7931 – O Peso da Alma


Parece assunto de filosofia, espiritismo ou lenda urbana, mas o título do filme 21 Gramas, do mexicano Alejandro González Iñárritu, vem mesmo é de um experimento real, feito em 1907 por um cientista esquisitão, desses que não se encontram todo dia. Para tentar provar que a alma existe e tem peso, o médico americano Duncan MacDougall, de Massachusets, pesou seis pessoas antes e depois de morrerem e constatou que o ponteiro da balança quase sempre caía.
O instrumento de trabalho de MacDougall era como uma enorme balança de dois pratos. De um lado, ficava o paciente em estado terminal, deitado em uma cama. Do outro, o doutor colocava pesos equivalentes.
A primeira cobaia do doutor foi um homem com tuberculose, que ficou sob observação durante 3 horas e 40 minutos. Nesse tempo, ele perdeu peso aos poucos, em média 28 gramas por hora. E, de repente, o sujeito morreu. Segundo o médico, o prato da balança subiu, registrando a perda dos famosos 21 gramas. “No instante em que a vida parou, o lado oposto caiu tão rápido que foi assustador”, disse o médico ao jornal The New York Times.
Mas o peso registrado nos outros pacientes foi diferente. O segundo teria perdido 46 gramas. O terceiro, 14 gramas e, alguns minutos depois, mais 28. Com outro, o ponteiro da balança desceu e depois subiu de novo. Segundo o médico, a diferença tinha a ver com o temperamento de cada um. “Um dos homens era apático, lento no pensamento e na ação. Nesse caso, acredito que a alma ficou suspensa no corpo, depois da morte, até se dar conta de que estava livre.”
Para comprovar sua teoria, MacDougall fez o mesmo teste com 15 cachorros e nenhum deles teria perdido um grama sequer. Conclusão: homens têm alma, cachorros não. Será que existe alguma verdade nos estudos de MacDougall? “Não”, afirma o autor do livro Morte ao Pó: O que Acontece com os Cadáveres?, Kenneth V. Iserson, da Universidade do Arizona.
Iserson chama a atenção para o fato de o ar ter peso, coisa que MacDougall não levou em conta, e diz que não existe “o” momento da morte. “O processo pode se esticar por dias ou semanas.” Mesmo com todas essas contradições, MacDougall é conhecido até hoje pelo seu experimento dos 21 gramas. No dia 16 de outubro de 1920, o The New York Times anunciava sua morte com o título “Ele pesou a alma humana”.

7930 – Alerta Vermelho


Uma companhia dinamarquesa acaba de desenvolver um produto capaz de evitar milhares de mortes. E não se trata de um remédio, mas de uma planta que muda de cor para indicar a presença de minas explosivas enterradas. Segundo a Cruz Vermelha, as minas já mataram ou mutilaram mais de 1 milhão de pessoas e continuam fazendo, anualmente, de 15 mil a 20 mil vítimas.
A planta é uma versão da Arabipopsis thaliana manipulada geneticamente para perceber a presença do gás expelido pelas minas, o dióxido de nitrogênio, após algumas semanas no solo. Ao sentir o gás, o gene modificado ativa a síntese de antocianinas (pigmento das plantas), dando às folhas verdes uma coloração avermelhada. Calcula-se que ainda existam cerca de 110 milhões de artefatos prontos para estourar em países como Angola, Moçambique, Camboja, China, Croácia e Bósnia.
Mas há ressalvas. “Não foram feitos ensaios em condições reais. O gás liberado pode não ser suficiente para ativar a planta”, diz Marcelo Menossi, do Departamento de Genética da Unicamp, após elogiar a experiência.

7929 – Planeta Verde – De novo eles…


foca da groelândia

Símbolo do movimento contra a matança cruel e desenfreada de animais de animais, a foca-da-groelândia paga com a vida por sua valiosa pele. Os navios não param de chegar, mas agora a caça é controlada pelo governo canadense. Isso permetiu que a população de focas da região chegasse a 5,2 milhões, 3 vezes mais que no início dos anos 70.

Um Pouco +

texo foca

Onde é permitida a matança de focas?
No Canadá, na Rússia, na Noruega e na Groenlândia, a enorme ilha do Atlântico Norte que pertence à Dinamarca. Estima-se que 300 mil animais sejam mortos todos os anos, a maioria – 275 mil – na costa canadense. A espécie mais caçada é a foca-da-groenlândia (Pagophilus groenlandicus), muito apreciada pela indústria de casacos de pele. Entidades ambientalistas fazem ruidosa campanha contra os métodos utilizados pelos cerca de 6 mil caçadores empregados pela indústria. Os animais são mortos a marteladas e, às vezes, escalpelados vivos. Os ecologistas afirmam que, se a matança não for freada, a espécie corre risco de extinção.

Mundo Selvagem dos Homens

No duelo contra os caçadores profissionais, um terço dos filhotes se dá mal;
As focas-da-groenlândia costumam viver nas águas geladas do oceano Ártico. Quando os filhotes estão para nascer, as fêmeas saem do mar e buscam solo firme, incluindo placas de gelo ou recantos congelados na costa. Esses lugares transformam-se em grandes berçários e são o palco da matança dos bebês;
Para chegar até as colônias das focas, os caçadores usam barcos ou snowmobiles – motos próprias para rodar na neve. Indefesos, os filhotes são presas fáceis. Seus algozes se aproximam deles portando um hakapik, espécie de porrete com um martelo numa ponta e uma foice na outra, para matá-los;

A caçada rola entre abril e maio, durante a primavera do hemisfério norte. É nesses meses que nascem os filhotes, principais vítimas da matança. O pelo branco dos bebês é muito valorizado pela indústria de casacos de pele. Após um mês de vida, o pelo começa a escurecer até ficar cinza-prateado;

Às vezes, os caçadores usam rifles para abater bebês em locais pouco acessíveis – de onde podem fugir se alguém se aproxima – ou para atingir animais adultos. A regra é atirar na cabeça para não estragar a pele. Muitos não morrem depois do primeiro tiro e são atacados com o hakapik na testa;
Os caçadores investem contra os animais usando o martelo. Os bebês são espancados na cabeça até terem seu crânio esmagado. Desnorteados, tentam fugir, mas por serem lentos demais não obtêm sucesso. A legislação canadense obriga o caçador a verificar se o animal morreu antes de começar a tirar sua pele;
A retirada da pele é feita sobre o gelo ou dentro dos barcos. Os caçadores enfiam a foice da ponta do hakapik na boca do animal e fazem um corte até a cauda. Depois, descolam a pele da carne e abandonam a carcaça. Entidades ambientalistas denunciam que 40% das focas são esfoladas vivas.
Tal matança comercial de focas começou há 300 anos Até o século 18 as focas eram caçadas apenas por esquimós que viviam na Groenlândia e no norte do Canadá. Esse tipo de exploração, envolvendo apenas animais adultos, é sustentável e não coloca em risco a perpetuação das espécies. A pele das focas serve para fazer agasalhos e a carne e os ossos viram alimento para a população local.

7928 – ETs – Se eles existem, onde estão?


ETs2

Considerando que nossa galáxia existe há muito tempo e que as civilizações tecnológicas podem estar por aí, Enrico Fermi, um dos mais importantes físicos do século passado, formulou a pergunta que angustia todos esses cientistas: “Se eles existem, onde estão?” Para responder a isso, muitos pesquisadores apostam na Busca por Inteligência Extraterrestre, conhecida por SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence). Os programas SETI rastreiam o Universo em busca da emissão de sinais de rádio de origem artificial.
Para Thomas McDonough, professor do California Institute of Technology, não recebemos nenhum sinal do espaço porque o tempo de pesquisa radiotelescópica ainda é ínfimo em proporção à magnitude do trabalho. “Nós procuramos por uma freqüência desconhecida, por um sinal de direção desconhecida e potência desconhecida”, diz. Ou seja: mesmo que os extraterrestres estivessem situados nas nossas vizinhanças, ainda assim o primeiro contato poderia demorar centenas de anos para ocorrer, devido à dificuldade de localizá-los.
A primeira dificuldade da exobiologia é definir o que estamos procurando. Quem aposta na SETI, por exemplo, procura por nossos duplos espaciais, culturas que desenvolveram tecnologias de comunicação interestelar. Então a resposta seria: buscamos vida inteligente. Pois é, a dificuldade já começa aí: precisamos saber o que é vida. Embora essa possa parecer uma questão banal, os cientistas ainda não conseguiram elaborar uma definição do fenômeno biológico de aceitação universal. Apesar da falta de consenso, alguns fenômenos caracterizam um ser vivo: a realização de metabolismo, a capacidade de se reproduzir e a existência de um limite que separa o organismo do meio circundante.
Além disso, a possibilidade de sofrer mutação e evoluir são definidoras da atividade biológica. Mesmo que a definição fosse suficiente, ainda restaria um grande problema. Conhecemos apenas um tipo de arranjo biológico, o nosso. Não sabemos se somos a manifestação local de um fenômeno universal ou apenas o produto casual de algo que assume as mais variadas naturezas em outros ambientes cósmicos.
Em nosso planeta, a vida desenvolveu-se a partir de água no estado líquido e de compostos químicos baseados no carbono. Seria isso um acaso ou a base de um fenômeno universal? Será mera casualidade que a biota (conjunto de sistemas vivos) esteja fundamentada em um meio aquoso e as moléculas, no carbono? Talvez não. A astronomia e a química já determinaram que a água é uma molécula largamente distribuída no Universo e que o carbono tem uma grande capacidade de ligação com outros átomos, permitindo a formação de extensas e complexas cadeias moleculares. Por isso, a maioria dos exobiólogos acredita que o padrão biológico daqui é universal e será encontrado em outros mundos.

Sonda Cassini

Como acontece muitas vezes na ciência, as idéias geradas pelos teóricos são o material a partir do qual os pesquisadores experimentais vão a campo, em busca da sua comprovação ou rejeição. Na história da exobiologia, o conceito da SETI também precedeu a prática, embora por pouco tempo. Em 1959, os físicos Giuseppe Cocconi e Philip Morrison publicaram um artigo na prestigiosa revista Nature em que propunham a busca de comunicação interestelar. Com base na possibilidade de que existam sociedades tecnológicas em outros mundos, imaginaram que estas, um dia, acabariam por desenvolver equipamentos de rádio e tentariam a comunicação com seus “primos” da galáxia.
Um ano depois, o jovem astrônomo Frank Drake coordenou a primeira busca de sinais de rádio de origem inteligente. Drake observou duas estrelas próximas parecidas com o Sol, Tau Ceti e Epsilon Eridani, por 400 horas. Recebeu alguns pulsos regulares, mas logo ficou claro que se tratava de um avião. Foi o primeiro dos chamados “falsos alarmes”. Cinco anos depois, cientistas soviéticos sugeriram que uma singular fonte de rádio seria produto da atividade de uma supercivilização alienígena, em virtude de variações regulares de suas emissões. Descobriu-se que eram quasares, galáxias produtoras de quantidades prodigiosas de energia. Outro episódio de confusão ocorreu em 1967, quando foram descobertos os pulsares, estrelas cuja regularidade na emissão de energia é assombrosa e aparentemente artificial. Na ocasião, o astrônomo Anthony Hewish disse que “alguma mensagem de seres extraterrestres seria a mais simples explicação”.
A Nasa está desenvolvendo o telescópio espacial James Webb, o sucessor do Hubble, que deverá ser inserido em uma órbita situada a mais de 1 milhão de quilômetros da Terra.

Marte
Enquanto isso, vamos explorando nas vizinhanças. E não é que os vizinhos têm reservado supresas para os exobiologistas? Depois da conquista da Lua, nos anos 60, Marte tornou-se o local predileto para a busca de vida. Em 1976, sondas da missão Viking desceram no planeta vermelho. Os experimentos biológicos eram os mais aguardados. Amostras do solo foram testadas e os resultados só revelaram reações químicas abióticas. Ou seja, nem sinal de vida. Máquinas soviéticas visitaram a superfície do planeta em 1971 e 1988. Os resultados de suas pesquisas ficariam por muito tempo obscuros e só agora começam a ser conhecidos. Em 1997, após 21 anos de interrupção da exploração direta de Marte, os americanos pousaram a Mars Pathfinder no planeta. Reuniram algumas pedras e fizeram uma baita publicidade, mas não encontraram nada de novo.
Quando todos pensavam em desistir, Marte aprontou uma surpresa. Em 1996, o presidente americano Bill Clinton anunciou que haviam sido encontrados sinais de vida em um meteorito de origem marciana, o ALH84001. As três letras da sigla referem-se ao local onde ele foi encontrado, na região de Alan Hills, Antártida, e o número significa ter sido o primeiro encontrado no ano de 1984. Para os exobiólogos americanos, as estruturas encontradas no interior do meteorito “poderiam ser remanescentes fósseis de uma antiga biota marciana”. Teria havido vida em Marte há cerca de 3,6 bilhões de anos!
As evidências bióticas do meteorito seriam a presença de carbonatos, de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, magnetita e de nanofósseis (menores que qualquer fóssil terrestre). Mesmo que cada uma delas admita, separadamente, uma explicação inorgânica, sua reunião no interior do ALH84001 é considerada, por alguns pesquisadores, um forte indicador de origem biológica. Mas a comunidade científica encontra-se, até hoje, dividida sobre o pedregulho. Em seguida ao anúncio, laboratórios independentes chegaram a resultados diferentes: uns acham que os indícios se referem a vestígios inorgânicos, outros que a contaminação por bactéria se deu já em solo terráqueo. E o caso continua inconcluso.
A última de Marte chegou até nós pela sonda americana Mars Odissey, lançada em 2001, que comprovou a existência de vastas quantidades de água ao redor do pólo sul do planeta, 1 metro abaixo da superfície. Misturados ao solo, os depósitos marcianos reforçam as suspeitas de que ali houve um passado molhado, com água fluindo na superfície. Enfim, uma boa notícia para os exobiólogos. Atualmente, a Odissey e a Mars Global Surveyor estão em órbita, funcionando plenamente e transmitindo imagens e dados. Essas informações têm sido fundamentais para melhor compreendermos a evolução climática e a possibilidade de o planeta ter abrigado vida.
A próxima missão a ser lançada tem o objetivo de colocar em Marte mais dois robôs móveis. Com chegada prevista para janeiro de 2004, os Mars Exploration Rovers 1 e 2 poderão se deslocar até 100 metros a cada dia marciano, o que equivale a 24 horas e 37 minutos terráqueos. Independentes do módulo de aterrissagem, eles estabelecerão contato direto com a Terra. Seus cinco instrumentos serão utilizados, entre outras funções, para a detecção de sinais da água líquida que deve ter percorrido a superfície do planeta, escavando longos canais. Para 2009, a Nasa estuda o lançamento de um laboratório científico móvel, um poderoso veículo capaz de atingir áreas de difícil acesso. Ele será o predecessor da primeira missão de retorno de amostras de Marte, esta sim decisiva para a realização de um estudo detalhado e extenso do solo e de resquícios de formas de vida presentes ou já extintas.
A proximidade de vida em Marte esquenta uma outra teoria dos exobiólogos. Carl Sagan, muito antes do ALH84001, sugeriu que, “se descobríssemos vida em Marte e verificássemos que é semelhante à da Terra, a proposição de que a vida foi transferida há muito tempo pelo espaço interplanetário teria de ser levada a sério”. Esse cenário poderia nos levar a uma conclusão chocante: a de que nós somos os marcianos. A evolução na Terra poderia ter sido desencadeada pelo desembarque de rochas marcianas contendo os germes da vida. Depois de tanto tempo e tantas discussões, talvez baste uma simples olhada no espelho para descobrir um extraterrestre.

Esses aparelhos investigaram o sistema solar e agora rumam ao desconhecido
Pioneer 11
Lançada em 5/4/1973, fotografou novas luas e anéis de Saturno
Distância atual: 9 bilhões de km do Sol
Velocidade: 11,8 km/s
Destino: estrela Lambda Aquilae, na constelação de Águia
Tempo estimado: 4 milhões de anos
Voyager 2
Lançada em 20/8/1977, descobriu dez luas em Urano e duas em Netuno
Distância atual: 10,7 bilhões de km do Sol
Velocidade: 15,7 km/s
Destino: estrela Sirius, na constelação de Cão Maior
Tempo estimado: 296 mil anos
Voyager 1
Lançada em 5/9/1977, descobriu duas luas em Júpiter e três em Saturno
Distância atual: 13,4 bilhões de km do Sol
Velocidade: 17,2 km/s
Destino: estrela AC+ 79 3888, na constelação da Girafa
Tempo estimado: 40 mil anos
Pioneer 10
Lançada em 2/3/1972, passou pelo cinturão de asteróides e fez as primeiras fotos próximas de Júpiter
Distância atual: 12,6 bilhões de km do Sol
Velocidade: 12,2 km/s
Destino: estrela Aldebaran, na constelação de Touro
Tempo estimado: 2 milhões de anos

As quatro sondas enviadas ao infinito estão levando nossos cartões de visita
Ainda estamos muito distantes das façanhas de qualquer cruzador imperial de Guerra nas Estrelas, mas quatro aparelhos terrestres deverão desbravar o território misterioso que se estende além da heliopausa, a região limítrofe do sistema solar. Nossos primeiros engenhos interestelares são as Pioneer 10 e 11 e as Voyager 1 e 2
Lançadas em 1972 e 1973, as sondas Pioneer 10 e 11 realizaram pela primeira vez o exame direto dos gigantes gasosos Júpiter e Saturno. As Voyager, de 1977, estudaram ainda Urano e Netuno. As Pioneer portam um cartão de visita para inteligências extraterrestres. É uma placa metálica com informações como a distância ao sistema solar de 14 estrelas, um desenho esquemático dos planetas e do Sol e uma representação do hidrogênio. As Voyager carregam um dispositivo muito mais bacana: um LP e uma agulha para tocar o disco (veja à direita). Para que os ETs conheçam as mensagens, as sondas devem ser capturadas no espaço: elas não resistiriam à entrada num planeta.

Manual de instruções
Cada Voyager leva um LP de cobre para os ETs. Na capa, reproduzida abaixo, o segredo para tocá-lo
O LP e a agulha vistos de cima e de lado mostram que o disco deve ser tocado de fora para dentro. Os tracinhos em volta são um código binário indicando o tempo de uma rotação (3,6 segundos). São 27 músicas (tem Johnny B. Goode, de Chuck Berry), a saudação “Paz e felicidade a todos” em 55 línguas (sim, em português também) e 21 sons da Terra (como chuva, tratores e um beijo)
Os três primeiros desenhos indicam como as fotografias devem ser “construídas” a partir dos sinais gravados no LP
Se a mensagem for decifrada corretamente, a primeira imagem que o disco vai revelar é esta: um círculo. Em seguida, aparecerão 115 fotos que mostram como somos e vivemos. Uma das cenas que os ETs verão, chamada “Lambendo, comendo e bebendo”, é esta aqui embaixo:
Representação do átomo de hidrogênio em dois estados. A transição de um estado para o outro fornece a unidade de tempo certa para se tocar o LP.

7927 – Astronáutica – Nasa revela imagens de local onde sondas se chocaram na Lua


Muitas espaçonaves vagam eternamente em silêncio no espaço após cumprirem suas missões. Mas não as sondas gêmeas Grail que, em 17 de dezembro de 2012, foram intencionalmente direcionadas para chocarem-se contra uma montanha próxima ao polo norte lunar.
Agora os cientistas da Nasa conseguiram obter imagens do impacto através de uma sonda chamada LRO que está orbitando a Lua e realizando mapas de alta resolução da superfície do satélite.
A bem sucedida missão de exploração do interior da Lua teve como último ato o seu choque na superfície lunar. Com a nuvem de poeira e gás levantadas pelo impacto, os pesquisadores da Nasa esperam descobrir mais sobre a composição da Lua.
O local da queda estava com sombras no momento do impacto e a LRO teve que esperar até as partículas estarem numa altura suficiente para realizar as observações.
A câmera da LRO conseguiu então fazer uma imagem das crateras resultantes da queda da Grail apesar do seu pequeno tamanho.
As duas sondas eram relativamente pequenas. Dois cubos do tamanho aproximado de uma máquina de lavar e massa de cerca de 200 kg. Elas viajavam a cerca de 6.100 km/h quando se chocarem com a superfície lunar.
“Ambas as crateras são relativamente pequenas, em torno de 4 a 6 metros de diâmetro a ambas são marcas fracas e escuras no solo, o que é inusual. “Crateras na lua são tipicamente brilhantes, mas estas podem ser escuras devido ao material das sondas ter se misturado com o material ejetado”, disse Mark Robinson, membro do projeto, e pesquisador da Universidade do Estado do Arizona.

7926 – Ultra-som para ver o fundo do mar


Criaturas marinhas tão pequenas quanto o krill serão pesquisadas agora com a mesma tecnologia usadas para examinar bebês humanos na barriga da mãe: a ultra-sonografia. Até agora, esse animais foram poucos estudados, pois seu tamanho – de meio milímetro a 3 centímetros de comprimento – os torna invisíveis a sonares comuns.
Desenvolvida pela Instituição Scripps de Oceanografia, na Califórnia, Estados Unidos, a Técnica foi batizada de “Fish Tv”.
Um grupo de transmissores e receptores de ondas sonoras conectado a computadores é mergulhado no mar. Os Transmissores, então, emitem ondas de ultra-som que refletem nos animais. Os ecos dessas ondas dão a localização horizontal dos minúsculos seres e, calculando-se o tempo que o eco leva para chegar aos receptores, obtém-se a profundidade. O computador combina as informações e fornece um mapa tridimensional, mostrando onde estão os animais. A tecnologia já esta testada em laboratórios será usada para estudar o Krill, um camarão de 1 milímetro e outros bichos igualmente minúsculos e importantes na cadeia alimentar nas águas do Oceano Pacifico.

7925 – Tiro Certeiro contra a gripe


Resistente, o vírus da gripe é um vilão de mil faces. Muda constantemente a sua superfície: assim, engana o sistema imunológico e frustra tentativas de vacina. Agora, sua impunidade chegará ao fim. Duas drogas recém-descobertas podem alvejar e inutilizar uma proteína fundamental para a vitória do bandido. Trata-se da sialidase (também conhecida por neuraminidase ), que participa na multiplicação do vírus e na colonização do canal respiratório.
Os novos remédios foram criados com o auxilio de computação gráfica, pela equipe do Dr. Mark von Itzstein, da Universidade Monash, na Austrália. Eles se ligam a uma parte da molécula sialidase e, quando isso ocorre, bloqueiam sua ação. A grande vantagem desses medicamentos bloqueadores em relação a outros é que a porção atinge da molécula de proteína existe nos dois principais tipos de vírus da gripe – influenza A e B. As drogas australianas ainda precisam ser testadas em seres humanos, mas reduziram os sintomas da doença e a multiplicação dos germes em ratos infectados.

7924 – Vacina contra o câncer de pele


Os médicos do Hospital Saint George, em Londres, na Inglaterra, devem testar pela primeira vez em seres humanos uma vacina contra o melanoma, um terrível câncer da pele. A nova arma faz parte do arsenal genético desenvolvido nos últimos anos. Aplicada diretamente na região doente, a vacina tem como meta injetar no núcleo das células cancerosas o gene de uma proteína, chamada MHC Classe 1. Segundo os médicos, o câncer não costuma chamar a atenção do sistema imunológico porque um tumor não contém proteínas estranhas – os alvos daquele sistema. Mas a MHC Classe 1 pode funcionar como um alarme. Ela passaria a ser produzida pelas células vacinadas com o gene, e recrutaria as defesas do corpo para atacar a região. Os especialistas não acreditam que a vacina vai eliminar a cirurgia de extração do tumor, já que a velocidade de contra-ataque do sistema imunológico pode ser menor que a do crescimento do câncer. De qualquer forma, pode aumentar as chances do paciente, reduzindo o tamanho do tumor antes da operação. Uma excelente estratégia de luta.

7923 – Arqueologia – Tesouro à beira-mar


O Centro Nacional de Pesquisa Científica da França acaba de divulgar as primeiras fotos da cripta de Constanta, na Romênia, um dos mais bem-conservados acervos funerários de origem romana da região do Mar Negro. A tumba foi encontrada pelos arqueólogos romenos Constanti Chera e Mihail Bucovala em 1989, o conturbado ano da queda do ditador Nicolae Ceausescu, e está sendo considerada uma prova contundente de que a presença romana naquele país foi mais intensa e duradoura do que se imaginava.

Datada do século IV d.C., ela faz parte de uma necrópole destruída nas últimas décadas por obras de construção civil. Para os técnicos, só um milagre pode explicar que ela e seu tesouro – um grande mural, em perfeito estado, retratando a cena de um banquete rural – tenham escapado ao mesmo destino. O problema agora é que, desde que foram desenterradas, as preciosas pinturas ficaram expostas à ação corrosiva do ambiente. E é pouco provável que combalido governo romeno possa preserva-las se não tiver ajuda internacional.

7922 – Tuberculose – Uma velha nova ameaça


Péssima notícia da Organização Mundial de Saúde: a tuberculose, que já foi considerada erradicada, está matando 500 000 africanos por ano. E matará 30 milhões de pessoas em todo o mundo na próxima década.

O nome tuberculose está associado a uma doença do passado, que, entre o final do século XIX e meados do XX, dizimou grandes poetas românticos como Castro Alves e Álvares de Azevedo, no Brasil, e John Keats e Lord Byron, na Europa. Ela é vista como um mal debelado que, em determinado momento da história, obrigou centenas de pessoas a se exilar por anos em sanatórios ou em cidades de bom clima, para se tratar.
Mas, ao contrário do que possa parecer, a tuberculose não ficou para trás. Muito ao contrário. Hoje perdeu seu romantismo e deixou de ser cantada em versos por literatos tísicos. Só que ainda continua fazendo milhões de vítimas. Todos os anos cerca de 6,8 milhões de pessoas adoecem no mundo e 3 milhões morrem de tuberculose. É a doença infecciosa que mais mata, passando uma rasteira na Aids – que faz 2,6 milhões de vítimas – e na malária – que mata 1 milhão por ano –, que a acompanham bem de perto.
O Brasil é o 15º colocado no ranking, encabeçado por China e Índia, dos 22 países que respondem por 80% dos casos de tuberculose do mundo. Estima-se que surjam por aqui 116 000 casos por ano, dos quais apenas 79 000 são notificados ao Ministério da Saúde. “O número tem permanecido estável nos últimos 15 anos”, diz a pneumologista e pesquisadora clínica Margareth Dalcomo, do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, no Rio de Janeiro. Enquanto a situação no Brasil estacionou – embora isso tenha acontecido num patamar perigosamente alto –, o problema no resto do mundo é assustador. Segundo as projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2020 haverá cerca de 1 bilhão de novos infectados. Desses, 200 milhões vão adoecer. E 35 milhões – a população de um país como a Argentina – vão morrer.
Boa parte desse novo fôlego que a tuberculose ganhou foi culpa da epidemia de Aids que despontou nas últimas décadas. Apesar de um terço da população mundial carregar a bactéria causadora da tuberculose, apenas 20% desenvolve o mal. São principalmente aquelas pessoas que têm o sistema de defesa do organismo abalado, caso de boa parte dos portadores do vírus da Aids. Além dessas, são vítimas em potencial também os diabéticos, quem fez transplantes de órgãos e pessoas que vivem em condição de extrema pobreza ou subnutrição.
A transmissão da doença é a mais banal possível, por via aérea. Basta o doente tossir, bocejar, espirrar ou mesmo cantar para que o ar ao seu redor se encha da bactéria que causa a tuberculose, o Mycobacterium tuberculosis. Pior, o micróbio consegue viver até 24 horas suspenso no ar antes de entrar no pulmão de alguém. “Por isso a doença é predominantemente urbana, surge quando há aglomerados de gente”, diz a pneumologista Margareth Dalcomo. A regra vale para países pobres, onde se concentra a grande maioria dos casos, mas também para os mais desenvolvidos.
Em 1992, uma enorme epidemia atacou a ilha de Manhattan, em Nova York, Estados Unidos. Em meados do ano passado, foi a vez de um subúrbio londrino, Newham, que apresentou uma média de 108 casos por 100 000 habitantes, bem mais alta que na Índia (41 por 100 000 habitantes). As vítimas londrinas eram, e continuam sendo, os sem-teto, os usuários de drogas e, principalmente, refugiados africanos e indianos. Acredita-se que esses últimos tenham trazido a epidemia para o bairro. Sinal da globalização, em que até mesmo bactérias e vírus trocam de país e de continente em poucos dias.
Mais preocupante do que a situação do bairro londrino é a dos presídios russos. Lá, cerca de 100 000 prisioneiros, 10% de toda a população carcerária do país, desenvolveram a tuberculose. “As prisões são uma incubadora muito eficiente para infecções por causa da superpopulação, da pouca ventilação, da nutrição deficiente e do estresse”, afirma o infectologista Michael Kimerling, da Universidade de Alabama, Estados Unidos, que preparou para a Organização Mundial de Saúde (OMS) um manual sobre o controle da doença em presídios.
O surto naquela comunidade é tão grande que os membros dos Médicos sem Fronteiras, uma organização mundial sem fins lucrativos, contaram até com a ajuda da máfia que comanda os presídios russos para combater a doença. “Até o mais perigoso presidiário vê o combate à tuberculose como um benefício para as próprias famílias que estão fora do presídio. A doença é transmitida pelo ar e não há parede alta ou grossa o suficiente para manter a bactéria distante do resto da população”, diz Kimerling.
A estratégia usada para combater a tuberculose nos presídios russos é o chamado DOT (sigla em inglês para Terapia Diretamente Observada). Segundo a OMS, hoje 43% da população carcerária na Rússia tem acesso ao DOT. “Os esforços são para que pelo menos três quartos dos pacientes se beneficiem do programa”, diz o infectologista Peter Small, do Centro Médico da Universidade de Stanford, Estados Unidos. O DOT consiste basicamente em dar os medicamentos para o doente e vigiá-lo para ter certeza de que ele vai tomar do jeito certo. Isso pode ser feito por agentes que visitam o paciente todos os dias ou exigindo que ele vá até um hospital para receber, e tomar, os remédios.
A preocupação em vigiar os doentes é para evitar que abandonem o tratamento, hoje feito basicamente com três drogas – a pirazinamida, a isoniazida e a rifampicina – que brecam o desenvolvimento da Mycobacterium tuberculosis. Parece bobagem, mas a má administração dos remédios é uma das grandes causas da expansão das doenças. “O tratamento deve ser feito durante seis meses, sem interrupção, para garantir que a doença seja totalmente curada”, diz o pneumologista Carlos Carvalho, supervisor do serviço de pneumologia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Nem todos chegam ao fim porque os sintomas da tuberculose desaparecem logo nas primeiras semanas e a pessoa acha que já ficou boa, apesar de grande parte das bactérias ainda estar viva dentro do organismo. Os efeitos colaterais dos remédios também não motivam muito o paciente a seguir o tratamento à risca. As drogas podem provocar o aparecimento de hepatite, gota e inflamação nas juntas.
É um tratamento incômodo: de acordo com o peso da pessoa, algumas das drogas são tomadas mais de uma vez por dia. Uma pessoa de 50 quilos tem que engolir duas cápsulas, três comprimidos e mais uma vitamina para ajudar o organismo a enfrentar o coquetel. Para um paciente de 70 quilos, o número sobe para oito medicamentos.
Quando o paciente interrompe essa terapia antes da hora não está apenas prejudicando sua saúde, mas dando a oportunidade às bactérias de desenvolver resistência aos medicamentos. “No início do tratamento, as drogas matam somente as bactérias mais sensíveis”, diz o pneumologista Carlos Carvalho. Os micróbios mais resistentes sobrevivem e reiniciam a doença. Só que, dessa vez, podem estar imunes a uma ou mais drogas. “Entre 1% e 3% dos casos de tuberculose no mundo são resistentes às três drogas”, explica o infectologista Marcos Espinal, da OMS, na Suíça. Apesar de a porcentagem parecer baixa, o número de casos de bactérias resistentes é grande: algo entre 68 000 e 204 000. E está aumentando em alguns países da Europa Ocidental. Nas próprias prisões russas já chega a 20% o número de pacientes infectados que não respondem ao tratamento convencional.
Além de novos medicamentos, é preciso ter gente que entenda da doença para tratá-la melhor. Formar esse pessoal é um dos objetivos da Rede TB (sigla usada mundialmente para se referir à tuberculose), criada no final de 2001 por grupos de pesquisadores de várias universidades brasileiras.

Até 2020, a tuberculose vai infectar 200 milhões e matar 35 milhões de pessoas
O abandono do tratamento é uma das grande causas da expansão da doença

Os campeões da bactéria
Número de pessoas infectadas por ano
PAÍS
1. Índia – 1,856 milhão
2. China – 1,365 milhão
3. Indonésia – 595 000
4. Nigéria – 347 000
5. Bangladesh – 332 000
6. Etiópia – 249 500
7. Filipinas – 249 400
15. Brasil – 116 000

Fonte: Estimativa da Organização Mundial de Saúde em 2000

7921 – Medicina – Cientistas revertem sintomas do autismo em animais


Com o uso de um medicamento que já existe, cientistas conseguiram reverter comportamentos associados ao autismo em camundongos com a síndrome. Em um estudo desenvolvido na Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, esses pesquisadores concluíram que o autismo decorre de um problema na comunicação entre as células, o que acaba interferindo de forma negativa no desenvolvimento e na função cerebral. E, de acordo com eles, uma determinada classe de drogas é capaz de restaurar essa comunicação celular e, assim, normalizar o comportamento de pacientes com autismo. A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira no periódico PLoS One.
A teoria — Há alguns anos, o professor de medicina da Universidade da Califórnia Robert Naviaux sugeriu que as mitocôndrias, estruturas das células responsáveis por fornecer energia, desempenham um papel importante no desenvolvimento do autismo. De acordo com Naviaux, quando uma célula está doente ou danificada — seja porque está diante de um vírus, inflamação ou substância tóxica, por exemplo — a mitocôndria sinaliza a presença do ‘perigo’ para as células vizinhas. E, a partir desse sinal, as outras células acionam o sistema imunológico e passam a se defender.
Embora a defesa das células as proteja contra uma infecção, também pode prejudicar temporariamente a comunicação entre elas. Porém, quando a infecção é resolvida, esses sinais deixam de ser enviados e a comunicação entre as células é restabelecida. No entanto, segundo a teoria desenvolvida por Naviaux, durante o desenvolvimento inicial do cérebro de uma pessoa, um problema nas mitocôndrias — que pode ser ambiental ou genético — pode fazer com que esses sinais sejam enviados de forma crônica no cérebro e, portanto, que o organismo tenha sempre essa resposta. O resultado disso é a inflamação crônica do cérebro e o desgaste das conexões das células cerebrais.
A partir dessa teoria, Naviaux e seu time de pesquisadores realizaram testes em camundongos com autismo. Os cientistas avaliaram, por exemplo, a coordenação motora e a interação social dos animais, observando de que forma eles se comportavam quando passavam um tempo junto a outros camundongos.

Depois, parte dos animais com autismo recebeu, durante oito semanas, injeções de suramina, uma droga que bloqueia os sinais de inflamação enviados pelas mitocôndrias e que é utilizada para controlar determinadas inflamações. Segundo os resultados, o tratamento com essa substância eliminou os comportamentos associados ao autismo, mesmo quando foi aplicada muito tempo depois do surgimento dos primeiros sintomas do transtorno.

“A eficácia impressionante mostrada por esse estudo revela a possibilidade de desenvolvermos uma classe de drogas anti-inflamatórias completamente nova para tratar o autismo”, diz Naviaux. Os autores do estudo falam em passar para a fase clínica da pesquisa, que é feita com seres humanos, já em 2014. — uma pesquisa clínica dura, em média, de cinco a dez anos e é composta por três fases.

O uso de antidepressivos durante a gravidez pode dobrar o risco do filho desenvolver autismo. Essa é a conclusão de um estudo realizado na Califórnia e publicado no periódico Archives of General Psychiatry em novembro de 2011, que envolveu 298 crianças com distúrbios do espectro do autismo (ASD, na sigla em inglês) e 1.507 crianças no grupo de controle. O uso de tais medicamentos foi relatado por 6,7% das mães de crianças autistas, contra 3,3% das mães no grupo de controle. Essa relação é considerada mais forte caso os medicamentos sejam utilizados no primeiro trimestre da gravidez.

7920 – Autismo – Estudo reforça que ácido fólico na gravidez pode reduzir o risco de autismo nos bebês


Um extenso estudo americano concluiu que tomar suplementos de ácido fólico durante a gravidez reduz em até 40% o risco de o bebê ter autismo. Essa vitamina, presente em alimentos como brócolis, tomate, lentilha e também em bebidas como a cerveja, diminui as chances de haver má formação congênita, mas ainda não está claro se a substância protege a criança contra problemas neurológicos. A nova pesquisa, publicada nesta quarta-feira no periódico The Journal of The American Association (JAMA), fornece novas evidências que reforçam tal relação, que já havia sido apontada por trabalhos anteriores.
A pesquisa, feita na Universidade da Califórnia, Davis, nos Estados Unidos, se baseou nos dados de 85.176 bebês inscritos no Estudo de Corte de Mães e Crianças Norueguesas, o maior trabalho já feito sobre a influência de fatores genéticos e ambientais sobre doenças neurológicas. Os pais dessas crianças também participaram da pesquisa. Após acompanhar as crianças entre três e dez anos após o seu nascimento, a equipe observou que 270 delas apresentaram algum transtorno do espectro autista.
De acordo com os resultados da pesquisa, mães que fizeram uso de suplementos de ácido fólico antes e durante a gestação tiveram filhos com um risco até 40% menor de serem diagnosticados com autismo na infância. Esse benefício foi observado apenas em mulheres que tomaram os suplementos durante o período entre quatro semanas antes de engravidarem e oito semanas após o início da gestação — o que revela que o momento do consumo da vitamina é crucial para reduzir os riscos de saúde ao bebê. Os pesquisadores não encontraram evidências de que outros suplementos alimentares, como de ômega-3, por exemplo, na gravidez influenciam no risco de autismo no filho.

Consumo ideal — Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o consumo de suplementos de ácido fólico é indicado para prevenir anencefalia (defeito congênito na formação do cérebro e da medula) e espinha bífida (formação anômala dos ossos da coluna vertebral) — dois defeitos de fechamento do tubo neural (estrutura que dará origem ao sistema nervoso central do bebê, incluindo cérebro e coluna).
A recomendação do órgão é a de que as mulheres consumam 400 microgramas por dia de ácido fólico durante pelo menos um mês antes de engravidar e ao longo do primeiro trimestre de gestação — período em que o tubo neural está em pleno desenvolvimento.
Em 2002, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a adição de 4,2 miligramas de ferro e de 150 miligramas de ácido fólico para cada 100 gramas de farinha de trigo e de milho. A intenção era reduzir a prevalência de anemia por deficiência de ferro e prevenir defeitos do tubo neural.

7919 – Café e chá verde reduzem o risco de AVC


Foi o que concluiu um novo estudo feito no Japão. Essa pesquisa mostrou, por exemplo, que beber uma xícara de café por dia já é suficiente para diminuir em 20% a chance de derrame cerebral. O trabalho completo foi publicado nesta quinta-feira no periódico Stroke, da Associação Americana do Coração.
A pesquisa analisou os hábitos alimentares de mais de 82.000 pessoas entre 45 e 74 anos de idade ao longo de 13 anos. De acordo com os resultados, o risco de derrame cerebral é 14% menor para quem bebe de duas a três xícaras de chá verde diariamente em comparação com quem não consome a bebida. Além disso, a análise, que foi desenvolvida na Universidade de Osaka, concluiu que beber uma xícara de café ou duas de chá verde por dia pode diminuir em 32% o risco de hemorragia cerebral. Segundo os autores do estudo, 13% dos casos de AVC ocorrem em decorrência de hemorragia no cérebro.

As conclusões apresentadas pela pesquisa foram obtidas após os dados serem ajustados de acordo com fatores como idade, sexo, tabagismo, consumo de bebida alcoólica, peso, alimentação e níveis de atividade física. Embora o estudo tenha sido feito com um grande número de pessoas, os pesquisadores não conseguiram explicar os mecanismos biológicos pelos quais o chá verde e o café atuam no organismo, mas acreditam que as substancias antioxidantes presentes nas bebidas ajudam a provocar esse benefício observado.

Pesquisadores:
Yoshihiro Kokubo, Hiroyasu Iso, Isao Saito, Kazumasa Yamagishi, Hiroshi Yatsuya, Junko Ishihara, Manami Inoue e Shoichiro Tsugane,

Instituição: Universidade da Osaka, Japão

7918 – Neurociência – Pesquisa usa imagens cerebrais para prever comportamento criminoso


Os juízes podem ganhar em breve uma nova ferramenta para ajudar a decidir o destino de alguns réus: aparelhos de ressonância magnética. Um estudo publicado nesta quarta-feira mostra que os impulsos elétricos captados no cérebro de um detento podem ajudar a calcular o risco de ele voltar a cometer crimes assim que sair da cadeia. Os pesquisadores mostraram que a baixa atividade de uma região cerebral conhecida como córtex cingulado anterior está ligada a uma maior probabilidade de um ex-presidiário reincidir em seus delitos e voltar à prisão. O teste ainda está em seus primeiros estágios de desenvolvimento e longe de ser aplicado para analisar o comportamento de um indivíduo. No entanto, as possibilidades abertas pelo uso da neurologia para prever comportamentos criminosos — a neuroprevisão — já abre uma série de discussões legais, éticas e científicas.
Segundo os cientistas, inúmeros estudos mostram que um dos principais fatores de risco para a reincidência de um criminoso é a desinibição comportamental: uma dificuldade persistente em controlar seus impulsos e considerar as consequências de suas ações. Esse tipo de comportamento costuma estar associado a uma baixa atividade do córtex cingulado anterior, área do cérebro que regula o processamento de erros, monitoramento de conflitos e seleção de respostas. “Essa região regula o comportamento do indivíduo. Se o sistema não estiver funcionando corretamente, ele pode levar a comportamentos desregulados — como a impulsividade”.
Sabendo da importância dessa região cerebral, os neurocientistas conduziram uma pesquisa com mais de 96 detentos que estavam prestes a ser soltos de duas penitenciárias no estado americano do Novo México. Eles participaram de um teste que media sua impulsividade ao mesmo tempo em que sua atividade cerebral era registrada. Os voluntários deveriam acompanhar uma série de letras que surgiam em uma tela e, toda vez que aparecesse um X, eles deveriam apertar um botão. Quando um K aparecesse, ele não deveria ser pressionado. Como o X aparecia mais de 80% das vezes, o detento ficava em um permanente estado de atenção — sempre prestes a apertar o botão. Conforme o esperado, os participantes que registraram menor atividade no córtex cingulado anterior pressionaram mais vezes o botão nos momentos errados, demonstrando dificuldade em controlar seus impulsos.

Quatro anos depois dos testes, 53% dos voluntários já haviam sido presos novamente, após se envolver em novos crimes. Ao comparar os dados dos reincidentes com os daqueles que se mantiveram longe da cadeia, os pesquisadores descobriram que os detentos com baixa atividade do córtex cingulado anterior apresentaram o dobro de chances de passar por uma nova detenção.

Polícia neurológica — A ideia de uma força policial capaz de prever quem vai cometer crimes e agir antes que eles aconteçam é o tema do filme Minority Report, de 2002 (baseado num conto homônimo do autor de ficção científica Philip K. Dick, escrito em 1956). A história se passa em Washington, DC, nos Estados Unidos, em 2045, quando três mutantes passam a ser capazes de “sentir” quem vai cometer um assassinato. O sistema parece funcionar perfeitamente — a cidade passa anos sem registrar nenhum homicídio — até que um dos policiais responsáveis por prevenir os crimes (papel de Tom Cruise) aparece na visão dos mutantes como um dos futuros assassinos. Ele, obviamente, não vê a si mesmo como um criminoso e passa a duvidar das previsões.

Os pesquisadores se mostram céticos quanto à possibilidade de as imagens cerebrais preverem o comportamento de qualquer pessoa. A atividade do cérebro não é capaz de mostrar com exatidão o que alguém fará no futuro. Por isso, dificilmente alguém será preso apenas por causa de sua atividade cerebral. No entanto, essas técnicas podem ajudar a desenhar perfis de personalidade e a calcular o risco de um indivíduo incidir — ou reincidir — em comportamento antissocial. Dessa forma, pode um dia se tornar uma ferramenta útil nos tribunais.

A justiça americana já emprega atualmente uma série de testes comportamentais para medir a capacidade de um indivíduo controlar seus impulsos, calculando assim o risco que ele representa para a sociedade. “Esses testes são usados, por exemplo, para ajudar a decidir se um réu deve ir para a prisão ou para a liberdade condicional. Também são aplicados na hora de julgar se um detento deve continuar preso depois de ter cumprido uma parte da pena. A neuroprevisão poderia se somar a esses testes que já são aplicados, para ajudar a justiça a chegar a uma decisão mais acertada”.Tais decisões podem ter uma grande impacto na vida do réu. Se a técnica pode torná-las mais justas, essa é a coisa mais racional a ser feita.
Mesmo que a tecnologia se mostre 100% precisa, uma série de questões éticas e práticas podem impedir sua utilização. A primeira delas é simples: será ético — e legal — forçar alguém a ter seu cérebro escaneado? “Se uma pessoa se recusar a participar do teste, ela pode ser penalizada? Nos Estados Unidos, essa é uma questão ainda em aberto”, diz Morse. Outro problema é algumas pessoas podem aprender a ativar algumas áreas do cérebro e “enganar” os aparelhos de ressonância magnética, ludibriando todo o sistema de justiça.

Por enquanto, antes que todas essas questões sejam respondidas, os estudos devem levar ao desenvolvimento de novas técnicas para diminuir a reincidência criminal. Os pesquisadores pensam, por exemplo, em estudar tratamentos e intervenções que ajudem os detentos com baixa atividade no córtex cingulado anterior. No entanto, eles não escondem o desejo de que a tecnologia vá parar nos tribunais.

7917 – Número de pessoas que sobrevivem ao câncer deve aumentar 31% até 2022


A Sociedade Americana de Pesquisa sobre o Câncer (The American Association for Cancer Research, AACR) divulgou nesta quarta-feira o segundo Relatório Anual de Sobrevivência ao Câncer nos Estados Unidos. O documento, publicado no periódico científico da AACR, Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, prevê um aumento de 31% na sobrevivência ao câncer nos Estados Unidos até 2022: de 13,7 milhões de sobreviventes em janeiro de 2012 para 18 milhões dez anos mais tarde.
O relatório utiliza dados governamentais do programa Surveillance, Epidemiology and End Results, que recolhe informações sobre câncer na população dos Estados Unidos, e de projeções para o censo populacional do país.
Além do aumento estimado no número de sobreviventes ao câncer, o documento mostra que a sobrevivência não é uniforme para todos os tipos de câncer. Atualmente, mulheres com câncer de mama representam 22% dos sobreviventes, enquanto homens com câncer de próstata correspondem a 20%. Pacientes com câncer de pulmão, o segundo tipo mais comum da doença, representam apenas 3% dos sobreviventes.
Desafios – De acordo com Julia, o aumento do número de pessoas que sobrevivem ao câncer representará um novo desafio para a saúde pública. Pacientes diagnosticados com câncer terão chances maiores de apresentar outras doenças concomitantes que precisarão ser tratadas. Ela também estima que 16% dos pacientes já terão desenvolvido um tumor anteriormente. “Garantir que esses pacientes tenham vidas longas, saudáveis e produtivas será um desafio para todos nós”, afirma.

Pesquisadores:
Janet S. de Moor, Angela B. Mariotto, Carla Parry, Catherine M. Alfano, Lynne Padgett, Erin E. Kent, Laura Forsythe, Steve Scoppa, Mark Hachey e Julia H. Rowland.

O cirurgião Murray Brennan é referência mundial no tratamento de sarcomas dos tecidos moles. Autor de mais de 1.000 artigos científicos, ele acredita que no futuro o câncer será uma doença crônica, assim como a hipertensão.

Pensar em conviver com o câncer para o resto da vida não parece ser a solução ideal para quem está doente. Ainda muito associada à morte, a doença envolve tratamentos longos, com sintomas desgastantes, além do frequente medo de uma recidiva. Se a cura ainda parece distante, é fato que com a evolução dos medicamentos e da tecnologia, o câncer está se tornando uma doença cada vez mais tratável. Dentro de alguns anos, já será possível pensar nele como uma doença crônica, uma espécie de hipertensão. É isso que pensa Murray Brennan, vice-presidente de programas internacionais do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, um dos maiores centros oncológicos dos Estados Unidos, localizado em Nova York. “Não há uma bala mágica que se dá aos pacientes para curar todos os tipos de câncer. Mas temos várias balas eficazes”, completa. Otimista, o cirurgião dedicou sua vida a estudar o câncer desde a década de 70. Hoje, é referência mundial no tratamento de sarcomas dos tecidos moles e assinou mais de 1.000 artigos científicos durante a sua carreira.

“Durante 30 anos, as vacinas foram muito decepcionantes. Acredito que as chances de elas serem utilizadas como uma única resposta contra o câncer são muito pequenas. Em algumas situações específicas, está claro que as vacinas adicionam a outros tratamentos. Elas podem ser úteis por fazer com que o sistema imunológico dos pacientes fique mais ativo ao mesmo tempo em que eles são tratados com outras drogas. Acho que essa é uma abordagem possível.”

Murray

7916 – Laboratório nos EUA perde amostra de vírus mortal


Um frasco com 1 ml do vírus causador do guanarito, febre hemorrágica transmitida por roedores na Venezuela, foi perdido em um laboratório na Universidade do Texas em Galveston, nos EUA.
O presidente da escola de medicina da universidade, David Callender, divulgou uma carta no domingo (24-março) na qual afirma que uma inspeção no laboratório da instituição constatou a falta do frasco que deveria estar em um congelador lacrado com acesso restrito.
Segundo Callender, não há risco de transmissão da doença de pessoa para pessoa. Os CDCs (Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA) foram avisados e estão auxiliando as investigações.
Para o presidente da instituição, o mais provável é que o frasco tenha sido destruído durante um procedimento normal de esterilização do laboratório.
A rede de notícias americana ABC afirma que o FBI está supervisionando as investigações.
O Laboratório Nacional de Galveston guarda amostras de alguns dos mais vírus mais perigosos nos EUA.

7915 – Geologia – Terremotos deram origem a mais de 80% dos depósitos de ouro do planeta


Mais de 80% dos depósitos de ouro do mundo se formaram a partir de terremotos. Um estudo desenvolvido por pesquisadores australianos mostra que o precioso metal se forma em virtude da despressurização rápida de fluidos ricos em minerais presentes no interior da crosta terrestre, provocada pelos abalos sísmicos. A pesquisa foi publicada neste domingo, na revista Nature Geoscience.
Em profundidades que variam de 5 a 30 quilômetros, fluidos com diversas substâncias dissolvidas, como ouro e minerais, presentes nas cavidades de falhas geológicas da crosta terrestre são submetidos a temperatura e pressão elevadas. Terremotos nessas regiões podem causar uma queda de pressão tão grande que faz com que esses líquidos se vaporizem instantaneamente.

Queda de pressão – De acordo com os pesquisadores, a pressão pode cair de 3.000 vezes a pressão atmosférica para uma pressão quase idêntica à da superfície da Terra, o que faz com que o fluido passe por um processo de “vaporização instantânea”. A despressurização faz com que os fluidos sofram uma expansão de até 130.000 vezes seu tamanho, formando um vapor de baixa densidade.
Quando isso ocorre, os resíduos sólidos presentes no fluido, como o ouro, ficam para trás, acumulando-se ao longo do tempo. Mais tarde, a entrada de novos fluidos nas cavidades pode dissolver alguns dos minerais deixados para trás, mas aqueles menos solúveis, como o ouro, vão se acumulando cada vez mais à medida que novos terremotos ocorrem.
Os autores do estudo estimam que falhas geológicas ativas podem produzir 100 toneladas de ouro em menos de 100.000 anos.
A ideia com que depósitos de ouro se formam a partir de fluidos ricos em minerais em falhas nas rochas abaixo do solo já era conhecida dos geólogos, mas a maneira como o ouro se acumula não estava clara, pois não se supunha que as mudanças de pressão desencadeadas por terremotos fossem tão grandes quanto as estimadas no estudo.

7914 – Não é Magia, é Tecnologia – Pesquisadores criam capa da invisibilidade ultrafina


As tecnologias de invisibilidade passaram por grandes avanços na última década. Mesmo assim, ainda estão longe do que é visto no cinema: os dispositivos ainda são volumosos, pouco flexíveis e em geral só funcionam para “esconder” formas geométricas — muito diferente da capa de invisibilidade da série Harry Potter, por exemplo.

Conhecendo a Pesquisa

Título original: Demonstration of an ultralow profile cloak for scattering suppression of a finite-length rod in free space
Onde foi divulgada: periódico New Journal of Physics
Quem fez: J. C. Soric, P. Y. Chen, A. Kerkhoff, D. Rainwater, K. Melin e A. Alù

Instituição: Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos

Dados de amostragem: Uma capa de fios de cobre afixados em um filme de policarbonato de 100 micrômetros, arranjados em um formato de rede
Resultado: A capa foi colocada sobre um cilindro de 18 centímetros e foi capaz de deixá-lo imperceptível para raios de luz no comprimento das micro-ondas.

Pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, deram um passo importante ao apresentar um manto maleável, com a espessura aproximada de um fio de cabelo. A tecnologia só foi testada para micro-ondas, mas os pesquisadores acreditam que em breve poderão experimentar seus resultados no espectro da luz visível. Um estudo foi publicado na edição desta terça-feira da revista New Journal of Physics.
A capa desenvolvida pelos cientistas é feita a partir de fios de cobre afixados em um filme de policarbonato de apenas 100 micrômetros (o que equivale a um décimo de milímetro), arranjados em um formato de rede com fitas verticais e circulares. O manto foi usado para tornar um cilindro de 18 centímetros invisível a micro-ondas na frequência de 3,6 Gigahertz. Durante os testes, sensores instalados de todos os lados do cilindro foram incapazes de perceber sua existência.
Os pesquisadores preveem que a flexibilidade inerente ao formato do manto permita que ele seja usado para esconder um grande número de objetos de formatos assimétricos, ao contrário do que acontece com a grande maioria das tecnologias desenvolvidas até hoje.
Invisibilidade – Os objetos são detectados conforme o reflexo das ondas — podem ser de luz, raios-x, micro-ondas ou até som — em sua superfície. Um objeto só é enxergado, por exemplo, quando os raios de luz visível são refletidos em direção aos olhos do observador.

Os estudos anteriores sobre dispositivos de invisibilidade se baseavam no desenvolvimento de materiais capazes de desviar os raios de luz ao redor de um objeto, impedindo sua reflexão. Assim, os pesquisadores criavam a ilusão de que ele não estava ali. Essa tecnologia, no entanto, ainda resulta em dispositivos grandes e poucos adaptáveis.
O novo método usa as ondas refletidas pelo próprio manto para anular as ondas refletidas pelo objeto coberto. “Os campos da capa e do objeto se cancelam, e o efeito geral é de transparência”.
Segundo os pesquisadores, as vantagens do manto em comparação às tecnologias mais antigas é justamente sua flexibilidade — ele pode ser usado em vários tipos de materiais sem precisar de grandes adaptações. Além disso, é de fácil fabricação e pode funcionar com diferentes tipos de onda.
A tecnologia foi primeiro testada em micro-ondas, raios invisíveis ao olho humano, usados em radares e nas telecomunicações. O próximo desafio é usar o manto para esconder um objeto no espectro da luz visível. É um desafio e tanto. O tamanho dos objetos que podem ser escondidos com esse método muda conforme o comprimento de onda. Por enquanto, os cientistas preveem que, trabalhando com luz visível, só poderão esconder objetos do tamanho de micrometros.

7913 – Prêmio Nobel 2010 – Vencedor do Nobel de Física já ganhou o Ig Nobel e esteve três vezes no Brasil


O russo naturalizado holandês Andre Geim, um dos vencedores do Prêmio Nobel de Física de 2010, já viveu momentos menos glamorosos na ciência. Em 2000, ganhou o infame Ig Nobel em companhia de Michael Berry, da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha, por levitar um sapo usando semicondutores. Mas, com o prêmio deste ano dado pela Academia Sueca de Ciências, ele cumpre com brilhantismo o conselho dado todo ano por Marc Abrahams, criador do Ig Nobel, ao final das cerimônias de premiação: “mais sorte no próximo ano para os que não ganharam o prêmio – e principalmente para os que ganharam.”

Apesar do que o fato de ter um Ig Nobel na estante possa indicar, Geim, que ganhou o Nobel junto com o pesquisador russo Konstantin Novoselov, já era respeitado internacionalmente pelas suas pesquisas com semicondutores e, principalmente desde 2004, pela invenção e descoberta das propriedades do grafeno.
Foi graças a essa fama que Geim já visitou o Brasil três vezes, sempre convidado a palestrar em congressos internacionais realizados no país. Nesta década, ele veio a um encontro sobre magnetismo, no Rio de Janeiro, e a dois encontros sobre semicondutores, em Belo Horizonte e em São Paulo.

7912 – Quadrinhos – A Morte de Robin


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Roteirista diz que Robin precisa morrer para Batman triunfar
Ao blog da DC Comics, Grant Morrison contou que Damian Wayne não poderia almejar substituir o pai, já que Bruce nunca morre — diferente do Super-Homem.
O roteirista contou ao blog da editora americana DC Comics que o fim de Damian, filho de Bruce Wayne com a vilã Talia Al-Ghul, já estava planejado desde o começo. Segundo Morrison, Damian, que se tornou o quinto Robin do universo Batman, não pode crescer porque não pode almejar substituir o pai, que sempre será o principal herói de Gotham City.
“Eu escolhi criar a minha história em cima do trauma, do assassinato dos pais de Bruce Wayne, algo que pauta a conduta de Batman. Os principais vilões de Bruce são, para mim, baseados em arquétipos de péssimos pais”, escreveu Morrison. “Esse tema de famílias arruinadas esteve por trás da criação de Damian, o primeiro filho de Batman. De muitas maneiras, a história de Damian Wayne foi a história de Bruce e o seu fim estava planejado há tempos. Afinal, qual filho poderia esperar substituir o pai que nunca morre?”, explicou o roteirista.
A morte de Damian foi contada na edição da revista Batman Incorporated.
O garoto de 10 anos era fruto do affaire do ricaço Bruce Wayne com a filha de um dos seus principais rivais, Ra’s Al Ghul. Damian Wayne não é o primeiro Robin a morrer. Jason Todd foi morto pelo Coringa, e depois ressuscitou — coisa de novela, mas também de gibi — em 2005.
“Salva o mundo. Faz o seu trabalho como Robin e morre como herói absoluto”, disse o autor dos quadrinhos, Grant Morrison, em entrevista para o New York Post. Perguntado sobre a substituição de Robin, o escritor disse que “nunca se pode dizer nunca” no mundo dos quadrinhos. “Enfim, Batman terá sempre um parceiro.”