elevador de distância do trabalho polui menos. A solução é construir edifícios mistos: comerciais, residenciais e de escritórios. Os prédios são auto-suficientes, com energia solar (placas de absorção nas janelas) e eólica (hélices entre as torres). Os edifícios são interligados para facilitar a circulação de pessoas.
Os carros serão compartilhados e movidos a combustíveis não poluentes. Feitos de materiais macios, são menos perigosos em caso de acidente. Inteligentes, eles interagem com outros veículos e com a cidade – evitando tráfego e encontrando vaga para parar. Compactos, poderão ser estacionados como carrinhos de supermercado.

Mega Cidades
Se você esperava viver numa pacata vila do interior nos próximos anos, terá de mudar de planeta. O futuro das cidades é megalomaníaco. Em 2015, deverá ficar pronta a primeira cidade inteligente da Índia, a Royal Garden City, futura moradia de 500 000 empresários, trabalhadores de alta tecnologia e novos-ricos em geral. O projeto do bilionário Manoj Benjamin, um indiano criado no Canadá, está fazendo surgir do nada uma metrópole inteiramente conectada à internet, com 35 000 residências, três distritos – financeiro, industrial e de lazer –, restaurantes, shopping center e escolas. Os 9 bilhões de dólares que estão sendo investidos nessa obra faraônica deverão criar a primeira cidade inteiramente auto-sustentável do mundo. Benjamin confia tanto no sucesso do empreendimento que já tem no papel outras três cidades iguaizinhas.
Caso o bilionário indiano tenha razão, estará confirmando a tendência de um mundo cada vez mais urbano e digital. Nos últimos três séculos, a população nos grandes centros urbanos não parou de crescer. Se em 1700 menos de 10% da população mundial vivia em cidades, hoje a proporção é de 50%. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que, em 2015, o número de megacidades no mundo com mais de 10 milhões de habitantes vai aumentar das atuais 19 para 23. Nos próximos dez anos, 600 cidades terão mais de 1 milhão de habitantes, 400 delas situadas abaixo do Trópico de Câncer. Pelas estatísticas, o futuro está mais para a aglomeração caótica do filme Blade Runner (Ridley Scott, 1982) do que para o alegre cotidiano tecnológico dos Jetsons.
Para sobreviverem, as megacidades do futuro serão obrigatoriamente auto-sustentáveis, com processos eficientes de reciclagem de lixo e conservação da água. Até 2023, a energia solar para uso doméstico, comercial e industrial ficará quatro vezes mais barata do que no início deste século. E vá se acostumando com a idéia de usar o ônibus ou o metrô. Mesmo que os automóveis do futuro sejam menos poluentes e mais econômicos do que os veículos atuais – como planejam as montadoras –, as prefeituras vão dificultar cada vez mais o acesso dos carros particulares ao centro da cidade, como já ocorre em Londres. Em troca, os cidadãos poderão viajar para qualquer direção usando um transporte público limpo, seguro e pontual. Ou mesmo ir a pé, como propõe a organização não-governamental I Walk to School, que nasceu na Inglaterra, há dez anos, com a idéia de incentivar pais e filhos a irem a pé para a escola.

Viagem no Tempo
Meu avô viveu num mundo bizarro, e eu deveria agradecer a Deus por não ter que ficar horas enfiado dentro de uma lata velha todos os dias. Mas o que dizer do congestionamento da internet nos últimos anos? O governo, as agências reguladoras, os provedores, todos garantem que o problema são os hackers. Pois sim! Ninguém investe em infra-estrutura porque é muito caro, e a culpa é dos hackers. E agora vem a prefeitura falar em rodízio de internet. Antes ainda do tempo do meu avô alguém teve a idéia de fazer um rodízio de automóveis para resolver o problema do trânsito. Adiantou nada. Imagino a beleza que será se esse projeto de rodízio for aprovado agora.
Lembro-me de quando eu era criança: pensava que em 2100 todos andaríamos por aí em ônibus voadores e teríamos robôs para fazer de tudo. Três anos depois de 2100, porém, tenho que me contentar com uma rede que não funciona e com a falta d’água. Quem é que consegue manter o bom humor nessas condições, meus amigos? Quem?

Marco Aurélio dos Santos co-autor do livro Balde de Gelo

7006 – Atmosfera – O que é a Tromba D’água?


Verdadeiro tubo formado de nuvem, a tromba-d’água pode sugar a água do mar ou de um lago durante períodos de mais de meia hora.
Tromba-d”água é um redemoinho de diâmetro reduzido, ou massa de nuvem formada de ar e névoa aquosa, que rodopia sobre um lago ou oceano. Quando ocorre sobre terra firme, a tromba-d”água recebe a denominação de tromba terrestre ou tornado; quando ocorre no mar, pode chamar-se tromba marinha.
Constitui uma espécie de tubo semicônico formado em nuvem tempestuosa, dirigido para baixo e que, quando se aproxima da superfície do mar, provoca a agitação da água. Surge então na superfície uma protuberância que acaba por unir-se à coluna descendente, formando a tromba. O tubo pode atingir um comprimento considerável e o fenômeno dura, em geral, trinta minutos ou mais. O ar sopra com violência, circular ou espiralmente, em torno do tubo, até que a coluna se rompe e cai sobre o mar ou recolhe-se à nuvem.
Em geral, as trombas-d”água ocorrem nas regiões tropicais e, em condições de instabilidade de tempo, podem se tornar violentas. Nesses casos, provocam fortes ventos e podem ameaçar a navegação. No mar ou nos lagos, as trombas-d”água sempre ocorrem na estação quente.

7005 – Biologia – Os Metazoários


Os primeiros seres que surgiram na Terra eram formados por uma única célula e se assemelhavam, a julgar por vestígios fósseis, às atuais amebas. A partir deles processou-se a evolução de uma numerosa série de divisões e classes, cuja estrutura se tornou cada vez mais complexa e conduziu à vasta gama em que hoje se diferencia, desde as esponjas até os vertebrados superiores. Todos esses conjuntos, que incluem a maioria das espécies animais do planeta, constituem o sub-reino dos metazoários.
Metazoários são os animais pluricelulares, ou seja, aqueles cujo organismo é constituído por várias células. No reino animal, só os protozoários são unicelulares, uma vez que as bactérias, vírus e demais microrganismos pertencem a outra classificação. No nível mais baixo da evolução dos metazoários estão as esponjas, derivadas talvez de primitivos protozoários flagelados, que são animais unicelulares dotados de flagelos (finos filamentos de função locomotora).
Pertencentes ao filo dos poríferos ou espongiários, as esponjas não dispõem de autênticos aparelhos orgânicos e só têm duas camadas de células embrionárias, sendo pois diblásticas. São também diblásticos os celenterados (hidras, medusas, corais) e os ctenóforos (semelhantes àqueles, mas dotados de fileiras de cílios ou “pentes” locomotores), em que já aparecem aparelhos e órgãos diferenciados.
Com três camadas ou folhetos embrionários — ectoderme (externa), mesoderme (mediana) e endoderme (interna) — e portanto triblásticos, distinguem-se os asquelmintos (rotíferos, nematódeos como as lombrigas intestinais etc.), vermes cilíndricos em que já existe uma pseudocela, ausente nos subfilos anteriores. Trata-se de um espaço entre o tubo digestivo e a parede externa do corpo, mas não de um verdadeiro celoma, a cavidade principal do organismo, porque o celoma é cercado pela mesoderme e com esta a pseudocela só tem contato parcial.
Os platelmintos, vermes moles de corpo chato, freqüentemente parasitos (esquistossomos, planárias, tênias, líneos), não apresentam vestígios de celoma nem de pseudocela. Na escala evolutiva, a etapa seguinte é ocupada pelos anelídeos, vermes anelados ou segmentados, dotados de celoma, com muitos outros aperfeiçoamentos em relação aos anteriores e já com praticamente todos os grandes aparelhos orgânicos, exceto o respiratório. Segundo a abundância de suas cerdas externas — às vezes rígidas, para servirem de nadadeiras ou patas, com o nome de parápodes — os anelídeos se classificam em poliquetos (em geral marinhos, como as nereidas), oligoquetos (minhocas) e aquetos ou hirudíneos (sanguessugas).
Nos artrópodes, invertebrados celomados que têm sobre o corpo um revestimento duro de quitina, surgem autênticos apêndices locomotores, com complexas articulações entre as várias peças: a este filo, o maior do reino animal, pertencem os crustáceos, os miriápodes, os aracnídeos e os insetos. Celomados são também os moluscos, que abrangem formas, como os polvos, de sistema nervoso bem desenvolvido.
Igualmente importante, do ponto de vista da evolução, é o filo dos equinodermos (holotúrias, ofiúros, estrelas-do-mar e ouriços-do-mar), entre os quais ocorrem esqueletos externos formados por placas calcárias situadas no tegumento, com a pele às vezes espinhosa. Típico desses animais é o chamado aparelho ambulacrário, de canais e ventosas eréteis que se enchem de água para permitir que se locomovam. Além de serem celomados, os equinodermos, exclusivamente marinhos, contam com tubo digestivo, aparelho circulatório e sistema nervoso bem distintos.
No coroamento da evolução das formas animais acham-se os cordados, que se caracterizam por possuírem um tubo nervoso oco e a corda dorsal ou notocórdio, eixo esquelético constituído por células acamadas no interior de um invólucro rígido. Dessa estrutura derivaria o esqueleto externo dos vertebrados (lampreias, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos), que são o subfilo mais importante do grande filo dos cordados.

7004 – História das Motos – A Yamaha RD 350


Uma moto para pilotos experientes. Campeã de acidentes aqui no Brasil.
(acrônimo de Race Developed (desenvolvida para disputas), também conhecida no Brasil pela alcunha Viúva Negra) é uma série de motocicletas que foi produzida entre 1973 e 1993. No Brasil, sua produção começou em 1986 com o modelo RD350LC YPVS.
Em 1967 a Yamaha lançou a RD, uma 350, 2 cilindros, 2 tempos. Em 1968 é lançada a R2 350 com motor, chassi e componentes totalmente diferentes, seu motor também 2 cilindros, 2 tempos, passou a ser Twin (os pistões movimentam-se em conjunto). Em 1969 foram fabricadas as R3, com visual similar a R2, apenas com o velocímetro e tacômetro independentes (antes era um mostrador único aclopado na cuba do farol). Assim como a R2, tiveram também a opção dos canos de escapamento Scrambler (tipo trail) e versão Grand Prix. Em 1970 vieram as R5, visual totalmente remodelado e mecânica derivada das TR3 350 de competição, imediatamente obtiveram sucesso em todo mundo. Posteriormente foram lançadas as R5 350 B (1971) e R5 350 C (1972), os modelos R5 diferenciavam-se entre si apenas pelas cores:
1970 R5(A) – Metallic Purple/white
1971 R5B – Mandarin Orange/white
1972 R5C – Mandarin Orange/black
Não foram fabricados modelos R4 por motivo de o número 4 no Japão significar o número da morte e outras negatividades.
A RD 350 (Race Developed) foi lançada em 1973 nas cores “candy red” e “Racing Green”. A RD 350 inaugurou o uso do Torque Induction, a palheta de torque, um mecanismo que veda o retorno da mistura ar/combustível/óleo 2 tempos para o carburador, proporcionando melhor torque em baixas rotações e economia de combustível, um ponto crítico do Motor 2 Tempos. Também foram introduzidos os freios a disco dianteiro com pastilhas de dupla ação (dois cilindros), caixa de mudanças passou a ter com 6 marchas, o bloco do motor obteve novas tampas laterais com formato oval, Os mostradores (velocímetro e tacômetro) foram fixados em um painel onde também tinham as luzes de monitoramento dos piscas (Flash) independentes para cada direção, neutro e farol alto.
A extrema potencia do motor exigia muita atenção e habilidade na pilotagem, pois era praticamente uma motocileta de competição trafegando na rua. Foi assim que a moto ganhou o apelido de “Viúva Negra”. A RD 350 vinha com um assessório fixado por baixo da mesa inferior, que funcionava como amortecedor de direção, estranhamente muitas Rd’s eram vendidas sem este componente.
Em 1980 a Yamaha volta às 350cc, derivada das TZ 350 de competição, é lançada a RD 350 LC (Liquid Cooled), refrigeração líquida, CDI (Ignição eletrônica) e freio à disco nas duas rodas, sendo duplo na dianteira. Em 1983 recebe o sistema YPVS (Yamaha Power Valve System), Trata-se de uma válvula que abre e fecha a janela de escapamento do motor através de um motor elétrico controlado por um sistema eletrônico. Quando o motor está funcionando a menos de 5 mil RPM, a válvula se fecha e restringe a saída dos gases de escapamento, fazendo o motor produzir mais torque em baixas rotações e tornando a pilotagem mais dócil. Quando a moto ultrapassa os 5 mil RPM, a válvula se abre GRADUALMENTE, ou seja, faz com que na “subida de giro” a válvula se abre moderadamente, até que toda a potência do motor é liberada. Em 1986 a fábrica da Yamaha concentra a fabricação da RD 350 LC em Manaus e o modelo vem de fábrica com carenagem parcial ( apenas carenagem no farol seguida de semi-carenagens ) com opcional de carenagem integral. Em 1987/88, A RD 350 é fabricada apenas com carenagem integral, em 1991 recebe estilização, abandonando o farol quadrado para adotar dois faróis redondos e novo modelo de carenagem frontal. Em 1993 encerra-se a produção já denominada RD 350 R.

Em 1986 passa a ser produzida no Brasil com novo visual e carenagem semi-integral e já em 1987 uma decisão da Yamaha centraliza a produção das RD350 em nosso país, sendo exportada para o resto do mundo e descontinuada no Japão. Assim a RD350 no ano de 1988, ganha carenagem integral, discos de freios ventilados, suspensão dianteira Showa e um novo nome, RD350R, adequando-se ao exigente mercado externo.
Em 1989 foi produzida a série limitada denominada limited edition, em comemoração ao sucesso de vendas da motocicleta no exterior, principalmente na Europa. Foram fabricadas apenas 350 exemplares, os quais foram numerados por uma plaqueta de identificação. O modelo da série limitada caracterizava-se, especialmente, pela pintura cor branco perolizado e pelos gráficos exclusivos. Os gráficos eram idênticos aos do modelo comercializado na Europa alguns anos antes (1986-1988). O propulsor da série especial tinha 63 cavalos, contra 55 do modelo convencional, em razão de algumas mudanças, principalmente maior taxa de compressão – o que exigia a utilização de combustível especial na época. Especulou-se que apenas algumas destas 350 motos da série especial foram comercializadas no mercado brasileiro, pois grande parte desta produção teria sido direcionada a pessoas de notável importância da YAMAHA (diretores, dirigentes, investidores etc.), tanto do Brasil quanto do exterior, ou seja, poucas unidades foram efetivamente vendidas no país.
Em 1991 recebeu sua última remodelagem, passando a contar com carenagem totalmente fechada no estilo da CBR600 e Suzuki RGV. Ganha novos faróis duplos seguindo o mesmo padrão de estilo das FZR. Teve sua produção encerrada para o mercado brasileiro em 1993, sendo que seus últimos modelos foram vendidos até o final desse ano.
Mesmo sendo motos muito mais avançadas tecnologicamente, e muito mais potentes, tinham uma distribuição de potência e torque muito mais linear que suas antecessoras, devido ao sistema YPVS, que serve para que a moto tenha maior aproveitamento do torque e da potência, desde as rotações mais baixas, sendo assim mais linear, e não agindo como um “Turbo” como muitas pessoas pensam.
Também foi a moto pioneira no mundo no uso do quadro de berço-duplo e suspensão traseira mono-amortecida de série. Seu quadro foi o precursor dos famosos quadros DeltaBox de alumínio desenvolvidos pela Yamaha, e posteriormente utilizados pelas demais marcas. Vinha equipada com 3 freios à disco, e rodas de alumínio.

7003 – Trapalhada Policial e (Fã) Natismo- Confundiu bengala de cego com espada samurai e usou arma de choque elétrico


O inglês Colin Farmer, de 61 anos, caminhava por uma calçada em Chorley quando foi atingido por uma arma de choque de 50 mil volts. O autor do disparo foi um policial. Ele disparou contra Colin pelas costas porque confundiu a bengala branca do homem – que é cego – com uma espada samurai!
O inglês chegou a ser algemado antes que o policial percebesse que houve um equívoco. O cego foi levado a um hospital, mas recebeu alta pouco depois. “Foi como um pesadelo”, comentou.
A vítima, que pretendia apenas encontrar amigos em um pub, está agora processando a polícia local. Autoridades pediram desculpa e disseram que foi iniciada investigação.

Acredite se Quiser – Mulher emagrece 70 quilos para ficar ‘mais parecida’ com Angelina Jolie
O que pode fazer um objetivo e a auto-estima?
Ao ouvir de uma estranha que se parecia com a atriz Angelina Jolie, a americana Christina Staggs, de 26 anos, decidiu entrar de cabeça na dieta.
O objetivo era chegar o mais perto possível da beleza de Jolie.
Mãe de três filhos, Christina passou a ingerir doces em excesso depois do nascimento de seu segundo bebê – e chegou a pesar quase 140 kg. Depois do elogio, em abril de 2010, ela aderiu a um programa de emagrecimento. Em agosto de 2012, já havia eliminado cerca de 70 kg e foi do tamanho 24 americano (maior que 56 no Brasil) para o 8 (por volta de 42 no Brasil).
Christina conta que, de certa forma, atingiu seu objetivo. Agora, com 68 kg, ela diz que regularmente é parada na rua por pessoas que a confundem com a estrela de Hollywood. “Devo admitir que quando era gorda nunca vi semelhança, mas as pessoas dizem que temos a boca bem parecida”, contou a jovem.
Para ela, o desejo de emagrecer já existia, mas parecer com Angelina se tornou um objetivo. “Eu ia ao supermercado e comprava brownies, barras de chocolate tamanho família e diversas sobremesas e comia tudo no mesmo dia. Agora eu perdi todo esse peso extra e as pessoas dizem que pareço uma atriz famosa. Estou encantada e meu namorado também não está reclamando”, disse.
Christina ficou ainda mais motivada a perder peso depois que não conseguiu comprar roupas que servissem nela. “Toda vez que eu ia às compras era uma luta para encontrar peças que coubessem em mim. Quando comprei uma roupa tamanho 23 pensei que não queria mais ter que fazer isso”, contou.
“Perdi 3 kg na primeira semana e 9 kg em um mês e fiquei tão empolgada que consegui continuar. Trata-se de ensinar a si mesmo a controlar o impulso de beliscar. No programa eu podia comer o que quisesse, mas com moderação”, relatou. Christina comia três refeições de baixas calorias por dia e passou a levar seu cachorro para caminhar mais de 5 km toda noite.
Ela lembra que era tímida demais para ir a uma academia no início e, por isso, optou por se exercitar em casa. “Quando comecei a perder peso, fiquei mais confiante e comecei a nadar. Depois que perdi 38 kg me inscrevi na academia. Fazia ginástica todos os dias nos dois primeiros meses, mas agora vou apenas duas vezes por semana”, afirmou.

7002 – Como o fio elétrico conduz a energia?


A eletricidade que utilizamos em nossas casas é composta por uma onda eletromagnética que se propaga tanto por dentro quanto por fora de seu condutor. Quando ligamos um fio metálico na tomada, os elétrons deste material começam a oscilar, cada um deles transmitindo seu movimento ao vizinho. Esse vaivém forma a onda que transporta metade da energia sob a forma de uma corrente elétrica. A outra metade é transmitida pelo campo magnético criado ao redor do fio: ele acompanha a onda e se reveza com ela para conduzir a força. A energia para consumo doméstico oscila 60 vezes por segundo entre o campo magnético externo e a corrente elétrica interna. Em cabos de alta tensão essa força externa pode atingir um raio de centenas de metros e ser forte o suficiente para acender uma lâmpada fluorescente sem precisar ligá-la na tomada. Acredite: você aponta os fios de uma luminária para o cabo e ela acende sozinha. Isso acontece porque seu magnetismo ioniza – ou seja, altera a carga elétrica – as moléculas de gás que estão dentro da lâmpada. O resultado desse processo é que as moléculas emitem luz. A longo prazo, esse campo magnético externo também pode agir sobre o corpo humano e até provocar câncer. Por isso, não se deve construir casas embaixo de fios de alta tensão.

Universidade de São Paulo

7001 – Como surgiu o Dia das Bruxas?


O Dia das Bruxas (Halloween é o nome original na língua inglesa e pronuncia-se: /hæləʊˈiːn/ ; /hæloʊˈiːn/ ) é um evento tradicional e cultural, que ocorre basicamente em países de língua inglesa, mas com especial relevância nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, tendo como base e origem as celebrações dos antigos povos (não existem referências de onde surgiram tais celebrações).
O primeiro registos do termo “Halloween” é de cerca 1745. Derivou da contracção do termo escocês “Allhallow-even” (véspera de Todos os Santos) que era a noite das bruxas.
Posto que, entre o pôr-do-sol do dia 31 de outubro e 1° de novembro, ocorria a noite sagrada (hallow evening, em inglês), acredita-se que assim se deu origem ao nome actual da festa: Hallow Evening → Hallowe’en → Halloween. Rapidamente se conclui que o termo “Dia das bruxas” não é utilizado pelos povos de língua inglesa, sendo essa uma designação apenas dos povos de língua (oficial) portuguesa.
Outra hipótese é que a Igreja Católica tenha tentado eliminar a festa pagã do Samhain instituindo restrições na véspera do Dia de Todos os Santos. Este dia seria conhecido nos países de língua inglesa como All Hallows’ Eve.
Essa designação se perpetuou e a comemoração do halloween, levada até aos Estados Unidos pelos emigrantes irlandeses no século XIX, ficou assim conhecida como “dia das bruxas”, uma lenda histórica.

A origem do halloween remonta às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C., embora com marcadas diferenças em relação às atuais abóboras ou da famosa frase “Gostosuras ou travessuras”, exportada pelos Estados Unidos, que popularizaram a comemoração. Originalmente, o halloween não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro e marcava o fim do verão (samhain significa literalmente “fim do verão”).
A celebração do Halloween tem duas origens que no transcurso da História foram se misturando:

Origem Pagã
A origem pagã tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos. A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 A.C.) acabou mesclando a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo. Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades. Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada sobre ela: tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe-se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de novembro (a meio caminho entre o equinócio de verão e o solstício de inverno). Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam ao ano novo celta. A “festa dos mortos” era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para os cristãos seriam “o céu e a terra” (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. A festa era celebrada com galinhas presididos pelos sacerdotes druidas, que atuavam como “médiuns” entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.

Origem Católica
Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar “Todos os Mártires”. Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV († 615) transformou um templo romano dedicado a todos os deuses (Panteão) num templo cristão e o dedicou a “Todos os Santos”, a todos os que nos precederam na fé. A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas o Papa Gregório III († 741) mudou a data para 1º de novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse celebrada universalmente. Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e “All Hallow Een” até chegar à palavra atual “Halloween”.

Se analisarmos o modo como o Halloween é celebrado hoje, veremos que pouco tem a ver com as suas origens: só restou uma alusão aos mortos, mas com um carácter completamente distinto do que tinha ao princípio. Além disso foi sendo pouco a pouco incorporada toda uma série de elementos estranhos tanto à festa de Finados como à de Todos os Santos.
Entre os elementos acrescidos, temos por exemplo o costume dos “disfarces”, muito possivelmente nascido na França entre os séculos XIV e XV. Nessa época a Europa foi flagelada pela Peste Negra e a peste bubônica dizimou perto da metade da população do Continente, criando entre os católicos um grande temor e preocupação com a morte. Multiplicaram se as Missas na festa dos Fiéis Defuntos e nasceram muitas representações artísticas que recordavam às pessoas a sua própria mortalidade, algumas dessas representações eram conhecidas como danças da morte ou danças macabras.
Alguns fiéis, dotados de um espírito mais burlesco, costumavam adornar na véspera da festa de finados as paredes dos cemitérios com imagens do diabo puxando uma fila de pessoas para a tumba: papas, reis, damas, cavaleiros, monges, camponeses, leprosos, etc. (afinal, a morte não respeita ninguém). Também eram feitas representações cênicas, com pessoas disfarçadas de personalidades famosas e personificando inclusive a morte, à qual todos deveriam chegar.
Possivelmente, a tradição de pedir um doce, sob ameaça de fazer uma travessura (trick or treat, “doce ou travessura”), teve origem na Inglaterra, no período da perseguição protestante contra os católicos (1500-1700). Nesse período, os católicos ingleses foram privados dos seus direitos legais e não podiam exercer nenhum cargo público. Além disso, foram lhes infligidas multas, altos impostos e até mesmo a prisão. Celebrar a missa era passível da pena capital e centenas de sacerdotes foram martirizados. Produto dessa perseguição foi a tentativa de atentado contra o rei protestante Jorge I. O plano, conhecido como Gunpowder Plot (“Conspiração da pólvora”), era fazer explodir o Parlamento, matando o rei, e assim dar início a um levante dos católicos oprimidos. A trama foi descoberta em 5 de novembro de 1605, quando um católico converso chamado Guy Fawkes foi apanhado guardando pólvora na sua casa, tendo sido enforcado logo em seguida. Em pouco tempo a data converteu se numa grande festa na Inglaterra (que perdura até hoje): muitos protestantes a celebravam usando máscaras e visitando as casas dos católicos para exigir deles cerveja e pastéis, dizendo lhes: trick or treat (doce ou travessuras).
A celebração do 31 de Outubro, muito possivelmente em virtude da sua origem como festa dos druidas, vem sendo ultimamente promovida por diversos grupos neo-pagãos, e em alguns casos assume o caráter de celebração ocultista. Hollywood fornece vários filmes, entre os quais se destaca a série Halloween, na qual a violência plástica e os assassinatos acabam por criar no espectador um estado de angústia e ansiedade. Muitos desses filmes, apesar das restrições de exibição, acabam sendo vistos por crianças, gerando nelas o medo e uma idéia errônea da realidade. Porém, não existe ligação dessa festa com o mal. Na celebração atual do Halloween, podemos notar a presença de muitos elementos ligados ao folclore em torno da bruxaria. As fantasias, enfeites e outros itens comercializados por ocasião dessa festa estão repletos de bruxas, gatos pretos, vampiros, fantasmas e monstros, no entanto isso não reflete a realidade pagã.

Outra tradição diz que Surgiu entre o povo celta, que acreditavam que no último dia do verão (31 de outubro), os espíritos saiam dos cemitérios para tomar posse dos corpos dos vivos. Para assustar estes fantasmas, os celtas colocavam, nas casas, objetos assustadores como, por exemplo, caveiras, ossos decorados, abóboras enfeitadas entre outros.
Por ser uma festa pagã foi condenada na Europa durante a Idade Média, quando passou a ser chamada de Dia das Bruxas. Aqueles que comemoravam esta data eram perseguidos e condenados à fogueira pela Inquisição.
Com o objetivo de diminuir as influências pagãs na Europa Medieval, a Igreja cristianizou a festa, criando o Dia de Finados (2 de novembro).

Halloween no Brasil

No Brasil a comemoração desta data é recente. Chegou ao nosso país através da grande influência da cultura americana, principalmente vinda pela televisão. Os cursos de língua inglesa também colaboram para a propagação da festa em território nacional, pois valorização e comemoram esta data com seus alunos: uma forma de vivenciar com os estudantes a cultura norte-americana.

Críticas

Muitos brasileiros defendem que a data nada tem a ver com nossa cultura e, portanto, deveria ser deixada de lado. Argumentam que o Brasil tem um rico folclore que deveria ser mais valorizado. Para tanto, foi criado pelo governo, em 2005, o Dia do Saci (comemorado também em 31 de outubro).
A comemoração da data também recebe fortes críticas dos setores religiosos, principalmente das religiões cristãs. O argumento é que a festa de origem pagã dissemina, principalmente entre crianças e jovens, ideias e imagens que não correspondem aos princípios e valores cristãos. De acordo ainda com estes religiosos, as imagens valorizadas no Halloween são negativas e contrárias à pratica do bem.

Refrescando a Memória: Abóbora já foi nabo

Leio sobre isso aqui no Mega – http://megaarquivo.com/2010/11/01/halloween-a-abobora-ja-foi-nabo/

+ 7000 – Música – Lisa Stanfiled, a Diva Branca da Soul Music


Lisa Jane Stansfield (Heywood, Inglaterra, 11 de abril de 1966) é uma cantora britânica.
Ela esteve no Brasil em 1991, no 2° evento do Rock in Rio e já possuía uma legião de fãs. Naquele ano, fora indicada para o Grammy Award de revelação, mas acabou perdendo para a jovem Muraya Carey, então com 18 anos. Injustiça, talvez pelo fato de Lisa ser britânica.
Aos 11 anos, mudou-se com a família para a cidade de Rochdale. A música sempre esteve presente em sua vida, sua mãe sempre colocava para as três filhas discos de Diana Ross, The Supremes, Marvin Gaye e Barry White. Desde pequena, Lisa costumava cantar pela casa.
A primeira experiência com um público não familiar foi aos 14 anos, quando participou de um concurso de talentos em uma TV local. Ela ganhou na categoria cantora e se apresentou no programa. Aos 17 anos, formou a primeira banda, Blue Zone, com os colegas de escola Andy Morris e Ian Devaney. Eles compuseram algumas canções e gravaram uma demo para levar nas gravadoras da região.
Com a voz sexy e a soul music na alma, Lisa logo começou a chamar atenção e a Artista Records, que tinha comprado o selo Rockin’ Horse, decidiu contratá-la. Andy e Ian se tornaram seus instrumentistas, compositores e produtores. O disco de estréia, “Affection”, vendeu 4,5 milhões de cópias. Um dos motivos foi a música “All Around the World”, que esteve no topo das paradas em 1989 e garantiu, ainda, alguns prêmios, como o de melhor canção e de melhor artista revelação, entre eles, o Brit Award.
Em 1990, Lisa participou da gravação do disco “Down In The Depths”, de Cole Porter, com o objetivo de arrecadar fundos para a pesquisa da cura da AIDS. Em janeiro de 1991, ela esteve no Rock In Rio, conforme mencionamos, onde se apresentou para cerca de 150 mil pessoas e durante o resto do ano, dedicou-se à produção de um novo disco. “Real Love” foi lançado no final de 1991 e conseguiu colocar quatro músicas nas paradas.

Na mesma época, Lisa regravou “All Around the World” de maneira muito especial porque contou com a participação de um ídolo, Barry White, que ela ouvia desde pequena. Barry White, infelizmente veio a falecer no ano de 2002. A turnê internacional ocupou o resto do tempo de Lisa. O lançamento seguinte, em 1993, “So Natural”, também teve boa repercussão, mas só na Inglaterra. Ela ficou um bom tempo longe do estúdio, até voltar com força total em 1997, quando lançou “Lisa Stansfield”. O disco voltou a fazer sucesso mundialmente, graças às músicas “The Real Thing”, “Don’t Cry For Me”, “People Hold On” e “I’m Leavin’”.
Em 1998, ela estreou no cinema, no filme “Swing”, que conta a história de uma banda de jazz. Ela é uma das protagonistas, mas o filme não fez sucesso. A trilha sonora, porém, cantada por Lisa, chamou a atenção. No ano seguinte, estava nas prateleiras o novo disco, “Face Up”, que é puro soul.
Lisa ganhou também um rótulo de cantora romântica, já que parte de suas composições eram feitas juntamente com o marido e o músico, que sempre esteve presente na vida e carreira de Lisa, Ian Devaney. Lisa acumulou 10 milhões de discos vendidos pelo mundo em pouco mais de 10 anos de carreira.

Assista aqui no Mega 2 clips

6999 – Astronomia – Grupo “caça” Plutão para proteger a espaçonave


Em julho de 2015, a sonda americana New Horizons passará zunindo pelas proximidades de Plutão e suas luas. A trajetória coloca a espaçonave a grande proximidade do planeta anão, para maximizar a qualidade das observações científicas. Mas e se houver um erro de cálculo na posição exata do astro?
Por incrível que pareça, apesar de Plutão ter sido descoberto no longínquo ano de 1930, e ter sido alvo constante de observações desde então, essa é uma possibilidade. “Nas efemérides [plutonianas] há uma falta de confiabilidade muito grande”, explica um astrônomo do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. “Isso porque ninguém costuma corrigir os dados em função da refração [causada pela atmosfera].”
Para preencher essa lacuna, Vieira Martins e seus colegas fazem sistematicamente um esforço de monitorar Plutão e tentar executar essa correção apropriada dos dados, de forma a dar mais confiança às estimativas de posição e distância do planeta anão.
As medições são feitas nas ocasiões em que Plutão passa à frente de outra estrela mais distante. Ao acompanhar a variação de brilho e o sumiço temporário da estrela no céu, os pesquisadores conseguem dados importantes acerca da dinâmica do sistema plutoniano, que, além do planeta anão, inclui pelo menos quatro luas.
O trabalho, que até agora envolveu 151 noites de observação no Observatório Pico dos Dias, em Itajubá (MG), e mais 13 noites no telescópio de 2,2 metros do ESO (Observatório Europeu do Sul), compreendendo um período total de 17 anos, foi apresentado por Gustavo Benedetti-Rossi, também do ON, durante a 37ª Reunião Anual da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), em Águas de Lindoia (SP).
Monitorando com precisão e de forma sistemática possíveis interferências causadas pela atmosfera da Terra, ou mesmo interações entre Plutão e Caronte (a maior de suas luas), os pesquisadores brasileiros puderam “filtrar” os erros das observações, permitindo uma determinação mais precisa da posição do astro.
Além disso, os pesquisadores notaram uma possível (mas ainda não confirmada) variação periódica na posição de Plutão, que segue sem qualquer explicação. “Pode ser um efeito observacional [ou seja, algum erro que ainda não foi “filtrado” dos dados], pode ser um efeito real da dinâmica do sistema. Não sabemos”, diz Vieira Martins.
De toda forma, quanto mais consistente for o cálculo da posição de Plutão, mais segurança ele trará para a New Horizons. É fato que a Nasa ligará os sensores da nave quando ela estiver se aproximando, a fim de fazer quaisquer correções de curso de última hora.
Contudo, melhorar os dados da órbita do planeta anão ajuda a dar a certeza de que a ligação programada dos sistemas a bordo não aconteça num ponto do voo em que a correção desejada já seria inviável.

6998 – Quadrinhos e Humor – ‘Mad’ chega aos 60 anos com menos relevância, mas fiel à sátira implacável


A revista de humor que mais influenciou a cultura pop chega aos 60 anos na ativa, mas sem o mesmo peso de outros tempos.
“Mad” está mais presente na memória afetiva de gerações de fãs do que nas bancas dos Estados Unidos. Chegou a vender mais de 2,1 milhões de exemplares por edição em 1974. Nesta década, atinge quase 200 mil.
Hoje chega às lojas americanas “Totally Mad”, livro que tenta abordar, em 256 páginas, uma história iniciada por Harvey Kurtzman, editor completamente insano, e William Gaines, herdeiro da então poderosa EC Comics.
Com um gibi campeão de vendas na época, “Tales from The Crypt”, Gaines deu liberdade para Kurtzman criar um gibi com a proposta de ridicularizar tudo. Tudo mesmo.
A “Mad” número um é, oficialmente, uma publicação de outubro de 1952, mas chegou às bancas no final de agosto. Emplacou logo de cara, fazendo piada da sociedade americana no pós-guerra.
Como os quadrinhos eram sujeitos a um rigoroso código de ética, depois de alguns números o título se transformou em revista, com alguns textos no cardápio.

ALFRED E. NEUMAN

O garoto banguela de orelhas enormes que se transformou no símbolo da revista fez sua estreia em 1954. Mas a primeira capa com Alfred E. Neuman só apareceu pela primeira vez na edição 21, em março de 1955.
Muitos críticos destacam a importância de “Mad” na contracultura dos anos 1960, mas o editor à época, Al Feldstein, sempre defendeu que os hippies também eram alvo de sátiras na revista.
“Ninguém pode ser poupado. O espírito da ‘Mad’ é fazer as pessoas desconfiarem de todos. Queremos leitores que pensem por si próprios”, conta o editor, John Ficarra, à frente da equipe desde 1984.
Tal equipe, chamada na própria revista de “a habitual gangue de idiotas”, reuniu cartunistas geniais, como Don Martin, Sergio Aragones, Al Jafee e Dave Berg.
Depois da cara inconfundível de Alfred E. Neuman, transformada em figuras da cultura popular a cada nova capa, talvez a maior marca registrada da “Mad” seja a sátira de filmes e séries de TV.
Inúmeros artistas construíram essa fama, notadamente Dick DeBartolo nos textos e Mort Drucker nos desenhos. A tradição começou na edição número 6, em agosto de 1953, com “King Kong”.
O número 518, atualmente nas bancas americanas, traz o último filme da saga “Crepúsculo”. Na capa, Neuman aparece como o filho de Bella e do vampiro Edward.

TV E POLÍTICA

Mudanças no mercado cinematográfico provocaram uma guinada das sátiras da “Mad” para as séries de TV. Sempre contempladas, elas agora ganham mais espaço.
“Antes um filme ficava meses em cartaz. Tínhamos tempo de assistir a cada um e produzir as sátiras antes que sumissem dos cinemas”, explica Ficarra. “Hoje, as séries se prestam melhor a isso.”
Com a revista muito mais direcionada à sátira política em um ano de eleição americana, a ideia agora é ganhar uma nova geração de leitores com o blog “The Idiotical”

A N°1 lançada no Brasil trazia a sátira da famosa série Os Waltons (Os Chatons), que passava às tardes na Rede Globo

Mad em Português
Revista ‘Mad’ circula há 38 anos nas bancas do Brasil
A “Mad” já teve quatro editoras brasileiras desde sua primeira publicação, em 1974. O Brasil foi o décimo país a ter uma versão da revista. Até hoje, 24 países já lançaram o título.
Publicada inicialmente pela editora Vecchi, a revista trazia só material original traduzido para o português. A produção brasileira começou a ser inserida na virada dos anos 1980.
Com a falência da Vecchi, a revista ficou alguns meses sem ser publicada, até a Record assumir o título, de 1984 a 2000. Depois a “Mad” foi para a Mythos, editora em que ficou até 2006.
Desde 2008 é a Panini que publica mensalmente a revista. A editora também solta especiais que aproveitam material antigo, como Don Martin e “Spy X Spy”.
Uma geração mais nova está descobrindo o estilo de humor da revista, mas na TV. O Cartoon Network exibe em vários horários de sua grade a “Mad TV”.
Iniciada em 2009, a série é feita de programinhas de quase 15 minutos, com animações rudes, propositalmente toscas, fazendo humor com celebridades.
A estética lembra muito “South Park”, ironicamente uma das muitas produções de TV ou cinema que beberam na fonte da “Mad”.
É bom não confundir com “MadTV” (1995-2009), programa de esquetes criado pela revista, que sempre perdeu feio na comparação com o “Saturday Night Live”.

Leia mais aqui no ☻ Mega em 3230 – O Humor Mordaz de Mad

6997 – Planeta Terra – A Atmosfera


A camada gasosa que envolve o nosso planeta.
Os gases são atraídos pela gravidade do corpo e são retidos por um longo período de tempo se a gravidade for alta e a temperatura da atmosfera for baixa. Alguns planetas consistem principalmente de vários gases e portanto têm atmosferas muito profundas (um exemplo seria os planetas gasosos).
O termo atmosfera estelar é usada para designar as regiões externas de uma estrela e normalmente inclui a porção entre a fotosfera opaca e o começo do espaço sideral. Estrelas com temperaturas relativamente baixas podem formar compostos moleculares em suas atmosferas externas. A atmosfera terrestre protege os organismos vivos dos raios ultravioleta e também serve como um estoque, fazendo com que o gás oxigênio não escape.
A gravidade de superfície, a força que segura uma atmosfera, difere significativamente conforme o planeta. Por exemplo, a imensa força gravitacional de Júpiter é capaz de reter gases leves tais como o hidrogênio e o hélio, na sua atmosfera, que normalmente escapam de objetos com pouca força gravitacional. A distância entre um corpo celestial e sua estrela mais próxima determina a disponibilidade de energia ao gás atmosférico ao ponto onde o movimento térmico excede a velocidade de escape do planeta, a velocidade no qual as moléculas de gás supera a ação da força gravitacional. Assim, o distante Titã, Tritão e Plutão são capazes de reter suas atmosferas apesar da fraca força gravitacional. Exoplanetas, teoricamente, também podem reter tênues atmosferas.
A composição inicial da atmosfera de um corpo geralmente reflete a composição e a temperatura da nebulosa solar local durante a formação planetária e o subsequente escape dos gases interiores. Estas atmosferas originais sofrem uma evolução com o decorrer do tempo, sendo que a variedade dos planetas se reflete em muitas atmosferas diferentes.
Por exemplo, as atmosferas de Vênus e Marte são compostas primariamente de dióxido de carbono, com pequenas quantidades de nitrogênio, argônio e oxigênio, além de traços de outros gases.
A composição atmosférica terrestre reflete as atividades dos seres vivos. As baixas temperaturas e a alta gravidade dos planetas gasosos permitem a eles reter gases com baixas massas moleculares. Portanto, estes contêm hidrogênio e hélio e subsequentes compostos, formados pelos dois. Titã e Tritão, satélites de Saturno e Netuno, respectivamente, apresentam composições atmosféricas não desprezíveis, primariamente constituídas de nitrogênio. Plutão também apresenta uma atmosfera semelhante, mas esta se congela quanto o planeta-anão se afasta do Sol.

A atmosfera terrestre consiste, da superfície até o espaço, da troposfera, da estratosfera, mesosfera, ionosfera e exosfera. Cada uma destas camadas apresentam gradiente adiabático saturado, definindo as mudanças de temperatura conforme a altura. A nossa atmosfera também protege a vida na Terra impedindo que os nocivos raios ultravioletas do Sol cheguem diretamente ao planeta.
Do ponto de vista de um geólogo planetário, a atmosfera é um agente evolucionário essencial na morfologia de um planeta. O vento transporta poeira e outras partículas que degradam a superfície (erosão eólica). Precipitações atmosféricas, tais como a queda de gelo (neve, granizo, etc.) e chuva, que dependem da composição atmosférica, também influenciam o relevo. Mudanças climáticas podem influenciar a história geológica de um planeta. De modo oposto, o estudo da superfície de um planeta, principalmente a Terra, pode levar a um entendimento sobre a história da atmosfera e do clima no planeta.
Para um meteorologista, a composição da atmosfera determina o clima e suas variações.
Para um biólogo a composição atmosférica mantém uma íntima relação com o aparecimento da vida e de sua evolução.

6995 – Instrumentos Musicais – O Piano


O piano (apócope derivado do italiano pianoforte) é um instrumento musical de cordas, pelo sistema de classificação de Hornbostel-Sachs.
O som é produzido por peças feitas em madeira e cobertas por um material (geralmente feltro) macio e designados martelos, e sendo ativados através de um teclado, tocam nas cordas esticadas e presas numa estrutura rígida de madeira ou metal. As cordas vibram e produzem o som. Como instrumento de cordas percutidas por mecanismo ativado por um teclado, o piano é semelhante ao clavicórdio e ao cravo. Os três instrumentos diferem no entanto no mecanismo de produção de som. Num cravo as cordas são beliscadas. Num clavicórdio as cordas são batidas por martelos que permanecem em contacto com a corda. No piano o martelo afasta-se da corda imediatamente após tocá-la deixando-a vibrar livremente.
Teve a sua primeira referência publicada em 1711, no “Giornale dei Litterati d’Italia” por motivo da sua apresentação em Florença pelo seu inventor Bartolomeo Cristofori. A partir desse momento sucede-se uma série de aperfeiçoamentos até chegar ao piano atual. A essência da nova invenção, residia na possibilidade de dar diferentes intensidade aos sons e por isso recebeu o nome de “piano-forte” (que vai do pianíssimo ao fortíssimo) e mais tarde, reduzido apenas para piano. Tais possibilidades de matrizes sonoras acabaram por orientar a preferência dos compositores face ao clavicêmbalo.
Os pianos modernos, embora não se diferenciem dos mais antigos no que se refere aos tons, trazem novos formatos estéticos e de materiais que compõem o instrumento. Um piano comum tem, geralmente, oito lás, oito sis bemóis, oito sis, oito dós, sete dós sustenidos, sete rés, sete mis bemóis, sete mis, sete fás, sete fás sustenidos, sete sóis e sete sóis sustenidos, formando um total de 88 notas musicais. Se for um de 97 notas musicais, do tipo Bösendorfer 290, ele terá nove dós, oito dós sustenidos, oito rés, oito mis bemóis, oito mis, oito fás, oito fás sustenidos, oito sóis, oito sóis sustenidos, oito lás, oito sis bemóis e oito sis.
O piano é amplamente utilizado na música ocidental, no jazz, para a performance solo e para acompanhamento. É também muito popular como um auxílio para compor. Embora não seja portátil e tenha um alto preço, o piano é um instrumento versátil, uma das características que o tornou um dos instrumentos musicais mais conhecidos pelo mundo.
O piano de cauda tem a armação e as cordas colocadas horizontalmente. Necessita por isso de um grande espaço pois é bastante volumoso. É adequado para salas de concerto com tetos altos e boa acústica. Existem diversos modelos e tamanhos, entre 1,8 e 3 m de comprimento e 620 kg. Pianos excecionais : todos os fabricantes fazem piano pianos excecionais (artcase), alguns são apenas decorações ou mudanças dramáticas nos atuais (pés trabalhados, pintura, capa) são outras alterações radicais como o Pegasus] por Schimmel ou o M. Liminal projetado por NYT Line e composto por Fazioli.
O piano de armário tem a armação e as cordas colocadas verticalmente. A armação pode ser feita em metal ou madeira. Os martelos não beneficiam da força da gravidade.
Pode considerar-se um outro tipo de piano: o piano automático ou pianola. Trata-se de um piano com um dispositivo mecânico que permite premir as teclas numa seqüência marcada num rolo.
Alguns compositores contemporâneos, como John Cage, Toni Frade e Hermeto Pascoal, inovaram no som do piano ao colocarem objetos no interior da caixa de ressonância ou ao modificarem o mecanismo. A um piano assim alterado chama-se piano preparado.
A Família Real portuguesa incentivou o uso do pianoforte no Brasil.

Teclado
Praticamente todos os pianos modernos têm 88 teclas (sete oitavas mais uma terça menor, desde o lá0 (27,5 Hz) ao dó8 (4.186 Hz)). Muitos pianos mais antigos têm 85 teclas (exatamente sete oitavas, desde o lá0 (27,5 Hz) ao lá7 (3.520 Hz)). Também existem pianos com oito oitavas, da marca austríaca Bösendorfer. As teclas das notas naturais (dó, ré, mi, fá, sol, lá e si) são brancas, e as teclas dos acidentes (dó ♯, ré ♯, fá ♯, sol ♯ e lá ♯ na ordem dos sustenidos e as correspondentes ré ♭, mi ♭, sol ♭, lá ♭ e si ♭ na ordem dos bemóis) são da cor preta. Todas são feitas em madeira, sendo as pretas revestidas geralmente por ébano e as brancas de marfim, já em desuso e proíbido no mundo, ou de material plástico.
Os pianos têm geralmente dois ou três pedais, sendo sempre o da direita o que permite que as cordas vibrem livremente, dando uma sensação de prolongamento do som. Permite executar uma técnica designada legato, como se o som das notas sucessivas fosse um contínuo. Compositores como Frédéric Chopin usaram nas suas peças este pedal com bastante frequência.
O pedal esquerdo é o chamado una corda. Despoleta nos pianos de cauda um mecanismo que desvia muito ligeiramente a posição dos martelos. Isto faz com que uma nota que habitualmente é executada quando o martelo atinge em simultâneo três cordas soe mais suavemente pois o martelo atinge somente duas. O nome una corda parece assim errado, mas nos primeiros pianos, mesmo do inventor Cristofori, o desvio permitia que apenas uma corda fosse percutida. Nos pianos verticais o pedal esquerdo consegue obter um efeito semelhante ao deslocar os martelos para uma posição de descanso mais próxima das cordas.
O pedal central, chamado de sostenuto possibilita fazer vibrar livremente apenas a(s) nota(s) cujas teclas estão acionadas no momento do acionamento dos pedais. As notas atacadas posteriormente não soarão livremente, interrompendo-se assim que o pianista soltar as teclas. Isso possibilita sustentar algumas notas enquanto as mãos do pianista se encontram livres para tocar outras notas, o que é muito útil ao realizar, por exemplo, passagens em baixo contínuo. O pedal sostenuto foi o último a ser incrementado ao piano. Atualmente, quase todos os pianos de cauda possuem esse tipo de pedal, enquanto entre pianos verticais ainda há muitos que não o apresentam. Muitas peças do século XX requerem o uso desse pedal. Um exemplo é “Catalogue d’Oiseaux”, de Olivier Messiaen.
Em muitos pianos verticais, nos quais o pedal central de sostenuto foi abolido, há no lugar do pedal central um mecanismo de surdina, que serve apenas para abafar o som do instrumento.

Afinação
Não é possível num instrumento com teclado ou com trastos obter quintas, terças e oitavas todas «justas» no sentido físico do termo, ou seja, perfeitamente consonantes. Em outras palavras, se forem afinadas todas as quintas sem batimento, haverá batimentos para a oitava. E as terças não serão justas. Para chegar a oitavas perfeitas o afinador tem que encurtar uma ou mais quintas. O temperamento de uma escala é exatamente o ajuste dos intervalos entre as notas, afastando-os do seu valor natural «harmônico», para fazer com que os intervalos caibam numa oitava.
No sistema de temperamento igual, que (geralmente) é o adotado atualmente no ocidente, os intervalos de quinta, terça e quarta não são perfeitamente consonantes. Mas o seu batimento é bem suportável e o ouvido contemporâneo já se habituou a ele. Só as oitavas são perfeitas. As quartas aumentadas (ou quintas diminutas) ainda que não sejam consonantes, também tem seu valor harmônico exato.
Hoje em dia, depois de afinarem bem cada quinta, os afinadores encurtam-na ligeiramente temperando-a até que se ouça uma flutuação distinta de volume que tem um som «ondulante» – o que se chama um batimento. Na oitava central do piano, as quartas e quintas devem soar com aproximadamente um batimento (uma ondulação) por cada dois segundos, enquanto as terceiras maiores e as terceiras menores devem criar aproximadamente três batimentos por segundo.
Resumo do mestre Newton Freitas (com acréscimos): Um afinador de pianos é em parte cientista, em parte artista e em parte psicólogo. Um cientista, pois deve conhecer os fundamentos físicos da harmonia e da dinâmica de propagação das ondas. Um artista, pois deve ter o toque seguro de um excelente músico ao utilizar seus instrumentos. Um psicólogo, pois deve conhecer e deve saber definir as necessidades de seus clientes.
Mas essas são características desejáveis, pois a característica indispensável ao afinador é ter um bom ouvido: é ter a capacidade de discernir as variações mínimas dos sons produzidos em toda a extensão do teclado, desde as notas graves (a partir de 30 ciclos por segundo) até o ponto culminante das notas agudas (mais de 4.000 ciclos). Até os 25 anos de idade, a pessoa pode aprender as infinitas sutilezas dos sons.
Destinada a “colocar o piano no tom”, a afinação é um processo com o objetivo de colocar todos os elementos do piano num ponto de equilíbrio (em primeiro lugar, o tom correto; depois, a voz agradável, responsável pela sonoridade própria, variável de acordo com o lugar); é um processo extremamente complexo, pois um piano, um instrumento nada prático, tem mais de duzentas cordas e cada uma delas deve estar afinada num determinado tom.
Cada tom, por sua vez, deve relacionar-se com os tons das outras cordas, de forma a produzir, em toda a extensão do teclado, uma série de tons com intervalos regulares, desde a extremidade grave até a extremidade aguda.
Quando um afinador ajusta as notas de um piano, ele altera, com muita precisão, a tensão de cada corda girando a cravelha à qual ela se prende em uma de suas extremidades, até alcançar o tom desejado, mais agudo ou mais grave. A mão esquerda pressiona as teclas enquanto a mão direita gira as chaves de afinação.
Com um bom ouvido e mão certeira, um bom afinador não leva mais de uma hora ou hora e meia para deixar o piano afinado. Um bom afinador não é chamado de volta pelo cliente pouco depois, observa Luc, restaurador e comerciante de pianos usados em Paris (Luc só vende pianos a comprador recomendado por cliente. Tem por norma convidar o comprador para experimentar, tocar e examinar os instrumentos; depois, deixa-o decidir por si mesmo).
Os pianos com cravelhames (suporte das cravelhas) totalmente de metal mantêm a afinação por muito mais tempo (as cravelhas, inseridas nos cravelhames, retesam as cordas).

Um piano novo precisa de um período de maturação durante o qual ele não apenas se aclimata ao ambiente, como se adapta ao estilo e à freqüência de uso. As correntes de ar não fazem bem algum, mas a exposição direta ao calor é a morte, ensina Luc.
Um piano bem tocado, com freqüência, quase sempre atinge um equilíbrio perfeito e sua sonoridade ótima em poucos anos. Se for bem cuidado, continuará a responder adequadamente durante muitas décadas, até mesmo por várias gerações. Mas os pianos, de um modo geral, começam a deteriorar lentamente depois de um período inicial de amadurecimento. Há pianos vivos, para serem tocados, e há pianos para museus.
Em razão desse processo de vida, um concertista quer sempre tocar num instrumento no apogeu de sua transitória existência, devidamente sazonado e amaciado, além de mecanicamente perfeito. Essas condições só se mantêm durante uns poucos anos, na melhor das hipóteses. Na maioria das salas de concerto, os pianos são alugados. O piano alugado pode sempre ser substituído por outro em melhores condições.
O piano deve sempre ser tocado. É melhor ser mal tocado a não ser tocado. O piano assemelha-se bastante a um organismo vivo com necessidade de estímulos para o todo funcionar harmonicamente.
Quando é tocado, todas as suas partes estão sujeitas a vibrações e, ao longo do tempo, o efeito dessas vibrações no conjunto das partes é mais ou menos uniforme: as cravelhas apóiam-se de certa forma no bloco de cravelhas; os martelos respondem às teclas de maneira regular; o tampo harmônico se flexiona e vibra dentro dos limites esperados.

Uma das melhores marcas de piano do mundo atualmente é a italiana “Fazioli”. São instrumentos extraordinários, praticamente feitos à mão, com produção limitada, comenta Luc, o qual acrescenta: são os pianos mais caros do mundo; um “Fazioli” de cauda para concertos custa mais de US$ 100 mil. A produção foi iniciada em 1980 sob a condução de Paolo Fazioli, preocupado em dar sonoridade própria aos seus pianos.
Essa sonoridade própria, explica Paolo Fazioli, é viabilizada quando se busca dar equilíbrio a muitos sons, geralmente não ouvidos, de extrema suavidade e de elevada sutileza. A importância desses sons para a sonoridade do piano lembra a capacidade de grandes conhecedores de vinho de apreciar todas as sutilezas de uma grande safra: ninguém precisa saber dessas sutilezas para apreciar um vinho excelente, mas o fabricante do vinho precisa reconhecê-las a fim de aperfeiçoar sua arte.

Ouça agora o piano nota 10 de Shakatak:

6994 – História das Motos – A CB 400 da Honda


Começou a ser fabricada no Brasil em 1980, até então era apenas disponível a importada CB 400 Four, que era provida de quatro cilindros com duas valvulas em cada. Porém a CB400 mais conhecida oferece um desempenho superior quando exigido. Do contrário é uma motocicleta muito macia, estável e confiável, possuí bons sistema de freios. A estabilidade se dá pelas rodas de grande aro, que garantem um efeito giroscópico maior fazendo com que ela se equilibre melhor e “filtre” melhor as imperfeições da pista, porém exige uma maior experiência do piloto para curvas fechadas e manobras específicas.
Na época do lançamento, em junho de 1980, a produção daquele ano já estava vendida. Derivada do modelo de dois cilindros vendida na Europa e nos Estados Unidos (alguns mercados recebiam também a 400F, de quatro cilindros), era uma estradeira moderna, com certa esportividade e desempenho incomparável no mercado da época
O motor de dois cilindros paralelos a quatro tempos, com refrigeração a ar e dois carburadores de 32 mm, trazia a novidade das três válvulas por cilindro, duas para admissão e uma para escapamento. O comando de válvulas era único, acionado por corrente, e havia duas árvores de balanceamento para anular vibrações.
A potência de 40 cv a 9.500 rpm, superava as pequenas motos que o mercado oferecia na época. Com torque máximo de 3,2 m.kgf a 8.000 rpm, o desempenho atendia bem a qualquer necessidade: velocidade máxima próxima a 160 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 7 s.
Além de rápida, a CB 400 oferecia conforto, um banco largo, suspensões macias, partida elétrica (mantendo o pedal de partida, para eventual necessidade), afogador junto ao painel em vez de próximo ao carburador, baixo nível de ruídos e vibrações. Não havia nada parecido para as viagens ou mesmo um uso urbano tranqüilo, em que o torque elevado dispensava reduções freqüentes entre as seis marchas.

6993 – Mega Sampa – São Paulo tem Jeito?


Sampa: Mais de 80 mil prédios

Quem mora em São Paulo sente na pele o que é viver numa cidade cheia de problemas ambientais: ar muitas vezes irrespirável, enchentes, lixo nas ruas, congestionamento, degradação nos rios, invasão de áreas de mananciais, ausência de espaços verdes. As agressões tanto à natureza quanto aos moradores da cidade parecem não ter fim – e nem solução. Na verdade, as soluções existem. E todas começam no mesmo lugar: numa mudança na forma de encarar os problemas. Em vez de vê-los isoladamente, é preciso descobrir de que maneira eles se relacionam e, então, buscar soluções sistêmicas. Ou seja, para usar uma imagem da medicina, São Paulo precisa passar pelas mãos de um clínico geral antes que os especialistas entrem em ação.
O fantasma das enchentes, por exemplo, é resultado da sujeira nas ruas, da ocupação irregular do solo (principalmente em zonas de mananciais) e da falta de parques. A poluição do ar, por sua vez, é gerada pelos 3,5 milhões de automóveis que circulam diariamente ocupando as ruas da cidade e dando um nó no trânsito. E o rio Tietê está como está porque não param de jogar lixo e esgoto dentro dele. “São Paulo cresceu dentro da lógica da desordem”, diz uma urbanista do Instituto Pólis. Dar um fim em tudo isso é um tremendo desafio. Depende, em grande parte, de governos mais comprometidos com a saúde da cidade e de seus habitantes. Mas depende, também, e sobretudo, de uma mudança na atitude da população frente aos problemas da cidade. Afinal, se São Paulo é como um organismo, tanto a mente quanto o corpo precisam estar afinados. Ou seja: administração e moradores devem estar comprometidos com a qualidade de vida da cidade onde vivem.

Poluição das águas

Mais vergonhoso cartão-postal de São Paulo, o rio Tietê corre como um esgoto a céu aberto pelas entranhas da cidade. A causa são as mais de 1 000 toneladas de esgoto in natura e lixo despejadas dia e noite em seu leito. Algo parecido acontece no rio Pinheiros. Nas represas Billings e Guarapiranga, os principais reservatórios de água da capital, o problema são as favelas e os loteamentos irregulares dos entornos. O quadro é desalentador mas pode ser revertido. O Projeto de Despoluição do Rio Tietê, por exemplo, iniciado em 1992, prevê uma série de obras de saneamento que podem trazer alívio para os mananciais de São Paulo. Se for cumprido tudo o que está programado, em algumas décadas os paulistanos vão poder se refrescar com um banho em suas águas limpas.
Na verdade, a primeira etapa da recuperação foi finalizada em 1999. Cerca de 1,1 bilhão de dólares foram gastos para limpar o caldo denso, escuro e malcheiroso que corria no lugar da água. A rede de esgotos da cidade ganhou 1 780 quilômetros de tubos coletores, o que elevou para 80% o total da população atendida pelo serviço – antes era de 63%. Três novas estações de tratamento (Parque Novo Mundo, Barueri e ABC) foram construídas, fazendo com que 60% do esgoto seja tratado antes de voltar para o rio. Além disso, as 1 250 indústrias mais poluidoras da região metropolitana tiveram que reduzir drasticamente a sujeira jogada no Tietê. O rio Pinheiros também foi contemplado. Um emissário recém-inaugurado beneficiou dois milhões de pessoas e desviou para a Estação de Tratamento de Barueri 84 toneladas que eram lançadas diariamente em seu leito.

Enchentes

Entra ano, sai ano e todo verão é a mesma coisa: São Paulo sucumbe à fúria das águas. Há mais de 400 pontos de alagamento que transformam a cidade num verdadeiro caos. Existem quatro causas principais para o problema: o alto índice de impermeabilização do solo paulistano; a ocupação ilegal de áreas de mananciais; o acúmulo de sujeira que a população joga nas ruas; e as deficiências na coleta do lixo. O problema é tão grande e se repete há tanto tempo que até parece não ter solução. Mas tem.
Quem mora no Pacaembu sabe disso. Depois da construção de um megarreservatório subterrâneo debaixo da praça em frente ao estádio, nunca mais ninguém deixou de chegar em casa por causa da chuva. Só se ficou preso em outro lugar da cidade. Esses reservatórios, também conhecidos como “piscinões”, retêm a água da chuva e impedem que ela se acumule nas ruas, provocando alagamentos. Infelizmente, eles são muito caros. O do Pacaembu custou 15 milhões de dólares e o das Águas Espraiadas, finalizado no ano passado, outros 25 milhões de dólares. Apesar disso, mais dois piscinões já foram projetados para acabar com a dor de cabeça de quem mora nas vizinhanças dos rios Tamanduateí, na região do ABC, e Pirajussara, na fronteira com Taboão da Serra. Valor da conta: 40 milhões de reais.
E as marginais? Como livrá-las das inundações? A principal ação é aprofundar a calha do rio Tietê. Um primeiro trecho, com 16 quilômetros de extensão, já ficou pronto e o segundo deverá ficar pronto até 2005. O pacote de obras também inclui rios que deságuam no Tietê antes de ele atravessar São Paulo, como a canalização do rio Cabuçu de Cima, perto de Guarulhos, e a construção de barragens de contenção nos rios Paraitinga e Biritiba, na região de Mogi das Cruzes. Obras caras como essas talvez não fossem necessárias se os moradores fizessem a sua parte para evitar o problema das enchentes. Como? Não jogando lixo nas calçadas e ruas, construindo calçadas e garagens com placas de concreto e grama, ou usando uma mistura de concreto e pedra britada no piso dos estacionamentos privados em vez de asfalto. Isso aumentaria a drenagem natural das águas, evitando as inundações.

Poluição e trânsito

O ar de São Paulo está entre os mais poluídos do mundo. Por dia, 7 000 toneladas de impurezas são lançadas na atmosfera. O grosso dessa poluição, mais precisamente 95% do total, sai dos escapamentos de carros, ônibus e caminhões de uma frota estimada em 5,5 milhões de veículos. Combater a poluição em São Paulo significa, portanto, controlar a fumaça expelida pelos carros. “O problema deve ser atacado em três frentes”, diz um consultor ambiental da empresa Solução Ambiental. “Incorporação de tecnologia antipoluente na fabricação dos carros, restrição da circulação e melhoria no transporte público.” Um exemplo de que inovações tecnológicas podem melhorar o ar da cidade foi a obrigatoriedade do catalisador nos veículos fabricados a partir de 1997, que reduz em 70% a emissão de poluentes por um carro.
Outra medida seria a incorporação, à frota de transporte público, de ônibus com motores a diesel convertidos para gás natural – já existem cerca de 200 desses veículos em circulação – e de ônibus com motores híbridos, que funcionam com gasolina e um sistema elétrico. Os ônibus movidos a diesel, juntamente com os caminhões, são os maiores responsáveis pela emissão de material particulado, a danosa fumaça preta. Uma empresa de São Bernardo do Campo, a Eletra, fabrica esses ônibus ecológicos, que emitem 70% menos poluentes no ar, e pretende vendê-los para as empresas de transporte de São Paulo.
A segunda frente de combate seria restringir a circulação de automóveis, o que, além de reduzir a poluição, minimizaria outro sério problema do paulistano, os congestionamentos, que atingem uma média de 120 quilômetros todo fim de tarde. O rodízio de veículos, adotado há seis anos, é uma dessas ações restritivas. A cada dia, ele tira das ruas, nos horários de pico, algo como 700 000 veículos. Mas existem outras medidas a serem adotadas, como a proibição de estacionar em avenidas de fluxo intenso, como a Teodoro Sampaio. “Para inibir o uso dos automóveis, Nova York praticamente acabou com a oferta de estacionamento em vias públicas.

Áreas verdes

São Paulo é uma cidade de concreto. Na média, o município tem 4,6 metros quadrados de áreas verdes por habitante, quando o ideal, segundo a Organização das Nações Unidas, seria 12 metros quadrados, quase o triplo. Paris, por exemplo, tem 14,3 metros de verde por morador, três vezes mais que São Paulo. Além disso, o que existe de verde está mal distribuído. Enquanto bairros mais ricos têm ruas arborizadas, parques e praças ajardinadas, na periferia só se enxerga concreto. Estima-se que 2,4 milhões de pessoas vivam nesses bairros cinzas, a maioria localizados nos extremos leste e sul. Para mudar esse quadro, é preciso investir no verde.
Medidas pontuais, como o Projeto Pomar, criado há dois anos pelo governo, mostram que não é tão difícil combater o problema. Graças a ele, uma faixa de 14 quilômetros da margem esquerda do rio Pinheiros está se transformando num belo jardim. Onde se via desolação, agora se colhem flores. O mesmo pode ser feito no Tietê e em canteiros de grandes avenidas. Outra idéia, já em estudo, é a transformação de áreas degradadas e antigos aterros sanitários em parques. “Vamos priorizar os lixões que ficam em regiões carentes, que estão há mais tempo desativados e que exigirão menos investimentos”, diz a secretária municipal do Meio Ambiente, Stela Goldstein. Dos 11 aterros abandonados, a prefeitura quer recuperar, nos próximos três anos, pelo menos três na Zona Leste, com a ajuda da iniciativa privada.
Outro projeto ambicioso é o Reviverde, que pretende acrescentar 1 000 hectares de espaços verdes em São Paulo. O primeiro parque será o Vila do Rodeio, em Guaianazes, com 64 hectares – metade do Ibirapuera. Mas não é só. Até 2003, a cidade ganhará 80 praças e parques construídos com verba de um programa de canalização de córregos e recuperação de áreas adjacentes, financiado pelo BID. As dez primeiras praças, em São Mateus, Aricanduva, Vila Prudente e Penha, ficam prontas até julho de 2002. O primeiro parque, em Itaquera, será inaugurado dentro de um ano. Ao todo, serão gastos 30 milhões de reais para aumentar em quase um milhão de metros quadrados a área verde de São Paulo, cerca de 2% do que existe hoje. É um bom começo.

Lixo

Reciclagem é a melhor solução para a montanha de lixo produzida diariamente em São Paulo. Hoje, são quase 14 000 toneladas lançadas nos aterros Bandeirantes, na Zona Oeste, e no Sítio São João, em Sapopemba, na Zona Leste. O problema é que a vida útil desses aterros está se esgotando e não há mais grandes áreas que possam servir de depósito. A exemplo de Nova York, São Paulo teria que arcar com os altíssimos custos de enviar lixo para municípios vizinhos – e certamente terá de pagar muito caro para isso, além de comprar uma terrível briga com os ecologistas.
A coleta seletiva, introduzida na cidade há dez anos, mas que nunca operou para valer, é a alternativa mais barata e ecologicamente correta. Estima-se que 25% dos resíduos sólidos gerados pela população possam ser reciclados. Hoje, o município recicla apenas 24 toneladas das 105 000 produzidas por mês – ou vergonhosos 0,06% do lixo coletado. Porto Alegre, por exemplo, recicla 20% do seu lixo. O que fazer para mudar essa situação? “É preciso implantar um programa sério e descentralizado de coleta seletiva com a participação de cooperativas de catadores”, sugeriu a coordenadora do fórum Lixo e Cidadania da Cidade de São Paulo. “Desta forma, a reciclagem poderá criar 52 000 empregos e gerar uma economia anual de 76 milhões de reais para os cofres da prefeitura”, diz ela.
Mas a coleta seletiva depende também dos moradores da cidade. “As pessoas precisam mudar seus valores e rever sua postura para diminuir a produção de lixo”, diz Elizabeth. Ela lista seis atitudes básicas: dar preferência a embalagens retornáveis; recusar aquelas que são desnecessárias; aproveitar integralmente os alimentos (talos, sementes e folhas); escolher sempre produtos duráveis; usar a frente e o verso das folhas de papel; e utilizar utensílios permanentes em escritórios (copos de requeijão no lugar dos descartáveis). Adotadas por uma única pessoa, essas medidas parecem inócuas. Mas se multiplicarmos por 10 milhões de pessoas, é fácil imaginar a montanha de lixo que deixaria de ser produzida num só dia.

Ecologia humana

Acabar com o cinturão de pobreza que cerca São Paulo é o grande desafio do futuro. Nas últimas décadas, a cidade cresceu dentro de uma lógica desordenada e gerou um perverso apartheid urbano. Os mais pobres foram expulsos dos bairros de classe média localizados junto à região central e empurrados para regiões cada vez mais distantes. O resultado não demorou a aparecer: áreas de proteção de mananciais, que compreendem as nascentes, os rios e os reservatórios, ficaram à mercê do crescimento desordenado e foram ocupadas por uma série de loteamentos clandestinos, invasões, favelas, depósitos irregulares de lixo. Estima-se que algo como 2 500 bairros irregulares e 1 600 favelas tomam conta da periferia, servindo de moradia para metade da população paulistana. Como o trabalho está no centro, cria-se uma fabulosa movimentação humana, que sobrecarrega os sistemas de transporte, provoca congestionamentos e gera poluição do ar.
Uma saída seria o repovoamento da região central. Calcula-se que São Paulo tenha cerca de 420 000 casas e apartamentos desabitados por causa do alto preço dos aluguéis, boa parte no centro. “Famílias com renda entre cinco e dez salários-mínimos poderiam voltar a viver nessas regiões”, sugeriu uma urbanista. “É preciso repovoar a área consolidada.” Os benefícios seriam muitos: redução da violência na região; recuperação de prédios abandonados ou transformados em cortiços; revitalização de praças e parques; e redução do tempo gasto para ir ao trabalho, já que as pessoas estariam morando perto de seus locais de emprego. Indiretamente, os mananciais estariam sendo protegidos, pois diminuiria a pressão imobiliária sobre as áreas em seus entornos.